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terça-feira, 9 de maio de 2017

Brasil tem 1.158 novas unidades do SUS que nunca foram abertas

UPAs e UBSs estão fechadas por falta de verba ou falhas no planejamento dos governos


Leda Pereira, de 60 anos, estava em casa no dia 15 de fevereiro quando a visão escureceu e as pernas bambearam. Apesar de morar a 50 metros da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), um pronto-socorro no Jardim Paulista, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, ela não pôde ser atendida no local. Teve de ser levada às pressas a uma unidade a cerca de 5 quilômetros dali, onde ainda esperou quase uma hora para ser atendida e medicada contra uma crise de pressão baixa.

Construída em 2014, a UPA vizinha à casa de Leda nunca foi aberta. É uma das 1.158 novas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) que estão fechadas por falta de verba de custeio ou falhas no planejamento dos governos. Conforme os dados do Ministério da Saúde, obtidos pelo Estado, estão nesta situação 165 UPAs e 993 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para se ter ideia, o Brasil tem hoje em atividade 538 UPAs (prontos-socorros) e cerca de 40 mil UBSs (postos de saúde). Considerando o custo unitário médio de construção de cada um desses tipos de estrutura, estima-se que o Ministério da Saúde tenha gasto mais de R$ 1 bilhão com obras de serviços jamais inaugurados.

Na época do anúncio dos investimentos, a partir de 2008, o ministério determinou que a verba fosse exclusiva para a construção de unidades novas. “Os prefeitos não tinham a opção de utilizar esse recurso com algo considerado mais urgente na saúde, como a ampliação de uma unidade já existente. Então foram construídas várias UPAs e UBSs, algumas em cidades que nem precisavam, outras onde a prefeitura nem tinha dinheiro para custeá-las. Fazer obra é fácil, o problema é manter funcionando todo mês”, diz Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Mudanças
O próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, no cargo há 11 meses, reconheceu o problema e disse que a pasta está implementando mudanças na forma de investir em novas unidades. “De fato, não houve um planejamento. Além das UPAs e das UBSs fechadas, temos equipamentos novos comprados encaixotados e hospitais sem funcionar.”

A pasta afirmou que tem economizado recursos para possibilitar a abertura dos serviços. A alegação é de que nos 300 primeiros dias da gestão Barros foram economizados R$ 2,9 bilhões, parte reinvestida em 126 UPAs que não recebiam contrapartida do governo federal. Ainda no caso específico das UPAs, a pasta também flexibilizou em dezembro a regra sobre o número mínimo de profissionais exigidos para a unidade entrar em funcionamento. A ideia era estimular as prefeituras a abrirem o serviço — o que ainda não teve efeito.

Descompasso
O caso das mais de mil unidades de saúde prontas, mas fechadas é, para especialistas, apenas um dos exemplos de como o descompasso entre as decisões federais e as necessidades locais têm desperdiçado bilhões de reais. Hoje, os repasses federais para os gestores locais são feitos por meio de seis blocos temáticos de financiamento subdivididos em 880 possibilidades de alocação de recursos, as “caixinhas”. O recurso, portanto, já chega ao município com finalidade preestabelecida pelo ministério. “Estamos tentando mudar esse formato dos repasses. Não tem sentido ter seis blocos de financiamento divididos em mais de 800 tipos de alocação. A nossa proposta é repassar a verba em apenas duas modalidades — custeio e investimento — para flexibilizar o uso pelo gestor local”, disse Barros ao Estado.

“A gente tem um Poder Executivo muito centralizador não só no orçamento, mas na normatização. Isso não é bom para a saúde, não é bom para nada. O papel do ministério não deveria ser o de construir prédio ou de engessar a atuação dos municípios, mas, sim, de orientar as ações locais e monitorar sua qualidade e efetividade”, diz a sanitarista Ligia Bahia, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

R7

Brasileiros usam estimulantes sexuais de forma irresponsável

Pesquisa realizada em 16 capitais brasileiras identificou que Porto Alegre é a cidade com maior índice. Homens acima de 56 anos estão entre os que mais usam

De acordo com o Ministério da Saúde, quase 60.000 internações por automedicação foram registradas no Brasil, entre 2009 e 2014. O mais curioso é saber que dentro do percentual de homens adeptos à prática, cerca de 10% fazem uso recreativo de estimulantes sexuais: ou seja, usam esse tipo de medicamento de forma irresponsável, sem real indicação médica.

No Brasil, são comercializados cinco tipos de estimulantes e, de acordo com estudo do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, lidera o ranking das capitais onde o uso recreativo de viagra, cialis, entre outros é mais expressivo:

1º Porto Alegre – RS: 38%
2º Brasília – DF: 18%
3º Vitória – ES: 15%
4º Goiânia – GO, Rio de Janeiro – RJ e Curitiba – PR: 13%
5º Recife – PE: 11%

De acordo com o Roberto Vaz Juliano, urologista e membro do Instituto de Urologia do Hospital Oswaldo Cruz, cada medicamento tem dose e posologia únicas, e só deveriam ser utilizados com indicação médica. Entre os principais efeitos colaterais devido ao uso recreativo estão arritmia cardíaca, cefaleia, distúrbios visuais, vermelhidão na pele, tontura, dores musculares e câimbras.

Dos que fazem uso de forma irresponsável, 56% pertencem às classes sócias A ou B, 38% têm idade a partir dos 56 anos e outros 15% têm menos de 40 anos. A pesquisa foi realizada em 16 capitais brasileiras de todas as regiões do país, com 2.340 pessoas, que responderam o questionário de maneira involuntária.De acordo com dados do ICTQ, a margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.

Automedicação
Um segundo estudo da NZN Inteligence (plataforma brasileira de levantamento e geração de informação e dados), realizado entre agosto e setembro do ano passado, com mais de 2.000 brasileiros entrevistados, investigou quais são os hábitos da população em relação à automedicação e às medidas que tomam quando têm algum problema de saúde:

– 68% dos pesquisados afirmaram que tomam remédios por conta própria
– 37% relatou que procuram os sintomas na internet quando se sente mal, em detrimento a outras medidas
– 31% buscam soluções em conversas com amigos e familiares
– 26% utilizam medidas caseiras como chás
– 16% vão à farmácia
– 14% vão ao médico

Entre os medicamentos mais consumidos por conta própria estão os analgésicos (88%), os anti-inflamatórios (67%) e os antiácidos (48%). Entre os menos consumidos estão os homeopáticos (7%), os controlados (5%) e os remédios para emagrecer (5%).

Veja

Atenção para o uso racional, seguro e responsável de medicamentos

Em alusão a data que marca o Uso Racional, Seguro e Responsável de medicamentos, lembrada no dia 5 de maio, o Ministério da Saúde reuniu o Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CNPURM) para discutir a agenda de 2017 e a organização do VI Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos e I Congresso Pan-Americano sobre Uso Racional de Medicamentos


As discussões em torno do tema ainda reforçam a importância de utilizar os medicamentos corretamente, fazer o descarte adequado, e estar atento aos riscos de intoxicação.

Geisa Farani, Consultora Técnica do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), do Ministério da Saúde, explica que esta agenda não envolve apenas os profissionais de saúde. “A gente tem que entender que todos nós somos responsáveis, não só o profissional como o próprio cidadão. Através das recomendações e ações é possível fortalecer as equipes e mostrar à população a importância que ela tem”.

Além disso, a farmacêutica Célia Chaves, integrante do Comitê como representante da Federação Nacional de Farmacêuticos, reforça que o Uso Racional de Medicamentos já vem sendo discutido mundialmente há muito tempo. “É uma questão que aflige a todos, as populações mais ricas e as mais pobres, tanto pela medicalização exagerada quanto pela falta de medicamento”.

Se o tratamento não for feito da maneira adequada, como foi prescrito, pode haver consequências para a população. É isso que explica Cleonice Gama, coordenadora do Programa Farmácia Popular do Brasil, do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), do Ministério da Saúde. “Os medicamentos servem para auxiliar na melhora da saúde da população. É muito importante usar esses medicamentos adequadamente porque eles podem ter um efeito colateral indesejado, e podem causar intoxicações ou um sub efeito, onde você só mascara os sintomas”.

Outro ponto importante é que usar de maneira irracional não é apenas utilizar em excesso. Todo o processo que envolve o uso do medicamento deve ser feito com cuidado, desde os profissionais que prescrevem nas Unidades de Saúde até o cidadão que vai fazer o uso em casa. “No SUS, por exemplo, nós temos a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, e as prescrições devem seguir Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. explica Cleonice.

Após a prescrição, no momento que o medicamento chega ao usuário, é importante tomar a quantidade certa, na hora certa, pelo tempo que foi determinado. Não é indicado suspender o tratamento antecipadamente, principalmente nos casos de antibióticos, quando pode ocorrer o surgimento de resistência bacteriana, e consequente desenvolvimento de superbactérias, dificultando encontrar o tratamento adequado dentro das opções terapêuticas disponíveis para aquela doença.

Outro aspecto que a população também deve levar em conta é o controle na hora de armazenar os medicamentos: eles devem estar no local adequado, em condições ideais de temperatura. Aqueles que são termos- sensível devem ficar na geladeira, e o que não é termo-sensível deve estar a uma temperatura ambiente adequada. Também é necessário observar se houve a degradação dos medicamentos, como alteração de cor, formato, aparência, e sabor.

Após utilizar a quantidade prescrita de medicamento, caso haja sobras, elas devem ser descartadas em local correto, não devendo ser jogadas no vaso sanitário ou pia da cozinha, pois isso vai gerar uma cadeia de contaminação no meio ambiente.

O Ministério da Saúde disponibiliza ainda para a população a Cartilha para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos, que está disponível aqui.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde