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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Fitoterápicos: tratamento de doenças retirado da natureza

WhatsApp Image 2017-07-28 at 14.19.49Usadas para o tratamento e até a cura de doenças, plantas medicinais são cada vez mais utilizadas por pacientes do SUS

No Acre, a biodiversidade da floresta tem contribuído para o tratamento de doenças. Pactuadas com o Ministério da Saúde, as Secretarias de Saúde estadual e municipal de Rio Branco desenvolvem o projeto Farmácia Viva, que prescreve fitoterápicos aos pacientes de uma das Unidades Básicas de Saúde da capital acreana. A coordenadora do projeto no Acre, Silvia Basso, conta que eles são entregues de três formas: a planta in natura, cultivada por eles; a planta seca para que os pacientes façam chá ou xaropes, por exemplo; e o medicamento produzido dessas plantas.

Mas isso não é exclusivo do Acre.Outros projetos semelhantes a este estão beneficiando a população em outros lugares do país.

Carqueja, Chá verde e Ginkgo biloba são alguns exemplos de fitoterápicos. Caso queira saber mais sobre o registro de algum fitoterápico, acesse: Medicamentos fitoterápicos e plantas medicinais.

Extraídos de plantas medicinais que têm o potencial de tratar doenças, os fitoterápicos já são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde 2006. Parece simples, mas a avaliação e incorporação deles na rede pública são criteriosas. “É importante destacar que os fitoterápicos não têm princípios ativos isolados, eles têm legislações específicas e passam por critérios para conseguirem ser registrados, pois é preciso comprovar segurança e eficácia”, esclarece Benilson Barreto, farmacêutico do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Os fitoterápicos só passam a ser considerados medicamentos se produzidos por farmácias de manipulação ou pela indústria farmacêutica. Mas a droga seca ou a planta medicinal fresca também são considerados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como fitoterápicos, dentro da categoria “produto tradicional”. A Anvisa é responsável por analisar desde a eficiência até a comprovação de que não há efeitos indesejados com o uso dessas plantas. “A tradicionalidade de uso para registro é reconhecida também pela própria Organização Mundial de Saúde e outras agências regulatórias, como a da Europa”, detalha Benilson Barreto.

Apesar de muitas plantas terem o poder de tratar doenças, o Ministério da Saúde não recomenda o uso de qualquer tipo delas com objetivo medicinal. O alerta é: nem tudo que sai da natureza pode ser utilizado como remédio. Para precisão aos pacientes, os médicos obedecem a uma lista de fitoterápicos já reconhecidos pela Anvisa. A mesma listagem regula as farmácias de manipulação.

Fitoterápicos na prática
“O Acre já trabalha há muitos anos com a biodiversidade da floresta, mas isso nunca chegou à população. A não ser agora por meio do projeto, que fica na Unidade Básica Luiz Gonzaga. Os fitoterápicos são recomendados como qualquer outro tipo de medicamento. E a prescrição traz informações como quantas gramas, quantas vezes ao dia, como usar”, conta a coordenadora do Farmácia Viva, Silvia Basso.

Antes, o projeto fez um levantamento para saber se as pessoas já usavam ou gostariam de usar plantas medicinais. “É bem aceitável, a população gosta às vezes até mais do que os alopáticos. E como são usados para a Assistência Básica já existe a comprovação que eles têm aquele ativo e é para doenças não graves”, exalta.

Avanço dos fitoterápicos
Em 2016, quando anunciou a liberação de um milhão de reais para que a região Norte investisse em medicamentos fitoterápicos, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, destacou a importância deste tipo de fármaco para a Atenção Básica ofertada aos brasileiros. “A nossa expectativa é que os fitoterápicos avancem, tanto na prescrição médica quanto na disponibilidade por municípios. Porque são medicamentos com efeito consolidado. Há milhares de anos isso é uma tradição saber que determinadas plantas causam determinados efeitos no organismo humano. E também porque são mais baratos, são mais fáceis de aplicar e têm menos efeitos colaterais. Seria muito útil que fitoterápicos estivessem mais presentes na prescrição dos médicos do Sistema Único de Saúde”.

O desejo do ministro Ricardo Barros já se tornou realidade. Entre os anos de 2013 e 2015, a busca por esses produtos no SUS cresceu 161%. E, graças ao Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, está disponível em 3,2 mil unidades de 930 municípios. Por ano, mais de 12 mil pessoas são beneficiadas com a utilização de fitoterápicos, que tratam especialmente doenças mais simples, relacionadas a problemas respiratórios, estomacais, indicados sempre depois de uma consulta médica na rede de Atenção Básica do SUS.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

O que leva as Forças Armadas dos EUA a comprarem tanto Viagra

Em meio à polêmica proibição do presidente Donald Trump à presença de transgêneros nas Forças Armadas dos EUA, um número tem sido mencionado com frequência: os US$ 84 milhões (R$ 265 milhões) que o Pentágono gasta anualmente em medicamentos para disfunção erétil, segundo o periódico Military Times

Para efeitos comparativos, o centro de estudos Rand Corporation estima em US$ 8,4 milhões o quanto as Forças Armadas gastariam por ano em despesas médicas relacionadas a mudança de sexo de militares. Mas por que o Departamento de Defesa dos EUA gasta tanto em Viagra, Cialis e similares?

Aposentados e combatentes
Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que o levantamento do Military Timesfoi feito em 2015 com base em dados oficiais do ano anterior, quando foram gastos US$ 84,2 milhões em drogas para disfunção erétil. No total, o periódico estimou que haviam sido gastos US$ 294 milhões nesses medicamentos desde 2011.

Só em 2014, essas drogas – sobretudo Viagra – foram receitadas mais de 1,18 milhão de vezes dentro do sistema de saúde bancado pelo Pentágono. Apenas 10% dessas receitas foram feitas para militares na ativa – a grande maioria foi para outros grupos, incluindo os milhões de oficiais na reserva e seus familiares. Calcula-se que 10 milhões de pessoas sejam beneficiárias do sistema de saúde do Pentágono, que gerou gastos de US$ 52 bilhões em 2012. Ainda que a disfunção erétil afete principalmente homens mais velhos, o problema tem crescido entre jovens militares americanos desde as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Causas psicológicas
Também em 2014, um estudo do Serviço de Vigilância de Saúde das Forças Armadas (AFHSB, na sigla em inglês) descobriu que mais de 100 mil casos de disfunção erétil foram diagnosticados entre combatentes do Exército entre 2004 e 2013. As taxas anuais da doença mais do que dobraram nesse período. Quase metade dos casos tinham origens psicológicas, segundo o levantamento.

Uma pesquisa publicada no Journal of Sexual Medicine em 2015 descobriu que veteranos homens com síndrome de estresse pós-traumático tinham “tendência significativamente maior do que seus pares civis de ter disfunção erétil ou outros problemas sexuais”.

Há levantamentos indicando que 85% dos combatentes veteranos com estresse pós-traumático tenham disfunção erétil – taxa quatro vezes maior do que a observada entre os militares que não apresentaram problemas mentais. Em 2008, o Rand Corporation estimou que um a cada cinco veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão sofriam de estresse pós-traumático ou depressão profunda.

Problema comum
No entanto, uma estatística escondida no estudo da AFHSB sugere cautela no que diz respeito ao elo entre as guerras, a disfunção erétil e os enormes gastos militares com Viagra. Oficiais que sequer haviam estado em combate tinham tendência maior de apresentar disfunção erétil, um mal que está relacionado a diversos outros problemas de saúde comuns, como doenças cardíacas, pressão alta e diabetes.

Uma estimativa de 2007 aponta que 18% dos homens americanos sofriam de disfunção erétil. Em resumo, o problema é bastante comum no país. E, como as Forças Armadas pagam pelos custos de saúde de milhões de homens, acabam por consequência gastando muito dinheiro com Viagra e drogas parecidas.

Foto: Reprodução

BBC Brasil

Nova classe de antibióticos se mostra capaz de combater superbactérias

Estudo indica que droga, além de tratar, não tem efeitos colaterais

Imagem de como seria a aparência de uma superbactéria, resiliente aos ataques de antibióticos - Divulgação

Com o crescimento da quantidade de bactérias resistentes aos antibióticos hoje disponíveis — conhecidas como superbactérias —, há uma corrida de cientistas em busca de novos meios para combatê-las. Uma das principais apostas dos pesquisadores são remédios à base de inibidores da enzima LpxC, importante na formação da membrana externa de várias bactérias.

Um grupo internacional de estudiosos publicou nesta terça-feira, no periódico científico “mBio”, um relato de experiências em laboratório que sugerem alta eficácia de um novo inibidor de LpxC: ele se mostra capaz de tratar infecções bacterianas graves, como a que causa a peste bubônica, doença diagnosticada em mais de mil pessoas ao ano e fatal se não tratada. O composto foi batizado de LPC-069 e não foi considerado tóxico pelos pesquisadores.

— Nosso estudo mostra que a enzima LpxC é um alvo viável e podemos administrar o composto em níveis muito altos sem toxicidade visível — destacou um dos líderes do estudo, o bioquímico e biólogo estrutural Pei Zhou, da Universidade Duke, nos EUA.

A droga foi desenvolvida em conjunto com o químico Eric Toone, também da Duke, e com o biólogo Florent Sebbane, que é pesquisador do Instituto Pasteur de Lille, na França. Ela não apresentou efeitos colaterais sérios em nenhuma das doses testadas, incluindo a dose mais alta, informaram os pesquisadores. E estudos in vivo (quando se observa o que ocorre dentro de um organismo vivo) do composto mostraram atividade antibiótica contra mais de uma dúzia de doenças bacterianas, incluindo linhagens clínicas resistentes a múltiplos fármacos.

Todas as bactérias foram cultivadas em pacientes do Hospital Universitário de Lille, na França, com exceção da Yersinia pestis, a que causa a peste bubônica. Esta foi testada somente em camundongos. Os pesquisadores injetaram a Y. pestis em 15 camundongos. Os animais do grupo controle não receberam tratamento. Dezoito horas após a infecção, os camundongos do grupo experimental foram tratados com alta dose de LPC-069. Cinco dias depois, os ratos não tratados estavam mortos, enquanto os ratos tratados com LPC-069 sobreviveram.

Os inibidores de LpxC representam uma nova classe de antibióticos que podem tratar uma série de doenças infecciosas causadas por micróbios hoje muito difíceis de combater. No artigo, os cientistas informam sobre outro inibidor dessa enzima, chamado LPC-058, que demonstrou atividade antibiótica in vitro, sendo também bem-sucedidos em tratar infecções da peste em camundongos. No entanto, esse composto levou a efeitos colaterais como diarreia, acumulação de glóbulos brancos nos pulmões e nos intestinos e, em doses mais elevadas, provocou toxicidade hepática.

O Globo