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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Remédios caríssimos vão para o lixo por falta de controle dos estados

Foto Ilustrativa: G1
Segundo a Controladoria-Geral, a falta de controle nos pedidos faz com que os medicamentos percam a validade sem chegar a quem realmente precisa 

Um relatório feito pela Controladoria-Geral da União (CGU), com informações levantadas neste ano identificou no Amapá um prejuízo de R$ 40.711.824,24 aos cofres públicos com medicamentos de alto custo vencidos ou perdidos por falta de bom armazenamento.

Os remédios nessa faixa têm grande impacto financeiro aos cofres públicos e só são distribuídos aos Estados sob supervisão da União. Os remédios de alto custo são utilizados por pacientes da rede pública com câncer, hemofilia, esquizofrenia, e outras doenças. Entre os produtos perdidos pela passagem do prazo de validade estavam 68 frascos de Alfapeginterferona, usado no combate ao melanoma, o tipo mais perigoso de câncer de pele, além de 168 comprimidos de Quetiapina, destinado a pacientes com transtornos mentais.

O Sistema Único de Saúde (SUS) também gasta cerca de R$ 7,1 bilhões por ano para comprar remédios de alto custo em todo o Brasil. Mas pelo menos uma parte desse valor tem ido direto para o lixo. Um relatório inédito da Controladoria-Geral da União (CGU), concluído em abril, mostra que 11 Estados e o Distrito Federal jogaram remédios fora em 2014 e 2015.

Os Estados em que houve descarte foram Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.

Casos graves
Uma das situações mais graves no SUS aconteceu na Bahia: entre 2013 e 2014, cerca de 200 mil comprimidos de Olanzapina (usado no tratamento da esquizofrenia) tiveram de ser jogados fora No total, foram R$ 3,5 milhões descartados em comprimidos vencidos. Um simples controle do estoque teria evitado o problema.

No Rio de Janeiro, a perderam-se 1.104 frascos de um medicamento chamado Boceprevir 200 mg, usado para o tratamento da Hepatite C - cada unidade custa ao governo R$ 6.102,98. A Secretaria Estadual de Saúde disse à CGU que os medicamentos já chegaram próximos do prazo de vencimento, por serem importados.

No total, a auditoria da CGU encontrou perdas que chegam a R$ 16,07 milhões, a estimativa é da reportagem da BBC Brasil.

Em Alagoas, a Secretaria de Saúde deixou de usar a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de remédios em 2014. Ao pagar o imposto de forma indevida, houve prejuízo de R$ 156 mil.

No Amapá, os auditores encontraram embalagens de suco, frutas e garrafas d'água nos mesmos refrigeradores usados para guardar os remédios.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que a responsabilidade pelo armazenamento e controle dos prazos de validade é compartilhada entre a pasta e as secretarias de saúde dos Estados. A compra de medicamentos para o SUS é divida em três grupos (básico, estratégico e especializado). Os R$ 7,1 bilhões gastos em 2016 foram para o componente especializado, que é o dos medicamentos de alto custo. O ministério não comentou os casos de perda de medicamentos.

iG

Conscientização da Esclerose Múltipla ressalta a importância do diagnóstico

escleroseHospitais da Rede Ebserh oferecem tratamento para doença e são referência na área

No primeiro semestre de 2016, o estudante de fisioterapia Manoel Feitosa Neto, então com 21 anos, começou apresentar problemas de visão depois de uma cirurgia no maxilar. Após alguns exames, foi diagnosticado com esclerose múltipla no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), filiado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). “Após o início do tratamento, passei a levar uma vida normal”, enfatiza.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica inflamatória crônica. Desde 2006, comemora-se o Agosto Laranja, por conta do Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, no penúltimo dia do mês. Segundo o chefe do Serviço de Neurologia do HC-UFPE, Márcio Andrade, “esta é uma doença complexa e de diagnóstico difícil. Oferecer um tratamento e acompanhamento especializado para os pacientes com essa doença é, com certeza, muito importante”.

No tratamento, há os medicamentos imunossupressores, que reduzem a eficiência do sistema imunológico, impedindo o ataque ao sistema nervoso. Há ainda os imunomoduladores, como o tomado por Manoel Neto. Ele recebeu treinamento da equipe do HC-UFPE e aplica em si próprio, semanalmente, o medicamento distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Tomo o medicamento e a cada cinco meses vou ao HC para acompanhamento. Fiquei internado cinco dias no HC e minha vista direita está estabilizada, reduzida em apenas 30%”, completa.

É importante também tratar dos sintomas, como os urinários e a fadiga. A neurorreabilitação, por exemplo, colabora na adaptação e recuperação e na prevenção ao longo do tempo de deformidades físicas. Entre as terapias de neurorreabilitação, estão: psicologia, neuropsicologia, fisioterapia, arteterapia, fonoaudiologia, fisioterapia, neurovisão e terapia ocupacional. “Por orientação médica, comecei a praticar atletismo, minha vida hoje é melhor do que antes da doença”, afirma Manoel.

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), outra unidade filiada à Ebserh, possui um serviço especializado na área. O Centro de Investigação em Esclerose Múltipla (Ciem) atende a cerca de 26 pessoas por semana. De acordo com o coordenador do Ciem, Marco Aurélio Lana, o Centro tornou-se referência internacional devido à “abordagem multidisciplinar e ao emprego das mais avançadas estratégias terapêuticas, além de sua estrutura de funcionamento, integrando profissionais da saúde de diversas áreas, seus protocolos de tratamento e suas pesquisas científicas”.

Saiba mais
De causa desconhecida, a esclerose múltipla não tem cura. Os pacientes podem apresentar sintomas como fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio da coordenação motora, dores articulares e disfunção intestinal e da bexiga.

Há cerca de 35 mil portadores da doença no país, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem). A maior quantidade de casos se dá no Hemisfério Norte e em países escandinavos. A doença pode provocar lesões cerebrais e medulares, e acometem “predominante mulheres, pessoas brancas, de 20 a 40 anos e que vivem em regiões frias, distantes da Linha do Equador”, esclarece Rosana Scola, chefe do Serviço de Doenças Neuromusculares e Desmielinizantes da Unidade de Neurologia e Psiquiatria do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), também filiado à Ebserh.

A forma mais comum da doença é a Esclerose Múltipla Remitente Recorrente (EMRR), cuja evolução se dá em surtos nos quais os sintomas ocorrem subitamente, deixando sequelas ou não. Essa forma é diferente do que ocorre na Esclerose Múltipla Primária Progressiva (EMPP), que evolui sem surtos, mas com sintomas progressivos acumulados. Já a Esclerose Múltipla Secundaria Progressiva (EMRR) evolui com sintomas lentos e progressivos.

“Os pacientes com surtos são atendidos inicialmente pelo atendimento de emergência e posteriormente na especialidade, para dar continuidade as orientações. Atendemos também as intercorrências de pacientes, como os surtos na forma remitente recorrente”, relata Rosana Scola. O CHC-UFPR é referência no tratamento da doença no estado, por onde passam cerca de 20 pessoas por semana.

Percebendo os sintomas, deve-se procurar um médico neurologista, para se buscar um diagnóstico já que há uma série de doenças inflamatórias e infecciosas com alguns sintomas semelhantes. “O diagnóstico é realizado por meio de um exame neurológico detalhado realizado por um especialista e auxiliado com exames de Imagem e do líquido cefalorraquidiano”, ressalta Franciluz Bispo, neurologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), unidade da Rede Ebserh que também é referência no estado em Neurologia, atendendo portadores de esclerose múltipla do meio-norte do Brasil.

Sobre a Ebserh
Estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh

Startup promete exame de sangue preciso com picada no dedo

O analisador de sangue portátil pode realizar uma contagem completa de células sanguíneas a partir de um teste feito em casa

Um desistente da Universidade de Stanford quer mudar os exames de sangue com um aparelho que promete resultados precisos por meio de uma picada no dedo. Esta não é a história da Theranos de Elizabeth Holmes — que ganhou fama e em seguida, de forma igualmente espetacular, entrou em queda, dois anos atrás. Com esta nova startup, acreditam alguns investidores, as coisas serão diferentes.

Tanay Tandon e a cofundadora Deepika Bodapati, que abandonou a Universidade do Sul da Califórnia, arrecadaram US$ 3,7 milhões com investidores, encabeçados pela firma de capital de risco Sequoia Capital, para lançar sua empresa, a Athelas, batizada com o nome da planta curativa de “O Senhor dos Anéis”.

Os fundadores, que têm 20 e 22 anos, respectivamente, afirmam que seu analisador de sangue portátil, um cilindro preto muito parecido com o aparelho Echo, da Amazon, pode realizar uma contagem completa de células sanguíneas a partir de um teste feito em casa por meio de uma picada no dedo.

Tandon conta que aprendeu com o colapso da Theranos, que alcançou uma avaliação de US$ 9 bilhões e teve cobertura elogiosa da imprensa apesar de pouco revelar sobre o funcionamento real de sua tecnologia. Quando as inovações da Theranos se mostraram ilusórias, o valor da empresa despencou e os investidores foram embora. “A Theranos provou que havia um claro interesse no espaço — teria sido uma ótima empresa se tivesse funcionado”, disse ele. “Agora os investidores dizem que precisam de provas antes que possamos captar recursos.”

Buscando aprovação
A Athelas publicou dados iniciais comparando os resultados laboratoriais tradicionais com sua tecnologia, que captura imagens de alta resolução de uma amostra de sangue e, em seguida, utiliza um computador para classificar e contar células. O processo depende de aprendizagem de máquina. Tandon reuniu milhares de imagens de células sanguíneas rotuladas por patologistas e as inseriu em computadores para treiná-los para que pudessem distinguir diferentes tipos de células. Segundo ele, o processo será mais preciso do que o teste padrão.

A empresa apresentou dados à Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) e espera receber autorização neste ano confirmando que sua tecnologia produz resultados equivalentes ao sangue extraído de uma veia e testado em um equipamento padrão do setor. Por enquanto, seu dispositivo pode ser usado pelos pacientes para decisões médicas, desde que um patologista comprove os resultados dos testes realizados. Uma autorização da FDA permitiria a venda irrestrita do dispositivo da Athelas, segundo Tandon.

Entre os primeiros apoiadores estão duas grandes empresas farmacêuticas que assinaram acordos para analisar o aparelho da Athelas como forma de teste para ajudar a encontrar mais pacientes para seus medicamentos para aumento de glóbulos brancos, disse Tandon, que preferiu não revelar quais são as empresas. Alfred Lin, sócio da Sequoia que assessora a Athelas, prevê que o produto será usado em salas de emergência e se tornará tão onipresente quanto o termômetro. “Nossa tese é que ele será adotado porque reduzirá custos e proporcionará uma experiência melhor para o cliente”, disse Lin. “O tempo dirá.”

Exame