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terça-feira, 15 de março de 2011

Hospitais se reinventam para manter excelência

Instituições de Bauru, Barretos e Campinas criam estratégias para não depender do repasse do SUS Karina Toledo - O Estado de S.Paulo A cada 30 minutos, um paciente de outro Estado é internado em hospitais paulistas conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2010, três instituições do interior lideraram os atendimentos de alta complexidade: o Centrinho de Bauru, o Centro Infantil Boldrini, localizado em Campinas, e o Hospital de Câncer de Barretos. Levantamento realizado pela Secretaria da Saúde de São Paulo aponta que os 30 hospitais paulistas que atendem pelo SUS e recebem pacientes de fora do Estado fizeram mais de 20 mil internações de "estrangeiros", entre janeiro e dezembro do ano passado. Em Bauru, o índice ultrapassa a metade dos pacientes atendidos (52%). Em Barretos, chega a 40% e em Campinas, a 24,2%. A grande procura da população é explicada, em parte, pelo fato de as três instituições serem referências internacionais em suas áreas de atuação. Mas não é só isso que atrai pessoas de todos os cantos para o interior de São Paulo: esses três hospitais estão entre os poucos do País que oferecem gratuitamente medicina de ponta, boa infraestrutura e atendimento verdadeiramente humanizado. Nenhum deles, no entanto, consegue custear esse padrão de excelência somente com o valor repassado pelo SUS. O Hospital de Câncer de Barretos, por exemplo, amarga todos os meses um déficit de mais de R$ 5 milhões. A seguir, conheça os malabarismos que essas três instituições fazem para manter as portas abertas e o bom atendimento à população. http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110313/not_imp691235,0.php

Ir à Justiça é a saída para tratar linfoma

MARIANA LENHARO Pessoas com linfoma (câncer linfático) que deixaram de receber do Governo o remédio usado para tratar a doença podem recorrer à Justiça para obter esse direito. Em São Paulo, centenas de pacientes estão sem o medicamento Rituximabe (comercialmente chamado Mabthera) há seis meses, desde que o fornecimento passou da Secretaria de Estado da Saúde para o Ministério da Saúde, conforme revelou ontem o Jornal da Tarde. Segundo o advogado Julius Conforti, especializado na área de saúde, a maioria das decisões favorece o paciente. “O poder judiciário é muito sensível a essas questões e ações que envolvem tratamento médico costumam ter prioridade.” Quando o paciente tem a documentação que prova o quanto necessita do medicamento, a resposta da Justiça pode vir em até 48 horas, diz Conforti. Caso contrário, se faltam exames e dados, a ação pode tramitar por até dois meses. O advogado informa ainda que as ações podem ser dirigidas tanto ao Ministério da Saúde — casos em que a Justiça Federal é acionada — quanto às secretarias Municipal ou Estadual da Saúde, quando tramitam no Fórum da Fazenda Pública. “O dever da saúde é previsto na Constituição e a responsabilidade é igualitária da União, dos Estados e dos municípios. Existe esse transtorno de ter que entrar com ação, mas é o único modo de administrar a situação e fazer pressão para que mudem as normas”, explica ele. O problema, afirma o médico José Salvador Rodrigues de Oliveira, professor de hematologia da Universidade Federal de São Paulo e médico do Hospital Santa Marcelina, é que poucos pacientes conhecem esse direito. “Ações individuais dão resultado, mas precisamos ter uma ação coletiva.” Segundo ele, médicos que orientam pacientes a entrar com ações para receber os remédios são pressionados pelos órgãos afetados por essas ações. No Santa Marcelina, 70 doentes estão sem receber a medicação — e há cerca de outros 300 no Hospital Universitário da Unicamp. Justificativa O Ministério da Saúde informa, por meio de sua assessoria, que os hospitais podem comprar o remédio por conta própria e, depois, serem ressarcidos pelo SUS. Mas as instituições dizem que, na prática, isso não ocorre, já que essa restituição não está oficialmente prevista para os casos que não constam na Portaria nº 420 da Secretaria de Atenção à Saúde — que passou o fornecimento do remédio para o Ministério. “Os hospitais filantrópicos e universitários, por exemplo, não têm recursos próprios. E se tivessem, não teriam como cobrar depois do SUS.” Oliveira diz que o procedimento de ressarcimento deve ser sempre regido pelo sistema APAC (Autorização de Procedimentos de Alto Custo), que atualmente inclui apenas pacientes com linfoma difuso de grandes células B. No Hospital do Câncer de Barretos, no interior, há mais pacientes cujo tratamento com o Rituximabe foi interrompido. Segundo a médica Iara Zapparoli Gonçalves, hematologista da Fundação Pio XII, que administra a instituição, o hospital desconhece os mecanismos pelos quais poderia solicitar o ressarcimento mencionado. “O Ministério estabelece códigos com pagamentos específicos para doenças específicas. Se a doença não está contemplada por esses códigos, como é o caso de alguns subtipos de linfoma, não tem como fazer.” O médico Jacques Tabacof, especialista em linfoma do Centro Paulista de Oncologia e membro do Comitê Médico Científico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), tem a mesma percepção. “Não é muito realista esse conceito de que o médico tem toda liberdade de prescrever o que julgar adequado. Na prática, existe uma certa limitação e os médicos desconhecem a existência desse mecanismo de ressarcimento.” http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/

Hospitais não podem bancar falta de remédio no SUS, afirmam médicos

Pacientes com um tipo de linfoma estão sem medicamento há seis meses O Ministério da Saúde informou que, nos casos de pacientes que não estão recebendo regularmente o remédio Mabthera (nome comercial do Rituximabe), utilizado no combate a um tipo de linfoma, o hospital pode comprá-lo por conta própria e, depois, ser ressarcido pelo SUSU (Sistema Único de Saúde). No entanto, para médicos especialistas, essa prática não é conhecida, o que faz o procedimento não ser adotado. O dilema dos pacientes que utilizam o Mabthera começou em agosto do ano passado. O fornecimento do remédio era feito pela Secretaria de Estado da Saúde de SP, mas, por meio da Portaria número 420 da Secretaria de Atenção à Saúde, a responsabilidade passou a ser do Ministério da Saúde. Mas, há seis meses, os pacientes estão sem acesso ao remédio pelo SUS e não tem perspectiva de recebê-lo. O medicamento é de alto custo, algo em torno de R$ 40 mil por mês. Em agosto passado, o Ministério da Saúde liberou R$ 412,7 milhões para serem investidos na reestruturação da assistência em oncologia. Foram incluídos novos procedimentos para tratar câncer de fígado, mama, linfoma e leucemia aguda. O Rituximabe ficou disponível para pacientes de todo o país, mas a distribuição regular contempla apenas casos de linfoma não-Hodgkin difuso de grandes células B. Para os demais casos, o ministério afirma que os hospitais podem oferecer a droga, se os médicos o considerarem o procedimento mais adequado, e, posteriormente, pedir o ressarcimento ao SUS. No entanto, segundo a Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), esse procedimento não é adotado. Em ofício enviado no ano passado pela entidade ao ministério, são citadas “denúncias de que médicos da rede pública são orientados a não prescrever certos remédios, especialmente os que têm impacto no orçamento da instituição”. Questionado sobre essa situação, o ministério respondeu que “a definição do procedimento/tratamento é prerrogativa e responsabilidade do médico” e, se os profissionais não fazem valer a possibilidade de prescrever o tratamento que julgarem mais adequado, isso não é responsabilidade do Ministério da Saúde e, sim, dos hospitais. Os especialistas em linfoma ouvidos pela reportagem, contudo, alegam que nunca receberam um comunicado oficial sobre a prática. “Não sei disso”, afirmou Garles Vieira, hematologista do A.C. Camargo. Para o presidente da Associação Brasileira de Hematologia e de Hemoterapia, Carmino Antônio de Souza, “para isso ser verdade (pagar o remédio primeiro e receber depois), eles precisam criar nova portaria e explicar como proceder para o hospital ser ressarcido”. - No final do ano, o ministério reduziu a verba destinada a cada paciente e o valor deixou de ser suficiente para o Rituximabe. A situação ficou estranha. Há um subtratamento, pois é impossível os centros de saúde se responsabilizarem por esse prejuízo. http://noticias.r7.com/saude/noticias/hospitais-nao-podem-bancar-falta-de-remedio-no-sus-afirmam-medicos-20110314.html

Música alivia estresse de pacientes hospitalizados

O som ameniza o ambiente, proporciona distração e ajuda na recuperação Médicos da Universidade de Drexel, nos Estados Unidos, descobriram que a música acalma os pacientes hospitalizados, presos a máquinas de respiração e submetidos a intensos barulhos do instrumento. O som suave da música provoca um efeito calmante, aliviando o estresse dos pacientes, prejudicados com o ruído da ventilação mecânica. O uso desses ventiladores em pacientes que se recuperam de acidentes graves, cirurgias, câncer, ou qualquer outro mal, torna difícil a comunicação deles com os parentes e médicos. É importante acalmar os pacientes, dizem os especialistas, porque o estresse pode prejudicar o tratamento. Por isso, os médicos envolvidos na pesquisa chegaram a conclusão que trabalhar a musicoterapia com os pacientes pode ajudar na sua recuperação. A música não só ameniza a frieza do ambiente, como também proporciona distração e atua numa área do cérebro responsável pela parte emocional. http://noticias.r7.com/saude/noticias/musica-alivia-estresse-de-pacientes-hospitalizados-20110314.html

Governo testa medicamento brasileiro contra tumor no cérebro

Quimioterápico age no DNA das células cancerosas diminuindo efeitos colaterais Até o final de março deste ano pacientes do Hospital Federal de Ipanema, no Rio de Janeiro, começarão a participar da fase decisiva de testes de um novo medicamento quimioterápico para tratamento do tipo mais comum e letal de tumor cerebral maligno. O produto, pesquisado, desenvolvido e patenteado pela Universidade Federal Fluminense, aumenta a sobrevida dos doentes e as perspectivas de êxito no tratamento. Conforme a literatura científica, o tumor responde por 56% dos casos de tumores cerebrais malignos. Embora ainda em testes, o medicamento é capaz de aumentar a sobrevida em de quatro meses a um ano. Tempo precioso para a continuidade dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Essa participação se deve a um convênio firmado com a UFF, em dezembro, que tornou o Hospital de Ipanema a unidade de referência na rede federal no tratamento e no estudo desse tumor. Os serviços de Neurocirurgia, Anatomia Patológica, Imagenologia e Oncologia da unidade darão toda a assistência aos pacientes. Já os exames de patologia molecular serão feitos pelo laboratório da universidade, explica o diretor da unidade, Geraldo Di Biase. - A importância dessa parceria com a Universidade Federal Fluminense é que nós já estamos entrando numa fase bem adiantada desse projeto, que se mostra bastante promissor. Isso demonstra mais uma vez o pioneirismo do Hospital de Ipanema em aderir a novas iniciativas, nesse caso, com foco visando o sucesso no tratamento dos pacientes portadores dessa doença. O chefe do Serviço de Neurocirurgia do hospital, Júlio César Thomé, explica que serão feitos exames com monitoramento do DNA e de outras substâncias das células cancerosas para estudar o perfil e a evolução dos tumores. Para ele, isso será fundamental para compreender e tratar melhor esses tumores, além de possibilitar o desenvolvimento de pesquisas e teses. - Até dezembro de 2012 teremos cerca de 20 projetos de pesquisa em andamento, com teses de mestrado e doutorado. Segundo Thomé, o novo quimioterápico, cujo nome é Monoterpeno Álcool Perílico, atua no DNA das células cancerosas e provoca bem menos efeitos colaterais. Thomé ressalta que, ao invés de eliminar sumariamente essas células, o medicamento age em uma proteína da membrana de cada uma delas para interferir na programação genética e abreviar seu ciclo de vida. Ou, simplificando, é um processo de ‘indução ao suicídio’ das células cancerosas. http://noticias.r7.com/saude/noticias/governo-testa-medicamento-brasileiro-contra-tumor-no-cerebro-20110314.html

Pesquisa convoca 400 voluntários no RJ para testar medicamentos contra osteoporose

A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e o Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) estão convocando 400 pacientes acima de 60 anos com osteoporose diagnosticada, entre homens e mulheres, para serem voluntários no projeto Osteoprev. O estudo vai testar a eficácia de quatro medicamentos contra a doença que já estão disponíveis no mercado. Além dos remédios, os voluntários também irão receber acompanhamento médico gratuito durante o estudo. Quem participar da pesquisa será submetido periodicamente a exames de sangue e de imagem (radiografia, densiometria e tomografia óssea). A ideia é analisar a eficácia do tratamento com diferentes medicações. Ao final de um ano, os pesquisadores devem entregar a avaliação ao Ministério da Saúde, que vai utilizar as informações na definição de uma política pública sobre o tema. O estudo é financiado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) e Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit). Para participar do projeto, o cadastro pode ser feito pela internet, no site http://www.into.saude.gov.br/conteudo.aspx?id=184, ou por telefone, no número 21-3512-4999 (ramais: 365 e 366). O horário de atendimento é de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 17h. http://noticias.r7.com/saude/noticias/pesquisa-convoca-400-voluntarios-no-rj-para-testar-medicamentos-contra-osteoporose-20110314.html

Baixada santista vai receber hospital especializado em câncer

Governo de SP anunciou investimento de R$ 94 milhões em Santas Casas O governo de São Paulo vai implantar um novo hospital e um centro especializado em câncer nos municípios da baixada santista. A secretaria estadual de saúde também promete ampliar na região o número de leitos que fazem atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O Centro de Referência do Câncer, em Santos, terá apoio científico, tecnológico e de protocolos clínicos do Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo), maior centro especializado em oncologia da América Latina. A nova unidade será implantada no Hospital Guilherme Álvaro, que passa por ampliação e reestruturação de serviços. O Icesp II, como será chamado o novo centro, irá oferecer atendimento integral, com serviços de radioterapia e quimioterapia, além de internação. Com tratamento disponível na região, os pacientes não precisarão mais se deslocar até São Paulo, explica o infectologista David Uip, coordenador da “agência de Saúde” da Baixada – que reúne representantes do governo paulista e das prefeituras locais. Hospital especializado em infectologia No Guarujá, será criado um hospital totalmente voltado para o atendimento de doenças infecciosas e parasitárias. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas II funcionará no antigo Hospital Ana Parteira. Com uma parceria com a Fundação Faculdade de Medicina, a unidade dará privilégio à contratação de profissionais da região. O Emílio Ribas da Baixada terá 54 leitos de infectologia. O prédio também irá abrigar uma segunda unidade do Instituto Adolfo Lutz, que fará exames complementares aos já disponíveis no laboratório de Santos, conta Uip. - A alta incidência na região de doenças como leptospirose e dengue exige que se tenha um serviço especializado para reduzir o número de óbitos de pacientes. O objetivo é que essas instituições virem referência também para a formação de profissionais. Santas casas de SP recebem R$ 94 milhões O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o secretário estadual da Saúde, Giovanni Guido Cerri, anunciaram nesta segunda-feira (14) um investimento de R$ 94 milhões nas Santas Casas do Estado. De acordo com a secretaria, os recursos são referentes ao programa estadual Pró-Santas Casas, que oferece auxílio mensal fixo para compensar o déficit que essas instituições têm com a tabela de procedimentos do SUS. As santas casas respondem por aproximadamente 55% das internações realizadas na rede pública de saúde paulista. Por isso, segundo a secretaria, o governo auxilia constantemente essas unidades com repasses extras. Segundo Cerri, “trata-se de um reforço importante para o caixa dos hospitais filantrópicos, para que eles possam continuar atendendo os pacientes que dependem da rede pública”. http://noticias.r7.com/saude/noticias/baixada-santista-vai-receber-hospital-especializado-em-cancer-20110314.html

Após nova regra, paciente com linfoma fica sem remédio

Tratamento custa em torno de R$ 40 mil por mês Pacientes paulistas que sofrem de um tipo de linfoma (câncer do sistema linfático) e usam o remédio Mabthera (nome comercial do Rituximabe) para tratar a doença estão há seis sem acesso gratuito ao medicamento e sem nenhuma perspectiva de que voltem a recebê-lo. A doença ataca os linfonodos ou gânglios linfáticos, que fazem parte do sistema imunológico. É o mesmo tipo de doença que afetou a presidente Dilma Rousseff em 2009. O medicamento é de alto custo, algo em torno de R$ 40 mil por mês. O fornecimento do remédio era feito pela Secretaria de Estado da Saúde até o ano passado. Em agosto de 2010, porém, por meio da Portaria número 420 da Secretaria de Atenção à Saúde, a responsabilidade passou a ser do Ministério da Saúde. Há dois grupos de linfoma: o linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH). Os LNH, por sua vez, podem ser do subtipo agressivo ou indolente. Quem foi afetado pela mudança no fornecimento do remédio foram os portadores do tipo indolente. Segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), os casos de linfoma do tipo LNH duplicaram no Brasil nos últimos 25 anos. O Ministério da Saúde afirmou que, nos casos de pacientes que não recebem o remédio regularmente, se o médico avaliar que o Rituximabe é a melhor opção, o hospital pode comprá-lo por conta própria e, depois, ser ressarcido pelo SUS (Sistema Único de Saúde). No entanto, todos os médicos ouvidos pela reportagem disseram que desconhecem essa prática do ressarcimento e alegam nunca ter recebido comunicado oficial sobre ela. http://noticias.r7.com/saude/noticias/apos-nova-regra-paciente-com-linfoma-fica-sem-remedio-20110314.html

Pacotes... eprotocolos

A velha métrica de que os pacotes interessam às operadoras e não interessam aos hospitais é coisa do passado. Os pacotes começaram errado na área da saúde, e por conta de terem sido mal definidos se transformaram em transtorno para os dois lados, gerando controvérsia e atrapalhando o controle operacional, justamente ao contrário do que se desejava. Para a operadora o pacote significa melhorar o controle dos custos, dando previsibilidade à despesa que a conta vai gerar, e para os hospitais, se trabalharem corretamente, também ! A questão dos pacotes sempre é: existe protocolo de atendimento correspondente ? Se a resposta for não: esqueça o pacote. A recomendação não é apenas para o hospital esquecer o pacote – a operadora também deve abandonar a proposta do pacote se não existir protocolo de atendimento relacionado a ele, porque o custo da gestão das glosas e da crise é muito maior do que a aparente economia que o pacote dá. Em tempo: quando citamos protocolo aqui não é apenas o protocolo clínico – deve descrever em detalhes os insumos envolvidos, que é a base da formação dos custos e do preço. Bem ... existindo o protocolo o pacote pode ser bem definido, porque estão definidas as regras básicas que definem os custos, e conseqüentemente o preço, envolvido, ou seja, em que condições o pacote se aplica: -Dados demográficos básicos do paciente: faixa etária, faixa de peso e altura, sexo, etc. É perda de tempo definir, por exemplo, um pacote para laparoscopia exploratória que sirva para um recém nascido ou para um idoso de 90 anos, ou para um adulto de 30 anos;
-Condições pré-existentes do paciente. Também não dá para definir o pacote de laparoscopia sem considerar se é para um indivíduo normal, ou com obesidade mórbida, cardiopata grave, exageradamente hipertenso;
Onde começa e onde termina o pacote, definindo claramente quantos dias de internação, qual ou quais os tipos de diárias envolvidas, se inclui honorários, quais os medicamentos e materiais incluídos ... enfim até que ponto o atendimento será considerado como pacote e a partir de quando a conta deve ser aberta.
Os pacotes que auxiliam, ao invés de atrapalhar ... os que não acabam virando pauta nas longas e tediosas reuniões de discussões de auditoria e glosas, são aqueles que, baseados nos protocolos, definem claramente estas condições. Acredito que nem seja necessário comentar que o tal do 8 ou 80 do passado ... aquele que definia que o atendimento ou é ou não é pacote, sem meio termo, também caiu de moda – hospitais e operadoras aprenderam que mesmo que o pacote seja parcial em relação ao total da conta, quando bem definido é bem vindo, porque elimina uma carga de serviço operacional que vale a pena para ambas as partes. Um dia vamos ter pacotes definidos por entidades de classe (AMB, ANS e as demais entidades representativas de classe do segmento da saúde), baseados em protocolos de mercado (o que os outros segmentos de mercado chamam de melhores práticas), com regras bem claras de aplicação ... ... e hospitais e operadoras apenas negociação a precificação e não o conteúdo (Deus há de querer ! – este dia há de chegar !). Enquanto isso não ocorre, a melhor receita para trabalhar pacote passa por 4 etapas simples: -O hospital define o protocolo, e obtém a aprovação dos profissionais assistenciais (a aprovação é fundamental ... acho que não é necessário discutir isso, não é verdade?);
-O hospital estabelece o custo correspondente, e os preços de venda. O preço mínimo, que define o ponto em que se o preço for inferior não vale à pena praticar o pacote, e o preço máximo que é o limite a partir do qual a concorrência inviabiliza a oferta do pacote ao mercado;
-Hospital e Operadora ajustam o preço e formalizam o pacote no contrato, com prazo de validade, assim entendido um prazo de vigência do pacote a partir do qual deixa de valer;
Como um negócio só é considerado bom se as duas partes ganham, hospital e operadora avaliam periodicamente a viabilidade do pacote e renovam a sua vigência contratual. postado por Enio Salu

Setor de saúde investe em peso em iPads

por Verena Souza 14/03/2011 Operadoras, farmacêuticas e hospitais correm atrás de aplicativos específicos para seu core business. Entenda o funcionamento deles Depois do lançamento do iPad no ano passado e, agora, do iPad 2, as empresas correm atrás de aplicativos específicos para o tablet que atendam o seu core business. As instituições de saúde não poderiam ficar fora dessa tendência mercadológica. Os aplicativos para laboratórios farmacêuticos, por exemplo, são voltados para a equipe de propagandistas, no controle de suas visitas aos médicos; e vendedores, na entrada de pedidos. "Dessa forma, os propagandistas conseguem acessar todas as informações do cadastro médico. Para área de vendas, o pedido do cliente, seja ele uma farmácia, clínica ou hospital, pode ser registrado via iPad. Isso elimina grande quantidade de materiais impressos", explica o diretor de tecnologia da Nuxen, Paulo Cibella. No início deste ano, a Eurofarma anunciou a compra de 600 iPads para sua equipe de propagandistas. De acordo com a Apple, desenvolvedora do tablet, esta foi a maior compra de uma corporação brasileira fora do varejo. Atualmente, cerca de 400 propagandistas estão utilizando o iPad, mas a pretensão da Eurofarma é disponibilizá-lo para 1700 funcionários até o final do ano. "O trabalho ficou mais ágil e, só no primeiro ano de uso, conseguimos economizar 55 toneladas de papel", conta o gerente de marketing da Eurofarma, Helton Pinheiro. Outros formas de explorar a tecnologia da Apple está no radar da farmacêutica. A ferramenta google maps, por exemplo, foi integrada ao iPad para auxiliar os propagandistas com os endereços de suas visitas. Distribuição e hospitais Segundo Cibella, um distribuidor do mercado de saúde pode adaptar um software de pedido eletrônico para a tecnologia da Apple. Já existem mais de 200 aplicativos para a área médica no País. "O médico já pode baixar ferramentas específicas para doenças crônicas, por exemplo, pode navegar em 3D pelo cérebro de um ser humano, utilizando as possibilidades multimídia do iPad, ou ainda entender o funcionamento de um determinado medicamento. O profissional pode usar tais aplicativos como referência", explica Cibella. Antes do iPad, o smartphone era a preferência das empresas. No entanto, todas parecem migrar para o dispositivo da Apple devido a sua facilidade de uso, aos recursos multimídia e por sua rapidez. "Não há reclamações. Os feedbacks que eu recebi, até agora, foram todos positivos. Tenho notado, sim, muitas ideias novas em prol de sua melhor utilização", diz Pinheiro. Dificuldades Outro aspecto que parece consenso no mercado refere-se à escassez de empresas especializadas no desenvolvimento de aplicativos para a plataforma da Apple. Apesar do fácil manuseio do aparelho, segundo Cibella, a programação do mesmo é bastante peculiar. "Tem poucos profissionais no mercado brasileiro hoje com esse expertise. Muitas vezes temos que contratar técnicos para, depois, treiná-los para Apple", conta. "O uso do iPad é uma quebra de paradigma. Acredito que em 12 meses vamos ter uma evolução muito grande em termos de aplicativos. Para nós, o céu é o limite quando se trata de iPad", afirma Pinheiro, da Eurofarma. http://www.saudebusinessweb.com.br/noticias/index.asp?cod=76593

AstraZeneca vai pagar US$ 68,5 milhões por acusação

por Saúde Business Web 14/03/2011 Farmacêutica fecha acordo depois da acusação de ter divulgado de forma enganosa seu medicamento antipsicótico Seroquel A farmacêutica AstraZeneca concordou em pagar US$ 68,5 milhões a 37 estados dos EUA e ao distrito de Columbia em resposta às denúncias de que a companhia divulgou de forma enganosa seu medicamento antipsicótico Seroquel. acordo soma-se a outro, de US$ 520 milhões, que a AstraZeneca londrina fechou com os EUA no ano passado a respeito da comercialização do Seroquel, segundo Tony Jewell, um porta-voz da companhia. Apesar da empresa negar as acusações, segundo Jewell, a empresa acredita que é importante encerrar essas questões e continuar com o negócio de oferecer medicamentos aos pacientes. A companhia divulgou o Seroquel para usos que não eram aprovados pela FDA (Food and Drug Administration), segundo alegaram os governos federal e estaduais. A AstraZeneca promoveu a droga - aprovada para esquizofrenia e transtorno bipolar - para demência, depressão e ansiedade, violando as regras federais para medicamentos, de acordo com os estados. Apesar de os médicos poderem prescrever remédios para outras doenças, as empresas não podem divulgar usos além dos aprovados. *Com informações da Bloomberg http://www.saudebusinessweb.com.br/noticias/index.asp?cod=76580

Saúde investe R$ 1,1 bi em redes para atendimento

por Saúde Business Web 14/03/2011 Primeira fase será destinada à implantação de 15 redes de atenção à saúde em vários estados brasileiros O Ministério da Saúde anunciou investimentos de R$ 1,1 bilhão (R$ 400 milhões financiado pelo BIRD e R$ 700 milhões da União) para o Projeto de Formação e Melhoria da Qualidade de Rede de Saúde (QualiSUS-Rede). Até 2020, estão previstos investimentos de R$ 2,3 bilhões. O plano aborda a qualificação da gestão em saúde, por meio da organização de redes regionais de atenção à saúde, e reforça e amplia a interligação dos diversos níveis de atendimento necessários para o tratamento dos pacientes que buscam o Sistema Único de Saúde. primeira fase será destinada à implantação de 15 redes de atenção à saúde em vários estados brasileiros. Serão 10 experiências em regiões metropolitanas e cinco em outras regiões (Amazônia, semi-árido, interestadual (na divisa de dois estados); internacional (na divisa de algum estado com uma fronteira internacional) e, a última, em uma região de agropecuária com atividade intensiva. A organização de redes buscará na atenção básica o pilar do atendimento. Além disso, o projeto tem como metas melhorar a eficiência produtiva do SUS; fortalecer a atenção à população dentro de uma determinada região; capacitação profissional e, ainda, priorizar os investimentos que ampliem essa potencialidade local na atenção especializada (ambulatorial e hospitalar), na atenção de urgência e emergência e no aprimoramento dos sistemas logísticos de suporte à rede. Também são objetivos do QualiSUS-Rede a melhoria da resolutividade na prestação dos serviços de saúde ofertados às populações que serão beneficiadas pelo projeto. A difusão de conhecimentos voltados para a qualidade da atenção e gestão em saúde; para o desenvolvimento de metodologias e processos de avaliação e, ainda, para a gestão da inovação tecnológica em saúde, também integram as metas do projeto. Na portaria ficou instituído o Comitê Gestor de Implementação do QualiSUS-Rede, que tem como função definir as diretrizes técnicas e operacionais para a execução das atividades do projeto. O comitê também terá como atribuição aprovar o planejamento anual e os relatórios de progresso anuais e semestrais de avaliação. http://www.saudebusinessweb.com.br/noticias/index.asp?cod=76584

Selo de certificação aumenta 50% negócios de homecare

por Saúde Business Web 14/03/2011 Programa permite à sociedade se certificar de que está contratando cooperativas que atuam dentro das normas legais A Cooperativa de Trabalho para Profissionais em Serviços de Saúde (Coopsert Saúde), especializada em serviços de saúde domiciliar (homecare), anunciou aumento de 50% nos seus negócios depois da conquista do Selo de Conformidade do Cooperativismo. certificação é conferida às cooperativas que se integram ao Programa Nacional de Conformidade (PNC), desenvolvido pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) em parceria com a Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), com o objetivo de estabelecer padrões de conformidade e procedimentos para cada um dos 13 ramos do cooperativismo - Agropecuário, Consumo, Crédito, Educacional, Especial, Habitacional, Infraestrutura, Mineral, Produção, Saúde, Trabalho, Transporte, Turismo e Lazer. Para o presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande, o PNC permite à sociedade se certificar de que está contratando cooperativas que atuam dentro das normas legais e preocupadas com a gestão e a qualidade do serviço prestado. "Além dos requisitos legais, o PNC considera aspectos ligados à administração do empreendimento para credenciar as cooperativas, conferindo segurança àqueles que estabelecem relações comerciais com uma cooperativa", destacou Del Grande, em comunicado. Para participar do PNC, a adesão das cooperativas ao programa é espontânea. O processo se inicia com auditoria e diagnóstico, a partir dos quais são sugeridos procedimentos para adequação de métodos e posicionamentos. O programa tem foco em gestão, governança, relações internas, relações com mercado, legislação e princípios cooperativistas, aspectos fundamentais para o desenvolvimento sustentável do negócio. Uma vez atendidas às recomendações, a cooperativa recebe o selo de conformidade e passa a ser avaliada periodicamente. http://www.saudebusinessweb.com.br/noticias/index.asp?cod=76578

Beneficiários de planos questionam o atendimento

por Saúde Business Web 14/03/2011 Prazo máximo para consultas básicas, exames e internações é o que mais incomoda segurados "Um fator que incomoda os beneficiários de planos de saúde e, nos últimos dias virou notícia em alguns veículos de comunicação, é o prazo máximo para consultas básicas, exames e internações. Reclamações dos beneficiários apontam um tempo de espera muito alto para conseguir marcar uma simples consulta de rotina", afirmou Henrique Shinomata em seu último post. Para ajudar a solucionar o caso, a ANS abriu no mês de fevereiro uma consulta pública sobre o assunto para receber sugestões e críticas a fim de estabelecer uma norma que garanta o bom atendimento. Entre os temas discutidos estão: cumprimento dos prazos máximos para consultas básicas, exames e internações, além da obrigação dos prestadores de serviço de saúde em todos os municípios que integram a área de abrangência da operadora contratada. Outro ponto que os beneficiários questionam é quando uma consulta é caracterizada como retorno. Segundo a Resolução nº1958/2010 do Conselho Federal de Medicina (CFM), cabe ao médico definir quando um atendimento é considerado retorno para que não haja uma nova cobrança. A resolução não aprova a prática de algumas instituições e operadoras de plano de saúde em definirem o prazo de 30 dias, pois isso implica na interferência da autonomia do médico e na relação do profissional com o paciente. O assunto é polêmico, pois ao mesmo tempo em que interfere na autonomia do médico pode ocorrer alguns abusos de cobranças. Em uma consulta que o médico solicita um exame para comprovar o seu diagnóstico, o retorno que completa o atendimento anterior do paciente pode ser cobrado. Do mesmo modo que a ANS se manifestou diante do tempo de atendimento para garantir os direitos dos beneficiários. É preciso que ela também crie mecanismos para intervir no retorno da consulta. Uma sugestão é que, a partir do momento que o paciente “elege” o “seu médico”, este deveria ser remunerado não por consulta, e sim pelo resultado do tratamento. Ou seja, se o paciente tem complicações que poderiam ser prevenidas, aderência ao tratamento (na Inglaterra o médico tem bonificações se o paciente deixa de fumar), passagens no pronto socorro por desorientação quanto à doença. Isto tudo, não é improvável, se a ANS fizer a integração com o atendimento do SUS, esta evolução na informação levará a uma melhora na remuneração dos prestadores de saúde. postado por Henrique Oti Shinomata http://www.saudebusinessweb.com.br/blogs/blog.asp?cod=144

Médicos discutem novo modelo de formação

por Saúde Business Web 14/03/2011 Sistemas híbridos de saúde, em que o trabalho em equipe seja mais valorizado, é uma das propostas Como deve ser a formação dos profissionais de saúde nas próximas décadas? Como aproximar os médicos das demais áreas da saúde? De que forma as novas tecnologias de informação vão ajudar pacientes e instituições? O debate em torno dessas questões já começou nas mais renomadas universidades do mundo, como Harvard e Cambridge. Em artigo publicado no fim de 2010 na revista "Lancet", 20 pesquisadores afirmam que o atual modelo de formação, que consome anualmente US$ 100 bilhões em todo o mundo, não funciona mais. Em junho, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), entidade que gerencia uma série de unidades de saúde, como o Hospital São Paulo, promoverá um seminário internacional sobre o assunto. As propostas vão desde mudanças na graduação -estudantes de medicina cursando disciplinas com alunos de enfermagem, por exemplo-, até a criação de sistemas híbridos de saúde, em que o trabalho em equipe seja mais valorizado. Divisão de tarefas Algumas iniciativas já delegam atividades, hoje restritas a médicos, a outros profissionais. O Conselho Internacional de Oftalmologia, órgão máximo da área, defendeu em dezembro que médicos treinem técnicos para operar catarata em países pobres. O modelo já está sendo testado na África. Na China, há 250 milhões de pessoas com catarata. Para operá-las, seriam necessários 250 mil oftalmologistas-no mundo, há 150 mil. Para Julio Frenk, professor da Harvard School of Public Health e um dos autores do artigo no "Lancet", os problemas são sistêmicos e se ancoram na formação acadêmica deficiente e na valorização da medicina hospitalar em detrimento dos cuidados preventivos. "Os esforços para corrigir isso não prosperaram, em parte em razão do "tribalismo" das profissões, que agem de forma isolada e concorrem umas com as outras." Cláudio Lottenberg, presidente da Sociedade Israelita Albert Einstein, explica que, por causa do excesso de informações, é importante o médico trabalhar com profissionais que tenham competências específicas. Para Belfort Júnior, só haverá uma real mudança na formação em saúde quando os gestores (como o Ministério da Saúde) colaborarem, informando universidades sobre o perfil de profissional de que a sociedade precisa. Segundo ele, falta médico capaz de exercer medicina fora do hospital. Também falta suporte tecnológico para ele atuar." *Com informações do G1 http://www.saudebusinessweb.com.br/noticias/index.asp?cod=76563

Infarto do novo século

Problemas emocionais e ambientais, associados à predisposição genética, também são gatilhos para doenças cardíacas Uma forte dor no coração, como se ele rasgasse por dentro, subitamente. A frase parece apenas uma metáfora clichê, sempre acessível para descrever uma mágoa profunda, mas não física. O coração partido, porém, no auge do século 21, deixou de ser muleta dos sofredores e passou a fator de risco para problemas cardíacos. Depressão e problemas emocionais, associados a uma predisposição genética, estão entre as causas de infartos em pacientes jovens, alerta Marcelo Ferraz Sampaio, cardiologista do Hospital Oswaldo Cruz, chefe do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo e especialista no tema. O médico revela que nos últimos anos, o índice de infartos atípicos no setor de emergência do hospital foi surpreendentemente alto. Além do fator numérico, os pacientes tinham características clínicas semelhantes: jovens, em sua maioria mulheres, saudáveis, mas com incidentes cardíacos severos. “Observávamos, ao fazer a identificação da artéria, que o coração tinha infartado, mas não havia lesão. Começamos, então, a desvendar como essa artéria poderia ter provocado a restrição de fluxo por mais de 20 minutos, sem ter nenhum comprometimento.” Ao confrontar os pacientes com pesquisas internacionais, o especialista constatou que essas artérias sofrem um Sistema de Restrição Dinâmica ao Fluxo. A consequência e o processo são semelhantes ao que ocorre em um infarto tradicional, provocado pela conhecida lista de fatores de risco: obesidade, diabetes, hipertensão e cigarro. Neste caso, no entanto, o gatilho é emocional. Como ocorre A passagem de sangue é obstruída não pelas placas de gordura, mas por um estreitamento das paredes da artéria, responsável por interromper o fluxo. O mesmo evento é diagnosticado em casos de overdose de drogas como cocaína e crack, ou no uso de anabolizantes. "Também é possível que as plaquetas do sangue fiquem como se fossem 'tresloucadas', interrompendo o fluxo subitamente, gerando os infartos. Descobrimos que esses pacientes têm alteração da formação das plaquetas”, explica o especialista. Esse mesmo processo ocorre em pacientes com depressão. “A doença emocional, em tese, não é fator de risco pra doença cardíaca, mas pode ser, em determinadas circunstâncias, o fator principal”, endossa Sampaio. Coração rasgado Magra, saudável, ativa e aparentemente feliz. Os três adjetivos costumeiramente usados para definir a professora de física Iris Galetti também a mantinham fora do grupo de risco de mulheres com problemas cardíacos. Em janeiro de 2008, durante uma reunião no colégio onde trabalhava, primeiro dia após as longas férias de verão, a professora sentiu um mal-estar pungente. Uma forte dor no peito e braços dormentes. A pressão, porém, ao ser medida na enfermaria do local de trabalho, estava normal. Com náuseas e dores no peito, ao chegar ao hospital, Iris descobriu que tinha infartado. Foram oito dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e mais uma semana no quarto, até receber alta. Aos 49 anos, ela tinha perdido boa parte do coração – o ventrículo esquerdo ficou com o músculo praticamente morto. “Jamais pensei que eu poderia infartar. Minha família tem histórico de câncer, não de problemas cardíacos. Achei que os médicos estavam errados. Nunca fui hipertensa, sedentária, e tenho uma verdadeira obsessão por alimentação saudável.” No entanto, há mais de quatro meses Iris tentava digerir, sozinha, uma mágoa muito profunda. Nas palavras da professora, que prefere reservar a história, a decepção foi difícil de suportar. Por meses, o problema emocional ocupou boa parte de sua vida pessoal. “Depois do infarto eu me dei conta do que tinha ocorrido. Lembro que o médico que me atendeu quando fiz o segundo cateterismo disse que minha artéria tinha rasgado, como se uma lâmina a tivesse cortado, literalmente.” O estresse da vida profissional e o excesso de responsabilidades, dentro e fora de casa, somados aos conflitos e decepções pessoais, transformaram-se em um coquetel venenoso para um coração normal, sem problema algum. O fator genético A literatura médica mundial aponta que 15% dos infartos sem os fatores de risco tradicionais – cigarro, diabetes, obesidade e hipertensão – foram desencadeados por processos que começaram no âmbito psicológico. A matemática, porém, não é simplista e imediata. Para que o coração partido ultrapasse a metáfora é preciso que exista uma série de combinações genéticas e ambientais. A analogia da chave e da fechadura é a maneira como Sampaio consegue traduzir os preceitos da medicina genética a seus pacientes. Nas palavras do médico, a predisposição dos genes nada mais é do que uma fechadura. “A porta está fechada. A chave é o estresse emocional, e a fechadura sua carga genética. Quando a chave certa encontra a porta certa, a doença aparece.” O mapeamento genético, porém, não seria uma forma de prevenção. Embora o Projeto Genoma tenha mapeado todos os genes que existem no organismo humano, a medicina ainda não conseguiu antecipar quais combinações entre esses genes são responsáveis por desencadear as mais variadas doenças. A única forma de manter-se longe dos infartos, tradicionais ou atípicos, seria a manutenção da saúde, tanto mental quanto física, defende o médico. “Hoje os alimentos não são mais saudáveis, passam por agrotóxicos para conservação. Não só comemos mal, como recebemos o alimento em pior estado. A falta de tempo é desculpa para tudo. A pressão do dia a dia faz com que o artifício de relaxamento e prazer seja uma comida calórica, gordurosa. O chocolate nos dá o prazer que não temos no trabalho, na família, na relação sexual. Esse comportamento social do mundo moderno gera pessoas mais expostas.” A experiência individual não serve apenas de alerta. Para contornar os problemas emocionais, Iris trocou a lousa pelos pincéis – ministra aulas de pintura em faiança para mais de 30 alunos, produz peças para venda e toca o próprio ateliê. O coração bate devagar, quase ao som do new age, música fundo de suas aulas, mas ela se define clinicamente como ótima: controla a alimentação, toma uma taça de vinho nos dias mais agradáveis, pratica atividade física regularmente - uma caminhada leve de 60 minutos - e aposta que ultrapassará a casa dos 100. Na receita médica, as indicações permanecem universais, e cabe a cada um achar seu componente pessoal: alimentação balanceada, atividade física regular, lazer, tranquilidade e terapia – esvaziar a mente dos problemas e não permitir que eles consumam o organismo – podem ajudar a blindar o coração. http://saude.ig.com.br/minhasaude/o+infarto+do+novo+seculo/n1237864680431.html