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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Caroço do abacate pode ser usado na medicina e em soluções industriais

Semente pode ser aplicada na produção de plásticos, anticancerígenos e remédios para tratar problemas cardíacos, indica estudo norte-americano. Outra pesquisa vincula a polpa da fruta a melhoras cognitivas e visuais depois dos 50 anos

A semente do abacate é geralmente jogada fora após o consumo da fruta. Um desperdício, alertam pesquisadores da Sociedade Americana de Química (ACS, pela sigla em inglês). Os caroços e a casca que os envolve podem ser usados na produção de substâncias com aplicações diversas, da medicina a soluções industriais. A descoberta soma-se aos já conhecidos benefícios da fruta para a saúde, como a grande quantidade de potássio e fibras, além da diminuição dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue, e a uma recente constatação relacionada à melhora cognitiva na meia-idade.

No caso da equipe norte-americana, a proposta é usar as toneladas de sementes desperdiçadas na produção de medicamentos antivirais, suplementos alimentares, plásticos e cosméticos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, cerca de 5 milhões de toneladas de abacate foram produzidas no mundo em 2014. Na maioria dos casos, apenas a polpa tem aproveitamento. Mesmo para os produtores que usam o caroço para extrair o óleo de abacate, a casca é descartada antes do processamento.

“É possível que as cascas das sementes de abacates sejam, na verdade, uma grande preciosidade, pois os componentes medicinais dentro delas podem eventualmente ser usados para tratar cânceres, doenças cardíacas e outras complicações para a saúde. Nossos resultados também sugerem que as cascas são uma fonte em potencial de substâncias usadas em plásticos e outros produtos industriais”, diz Debasish Bandyopadhyay, da Universidade do Texas no Vale do Rio Grande e participante do estudo, apresentado no Encontro e Exposição Nacional da Sociedade AmAmericana de Química, em Washington.

Para chegar às conclusões, Bandyopadhyay e a equipe moeram 300 cascas secas do fruto, o que rendeu em torno de 595 gramas de pó, transformado no equivalente a três colheres de chá de óleo e 28 gramas de cera. Usando duas técnicas de análise - cromatografia gasosa e espectrometria de massa -, os investigadores detectaram 116 componentes químicos no óleo e 16 na cera. Muitos deles, inclusive, não foram encontrados nas próprias sementes.

Entre os achados do óleo estavam ácido behênico, usado em cosméticos e medicamentos antivirais; heptacosano, com potencial para inibir o crescimento de células tumorais; e ácido dodecanoico, que aumenta o colesterol bom e reduz o risco de aterosclerose. Na cera, foram descobertas substâncias usadas na produção de plásticos, cosméticos e aditivos alimentares. Bandyopadhyay conta que a equipe trabalha, agora, manipulando os componentes descobertos a fim de otimizar o seu uso, como no desenvolvimento de remédios com menos efeitos colaterais.

Cérebro turbinado
Os admiradores da polpa do fruto também têm mais um motivo para apreciá-lo. Pesquisa publicada em agosto, na revista Nutrients, mostrou que o consumo diário de abacate aumentou seus efeitos benéficos para quem chegou aos 50 anos. São os reflexos da ação da luteína, um pigmento encontrado em frutas e vegetais que se acumula no sangue, nos olhos e no cérebro e pode agir como um agente anti-inflamatório e antioxidante.

Segundo estudo da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, os participantes que seguiram a dieta proposta tiveram aumento da concentração da substância nos olhos em 25%, além de melhora significativa na memória de curto prazo e na habilidade de resolver problemas. “Os resultados desse estudo sugerem que as gorduras monoinsaturadas, as fibras, a luteína e outros componentes do abacate tornam a fruta especialmente eficaz em enriquecer os níveis neurais de luteína, o que pode trazer benefícios não só para a saúde dos olhos, mas também para a do cérebro”, enfatiza Elizabeth Johnson, principal pesquisadora do estudo.

A investigadora conta que os experimentos indicam que é melhor comer a fruta. Os níveis de luteína nos olhos mais do que dobraram nos participantes que fizeram isso se comparados aos que ingeriram suplemento. “Logo, uma dieta balanceada que inclui essa fruta pode ser uma estratégia efetiva para a saúde cognitiva”, ressalta. Participaram da pesquisa 40 adultos saudáveis, com média de 50 anos, que comeram um abacate fresco por dia durante seis meses. Os pesquisadores monitoraram o aumento gradual da quantidade de luteína nos olhos dos voluntários e a melhora em testes de memória, velocidade de processamento e nível de atenção.

No lugar do abacate, o grupo de controle comeu uma batata ou um copo de grão-de-bico por dia, que possuem o mesmo nível de calorias, mas não contêm luteína. Esse grupo apresentou melhora mais tímida na capacidade cognitiva. Segundo os autores, como os resultados se baseiam no consumo de um abacate inteiro por dia, são necessárias novas pesquisas a fim de determinar se os benefícios podem ser replicados com o consumo da porção diária recomendada: um terço da fruta, que contém 136 microgramas de luteína.

“Enquanto as conclusões de um único estudo não podem ser generalizadas para todas as populações, o resultado da pesquisa ajuda a reforçar e a avançar o corpo de publicações sobre os benefícios do abacate no dia a dia”, diz Nikki Ford, diretora de nutrição do Conselho do Abacate Hass, grupo que promove o consumo da fruta nos Estados Unidos. “Abacates são nutritivos e sem colesterol, com gorduras naturalmente boas. Por isso, são uma forma fácil e deliciosa de se somar mais frutas ao consumo diário saudável de plantas.”

Saúde Plena

Cientistas criam técnica que reúne várias vacinas em uma só injeção

Um dos objetivos é agrupar em uma dose todas as vacinas da infância

Cientistas desenvolveram uma forma de agrupar várias vacinas em apenas uma injeção. A técnica, explicada em um artigo na revisa “Science” desta semana, pode um dia reunir todas as vacinas obrigatórias na infância em uma única aplicação. Segundo a pesquisadora Ana Jaklenec, co-autora do estudo realizado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos EUA, a nova ténica coloca as vacinas em polímeros microscópicos e biodegradáveis que se dividem em momentos diferentes, liberando, então, seu conteúdo imunizante. “As novidades aqui são a sutileza da rapidez com que a droga é liberada da partícula e o fato de que não há vazamento”, disse Jaklenec. 

A pesquisa ressaltou que a novidade pode beneficiar os países em desenvolvimento, ao permitir que todas as vacinas da infância sejam administradas de uma só vez. “Uma das principais limitações para muitas pessoas é o acesso a vacinas e o fato de ter que voltar várias vezes para obter imunidade contra o patógeno”, acrescentou a especialista. São muitas as vacinas obrigatórias da infância, necessárias para imunizar populações contra doenças como sarampo, hepatite A e B, difteria, coqueluche, meningite e tétano. Várias delas requerem outras doses de reforço. Com isso, a criança precisa ser levada ao posto de saúde diversas vezes até completar 2 anos.

O professor Robert Langer, do Instituto David H. Koch do MIT, afirmou que o método gera um tipo de partícula que carrega a droga, o que garante múltiplas doses ao longo de um extenso período de tempo. “Nós estamos muito animados sobre esse trabalho porque, pela primeira vez, podemos criar um conjunto de partículas de vacinas pequenas e revestidas, cada uma programada para liberar seu conteúdo em um tempo previsível, de forma que as pessoas possam receber uma única injeção que, de fato, teria múltiplos impulsionadores já prontos nela”, frisou Langer.

Os principais autores do estudo são os especialistas Kevin McHugh e Thanh D. Nguyen, sendo este um professor assistente de engenharia mecânica da Universidade de Connecticut. Os testes da tecnologia em camundongos mostraram que as partículas se libertam sem vazamento prévio. Usando técnicas de imagem, a substância fluorescente injetada foi vista em cerca de nove dias, 20 dias ou 41 dias, dependendo do polímero utilizado.

Os pesquisadores também empregaram partículas com ovalbumina, uma proteína encontrada em claras de ovos comumente usadas para estimular experimentalmente uma resposta imune. Para isso, utilizaram partículas que liberaram essa proteína aos 9 e 41 dias após a injeção e descobriram que uma única injeção foi capaz de induzir uma forte resposta imune. A equipe também produziu micropartículas preenchidas com uma vacina contra a poliomielite e as expôs a um teste de anticorpos para verificar se a potência da vacina foi afetada pela vedação por calor, mas nenhum problema foi detectado.

O Globo

Cientistas finalmente descobriram por que cólicas menstruais doem tanto!

No maior estudo já realizado sobre esse assunto até o momento, pesquisadores descobriram uma conexão entre um biomarcador de inflamação e intensidade das cólicas. Isso sugere que uma inflamação aguda poderia estar desencadeando as dores e inchaço

Há muito tempo já era de conhecimento dos cientistas que os anti-inflamatórios podem ajudar no alívio desse tipo de dor, sendo bem recomendo pelos médicos às mulheres. No entanto, por meio de testes de grande escala, eles identificaram a ligação biológica entre a inflamação e cólicas menstruais. Embora ainda seja muito preliminar, o estudo pode, em breve, ajudar os cientistas a encontrarem tratamentos mais eficazes do que os analgésicos a que as mulheres estão acostumadas.

Após um levantamento realizado com 2.939 mulheres nos EUA, a equipe da Universidade da Califórnia, mostrou a existência de uma correlação positiva entre a intensidade das cólicas e a presença de algo chamado “proteína C –reativa de alta sensibilidade (PCR-US)”. Trata-se de um biomarcador para inflamações no corpo, e por isso, os pesquisadores sugerem que, quanto maior a quantidade dessa proteína, maior será a experiência de inflamações e, maiores serão as dores das cólicas.

“Sintomas de humor pré-menstrual, cólicas abdominais, dores nas costas, aumento de apetite, ganho de peso, inchaço e dor na mama – exceto dores de cabeça – podem estar significativamente relacionadas com a presença de elevados níveis desse biomarcador”, relataram eles no Journal of Women’s Health. Segundo o estudo, no mundo cerca de 80% das mulheres já experimentaram cólicas durante o período menstrual. No entanto, poucos estudos têm sido feitos para determinar as causas ou opções de tratamento. Neste momento, as melhores opções do mercado são os medicamentos à base de ibuprofeno, além dos analgésicos mais comuns.

No início deste ano, um professor de saúde reprodutiva, John Guillebaud, na University College London, disse que as cólicas menstruais podem ser tão “ruins quanto ter um ataque cardíaco”, acrescentando que este é um campo esquecido “porque os homens não passam por isso”. Entretanto, descobrir mais sobre os fatores biológicos que contribuem para esse tipo de dor, pode ajudar a ciência a desenvolver melhores tratamentos, ou pelo menos, identificar casos de maiores riscos.

“Os resultados sugerem também que os fatores associados a cada sintoma pré-menstrual são complexos, sugerindo potencialmente diferentes mecanismos para as etiologias de alguns sintomas […] A inflamação pode desempenhar um papel mecânico na maioria dos casos, embora ainda sejam necessários mais estudos longitudinais desses relacionamentos”, escreveu a equipe.

Jornal Ciência