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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Dermatose papulosa nigra: saiba o que é e quais os sintomas

O surgimento de lesões no rosto sempre são motivo de incômodo para as pessoa

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Trata-se de uma doença benigna na pele de origem genética

Comum especialmente em negros e mulatos, a dermatose papulosa nigra consiste em pequenas bolinhas escuras que aparecem na pele da face e do pescoço. Mesmo que cause desconforto com relação à estética, a alteração não traz riscos à saúde.

Além de ser mais frequente entre pessoas com a pele negra e morena, a dermatose papulosa nigra acomete principalmente mulheres durante a vida adulta, embora o aparecimento das lesões possa surgir já na adolescência.

Saiba o que é dermatose papulosa nigra

A dermatose papulosa nigra é uma doença benigna da pele e tem origem genética, conforme explica a dermatologista Thaís Jerez. “São pequenas ceratoses seborreicas que se formam”, menciona.

Na prática, isso pode ser observado com o aparecimento de lesões pequenas e elevadas nas colorações castanhas ou enegrecidas. Segundo a dermatologista, algumas delas podem ser presas à pele por um fino pedículo. “No geral, são lesões com cerca de dois a três centímetros, que podem até se juntar e formar lesões maiores em alguns casos”, diz.

O tamanho das lesões podem aumentar com a exposição solar em excesso. Embora a dermatose papulosa nigra prejudique a estética do rosto, a dermatologista ressalta que ela não costuma acarretar em sintomas associados, como dor ou coceira. Por ser de caráter hereditário, não há formas de prevenção contra o problema.

Tratamento das lesões
As bolinhas escuras formadas na pele podem não representar danos à saúde, mas, certamente, muitas pessoas que apresentam essas lesões optam por retirá-las devido à estética. A boa notícia é que o tratamento é simples e os resultados são satisfatórios. Os procedimentos podem, inclusive, ser feitos no consultório médico.

“As lesões podem ser queimadas com eletrocauterização, nitrogênio líquido ou até mesmo com ácidos”, esclarece Thaís.

Conheça as formas de tratamento:

Eletrocauterização
Trata-se de um procedimento cirúrgico para destruir a dermatose papulosa nigra. Com a eletrocauterização, as lesões são carbonizadas devido à eletricidade e ao calor proporcionados por meio do eletrocautério, instrumento de metal usado para queimar os tecidos da pele.

Antes do procedimento, a pele do paciente é limpa e recebe uma injeção local que contém anestésico e vasoconstritor. Geralmente, a cicatrização ocorre em até dez dias.

Criocirurgia com nitrogênio líquido
O procedimento também destrói as lesões, já que o nitrogênio líquido, a uma temperatura de quase quase 200º C abaixo de zero, congela a dermatose papulosa nigra. Com isso, as células tratadas são mortas.

Quando o local apresenta lesões grandes, pode ser preciso recorrer à anestesia. Dias após o congelamento, o local pode ficar inchado e formar bolhas, mas geralmente fica somente escurecido e cicatriza.

Cauterização química
A dermatose papulosa nigra também pode ser retirada a partir desse método, aplicando-se uma substância cáustica nas lesões – geralmente é usado um ácido. O procedimento gera ardência leve ou pinicação e o local fica esbranquiçado. Com o tratamento, as lesões secam, pois o tecido celular morre.

O resultado aparece de sete a 15 dias depois. Antes de recorrer a um procedimento para retirada da dermatose papulosa nigra, é essencial consultar um dermatologia que avalie o caso e prescreva o melhor tratamento para cada paciente.

Doutíssima

Cartilagem cultivada em laboratório poderá 'reconstruir partes do corpo'

Pacientes que precisam de cirurgia para reconstruir partes do corpo, como nariz e orelha, poderão muito em breve fazer um tratamento usando cartilagem cultivada em laboratório, de acordo com cientistas britânicos

Uma impressora 3D constrói a estrutura gelatinosa que contém as células humanas

O processo envolve o cultivo de células de uma pessoa em uma incubadora. Essas células, então, são misturadas a um líquido e depois impressas em 3D no formato gelatinoso do órgão necessário.

Depois disso, coloca-se essa "gelatina" em uma incubadora novamente para que ela possa crescer novamente até que fique pronta. Pesquisadores em Swansea, no País de Gales, afirmam que a expectativa é poder usar esses "tecidos" criados em laboratório em humanos em torno de três anos.

"Usando uma explicação simples, nossa ideia é recriar tecidos usando células humanas", disse Iain Whitaker, cirurgião plástico que participa da pesquisa.

Procedimento
"Estamos tentando imprimir estruturas biológicas usando células humanas e providenciando o ambiente certo e o tempo certo, para que possam se desenvolver em tecidos que eventualmente possam ser utilizados em seres humanos."

"Seria útil para reconstruir partes do corpo perdidas, como partes do nariz ou da orelha e até mesmo partes maiores do corpo, como ossos, músculos e vasos sanguíneos", afirmou.

A equipe de cirurgiões está trabalhando em parceria com cientistas e engenheiros que construíram uma impressora 3D especificamente para esse tipo de trabalho.

Whitaker, que é chefe de cirurgia plástica e reconstrutiva na Escola de Medicina da Universidade de Swansea, explicou que o projeto começou em 2012, mas a pesquisa nessa área já acontece há mais de 20 anos.

A ideia, segundo ele, é testar os tecidos cultivados em laboratório em animais. Depois, será preciso passar por um processo de ética antes de aplicá-los em seres humanos.

"A boa notícia para o futuro é que, se nossa pesquisa for bem sucedida, em dois meses seria possível recriar uma parte do corpo que não existia mais, sem ter que fazer isso retirando tecido de outra parte do corpo, causando defeito ou cicatriz em outros lugares", afirmou.

Os pesquisadores explicam que estão fazendo os experimentos usando impressora 3D porque ela tem grandes possibilidades de imprimir essas estruturas complexas.

"A maioria das pessoas já ouviu muito sobre a impressora 3D, que começou imprimindo plásticos e metais. Agora ela está mais desenvolvida, então é possível considerar a ideia de imprimir tecidos biológicos em uma impressora chamada '3D bio-printing', que é uma máquina diferente, específica para isso", explicou.

Como funcionará o processo
Células são retiradas de uma pequena amostra de cartilagem durante a operação inicial e são cultivadas em uma incubadora por várias semanas

O formato da parte do corpo que está faltando é digitalizado e colocado em um computador

Ele é, então, impresso em 3D usando uma fórmula líquida especial combinada com as células vivas da estrutura gelatinosa cultivada no laboratório

São adicionados reagentes para fortalecer a estrutura

Essa estrutura é colocada, então, em uma incubadora com um fluxo de nutrientes para suprir as células com alimentos para que elas possam crescer e produzir sua própria cartilagem

A estrutura será testada para ver se está forte o suficiente para eventualmente ser implantada em pacientes

BBC Brasil

Os dez lugares mais contaminados dentro de casa

Toalhas úmidas, escovas de dente sem escorrer, brinquedos espalhados pelo chão…esses são alguns dos "ambientes perfeitos" para fungos e bactérias se multiplicarem dentro de casa

Segundo um estudo feito pela Fundação de Pesquisa para Saúde e Segurança Social (FESS) em parceria com a Universidade de Barcelona para a empresa de limpeza Sanytol, os hábitos de limpeza que temos podem transformar uma casa em um lugar bastante propício para a transmissão de doenças.

A pesquisa atestou que o banheiro é o local mais cheio de germes de uma residência. No entanto, ele também é o cômodo que se limpa com mais frequência e, sendo assim, muitas vezes acaba não sendo tão "perigoso" nesse aspecto quanto outros locais que ficam "esquecidos", apenas acumulando sujeira – e, consequentemente bactérias e outros tipos de microorganismos.

Por isso, Maite Muniesa, que é representante do Departamento de Microbiologia da Universidade e liderou a pesquisa, chamou a atenção na apresentação dos resultados justamente para a falta de limpeza naquelas que chamou de "zonas esquecidas".

A seguir, o ranking dessas zonas que podem colocar em risco a saúde dos moradores da casa.

1- Banheiro

Levando em consideração a função dos banheiros, não é muito surpreendente saber que eles estão no topo da lista.

O estudo inclui uma pesquisa com mil famílias espanholas e, de acordo com os resultados dele, somente 56% faz uma limpeza diária nos banheiros. E apenas 32% os desinfeta.

"Limpar o banheiro não é a mesma coisa que desinfetá-lo. Ter uma superfície limpa não é o mesmo que ter uma superfície sem contaminação", afirmou Muniesa.

2- Esponjas e panos de cozinha

Segundo a pesquisa, a cozinha é outro local cheio de germes dentro de casa.

Eles se concentram principalmente nas esponjas e nos panos.

Segundo a especialista, eles não costumam ser lavados diariamente e, muitas vezes, ficam úmidos ao longo do dia, o que colabora para a proliferação dos germes.

"Esses germes e bactérias podem ficar até duas semanas em uma esponja úmida", afirmou a pesquisadora.

3- Pia

A pia da cozinha concentra 100 mil vezes mais germes do que o banheiro.

Segundo o estudo, 14% delas abrigava mais de um milhão de bactérias por metro quadrado.

E muitas vezes, esses microorganismos se acumulam em pilhas de pratos com restos de comida.

4 – Torneiras, banheiras, máquinas de lavar e geladeiras

Assim como acontece com a pia, a umidade e o material orgânico acumulado nessas áreas criam um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias.

Na borracha da máquina de lavar e da geladeira, por exemplo, não é estranho encontrar mofo ou bolor.

Ela tem dobras muito difíceis de limpar e, sendo assim, acaba acumulando esses microorganismos.

5- Escovas de dentes e seus copos

A boca abriga centenas de microorganismos, que podem ser transferidos à escova de dente durante o uso.

Bactérias como estafilococos, bactérias coliformes, pseudomonas, levedura, bactéria intestinal e até germes fecais podem ficar alojados ali.

A pesquisa garante que 80% das escovas de dente examinadas abrigam milhões de microorganismos que podem vir a ser prejudiciais à saúde.

6- Chão

É comum deixarmos cair algum pedaço de comida no chão.

Muita gente pega o pedaço de volta, dá aquela assopradinha e acha que, assim, já eliminou todas as bactérias que estavam ali. Mas isso não é suficiente,

O chão de uma casa é um dos lugares com maior concentração de microorganismos, segundo a pesquisa.

Muitos deles são trazidos da rua com nossos sapatos. Além disso, os especialistas em microbiologia advertem que as bactérias precisam somente de dez segundos para "colonizar" um pedaço de comida que cai no chão.

7- Tábuas para cortar

De acordo com Muniesa, até 20% das infecções alimentares ocorrem dentro de casa. Os microorganismos que frequentemente provocam esse tipo de problema são a salmonela, a escherichia coli e o campylobacter.

Todos eles podem se acumular na borracha da geladeira ou em panos úmidos.

Mas também é comum encontra-los nas tábuas de cortar, que são ambientes propícios para abrigar germes.

Para evitar isso, é preciso desinfetá-las com frequência – o que pode ser feito facilmente no microondas.

8- Dispositivos tecnológicos

O teclado de um computador ou a tela de um celular podem chegar a ter 30 vezes mais microorganismos do que um banheiro limpo.

É que essas telas de celulares, os telefones, controles remotos e outros dispositivos tecnológicos estão em constante contato com nossas mãos.

"Nós mexemos em muitas coisas e não desinfetamos nossas mãos corretamente", advertiu a especialista.

Por isso, os teclados podem acumular até 450 tipos de germes diferente, afirma a pesquisa.

9- Maçanetas

Elas são utilizadas uma vez ou outra ao longo do dia, mas são bem fáceis de se esquecer na hora da limpeza da casa.

Por isso, as maçanetas se tornam lugares propícios para o acúmulo de germes.

Mais que isso, os especialistas consideram que elas desempenham um papel importante na transmissão de vírus como o da gripe e outros que provocam doenças respiratórias.

10- Brinquedos

Não é raro encontrá-los espalhados pelo chão. Muitas vezes, são arrastados passando de uma criança para outea – e elas muitas vezes os colocam na boca.

Isso acaba fazendo com que os brinquedos também sejam focos de germes e bactérias.

Ainda assim, 17% dos entrevistados disseram aos pesquisadores que nunca desinfetam os brinquedos que têm em casa – o que facilita ainda mais a proliferação dos microorganismos.

Outro estudo feito pela Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, já alertou para a presença de bactérias que provocam pneumonia - Streoptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes - nos brinquedos que ficam espalhados pela casa.

Diante disso, é muito importante prestar atenção nessas "zonas esquecidas" na hora da limpeza e mudar os hábitos, concluiu o estudo.

BBC Brasil

Sancionada lei que prevê plástica no SUS para mulher vítima de violência

Foi publicada ontem (31) no Diário Oficial da União a Lei 13.239, que dispõe sobre a oferta e realização, no Sistema Único de Saúde (SUS), de cirurgia plástica reparadora de sequelas de lesões causadas por violência contra a mulher

O texto já havia passado pelo Senado e foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados em novembro deste ano, quando seguiu para sanção presidencial.

De acordo com a lei, hospitais e os centros de saúde pública, ao receberem vítimas de violência, deverão informá-las da possibilidade de acesso gratuito à cirurgia plástica para reparação das lesões ou sequelas de agressão comprovada.

Ainda segundo o texto, a mulher vítima de violência grave que necessitar de cirurgia deverá procurar uma unidade de saúde que realize esse tipo de procedimento portando o registro oficial de ocorrência da agressão.

A lei prevê também que o profissional de medicina que indicar a necessidade da cirurgia deverá fazê-lo por meio de diagnóstico formal, encaminhando-o ao responsável pela unidade de saúde respectiva, para autorização.

Ao final, o texto prevê ainda a possibilidade de punição aos gestores que não cumprirem com a obrigação de informar as mulheres vitimadas sobre seus direitos.

Agência Brasil

Como a indústria farmacêutica responde às doenças tropicais negligenciadas?

Nos primeiros anos deste século, apenas quatro em cada cem novos medicamentos produzidos foram dedicados a doenças que atingem principalmente populações em países tropicais de baixa renda

Medicamentos para males tropicais não são dos mais visados pela indústria farmacêutica
Medicamentos para doenças tropicais não são os mais visados pelas industrias farmacêuticas

Em números concretos, só 37 (cerca de 4%) dos 850 novos remédios registrados entre 2000 e 2011 eram indicados para malária, diarreia, tuberculose e o rol das chamadas "doenças tropicais negligenciadas" listadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Os dados, compilados num estudo colaborativo que incluiu pesquisadores de agências privadas e da própria OMS, são de 2013 e foram publicados pela revista científica The Lancet. Segundo a OMS, a cada ano 1,5 bilhão de pessoas em 149 países sofrem com esse tipo de doenças, que não recebem a devida atenção.

A lista inclui alguns males bastante conhecidos (e até em alta) no Brasil, como dengue, chikungunya e chagas. Por um lado, há a crítica de que, embora afetem muita gente, essas doenças não são prioridade para as pesquisas farmacêuticas, que historicamente preferem se dedicar ao desenvolvimento de remédios que garantam retorno financeiro.

De outro, o mesmo estudo mostra que houve um avanço: entre 1975 a 1999, somente 1,1% dos novos tratamentos eram dedicados aos males tropicais que afligem populações de média e baixa renda.

Além disso, gigantes da indústria farmacêutica consultadas garantem estar investindo no desenvolvimento de soluções para essas doenças.

O fator emergente
Algumas das maiores empresas mundiais do setor dizem estar de olho no mercado de países emergentes, cujas economias se expandiram na última década.

A gigante GlaxoSmithKlein, por exemplo, pesquisa com a brasileira Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) uma versão de vacina para a dengue. Em outra frente, sua vacina contra malária, a Mosquirix, foi recomendada pelo órgão de saúde da União Europeia e aguarda políticas da OMS para o uso em populações carentes.

Segundo seu porta-voz, Aoife Pauley, a empresa também acompanha as epidemias causadas pelos vírus chikungunya e zika e investiga possibilidades de vacinas.

A francesa Sanofi Pasteur lançou neste mês em outro emergente, o México, a primeira vacina contra a dengue, que aguarda liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso no Brasil.

"É a primeira vez que temos uma vacina que é primeiramente registrada e autorizada em um país em desenvolvimento, o México", diz o diretor do programa para dengue da empresa, Cesar Mascareñas. "Não é novidade apenas por irmos a populações maiores, mas também por desenvolvermos infraestrutura e pesquisa clínica (em países em desenvolvimento)", acrescentou.

Outras companhias, como a suíça Novartis, dizem ter centros dedicados a pesquisa de males tropicais.

A médica brasileira Fabiana Alves, pesquisadora da DNDi – ONG que atua no desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas –, reconhece avanços vindos da indústria.

"Não posso negar que atualmente, dentro da nossa área de trabalho, há vários projetos com colaboração de diferentes indústrias farmacêuticas. Principalmente no acesso às bibliotecas de compostos que podem ser usados. Isso já é um grande passo", afirma.

Mas faz uma ressalva: "A indústria farmacêutica funciona na base do lucro, e não do que é o bem para a humanidade", diz.

A questão do acesso (e da qualidade)
Além de criticar a falta de investimento suficiente em soluções para as doenças que atingem populações carentes, especialistas e ativistas chamam atenção para outro obstáculo: a falta de acesso a tratamentos eficazes e de qualidade.

Um dos exemplos é a malária, que, embora não conste da lista da OMS de males negligenciados, é endêmica nos países da África Subsaariana, gigantesca parte do continente localizada ao sul do deserto do Saara e que concentra alguns dos países mais pobres do mundo.

Embora tenha havido, desde a virada do milênio, uma queda de 37% nos casos e de 60% nos óbitos, a OMS estima o surgimento de 214 milhões de novos casos da doença neste ano, dos quais 438 mil resultaram em mortes – cerca de 90% delas na África.

Gabriel Alcoba, conselheiro para doenças tropicais da ONG Médicos Sem Fronteiras, diz ser frustrante tentar fazer medicamentos contra a doença chegarem a todos os atingidos nessas populações.

"Às vezes não há remédios suficientes, em especial quando há um grande surto e precisamos fazer a administração em massa", diz o médico.

Segundo ele, o problema não é só levar medicamentos a esses locais, mas também o tipo de droga oferecida.

Alguns remédios mais antigos não surtem efeito e chegam, segundo o especialista, a atrapalhar o tratamento, pois podem levar à resistência do parasita.

"As indústrias farmacêuticas precisam liquidar os estoques de remédios antigos antes de produzir os novos (…) O fato é que ainda encontramos formulações antigas, que não são muito eficazes, ainda sendo produzidas."

A Médico Sem Fronteiras é uma das organizações que advoga pelo acesso das populações carentes a aos chamados medicamentos ACTs (terapia combinada de artemisinina, na sigla em inglês) de última geração, que são considerados os mais eficientes no combate ao parasita.

Alcoba reconhece, porém, que não é algo fácil de ser alcançado. "É uma questão de preço - os ACTs são caros. Quando falamos de acesso, preço é obviamente um das grandes barreiras."

A empresa suíça Novartis afirma ter entregue, sem obter lucro, mais de 300 milhões de tratamentos com ACTs para o combate à malária.

iG

Segurados de planos de saúde terão direito a 21 novos procedimentos; veja quais

Lista da Agência Nacional de Saúde Suplementar inclui teste rápido de sangue para diagnóstico de dengue e chikungunya

José Carlos de Souza Abrahão, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar
Divulgação ANS: José Carlos Abrahão, diretor-presidente da ANS

A partir deste sábado (2), beneficiários de planos de saúde individuais e coletivos vão passar a ter direito a mais 21 procedimentos, que passam a ser obrigatórios. A nova lista inclui o teste rápido de sangue para diagnóstico de dengue e chikungunya, para que os pacientes tenham o resultado na própria emergência, e a ampliação do número de consultas com fonoaudiólogo, nutricionistas, fisioterapeutas e psicoterapeutas, entre outros.

O rol é uma lista de tratamentos de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, baseada nas doenças classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para incluir novos procedimentos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revisa a lista a cada dois anos com base em critérios técnicos para inclusão de novos tratamentos.

“Para ser incluída no rol, é preciso que a nova tecnologia tenha um nível de evidência científica satisfatória para comprovar que é segura, que tem eficácia e que vai trazer benefícios aos pacientes. Também consideramos questões epidemiológicas, como no caso da sorologia para dengue, por exemplo”, explicou a gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, Raquel Lisboa.

Este ano, a elaboração da lista teve apoio do Comitê Permanente de Regulação da Atenção à Saúde e de consulta pública feita pela ANS. A mudança vai beneficiar 50,3 milhões de consumidores em planos de assistência médica e outros 21,9 milhões de beneficiários com planos exclusivamente odontológicos.

Sobre o impacto financeiro das mudanças, Raquel Lisboa disse que o aumento é baixo, se comparado aos benefícios. “Nós fazemos a avaliação a posteriori para saber o impacto das mudanças no preço dos planos de saúde, e só o rol costuma ficar em torno de 0,5 a 1%”, informou.

Entre as novidades de tratamento estão o implante de monitor de eventos (Looper), utilizado para diagnosticar perda da consciência por causas indeterminadas, o implante de cardiodesfibrilador multissítio, que ajuda a prevenir morte súbita, o implante de prótese auditiva ancorada no osso para o tratamento das deficiências auditivas e a inclusão do enzalutamida – medicamento oral para tratamento do câncer de próstata.

A ANS ampliou também o uso de outros procedimentos que já eram ofertados, como o tratamento imunobiológico subcutâneo para artrite psoriásica e o uso de medicamentos para tratamento da dor com efeito adverso ao uso de antineoplásicos.

Os usuários vão ter direito a número maior de sessões com fonoaudiólogos. Elas passam de 24 para 48 ao ano para pacientes com gagueira e idade superior a 7 anos e transtornos da fala e da linguagem, de 48 para 96 para quadros de transtornos globais do desenvolvimento e autismo e 96 sessões para pacientes que têm implante de prótese auditiva ancorada no osso.

Houve ampliação ainda das consultas em nutrição: passam de seis para 12 sessões para gestantes e mulheres em amamentação. Aumentou também o número de sessões de psicoterapia, de 12 para 18 sessões.

Veja a lista completa de novos tratamentos:

Agência Brasil