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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Polícia Civil prende empresárias e farmacêuticas suspeitas de falsificação de produtos em Curitiba

DecrisaQuatro mulheres, entre elas duas empresárias e duas farmacêuticas (responsáveis técnicas), de diferentes farmácias, foram presas durante uma operação policial deflagrada na segunda-feira (29/01), em Curitiba, suspeitas pelo crime de falsificação de produtos para medicamentos manipulados

A ação de fiscalização aconteceu em cinco farmácias de manipulações – Centro, Fazendinha, Sítio Cercado, Alto Boqueirão e Novo Mundo – e foi realizada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Decrisa) que contou com o apoio da Vigilância Sanitária de Curitiba e do Conselho Regional de Farmácia do Paraná.

De acordo com a polícia um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado no final do ano passado, após uma vitima ter manipulado um produto para seu filho menor de idade que prometia melhoras nos sintomas do autismo, o que não ocorreu. “Assim que tomamos conhecimento do fato, iniciamos várias diligências, até que recebemos novas informações, sendo necessário uma operação conjunta para a fiscalização”, falou o delegado responsável pelas investigações, Vílson Alves de Toledo.

As investigações apuraram, também, que no local, eram manipulados remédios com produtos vencidos, sem uma origem comprovada e que dependiam de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de produções em series de um pó nutricional (suplemento alimentar) destinados à crianças com necessidades especiais.

Nas cinco farmácias fiscalizadas, a polícia apreendeu uma grande quantidade de produtos sem origem, produtos vencidos e produtos já manipulados sem a apresentação de receitas medicas, totalizando em cerca de 350 produtos apreendidos. “Foi possível comprovar que elas manipulavam remédios ou produtos específicos controlados sem a apresentação de receituários médicos, o que é expressamente proibido pela Anvisa”, completou Toledo.

“A denunciante apresentou documentos que comprovavam as irregularidades, exigindo providências. A partir de então, juntamente com a Vigilância Sanitária, iniciamos uma investigação sobre o assunto”, afirma Eduardo Pazim, Gerente de Fiscalização do CRF-PR, completando que “com a operação de ontem pudemos verificar e tomar as medidas cabíveis da nossa parte, exigindo o cumprimento da legislação farmacêutica”.

Na delegacia, a responsável pela farmácia do Fazendinha, Sítio Cercado, Alto Boqueirão e Novo Mundo, alegou que apenas administrava os locais, já a farmacêutica falou que não tinha conhecimento das irregularidades apontadas no estabelecimento. Os locais foram autuados pela Vigilância Sanitária.

Já na farmácia do Centro, a proprietária admitiu manipular os produtos nutricionais e negou que estava manipulando remédios controlados sem o receituário, a farmacêutica alegou que não tinha conhecimento pois estava trabalhando no local há apenas 3 meses. A farmácia foi interditada pela Vigilância Sanitária. As quatro mulheres foram autuadas em flagrante pelo crime contra a saúde pública. Se condenadas, poderão pegar de 10 a 15 anos de reclusão. Todas aguardam presas à disposição da Justiça.

Foto: Carlos Soares/Polícia Civil

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mau colesterol oferece riscos à saúde mesmo a um adulto saudável

Estudo desenvolvido na Espanha conclui que o "mau colesterol", mesmo em taxas consideradas toleráveis, é isoladamente um fator determinante para a ocorrência de infarto ou derrame em pessoas na meia-idade 


Conhecida como “mau colesterol”, a lipoproteína de baixa intensidade (LDL-C) pode ser o motivo pelo qual muitas pessoas aparentemente saudáveis sofrem infarto ou derrame na meia-idade, mesmo não tendo outros fatores de risco cardiovascular, como tabagismo, hipertensão, obesidade, diabetes e dislipidemia (níveis elevados de lipídio no sangue). Depois de faixa etária (ter mais de 50 anos) e de sexo (ser homem), o LDL-C, mesmo em taxas consideradas normais, é o maior preditor da presença de placas ateroscleróticas nas artérias, segundo estudo do Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares Carlos III (Cnic), da Espanha, publicado no Journal of the American College of Cardiology (JACC).

De acordo com os autores do trabalho, o resultado sugere a necessidade de estratégias mais agressivas para reduzir os níveis de mau colesterol voltadas, inclusive, aos indivíduos que teriam baixas chances de sofrer eventos cardiovasculares. “Por isso, precisamos definir novos marcadores de placas ateroscleróticas precoces nessas pessoas aparentemente saudáveis”, explica Leticia Fernández-Friera, principal autora do estudo. Ela destaca também que, de todos os fatores de risco associados a esses problemas, o LDL-C é, por sorte, o mais fácil de modificar, facilitando na prevenção de infarto e derrame.

O novo artigo é uma subanálise do estudo Progressão de Aterosclerose Precoce Subclínica (PESA), e avaliou 1.779 participantes que não apresentavam os fatores de risco clássicos. O principal objetivo foi definir quais elementos poderiam levar à formação de placas nas artérias dessa população. Para isso, os pesquisadores analisaram a associação de dados biométricos e padrões de estilo de vida à presença desses depósitos de gordura.

Usando tecnologia de imagem não invasiva (PET scan, ressonância magnética, tomografia computadorizada e ultrassom 2D e 3D), os cientistas conseguiram visualizar quando e como a aterosclerose começou a se instalar, e o que ocorreu para ela se manifestar clinicamente. Normalmente, a condição é detectada apenas em estágio avançado, depois de ter provocado eventos como infarto e derrame. Depois que esses problemas ocorrem, geralmente os pacientes sofrem com um declínio permanente da qualidade de vida, pois as opções de tratamento para as sequelas são ainda limitadas. Do ponto de vista da saúde pública, o impacto financeiro é imenso, observa o artigo.

“Graças ao ultrassom vascular, podemos visualizar diretamente a presença de placas de colesterol nas artérias carótidas, na aorta e nas artérias iliofemorais. Com a tomografia computadorizada, somos capazes de detectar calcificação nas artérias coronarianas. Então, com essas abordagens, pudemos avaliar o progresso da doença nos indivíduos”, conta Javier Sanz, coautor do estudo. Os exames demonstraram que as placas estavam presentes em 50% dos indivíduos entre 40 e 54 anos, não tabagistas e sem histórico de hipertensão, diabetes mellitus ou dislipidemia.

Os resultados também mostraram que, depois de sexo e idade, o preditor mais forte da formação de placas era o “mau colesterol”. “Mesmo em pessoas com taxas ideais de pressão sanguínea, açúcar no sangue e colesterol total, detectamos uma associação independente entre o nível de LDL-C circulante e a presença e a extensão de aterosclerose subclínica (sem sinais aparentes)”, diz Javier Sanz.

“Isso pode ajudar a melhorar a prevenção cardiovascular na população em geral, mesmo antes que apareçam os fatores de risco convencionais. A habilidade de identificar pacientes com a doença antes do aparecimento dos sintomas pode ajudar a evitar ou a reduzir as complicações associadas, o que se traduziria em um enorme benefício social e econômico”, completa Leticia Fernandez-Friera. Ela afirma, contudo, que só daqui a 15 ou 20 anos será possível avaliar o benefício da intervenção precoce. O projeto PESA é de longo prazo, e os participantes serão acompanhados ao longo de toda a vida.

Principal causa de morte em todo o mundo, as doenças cardiovasculares têm alta prevalência e, por isso, considera-se que as estratégias de prevenção devem ser prioridade para a saúde pública. No ano passado, as principais sociedades cardiológicas, inclusive a brasileira, reviram os parâmetros de colesterol (veja arte), tornando as diretrizes mais rígidas.

Multifatorial
“A aterosclerose é um iceberg. Conhecemos a ponta, mas não a base, ou seja, a causa genuína”, afirma o ex-presidente e atual conselheiro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) Lázaro Fernandes de Miranda, coordenador de Cardiologia do Hospital Santa Lúcia. De acordo com ele, o que se sabe é que inflamações crônicas favorecem o surgimento das placas e, de todos os fatores causadores desse processo inflamatório, o “mau colesterol” é considerado o principal. “Outros que estão sendo estudados são a elevação das proteínas PCR, IL1 beta e IL 6. Pesquisas muito recentes demonstraram que uma vez tratada a inflamação, reduziu-se ou inibiu-se a propensão à aterosclerose”, diz.

Inclusive, a substância canaquinumabe, um anticorpo monoclonal com indicação para o tratamento de artrite idiopática juvenil, demonstrou ter efeito secundário em estudo divulgado em agosto: a redução de padrões inflamatórios e, consequentemente, de eventos cardiovasculares. Ela age inibindo a produção IL 1 beta, aumentada em indivíduos que sofreram infarto e derrame.

Miranda destaca que, apesar da influência do LDL-C e das substâncias apontadas nas pesquisas mais recentes sobre o tema, a aterosclerose não é consequência de um único fator. “Existe um programa de estilo de vida do cardiologista norte-americano Dean Ornish que inclui atividade física vigorosa, dieta vegetariana, medicação e controle do estresse, que é um dos fatores de gatilho dos eventos cardiovasculares. Uma pesquisa mostrou que 82% das pessoas que seguiram o programa tiveram redução ou estabilização das placas. Os 18% continuaram progedindo, o que poderia ser explicado por predisposição genética”, diz o médico.

Essa, aliás, é uma crítica que ele faz ao estudo do Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares Carlos III: os pesquisadores não consideraram o histórico familiar dos participantes, excluindo, dessa forma, os fatores genéticos como um risco em potencial. Ainda assim, o médico considera que o trabalho deve reforçar a importância de medidas preventivas voltadas às pessoas que, independentemente de outras taxas, têm “mau colesterol” elevado. Inclusive, ele cita o epidemiologista canadense Salim Yousef, presidente da Federação Mundial do Coração, que sugeriu, há duas décadas, a adição de estatina à água, para prevenir doenças cardiovasculares. “Claro que teríamos de saber qual a dosagem ideal, mas essa é uma estratégia que poderia ser pesquisada”, observa.

Pesquisadores japoneses identificam neurônios culpados pelo desejo por doces

Descoberta pode abrir caminho para melhorias no tratamento de excesso de peso

Uma equipe de pesquisadores japoneses identificou os neurônios responsáveis pelos desejos súbitos de consumir doces ou chocolates quando o estresse é grande. Os cientistas estão otimistas de que a descoberta, publicada na edição on-line da revista americana Cell Reports, poderá abrir caminho para avançar em investigações mais precisas para as pessoas que sofrem de excesso de peso.

As pesquisas foram feitas, inicialmente, com ratos. Cientistas do Instituto Nacional de Ciências Fisiológicas, localizado na cidade de Aichi, constataram que quando estimulavam nos animais os neurônios conhecidos por sua relação com o estresse, o interesse deles por carboidratos multiplicava. Os roedores estudados comeram três vezes mais rações açucaradas que sob condições normais, enquanto reduziram pela metade o volume de gorduras ingeridas.

Segundo o cientista Yasuhiko Minokoshi, que liderou os trabalhos, esse estudo é o primeiro a demonstrar o papel do cérebro nas preferências por carboidratos ou gorduras. “Pessoas que comem muito doce quando estão estressadas, muitas vezes pensam que é culpa própria porque não conseguem controlar seus impulsos”, comentou o pesquisador, assinalando que, na realidade, pode ser uma questão de neurônios.

Minokoshi, no entanto, foi prudente quanto aos desdobramentos das investigações. Ele enfatizou que ainda falta tempo para que esses conhecimentos permitam tratamentos específicos. Uma simples supressão desses neurônios poderia ter efeitos colaterais, alertou.

“Mas, se encontrássemos uma molécula específica nos neurônios, poderíamos visá-la para suprimir algumas de suas funções. Isso ajudaria a reduzir o consumo excessivo de carboidratos”, opinou. Já a ativação da molécula, segundo ele, poderia ser útil para os pacientes que consomem muita gordura.

Saúde Plena

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Fake news e fake drugs

Notícias falsas impulsionam uso de medicamentos de eficácia não comprovada

Acreditar numa notícia falsa é como receber um medicamento sem eficiência comprovada. As consequências podem ser desastrosas. A imprensa e jornalistas sérios buscam coibir as “fake news”, pela ética e sobrevivência profissional. No contraponto está a internet, território livre e globalizado, que ameaça os monopólios da indústria da informação. A liberdade de imprensa não pode ser confundida com a ação delinquente dos que manipulam a informação.

Na medicina ocorrem constantes conflitos de interesse envolvendo as indústrias, fontes pagadoras e com os profissionais de saúde que se opõem à falácia de que a medicina deve apenas seguir as regras do mercado. Mais um fértil terreno para “fake news”. É o que novamente assistimos com o tratamento da LLA, um tipo de leucemia que acomete crianças. Três em quatro desses pequeninos ficam curados se cuidados por uma equipe treinada, numa estrutura hospitalar razoável e usando de quatro a cinco medicamentos conhecidos a longa data.

A asparaginase, principal droga utilizada nesses casos, só é produzida por poucos laboratórios no mundo, dessa forma obrigando o Brasil a importá-la, já que não a produz. A recusa do Ministério da Saúde (MS) ao debate científico ampla e num tempo razoável favorece a comercialização de drogas de eficácia duvidosa, principalmente favorecidas pela regra do menor preço. O ministro, denegrindo sistematicamente cientistas independentes, contribui para que “fake drugs” ou agentes inescrupulosos, que agem nas nebulosidades das leis, continuem a prejudicar pacientes não esclarecidos.

A Justiça Federal do Distrito Federal, em setembro de 2017, proibiu a importação de uma “droga barata” fabricada na China e cuja eficiência nunca não foi comprovada. Diante desse fato, o MS propõe a compra de outra droga chinesa, distribuída pela mesma importadora da barata impugnada (sem duplo sentido!). O argumento é o seu menor custo e sua utilização em alguns hospitais chineses e na Bolívia.

Mas há algo ainda mais triste. Temos que esperar pelo menos dois anos para saber o real impacto desse produto no controle da doença. Enquanto isso, mais crianças pobres serão tratadas por uma droga chinesa (com duplo sentido) para a qual faltam pesquisas que recomendem ou condenem seu uso, pois pode ser tanto uma “fake drug” como um medicamento eficiente e menos custoso.

Enquanto os fabricantes não provarem sua eficácia, o ético é que se faça como o Instituto Boldrini, de Campinas, hospital que atende pacientes do SUS e que utiliza a mesma asparaginase adotada na maioria dos hospitais de referência da Europa e dos EUA, mas se recusando a usar uma droga questionável. Chega de “fake drugs”, veiculadas por “fake news”.

O Globo

Por que o fracionamento de remédios não é obrigatório no Brasil?

A venda fracionada de medicamentos continua sendo apenas uma boa ideia que não sai do papel

Sua adoção traria pelo menos três benefícios importantes: economia, pois o paciente compraria exatamente a quantidade prescrita pelo médico; redução da automedicação, evitando que “sobras” de comprimidos e drágeas fossem utilizadas sem consulta médica prévia, e fim de estoques domésticos, sempre sujeitos a acidentes de consumo, que ameaçam principalmente as crianças.

Segundo o Sistema de Informações Tóxico-farmacológicas (Sinitox), no Brasil duas pessoas se intoxicam por hora em consequência da automedicação. Esse número talvez seja ainda maior, pois muitos casos de intoxicação não chegam a ser notificados.

Projeto de lei da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) propõe tornar obrigatório o fracionamento para assegurar sua venda ao consumidor. A expectativa da autora é que seja aprovado ainda neste semestre. Torço para que se torne lei logo. Até porque há normatização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o fracionamento, mas não a obrigatoriedade de oferta destes remédios.

Medicamento não deveria ser estocado em gavetas, prateleiras, caixinhas etc. O correto seria ter em casa somente a quantidade necessária para as próximas semanas ou exatamente a receitada para um tratamento. Por que, então, as farmácias não vendem medicamentos fracionados? Só há uma explicação: porque não é obrigatório. Em função desta lacuna legal, o consumidor, muitas vezes, tem de comprar mais do que necessita.

Além da despesa adicional desnecessária, há situações em que a pessoa julga ter, novamente, a mesma doença já tratada com determinado remédio. Para combatê-la, utiliza comprimidos guardados. Mas nada substitui a avaliação médica. Não há como garantir que uma dor de garganta, por exemplo, tenha a mesma causa em duas ocasiões diferentes.

Se o armazenamento de remédios é um problema, descartá-los corretamente é outro. Drágeas, comprimidos, pílulas, líquidos injetáveis, xaropes e pomadas não podem ser jogados no lixo comum. É preciso descartá-los em locais específicos para isso, em farmácias e drogarias. Por isso, algumas prefeituras também recebem medicamentos para evitar contaminação do solo e das águas, além de intoxicação. São tantos argumentos favoráveis, que a pergunta se impõe: a quem interessaria impedir o fracionamento?

Folha de São Paulo

TRT de MG entende que farmacêutico que aplica injeções tem direito a adicional de insalubridade

Aplicar medicamentos injetáveis pode configurar trabalho insalubre em função do contato permanente com agentes biológicos

Pelo menos foi o entendimento recente da 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), que condenou uma rede de farmácias a pagar adicional de insalubridade a um ex-empregado que aplicava injeções em clientes.

O adicional de insalubridade é uma pauta antiga dos farmacêuticos nas reuniões de negociação coletiva, principalmente daqueles que atuam em ambientes com risco de contaminação. Muitos utilizam recursos técnicos para solicitar aos empregadores este acréscimo ao salário.

Neste caso específico, a 7ª Turma do TRT-3 rejeitou a conclusão da perícia baseando-se no artigo 479 do novo CPC (no mesmo sentido do 436 do CPC de 1973). O Tribunal manteve a sentença que deferiu o adicional de insalubridade seguindo o voto da relatora desembargadora Cristiana Maria Valadares Fenelon.

A norma prevê a insalubridade em “trabalhos ou operações em contato permanente com pacientes, animais ou com material infecto-contagiante em hospitais, serviços de emergências, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados ao cuidado da saúde humana”.

A relatora entendeu que a aplicação de injetáveis, numa média de duas a três vezes por dia, como fazia o reclamante, configurou o enquadramento no Anexo 14 da NR-15. Isso porque expõe o trabalhador ao contato com pacientes, submetendo-o a riscos de contágio, por sangue eventualmente contaminado. Ela tomou por base o depoimento do representante da empresa que admitiu que “não era possível saber se o paciente era ou não portador de HIV ou outras doenças infecciosas”.

Após exame das fichas de Equipamento de Proteção Individual (EPI) a desembargadora concluiu que as luvas de proteção fornecidas, mesmo que fossem corretamente usadas, não eram suficientes para eliminar o risco de contágio, mas apenas para minimizá-lo. Isso porque o contágio por agentes biológicos não se restringe às mãos, podendo ocorrer por outras vias como, pele, nariz, ouvido, ou até mesmo pela garganta. “Essa conclusão é mais convincente e compatível com o que se observa geralmente, através de regras de experiência comum” explicou a relatora.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

UNA-SUS/UFMA lança curso sobre o uso de indicadores de Saúde

instagram secretaria-executivaProfissionais de saúde interessados em ampliar os conhecimentos sobre indicadores de Saúde, já podem se inscrever no mais novo curso Análise de Situação de Saúde: Conceitos, interpretação e uso dos indicadores de Saúde, desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), integrante da Rede Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)

A oferta é uma ação do Ministério da Saúde e integra a formação na área de Vigilância, composta por 12 cursos.

As matrículas podem ser realizadas até o dia 24 de maio, gratuitamente, pelo link. A capacitação é autoinstrucional e tem início imediato.

O curso é destinado, prioritariamente, aos profissionais que atuam nas ações de vigilância em saúde e atenção primária, especialmente na área de prevenção das doenças no âmbito municipal e estadual do Sistema Único de Saúde (SUS). Demais interessados no tema também podem se inscrever.

Segundo o fisioterapeuta, professor da Escola de Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e conteudista do curso, Mateus de Sousa Mata, para atender melhor e de forma mais eficiente os usuários do sistema, os profissionais precisam conhecer as necessidades de saúde da população. Uma forma de identificar essas necessidades é conhecendo os indicadores de saúde, como interpretá-los, como obtê-los e, por que não, saber calculá-los em diferentes situações.

“O conhecimento sobre os indicadores não deve ser utilizado somente por gestores, mas também por profissionais que estão no cuidado direto dos usuários dos serviços de saúde, uma vez que suas ações podem ser melhor direcionadas a partir da identificação de grupos mais vulneráveis, ou de pessoas com maior risco de adoecer, por exemplo”, defende o conteudista.

Com carga-horária de 30 h, divididas em 3 unidades de 10 h, o curso apresenta a Análise de Situação de Saúde (ASIS) como importante ferramenta para contextualizar os problemas identificados no âmbito da gestão e dos territórios sanitários, auxiliando no processo de tomada de decisões entre gestores e profissionais de saúde, bem como na elaboração de políticas públicas que englobem a carga global de doenças e a vulnerabilidade de grupos populacionais.

“Pensamos um conteúdo que pudesse auxiliar profissionais envolvidos na assistência, bem como gerentes de unidades de saúde e outros profissionais envolvidos na gestão da saúde. Com os exemplos do cotidiano, as reflexões e o material complementar sugerido, esperamos que os profissionais possam conectar suas experiências ao conteúdo do curso e transformar suas práticas a partir de uma boa análise da situação de saúde da população”, destaca, Mata.

O conteudista acredita que transformar a realidade na área da saúde passa, necessariamente, pelo conhecimento de quais são os fatores que levam ao adoecimento, os grupos que necessitam de maior cuidado das equipes de saúde e as melhores intervenções para cada situação. “Nosso convite é para que os profissionais façam parte dessa mudança, utilizando a análise de situação de saúde como ferramenta para a gestão de recursos públicos e tomada de decisão no cotidiano do trabalho em saúde, de forma a melhorar a assistência, ampliar a cobertura de serviços e promover a equidade, garantindo ainda a qualidade dos serviços”, finaliza.

Para saber mais sobre esse e outros cursos da rede UNA-SUS, acesse o link www.unasus.gov.br/cursos.

Blog da Saúde

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Fast-food pode ter o mesmo efeito de infecções por bactérias no organismo

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, durante testes com ratos. Os animais foram mantidos em uma dieta ocidental, rica em gorduras e açúcar

Seguir uma dieta gordurosa pode fazer com que o organismo passe a tratar os alimentos ingeridos da mesma forma que reage a uma infecção bacteriana. A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, durante testes com ratos. Alimentado com quantidades baixas de nutrientes, o corpo das cobaias desenvolveu uma resposta inflamatória, o que potencializou a atividade do sistema imune. Detalhes do trabalho achados foram publicados na última edição da revista americana Cell.

No experimento, os pesquisadores mantiveram ratos em uma dieta ocidental, rica em gordura, açúcar e poucas fibras durante um mês. Com o tempo, os animais desenvolveram forte resposta inflamatória em todo o corpo, de forma semelhante a uma infecção causada por bactérias maléficas ao organismo. “A dieta não saudável levou a um aumento inesperado do número de células imunes no sangue dos ratos, especialmente granulócitos e monócitos. Essa foi uma indicação para o surgimento de células imunes na medula óssea”, explica, em comunicado à imprensa, Anette Christ, pesquisadora da Universidade de Bonn e uma das autoras do estudo.

A ativação de células imunes na medula óssea ocorre quando o corpo detecta problemas graves. “Recentemente, descobriu-se que o sistema imune inato tem uma forma de memória. Após uma infecção, as defesas do corpo permanecem em um tipo de estado de alerta para que possam responder mais rapidamente a um novo ataque”, detalha Eicke Latz, diretor do Instituto de Imunidade da Universidade de Bonn e também autor do estudo.

Esse fenômeno é chamado de treinamento imune inato. Nos camundongos, ele não foi desencadeado por uma bactéria, mas por uma dieta com as características dos fast-foods. Outra constatação preocupante é que, quando foi mudado o regime alimentar dos roedores para cereais - alimento que as cobaias consumiam rotineiramente -, a inflamação aguda só desapareceu depois da quarta semana e, mesmo depois, a “reprogramação genética” das células imunes permaneceu ativa.

Os autores explicam que essas respostas inflamatórias são perigosas, pois podem acelerar o desenvolvimento de doenças vasculares, diabetes tipo 2 e aumentar as chances de problemas ainda mais graves, como acidente vascular cerebral (AVC) e ataques cardíacos. “Essas descobertas, portanto, têm relevância social importante. Os fundamentos de uma dieta saudável precisam se tornar uma parte muito mais proeminente na educação do que são atualmente. Somente dessa maneira poderemos impedir que crianças sejam influenciadas pela indústria de alimentos. Devemos capacitá-las a tomar decisões conscientes sobre seus hábitos alimentares”, defende Latz.

Limites
Preocupada com o estímulo ao consumo de fast-food entre as crianças, a Academia Europeia de Pediatria montou uma força-tarefa de especialistas para fazer uma revisão de pesquisas científicas sobre o tema e propor formas de enfrentamento. Entre as recomendações estão atitudes mais vigilantes dos pais. “Eles devem permitir a visualização da TV e o uso de computadores e dispositivos similares a mais de 1h30min por dia somente se a criança tiver mais de 4 anos. Além disso, os pediatras devem informar os pais sobre o risco geral que o uso de mídia de massa representa para o desenvolvimento cognitivo e físico de seus filhos.

Saúde Plena

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Profissionais da beleza devem cuidar da saúde dos clientes

Ao entrar num salão de beleza, qualquer pessoa está suscetível a transmitir ou adquirir alguma patologia: desde uma simples micose nas unhas ou irritação no coro cabeludo até a infecção por doenças mais graves, como as hepatites B e C. Por isso, os profissionais da área de beleza têm papel fundamental não só na estética, como também na saúde dos clientes

A empresária Nathaly Barreto conta que há 10 anos a mãe dela tenta se livrar de uma micose nas unhas adquirida, por descuido, em um salão de beleza. Por isso e pelo receio de problemas maiores, ela escolheu o salão que frequenta de forma criteriosa. “Eu vejo que as manicures são bem preocupadas, elas usam luva, máscara, rasgam na minha frente o pacote de esterilização dos instrumentos. Eu sempre sou exigente com este serviço”, diz.

É também com muito zelo que, durante 30 anos, a cabeleireira e maquiadora Laureana Silveira mantém um salão de beleza. Para ela, limpeza e esterilização dos instrumentos de trabalho, além das cadeiras e das mãos são indispensáveis. “O que acho mais importante é a consciência de cada profissional. É uma manutenção diária de higiene e cuidado. Nestes 30 anos, eu nunca tive problemas com isso”, comemora.

Os cuidados essenciais
A auditora de vigilância sanitária, Graça Brito, indica que os clientes observem se os objetos estão limpos, se foram esterilizados, se os produtos químicos têm procedência e estão dentro do prazo de validade. Além de se certificarem se o profissional tem formação para trabalhar com estes instrumentos e produtos. “É de fundamental importância que ele entenda os riscos que corre neste ambiente. Prevenir é chegar antes e assim estou me prevenindo de várias doenças que podem ser transmitidas no salão”, alerta.

Graça Brito estende as recomendações de cuidado também aos profissionais da beleza, que ficam no estabelecimento muito mais tempo do que o cliente. “Eles precisam cuidar para eles mesmos não sejam contaminados com alguma doença”.

Para Laureana Silveira, os alertas e a cobrança por parte da Vigilância Sanitária são muito relevantes. “Eu gosto quando algum especialista vem no meu estabelecimento conferir se está tudo em ordem, pra eu continuar mantendo um bom padrão e seguindo todas as normas”.

As normas e legislações que regem o funcionamento de salões de beleza são determinadas localmente, pelos estados e municípios. E cabe também a eles a fiscalização quanto ao cumprimento das regras sanitárias.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

Hanseníase é tema de curso do Ministério da Saúde e UNA-SUS

banner instagram hanseniase2No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase, com Mobilização Nacional a ser iniciada em 31 de janeiro, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Executiva da UNA-SUS e Secretaria de Vigilância à Saúde (SVS), oferece o curso online EAD - Hanseníase na Atenção Básica

Com novo ciclo de matrículas iniciado em 08/01 e disponível até 29/06/2018, alunos desta turma podem finalizar o curso até 29/07/18.

O curso tem como objetivo capacitar os profissionais para atendimento as pessoas acometidas pela hanseníase, especialmente os que atuam na Atenção Primária. O público-alvo são os profissionais da saúde de todo país, contudo, o curso é livre para demais interessados.

Para saber mais e se matricular, acesse o link http://www.unasus.gov.br/cursos/hanseniase. O início é imediato.

A formação possui carga horária de 45 horas, certificação emitida pela Secretaria de Vigilância à Saúde e é dividida em três unidades: Vigilância, Diagnóstico e Acompanhamento da Hanseníase na Atenção Básica. Os casos clínicos são transversais, abrangendo e integrando os aspectos de controle da doença.

Lançado em outubro de 2014, com sete turmas já ofertadas, o curso teve mais de 67 mil inscritos. Entre os perfis profissionais que mais buscam a capacitação 36% são enfermeiros; 29% são técnicos de enfermagem e 9%, médicos. A maioria dos inscritos atua em Centros e Unidades Básicas de Saúde (50%); Hospitais Gerais (20%) e Secretarias de Saúde (5%). Os estados com maior número de matrículas são: São Paulo (5.922); Minas Gerais (4.884); Ceará (4.759) e Bahia (4.087).

O curso é dinâmico e utiliza metodologia diversificada. Além dos casos clínicos, que simulam situações comuns no cotidiano das unidades de saúde, são oferecidas vídeo-aulas com explicações de especialistas, além de vídeos de apoio com dramatizações que tratam do tema da vídeo-aula. São também utilizados hipertextos, caixas de ajuda e glossário para que se possa aprofundar os conhecimentos de termos técnicos.

“O curso é de extrema importância, pois o enfrentamento da hanseníase é de grande relevância para a saúde pública do Brasil. A oferta de uma capacitação gratuita e de acesso aberto irá contribuir para um atendimento qualificado as pessoas acometidas pela doença”, ressalta o Secretário Executivo da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), Manoel Barral Netto.

Luta Contra Hanseníase
O Ministério da Saúde promove anualmente a Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase junto aos estados, municípios, instituições parceiras, movimentos sociais e sociedade civil. Esta ação tem como objetivo alertar sobre os sinais e sintomas da doença, estimular a procura pelos serviços de saúde em caso de suspeita, mobilizar a busca ativa de casos novos e o exame dos contatos pelos profissionais de saúde, favorecendo assim o diagnóstico precoce, tratamento oportuno, bem como o enfrentamento do estigma e discriminação.

Para o ano de 2018, com o slogan: Hanseníase. Identificou.Tratou. Curou, a Campanha objetiva alcançar toda a população, bem como, profissionais de saúde. Entretanto, terá como público prioritário homens na faixa etária de 20 a 49 anos, considerando esta uma importante parcela da população com alto risco de adoecimento. Também deve ser dada atenção especial aos homens com 60 ou mais anos de idade, por se tratar de um grupo com alto risco de detecção e de acometimento pelas incapacidades físicas devido a hanseníase. Para alcançar essa população masculina, os profissionais de saúde serão fundamentais, bem como a busca ativa de casos novos aos espaços de convivência do homem (ambiente domiciliar e social).

Nesse contexto, as áreas da Secretaria de Vigilância em Saúde (Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação e Coordenador-Geral da Regulação e Gestão da Provisão de Profissionais da Saúde), da Secretaria de Atenção à Saúde (Coordenação-Geral de Gestão da Atenção Básica, Coordenação Nacional de Saúde do Homem e Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa) e a Secretaria Executiva da UNA-SUS unem esforços voltados à mobilização dos profissionais de saúde para a realização da capacitação à distância por meio do curso EAD, bem como para a adesão às ações propostas pela Campanha, contribuindo assim para o avanço na redução da carga da doença no país.

A Hanseníase
A Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória, que possui como agente etiológico o Mycobacterium leprae. Atinge principalmente a pele e nervos periféricos, podendo apresentar surtos reacionais intercorrentes, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeiam a doença.

A transmissão se dá pelas vias áreas superiores (tosse ou espirro), de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um período de contato prolongado e contínuo. Portanto, é prioridade o exame de todas as pessoas que convivem ou conviveram com o caso de hanseníase nos últimos anos, como forma de diagnosticar precocemente, prevenir as incapacidades físicas e interromper a cadeia de transmissão da doença.

A hanseníase tem cura e seu tratamento é gratuitamente ofertado pelo SUS, disponível nas unidades públicas de saúde de todo o país. É feito por via oral, com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de três antibióticos. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde e as demais, auto-administradas. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida.

Além da realização do exame dermatoneurológico e avaliação neurológica simplificada, o paciente deve ser também orientado quanto às práticas simples do autocuidado com olhos, mãos e pés, que podem ser realizadas regularmente no seu domicílio e/ou em outros ambientes. O autocuidado melhora a qualidade de vida e autoestima da pessoa com hanseníase.

Situação Epidemiológica da Doença
A doença exibe distribuição heterogênea no país, com registro de casos novos em todas as Unidades Federadas, com maior concentração de casos nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O Boletim Epidemiológico Mundial, publicado em setembro de 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), informa que 143 países e territórios reportaram casos da hanseníase em 2016. Do total de 214.783 casos novos informados, o Brasil ocupou a segunda posição com 25.218 (11,7%) e a Índia a primeira, com 135.485 (63%) casos novos da doença.

Em 2016, 2.885 municípios diagnosticaram casos novos de hanseníase no Brasil. Desses, 591 municípios diagnosticaram casos em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente. O país registrou 25.218 casos novos da doença, com taxa de detecção de 12,23 por 100.00 habitantes (alta edemicidade). Do total de casos novos registrados, 1.696 (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos e 7.257 (28,8%) iniciaram tratamento com alguma incapacidade física.

Apesar disso, como resultado das ações voltadas para o controle da transmissão da doença, entre 2007 e 2016, a taxa de detecção reduziu 42,28%, o que corresponde a redução de 40.126 para 25.218 casos novos nesse período.

Quanto à distribuição por sexo e faixa etária, do total de casos novos registrados no Brasil em 2016, 13.686 (54,2%) foram na população masculina. Desses, 6.233 (45,5%) casos foram registrados na faixa etária de 20 a 49 anos de idade e, 3.422 (25%), na faixa etária de 60 anos ou mais.

Em abril de 2016 a Organização Mundial da Saúde (OMS), lançou a Estratégia Global para Enfrentamento da Hanseníase 2016-2020, com o objetivo de reduzir ainda mais a carga da doença no âmbito global e local, além de aperfeiçoar ações conjuntas e aprimorar esforços para abordar os desafios enfrentados tanto na área da assistência quanto nos aspectos humanos e sociais que acometem o controle da hanseníase.

Fonte: SVS/MS, com informações da SE/UNA-SUS

Coloque fone de ouvido: música intensifica efeito de remédio na hipertensão

Pode parecer que não há relação, mas a ciência provou o contrário

Pesquisadores mostraram que a música intensifica os efeitos benéficos de medicamentos sobre o coração em curto prazo. Os efeitos positivos de medicamentos para hipertensão causam, é claro, a redução da pressão arterial e da frequência cardíaca. Porém, estudiosos da Unesp, Faculdade de Juazeiro do Norte, Faculdade de Medicina do ABC e da universidade inglesa Oxford Brookes testaram se a música não era capaz de potencializar as respostas dos remédios.

Na pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, da Nature, 37 pacientes com hipertensão controlada foram analisados por dois dias. No primeiro encontro, os voluntários tomaram medicamentos anti-hipertensivo e com fones de ouvido escutaram música instrumentais da cantora Adele, como Someone like you e Hello, além de Amazing grace. Já no segundo dia, os pacientes tomaram o remédio novamente, colocaram os fones de ouvido, mas estavam desligados, ficaram em silêncio.

Um método sensível capaz de detectar alterações no coração, identificou que os medicamentos apresentaram respostas significativamente mais intensas sobre a atividade do coração quando os voluntários ouviam música. A melodia intensificou os efeitos benéficos. É hipertenso e toma remédios? Está aí uma boa dica de playlist.

Uol

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Energéticos têm impacto negativo em jovens, diz estudo

Estudo conduzido no Canadá mostra que mais da metade dos jovens entre 12 e 24 anos que beberam energéticos relatam impactos negativos na saúde

Um estudo conduzido no Canadá pede maior atenção para o consumo de bebidas energéticas por jovens. A pesquisa descobriu, entre outras coisas, que mais da metade de consumidores de energéticos entre 12 e 24 anos sentiram efeitos negativos em sua saúde após o consumo da bebida.

A pesquisa entrevistou mais de dois mil jovens dentro dessa faixa etária. Entre aqueles que já haviam consumido energéticos, 55% disseram que sentiram efeitos negativos em sua saúde. Entre os problemas mais citados pelos entrevistados estavam aumento na velocidade do batimento cardíaco (citado por 14,7% dos entrevistados, dificuldade para dormir (24,1%) e dores de cabeça (18,3%).

Sintomas como náusea, vômitos e diarreia foram citados por 5,1% dos entrevistados. Um problema bastante sério, incidência de convulsões, foi citado por 0,2% dos entrevistados. Entre esses jovens, 5% tiveram que buscar por atendimento médico em decorrência dos efeitos reportados. Os pesquisadores pedem maior atenção de autoridades para o consumo de bebidas energéticas por parte de jovens e adolescentes.

“O número de impactos na saúde observado em nosso estudo sugere que mais deveria ser feito para restringir o consumo entre crianças e adolescentes”, diz David Hammond, professor na escola de saúde pública da Universidade de Waterloo, no Canadá, e um dos membros do estudo em comunicado. A pesquisa foi publicada no periódico científico Canadian Medical Association Journal Open.

Foto: Reprodução

Exame

Descarte correto de medicamentos vencidos ainda gera dúvidas

Ainda há pouca informação para a população sobre descarte de medicamentos


Grande parte das pessoas acaba jogando as sobras em lixo comum, o que é prejudicial para o meio ambiente, uma vez que os fármacos podem contaminar o solo, rios e lagos, além da possibilidade de reutilização por alguém que os encontre.

Estima-se que 20% dos medicamentos adquiridos sejam descartados de forma inadequada no ambiente doméstico. Um estudo realizado pela Faculdade Oswaldo Cruz revela que de 1.009 pessoas entrevistadas em São Paulo, 7% já haviam recebido alguma orientação sobre descarte de medicamentos vencidos. Do total, 75,32% descartam a medicação no lixo doméstico e 6,34% jogam na pia ou no vaso sanitário. E mais, 92,5% nunca perguntaram sobre a forma correta de fazê-lo. Esses dados confirmam o fato de que a maior parte dos consumidor não sabe o que fazer com os medicamentos vencidos.

Os estabelecimentos e prestadores de serviços, que envolvem saúde e lidam com medicamentos, cumprem a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – RDC 306/04, que regula o gerenciamento de resíduos. A responsabilidade pela destinação final é sempre do estabelecimento gerador do resíduo.

Isso envolve o processo de logística reversa, ou seja, a devolução aos fabricantes ou aos estabelecimentos que fazem uso das sobras. Assim como a indústria utiliza esse mecanismo, o mesmo deve ser feito pelo consumidor final. Para isso, os medicamentos vencidos podem ser encaminhados para diferentes redes de farmácias que aceitam os produtos e fazem a devolução correta.

Entre os piores problemas ocasionados com o descarte incorreto, estão:

No lixo orgânico
Medicamento pode interferir no processo natural de decomposição destes resíduos, comprometendo sua eficiência.

No lixo seco
Como os resíduos normalmente são separados por comunidades de recicladores, estes podem ter reações alérgicas no contato com os medicamentos ou podem ser tentados a reutilizá-los, além da possibilidade de cair nas mãos de crianças, que podem confundi-los com balas.

Jogar na pia ou no vaso sanitário
Estes produtos vão diretamente para o esgoto, daí vão para os corpos de água, rios ou lagos, pois o tratamento de esgoto (onde existe) não remove estes produtos. A água é novamente captada nas estações de tratamento, onde, mais uma vez, o processo para torná-la potável não remove estes produtos.

Guia da Farmacia

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Estudos sobre malefícios do açúcar foram ocultados por cerca de 50 anos

Novas evidências mostram que a indústria de açúcar escondeu uma pesquisa científica que ligava o açúcar à doença cardíaca e ao câncer de bexiga em ratos

A Sugar Research Foundation, o grupo que financia os estudos, encerrou o projeto e não publicou os resultados. Os nutricionistas advertem que o açúcar, e não a gordura, é em grande parte culpado de muitos dos problemas nas nossas dietas modernas. Durante décadas, os lobistas açucareiros têm apontado para estudos ligados ao açúcar e ao câncer. Quando um estudo no ano passado descobriu que os ratos nas dietas açucaradas eram mais propensos a desenvolver câncer de mama, a Associação do Açúcar – um dos maiores grupos de lobby do açúcar nos EUA – chamou-o de “sensacionalista”. O grupo insiste que “nenhuma ligação credível entre açúcares ingeridos e câncer foi estabelecida”.

Mas médicos e pesquisadores afirmam que a indústria açucareira pode ter intencionalmente mantido a pesquisa sobre essa relação impedida de ser publicada. Um novo estudo na revista PLOS Biology revela como a Associação do Açúcar trabalhou para suprimir descobertas científicas sobre os efeitos nocivos do açúcar de mesa em roedores há quase 50 anos. O relatório detalha os resultados de dois estudos não publicados, conhecidos como Projeto 259, que foram financiados pelo lobby do açúcar no final da década de 1960. Ambos envolveram pesquisas sobre os efeitos da alimentação de açúcar em ratos.

No primeiro estudo, um grupo de ratos foi alimentado com uma dieta equilibrada de cereais, feijão, peixe e levedura, enquanto os outros ratos receberam uma dieta com alto teor de açúcar. Os pesquisadores descobriram que os consumidores de açúcar estavam sob maior risco de acidentes vasculares cerebrais, infartos e doenças cardíacas, e tinham níveis de gordura (triglicerídeos) mais elevados do que o normal no sangue.

O segundo estudo comparou os ratos alimentados com açúcar com ratos alimentados com amido e descobriu que os roedores que consumiam açúcar eram mais propensos a ter níveis elevados de uma enzima associada ao câncer de bexiga em humanos. No entanto, nenhuma dessas pesquisas de roedores viu a luz do dia. A Sugar Research Foundation cortou o Projeto 259 e não publicou nenhum dos resultados.

Terra

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Empresários e enfermeiro são presos por reutilizar produtos cirúrgicos

Investigação do Nuroc revelou que o trio reutilizou 2.536 vezes produtos descartáveis em um hospital particular da Serra

Dois empresários e um enfermeiro foram presos nesta terça-feira (16) suspeitos de adulterar produtos cirúrgicos para obter mais lucro. Batizada de “Lama Cirúrgica”, a operação comandada pelo Núcleo de repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), aconteceu em Vitória e Serra, e revelou que o trio reutilizou 2.536 vezes produtos descartáveis em um hospital particular da Serra.

De acordo com a polícia, os produtos eram reprocessados ilicitamente e utilizados em procedimentos cirúrgicos na área ortopédica em hospitais privados, causando potencial dano à saúde de usuários e da coletividade. A reutilização de produtos descartáveis é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Nuroc chegou até os criminosos depois de receber uma denúncia anônima. Os empresários Gustavo Deriz Chagas e Marcos Roberto Krohling Stein – proprietários da Golden Hospitalar -, e o enfermeiro Thiago Waiyn foram presos e são acusados de lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica e adulteração de produtos medicinais.

Investigações
As investigações tiveram início em outubro do ano passado, depois que uma operação do Nuroc e da Vigilância Sanitária apreendeu produtos médicos e etiquetas adulteradas. O avanço das investigações revelou adulteração de códigos de registro, número do lote, data de fabricação e validade do produto em produtos e etiquetas apreendidos no Golden Hospitalar e no centro cirúrgico de um hospital da Serra.

Essa foi a primeira fase da operação. As investigações prometem identificar também a existência de fraude em produtos reprocessados, que são vendidos como novos/originais fossem, em prejuízo de operadoras de plano de saúde e seus beneficiários. O Nuroc ainda investiga a participação de hospitais privados e distribuidoras de produtos para a saúde atuantes em Vitoria, Serra, Cariacica e Vila Velha.

Judicialização
Há uma semana o Gazeta Online publicou a série “Justiça como remédio”. Uma das reportagens discutiu o “patrocínio” que a indústria de materiais hospitalares e de remédios oferece a profissionais da saúde e informou que ao menos uma investigação policial estava em andamento. Para o Instituto Ética Saúde, a distribuição de benefícios a profissionais da saúde é uma realidade em todo o país.

Na mesma série, o secretário de Saúde, Ricardo de Oliveira, sugeriu que a corrupção explica parte da judicialização da saúde. Ou seja, há pessoas interessadas em vantagens quando fomentam ações na Justiça para que determinado tipo de tratamento, medicamento ou equipamento médico seja fornecido.

Foto: Reprodução

Disponível orientação sobre nomes de medicamentos

Objetivo é prevenir nomes que possam gerar confusão e troca de medicamentos. Orientação de Serviço detalha resolução sobre nomes

Como evitar que medicamentos com nomes e pronúncias semelhantes possam provocar trocas indevidas de medicamentos? A Anvisa publicou a Orientação de Serviço 43/2017 que detalha aspectos na RDC 59/2014 que trata deste tema. O assunto foi discutido pela Anvisa durante o ano de 2017 e levou à identificação da necessidade de uma metodologia mais adequada para avaliação do nome comercial escolhido pela empresa.

A Orientação de Serviços traz detalhamentos para melhorar a análise técnica feita pela Anvisa e reduzir o risco nestes casos. O documento é uma referência de apoio técnico ao trabalho das áreas relacionadas da Gerência-Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos. No Brasil, os medicamentos podem utilizar o próprio nome do princípio ativo, caso do genéricos, ou nomes comerciais, caso dos produtos similares e de referência.

Erros de medicação
A Lei 6.360/1976 já determinava, em seu art 5º, que os medicamentos não podem ter nomes, designações, rótulos ou embalagens que induzam ao erro. Em 2014, a Anvisa fez uma atualização sobre o tema e publicou a resolução RDC 59/2014, que trata sobre os nomes dos medicamentos, seus complementos e a formação de famílias de medicamentos.

A identificação clara e sem margem de dúvida do nome do medicamento é fundamental para que o uso seja feito de forma correta e com segurança para o paciente. Esse é um fator essencial para reduzir e prevenir erros de medicação, especialmente as trocas. Nomes semelhantes podem gerar erros também na hora da prescrição, preparação, dispensação e administração ao paciente.

Assim, a proposição do nome de um medicamento pela empresa e a avaliação da Anvisa devem considerar os diversos aspectos envolvidos no uso do produto. Nesta avaliação devem ser consideradas as características do medicamento, a grafia do nome e a pronúncia que podem levar à confusão de identificação entre dois medicamentos diferentes, mas com nomes parecidos. A elaboração da Orientação de Serviço foi baseada em uma série de referências, conheça todas.

ANVISA

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Aumento nos casos de febre amarela na Região Sudeste reforça medidas preventivas

Vacina contra a doença deve ser tomada para garantir imunização

Imagem: Reprodução - Frascos da vacina contra a febre amarela

Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2018 – Em apenas duas semanas desde o início do ano, o aumento no número de casos da febre amarela nas áreas rurais da Região Sudeste alerta para um possível surto. Onze mortes já foram confirmadas no estado de São Paulo, enquanto o Rio de Janeiro registrou a primeira morte do ano pela doença. Para os especialistas, a adoção de vacinação adequada da população ainda é o melhor caminho para evitar o contágio.

O vírus é transmitido pelos mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes nas áreas rurais e, potencialmente, pode ser transmitido pelo mosquito Aedes aegypti nas áreas urbanas, o mesmo que prolifera outras arboviroses como a dengue, a chikungunya e a zika. Mesmo considerada pelos especialistas como uma doença perigosa, que pode evoluir para uma forma mais grave em alguns casos, a maioria das pessoas infectadas apresenta pouco ou nenhum sintoma e o quadro evolui para a cura em pouco tempo.

“A medida mais importante para proteger a população da patologia é tomar a vacina da febre amarela. Embora não exista ciclo urbano da doença registrado nas últimas décadas, é sempre necessário combater o mosquito com potencial de transmissão nas cidades, eliminando seus meios de reprodução, que se localizam geralmente em objetos que contenham água parada, como pneus, vasos e caixas-d’água. Além disso, para que as pessoas consigam se proteger também do mosquito nas áreas silvestres, é necessário o uso de repelente e roupa que cubra a pele o máximo possível”, afirma o infectologista Jessé Alves, integrante do corpo clínico do laboratório Lâmina.

Quem pode se vacinar? Conheça as faixas etárias indicadas e condições restritivas
Segundo o Ministério da Saúde, nas áreas de recomendação de vacina a imunização por via subcutânea, ou vacinação, é indicada para todos os bebês a partir dos 9 meses, que pode ser antecipada para os 6 meses caso haja surto da doença na região. A vacina é feita em dose única.

A vacinação é contraindicada para pessoas que apresentem quadro de alergia severa aos componentes do ovo, crianças que ainda não completaram 6 meses e para mães que estejam amamentando crianças menores de 6 meses. Gestantes também não devem ser imunizadas, mas, em caso de alerta de epidemia ou necessidade de viajar para áreas endêmicas, é importante consultar a opinião de um especialista ou médico de confiança antes de tomar a dose. Idosos com mais de 60 anos e que nunca foram vacinados também devem consultar o médico antes de procurar pela imunização.

Como saber se uma pessoa está infectada? Sintomas mais comuns da doença
Segundo o dr. Jessé, essa doença pode ser confundida com várias doenças comuns devido aos sintomas parecidos, como cansaço, febre alta, dor de cabeça, vômitos, náuseas e dores musculares, que podem durar até quatro dias. A maioria das pessoas apresenta apenas esse quadro e, quando ele termina, o paciente adquire imunidade contra o vírus caso venha a ser picado novamente.

Mas, em alguns casos, a pessoa infectada pode sofrer quadros hemorrágicos, insuficiência hepática e renal, cansaço intenso e a chamada icterícia, quando a pele e os olhos ficam amarelos – dando origem ao nome da doença. Não existe uma forma de tratamento específica para os sintomas comuns da febre amarela, já que a grande maioria das pessoas infectadas apresenta remissão total da doença depois dos primeiros sintomas. Caso haja suspeita de que a doença evoluiu para seu estado mais grave, é imprescindível que o paciente procure um serviço de saúde para que o diagnóstico seja feito de forma eficaz e o tratamento possa ser iniciado o mais rápido possível.

Informações para a imprensa
Saúde em Pauta
Paula Borges – (21) 99789-7643
E-mail: pausa@saudeempauta.com.br

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Gel contraceptivo masculino será testado em abril

O novo método será utilizado por 400 casais durante um ano

O Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (Nichd) dos Estados Unidos desenvolveu um gel contraceptivo masculino, que bloqueia temporariamente a produção de esperma no corpo humano. O novo método começará a ser testado em abril, com 400 casais.

Os testes durarão aproximadamente quatro anos e serão realizados com parceiros dos Estados Unidos, Itália, Grã-Bretanha, Chile, Suécia e Quênia. Batizado de NestoroneGel, o produto contém dois hormônios sintéticos: testosterona e progestagênio.

O progestagênio impede os testículos de produzir testosterona o suficiente para o nível normal de esperma. E a testosterona substitutiva é necessária para contrastar o equilíbrio hormonal, mas sem produzir espermatozoides.

O gel deve ser aplicado nos braços e nas costas dos homens diariamente. “Não é um grande esforço. Só é necessário lembrar de usá-lo todos os dias” , explicou Diana Blithe, diretora do programa de desenvolvimento de contraceptivos do Nichd. O método é capaz suprimir o nível de esperma por aproximadamente 72 horas.

A princípio, os homens deverão usá-lo por pelo menos quatro meses e as parceiras deverão usar algum contraceptivo também. Enquanto isso, pesquisadores monitorarão os níveis de espermatozoide dos homens, que devem cair a menos de um milhão por mililitro para prevenir de maneira eficaz a gravidez.

Uma vez que o número seja suficientemente baixo, o casal utilizará somente o gel contraceptivo por um ano. O método já havia demonstrado eficácia em 2012, porém eram dois produtos diferentes a serem aplicados na pele. Atualmente, as únicas opções contraceptivas masculinas são o uso de preservativo e vasectomia.

Terra

Três em cada cinco pessoas que experimentam cigarros se tornam fumantes diárias

Pesquisa é amostra do poder viciante do tabaco e reforça necessidade de prevenir consumo por jovens

Pelo menos três em cada cinco pessoas que experimentam cigarros pela primeira vez se tornam fumantes diários, ainda que temporariamente. O achado é de estudo que angariou dados de diferentes levantamentos sobre o assunto com a participação de mais de 215 mil pessoas que está sendo publicado nesta quarta-feira no periódico “Nicotine & Tobacco Research”.

Segundo os cientistas, o resultado é uma amostra do poder viciante do tabaco e reforça necessidade de prevenir consumo por jovens, especialmente os adolescentes.

– Esta é a primeira vez que documentamos a notável capacidade viciante que os cigarros têm depois de uma única experiência em uma amostragem tão grande – destacou Peter Hajek, professor da Universidade Queen Mary, em Londres, e líder do estudo.

– No desenvolvimento de comportamentos adictos, sair da experimentação para a prática diária é um marco importante, já que isso implica que a atividade recreacional está se tornando uma necessidade compulsiva. E vimos que a taxa de conversão de “fumar pela primeira vez” para um “fumante diário” é surpreendentemente alta, o que ajuda a confirmar a importância de prevenir a experimentação dos cigarros em primeiro lugar.

Para o estudo, os cientistas fizeram buscas no Global Health Data Exchange, um grande repositório de levantamentos, censos, estatísticas e outros dados relacionados à saúde em nível mundial, por pesquisas relevantes que incluíram perguntas sobre a experimentação de cigarros e o tabagismo. Com isso, eles obtiveram dados de oito levantamentos feitos no Reino Unido, EUA, Austrália e Nova Zelândia cuja metodologia foi classificada como condizente com as melhores práticas na área.

Os pesquisadores então analisaram os dados para calcular a taxa de conversão de experimentar alguma vez cigarros e se tornar um fumante diário. Ao todos, eles estimaram que 60,3% dos participantes experimentaram cigarros, dos quais 68,9% progrediram para se tornarem consumidores diários do produto.

Mas como as metodologias usadas em cada levantamento são diferentes, estas estimativas têm uma grande margem de erro, com a taxa de conversão ficando entre um mínimo de 60,9% e um máximo de 76,9%. Dados estes números altos, os pesquisadores sugerem ainda que ao menos parte da redução da prevalência do tabagismo nos últimos 20 anos pode ser creditada à menor experimentação de cigarros pelos jovens.

– Preocupações foram expressadas com relação aos cigarros eletrônicos de que eles seriam tão viciantes quanto os cigarros convencionais, mas este não parece ser o caso – acrescentou Hajek. – É notável como poucos não fumantes que experimentam cigarros eletrônicos se tornam consumidores diários, enquanto uma grande proporção dos não fumantes que experimentam cigarros convencionais se tornam fumantes diários. A presença de nicotina claramente não conta toda a história.

O estudo, no entanto, tem limitações. A começar, o fato de cada levantamento ter apresentado resultados tão diferentes faz da taxa de conversão calculada apenas uma aproximação. Também há dúvidas quanto à capacidade das pessoas lembrarem e relatarem acuradamente seu histórico de tabagismo. Por fim, Hajek também destaca ter prestado consultoria e recebido financiamento para suas pesquisas de empresas fabricantes de medicações para a cessação do tabagismo.

O Globo

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Brasil começa a distribuir remédios para prevenir HIV entre populações-chave

O Ministério da Saúde começou no início de dezembro (1º) a distribuir as profilaxias pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP) para prevenir o HIV entre populações-chave em 35 localidades do país

prep capa

Em dezembro passado, um novo relatório sobre prevenção do HIV elaborado por Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) recomendou ampliar o acesso a todas as opções de prevenção disponíveis, entre elas, a PrEP, para diminuir os novos casos de HIV, que têm se mantido em 120 mil por ano desde 2010 na América Latina e no Caribe.

O governo federal estimou que no primeiro ano a PrEP será oferecida a 9 mil homens que fazem sexo com homens, trabalhadoras sexuais e pessoas trans por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o lançamento do programa, o ministério está trabalhando com redes de homens que fazem sexo com homens e pessoas trans no desenvolvimento de vídeos e mensagens para alcançar essas populações e para que conheçam os benefícios da profilaxia prévia à exposição, incluindo as pessoas que vivem em regiões mais pobres.

Assim como muitos outros países da América Latina e do Caribe, a epidemia de HIV no Brasil está concentrada na população de homens que fazem sexo com homens e mulheres trans. O país foi reconhecido durante muito tempo por sua resposta inovadora à epidemia de HIV.

“A PrEP ajudará a manter o Brasil e nossa região em linha com as respostas mundiais mais avançadas para o HIV, e confiamos que terá impacto positivo na redução das novas infecções”, disse Adele Benzaken, diretora adjunta do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV/Aids e hepatites virais do Ministério da Saúde.

O programa brasileiro busca oferecer a PrEP para 54 mil pessoas nos próximos cinco anos. Apesar de o medicamento da companhia que o criou só ser oferecido no primeiro ano, é possível que medicamentos genéricos estejam disponíveis em breve.

Ensaios clínicos mostram eficácia da PrEP
Existe uma forte evidência de que a PrEP funciona. Vários ensaios clínicos entre diversas populações, incluindo homens que fazem sexo com homens e homens e mulheres heterossexuais, demonstraram que a profilaxia pré-exposição é muito efetiva para reduzir o risco substancial de contrair a infecção.

Em dezembro passado, um novo relatório sobre prevenção do HIV elaborado por Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) recomendou ampliar o acesso a todas as opções de prevenção disponíveis, entre elas, a PrEP, para diminuir os novos casos de HIV, que têm se mantido em 120 mil por ano desde 2010 na América Latina e no Caribe.

A implementação de uma nova intervenção biomédica, considerada polêmica por alguns, quase sempre requer a vontade política dos governos. A PrEP é uma dessas intervenções, incluindo a preocupação com os custos associados ao incluí-la no sistema de saúde pública. Estes custos não estão relacionados ao medicamento em si, mas também ao monitoramento adicional e ao pessoal necessário para fornecer a PrEP de maneira segura e efetiva.

O Ministério da Saúde está dando um passo decisivo e construtivo. A discussão nacional sobre a oferta em escala da PrEP começou em 2013, quando o ministério financiou cinco projetos de demonstração da pré-exposição, separadamente, para compreender melhor os desafios operacionais na prestação de serviços.

De acordo com a analista de políticas sociais do Ministério da Saúde, Tatianna de Alencar, estes projetos foram fundamentais para ajudar a criar a compreensão e gerar a demanda entre as pessoas e as populações que podem se beneficiar da PrEP.

“Como se observou em muitos outros entornos, incluindo países como Austrália, França, Tailândia e Reino Unido, as organizações da sociedade civil foram um catalisador para avançar na agenda da implementação da PrEP”, disse Tatianna.

Os projetos brasileiros que ofereceram PrEP até agora são PrEP Brasil – FIOCRUZ (Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e Porto Alegre); Projeto Combina – com a Universidade de São Paulo (cidades de São Paulo, Curitiba, Ribeirão Preto, Fortaleza e Porto Alegre) – PEP e PrEP em curso.

Outras iniciativas incluem Projeto PREPARADAS – FIOCRUZ: focado em mulheres trans (Rio de Janeiro); Projeto Horizonte – Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte) – 3TC/FTC Fase I; Projeto Federal de Mulheres Trans da Universidade da Bahia – (Salvador): centrado na acessibilidade da PrEP.

Fonte: ONU

Por que mulheres morrem mais do que homens após ataques cardíacos

Menos mulheres morreriam depois de sofrerem ataques cardíacos se recebessem o mesmo tratamento dado aos homens, revelou um estudo feito por pesquisadores britânicos e suecos

Cientistas analisaram os casos de 180.368 pacientes suecos nos dez anos que sucederam um infarto. Eles descobriram que as mulheres tinham três vezes mais chances de morrer de um ataque cardíaco no ano seguinte após sofrer um.

Segundo a Fundação Britânica do Coração, infartos geralmente são erroneamente vistos como um problema masculino. Mas lembra que o número de mulheres que morrem vítimas de doenças cardíacas supera o daquelas que morrem de câncer de mama, por exemplo. Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e do Instituto Karolinska, da Suécia, analisaram dados de um registro sueco online de ataques cardíacos. Com base nessas informações, eles perceberam que as mulheres tinham menos chance de receber tratamento adequado após um infarto que os homens.

“Há uma concepção equivocada do público em geral e de profissionais de saúde sobre as características de um paciente cardíaco”, afirma o professor Chris Gale, da Universidade de Leeds, coautor da pesquisa. “Quando pensamos num paciente que sofreu ataque cardíaco, imaginamos um homem de meia-idade, acima do peso, com diabetes e fumante. Mas esse não é o sempre o caso. O infarto afeta uma fatia bem maior da população, inclusive mulheres.”

Diferença de gênero
O estudo revelou que as mulheres têm 34% menos chance de serem submetidas a procedimentos para desbloquear artérias, como ponte de safena. Elas também têm 24% menos possibilidade de receberem prescrição para medicamentos com estatina, que podem prevenir um segundo ataque cardíaco, e têm 16% menos chance de receberem prescrição para uso de aspirinas, que ajudam a prevenir coágulos sanguíneos. O protocolo médico indica esses tratamentos tanto para homens quanto para mulheres.

A pesquisa revelou que, quando as mulheres recebem os tratamentos recomendados, a diferença de mortalidade entre os dois sexos cai em quase todas as circunstâncias. Segundo Gale, mulheres têm menos chance de serem submetidas aos mesmos testes ao darem entrada nos hospitais, o que faz com que tenham risco 50% maior de receberem um diagnóstico errado. Na avaliação do pesquisador, esse primeiro erro contamina todos os procedimentos médicos subsequentes. “Se você erra na primeira oportunidade para tratamento, você tem mais chance de errar o próximo atendimento necessário. E isso vai se acumulando, levando a uma mortalidade maior.”

Outras doenças
A pesquisa revelou ainda que as mulheres correm mais risco de sofrerem de outras doenças, como diabetes e pressão alta, mas isso não explica por completo a diferença na proporção de mortes. Para os cientistas, a discrepância na mortalidade e no tratamento médico entre homens e mulheres pode ser ainda maior em outros países, onde há mais casos de problemas cardíacos e maior variação nos serviços de saúde.

“A Suécia é líder em serviço de saúde de qualidade, com uma das menores taxas de mortalidade por ataque cardíaco, e, mesmo assim, ainda vemos disparidades nos tratamentos entre homens e mulheres”, diz Gale. O professor Jeremy Pearson, do Instituto Britânico do Coração, afirma que os achados da pesquisa são “preocupantes”. “Nós precisamos urgentemente nos conscientizar desse problema, que pode ser facilmente corrigido. Ao assegurar que mais mulheres recebam tratamento adequado, estaremos ajudando a evitar que famílias passem pela dor de perder entes queridos por problemas cardíacos.”

Foto: Getty Images

BBC Brasil

Ibuprofeno pode levar à infertilidade masculina, sugere pesquisa

Homens utilizaram 600 mg diárias do medicamento por duas semanas (Foto: CDC/ Amanda Mills)
Homens utilizaram 600 mg diárias do medicamento por duas
semanas (Foto: CDC/ Amanda Mills)
Indivíduos estudados desenvolveram condição conhecida como hipogonadismo, que afeta produção de espermatozoides e hormônios

Pesquisa feita na Dinamarca mostra que o uso de um anti-inflamatório comum, o ibuprofeno, pode levar à disfunção hormonal e à infertilidade em homens adultos jovens.

Ainda, o uso sem supervisão médica pode afetar a função de testículos, incluindo a produção de testosterona, atestam pesquisadores. O uso também pode deflagrar disfunção erétil e fadiga.

O estudo, publicado no "PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences)", teve como primeiro autor o neurologista David Møbjerg Kristensena, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

A pesquisa estudou a função do analgésico em 31 homens saudáveis entre 18 e 35 anos que utilizaram 600 mg de ibuprofeno diariamente por duas semanas.

No estudo, foram excluídos indivíduos com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 30, com evidência de úlcera, sinais de disfunção de fígado ou disfunção renal para que não houvesse interferência no resultado.

Após análise, pesquisadores observaram que participantes desenvolveram uma condição conhecida como hipogonadismo -- em que testículos não produzem hormônios ou espermatozoides adequadamente. A disfunção normalmente surge em homens de meia idade.

A pesquisa soma-se ao corpo de evidências que alertam para os riscos do uso abusivo de analgésicos e anti-inflamatórios.

O ibuprofeno, por exemplo, já foi associado ao risco aumentado de problemas cardíacos.

G1

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Inscrições abertas para o curso Oficinas Clínicas sobre o Cuidado

cursoseeventosAs vagas são para profissionais de saúde do SUS que atuam em funções assistenciais

Estão abertas, até o próximo dia 8 de março, as inscrições para o curso de qualificação Oficinas Clínicas sobre o Cuidado: Narrando casos e (Re)construindo sentidos para o trabalho em saúde 2018.

A formação, direcionada a profissionais de saúde do SUS que atuam em funções assistenciais, tem como objetivo contribuir com a compreensão e (re)construção de sentidos acerca das questões ligadas à dimensão (inter)subjetiva do trabalho em saúde e da produção do cuidado.

Para se inscrever, clique aqui.

Curso
São ofertadas 30 (trinta) vagas. Destas, 20 (vinte) serão destinadas à demanda livre de profissionais de saúde de nível superior que estejam exercendo funções assistenciais nos diversos serviços do SUS e 10 (dez), aos profissionais de saúde de nível superior da área assistencial do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Organizado em duas unidades, que articulam 24 sessões de trabalho, 12 pela manhã e 12 à tarde - num total de 72 horas presenciais, o curso se estrutura a partir de uma dinâmica pedagógica que prevê a combinação de atividades e recursos diversos.

Acesse o edital aqui


Texto: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Edição: Comunicação Interna/ASCOM/GM/MS

TelessaúdeRS lança e-book “Alimentação & Nutrição na Atenção Primária à Saúde”

arte divulgacao livro nutricao noticia 20171229 lck-08-3O download do livro pode ser feito gratuitamente no site do projeto

Já está disponível para download o livro “Alimentação & Nutrição na Atenção Primária à Saúde”, organizado pela equipe do TelessaúdeRS-UFRGS, composta por Roberto Nunes Umpierre, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Médico da Família e Comunidade e Vice-coordenador do projeto, Marcelo Rodrigues Gonçalves, também professor da Faculdade de Medicina da UFRGS, Médico da Família e Comunidade e Coordenador do TelessaúdeRSUFRGS, Sabrina Dalbosco Gadenz, Nutricionista e Assessora Operacional do Telediagnóstico TeleOftalmo, e Cynthia Goulart Molina Bastos, Médica da Família e Comunidade e Coordenadora do Telediagnóstico.

O e-book é uma compilação dos materiais de leitura disponibilizados no curso “Nutrição da APS” desenvolvido pelo TelessaúdeRS-UFRGS e ministrado na modalidade Educação a Distância (EaD) de setembro a dezembro de 2017. Cerca de cinco mil alunos de todo o Brasil, profissionais e estudantes da área de Saúde, participaram do curso EaD.

O livro é composto por dez capítulos e traz recomendações sobre alimentação adequada e saudável na Atenção Primária para diversos tipos de públicos. Conforme o professor Umpierre, a obra foi elaborada com o objetivo de capacitar os profissionais da Atenção Primária à Saúde sobre alimentação saudável. “É uma estratégia para enfrentar a epidemia de doenças crônicas não transmissíveis, através de orientações adequadas, estímulo às hortas comunitárias, ao consumo de alimentos in natura e orgânicos”. O e-book está disponível para download gratuito no site do TelessaúdeRS-UFRGS: clique aqui e baixe o seu.

Fonte: TelessaúdeRS