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domingo, 3 de abril de 2011

Drogas psiquiátricas provocam 'efeito zumbi' em pacientes

Sabe quando você está numa ressaca brava? Era pior. Saía da cama e sentia uma coisa paranormal, como se não fosse eu. Era outra pessoa me controlando e eu assistindo à cena, sem controle. O remédio fazia eu me sentir assim, um zumbi."

A sensação que o assistente técnico Ricardo Rodrigues dos Santos, 23, tinha o dia todo, por quase um mês, era efeito de um antidepressivo.

"Causava o resultado oposto ao que eu esperava. Me derrubou", conta.

O remédio era para tratar a depressão grave que, segundo conta, desenvolveu trabalhando em telemarketing.

"Ouvia clientes me xingando sem parar, como se eu fosse responsável pelos problemas. E ainda tinha a cobrança da chefia. Aquilo me fazia mal. Até que tentei pular do prédio e me levaram para um hospital."

Quando começou a se ver prostrado por causa da medicação, se sentiu "obrigado" a parar. "Depois de três semanas, nem esperei a consulta com a psiquiatra e parei."

Passou a trocar de remédios e, com a médica, pesava benefícios e prejuízos de cada um. Ricardo sabe de cor a lista: "Em um ano, experimentei Fluoxetina, Rivotril, Risperidona, Sertralina, Paroxetina e Citalopram."

Em dezembro de 2010, interrompeu o tratamento porque perdeu o convênio médico ao pedir demissão, mas diz que hoje está melhor.

"IDIOTA FELIZ"

Muitos usuários descrevem as consequências dos remédios psiquiátricos como "efeito zumbi". Reportagem do jornal inglês "Guardian" deste mês mostra o caso de uma paciente que se disse "zumbificada" pelas drogas.

Quando começou a tomar medicamentos contra a depressão, em setembro de 2010, o jornalista Marcos Guinoza, 44, criou o blog "O Idiota Feliz!".

E lá contou de seu medo de "embarcar na viagem à terra dos zumbis felizes e nunca mais voltar de lá".

No começo, conta, se sentia aéreo na maior parte do dia."É como sentir seu corpo mais leve, numa suave levitação, com a sensação de que você pode cair a qualquer momento."

Mas, segundo a psiquiatra Doris Moreno, do grupo de doenças afetivas do Instituto de Psiquiatria da USP, o termo certo para essa sensação é torpor ou modorra -apatia, sonolência, insensibilidade, prostração mórbida.

psiquiatra Luis Altenfelder Silva Filho, que acaba de lançar o livro "Doença Mental, um Tratamento Possível" (Ágora, 304 págs.,R$ 71,90), concorda que as medicações que afetam o sistema nervoso podem causar tais efeitos, e critica a presença excessiva de medicamentos na relação paciente-psiquiatra.

"O número de prescrições só aumenta e, consequentemente, seus efeitos colaterais também, sem que as causas sejam tratadas."

O motivo, acredita, é a influência da psiquiatria biológica norte-americana, que faz a consulta girar só em torno da receita médica. "Tem que se discutir a receita, mas também os efeitos dos remédios e os aspectos emocionais, sociais e profissionais daa vida da pessoa."

Altenfelder defende ainda a prática da psicoterapia de grupo integrada ao tratamento medicamentoso, para que a pessoa preste atenção àquilo que pode mudar.

EFEITOS PERMANENTES

Ricardo diz que, quando começou a tomar antidepressivos, teve medo dos efeitos. "A gente sabe que existem reações indesejadas, mas nunca tinha sentido na pele. Tinha receio de que fossem permanentes."

Esse temor é comum, segundo Altenfelder. "Muitas pessoas têm medo de perder o controle, sem volta."

Por isso, afirma que é importante haver uma boa relação com o médico, que deve dar todas as informações sobre os efeitos esperados.

"Se o médico faz uma consulta apressada, a pessoa já pensa: "Ele nem me olhou, não prestou atenção à minha queixa. Não vou tomar mais esse remédio que, ainda por cima, me faz mal."

Multivitamínicos podem perturbar o sono?

Insônia, pesadelos e problemas para dormir podem ser resultados da ingestão desse tipo de suplemento
Milhões de americanos tomam suplementos multivitamínicos todos os dias, na esperança de obter vários tipos de benefícios para a saúde. Mas quando se trata de uma boa noite de sono, será que essas pílulas podem prestar um desserviço?

Ao longo dos anos, relatos anedóticos sugeriram isso. Alguns usuários alegam que esses suplementos reduzem seu sono e levam a despertar mais frequente no meio da noite. Em um estudo realizado em 2007, pesquisadores recrutaram centenas de participantes e investigaram seus hábitos de sono _ incluindo seu uso de vitaminas e medicações _, e então pediram que eles mantivessem um “diário do sono” por duas semanas.

Após controlar fatores como gênero, idade e outras variáveis, os cientistas descobriram um índice levemente maior de sono insuficiente ou interrompido em pessoas que tomavam suplementos multivitamínicos. Mas por terem encontrado apenas uma associação, eles não puderam excluir a possibilidade de que as pessoas com sono mais pobre simplesmente são as com maior tendência a buscar os multivitamínicos.

O problema é separar os efeitos das vitaminas individuais. Há alguma evidência de que a vitamina B produz alguma conseqüência. Estudos mostram que ingerir vitamina B6 antes de ir para a cama pode levar a sonhos muito vívidos, o que pode acordar as pessoas. A B6 ajuda o corpo a converter triptofano em serotonina, um hormônio que afeta o sono. Outros estudos mostram que a vitamina B12 pode afetar os níveis de melatonina, promovendo a vigília.

Para aqueles que suspeitam que seus suplementos multivitamínicos podem estar abreviando seu sono, a melhor solução pode ser simplesmente tomar as pílulas pela manhã, ou pelo menos algumas horas antes de ir para a cama.

Falta de vitamina D pode favorecer a síndrome metabólica

Pesquisadores vão investigar relação o nutriente e o surgimento do diabetes

A falta de vitamina D pode favorecer o surgimento de síndrome metabólica e diabetes em idosos. Isso é o que sugere um recente estudo divulgado nos Estados Unidos, durante o 92º Encontro Anual da Sociedade Americana de Endocrinologia.

Pesquisadores analisaram dados de 1.300 homens e mulheres com 65 anos ou mais, que tinham sido coletados em outros estudos, e verificaram haver falta de vitamina D em 48% do grupo.

Além disso, perto de 37% deles tinham síndrome metabólica, uma combinação de pressão alta, obesidade abdominal, colesterol anormal e alta taxa de açúcar no sangue.

Pessoas com o nível sanguíneo de vitamina D abaixo de 50 nmol/l, nível considerado abaixo do ideal, eram mais propensas a desenvolver a síndrome metabólica. O estudo foi realizado pela Universidade Medical Center, em Amsterdã, na Holanda.

De acordo com os pesquisadores, a falta de vitamina D estaria associada principalmente a dois fatores de risco para síndrome metabólica: baixo HDL, o bom colesterol, e alta na circunferência abdominal. Não houve diferença no risco entre homens e mulheres.

Para João Salles, membro do departamento de obesidade da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), o estudo reforça evidências já sugeridas em outros trabalhos. “A vitamina D tem ação sobre a proteína RBP4, que está ligada ao acúmulo de gordura abdominal”, explica.

A vitamina D é obtida a partir de alimentos como leite e derivados, fígado e peixes, mas a principal fonte é o banho de sol. Bastam 15 minutos de exposição solar diária, de preferência antes das 10h ou após 16h, para favorecer a absorção de vitamina D.

A vitamina promove a absorção de cálcio no organismo, importante para o desenvolvimento de ossos. Na falta dela, como já é sabido, há mais risco de osteoporose.

Vitamina D pode proteger contra câncer, diabetes e artrite, indica pesquisa

Cientistas descobriram que mais 200 genes do DNA são influenciados por essa substância

Os cientistas mapearam os pontos de interação entre a vitamina D e o DNA e identificaram mais de 200 genes influenciados pela substância.

A vitamina D é produzida naturalmente pelo corpo pela exposição ao sol, mas a substância está presente também em peixes e crustáceos e, em menor quantidade, em ovos e leite. Mas acredita-se que até um bilhão de pessoas em todo o mundo sofram de deficiência de vitamina D pela pouca exposição ao sol.

Já se sabia que a falta de vitamina D podia levar ao raquitismo e havia várias sugestões de ligações com doenças, mas a nova pesquisa, publicada pela revista especializada Genome Research, é a primeira que traz evidências diretas de que a substância controla uma rede de genes ligados com doenças.

Receptores
Os pesquisadores, da Universidade de Oxford, usaram uma nova tecnologia para o sequenciamento do DNA para criar um mapa de receptores de vitamina D ao longo do genoma humano. O receptor de vitamina D é uma proteína ativada pela substância, que se liga ao DNA e assim determina quais proteínas são produzidas pelo corpo a partir do código genético.

Os pesquisadores identificaram 2.776 pontos de ligação com receptores de vitamina D ao longo do genoma, concentrados principalmente perto de alguns genes ligados a condições como esclerose múltipla, doença de Crohn, lupus, artrite reumatoide e alguns tipos de câncer como leucemia linfática crônica e câncer colo-retal.

Eles também mostraram que a vitamina D tinha um efeito significativo sobre a atividade de 229 genes incluindo o IRF8, associado com a esclerose múltipla, e o PTPN2, ligado à doença de Crohn e ao diabetes do tipo 1.

"Nossa pesquisa mostra de forma dramática a ampla influência que a vitamina D exerce sobre nossa saúde", afirma um dos coordenadores da pesquisa, Andreas Heger.

Seleção
Os autores afirmam que o consumo de suplementos de vitamina D durante a gravidez e nos primeiros anos de vida podem ter um efeito benéfico sobre a saúde da criança em sua vida no futuro. Outras pesquisas anteriores já haviam indicado que a pele e os cabelos mais claros entre as populações de partes da Terra com menos incidência de raios solares teriam sido uma consequência da evolução para melhorar a produção de vitamina D.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Oxford, isso poderia explicar a razão de seu estudo ter identificado um número significativo de receptores de vitamina D em regiões do genoma com mutações genéticas mais comumente encontradas em pessoas de ascendência europeia ou asiática. A deficiência de vitamina D em mulheres grávidas pode provocar contrações pélvicas, aumentando o risco de morte da mãe e do feto. Segundo os pesquisadores, essa situação pode ter levado ao fim de linhagens maternais de pessoas incapazes de aumentar sua disponibilidade de vitamina D.

"A situação em relação à vitamina D é potencialmente uma das pressões seletivas mais poderosas no genoma em tempos recentes", afirma outro coordenador da pesquisa, George Ebers.

"Nosso estudo parece apoiar essa interpretação e pode ser que não tivemos tempo suficiente para fazer todas as adaptações de que precisávamos para suportar nossas circunstâncias", disse.

A vitamina D pode proteger o corpo humano contra uma série de doenças ligadas a condições genéticas, incluindo câncer, diabetes, artrite e esclerose múltipla, segundo uma pesquisa britânica recém-publicada.

Vitamina C e cálcio anulam os benefícios um do outro?

Especialista esclarece sobre a relação entre os dois nutrientes

Se a vitamina C e o cálcio do leite anulam os benefícios um do outro se tomados juntos. Então, como pode alguns sucos de laranja serem fortificados com cálcio?

Sheldon S. Hendler, co-deitor do livro PDR for Nutritional Supplements, uma das principais referências na área, responde:

“Na verdade, a vitamina C ajuda a aumentar a eficiência da absorção de cálcio. Essa é a principal razão pela qual o suco de laranja foi escolhido para a fortificação com cálcio. Você também pode tomar pílulas contendo cálcio ao mesmo tempo em que toma seu suco de laranja fortificado com cálcio, sem perder os benefícios da vitamina C”.

No entanto, ele acrescentou que como muitos produtos são fortificados com cálcio e pode haver efeitos adversos com altas doses, as pessoas não devem tomar mais de 1.500mg de cálcio suplementar por dia, exceto por indicação médica.

Outros nutrientes e alimentos afetam a absorção de cálcio, segundo Hendler. O mais significante é a vitamina D, pois pouquíssimo cálcio é absorvido na ausência dessa vitamina.

Uma controversa análise de estudos sobre os efeitos de cálcio suplementar, publicada no mês passado no British Medical Journal sugeriu que o consumo de 500mg diários ou mais estava associado a riscos significativamente maiores de ataque cardíaco. Testes com vitamina D e cálcio foram excluídos da chamada meta-análise, apontou Hendler, e mais análises e estudos de acompanhamento estão sendo planejados para observar essa relação.

* Por C. Clairborne Ray

Suplementos vitamínicos não evitam câncer e infarto

Pesquisa mostrou que número de mortes causadas por câncer e infarto é igual entre quem toma e quem não toma suplementos

 

Estaremos protegidos contra o câncer e o infarto tomando suplemento vitamínicos? De acordo com uma pesquisa recente, a resposta é não.

Em um estudo realizado com mais de 180.000 participantes, cientistas verificaram o mesmo número de mortes causadas por câncer e infarto entre pessoas que tomavam vitaminas e aquelas que não tomavam os suplementos.

“Precisamos entender que simplesmente tomar todas estas vitaminas não é o suficiente para a prevenção de doenças”, disse Jennifer Hsiang-Ling Lin, professora de medicina do Brigham and Women's Hospital, de Boston, que não participou do estudo.

Diversas pesquisas anteriores já haviam mostrado que não existe uma ligação entre os suplementos vitamínicos e a redução dos riscos de câncer e infarto. Outros estudos mais recentes também não conseguiram provar que estes suplementos protejam contra o diabetes.

Alguns estudos menores já mostraram que determinadas vitaminas, mas não os complexos multi-vitamínicos, podem proteger contra problemas cardíacos ou câncer ao longo da vida. Entretanto, tais estudos analisaram uma grupo de pessoas subnutridas, não adultos geralmente saudáveis como é a população americana, disse Song-Yi Park, professor de epidemiologia do Centro do Câncer da Universidade do Havaí e um dos autores do estudo.

Em seu website, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos adverte que médicos devem prescrever os suplementos vitamínicos somente aos pacientes deficientes de vitaminas, incapacitados de ingerir alimentos suficientes para obter as vitaminas necessárias ou que não podem receber os benefícios integrais das vitaminas presentes nos alimentos ingeridos.

Entretanto, Lin afirma que mais da metade dos adultos americanos optam pelos suplementos vitamínicos.
“Muitos deles fazem esta escolha por acreditar que assim estarão prevenindo doenças crônicas”, disse Ross Prentice, diretor do Fred Hutchinson Cancer Research Center da Universidade de Washington em Seattle, que não participou do estudo.

A equipe liderada por Park analisou os hábitos de tomar vitaminas de mais de 82.000 homens e 100.000 mulheres, com idade média de 60 anos. Durante 11 anos, a equipe de pesquisa registrou quantos participantes do estudo morreram e como as mortes foram causadas. Em cada 100 participantes que tomavam ou não suplementos vitamínicos, em torno de seis morreram de problemas cardíacos, cinco de câncer e quatro de outras causas. No total, quase 29.000 participantes morreram ao longo dos 11 anos de acompanhamento do estudo.

Aparentemente, os complexos multi-vitamínicos não protegeram seus usuários contra diferentes tipos de câncer – como o câncer de pulmão, de cólon, de reto, de próstata ou de mama. A Sociedade Americana do Câncer informa que, a cada ano, em torno de 616.000 pessoas morrem de problemas cardíacos e 560.000 morrem de câncer nos Estados Unidos.

Lin ressaltou que os pesquisadores não constataram que o uso destes suplementos seja prejudicial. Entretanto, eles podem sair bastante caro. De acordo com dados do Consumer Reports, os americanos gastaram quase US$4,7 bilhões em suplementos vitamínicos em 2008. Dependendo do tipo, o custo mensal destes suplementos pode variar de US$3 a US$16.

O estudo não pôde provar se estes suplementos afetam ou não os riscos de desenvolver câncer e doenças cardíacas. Um grande experimento clínico – que mostra os possíveis efeitos e causas – está sendo realizado atualmente, mas os resultados ainda não foram revelados.

Segundo Lin, os estudos anteriores foram realizados com participantes caucasianos, em sua maioria. O atual, publicado no American Journal of Epidemiology, incluiu um grande número de pessoas de origem latina ou japonesa. Ela diz que isso mostra que a ausência de ligação entre os suplementos e a diminuição dos riscos foi mantida em diferentes etnias.

Segundo Lin, a melhor forma de reduzir os riscos de câncer e doenças cardíacas é com alimentação saudável e prática de exercícios.

* Por Leigh Krietsch Boerner

MP dos hospitais universitários gera divergências

por CFM

01/04/2011

Criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares será discutida por deputados e ministros da Saúde e Educação

Integrantes da Comissão de Seguridade Social e Família deverão procurar os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Saúde, Alexandre Padilha, para discutir a Medida Provisória 520/10, que criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) com o objetivo de apoiar a prestação de serviços médico-hospitalares, laboratoriais e de ensino e pesquisa nos hospitais universitários federais.

Essa decisão foi tomada em audiência pública realizada pela comissão na última terça-feira (29). Os deputados que participaram do debate também decidiram procurar o Tribunal de Contas da União (TCU) para obter esclarecimentos sobre a situação de 26,5 mil funcionários contratados precariamente pelos 46 hospitais universitários federais do País.

Durante a audiência, proposta pelos deputados João Ananias (PCdoB-CE) e Amauri Teixeira (PT-BA), a MP foi criticada por deputados governistas e oposicionistas e por representantes de servidores de universidades federais. O principal motivo da crítica é que a Ebserh é uma empresa pública constituída sob a forma de sociedade anônima de direito privado, que vai contratar funcionários sob o regime da CLT - típico do setor privado.

A MP permite a contratação temporária, em processo seletivo simplificado, com base em análise curricular, nos primeiros 180 dias de funcionamento da Ebserh. Esses contratos poderão ser prorrogados uma única vez, desde que a soma dos dois períodos não ultrapasse dois anos. Depois, os funcionários serão contratados por concurso público.

Relator diz que MP busca solução para situação emergencia

A MP foi editada no último dia do Governo Lula atendendo a uma exigência do TCU, em razão da precariedade da contratação de 26,5 mil (de um total de 70 mil) funcionários desses hospitais, que prestam serviços sob diversos formatos - pelo regime celetista, por contratos de prestação de serviços, por meio de fundações, por meio de organizações sociais e outros vínculos precários - e até sem vínculo empregatício.

Muitos deputados questionam a solução encontrada pelo governo para regularizar essa situação (uma sociedade anônima) e defendem a contratação de servidores pelo Regime Jurídico Único.

Críticas
 O representante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na audiência, Armando Nogueira, disse que a empresa da forma proposta pelo governo é um atraso em termos de gestão, além de ferir a autonomia universitária. Segundo ele, a universidade queria que os servidores contratados precariamente tivessem a oportunidade de fazer um concurso público por prazo determinado, que seria a forma mais adequada de seleção.

O coordenador-geral da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), Rolando Rubens Malvásio, disse que o primeiro passo da discussão é definir que tipo de Estado a sociedade quer. "Em relação aos servidores, nós defendemos o Estado máximo, e a MP representa o Estado mínimo", afirmou. Ele também considerou a medida inconstitucional.

O diretor vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), João Rodrigues Filho, afirmou que tem esse mesmo ponto de vista. "Não adianta criar uma empresa com capital da União para continuar o trabalho de terceirização que estava sendo feito pelas fundações, com contratos temporários", disse.

O deputado João Ananias disse que a política de terceirização foi generalizada nos últimos anos pelos defensores do desmonte do Estado, que queriam favorecer alguns grupos privados. Entretanto, disse ele, não se corrige um erro com outro. Ele disse que as competências da Ebserh são as mesmas dos hospitais universitários, o que leva à constatação de que o objetivo da empresa é substituir a gestão desses hospitais. Ananias criticou também o fato de a empresa ter um regime jurídico próprio da iniciativa privada, ao ponto de estar sujeita ao pagamento de impostos. Por fim, afirmou que combate a MP, apesar de ser aliado do governo, não por um viés ideológico, mas sim pela defesa intransigente da história dos hospitais universitários e do modelo público de gestão previsto na Constituição.

O deputado Mandetta (DEM-MS) considerou a proposta de criação de uma nova empresa estatal como mais um cabide de empregos. "Essa MP é uma aberração, porque há mais de 15 anos as universidades vêm sofrendo com a falta de concursos públicos", disse. Segundo ele, o termo de ajuste de conduta exigido pelo TCU já tinha quatro anos quando o então presidente Lula, no seu último dia de governo, resolveu mandar a MP para o Congresso.

Equívocos

O deputado Amauri Teixeira disse que a proposta tem defeitos, mas que pode ser melhorada. "Primeiro, há determinados equívocos que precisam ser esclarecidos: essa é uma empresa pública, de capital 100% da União, então não visa lucro. Quem vai ser contratado pela empresa pública não é terceirizado, vai ser contratado por concurso público, como o Correio faz, o Banco do Brasil, a Petrobras, etc.", disse. Ele afirmou também que muitos críticos da MP não leram seu texto e fazem uma disputa política abstrata.

Especialistas alertam para a importância de diagnóstico precoce no Dia Mundial do Autismo

Brasília – No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado hoje (2), especialistas e organizações da sociedade civil alertam os brasileiros para a necessidade do diagnóstico precoce.

O autismo é uma síndrome que afeta de maneira acentuada a capacidade do indivíduo de falar, comunicar-se e interagir com outras pessoas e com o ambiente. Estima-se que 2 milhões de brasileiros sejam autistas. Em todo o mundo, são cerca de 70 milhões de pessoas, de acordo com as Nações Unidas. O transtorno é mais comum em homens do que em mulheres.

Desinteresse pela convivência outras pessoas, pouco contato visual, fixação por objetos, não reagir quando é chamado por alguém ou recusar contato físico são alguns dos sinais do autismo, que aparecem, em sua maioria, antes dos 3 anos de idade.

“Aos 2 anos de idade, se a criança não consegue falar, não se interessa em brincar com outras crianças ou não pede colo é um sinal de alerta”, explica Marcos Mercadante, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos fundadores da organização não governamental Autismo e Realidade.

Até o momento, não há cura para o autismo, mas o tratamento, quando iniciado logo após o diagnóstico, aumenta as chances de a criança ter mais independência na vida adulta. No entanto, o psiquiatra lamenta que pais e até mesmo profissionais de saúde estejam despreparados para reconhecer os sintomas. “No Brasil, o diagnóstico ainda está sendo feito com 5 ou 6 anos [de idade]”, afirmou.

O tratamento não é o mesmo para todos os autistas, que podem apresentar grau leve ou severo (quando compromete mais o indivíduo), mas se baseia em terapias comportamentais e médicas com o objetivo de estimular o indivíduo a se socializar e ter qualidade de vida.

Mãe de um autista, a engenheira Ana Maria Mello uniu-se a outros pais para fundar a Associação de Amigos do Autista (Ama), em 1983, uma das principais organizações civis do país, com sede em São Paulo, que auxilia pais e pessoas com o transtorno de desenvolvimento. Ana Maria incentiva os pais a buscar informação para que saibam entender os filhos. “A gente chora bastante, mas, depois, bola para a frente, sem sentimento de culpa ou pena”, disse.

A educação tem também um papel fundamental para que o autista possa ter melhor convivência no ambiente onde vive. Especialistas defendem que a escola deve ter uma abordagem específica para lidar com essas crianças e reclamam da falta de instituições adequadas.

No Distrito Federal, o Centro de Ensino Especial 2, da rede pública, é adaptado para receber alunos autistas com grau leve ou severo. No centro, os professores usam brinquedos, figuras e alternativas de comunicação para estabelecer uma rotina de atividades comuns à vida de qualquer pessoa, como comer ou ir ao banheiro. “Elas aprendem a se vestir, calçar os sapatos, conviver com outras crianças lá fora. É uma forma de ajudar a socializar a criança”, explica a supervisora pedagógica Marli de Jesus Silva.

Atualmente, o centro tem cerca de 30 alunos autistas, de 5 a 15 anos. Um deles é a pequena Maria Alice, de seis anos de idade. Há poucos meses na escola, a menina já faz trabalhos com colagem e tem menos crises de choro e agitação, características do autismo. “No período em que ficava só em casa, ela era muito agitada e ficava girando em círculos. Agora, ela dorme e se alimenta melhor, além de gostar da escola”, conta Luciana da Silva, mãe de Maria Alice e mais três filhos. “Os pais não precisam isolar os filhos. Ela não olha para mim, mas eu olho para ela”, relata Luciana.

Jardim Botânico do Rio discute benefícios das plantas medicinais na saúde e na qualidade de vida

Rio de Janeiro – Os índios sabem há muito tempo que a cura para muitas doenças pode estar no quintal de casa. Empresas farmacêuticas também reconheceram o potencial de várias plantas medicinais e há espécies que chegam a ter 34 patentes estrangeiras registradas.

É o caso do jambu. Natural na Região Norte, ele é conhecido por suas propriedades anestésicas. Agora, com base em conhecimentos de comunidades quilombolas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estuda como o jambu pode ser usado para estimular a excitação sexual da mulher.

Para chamar a atenção para a possibilidade de plantas melhorarem a qualidade de vida das pessoas e de complementarem tratamentos de saúde tradicionais, inclusive o do câncer, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que mantém uma coleção temática com cerca de 230 exemplares, promoveu debate na semana passada sobre o uso das plantas medicinais.

A coordenadora da coleção, a bióloga Yara Lúcia de Britto, destaca o uso do açafrão e do gengibre para diminuir os efeitos colaterais da quimioterapia. “É recomendado para diminuir os vômitos e aumentar a tolerância do paciente aos medicamentos, já que eles precisam da quimioterapia”.

Da tradição à medicina, o índio Hundu Vakihu Shawãdawa, da etnia Arara, de uma aldeia do Acre, acredita que os remédios retirados da natureza podem também provocar menos malefícios ao corpo humano que os medicamentos tradicionais, vendidos nas farmácias.

“Não conhecemos as substâncias usadas nos remédios feitos em laboratório e nem seus efeitos. Mas sabemos que afetam a vida e o espírito. Preferimos o remédio tradicional. É a dose certa”, declarou Hundu depois de debate sobre o uso de plantas medicinais, promovido, nesta semana, no Jardim Botânico do Rio.

Plantar o próprio remédio é mais simples do que parece. Yara Britto lembra que muitas espécies são usadas sem que as pessoas saibam para que servem. Ela destaca as propriedades anti-inflamatórias e antifúngicas do alho, as digestivas da carqueja e as de cura da tosse e da bronquite, da hortelã.

No evento, a pesquisadora independente Úrsula Jahara também defendeu que as plantas não devem ser apenas usadas na cura, mas na manutenção da saúde. Para ela, é preciso resgatar o valor da terra e a importância de uma dieta saudável para a prevenção de doenças.

Jovens já são metade dos pacientes de cirurgias plásticas no interior de SP

Psicóloga diz que é importante avaliar o momento certo para fazer as mudanças

Mais da metade do total de procedimentos cirúrgicos são feitos em jovens, em Araraquara, no interior de São Paulo. O médico Luis Cláudio Lapena Barreto diz acreditar que cada vez mais esse público procure pela cirurgia plástica.

As mulheres são as mais dispostas para encarar a operação. A fisioterapeuta Pâmela Romão de Carvalho colocou prótese de silicone nos seios há três meses. Ela conta que a mudança na aparência a deixou mais segurança e melhorou sua autoestima.

- Antes eu achava que tinha os seios muito pequenos, não me sentia bem com algumas roupas, em alguns lugares, por biquíni.

A recepcionista Etiane Fernanda Teixeira quer fazer plásticas no nariz e também colocar prótese nos seios. Ela diz que acha que vai se sentir mais feminina e segura.

A supervalorização da aparência e a necessidade de se enquadrar nos padrões impostos pela sociedade fazem os jovens procurar a cirurgia plástica cada vez mais. Segundo a psicóloga Juliana Crociani é importante que se avalie o momento certo para o jovem fazer o procedimento cirúrgico, pois ele passa por muitas mudanças.

Assista ao vídeo:

Bebê que nasceu com quase 7 kg morre no RS

Má-formação cardíaca pode ter sido a causa da morte

O bebê Junior César Rodrigues Moreira, que nasceu com 6,8kg, em Porto Xavier, na sexta-feira (1º), morreu neste sábado (2). O bebê era o 12º filho de Noemi de Fátima Duarte, 42 anos, e nasceu de parto normal. As informações são do Correio do Povo.

A criança havia sido transferida para a UTI neonatal de Santo Ângelo para monitoramento da respiração.De acordo com o médico Cassius Schetko, após mamar, o bebê apresentou falta de ar. A causa da morte pode ter sido uma suposta má formação cardíaca.

"Precisamos liderar estudos contra o câncer"

Paulo Marcelo Gehm Hoff começou cedo sua história na medicina. Aos 16 anos, começou a graduação na Universidade de Brasília (UnB).

Ao longo de sua trajetória acadêmica, chamou a atenção de muitos médicos e se tornou um dos maiores especialistas em oncologia – a especialidade que cuida do câncer – do mundo.

Aos 42 anos, o diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) defende que o Brasil invista em pesquisas para combater a doença, torne esse processo menos burocrático e treine mais profissionais para compreender o câncer.

Em entrevista ao iG Saúde, o paranaense que tratou a presidente Dilma Housseff e o ex-vice-presidente José Alencar – morto na última terça – falou sobre os desafios que o País enfrenta para garantir tratamento de qualidade em todas as regiões. Para ele, é fundamental investir em diagnósticos mais precisos e precoces.

Hoff é professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e se divide entre ensino, pesquisa, atendimento de pacientes e coordenação dos serviços nos hospitais em que atua. Talvez por isso sua caminhada na profissão é surpreendente: escreveu 12 livros e soma 130 artigos científicos publicados, além de outros tantos capítulos escritos em obras médicas.

O especialista voltou ao Brasil há cinco anos, depois de trabalhar como professor e médico titular do M.D. Anderson em Houston, no Texas, Estados Unidos – o território pouco ocupado por estrangeiros é um dos principais hospitais de tratamento e pesquisas em câncer. Confira a entrevista:

O câncer é uma doença que ainda gera muitas dúvidas e preconceito. Como mudar esse cenário?
Paulo Hoff: Acho que só com o tempo. Pessoas como a nossa presidente, Dilma Rousseff; José Alencar, Ana Maria Braga e Hebe Camargo, que foram a público dizer que estavam com câncer e enfrentaram ou estão enfrentando a doença, ajudam a mostrar que você pode viver com o câncer e que há cura.

São pessoas famosas, que têm dinheiro. Muitas vezes, a sensação é de que só há cura e chances de bons tratamentos para quem tem uma condição de vida melhor. O tratamento é o mesmo no sistema público e no particular?
Hoff: Existe uma grande diferença regional. Não é porque o indivíduo faz o acompanhamento na rede pública que necessariamente vai ter um tratamento menos completo, mas na rede pública há uma pressão maior, o tempo do médico para atender o paciente é menor e isso pode dificultar o atendimento.

Outro problema é que na rede pública existe uma demora da visita inicial, onde se faz o diagnóstico de uma suspeita de tumor, até o acesso aos exames que vão comprovar a presença desse tumor. Na rede privada, há possibilidade de diagnóstico muito mais rápido. Porém, mesmo na rede privada, há planos de saúde que dificultam a atuação do médico e pode haver demora. Em São Paulo, por exemplo, o atendimento do Instituto do Câncer do Estado é de alto nível e eu não me envergonho de mostrar o que fazemos a ninguém. Todos ficam muito impressionados, inclusive estrangeiros.

O que o senhor acredita que faça a diferença no atendimento oferecido no Icesp?
Hoff: É um atendimento muito humanizado. O paciente sabe o nome do médico responsável pelo tratamento dele. Lógico que, quando se faz 11 mil consultas por mês, teremos pessoas insatisfeitas. Mas o nível de aprovação do Icesp, medido pelo Ibope, é de 92%. Lá, o paciente recebe atendimento multidisciplinar com grandes especialistas e tem alta tecnologia à disposição. O Icesp tem o maior parque radioterápico da América Latina.

O senhor espera que ele sirva de modelo para outros hospitais?
Hoff: Seria falsa modéstia dizer que não espero. Gostaria sim que outros estados seguissem a mesma linha, dando importância ao câncer. Sei que é caro e difícil, mas acho que os 92% de aprovação dizem que estamos fazendo alguma coisa certa lá. Mas não podemos esquecer que temos outros bons serviços no Brasil, como o Instituto do Câncer no Rio de Janeiro.

Ainda temos poucos institutos especializados no tratamento de câncer no País?
Hoff: Para o tamanho da população sim, temos poucos oncologistas. Não sabemos quantos exatamente, mas a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica tem menos de mil afiliados. Para um país de 200 milhões de habitantes com uma doença de 500 mil casos a cada ano, é pouco.

Qual é o grande desafio do sistema público em relação ao câncer hoje?
Hoff: São vários: acesso à medicação, à radioterapia, à cirurgia, tudo isso conta. Mas a demora entre a suspeita e o diagnóstico é algo que a gente tem de focar a atenção. Com o diagnóstico precoce, inclusive, você tem o potencial de reduzir o custo, porque o tratamento inicial é mais barato.

Nesse sentido, é preciso educar a população também para buscar diagnósticos, fazer exames de prevenção rotineiramente?
Hoff: Acho que sim, mas aí depende de qual população estamos falando, porque o indivíduo muito humilde precisa ter o acesso facilitado. Educá-lo é importante, mas é preciso dar a ele a possibilidade de agir quando houver uma suspeita.

Os médicos brasileiros estão preparados para lidar com o câncer?
Hoff: O número de médicos, técnicos, enfermeiros e físicos com interesse nessa área é bem limitado. Mas estamos alcançando o patamar de qualidade de vida, exposição a produtos químicos e sobrevida dos países desenvolvidos. Infelizmente, vamos ter um aumento grande nos casos de câncer, chegaremos a 1 milhão. Se com metade disso já é difícil disponibilizar especialistas no País como um todo, imagina quando houver o aumento? Precisamos treinar médicos em todo o Brasil.

Falta interesse dos profissionais ou conhecimento sobre o assunto?
Hoff: A oncologia é uma especialidade nova. Nos Estados Unidos, ela se tornou uma especialidade reconhecida na década de 70. No Brasil demorou mais ainda, mas isso vai melhorar com o tempo. Outro problema é que o médico que não é oncologista, mas que está em contato direto com o paciente no dia a dia – o clínico geral, o pediatra, o ginecologista – tem de ser capacitado para fazer o diagnóstico precoce.

Quais são os principais avanços obtidos no tratamento do câncer hoje?
Hoff: Primeiro, o diagnóstico precoce certamente vem aumentando. É difícil provar isso em termos estatísticos, mas estamos vendo mais pacientes com tumores menores, especialmente na prática privada. No sistema público, infelizmente, essa tendência existe, mas não é tão acelerada.

Houve ainda desenvolvimento de tratamentos complementares como a quimioterapia e a radioterapia, que são bastante eficientes e já foram desenvolvidas para uma série de tumores. Para os pacientes com doença mais avançada, desenvolvemos outras terapias que ainda não aumentaram a cura, mas a chance de benefício, de sobrevida prolongada e, mais importante, da individualização do tratamento. O futuro do tratamento do câncer não é tratar todo mundo da mesma maneira, é individualizar cada caso.

Em que nível de individualização o tratamento está hoje? É na dose de medicamentos, tipos ou combinação deles?
Hoff: Para câncer de mama, por exemplo, selecionamos remédios diferentes. É talvez o tipo mais individualizado de tratamento.

Por que isso acontece mais com o câncer de mama? É o mais comum?
Hoff: É um dos mais comuns. Hoje no Brasil é o mais comum em mulheres. Por ser comum, já seria também muito estudado, mas ele foi o primeiro tumor em que se teve formação de grupos de pacientes que fizeram sua voz ser ouvida, exigindo que o governo e as empresas investissem na busca de tratamento. O engajamento feminino levou ao aumento da pesquisa na área e a uma compreensão maior da doença.

É possível evitar o câncer com mudanças de hábitos? Vale a pena investir em campanhas de prevenção como acontece hoje com a hipertensão e a diabetes, por exemplo?
Hoff: Existe como evitar, mas não posso dizer compreendemos exatamente como fazer. Parece que fazer exercício regularmente e ter uma dieta com muitas frutas, verduras, pouca gordura e uma quantidade limitada de carne vermelha ajuda a evitar o desenvolvimento de câncer. Não ser uma pessoa obesa e ter hábitos de vida saudáveis também. Agora, em que proporção isso ajuda, é muito difícil dizer, porque o processo de formação do câncer leva décadas na maior parte dos casos. Acho que as campanhas ajudam, mas o combate ao câncer tem de ser algo constante.

O que o Brasil precisa fazer de mais urgente para enfrentar o câncer?
Hoff: Acelerar sua participação em estudos clínicos e liderá-los. O Brasil está a caminho de se tornar a quinta economia do mundo e tem obrigação de gerar conhecimento.

E o que falta para que isso se torne realidade?
Hoff: Sempre falta tudo, mas temos de criar uma cultura de pesquisa e reduzir a burocracia. Só a China tem um processo mais burocrático que o nosso para aprovar pesquisas em pacientes. A pesquisa clínica tem de ser feita com o mais alto nível de ética e proteção ao paciente, mas o processo de aprovação tem de ser mais rápido.