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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Operação encontra toneladas de medicamentos vencidos em galpão da prefeitura

Galpão da prefeitura possuía medicamentos vencidos Foto: Vivian Fernadez - Divulgação / O Globo
Vivian Fernadez  Divulgação / O Globo
Galpão da prefeitura possuía medicamentos vencidos 
Remédios eram destinados para tratamento em programas de atenção básica e doenças como tuberculose e Aids
 
RIO - Agentes do Ministério Público do Rio e do Grupo de Apoio Técnico Especializado encontraram toneladas de medicamentos e equipamentos médicos com validade vencida em três galpões da prefeitura, no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio. Em nota, o MPRJ informa que os remédios foram adquiridos pela Secretaria municipal de Saúde e pelo Ministério da Saúde e eram destinados dentre outros para tratamento em programas de atenção básica e doenças como tuberculose e Aids.
 
Também foi encontrada grande quantidade dos antibióticos amoxilina e clavulonato de potássio "de custo significativo para os cofres públicos", diz o MPRJ. Havia ainda vacinas para febre amarela, antitetânica e influenza (gripe) vencidas e compradas pelo Ministério da Saúde, além de medicamento controlado de alto risco como Talidomida, mantidos em condições de higiene e conservação insalubres.
 
Os promotores de Justiça requisitaram à autoridade policial competente a instauração de investigação criminal para que seja apurada a responsabilidade sobre o material, o controle do estoque e o motivo do desperdício de medicamentos, e ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) uma perícia no local. A Delegacia do Consumidor (Decon) procedeu a imediata interdição do local para evitar desvio e assegurar o resultado da perícia.
 
Segundo o MPRJ, a empresa responsável pelo controle de estoque da Secretaria municipal de Saúde é a Pronto Express. As peças de informação serão também encaminhadas às Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania para instauração de inquérito civil para apurar possíveis atos de improbidade administrativa, pela lesão ao erário.
 
O Globo

Nível de hormônio de crescimento no cérebro é bom indicador da longevidade

Resultados beneficiam entendimento sobre evolução e envelhecimento de espécies
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Resultados beneficiam entendimento sobre evolução e envelhecimento
 de espécies
A afirmação é de pesquisa realizada na USP em parceria com a Universidade de Rochester, nos Estados Unidos
 
O IGF1R, hormônio conhecido como fator de crescimento do tipo insulina e utilizado para medir os níveis de envelhecimento, pode ser um bom indicador da longevidade de roedores, mas apenas quando se considera os tecidos cerebrais. Esta é uma das constatações de uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP em parceria com a Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. O estudo comparou a dosagem de IGF1R em 16 espécies de roedores com diferentes pesos corporais e longevidades, como capivaras, pacas, camundongos, ratos, ramsters, chinchilas e cobaias, entre outros.

De acordo com o professor Augusto Coppi, do Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA) do Departamento de Cirurgia da FMVZ, a literatura científica sobre o tema aponta que os níveis de IGF1R em órgãos como cérebro, coração, rins e pulmões poderiam indicar a longevidade dos roedores. "Com os nossos estudos, percebemos que quanto maior a longevidade do animal, menores serão os níveis do hormônio no cérebro. Entretanto, isso não é válido quando analisamos os rins, o pulmão e o coração desses animais", revela o pesquisador. Segundo o estereologista, os resultados beneficiam o entendimento geral sobre a evolução e envelhecimento das espécies e podem ser benéficos para a medicina intervencionista geriátrica. Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na edição de abril de 2013 da revista científica Aging, que apresenta fator 4,696 de impacto é uma das mais conceituadas na área do envelhecimento. O texto pode ser acessado neste link.

O IGF1R é a forma periférica do hormônio do crescimento, ou seja, pode ser medido em órgãos como pulmões, rins, coração e cérebro, sendo que o hormônio do crescimento GH somente pode ser dosado na hipófise (glândula localizada no cérebro). "Com o IGF1R temos a ação da insulina periférica: ela sai do pâncreas, entra na corrente sanguínea e vai sendo absorvida pelos órgãos", explica.

As espécies com um ciclo de vida maior apresentam uma redução nos níveis de IGF1R com o envelhecimento, como pode ser observado em roedores de peso corporal menor, utilizados em laboratório, como cobaias, ratos e camundongos. Os pesquisadores da FMVZ e da Universidade de Rochester queriam verificar se esse mesmo padrão é válido também para roedores silvestres e de peso corporal maior. "O objetivo da pesquisa foi verificar se as respostas do IGF1R eram diferentes de acordo com o ciclo de vida e com massa corporal dos animais à medida que ele vai atingindo a senilidade", diz o estereologista.

O estudo foi realizado a partir da contagem dos níveis de IGF1R no coração, pulmões, rins e cérebro de 16 espécies de roedores em diferentes ciclos etários e massa corporal, utilizando-se de técnicas de biologia molecular (immunoblot), usada para medir proteínas, associadas à Estereologia

Coppi explica que a longevidade aproximada das 16 espécies estudadas varia muito entre si. Para camundongos, é 4 anos. Para o rato selvagem (naked mole rat) é de 31 anos; para a capivara, 15 anos; para a paca, 16 anos. Já o peso corporal das 16 espécies estudadas também é bastante variado: cerca de 20 gramas para um camundongo e média de 55 quilos para as capivaras.

Resultados
Os principais resultados mostram que os níveis de IGF1R apresentaram uma forte correlação negativa com o envelhecimento apenas para o cérebro de roedores e nenhuma correlação com a massa corpórea. "Esses resultados sugerem que a regulação pelo IGF1R ocorre durante o envelhecimento apenas para o tecido nervoso, mas não em tecidos periféricos [pulmão, coração e rins]", esclarece o pesquisador.

Outra constatação deste trabalho dos pesquisadores da FMVZ e da Universidade de Rochester diz respeito ao fato de que alguns vermes, mosquitos e mutantes de camundongos apresentam menor índice do IGF1R conforme envelhecem. "Nosso questionamento era: será que o animal viverá mais se tiver menos IGF1R? Nossa hipótese foi confirmada: animais com longevidade maior apresentam níveis mais baixos do hormônio", diz.

"Estes resultados talvez possam ser úteis para auxiliar na criação de uma droga que atue em períodos diferentes da longevidade em regiões específicas do cérebro, evitando efeitos colaterais nos tecidos periféricos, ou seja, sem que a droga apresente efeitos em outros órgãos", sugere Coppi. "Essa droga poderia potencializar a memória e as funções cognitivas, atuando no sistema límbico e no hipocampo e este tratamento seria válido independentemente do peso corpóreo", aponta hipoteticamente o professor.
 
Isaude.net

Preconceito de médicos com relação ao peso é um desafio para pacientes obesos

Pacientes obesos também enfrentam preconceito no atendimento médico
Foto: Davi Valle/SES MT
Pacientes obesos também enfrentam preconceito no atendimento
médico
Matéria da Associação Médica Americana mostra que profissionais de saúde colocam o peso acima da condição do paciente
 
Durante este verão no EUA, um paciente da capital, Washington, visitou seu ortopedista com queixa de dor no quadril e na virilha. Dor que não respondia aos medicamentos.

A dor estava impedindo a mulher, que tem um índice de massa corporal de acima de 50, de continuar com um programa de perda de peso.

Quando o paciente começou a descrever seus sintomas, o médico ortopedista a interrompeu dizendo que ele não poderia resolver o seu problema. Você precisa perder peso, ele disse a ela. Quando o paciente disse que ela já tinha tido sucesso no programa de perda de peso e continuava a trabalhar neste sentido, o médico não oferecer uma palavra de encorajamento. Ele respondeu: "Bem, você precisa perder mais peso."

Segundo a matéria divulgada na Associação Médica Americana, o ortopedista não avaliou o quadril ou fez um exame físico, tocando a paciente apenas quando apertou a mão dela na despedida. A conversa deixou a paciente em lágrimas na sala de exame.

"Tudo o que ele viu foi o meu peso", disse a mulher, ao especialista Scott Kahan, responsável pelo Centro Nacional de Peso e Bem-Estar, na capital americana.

"Eu ouço coisas como esta o tempo todo de meus pacientes. Os médicos devem ser capaz de ver para além do peso e considerar todos os fatores que podem contribuir para problemas de saúde de seus pacientes," afirma Kahan.

A luta dos pacientes obesos para perder peso é assolada por uma sociedade que destaca supermodelos magras e, ao mesmo tempo, incentiva uma vida sedentária com refeições rápidas baratas e de alto teor calórico. Mais de um terço dos adultos dos EUA são classificados como obesos, e pesquisas da Universidade Harvard mostram que esta taxa vai ultrapassar os 40% em 2050.

No consultório médico
Ao mesmo tempo um crescente número de pesquisas mostra que os pacientes obesos que procuram apoio e incentivo em consultórios médicos, tem que enfrentar verdadeiras batalhas contra o preconceito do profissional de saúde com relação ao seu peso.

Para alertar estes profissionais e os estudantes de medicina que não admitem este problema, pesquisadores desenvolveram uma ferramenta. O "Weight Implicit Association Test" (Teste de Associação Implícita com relação ao peso) pede aos participantes que comparem imagens de pessoas magras ou gordas com palavras negativas ou positivas. Quanto mais rápidas as ligações do tipo de pessoa com um atributo negativo, mais forte a atitude negativa inconsciente. O instrumento de pesquisa validado foi utilizado para medir preconceitos implícitos relacionados com a raça, idade, gênero, sexualidade e outras áreas.

A grande maioria das pessoas que realizaram o teste disponível na Web apresentam uma forte preferência por pessoas magras, associando as pessoas gordas com palavras negativas. Cerca de 2.3 mil médicos participantes apresentaram quase o mesmo resultado que a população em geral, segundo um estudo publicado em novembro de 2012 na revista PLoS One.

Um estudo realizado com 620 médicos norte-americanos descobriu que mais da metade viam os pacientes obesos como desajeitado, pouco atraente, feio e com dificuldades de adesão ao tratamento. Este levantamento foi publicado em outubro de 2003, no periódico Obesity Research.

As conclusões sobre a comunicação dos médicos com pacientes obesos também são desanimadoras. Pesquisa publicada em 20 de março na revista Obesity analisou as gravações de áudio de visitas ao consultório entre cerca de 39 médicos de cuidados primários e 208 pacientes. Os médicos eram 35% menos propensos a demonstrar relação emocional com os pacientes com sobrepeso e obesidade do que com seus pacientes de peso normal. Por exemplo, os médicos não mostravam expressões de empatia, preocupação, confiança, parceria ou envolviam-se em conversa social, como perguntar sobre o jogo de futebol, com estes pacientes.
 
Isaude.net

Novo biomarcador para doença de Parkinson pode estar debaixo da pele

Imagem ilustrativa de paciente com Mal de Parkinson
Pesquisadores da Harvard Medical School estão usando biópsia da pele para detectar a proteína Alfa-sinucleína
 
Pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), da Harvard Medical School, descobriram que os níveis elevados de uma proteína do sistema nervoso chamada alfa-sinucleína podem ser detectados na pele de pessoas com doença de Parkinson (DP).

Eles sugerem que a proteína pode servir como um biomarcador da doença, contribuindo para identificá-la antes do aparecimento dos sintomas.

Segundo Roy Freeman , autor do estudo, a Alfa-sinucleína ocorre em todo o sistema nervoso e embora ainda não se saiba muito sobre sua ação, já foi identificado que ela é o principal componente dos aglomerados anormais de corpos proteicos (corpos de Lewy) que se formam dentro das células do cérebro de pessoas com a doença de Parkinson . Há também evidências que sugerem que a proteína desempenha um papel chave no desenvolvimento da doença.

"A deposição da alfa-sinucleína ocorre precocemente no curso da doença de Parkinson, precedendo o início dos sintomas clínicos, " afirmam os pesquisadores.

Já existe uma visão de que os sintomas ligados ao sistema nervoso autônomo, tais como mudanças na temperatura, na regulação da pressão arterial e da função intestinal, podem preceder os sintomas do sistema motor comum em pessoas com Parkinson.

Estas alterações sistema nervoso autônomo também são refletidas na pele, com sinais como sudação excessiva ou diminuída, modificações na cor da pele e na sua temperatura. Estes sintomas ocorrem em quase dois terços dos pacientes com doença de Parkinson, afirma professor Freeman.

"A pele pode fornecer uma janela de acesso para o sistema nervoso. Com base nestas observações clínicas, decidimos testar se o exame dos nervos numa biópsia da pele pode ser utilizado para identificar um biomarcador de Parkinson, " completa.

Apesar de ser a doença neurodegenerativa mais frequente nos EUA, onde afeta mais de 1 milhão de pessoas , o Parkinson é difícil de diagnosticar. Sem testes clínicos padrão, a doença é frequentemente diagnosticada somente quando os sintomas como tremores e rigidez aparecem, momento em que muitos neurônios já foram destruídos.
 
Isaude.net

Justiça transfere pacientes do SUS para rede particular

Dois pacientes que aguardavam atendimento na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) foram transferidos para leitos de um hospital particular por determinação da Justiça de Bauru, no interior de São Paulo.
 
Acomodados em macas do Pronto-Socorro Municipal e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), da Vila Ipiranga, os dois pacientes esperavam por leitos de internação havia mais de dois dias. Como os gestores da saúde no município não disponibilizaram os leitos, a Justiça determinou a remoção. Levantamento do Ministério Público Estadual (MPE) constatou que 581 pacientes morreram enquanto esperavam por vagas na fila do SUS de Bauru entre 2009 e 2013.

A transferência foi determinada pela juíza Regina Aparecida Gonçalves, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, que em 29 de agosto concedeu liminar ao MPE proibindo o Estado de São Paulo, o município e a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), que administra os hospitais públicos na cidade, de recusar atendimento. Pela liminar, os gestores da saúde são obrigados a oferecer os leitos imediatamente após a solicitação da equipe médica. "Se isso não ocorrer em 24 horas, a Justiça determina a transferência para a rede privada. E foi o que aconteceu com dois pacientes até agora", explica o promotor da Defesa da Cidadania de Bauru, Fernando Masseli Helene.

Os pacientes foram transferidos para o hospital Beneficência Portuguesa, de Bauru. Eles terão o tratamento médico custeado com recursos de uma verba de R$ 200 mil, do Estado de São Paulo, bloqueada pela Justiça. O bloqueio também foi determinado pela juíza Regina Aparecida Gonçalves para garantir o pagamento dos hospitais particulares chamados para suprir a falta de vagas do SUS. "Nas reuniões que fizemos com os gestores definimos que o Hospital Beneficência é o único de Bauru com um número razoável de leitos clínicos e de UTI disponíveis", disse Helene.

O primeiro paciente transferido para o Beneficência Portuguesa, na sexta-feira, 04, foi um homem de 47 anos, vitima de um acidente vascular cerebral (AVC), portador de diabetes e hipertensão. Com problemas de circulação, ele seria submetido a exames nesta terça-feira, 08, para saber se passaria por cirurgia para amputação dos dedos do pé direito.

O segundo paciente é um idoso de 76 anos, que foi transferido na tarde de segunda-feira para um leito clínico no mesmo hospital. Cardiopata, ele esperava pelo atendimento na fila havia mais de 58 horas. Até a tarde desta terça-feira, segundo o promotor, os custos do tratamento dos dois pacientes estavam em torno de R$ 2 mil.

"A transferência é decidida por um corpo médico que avalia o estado de saúde dos pacientes e a necessidade de internação imediata", explicou o promotor. Segundo ele, embora a Justiça tenha determinado a transferência de dois pacientes, a liminar está apresentando resultados positivos. "Depois da liminar, constatamos que houve uma grande redução no número de pessoas que esperam por vagas na fila SUS. Era comum a fila ter 40 ou 50 pessoas, hoje em dia o número é bem menor", diz.

A lista de pacientes da fila é disponibilizada diariamente no site da Prefeitura de Bauru. Por ela, sete pessoas estavam à espera das vagas na tarde desta terça-feira. A Secretaria de Saúde e a Procuradoria Geral do Estado não responderam aos e-mails enviados pela reportagem.
 
Estadão

Especialistas indicam os brinquedos certos para cada faixa etária da criança

Especialistas indicam os brinquedos certos para cada faixa etária da criança Emerson Souza/Agencia RBS
Foto: Emerson Souza / Agencia RBS
Ganhar um presente não indicado para a faixa etária pode ser
 um risco para a criança
Necessidades e desejos das diferentes fases da infância devem ser considerados
 
O Dia da Criança está chegando e, neste dia, muitos pais optam por comprar brinquedos para seus filhos. A escolha do presente certo deve ir além do desejo das crianças, alertam os pediatras. Ganhar um presente não indicado para a faixa etária pode ser um risco.
 
Conforme a pediatra membro da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul Lúcia Diehl da Silva, o maior perigo está em brinquedos com peças de fácil remoção, principalmente entre bebês e crianças pequenas.
 
— Peças de aproximadamente dois centímetros já são suficientes para fazer uma criança engasgar e sufocar. Por isso, é essencial este cuidado. Além disso, é necessário tomar precauções com presentes como bicicletas, skates e patinetes. A partir dos três anos, uma criança pode ter a primeira bicicleta com rodinhas, mas sempre utilizando itens de segurança indicados — explica.
 
Há alguns lembretes indicados por pediatras para os presentes. Para bebês menores de 18 meses, os brinquedos devem ter peças grandes que não possam ser engolidas, devem ser leves para manusear, sem pontas ou bordas afiadas e ter cores vivas.
 
Para crianças entre três e seis anos, é importante manter um mundo particular com um brinquedo favorito, que lhe dê a sensação de segurança e companhia. Uma boneca ou um ursinho de pelúcia ajudam muitas crianças a superarem momentos difíceis de sua vida infantil.
 
Para os pequenos entre seis e nove anos, os jogos eletrônicos dirigidos a esta faixa etária classificados como "educativos" são indicados, e atraem muita atenção. Eles são criados para ajudar as crianças no aprendizado de conceitos específicos através de desafios como formar palavras, igualar letras do alfabeto com objetos diversos ou até aprender a manejar dinheiro brincando com notas e moedas.
 
Além disso, muitos jogos oferecem níveis progressivos de dificuldade e ajudam a desenvolver habilidade e coordenação, além de uma compreensão do significado da estratégia no relacionamento humano, em geral através da competição.
 
Veja quais são os brinquedos indicados pelos especialistas de acordo com a faixa etária:
 
Bebês de colo e que engatinham
Brinquedos que trabalhem as percepções sensoriais (olfato, paladar, som, tato e visão). Os bebês aprendem com seus brinquedos noções de tamanho, forma, som, textura e como funcionam as coisas.
 
Bebês menores de 18 meses
Brinquedos vistosos e leves, de várias texturas, estimulam os sentidos da visão, da audição e do tato. São indicados móbiles, chocalhos, brinquedos com guizo para apertar ou um trapézio de berço para exercitar-se. Além disto, nesta idade, os bebês começam a apreciar livros com ilustrações de objetos familiares.
 
Assim que começam a engatinhar ou a caminhar, os brinquedos mais estimulantes e divertidos são os de empurrar e puxar, de montar e desmontar, bonecas e bichinhos de pelúcia.
 
Crianças de 18 a 36 meses
Brinquedos que ativem o movimento corporal como um carrinho grande para puxar, subir ou levar brinquedos. Também são boas opções os brinquedos para o ar livre, como bolas, brinquedos infláveis, espelhos d'água ou caixas de areia com pás e cubos.
 
Algumas habilidades psicomotoras, incluindo a coordenação entre o olho e a mão e o desenvolvimento da habilidade dos dedos e das mãos podem ser estimulados com brinquedos de montar e desmontar, blocos de tamanhos e formas diferentes, assim como jogos e quebra-cabeças simples.
 
Instrumentos musicais como pandeiros, pianos, trombetas e tambores, discos musicais e de contos infantis também são indicados.
 
Crianças de três a seis anos
Brinquedos que trabalhem com o faz-de-conta, que façam a criança desempenhar papel de adulto. Fantasias e equipamentos que ajudem em seu mundo imaginário são importantes nesta etapa. Entre eles, lojas em miniatura com dinheiro de brinquedo, caixa registradora e telefone, cidadezinhas, fortes, circos, fazendas, posto de gasolina, fantoches, bonecas e casas de boneca com móveis.
 
A capacidade de visualização e treinamento da memória, necessária para desenvolver a inteligência, pode ser exercitada por meio de jogos que exigem o uso da imaginação ou cálculo mental, tais como os jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro e jogos de palavras e memória criados especialmente para esta faixa etária.
 
Os brinquedos ao ar livre, como veículos com rodas e a primeira bicicleta com rodinhas de apoio são apropriados a esta etapa.
 
Crianças de seis a nove anos
Os jogos de tabuleiro, as bolinhas de gude e os brinquedos de armar colaboram no aprendizado das normas sociais. Nesta idade, ser aceito pelos companheiros é muito importante e o jogo corporal encontra expressão em diversos esportes ao ar livre.
 
A convivência social se sofistica através de jogos de tabuleiro, de cartas e jogos eletrônicos, principalmente os que exigem decisões estratégicas e conhecimentos adquiridos na escola.
 
Os jogos eletrônicos e videogames, o pingue-pongue e o bilhar são muito populares nesta idade, assim como a arte dramática e as representações teatrais. A pintura, escultura, cerâmica e outras formas de expressão artística, assim como instrumentos musicais, livros e discos, continuam despertando a atenção.
 
Adolescentes
Após os 12 anos, existe um interesse crescente dos jogos eletrônicos e videogames mais complexos que, em geral, são considerados para toda a família. Jogos de tabuleiros e de aventuras, particularmente aqueles do tema 'negócios' também são indicados para a faixa etária.
 
Zero Hora

Consumir mais calorias no café da manhã pode ajudar mulheres com problemas de infertilidade

Consumir mais calorias no café da manhã pode ajudar mulheres com problemas de infertilidade Jessé Giotti/Agencia RBS
Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS
O experimento foi realizado em 60 mulheres, durante 12 semanas
Os benefícios são observados naquelas que sofrem da Síndrome dos Ovários Policísticos
 
Um novo estudo, feito por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade de Tel Aviv, revelam que comer uma boa refeição pode ter um impacto positivo em mulheres com problemas de infertilidade.

A pesquisa, conduzida pelo professor Oren Froy, diretor do Centro de Pesquisa Nutrigenômico e de Alimentação Funcional na Faculdade Robert H. Smith de Agricultura, Alimentos e Meio-Ambiente da Universidade Hebraica; Ma'ayan Barnea; Daniela Jocabovitz e Julio Weinstein , da Universidade de Tel Aviv e do Centro Médico Wolfson, mostra que um café da manhã reforçado aumenta a fertilidade entre as mulheres que sofrem de irregularidade menstrual, causada pela Síndrome dos Ovários Policísticos.

O problema afeta aproximadamente 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva, interrompendo suas capacidades de gestação. A síndrome cria uma resistência a insulina, provocando um aumento nos hormônios masculinos — o androgênio —, podendo causar também irregularidades menstruais, perda de cabelo e aumento de pelos corporais, acne, problemas de fertilidade e diabetes futura.

O experimento foi realizado no Centro Médico Wolfson em 60 mulheres durante 12 semanas. Elas tinham entre 25 e 39 anos, Índice de Massa Corporal (IMC) perto de 23 e sofriam da Síndrome dos Ovários Policísticos. Elas foram divididas em dois grupos, e permitidas a consumir 1800 calorias diárias. Metade delas consumiu mais calorias durante o café da manhã — aproximadamente 980 —, enquanto a outra metade durante o jantar.

Os pesquisadores examinaram, então, se o horário em que é feita a maior refeição diária afeta a resistência a insulina e o aumento nos andrógenos entre esse grupo de mulheres.

Os resultados, publicados recentemente no jornal Clinical Science, mostraram melhores índices para o grupo que consumiu um café da manhã mais reforçado. Neste, os níveis de glicose e resistência à insulina diminuíram 8%, enquanto que no outro não houve alterações.

Outra descoberta mostrou que, entre o "grupo do café da manhã", os níveis de testosterona diminuíram cerca de 50%, enquanto no outro manteve-se neutro.

Além disso, houve um grande aumento da taxa de ovulação, em comparação com o grupo que consumiu mais calorias no jantar, indicando que a ingestão de um café da manhã reforçado pode levar a um aumento no nível de fecundidade entre as mulheres com ovários policísticos.
 
Zero Hora

Aumento no consumo de açúcar é um problema para a saúde

Aumento no consumo de açúcar é um problema para a saúde Stock Photos/Divulgação
Divulgação
Especialistas defendem que deve-se abrir mão do açúcar
 industrializado
Pesquisa realizada pelo IBGE revela que 61% da população brasileira consome açúcar em excesso
 
Cáries, obesidade e diabete. Essas são algumas das doenças que podem ser causadas ou agravadas pelo consumo do açúcar - substância cujo conceito de excesso varia conforme a pessoa. Embora o açúcar esteja presente em frutas (frutose) e no leite (lactose), é o produto processado, obtido a partir da cana-de-açúcar, que mais preocupa os especialistas em saúde. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que o setor público gasta, anualmente, R$ 488 milhões com o tratamento de doenças associadas à obesidade.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de açúcar livre, que inclui tanto a substância presente nas frutas e no leite quanto o produto processado, não chegue a 10% das calorias consumidas por uma pessoa adulta ao longo de todo o dia. O problema é conseguir medir isso, para não extrapolar o limite recomendável. Tanto que, segundo o Ministério da Saúde, a Pesquisa de Orçamentos Familiares, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2008 e 2009, revelou que 61% da população brasileira consomem açúcar em excesso.
 
A endocrinologista Monalisa Azevedo diz que, apesar do valor nutritivo, as pessoas poderiam abrir mão do açúcar. A eliminação, entretanto, não é necessária, nem há qualquer recomendação médica neste sentido.
 
— O açúcar não é um alimento essencial. Podemos abrir mão de seu consumo porque seu nutriente, a glicose, está presente em uma série de outros alimentos compostos por carboidratos, como o arroz e o feijão. Agora, se ingerido em pequenas quantidades, o açúcar não é um veneno — afirma.
 
Ela alerta, contudo, que a quantidade recomendável varia de pessoa para pessoa, de acordo com fatores como a condição geral de saúde e a faixa etária de cada um.
 
Para Monalisa, é importante que os consumidores sejam informados sobre a adição de açúcar em alimentos industrializados e que as autoridades públicas estudem os níveis recomendáveis, como no caso do sódio.
 
— Este é um debate importantíssimo e há exemplos de produtos como alguns sucos em caixinha e refrigerantes que têm que ser melhor estudados. Sempre lembrando que não há, hoje, nenhuma orientação e que não prescrevemos a erradicação do consumo do açúcar, embora restringir a quantidade ingerida seja recomendável para todos - da mesma forma como recomendamos a redução dos produtos industrializados que, sempre que possível, devem ser substituídos por alimentos naturais, como frutas, fonte de açúcar natural — explicou.
 
Já o historiador e escritor Fernando de Carvalho, é radical. Diabético, ele defende o fim do uso do açúcar para todos. Em seu libelo contra o produto, "O Livro Negro do Açúcar", disponível na internet, Carvalho alerta que, com o tempo, praticamente todos os alimentos industrializados, até mesmo o pão francês, foram sendo modificados pela adição de açúcar, criando o que chama de 'a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas'. A finalidade foi torná-los mais agradáveis ao paladar contemporâneo. O problema é que nem sempre isso é informado aos consumidores.
 
Em entrevista, Carvalho apontou que, nos últimos anos, houve um avanço no tocante ao surgimento e a popularização de alimentos de baixo teor calórico, o que ajudou a despertar a atenção de muitos consumidores. De acordo com ele, contudo, há um movimento contrário.
 
— O poder econômico da indústria do açúcar é muito grande. Uma deputada chegou a propor uma lei obrigando as empresas a informar o risco de alguns de seus produtos causarem cáries. Não passou de uma proposta — comentou Carvalho, que critica a falta de leis que controlem o excesso nos alimentos e informem o risco da substância para os consumidores.
 
Agência Brasil

Parlamento Europeu reforça legislação para lutar contra o tabagismo

Parlamento Europeu reforça legislação para lutar contra o tabagismo Divulgação/Divulgação
Divulgação
Objetivo da nova legislação é tornar os cigarros menos atraentes
 entre os jovens
Cigarros aromatizados serão proibidos no continente, enquanto os mentolados terão um prazo de oito anos
 
O Parlamento Europeu adotou nesta terça-feira uma nova legislação destinada a tornar menos atrativos os produtos do tabaco, que tem por objetivo desencorajar o consumo entre os jovens, mas rejeitou que os cigarros eletrônicos sejam vendidos exclusivamente em farmácias.
 
O cigarro eletrônico não será considerado um medicamento, definiram os eurodeputados, e continuarão sendo vendidos em lojas especializadas ou de venda de produtos de tabaco.
 
A maioria dos eurodeputados de direita rejeitou uma proposta da Comissão Europeia para que o cigarro eletrônico, cujos efeitos sobre a saúde não são conhecidos, fosse considerado um medicamento. A venda deste tipo de cigarros estará proibida aos menores de idade, assim como sua publicidade.
 
O texto, que ainda deve ser submetido aos representantes dos 28 países membros da UE antes de sua entrada em vigor, prevê igualmente que 65% da superfície dos pacotes de cigarros esteja repleta de mensagens de advertência. A marca da empresa aparecerá na parte inferior da embalagem.
 
Os cigarros "slim" continuarão à venda, contra a posição da Comissão.
 
Já os cigarros aromatizados serão proibidos, mas os mentolados terão um prazo de oito anos antes da promulgação da lei.
 
AFP

Projeto verão: 15 alimentos que ajudam a combater a celulite

Combater a celulite pode ser um prazer: consultamos especialistas que recomendam 15 alimentos que são deliciosos e, de quebra, ajudam a acabar com os furinhos
 
Uma das grandes preocupações estéticas das mulheres é a celulite. Como ela surge por diversos motivos - fatores hormonais, genéticos, excesso de peso - é muito difícil escapar dela. Mas exercícios, cremes e tratamentos estéticos ajudam a diminuir a quantidade de celulite e melhorar a aparência da pele.
 
Outro grande aliado no combate à celulite está no prato. Alimentos ricos em fibras e vitaminas, com antioxidantes e propriedades anti-inflamatórias ajudam a reduzir a celulite. E sabe o que é melhor?
 
Os alimentos são gostosos eajudam o organismo a ficar mais saudável e regulado. Conversamos com as nutricionistas Marcela Sansone, Pâmela Miguel e Fernanda Granja e separamos 15 itens que não podem faltar na sua dieta.
 
A banana é rica em potássio, que estimula a drenagem linfática do organismo, e em fibras, que regulam o intestino, diminuindo a absorção de gorduras.
 
O abacaxi é rico em uma enzima chamada bromelina, que age como anti-inflamatório, e em fibras. A celulite é um processo inflamatório, por isso a eficácia da bromelina.
 
O abacate é rico em glutationa e ômega 9, dois anti-inflamatórios. O ômega 9 também auxilia no controle do hormônio cortisol evitando o acumulo de gordura no organismo.
 
A maçã é rica em pectina, um carboidrato que ajuda a regular a absorção de gorduras e de glicose no organismo. Liberando menos insulina, diminui-se as inflamações.
 
As frutas vermelhas são riquíssimas em vitamina C e A, que combatem radicais livres por serem antioxidantes, fortalecem os vasos sanguíneos e diminuem a produção de insulina.
 
A carne de peixe, principalmente de salmão, sardinha e atum, é rica em ômega 3 - um antioxidante - e em proteínas, ao mesmo tempo em que tem pouca gordura.
 
As frutas oleaginosas, como nozes, amêndoas e castanha-do-pará, são ricas em vitamina E e ômega 3, antioxidantes. São ótimas para lanchinhos entre refeições.
 
A semente de girassol é um dos grandes aliados de um sistema digestório saudável e, portanto, menos celulite. Isso acontece por ela ser riquíssima em fibras.
 
A soja possui isoflavona, que ajuda a regular os níveis de estrogênio no organismo da mulher. Esse hormônio, quando em excesso, faz aparecer mais celulite.
 
A semente de linhaça é rica em ômega 3, antioxidante que aumenta a quantidade de gorduras boas.Também reduz inflamações e ajuda a regular o intestino.
 
Chá de cavalinha e de centelha asiática são diuréticos que ajudam o organismo a eliminar toxinas e, por isso, resultam em menos inflamações como a celulite.
 
Couve-flor é rica em fibras e antioxidantes, regula o intestino e ajuda a balancear a absorção de gordura. Também é diurética, ajudando a eliminar toxinas.
 
A goiaba é uma das poucas frutas não-cítricas que são extremamente ricas em vitamina C, que é antioxidante e ajuda a balancear a absorção de gorduras.
 
O chá verde é conhecido por suas propriedades antioxidantes e diuréticas, mas também é regulador hormonal, sendo um ótimo aliado no controle da celulite.
 
Leguminosas como feijão, ervilha e lentilha são ricos em fibras e em magnésio, potássio e zinco, que ajudam na fluidez do sangue e no bom funcionamento do intestino.
 
Delas

Taxa de depressão pós-parto é maior em hospital público de São Paulo

Embora com menor peso, fatores como mais filhos, existência
 de filhos de relacionamentos anteriores, gravidez não desejada,
menarca precoce e menor idade materna também contribuíram
 para a depressão
Baixa escolaridade, pouco apoio social, conflitos conjugais e episódios anteriores de depressão foram os fatores mais correlacionados ao surgimento do transtorno
 
Estudo realizado com 273 mulheres que deram à luz em um hospital público de São Paulo revelou uma prevalência de depressão pós-parto cerca de duas vezes maior que a média mundial descrita na literatura científica. Os resultados mostram ainda que, no primeiro ano de vida, os filhos das mães deprimidas apresentavam prejuízos no desenvolvimento.
 
A investigação foi conduzida no âmbito de um Projeto Temático FAPESP coordenado por Emma Otta, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP).
 
Segundo Otta, a pesquisa foi desenvolvida a partir do enfoque teórico e metodológico da etologia, ciência que estuda o comportamento animal. A perspectiva evolucionista orientou a formulação das várias hipóteses investigadas, como a relação entre a notável dependência do bebê humano, sua predisposição natural para a formação de vínculos (apego e intersubjetividade primária) e a necessidade de imersão em um grupo familiar e cultural para o desenvolvimento cognitivo. Também foi investigada a influência das dificuldades do ambiente social e afetivo sobre as estratégias de investimento parental e de desenvolvimento infantil.
 
“O tipo de rede de apoio nas diversas fases do ciclo de vida reprodutiva da mãe pode influenciar o investimento parental e a ocorrência de depressão pós-parto", disse Otta. Segundo ela, o Projeto Temático visou ao entendimento dessa rede de determinantes e das possíveis funções adaptativas das reações depressivas e dos efeitos das características da interação mãe-bebê no desenvolvimento, com especial atenção ao desenvolvimento neuropsicomotor e cognitivo da criança, envolvendo a linguagem, a empatia e os comportamentos pró-sociais.
           
Foram recrutadas, inicialmente, cerca de 400 gestantes que realizaram consultas de pré-natal em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Bairro do Butantã e cujo parto estava previsto para ocorrer no Hospital Universitário (HU-USP) entre setembro e dezembro de 2006. Destas, 273 deram à luz no HU e foram incluídas no estudo.
 
As mulheres e seus filhos foram acompanhados durante os três anos seguintes ao parto. Durante esse período, diversas entrevistas foram realizadas com o intuito de avaliar a interação entre mãe e bebê, a presença de sintomas depressivos nas mulheres, a percepção materna sobre o relacionamento com a criança e o desenvolvimento infantil. Uma primeira filmagem foi feita ainda na sala de parto, na primeira interação mãe-bebê.
 
Na avaliação realizada no quarto mês após o parto, as 150 mulheres que ainda participavam do estudo preencheram um questionário de rastreamento para depressão pós-parto e 28% demonstraram sinais do transtorno. Segundo Otta, o índice médio mundial descrito na literatura científica varia entre 10% e 15%.
 
Em um estudo integrado ao Temático, cujos resultados devem ser publicados em breve, os pesquisadores compararam os dados das mulheres que deram à luz no HU-USP com o de 257 mulheres que tiveram seus filhos em um hospital privado de alto padrão da capital. Nesse segundo caso, a prevalência de depressão pós-parto na amostra foi de 7% – abaixo da média mundial.
 
Nas duas amostras, os recém-nascidos apresentaram condições de saúde semelhantes. A idade da mãe, a escolaridade, o número de visitas pré-natal e de cesarianas foram maiores entre as mães do hospital privado.
 
“Embora os indícios de depressão fossem menores dependendo do hospital ou do nível socioeconômico, as variáveis mais importantes, segundo o modelo estatístico utilizado na análise, foram escolaridade e apoio social”, contou Maria de Lima Salum e Morais, pesquisadora do Instituto de Saúde de São Paulo – órgão vinculado à Secretaria do Estado de Saúde.
 
Outros fatores que mostraram forte correlação com o risco de depressão pós-parto foram a frequência e a gravidade dos conflitos com o parceiro – maior na amostra do hospital público – e a ocorrência de episódios anteriores de depressão.
           
“Um número maior de mães na amostra do hospital privado relatou ter passado anteriormente por consultas e tratamento para depressão, talvez porque essas mulheres tenham mais acesso a serviços de saúde. Na amostra do hospital privado, todas as mães com depressão pós-parto relataram ter vivenciado episódios anteriores de depressão”, disse Morais.
 
Para Otta, é possível que apenas parte das mulheres diagnosticadas nas duas amostras tenha de fato desenvolvido depressão pós-parto. “Algumas possivelmente já tinham depressão e o problema permaneceu ou retornou após o nascimento do filho”, afirmou.
 
Outros fatores de risco para depressão pós-parto identificados na pesquisa, porém com menor peso, foram um maior número de filhos, a existência de filhos de relacionamentos anteriores, maior número de crianças morando na mesma casa, gravidez não desejada, rejeição na infância, menarca precoce e menor idade materna. Os dados foram publicados no Boletim do Instituto de Saúde.
 
Consequências
O impacto da depressão pós-parto na relação entre mãe e filho e no desenvolvimento infantil foi avaliado mais profundamente na amostra do hospital público. Os pesquisadores usaram protocolos para avaliar, entre outros fatores, a disponibilidade emocional materna, o estilo de apego da criança à mãe e seu desenvolvimento neuropsicomotor.
 
As mães eram filmadas enquanto interagiam com seus filhos em uma sala de observação do laboratório. Em seguida, os pesquisadores entrevistavam as mulheres para conhecer sua percepção sobre o relacionamento com a criança.
 
“As mulheres com depressão, em geral, se achavam piores mães. Diziam que o bebê dava mais trabalho, que elas tinham mais dificuldades nos cuidados com a criança, eram mais impacientes e dedicavam menos tempo ao filho. Mas quando os vídeos foram analisados por avaliadores que desconheciam a condição psicológica materna, de acordo com a escala de disponibilidade emocional de Biringen, não foi percebida diferença entre as mães com e sem depressão. Isso significa que a sintomatologia depressiva não interferiu significativamente na qualidade da interação mãe-bebê aparente para um observador externo”, contou Otta.
 
Essas análises foram realizadas durante o trabalho de pós-doutorado de Vera Regina Jardim Ribeiro Marcondes Fonseca. Os resultados foram divulgados em artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública.
 
Em outro estudo, realizado durante o mestrado de Renata de Felipe, sob orientação de Vera Silvia Bussab, também vinculado ao Temático, observou-se que as mães com depressão pós-parto vocalizavam menos com seus bebês, principalmente quando tinham outros filhos.
 
De Felipe também relatou que o padrão de interação das mães sem depressão com seus filhos era mais consistente e aquelas que verbalizavam mais também sorriam mais e olhavam mais para seus bebês. Essa correlação entre verbalização, sorriso e olhar não foi observada entre as mães com depressão.
 
Desenvolvimento infantil
Durante as observações feitas aos quatro meses, os pesquisadores notaram que os filhos das mulheres com depressão pós-parto procuravam menos o olhar da mãe. No entanto, não houve nesse momento diferença no desenvolvimento neuropsicomotor entre os dois grupos.
 
Quando as crianças completaram 12 meses, foi aplicado o procedimento da Situação Estranha de Ainsworth, que busca avaliar o estilo de apego da criança à mãe e seu grau de segurança. A análise dos vídeos mostrou que os filhos de mães depressivas exploravam menos a sala, manipulavam menos os brinquedos e apresentavam mais movimentos repetitivos com as mãos, braços e cabeça quando interagiam com uma pessoa estranha na ausência temporária da mãe.
 
Essa análise foi realizada durante o trabalho de pós-doutorado de Carla Cristine Vicente, com apoio da FAPESP.
 
“Podemos dizer que as crianças apresentaram desenvolvimento típico, mas que algumas diferenças de ritmo foram identificadas. Os filhos de mães com depressão apresentaram um desempenho inferior em desenvolvimento motor fino [manipulação de objetos, movimentos delicados] e motor grosso [andar, subir escadas]. Curiosamente, essas crianças se saíram melhor na avaliação de linguagem do que os filhos de mãe sem depressão. Talvez por terem uma mãe menos responsiva, tivessem de aprender a se expressar mais verbalmente”, contou Tania Lucci, que fez seu mestrado sobre o tema .
 
Durante o Projeto Temático, foram aplicados vários protocolos de pesquisa para avaliação de empatia e comportamentos sociais. Aos 24 meses, foi realizado o teste do Teddy Bear, que busca avaliar a reação das crianças diante de uma pessoa em dificuldades.
 
“Mais de 60% dos bebês tentou ajudar o experimentador quando este começou a chorar depois que o seu ursinho de pelúcia quebrou. Algumas chamaram a mãe e outras chegaram a dar seu próprio brinquedo na tentativa de consolar o pesquisador. Não foi identificada relação com a condição materna”, contou Otta. Esta análise foi realizada durante o mestrado de Gabriela Sintra Rios.
 
Em tarefas de cooperação social, aos 36 meses de idade, os filhos de mães com depressão ignoraram mais o pedido materno para interromper a brincadeira e ajudaram menos a guardar os brinquedos em uma caixa. Além disso, ajudaram menos a pesquisadora em dificuldades.
 
“As crianças filhas de mães sem depressão negociam mais com as mães”, comentou Vera Bussab, orientadora do doutorado de Laura Cristina Stobäus.
 
Avaliou-se também, aos três anos, a compreensão da direção do olhar e da intencionalidade, por meio de desenhos. Quanto maior o escore de depressão das mães, menor a adesão das crianças à tarefa proposta e menor o desempenho. A análise foi feita durante o doutorado de Alessandra Bonassoli Prado, sob orientação de Bussab.
 
Desenvolvimento adequado
No oitavo e último encontro, realizado 36 meses após o parto, 45 pais também participaram das entrevistas e gravaram vídeos de interação com as crianças. A análise dos resultados foi realizada durante o pós-doutorado de Julia Scarano de Mendonça e mostrou que parceiros de mães com depressão pós-parto apresentavam maior envolvimento com as crianças.
 
“Podemos imaginar que o pai esteja compensando a atenção que a mãe não está conseguindo dar”, avaliou Bussab. Os dados foram divulgados em artigo publicado no periódico Family Science.
 
Os pais também responderam uma escala que avalia risco de depressão. Detectou-se uma associação entre a depressão materna e a paterna. Além disso, os pais com mais indicadores de depressão foram também os que se auto avaliavam mais envolvidos com a família.
           
“A associação entre esses dois resultados sugere que a depressão paterna induzida pela depressão materna funciona aumentando o envolvimento do pai com a família, o que corrobora uma hipótese da função adaptativa da depressão que consiste em angariar apoio social”, disse Bussab.
 
Três anos após o parto, 65% das mulheres identificadas no quarto mês com depressão pós-parto ainda apresentavam sintomas depressivos. Para Morais, os resultados reforçam a importância de dar maior atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade social e de criar políticas públicas de prevenção e intervenção precoce.
 
“Ficou claro que o problema é crônico. É uma questão que precisa ser abordada pelos profissionais de saúde na atenção básica, levando em conta aspectos emocionais integrados aos aspectos físicos”, disse Morais.
 
Na opinião da pesquisadora do Instituto de Saúde, além de treinar médicos generalistas para que possam dar maior atenção à saúde mental de seus pacientes, seria recomendável que agentes comunitários acompanhassem de perto as mulheres que apresentam fatores de risco para depressão pós-parto e as estimulassem a participar de grupos de gestantes ou de pós-parto em suas comunidades.
 
“A pesquisa mostrou que as mães com depressão pós-parto lidam com os sintomas de tal forma que conseguem preservar o desenvolvimento adequado do filho. As crianças também têm mecanismos protetores, de resiliência. Ainda assim, encontramos alguns prejuízos no desenvolvimento.
 
Acompanhamos até o terceiro ano de idade, mas existem problemas que podem aparecer mais tarde”, afirmou.
 
O estudo longitudinal e multicêntrico contou com pesquisadores do IP-USP, da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital Universitário da USP, do Centro de Saúde Escola do Butantã e do Instituto de Saúde de São Paulo.

Agência FAPESP

MPRJ pede apuração de responsabilidades por armazenamento de medicamentos vencidos no Rio

Rio de Janeiro – O Instituto de Criminalística Carlos Éboli faz, nesta tarde, perícia em um galpão da prefeitura na zona norte da cidade, para verificar se há no local medicamentos vencidos armazenados pela Secretaria Municipal de Saúde. A denúncia chegou à Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ).
 
Membros da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde e do Grupo de Apoio Técnico Especializado do MP-RJ fizeram ontem (7) uma vistoria no Galpão do Rocha e disseram ter encontrado toneladas de medicamentos e insumos, como seringas descartáveis, respiradores hospitalares e vacinas, fora do prazo de validade e mantidos em condições precárias de higiene e conservação e prejudiciais à saúde. Os remédios foram adquiridos pela secretaria e pelo Ministério de Saúde e eram destinados ao tratamento de doenças como tuberculose e aids e à atenção básica de saúde.
 
Segundo o chefe da Inteligência da Delegacia do Consumidor (Decon), inspetor Marcelo Camarte, que está acompanhando a perícia com os técnicos do Instituto de Criminalística, o local está interditado desde ontem para evitar o desvio dos resultados. “Estamos verificando se os medicamentos estão realmente vencidos. Vamos analisar os lotes e checar se tais produtos foram comprados já vencidos ou venceram ao longo do período em estoque. Além disso, vamos analisar a entrada e a saída das notas fiscais”, explicou.
 
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o galpão é usado exclusivamente para armazenamento de resíduos sólidos, medicamentos e insumos fora da validade, para serem descartados. “O município adquire medicamentos e insumos com margem de segurança, para não haver risco de desabastecimento na rede. A taxa média de descarte é inferior a 1% e, no Galpão do Rocha, há resíduos sólidos de saúde estocados há pelo menos três anos", diz a nota. A secretaria explicou que normas sanitárias determinam que todo o material tem de ser incinerado. Segundo a nota, a licitação para contratação da empresa que fará a incineração dos produtos foi ontem.
 
De acordo com a secretaria, desde julho do ano passado, a Central de Distribuição de Medicamentos e Materiais Cirúrgicos do Rio de Janeiro funciona no bairro de Jacarepaguá, "em instalações modernas”.
 
Também ontem, os promotores de Justiça requisitaram à autoridade policial competente a instauração de uma investigação criminal, a fim de apurar responsabilidade sobre o material, o controle do estoque e o motivo do desperdício de medicamentos.
 
Agência Brasil

Fenam convoca paralisação nacional de uma hora em protesto contra Programa Mais Médicos

Brasília – A Federação Nacional dos Médicos convocou para ontem (8) mais um dia de protestos "contra a precariedade da saúde pública e do trabalho médico" no país. A ideia é que os sindicatos regionais coordenem a suspensão parcial do atendimento no chamado Dia Nacional de Protestos.
 
No Ceará, o sindicato orientou os profissionais das redes pública e privada a paralisar o atendimento durante uma hora na tarde desta terça-feira. Os médicos devem usar esse intervalo para conversar com a população sobre o trabalho do médico e sobre as dificuldades que encontram no serviço público.
 
A Fenam sugere que seus filiados usem hoje roupas ou faixas pretas, em "alusão ao momento de luto vivido pela categoria", que já fez  muitas críticas e manifestações contra o Programa Mais Médicos, instituído pelo governo federal para levar atendimento de saúde às regiões mais carentes do país.
 
Mais uma vez, a entidade afirma que o programa configura simulação jurídica de ensino, ao ofertar bolsa ao médico formado, em vez de salário e direitos trabalhistas. Em substituição às medidas do Mais Médicos, a Fenam propõe que o governo promova concurso público e crie uma carreira de estado para o médico.
 
A federação escolheu esta data para a manifestação porque ser o dia em que a Câmara dos Deputados programou a votação em plenário da Medida Provisória 621, que instituiu o programa Mais Médicos. 
 
Agência Brasil