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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Cuidados podem evitar propagação de doenças em casos de desastres naturais

enchentes1Além do apoio com medicamentos e insumos do governo federal para cuidar da saúde da população vítima das enchentes, é importante manter outros cuidados pessoais e no ambiente para impedir o ciclo de alguns problemas

A ocorrência de um desastre natural prejudica o funcionamento de uma comunidade ou sociedade. Recentemente, com as chuvas fortes em Pernambuco e Alagoas, 65 municípios foram atingidos deixando mais de 75 mil pessoas desabrigadas e/ou desalojadas, com perdas irreparáveis.

Os desastres de origem natural podem gerar problemas de saúde pública ou interrupção de serviços públicos. Entre eles, estão: contaminação da água, do solo e do ar, desalojamento da população de seus locais de residência e comprometimento ou interrupção dos serviços públicos essenciais, principalmente abastecimento de água.

Esses transtornos podem ocasionar óbitos, ferimentos, traumas, confusão mental, maior risco de diversas doenças infecciosas, como leptospirose, hepatite A, diarreias, dengue, tétano acidental, febre tifoide, cólera, doenças respiratórias e acidentes com animais peçonhentos.

Com o objetivo de fortalecer a assistência prestada à população dos 65 municípios afetados pelas enchentes em Pernambuco e Alagoas, o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, enviou 51 kits de emergência aos dois estados. Os 51 kits correspondem a cerca de 13 toneladas de medicamentos e insumos. Cada kit atende até 500 pessoas por três meses.

Diante de um desastre natural, a Portaria nº 2.365, de 18 de outubro de 2012, define que os estados e municípios podem solicitar suplementação de medicamentos e insumos ao Ministério da Saúde, caso não tenham condições de atender a população local.

O kit é composto por 30 itens de medicamentos (analgésicos, antibióticos, antihipertensivos, antinflamatórios, antiparasitários, antiulcerosos, broncodilatadores, dermatológicos, diuréticos, eletrólitos e soluções, hipoglicemiante oral, reposição volêmica, antibacteriano), e 18 itens de insumos estratégicos (ataduras, cateteres, compressas, equipos, esparadrapos, luvas, máscaras e seringas). Os medicamentos e insumos enviados vão beneficiar a população que vive nos municípios atingidos.

No caso de desastres naturais, além do uso de medicamentos e insumos, fornecidos pelo por público, alguns cuidados também podem ser tomados pela população para prevenir riscos à saúde.

Confira algumas orientações do Ministério da Saúde:

Contaminação da Água
Nas situações de desastres, o sistema de abastecimento de água de um município pode ser atingido e inviabilizar o abastecimento de água por meio da rede de distribuição.

Assim, é necessário a indicação de uma outra forma de abastecimento de água para consumo humano segura para abastecer a população, até que a situação se restabeleça.

Além disso, algumas doenças podem se propagar facilmente em decorrência da contaminação da água e dos alimentos e, ainda, da proliferação de vetores. A água contaminada com patógenos pode causar doenças, tais como: cólera, diarreia, febre tifoide, hepatite tipo A, giardíase, amebíase, verminoses, leptospirose, entre outras.

Assim, a limpeza e da caixa d’água da residência ou do abrigo podem evitar a contaminação da água e, consequentemente, a propagação de doenças para população.

Veja como proceder:

Limpeza e Desinfeção de Caixa D’água Pós enchente
Este procedimento deverá ser realizado caso o sistema de abastecimento de água ou a caixa-d’água tenham sido afetados. Utilize luvas e botas de borracha.

• Feche a entrada de água para a caixa-d’água. Comece a esvaziar a caixa-d’água. Quando a caixa estiver quase vazia, restando mais ou menos um palmo de água no fundo, feche a saída com um pano e utilize a água que restou para a limpeza da caixa d’água e para que a sujeira não desça pelo cano.
• Esfregue as paredes e o fundo da caixa utilizando panos, escova ou esponja. Não usar sabão, detergente e nem esponja de aço.
• Retire a água suja que restou da limpeza com balde e panos, deixando a caixa-d’água totalmente limpa.
• Deixe entrar água na caixa até encher e acrescente 1 litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água.
• Abra as torneiras da residência e deixe escoar um pouco de água para que a canalização seja preenchida com a solução clorada.
• Aguarde por duas horas para que ocorra a desinfecção da caixa d ́água e canalização.Esvazie totalmente a caixa, abrindo todas as torneiras. Essa água poderá ser utilizada para a limpeza do domicílio.
• Tampe a caixa-d’água para que não entrem animais, insetos ou sujeira.
• Abra a entrada de água.
• Anote a data da limpeza e desinfecção do lado de fora da caixa-d’água. A limpeza e a desinfecção deverão ser realizadas minimamente a cada seis meses ou quando necessário. 

Acidentes por Animais Peçonhentos
Assim como o homem em situações de alagamentos, os animais passam a procurar abrigo em locais secos. Alguns animais peçonhentos (como serpentes, aranhas e escorpiões) podem adentrar residências, aumentando, assim, os riscos de acidentes. Ao retornarem às suas moradias, tenham atenção à presença desses animais. Este aviso vale principalmente para a população que mora nas proximidades de áreas verdes e com matagais, cuja atenção deve ser redobrada. Alguns cuidados são essenciais no retorno para casa.

• Evite contato com a água, mas caso seja necessário, esteja atento, pois as serpentes podem estar se deslocando em busca de terra seca. Nas regiões de rios aumentam os riscos de acidentes com animais peçonhentos.
• Ao voltar para casa, entre com cuidado, inspecionando todos os lugares, verificando a presença de animais peçonhentos.
• Sacuda roupas, sapatos, toalhas, lençóis e bata os colchões antes do uso.
• NÃO coloque as mãos em buracos ou frestas. Utilize ferramentas (como enxadas, cabos de vassoura e pedaços de madeira compridos) para mexer em móveis.
• NÃO ande descalço! Limpe o interior e os arredores da casa tomando sempre o cuidado de utilizar botas ou calçados rígidos, com perneira, tendo a certeza de proteção pelo menos até o joelho.
• Durante a limpeza, tome cuidado ao tocar ou pegar qualquer objeto. Fique atento(a) para a presença de serpentes, escorpiões, aranhas e outros animais peçonhentos nas superfícies ou nos cantos.
• Caso detecte a presença de algum animal peçonhento dentro de sua residência, afaste-se lentamente (sem assustá-lo) e entre em contato com a autoridade competente.
• Não toque em animais peçonhentos, nem nos que pareçam estar mortos.

Doenças Infecciosas Respiratórias
Entre as doenças transmissíveis relacionadas a desastres estão as que são transmitidas de pessoa a pessoa, como gripe, sarampo, meningite e tuberculose.

Para evitar o problema alguns cuidados pessoais e com o ambiente também podem ajudar:

Dentro de Casa
Observar para que os quartos ou dormitórios tenham as seguintes condições ambientais:

• Caso tenha algum sistema de refrigeração de ar, deixá-lo com a máxima entrada de ar fresco, bem como manter o sistema com limpeza adequada e realizar a manutenção periódica das redes de filtros. • Estabelecer um plano de limpeza e desinfecção diária de todas as superfícies de mobílias, corrimãos, puxadores de porta e outros equipamentos. Após a limpeza e desinfecção, secar completamente todas as superfícies.

Cuidados pessoais
Lavar as mãos, com água e sabão, principalmente depois de:

• Tossir ou espirrar.
• Após usar o banheiro.
• Antes das refeições.
• Antes de tocar os olhos, boca e nariz

Sempre que tossir ou espirrar, proteja a boca e o nariz com um lenço de papel. Caso não tenha lenço de papel, use a dobra interna do cotovelo. Caso apresente febre, tosse e/ou dor de garganta, procure imediatamente o posto de saúde ou a unidade de saúde.

Blog da Saúde

Piso Nacional Farmacêutico de R$ 4.800,00

O e-Cidadania é um portal criado em 2012 pelo Senado Federal com o objetivo de estimular e possibilitar maior participação dos cidadãos, nas atividades legislativas, orçamentárias, de fiscalização e de representação do Senado

É uma ferramenta isenta de qualquer ligação com partidos políticos, que tem como objetivo a participação cidadã de forma mais direta e efetiva do processo legislativo.

Ideia Legislativa
Foi criada com o intuito de estabelecer conexão entre o povo e a casa legislativa, dando ao cidadão um meio de sugerir novas propostas de leis, altere as que já existem ou aperfeiçoe a Constituição.

As sugestões ficam disponíveis para votação popular durante quatro meses e as ideias que recebem 20 mil apoios são encaminhadas à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), onde são formalizadas como Sugestões Legislativas para serem debatidas pelos senadores e receberem parecer.

A Ideia Legislativa em questão tem como proposta a regulamentação do Piso Nacional no valor de R$ 4.800,00 para os farmacêuticos.

Para votar favorável acesse: www12.senado.leg.br

Curso gratuito aborda emergências cirúrgicas e urológicas

CIEM Pediátrico - Centro Integrado de Emergências MédicasJá estão abertas as inscrições para o terceiro módulo do curso de Emergências Médicas, oferecido pelo Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) para médicos e estudantes de Medicina. Programadas para os meses de julho e agosto, as aulas vão abordar temas ligados à cirurgia e à urologia

Nos dias 11 e 25 de julho, os temas discutidos serão Abdome Agudo e Emergências em Cirurgia Oncológica, respectivamente. Já nos dias 15 e 29 de agosto, as palestras serão sobre Hemorragia Digestiva Alta e Baixa e Emergências Urológicas.

Ministrada pelo chefe do serviço de Cirurgia Hepatobiliar do HSVP, Douglas Bastos, a primeira palestra abordará a dor abdominal aguda, ou seja, aquela que se inicia de forma rápida e inesperada. “Essa é uma das queixas mais frequentes dos pacientes nas emergências médicas e pode ser um sintoma relacionado à diversos diagnósticos, como por exemplo, apendicite aguda ou colecistite”, explica o médico, que é membro da comissão científica do Centro de Estudos do HSVP.

Segundo Bastos – que tem título de especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e mestrado pelo Centro de Ciências da Saúde do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein –, as aulas do curso de Emergências Médicas promovem o debate acerca dos temas que são as maiores demandas das grandes emergências. “Ao abordar esses assuntos por profissionais com grande experiência e que atuam no dia a dia do HSVP, colocamos alunos e médicos recém-formados em contato com uma prática assistencial de excelência e atualizada. Dessa forma, temos um espaço valioso para atualização e debate, além da oportunidade de expormos situações práticas e dúvidas cotidianas”, completa Bastos.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente pelo telefone (21) 2563-2147 ou pelo e-mail comunicacao@hsvp.org.br. As aulas acontecem, sempre às 18h, no Centro de Convenções Irmã Mathilde, na sede do HSVP, que está localizado na rua Dr. Satamini, 333, Tijuca, Rio de Janeiro. Vagas limitadas!

Foto: Reprodução

Nathália Vincentis
Jornalismo
www.sbcomunicacao.com.br

terça-feira, 27 de junho de 2017

Aumentam estatísticas de acidentes com queimaduras no período das férias

QueimaduraA garotada tem muito a comemorar com a chegada do mês de junho

É que com ele chegam as festas caipiras e, no próximo mês, os pequenos estarão de férias escolares. Com isso, os pais precisam ficar em alerta para evitar acidentes graves como queimaduras.

Nas festas caipiras os acidentes podem ocorrer com o uso de balões inflamáveis, fogueiras e caldos quentes, e as férias escolares das crianças, quando muitas delas soltam pipas às vezes em locais com fios de alta tensão, são fatores que podem contribuir para o crescimento de ocorrências neste mês.

O manuseio incorreto de líquidos quentes como óleo e água, são alguns dos vilões que provocam acidentes dentro de casa.

É preciso destacar que as crianças são vítimas mais frágeis a uma queimadura pelo fato de a pele ser mais fina e haver uma camada de gordura menor que nos adultos, deixando os órgãos mais perto da pele, o que pode agravar o ferimento.

No Hospital Estadual Infantil de Vitória (HEINSG), ano passado 167 crianças foram internadas no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) da unidade hospitalar. Este ano, o número de internações até a última segunda-feira (19) já chega a 103 casos.

De acordo com o cirurgião plástico e coordenador do CTQ, Fábio Pimenta, 80% dos casos que chegam ao hospital são por escaldadura por água fervente. Já a segunda principal causa de queimaduras acontece com óleo, em adolescentes, na cozinha.“A maioria das queimaduras acontece no ambiente doméstico (70% a 80%) e pode ser evitada”, disse.

Ele destacou ainda que muitas crianças de colo sofrem queimaduras enquanto as mães estão com elas realizando atividades domésticas na cozinha.“Nessas situações é comum as mães derramarem alimentos e/ou água quente sobre as mesmas ou as crianças (pela proximidade) batem com as mãozinhas nos utensílios domésticos e derrubam sobre elas mesmas. A maioria são queimaduras graves e profundas, geralmente em crianças de colo que se queimaram enquanto a mãe preparava algo no fogão. São situações preocupantes”.

No Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, somente no ano passado foram 882 pessoas foram classificadas com algum tipo de queimadura, e 239 foram internadas.

Este ano, até maio,392 pessoas foram classificadas com queimaduras, e 104 precisaram de internação.

Dicas para evitar acidentes

Nas festas caipiras:
  • Não fornecer fogos de artifícios a menores. Os fogos de artifício e afins devem ser manuseados apenas por profissionais.
  • Mantenha as crianças longe das fogueiras. O melhor é que a diversão aconteça com a pescaria, o jogo de argolas, o pula-pula, acertar a boca do palhaço, entre outros.
Em casa
  • Crianças devem ficar longe do fogão, de preferência fora da cozinha quando o fogão estiver sendo utilizado. Os pais devem ficar atentos às atividades dos filhos.
  • Os cabos das panelas devem ser virados para a parte de dentro do fogão e, se for ferver ou fritar algum alimento, é preferível usar as bocas do fundo do fogão. Isso diminui o risco de a criança esbarrar nas panelas.
  • As tomadas devem ser tapadas, os fios desencapados devem ser protegidos, e os famosos “gatos” evitados, pois podem ser a causa de incêndios e curtos-circuitos. Além de evitar fios soltos pela casa ligados em tomadas.
  • Materiais inflamáveis devem ser mantidos à distância das crianças ou, de preferência, evitados em casa pelos pais. É preferível trocar o álcool líquido pelo mesmo produto em gel, pois este é menos inflamável.
  • As crianças devem ser orientadas durante as brincadeiras. Por exemplo, não devem soltar pipas perto de fios de alta tensão porque, além de causar queimaduras muito graves, pode levar a pessoa à morte. Os campos abertos e sem postes são os locais adequados para isso.
  • Manter a torneira do gás fechada quando o fogão não estiver sendo utilizado e, de preferência, colocar a botija de gás do lado de fora da casa.
 Em caso de acidentes
  • Caso seu filho se queime, não passe nada no local afetado. Pomadas, pasta de dentes, manteiga, clara de ovos ou outras receitas caseiras podem prejudicar mais ainda a ferida.
  • Lave a região por 10 minutos em água corrente e busque atendimento médico.
  • Se a chama atingir as roupas, a vítima deve deitar no chão e rolar. Quem estiver por perto deve cobri-la com um lençol ou pano molhado e levá-la imediatamente ao hospital.
  • Não estoure as bolhas, pois há risco de infecção.
Dados
Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória
  • Em 2016, foram internadas 167 crianças com queimaduras. Este ano, esse número era de 103 até o dia 19 de junho.
  • 80% dos casos de queimaduras em crianças são por escaldadura por água fervente.
  • Nos adolescentes a principal causa de queimaduras é com óleo quente.
  • 70% a 80% das queimaduras que vitimam crianças acontecem dentro de casa.
Hospital Jayme dos Santos Neves
  • Em 2016, foram 882 casos classificados como queimaduras atendidos no Hospital. Foram realizadas 239 internações por queimaduras na unidade hospitalar.
  • Este ano, o hospital já registrou 392 casos classificados como queimaduras e realizou 104 internações por queimaduras.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Saúde

ONU alerta para crescimento do mercado e da variedade de drogas

Em seu relatório, a Organização destacou que há mais tipos de drogas e que estas estão ainda mais disponíveis e potentes

A ONU divulgou nesta quinta-feira o Relatório Mundial sobre Drogas 2017, que mostra que no mundo há mais tipos de drogas e estas estão mais disponíveis e são mais potentes, enquanto o número de consumidores se mantém estável há cinco anos em 250 milhões de pessoas, 5% da população do planeta. Este “florescimento” do mercado das drogas é o aspecto mais destacado do relatório, divulgado em Viena, que aponta que 29,5 milhões pessoas têm transtornos graves pelo consumo dessas substâncias.

Só uma em cada seis pessoas que precisam de tratamento por estes transtornos recebe assistência, a maioria nos países desenvolvidos, critica o documento. “Aumentou a situação de risco para a saúde pela diversificação e a potência de novas substâncias”, explicou Angela Me, coordenadora do relatório, em uma coletiva de imprensa em Viena. A especialista usou como exemplo o fentanil, um novo analgésico em pó 50 vezes mais potentes que a heroína e que causou numerosas overdoses nos EUA nos últimos anos.

“O mercado das drogas continua evoluindo e o número de substâncias segue aumentando”, acrescentou Me, que explicou que a situação muda a uma velocidade tão rápida que é um grande desafio dar uma resposta legal ao mesmo ritmo. Também surgem novas substâncias psicotrópicas que imitam drogas tradicionais de origem vegetal, como os canabinóides sintéticos, que são um risco, porque são muito mais potentes e sua composição pode ser especialmente nociva. Entre 2009 e 2016, a ONU contabilizou 739 destas substâncias, que aparecem e desaparecem com muita rapidez e cujos componentes químicos variam muito.

A ONU calcula que em 2015 houve pelo menos 190 mil mortes no mundo por uso de drogas, um cálculo muito conservador se for considerado que só nos EUA morreram neste mesmo ano 52,4 mil pessoas por overdose. O grupo de drogas mais letais e daninhas são os opioides, como a heroína e os seus análogos sintéticos, que causam, por overdose, a maior parte das mortes. O seu consumo com seringas é além disso especialmente arriscado porque é mais fácil contrair doenças como hepatite C ou o vírus HIV.

Em 2016, a produção mundial de ópio aumentou 1/3 em comparação com o ano anterior, devido, sobretudo, ao grande crescimento das plantações no Afeganistão. O México é o terceiro país por superfície de papoula, com 26,1 mil hectares, e a sua produção ilegal abastece o mercado dos EUA. Quanto à cocaína, ocorreu um aumento da produção, tráfico e consumo no mundo, tanto nas regiões com maior demanda, Europa e América do Norte, como na Ásia, um mercado novo e crescente para esta droga.

“A fabricação mundial de cloridrato puro de cocaína alcançou 1,12 mil toneladas em 2015, o que representa um aumento geral de 25% com relação a 2013”, indica o reporte sobre a quantidade de cocaína pura manufaturada. “É certo que a produção de cocaína aumentou, mas segue sendo menor que há dez anos. Se esta tendência for a longo prazo, é positiva”, disse Angela Me. A ONU fala de dados de análise das águas residuais em certas cidades – detecta assim certos compostos químicos presentes na droga – para indicar que o consumo de cocaína na Europa aumentou pelo menos 30% entre 2011 e 2016.

“O narcotráfico parece ter aumentado ligeiramente em 2015, e os mercados de algumas drogas, especialmente cocaína e substâncias sintéticas, parecem estar prosperando”, afirma o relatório. Perante uma situação que os especialistas da ONU avaliam como sombria, com poucos avanços, Angela Me destacou como aspecto positivo a cooperação internacional e disse que nunca antes tinha sido expropriada tanta droga, que no caso da cocaína chegou a 864 toneladas. No entanto, estes confiscos também indicam que o mercado das drogas está ascensão.

O relatório aponta que o narcotráfico e as vendas de drogas supõe entre 1/5 e 1/3 dos investimentos de grandes grupos transnacionais de crime organizado. Entre as novas tendências, que são um desafio para a luta contra o crime, está o crescimento da venda de drogas na rede escura (“dark net”) ou internet profunda (“deep web”), onde é preservado o anonimato dos participantes. “As comunicações móveis oferecem novas oportunidades aos traficantes, enquanto ‘a rede escura’ permite aos usuários comprar drogas e medicamentos sem se identificar”, conclui a ONU.

Exame