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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Cidades querem restringir visitas de representantes farmacêuticos a unidades de saúde

Governos locais tentam limitar acesso da indústria farmacêutica a médicos da rede pública – e a indústria reage. Um médico conta por que essa relação merece atenção

Havia pouco mais de um ano que o recifense Rodrigo Lima terminara o curso de medicina. Atendia na pequena Gravatá, a 80 quilômetros do Recife, e adotara a prática de distribuir receitas de um medicamento. Era uma droga contra tosse – um incômodo, mas que pode denunciar um problema a ser tratado ou ajudar a expelir secreções de que o corpo precisa se livrar. Em muitos casos, o ideal é deixá-la seguir seu curso. Mas vários pacientes de Lima não contavam com essa opção.

Ele ganhara amostras do medicamento de um representante de vendas de uma empresa que acabara de lançar a droga. Como eram gratuitas, achou por bem distribuí-las. Depois que as amostras acabaram, passou a receitar. “Os pacientes gostaram e, meio no modo automático, passei a receitar para gente que, talvez, nem precisasse”, diz. Lima era médico de uma unidade pública de saúde. Os pacientes, muitos deles pobres, tinham de comprar a droga, mais cara que outras semelhantes. Ela não fazia parte das medicações disponíveis na rede pública.

Em 2003, Lima era recém-formado. Tinha pouco tempo na carreira, mas suficiente para que propagandistas da indústria farmacêutica, como aquele que o apresentou ao medicamento contra a tosse, fossem seus velhos conhecidos. Desde os tempos da faculdade, no Recife, ele os encontrava dentro dos hospitais onde fazia estágio. Em uma das instituições, filantrópica, cada ambulatório tinha um armário carregado de amostras grátis. Os médicos se sentiam bem de poder dar aos pacientes com menos recursos alguns medicamentos. As amostras não ficavam só nos hospitais. Os profissionais, em treinamento ou já formados, também ganhavam. O então estudante Lima levava para casa sacolas carregadas.

“Os parentes me ligavam para pedir remédio, e eu, ainda na faculdade, me sentia importante.” Estudantes de medicina não podem prescrever medicações, mas as informações dadas pelos representantes ajudavam Lima a saber como indicar. “É com essas informações que os médicos jovens formam seu arsenal terapêutico e se habituam com as marcas que passarão a usar”, diz. Havia também os eventos, promovidos por empresas farmacêuticas em churrascarias badaladas do Recife. “Como estudante, ia feliz da vida com a boca-livre.”

Havia primeiro uma apresentação das novidades: lançamentos, estudos para reforçar ou ampliar a indicação de drogas. Depois, o jantar. Farto. Hoje, Lima, de 39 anos, atende como médico de família em uma unidade pública de saúde nos arredores de Brasília. Ainda observa a relação estreita entre médicos e representantes da indústria farmacêutica. Mas sabe que, ao menos, no Distrito Federal esse relacionamento anda complicado. Uma lei que entrou em vigor em junho proíbe a presença de propagandistas em unidades públicas de saúde no horário de atendimento ao público. “A lei nos marginalizou”, afirma o propagandista Caio Santos, de 48 anos.

PARA TOMAR CONTA DOS MÉDICOS Iniciativas, no Brasil e no mundo, para blindar os profissionais de saúde da influência da propaganda (Foto: Revista ÉPOCA)

Há 22 anos, Santos visita hospitais da rede pública da região para convencer os profissionais de saúde de que os medicamentos da empresa que representa são melhores que os da concorrência. Um trabalho que exige conhecimento técnico e boa dose de habilidade social. Há seis meses, os crachás que autorizavam sua entrada em 16 hospitais públicos do Distrito Federal perderam a validade. Agora, Santos só consegue entrar em cinco deles, autorizado pela administração da instituição, mas precisa ser anunciado. Reclama de ter perdido o acesso direto aos médicos – assim como outros 450 propagandistas da indústria farmacêutica na região. “A mudança torna inviável levarmos as discussões científicas para os médicos”, diz. “O jeitinho brasileiro é chamar o médico para sair do hospital, marcar reunião no consultório particular.”

O autor da lei, o deputado distrital Juarezão (PSB), afirma que quis garantir o atendimento aos pacientes: “A própria comunidade pediu. O representante entra na sala e os pacientes ficam do lado de fora esperando. Atrapalha muito”. Juarezão pode ter mirado em agradar a sua base eleitoral. Ele já trabalhou na área de saúde em Brazlândia, uma região administrativa do Distrito Federal, cumprindo atividades de gestão em uma unidade pública de saúde. Mas, com a medida de apelo popular, entrou num debate nebuloso: como os médicos escolhem receitar um medicamento em vez de outro. Parece uma questão técnica, mas sofre influências variadas – até do grau de simpatia do médico pelo representante.

Os propagandistas ocupam papel central na estratégia de marketing da indústria farmacêutica. Conectam o setor aos médicos. Levam informações sobre os produtos da empresa a profissionais de saúde até as cidades mais afastadas de grandes centros, em uma conversa olho no olho, permeada pelas melhores táticas de venda e pela distribuição de amostras grátis, como as que Lima encontrava nos hospitais e distribuía para a família. Mas a relação se encontra sob forte escrutínio, principalmente de grupos acadêmicos. “A interação dos médicos com a indústria gera conflito de interesse”, diz Mário Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “O objetivo principal, que é o melhor tratamento para o paciente, é alterado por um secundário, da indústria: ganhar dinheiro.”

A lei do Distrito Federal não é uma iniciativa isolada (leia no quadro abaixo). No Brasil, pelo menos outras três cidades tentaram implantar medidas semelhantes – não sem polêmica e resistência. Em Goiânia, em 2014, a então vereadora Cida Garcêz (SDD) colocou em pauta um Projeto de Lei que determinava que os representantes de empresas farmacêuticas deveriam marcar um horário para falar com o médico antes ou depois das consultas.

O projeto não foi aprovado. “Na época, o sindicato dos propagandistas de Goiás procurou os vereadores e o projeto foi barrado”, afirma Cida. Em Campinas, São Paulo, uma portaria da Secretaria Municipal de Saúde proíbe desde 2016, salvo “com a expressa autorização” do secretário, a visita de representantes em todas as unidades da rede municipal. Há tentativas de revertê-la. Um Projeto de Lei de 2015, para garantir o acesso dos propagandistas, foi aprovado em uma primeira votação – agora, aguarda a segunda. Não há previsão de quando isso deve ocorrer. Em Ribeirão Preto, São Paulo, até dezembro do ano passado, vigorou um decreto que proibiu a presença de representantes de laboratórios farmacêuticos e similares nas unidades de saúde do município.

Um projeto de decreto legislativo do vereador Luciano Mega (PDT) revogou o trecho sobre os propagandistas. Mega, médico pediatra, diz que a motivação surgiu a partir de conversas com os representantes que visitavam seu consultório. “Achei a proibição muito injusta. Trabalhei para revogá-la.” Em setembro, uma liminar obtida pelo prefeito derrubou o decreto a favor da presença de representantes. Em nota, a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) afirma que a proibição das visitas pode prejudicar o atendimento a pacientes: “Esse contato é realizado única e exclusivamente com o objetivo de promover a atualização científica do profissional de saúde”.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Adoçante: amigo ou inimigo?

adocantePara uma alimentação saudável é imprescindível que consumamos pouco açúcar. A partir daí, os adoçantes passam a ser uma opção, mas eles também não são inofensivos

Quando buscamos reduzir ou eliminar o consumo de açúcar, muitas vezes o adoçante é visto como substituto. Mas, eles também podem nos afastar de uma dieta saudável e não são a melhor opção para quem quer perder peso. O Guia Alimentar para a População Brasileira é claro: devemos sempre dar preferência ao consumo de alimentos na forma mais natural possível, com o doce próprio de cada um. 

Adoçantes podem ser naturais, artificiais ou sintéticos. Os naturais são obtidos sem nenhum tipo de reação química, veem das plantas, a exemplo da estévia, ou de origem animal. Os artificiais ou sintéticos surgem através de reações químicas naturais ou não. Os mais comuns são sacarina, aspartame e sucralose.

A jornalista Lurian Leles utiliza dois tipos de adoçante: o artificial, para forno e fogão (para culinária) e o natural para adoçar o cafezinho e os sucos. “Eu uso adoçante há mais ou menos um ano e meio, depois que passei a me preocupar mais com meu peso. Eu quis cortar carboidrato e o açúcar e fiz essa opção, não foi prescrição. Tive essa indicação de trocar, mas mesmo o nutricionista pede para não usarmos adoçantes em demasia”, ressalta.

Não recomendado!
A recomendação dada à Lurian é correta. O adoçante não é um salva-vidas para quem está retirando o açúcar da dieta e não pode ser visto como tal. A coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa, explica: “o adoçante geralmente é usado nos casos confirmados de diabetes e seu uso deve ser indicado por médico ou nutricionista. Fora isso, ele não é recomendado”.

Michele Lessa diz ainda que pessoas que optam pelo adoçante precisam ao menos escolher aqueles de origem natural. E se a escolha for com o objetivo de emagrecer, este caminho não é seguro. “Não há comprovação de que o adoçante contribua para a perda de peso. O paladar se acostuma com o doce e a pessoa vai ter vontade de consumir mais coisas doces. O ideal é que a pessoa vá reduzindo aos poucos a quantidade de açúcar até perceber que os sabores naturais são mais gostosos sem adição de nenhum tipo de açúcares”, reforça.

O alerta é ainda mais importante para as crianças. A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda adoçantes para este público, por não se saber os efeitos deles em longo prazo.

Produtos diet e light
Outra importante observação da coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde é sobre os produtos diet e light. Quando lemos estas palavras em algum rótulo, costumamos nos animar com a impressão de que são extremamente saudáveis. Mas isso não quer dizer que são. “Estes produtos, na maioria das vezes, possuem adoçantes artificiais e não são alimentos naturais, e sim processados ou ultraprocessados. Por isso, o consumo deve ser moderado”, aconselha.

Lurian segue com a opção pelos adoçantes, mas eles ainda não são preferência em seu paladar. “Não é a mesma coisa do açúcar, o gosto deixa um pouco a desejar, mas sempre que posso eu substituo”.

Acesse receitas para se alimentar melhor, na publicação do Ministério da Saúde Alimentos Regionais Brasileiros

Baixe o Guia Alimentar para a População Brasileira.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

Cientistas descobrem primeira droga capaz de tratar doença de Huntington

Condição hereditária traz danos irreversíveis ao cérebro, mas estudo mostra como ‘silenciar’ efeitos do gene mutante

Um estudo divulgado nesta segunda-feira é visto como uma promessa de revolução para o tratamento da doença de Huntington, que é genética e tem efeitos devastadores. A pesquisa indica que, pela primeira vez, uma droga experimental se mostrou capaz de retardar a progressão da doença. Até hoje, não existe nenhum tratamento para adiar os efeitos da enfermidade. As terapias atuais apenas ajudam a controlar os sintomas.

A doença de Huntington é uma condição hereditária em que as células nervosas do cérebro se rompem ao longo do tempo, causando danos irreversíveis. Na série americana “House”, os dilemas em torno da doença foram abordados após uma das médicas ser diagnosticada com a enfermidade.

O estudo foi conduzido no Centro de Doença de Huntington da University College London (UCL), na capital inglesa, e é aclamado pela comunidade acadêmica como “extremamente significativo”, por ser a primeira vez em que qualquer droga foi capaz de suprimir os efeitos da mutação de Huntington. 

— Os resultados foram além do que eu esperava — disse ao “Guardian” a diretora do Centro, professora Sarah Tabrizi, que liderou o ensaio clínico de fase 1. — Os resultados deste estudo são de extrema importância para pacientes com doença de Huntington e suas famílias.

A animação dos colegas de Sarah também se deve ao fato de que a droga é uma vertente sintética de DNA e, assim, poderia ser adaptada para “atacar” outros distúrbios cerebrais hoje incuráveis, como Alzheimer e Parkinson. A gigante farmacêutica suíça Roche chegou a pagar uma taxa de licença de US$ 45 milhões para levar o medicamento para o uso clínico.

O gene mutante de Huntington contém instruções para que as células produzam uma proteína tóxica, chamada huntingtina. Este código é copiado por uma molécula mensageira e despachado para as “máquinas de produção” de proteínas da célula.

Entenda como a droga funciona
A droga, chamada Ionis-HTTRx, funciona interceptando a molécula mensageira e destruindo-a antes que a proteína prejudicial possa ser feita, efetivamente silenciando os efeitos do gene mutante. Para que o medicamento chegue ao cérebro, ele deve ser injetado no líquido ao redor da coluna usando uma pequena agulha.

O ensaio envolveu 46 homens e mulheres com doença de Huntington em estágio inicial no Reino Unido, na Alemanha e no Canadá. Os pacientes receberam quatro injeções com um mês de intervalo, e a dose de medicamento aumentou em cada sessão. Cerca de 25% dos participantes receberam uma injeção de placebo — isto é, que não continha a droga —, para servirem como grupo de controle.

Depois de receber o medicamento, a concentração de proteína nociva no líquido da medula espinhal caiu significativamente e de forma proporcional à quantidade da dose. Esse tipo de associação normalmente indica que a droga tem efeito poderoso.

— Pela primeira vez, uma droga reduziu o nível da proteína que causa doenças tóxicas no sistema nervoso, e a droga se mostrou segura e bem tolerada — disse Sarah. — Este é provavelmente o momento mais significativo na história de Huntington desde que o gene foi isolado.

Sintomas começam entre 30 e 40 anos de idade
Quem tem a doença de Huntington vê, como primeiros sintomas — que normalmente aparecem entre os 30 e 40 anos de idade — mudanças de humor, raiva e depressão. Posteriormente, pacientes desenvolvem movimentos irregulares não controlados, demência e, finalmente, paralisia. Algumas pessoas morrem dentro de uma década após o diagnóstico.

— A maioria dos nossos pacientes sabe o que os aguarda no futuro — afirmou Ed Wild, cientista da UCL e neurologista consultor do Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia em Londres, que administrou a droga no ensaio clínico. No Brasil, estima-se que existam cerca de 150 mil pessoas com essa enfermidade.

Ensaios maiores serão realizados
O professor John Hardy, também neurocientista da UCL mas que não estava envolvido no estudo, mostrou-se positivamente surpreso em relação à nova droga: Se tivessem me perguntado cinco anos atrás se isso (a nova droga) poderia funcionar, eu teria dito que não. O fato de que ela funciona é realmente notável.

A partir de agora, é esperado que a farmacêutica Roche realize ensaios maiores para testar o nível de redução dos sintomas dos pacientes que receberem a droga. Se tal teste for bem-sucedido, Sarah Tabrizi acredita que o medicamento pode ser usado em pessoas que tenham o gene da Huntington antes mesme que elas adoeçam, que possivelmente interromperá por completo a existência de qualquer sintoma. Esses paciente podem só precisar de uma injeção a cada três ou quatro meses — aspira Sarah. — Um dia, queremos ser capazes de prevenir a doença.

O Globo

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Anvisa aprova vacinação em farmácias

Regulamentação deve ser publicada no Diário Oficial nos próximos dias. Serviço já era regulamentado em estados como São Paulo e Minas Gerais e passa a valer para todo o paí

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (12) uma nova resolução que permite que qualquer estabelecimento de saúde faça vacinação, incluindo farmácias e drogarias. A regulamentação da medida deverá ser publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias.

A decisão foi tomada pela Diretoria Colegiada da instituição. Segundo nota publicada pela agência, "a norma dá ao setor mais clareza e segurança jurídica". A fiscalização ficará a cargo das vigilâncias sanitárias das secretarias estaduais e municipais de saúde.

Ainda segundo a Anvisa, haverá uma identificação clara dos locais que oferecem a vacinação de acordo com os requisitos de qualidade e segurança exigidos.

A proposta passou por uma consulta pública, em maio deste ano. Na época, o texto submetido à consulta não mencionava as farmácias especificamente, mas abria a possibilidade ao não limitar o serviço de aplicação de vacinas às clínicas. A nova regra estabelece como deve ser a estrutura física do estabelecimento que aplicará a vacina e determina que as vacinas que não estão contempladas pelo Programa Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) somente poderão ser aplicadas mediante prescrição médica.

Veja alguns dos requisitos para os estabelecimentos que querem oferecer a vacinação
  • Licenciamento e inscrição
  • Responsável técnico no local
  • Ter um profissional legalmente habilitado para o procedimento
  • Capacitação permanente dos profissionais
  • Ter instalações adequadas para atendimento e conservação das vacinas
  • Garantia dos procedimentos de transporte para preservar a qualidade das vacinas

O serviço já era regulamentado em alguns estados, como São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais, além da cidade de Brasília.

G1

Nova vacina para o câncer ensina o corpo a enfrentá-lo sozinho

cancer
Essa nova forma de combater o câncer promete mudar a
 oncologia (Foto: Science Photo Library/Science Photo Library)
Os primeiros testes em seres humanos já foram iniciados – e abrem caminho para uma forma revolucionária de tratar o câncer

Cada dia mais avançada, a imunoterapia para o tratamento do câncer começou a escrever mais um capítulo de sua história: uma vacina terapêutica está atualmente passando pelos primeiros testes em seres humanos. Os responsáveis vêm da empresa americana Moderna, que anunciou em meados de novembro a novidade. Trata-se de uma vacina terapêutica personalizada – diferentemente das convencionais, ela será usada após o paciente receber o diagnóstico. É um tratamento que faz o próprio organismo reconhecer o câncer como um inimigo.

A tecnologia em questão foi batizada de mRNA 4157. E o nome tem motivo: a nova arma “se aproveita” do mecanismo do nosso RNA mensageiro, o mRNA, para agir no corpo. Se você não está com as aulas de biologia fresquinhas ne memória, basta entender que essas moléculas recebem e enviam ordens do DNA para o corpo.

Como vai funcionar a vacina mRNA-4157
1) Antes de tudo, identifica-se, no organismo do paciente, as principais mutações presentes em seu câncer. Sim, o tumor de cada paciente tem diferentes mutações, mesmo que se aloje no mesmo órgão.
2) A partir disso, são identificadas as 20 mutações que, de acordo com particularidades do seu organismo, têm maior chance de causar a reação imune desejada.
3) Com tecnologias de última geração, os cientistas transmitem essa informação para moléculas de mRNA e as inserem na vacina.
4) Uma vez injetadas no paciente, as moléculas de mRNA ensinam as suas células de defesa a detectar as tais mutações do câncer.
5) Aí, o sistema imune consegue combater “sozinho” o tumor.

Ou seja: como outras armas da imunoterapia, a vacina da vez não age diretamente na doença. Ela basicamente turbina as defesas do corpo. Parece incrível, não é mesmo? A ideia da Moderna é que, uma vez aprovada, a injeção fique pronta para cada paciente em poucas semanas depois do diagnóstico. A questão é: a que custo isso virá para a população? De pouco adianta ter uma arma revolucionária, se ninguém consegue pagar por ela. Mesmo que tudo dê certo nos estudos, ainda tem muito chão pela frente para que essa tecnologia esteja finalmente disponível. A previsão é que os resultados dessas primeiras análises fiquem prontos até o fim do ano que vem.

No momento, estão sendo investigadas a segurança e a reposta imunológica dos voluntários durante o uso. Mais adiante, serão esmiuçados a eficácia propriamente da vacina, principalmente quando combinada a uma medicação específica da farmacêutica MSD – o chamado pembrolizumabe. A tal MSD inclusive está apoiando os estudos com a vacina.