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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Aplicação de vacinas é regulamentada em farmácias da capital paulista

Nova lei foi publicada no Diário Oficial

Foi publicada na quarta-feira (8), a lei municipal nº 16.739/17, no Diário Oficial Cidade de SP, que regulamenta a prestação de serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias da capital. De autoria da vereadora Edir Sales, a lei garante a realização de serviços como a aplicação de medicamentos injetáveis, incluindo vacinas, sob a responsabilidade técnica do farmacêutico.

O profissional deve garantir o armazenamento adequado, manuseio do produto e informar, mensalmente, ao gestor do Sistema Único de Saúde (SUS) no Boletim Mensal de Doses Aplicadas (fornecido pela Secretaria de Estado de Saúde).

As vacinas que não estão contempladas pelo Programa Nacional de Vacinação do SUS somente poderão ser aplicadas mediante prescrição médica. Apesar do serviço já ser autorizado pela lei federal 13.021/14, a lei não entrou em vigor por não haver regulamentação da prática.

As lojas que prestem os serviços devem ter a licença de funcionamento afixada em local visível, com a descrição das atividades oferecidas para melhor identificação da população. “A partir de agora, os farmacêuticos poderão exercer a profissão de modo pleno nas farmácias, aproveitando todas as modificações e avanços que a Lei 13.021/24 traz para a profissão e para a saúde das pessoas atendidas”, comenta o presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP), Dr. Pedro Eduardo Menegasso.

Confira outros serviços farmacêuticos regulamentados pela nova lei:
  • aplicação de inalação ou nebulização
  • aplicação de medicamentos injetáveis, mediante apresentação de receita médica;
  • acompanhamento farmacoterapêutico
  • medição e monitoramento da pressão arterial
  • medição da temperatura corporal
  • medição e monitoramento da glicemia capilar
  • serviços de perfuração de lóbulos auriculares
  • atenção farmacêutica, inclusive a domiciliar
  • aplicação de medicamentos injetáveis
Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP)

Automedicação pode provocar intoxicação e mascarar uma doença importante

Tomar remédios sem prescrição médica ou odontológica muitas vezes acaba levando a graves consequências e, até mesmo, à morte do paciente

Para muitos, a automedicação é vista como uma solução rápida, bastando a pessoa ir até uma farmácia e comprar um determinado remédio para se livrar do mal que a está afligindo. Mas o tiro pode sair pela culatra, pois esse tipo de tratamento tem causado problemas para muita gente em todo o mundo. Mas, afinal, o que é a automedicação? O clínico-geral e cardiologista Maurício Gonçalves Zanon esclarece que é o ato de o indivíduo ingerir algum medicamento sem prescrição de um profissional da saúde habilitado, no caso o médico ou o odontólogo, com o objetivo de tratar alguma doença e/ou aliviar algum sintoma que o acomete.

O médico explica que os principais riscos seriam a intoxicação medicamentosa e o mascaramento de uma doença importante, o que poderia ter consequências graves, como, por exemplo, até a morte do indivíduo. “O uso indiscriminado seria o indivíduo se automedicar por quaisquer sinais ou sintomas de doenças, até as mais corriqueiras, como um resfriado ou uma leve dor de cabeça. Ou até mesmo para efeito estético, ou seja, tomar medicamentos sem qualquer critério ou orientação médica, pois não tem o conhecimento necessário para reconhecer o diagnóstico e, portanto, a necessidade ou não de um tratamento medicamentoso.”

Maurício Zanon ressalta que, a rigor, nenhum medicamento deve ser tomado sem prescrição de um profissional habilitado - médico de preferência -, uma vez que, para um tratamento correto, é necessário, inicialmente, o adequado diagnóstico e, no caso, o médico é o único profissional com formação específica para isso. “De modo geral, porém, existem medicamentos com riscos maiores para a saúde e não devem ser tomados sem uma consulta médica prévia. Podemos citar os anti-hipertensivos, medicamentos para tratamento da asma brônquica, anti-inflamatórios, antidiabéticos, anticonvulsivantes, antibióticos, benzodiazepínicos (calmantes e soníferos) e antidepressivos. Esses cinco últimos necessitam de receita médica. Mas, infelizmente, em alguns casos são vendidos ilegalmente sem a receita ou mesmo cedidos por um amigo ou parente sem a devida orientação médica.”

O médico salienta que podem ocorrer várias reações, desde efeitos colaterais mais comuns, como uma cefaleia, náuseas, diarreia e vômitos, até reações alérgicas como prurido e erupções na pele, as urticárias, chegando, em alguns casos, ao temível edema da glote, que pode levar a uma insuficiência respiratória e até a uma parada cardíaca e morte. “É importante ressaltar que todos esses efeitos indesejáveis podem ocorrer com qualquer medicamento, inclusive com os prescritos por profissionais habilitados. Portanto, o mais sensato é pesar bem a indicação, ou seja, os riscos e os benefícios. O mais seguro, certamente, é sempre procurar o médico de confiança. Hoje, sabemos que a informação não é mais restrita e está disponível na internet, o que, se por um lado pode ser útil, por outro pode trazer problemas, como a confiabilidade e o diagnóstico errôneo. Mais uma vez, é muito mais seguro a opinião do médico.”

Efeitos Colaterias
O especialista diz que remédios como os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios, que são os mais usados na automedicação, podem trazer sérios perigos. “Isso porque são medicamentos de venda livre e a dor e a febre de diversas etiologias são sintomas extremamente frequentes. Os perigos geralmente decorrem dos efeitos colaterais e das possíveis reações alérgicas. Os analgésicos tipo dipirona podem causar queda da pressão arterial e reações alérgicas como efeitos colaterais mais comuns. O paracetamol pode causar náuseas e alterações hepáticas, de simples até as de maior gravidade; o AAS, problemas gastrointestinais tipo gastrite ou sangramentos digestivos, além de reações alérgicas; os anti-inflamatórios idem, além de problemas renais, levando até a quadros mais graves de insuficiência renal. É bom frisar que são efeitos possíveis, mas, felizmente, ocorrem em uma proporção pequena, mas não desprezível de pessoas. E aquelas que já tiveram reações alérgicas anteriormente devem evitar repetir o uso dos medicamentos que, sabidamente, lhes provocaram tais reações.”

Outro aspecto importante é a questão das interações medicamentosas. Hoje em dia, é muito comum o paciente tomar vários medicamentos, principalmente idosos. Muitas vezes se desconhece o efeito desses medicamentos quando usados em conjunto. O paciente, os familiares e o próprio médico devem ficar atentos a esses possíveis efeitos adversos, inclusive consultar a internet, como o site americano drugs.com, pois uma das causas mais comuns de visitas aos consultórios geriátricos atualmente são intoxicações e efeitos adversos de medicamentos, muitas vezes causados pela associação de drogas, a chamada “polifarmácia”.

É importante enfatizar também que os medicamentos, quando bem indicados e usados, são uma ferramenta importante no tratamento das doenças que afligem o ser humano e, em uma infinidade de casos, vitais para a recuperação do individuo. Ninguém deve deixar de tomar o seu medicamento para pressão alta ou diabetes, por exemplo, sem orientação médica. Antes, porém, de iniciar o tratamento medicamentoso, o paciente deve sempre ser incentivado a adquirir hábitos saudáveis, como abdicar do uso do cigarro, evitar o álcool ou, no máximo, usá-lo moderadamente e não habitualmente, praticar exercícios físicos regularmente, de três a cinco vezes por semana, ter uma alimentação balanceada rica em proteína, verduras e frutas e com o mínimo de gordura e açúcar, manter o peso controlado, medidas essas que têm um impacto muito maior na qualidade e expectativa de vida das pessoas do que o uso indiscriminado de medicamentos.