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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Novo exame de imagem pode substituir a biópsia hepática

Reprodução
Pacientes com doenças no fígado já podem recorrer à elastografia por ressonância magnética para evitar a técnica invasiva
 
A elastografia, técnica de diagnóstico que mede a viscosidade e a elasticidade dos tecidos, ganhou uma nova aplicação, que possibilita o diagnóstico mais amplo e preciso de algumas patologias, de forma não invasiva. A novidade, recém-chegada ao Rio de Janeiro, utiliza a ressonância magnética para analisar a rigidez do fígado, por exemplo, avaliando o órgão por inteiro, diferente do que é feito tradicionalmente com a elastografia aplicada por ultrassonografia.
 
Segundo o radiologista Guilherme Moura da Cunha, integrante do corpo clínico da CDPI, o novo exame beneficia, principalmente, pacientes que fazem acompanhamento de cirrose hepática, em que não é desejável a realização frequente de biópsias.
 
“O exame é uma abordagem ainda muito recente, mas apresenta diferenciais importantes quando comparado com a elastografia por ultrassom. O uso da ressonância leva vantagem por ser capaz de fazer um mapa global de todo o fígado, avaliando-o por inteiro, e não só uma pequena amostra, como acontece na ultrassonografia”, afirma Guilherme.
 
De acordo com o médico – que trouxe dos Estados Unidos o conhecimento de manuseio da técnica para a CDPI –, a tecnologia é utilizada, sobretudo, em casos de fibrose hepática, tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento evolutivo durante o tratamento da doença. Ele afirma que o exame de imagem, em algumas situações, já pode substituir a biópsia – procedimento invasivo que necessita da retirada de parte do tecido doente.
 
“Podemos afirmar que, atualmente, com o avanço da tecnologia, é possível substituir a biópsia pela elastografia via ressonância magnética, beneficiando, acima de tudo, pacientes cirróticos, que não podem realizar inúmeras biópsias com intervalos curtos ou sequenciados, já que a elastografia, por não ser invasiva e não ter quase nenhuma contraindicação, pode ser feita inúmeras vezes durante o tratamento”, explica o radiologista.
 
A aplicação da elastografia por ressonância pode ser utilizada também para a avaliação de tumores do crânio ou de mama, doenças renais e pancreáticas, entre outras patologias.
 
Rachel Lopes
Assessoria de Imprensa

Após interdição cautelar Leveber Indústria tem produtos suspensos

 
Após interdição cautelar na empresa Leveber Indústria e Comércio Importação e Exportação Ltda., a Anvisa determinou a suspensão de todas as atividades do estabelecimento
 
A decisão ocorreu porque a empresa não cumpre com as Boas Práticas de Fabricação dos cosméticos e saneantes.
 
Com a decisão a Agência decidiu ainda que a empresa deve promover o recolhimento dos produtos existentes no mercado.
 
A medida está na Resolução 2.614/2015 publicada nesta quarta-feira (16/9) no Diário Oficial da União (DOU).
 
ANVISA

Orégano, benefícios e valor nutricional

Um dos temperos mais comuns da culinária brasileira, o orégano (em inglês oregano ou marjoram e em Portugal orégão) apresenta inúmeros benefícios e propriedades medicinais, muitas pouco estudadas (leia abaixo). Dizem que se pode usar o orégano para candidíase.

Já recebi algumas pessoas na farmácia me perguntando se o orégano faz mal. O orégano faz bem, é o que respondo. É claro que ninguém vai consumir um quilo de orégano, assim ele  e qualquer outra coisa vai fazer mal, obviamente.

Para um melhor aproveitamento das características o orégano na saúde deve ser deixado 'descansando' em óleo de canola ou azeite extra virgem, para que suas propriedades sejam transmitidas ao azeite e melhor absorvidas pelo organismo. Uma das substâncias responsáveis pelas propriedades do orégano é o ácido rosmarínico.

O orégano pode ser utilizado em saladas, pizzas e em molhos de tomate, sempre lembrando de acrescentar azeite no preparo, para melhorar sua absorvição pelo intestino.

Benefícios do orégano (orégano para que serve)
(Origanum vulgare)

- Alto poder antioxidante devido ao ácido fenólico e flavonoides, portanto combate o envelhecimento precoce;

- Antidiabético;

- Antibacteriana e anti-inflamatória (ácido rosmarínico)

- Conservante de alimentos

- Diabetes

Outras propriedades do orégano não totalmente estudadas:
 
Indigestão 
 
- Diarreia
 
- Cólicas menstruais (dismenorreia)
 
- Dor de dentes, provavelmente benefícios anti-inflamatórios

Como consumir o orégano para aproveitar as propriedades medicinais?

- use o orégano como tempero 

- faça chá de orégano (não ferva, apenas abafe em água previamente fervida para não perder as propriedades)

- acrescente ao suco de couve

- é bom lembrar que o orégano seco concentra mais princípios ativos, já que sua água saiu com o processo de secagem, por isso é melhor consumi-lo seco. 

Orégano valor nutricional (em 100 g)

 em 100 g orégano Energia
(Kcal)
Ptn
(g)
Lip
(g)
Carb
(g)
Cálcio
(mg)
Ferro
(mg)
Fibra
(g)
Sódio
(mg)
Saturada
(mg
orégano fresco
66 2,22 2 9,7 310 - - 3 -
 orégano seco
306 11 10,3 64,4 1576 44 15 14,7 2,66

Curiosidades sobre o orégano
- A origem do nome orégano é grega e significa 'alegria da montanha'. 


- Em Portugal o orégano é chamado de orégão.


- Orégano em inglês: oregano ou marjoram


- Para candidíase faça um chá com um punhado de orégano e cravo-da-índia. Faça um chá de orégano amornar faça lavagens (esse benefício não é comprovado cientificamente, ainda, mas mal não fará).


Saúde com Ciência

Qualidade e segurança na saúde é tema de livro que será lançado em congresso internacional

“Como capacitar equipes e profissionais para projetos de melhoria” e “A segurança como dimensão da avaliação da qualidade” são dois dos oito capítulos da obra Qualidade e segurança em saúde: os caminhos da melhoria via Acreditação Internacional – relatos, experiências e práticas, de autoria de Heleno Costa Junior e que será lançado durante o III Congresso Internacional de Acreditação
 
 
Formado em enfermagem e mestre em Sistema de Avaliação de Saúde pela Fundação Cesgranrio/UFRJ, Heleno possui vasto conhecimento na área de acreditação. No livro relata suas experiências, principalmente, como coordenador de educação no Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), onde atua há 17 anos. O objetivo é que seu conhecimento auxilie o leitor a compreender o assunto de forma clara e didática e mostrar que os padrões de qualidade e segurança podem ser implantados com sucesso.
 
“Procuro relatar fatos e experiências para facilitar o entendimento e concretizar a oportunidade de levar aos leitores exemplos de como os padrões internacionais de acreditação, que são desenvolvidos e aplicados no Brasil e no mundo, podem contribuir na melhoria contínua da excelência da qualidade em saúde”, conta Heleno.
 
Embora os padrões de acreditação sejam hoje a maior e melhor referência para implantação, desenvolvimento e avaliação de qualidade e segurança na área de saúde, os profissionais ainda precisam se conscientizar de suas responsabilidades, riscos e perigos de atitudes e práticas. O que configura em uma questão complicada a se tratar no que refere à qualidade e segurança de instituições.
 
“Apesar de a saúde ter evoluído de forma muito forte nos aspectos dos materiais, equipamentos e da tecnologia em geral, a evolução da formação profissional não acompanhou essa mesma linha”.
 
Ainda segundo Heleno o esperado é que a publicação auxilie na redução dessa deficiência, da formação inicial ao profissional de saúde em atividade. A obra que contém 188 páginas divididas em oito capítulos será lançada no dia 22 de setembro às 17h, durante a terceira edição do Congresso Internacional de Acreditação. O evento é organizado pelo CBA em parceria com a Joint Commission International (JCI).
 
Serviço:
Lançamento do livro: “Qualidade e segurança em saúde: os caminhos da melhoria via Acreditação Internacional – relatos, experiências e práticas”
 
Data: 23 de setembro, terça-feira, 17h.
 
Endereço: Windsor Barra Hotel - Avenida Lúcio Costa, nº 2630, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
 
Marta Leticia Brito
Estagiária de Jornalismo

Como o paciente percebe a qualidade na hora da consulta?

Por Márcio Luiz Lima de Souza*
 
O conceito de qualidade mudou muito ao longo da história
 
No feudalismo, era a inspeção de produtos defeituosos que possuíam menor poder de troca. Saltando para os anos 30 e 40, começa um controle estatístico com introdução de técnicas de amostragem. Nos anos 50 e 60, há o surgimento da Gestão de Qualidade Total – a qualidade deixa de ser um problema do produto e passa a ser um problema da empresa; e finalmente nos dias atuais, com a competitividade acirrada entre as organizações, a qualidade é considerada um diferencial estratégico necessário à sobrevivência.

A Globalização nos permitiu compararmos produtos similares confeccionados em outros países e tirarmos nossas próprias conclusões decidindo por sua aquisição ou não. Este paralelo sobre a qualidade, traçado no ótimo livro “A evolução histórica da gestão da qualidade”, de Rose Mary J. Longo, nos ajuda a compreender como a qualidade tornou-se um fator essencial na sustentabilidade das empresas, em todos os lugares do mundo.
 
Trazendo o conceito de para o segmento da saúde, vemos nos dias atuais, mais do que nunca, que a percepção de qualidade continua sendo um fator importantíssimo para que o paciente escolha entre este ou aquele profissional de saúde. Até aí, nada de novo, todos nós buscamos qualidade em tudo que pretendemos adquirir, porém, em se tratando de serviços na área da saúde, o processo de definição da qualidade é um pouco mais complexo. Primeiro porque trata-se de um serviço, e por isso entra em cena a intangibilidade, o que dificulta a mensuração do que está sendo consumido. Segundo, o sucesso do serviço, para ser alcançado, depende tanto do profissional de saúde quanto do próprio paciente. Toda essa subjetividade requer atenção especial na gestão do consultório, pois é através da percepção da qualidade por parte do paciente que garantirá o seu retorno, ou indicação. Alguns autores definem a qualidade em cinco critérios que se destacam: confiabilidade, presteza, cortesia, empatia e tangibilidade, tendo a confiabilidade como o critério mais importante.

A presteza faz referência à pró-atividade no atendimento, a cortesia envolve o conhecimento, a maneira e habilidade dos colaboradores ao interagirem com os pacientes e quão seguros estão nesta interação. A empatia é a atenção dada individualmente, e finalmente a tangibilidade, onde os pacientes irão analisar as instalações do consultório, acessibilidade, tempo em sala de espera, materiais de comunicação.
 
O que chama atenção quando falamos em qualidade em serviços de saúde é a distância entre como o profissional da área da saúde e o paciente percebem a qualidade. Competência técnica, equipamentos de ponta são importantíssimos e fundamentais para os pacientes, não se discute isso, mas a localização, bom atendimento, sala de espera acolhedora, tudo isso, para o paciente é de igual valor. O paciente busca acolhimento numa consulta, seja pela recepcionista que o ampara na chegada ou na consulta propriamente dita, o que ele mais quer é sair do seu estado de vulnerabilidade. Quando isso acontece, surge a fidelização. Fidelizar significa não somente garantir o retorno deste paciente, mas também gerar uma indicação, o famoso “boca-a-boca” aumentando a visibilidade e lucratividade do consultório.
 
As ferramentas disponíveis do marketing de relacionamento podem auxiliar a diminuir esta diferença na percepção de valor, de qualidade em consultório e à medida que são implantadas, novas chances de encantar o paciente surgirão, basta começar. Abrir um canal de comunicação, uma urna para sugestões, um endereço de e-mail onde ele possa expressar sua opinião, já é um grande passo para dar início a um relacionamento com este paciente e principalmente atentar às críticas que talvez virão.
 
Tão importante quanto saber a opinião do paciente é tomar uma atitude em relação a isso. É importante analisar as críticas e sugestões e criar um plano de ação para corrigir o que de fato não estiver funcionando.
 
O importante é conscientizar-se de que o marketing bem estruturado é uma extensão da relação com o paciente e que todos os dias, na sala de espera há oportunidades únicas de potencializar esta relação.
*Márcio Luiz Lima de Souza, ProxyMed Gestão e Marketing Médico
 
Saúde Business

O que podemos fazer pelos Cuidadores de Idosos?

 
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje os idosos representam 7,9% da população brasileira. Em 2025, a previsão é de que esse percentual seja de 11,3%

Com o claro crescimento dessa população no País, a procura por cuidadores de idosos naturalmente acompanhará o fenômeno.
 
Tendo em vista o que já acontece em outros países, será que temos dado atenção às demandas desses cuidadores? Nos EUA, 59% dos cuidadores informais – que não recebem remuneração para tal – possuem emprego e logo, dividem o tempo entre os cuidados e o trabalho. Nesse contexto, os cuidadores tendem a dormir menos, fazer menos atividades físicas e logo, cuidar menos de si próprios.
 
O resultado disso com alguma frequência leva a um quadro de ansiedade, que muito decorre do estresse físico e psicológico dos cuidadores. Como alguns estudos da literatura já apontaram, fatores como ser mulher, possuir menos anos de escolaridade, isolamento social e jornadas de cuidado muito longas podem favorecer ainda mais os quadros de estresse.
 
No caso brasileiro, os cuidadores informais respondem pela maioria de quem faz essa atividade no país. Mesmo para os formais, a atividade não tem regulamentação própria, sendo encaixada na mesma regulamentação das domésticas. Com isso, não há um currículo formal definido e as técnicas são ensinadas em poucos cursos de capacitação.
 
Dada a nossa realidade, em termos de saúde pública, é fundamental que os cuidadores – principalmente os informais – recebam suporte dos atores da saúde para assegurar o cuidado de qualidade. Aumento da oferta de cursos de capacitação, avaliação da saúde mental, auxílio psicológico e até mesmo o auxílio por parte de um segundo cuidador são medidas que o sistema público e privado podem oferecer para seus cuidadores. Sem um sinal de que a profissão será formalizada, a importância desse suporte é ainda maior.
 
Do exterior, vem um exemplo de iniciativa para formalizar o cuidado ao idoso. Neste ano, a startup Honor começou a oferecer um serviço que liga cuidadores de idosos, famílias e idosos na região de São Francisco, CA. Os prestadores do serviço são selecionados pela empresa segundo critérios curriculares e também de antecedentes (segundo o site da Honor, apenas 5% dos que aplicaram foram aprovados até então). Em abril, a empresa recebeu uma rodada de investimentos de 20 milhões de dólares.
 
Cuidar do próximo, seja parente ou não, é sem dúvida uma atividade edificante e nobre. No entanto, fechar os olhos para as dificuldades que fazem parte desses cuidados não soma para seu êxito. Há oportunidades de oferecer soluções e serviços para auxiliar na qualidade de vida de cuidadores e idosos, resta a nós colocarmos em prática isso.
 
Saúde Business

Homem com hemorragia interna é mandado de volta para casa com diagnóstico de "ar preso"

Reprodução/dailymail.co.uk
Eu pensava 'é isso, vou morrer", relembra paciente
Médicos sugeriram que paciente "dormisse por oito horas", e ignoraram o sangramento
 
Por muito pouco este homem não morreu, depois que quase um litro e meio de sangue se acumularam em seu estômago e ele foi mandado para casa pelos médicos para “cochilar um pouco”.
 
Marc Cunliffe, de 36 anos, passou por uma cirurgia de vesícula no último dia 4, e recebeu alta apenas 10 horas depois, levando apenas uma prescrição de analgésicos na mão.
 
Logo na manhã seguinte, Cunliffe precisou voltar correndo ao pronto-socorro. As dores que sentia no estômago eram insuportáveis, e ele buscou ajuda o mais rápido que pôde.
 
A equipe de emergência do Royal Blackburn Hospital assegurou, no entanto, que se tratava apenas de “ar preso”, e que, se ele dormisse por oito horas seguidas, ele ficaria bem.
 
De acordo com informações do jornal Daily Mail, o paciente obedeceu a recomendação médica, cochilou por duas horas, e foi quando precisou ser levado às pressas mais uma vez ao hospital — desta vez, com um diagnóstico mais preciso, de hemorragia interna.
 
O sangramento de mais de um litro e meio se acumulou em seu estômago, e Cunliffe disse que já registrou uma queixa na ouvidoria de East Lancashire.
 
Ele acredita que poderia ter morrido se tivesse seguido à risca o que os médicos mandaram — oito horas de sono seguidas.
 
— Eu jamais deveria ter sido mandado para casa. Tinha que ter sido internado, foi ridículo ir embora com dor. Eu sabia que algo estava errado, mas, como foi a primeira cirurgia que fiz na vida, não conseguia identificar.
 
Em casa, Cunliffe teve palpitações e sentiu muito frio nas extremidades. Na hora de voltar ao hospital, precisou da ajuda de paramédicos, que o tiraram da cama e o colocaram às pressas em uma ambulância.
 
— Eu pensava “é isso, vou morrer”. Perguntei à enfermeira e ela tentou me acalmar, mas, pela correria que foi, com os médicos falando entre si que meu estado era crítico, eu soube que as coisas não estavam muito boas. Fui operado meia hora depois de dar entrada, e sei que aquele cirurgião salvou minha vida.
 
Christine Pearson, enfermeira-chefe do hospital, disse que não comenta casos individualmente, e que sua equipe tem como meta proporcionar tratamentos seguros, personalizados e efetivos.
 
— Procuramos tratar nossos pacientes e suas famílias com compaixão e respeito. Convidamos o senhor Cunliffe a nos contatar o mais rápido possível, para que possamos resolver este problema.

R7

'Cápsula da USP' contra câncer não foi testada clinicamente; entenda

Cápsulas de fosfoetanolamina são entregues em saquinhos com 60 unidades (Foto: Stefhanie Piovezan/G1)
 Foto: Stefhanie Piovezan/G1 - Cápsulas de fosfoetanolamina
são entregues em saquinhos com 60 unidades
Fosfoetanolamina sintética não teve teste de eficácia nem segurança. Pesquisador passou a sintetizar substância no fim dos anos 1980
 
Pacientes de câncer e seus familiares têm entrado na justiça para conseguir acesso a uma cápsula produzida pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) por acreditarem que ela age contra o câncer. Sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a cápsula de fosfoetanolamina sintética só continua sendo produzida pelo instituto por causa das demandas judiciais.
 
A substância, que começou a ser sintetizada por um pesquisador do IQSC no final da década de 1980, não passou pelas etapas de pesquisa necessárias para o desenvolvimento de um medicamento, portanto não existem evidências científicas de que o produto seja eficaz no combate ao câncer ou seguro para o consumo humano.
 
5 perguntas e respostas sobre o caso da FOSFOETANOLAMINA
 
1) O que é?
Uma substância que passou a ser produzida em laboratório por um pesquisador da USP, hoje aposentado, que acredita que ela seja capaz de tratar câncer.
 
2) Qual é a polêmica?
Pessoas com câncer têm entrado na Justiça para obter o produto da USP, mas ele não passou pelos testes legalmente exigidos. A USP tem atendido a demanda somente porque é obrigada judicialmente.
 
3) Mas ela funciona contra o câncer?
Cientificamente, não há como afirmar, porque os testes necessários não foram feitos. Ela tem sido distribuída para diferentes tipos de câncer, mas sem seguir evidências científicas de que isso seja adequado.
 
4) Por que os testes não foram adiante?
O pesquisador alega que pediu ajuda à Anvisa para desenvolver os testes necessários, mas houve 'má vontade' da agência. A entidade, por sua vez, afirma que nunca houve um pedido de autorização para pesquisa clínica. Houve ainda um contato com a Fiocruz, porém o pesquisador diz que a instituição exigia que a patente do método de sintese da substância fosse passada para a fundação, o que não teria sido aceito por ele. Já a Fiocruz afirma que não realizou o pedido da patente.
 
5) Que mal pode fazer usar esse produto?
Como seus efeitos são desconhecidos, não há como excluir efeitos colaterais. O próprio pesquisador que descobriu como sintetizá-la admite que não sabe dizer que dosagem seria adequada para o tratamento de câncer.
 
Início da produção
O químico Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado do IQSC, começou a estudar a substância na década de 1980 e passou a trabalhar com a hipótese de que ela teria uma ação anticancerígena. Ele desenvolveu, então, um método próprio para sintetizar a substância em laboratório.
 
O processo para se testar a segurança e as possíveis propriedades terapêuticas de um componente é longo e envolve várias etapas de pesquisa, que não foram cumpridas no caso da fosfoetanolamina sintética.
 
Etapas de pesquisa
Primeiro, a substância que é candidata a se tornar um medicamento deve ser testada em modelos mais simples, como uma célula, explica a cientista Vilma Regina Martins, superintendente de Ensino e Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center.
 
Depois, o produto deve passar por um estudo em animais, que busca verificar se a droga é capaz de, por exemplo, controlar o tumor em um organismo vivo. Nesta fase, são feitos testes em roedores e em não-roedores. A etapa também é capaz de determinar se a substância tem uma atividade muito tóxica ou se é segura para o uso.
 
Caso todos os resultados sejam favoráveis, na próxima fase começam os testes clínicos, em seres humanos. Na pesquisa clínica de fase 1, avalia-se a segurança e a toxicidade do produto em humanos, gralmente voluntários saudáveis.
 
Na fase 2, feita em um número maior de pacientes, começa-se a testar a eficácia da droga contra a doença em questão. A fase 3 envolve um número muito maior de pacientes. Geralmente, é feita em vários centros em diferentes países. Somente depois disso é que o produto pode ser submetido à agência reguladora (a Anvisa, no caso do Brasil) para que o pedido de registro seja avaliado.
 
Cada uma dessas fases tem de ser aprovada pelos órgãos competentes, como o Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), a Comissão de Ética em Pesquisa (Conep) e a Anvisa. “Todos os tipos de tratamentos têm de ter fundo científico: isso é que é medicina com base em evidência. Qualquer coisa diferente disso é charlatanismo, não é ciência.”, diz Vilma.
 
No caso da fosfoetanolamina sintética, o único teste pelo qual a substância passou logo quando começou a ser sintetizada pelo IQSC, segundo Chierice, foi o da dose letal, que verifica a quantidade da substância capaz de matar metade de uma população de animais de teste. Chiarice diz que a substância não provocou a morte de nenhuma cobaia e ele concluiu que seria seguro testá-la em humanos.
 
Depois disso, ainda segundo o pesquisador, as cápsulas começaram a ser administradas a pacientes com câncer do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, com quem o IQSC mantinha um convênio por causa de um outro projeto. De acordo com Chiarice, a droga foi administrada mediante a assinatura de um termo de responsabilidade por parte dos pacientes, muitos em estágio terminal da doença.
 
O hospital especializado em câncer, porém, afirmou em e-mail ao G1 que não há nenhum registro sobre a utilização da cápsula por pacientes da instituição.
 
'Bola de neve'
Chiarice diz que, apesar da falta de documentação sobre o efeito da fosfoetanolamina nesses pacientes, “algumas pessoas tiveram melhora” e a existência de uma “cápsula da USP” para tratar câncer começou a ser divulgada. Mesmo depois de o hospital deixar de administrar o produto aos pacientes, alguns familiares continuaram indo até o IQSC para pedir novas doses e o instituto se manteve produzindo para atender a essa demanda.
 
“O paciente melhorava e recomendava para o vizinho. No início, a gente nunca controlou isso, não éramos médicos. Eles diziam: 'Queria levar para a minha prima porque deve fazer bem'. Nossa atitude não era policiar isso”, diz o pesquisador.
 
O próprio cientista admite que não sabe qual é a dose adequada da substância. “Em que dose as pessoas tomavam? A mesma que o hospital dava. Não tínhamos como clinicar ou recomendar, não éramos médicos, não tínhamos escopo para dizer isso. Eles já vinham com a orientação do vizinho, de um colega. É dificílimo de controlar. Isso criou uma bola de neve e, em 2013, estávamos produzindo mais de 50 mil cápsulas por mês.”
 
Anvisa: não houve pedido para pesquisa clínica
A Anvisa afirma, em nota, que nunca houve um pedido de autorização para pesquisa clínica para avaliar a eficácia da fosfoetanolamina sintética contra o câncer, tampouco um pedido para registro do produto como medicamento.
 
Chiarice acusa a Anvisa de “má vontade” por não tê-lo ajudado a desenvolver os testes pré-clínicos e clínicos necessários para a avaliação da substância. A Anvisa esclarece que não é papel da agência desenvolver pesquisas e medicamentos. "É preciso destacar que a Anvisa só avalia pesquisas clínicas ou requerimentos de registro de medicamentos e demais produtos se houver solicitação do interessado. Ou seja, a Agência não realiza análises sem motivação objetiva", afirmou a instituição por e-mail.
 
A agência observa ainda que "a venda ou distribuição de qualquer medicamento sem registro ou fora do contexto de uma pesquisa clínica aprovada caracteriza uma ilegalidade".
 
Mais recentemente, uma parceria entre Chiarice e o Instituto Butantan levou à publicação de cinco artigos em revistas científicas sobre a ação anticancerígena da fosfoetanolamina sintética em culturas de células e em animais. Porém não houve prosseguimento dos testes para viabilizar um estudo em humanos.
 
Houve ainda um contato com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em novembro de 2013 para o prosseguimento dos testes, mas nenhum acordo foi firmado. Segundo Chiarice, a instituição exigia que a patente do método de sintese da substância fosse passada para a Fiocruz, o que não teria sido aceito pelo pesquisador. Já a Fiocruz afirma que não realizou o pedido da patente, apenas informou que para uma possível produção pública de cápsulas da substância, após a realização dos estudos necessários, o licenciamento da substância poderia ser passado a um laboratório oficial.
 
Demandas judiciais
Depois da aposentadoria de Chiarice do IQSC, em 2013, o instituto interrompeu a produção da cápsula. Em nota, o instituto afirma que constatou que, como não havia licença e registro necessários para a produção da substância para fins medicamentosos, essa distribuição estava ferindo a legislação federal.
 
Vários pacientes, porém, estão conseguindo na Justiça o direito de receberem a substância, por isso o IQSC continua produzindo e fornecendo o produto para atender às demandas judiciais.
 
"Cabe ressaltar que o IQSC não dispõe de dados sobre a eficácia da fosfoetanolamina no tratamento dos diferentes tipos de câncer em seres humanos – até porque não temos conhecimento da existência de controle clínico das pessoas que consumiram a substância – e não dispõe de médico para orientar e prescrever a utilização da referida substância", afirmou o instituto.
 
Risco aos pacientes
Para o pesquisador João B. Calixto, coordenador do Centro de Inovação e Ensaios Pré-clínicos (CIEnP), uma entidade privada de pesquisas que presta serviços a empresas farmacêuticas, a situação é atípica e pode colocar em risco os pacientes. “Provavelmente, no passado, situações como essa aconteciam com mais frequência, mas há muito tempo existem leis cada vez mais rígidas que têm como principal preocupação a segurança do paciente”, afirma. “O que se tem nesse caso é apenas uma molécula que não foi sintetizada por causa do alvo, mas meio ao acaso. Hoje, a indústria não faz uma molécula ao acaso, mas baseada no alvo que ela quer atacar.”
 
Enquanto isso, centenas de pacientes continuam procurando Chierice para pedir as “cápsulas da USP” por acreditarem que ela é capaz de curar o câncer. Não há qualquer registro sobre quantas pessoas já recorreram à substância e nem sobre o efeito que a cápsula teve no organismo dos pacientes.
 
G1