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sexta-feira, 7 de março de 2014

Cientistas desenvolvem parafusos de seda para reparar fraturas

Parafusos se dissolvem com o passar do tempo
 
Parafusos feitos totalmente de seda foram usados pela primeira vez para reparar fraturas em cobaias, abrindo caminho para um tratamento mais eficiente para pessoas que sofrem o problema.
 
Parafusos feitos a base de seda previnem infecções e acabam sendo absorvidos pelo organismo. (Foto: Divulgação/Universidade Tufts)
Foto: Divulgação/Universidade Tufts
Parafusos feitos a base de seda previnem infecções e acabam sendo absorvidos pelo organismo
 
Uma equipe formada por engenheiros médicos da Universidade Tufts, do Estado americano de Massachusetts e do Centro Médico Beth Israel Deaconess, também nos Estados Unidos, produziu 28 parafusos a partir de moldes nos quais foram colocadas proteínas obtidas a partir de casulos de bicho-da-seda.
 
Eles foram implantados nos membros de seis ratos por entre quatro e oito semanas, ao final das quais eles já tinham começado a se dissolver.
 
Os pesquisadores atribuíram o fato deles se dissolverem a fibra natural em sua composição.
 
Metal
A expectativa dos cientistas é que essas peças venham a substituir as de metal usadas atualmente no reparo de ossos quebrados.
 
Quando um osso é fraturado, placas e parafusos de metal são usados para religar e fixar as partes rompidas. Mas, além de serem rígidas e incômodas essas peças geram risco de infecção.
 
Em muitos casos, elas têm de ser removidas depois que o osso está reparado, o que requer uma nova cirurgia.
 
Materiais sintéticos usados como alternativa para evitar esses problemas são difíceis de serem implantados e podem gerar reações inflamatórias, afirmam os pesquisadores.
 
Já no caso da seda, além de sua composição e rigidez serem parecidas com as do osso, o fato dela ser absorvida pelo organismo torna o material promissor.
 
— Queremos produzir uma série de aparelhos ortopédicos baseados nessa tecnologia para os casos em que não é desejável que as peças permaneçam no corpo, diz David Kaplan, cientista-chefe do estudo, à BBC News.
 
— Esse tipo de material não interfere em aparelhos de raio x, não dispara alarmes e não gera sensibilidade ao frio como o metal.
 
Prevenindo dor
Divulgada em um estudo divulgado na publicação científica Nature Communications, a nova técnica só foi testada em cobaias até agora.
 
A seda já fora usada em suturas, mas recentemente tem sido aplicada também em implantes médicos.
Pesquisadores alemães cobriram próteses de silicone com uma fina camada de proteínas de seda geradas em laboratório.
 
Estudos pré-clínicos sugerem que isso reduz ou previne dores causadas pelos implantes.
 
BBC Brasil / R7

Meninas podem tomar vacina contra HPV sem autorização dos pais, diz Ministério da Saúde

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Meninas entre 11 e 13 anos podem ser vacinadas contra o HPV
Vacina começa a ser ofertada no SUS a partir de 10 de março para meninas entre 11 e 13 anos
 
A campanha do Governo Federal contra o HPV (Papiloma Vírus Humano) — usada na prevenção do câncer de colo do útero, começará a partir de 10 de março para meninas entre 11 a 13 anos. Além dos 36 mil postos de saúde da rede pública, a vacina também estará disponível em escolas públicas e privadas que mostrarem interesse em imunizar suas alunas.
 
Para atingir a meta de vacinar 80% do público-alvo, formado por 5,2 milhões de meninas, o Ministério da Saúde está incentivando secretarias estaduais e municipais de saúde, em parceria com as secretarias de educação, a promoverem a vacinação nas escolas.
 
Caso a instituição ofereça a vacinação, a escola terá o direito de definir seu próprio calendário e informar aos pais. Além disso, o Ministério da Saúde ressaltou que os responsáveis que não concordarem com a imunização devem preencher um termo de recusa e entregar na escola. Segundo a pasta, a autorização não é necessária porque a vacina é um direito da adolescente previsto em lei.
 
Não esqueça o cartão de imunização
No caso do posto de saúde, para receber a dose, basta apresentar o cartão de vacinação ou o documento de identificação. Cada adolescente deverá tomar três doses para completar a proteção, sendo a segunda seis meses depois da primeira, e a terceira cinco anos após a primeira dose. Para o primeiro ano de campanha, o Governo Federal adquiriu 15 milhões de doses. A pasta reforça que a vacina estará disponível o ano todo nos postos de saúde.
 
Em 2015, a vacina passa a ser oferecida para as adolescentes de nove a 11 anos e em 2016 às meninas de nove anos. 
 
Vírus HPV
O vírus HPV é uma das principais causas do câncer do colo de útero, terceiro tipo mais frequente entre as mulheres. O SUS vai ofertar a vacina quadrivalente, recomendada pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), que confere proteção contra quatro subtipos (6, 11, 16 e 18). Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo mundo.
 
R7

Às vésperas de campanha nacional, vacina contra HPV ainda gera polêmica entre especialistas

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Vacina contra HPV será oferecida no SUS
SUS vai vacinar meninas de 11 a 13 anos a partir de 10 de março
 
A partir da próxima segunda-feira, 10 de março, meninas de 11 a 13 anos poderão receber gratuitamente a vacina contra o HPV (papiloma vírus humano) nas escolas e nos postos de saúde de todo o País. Apesar de parecer uma ação positiva do governo, a iniciativa gerou polêmica entre os especialistas.
 
A inclusão da vacina no calendário nacional foi desaprovada pela SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade). O diretor da entidade, Daniel Knupp, questiona sua segurança.
 
— As evidências científicas sobre a eficácia e segurança da vacina ainda são muito frágeis. Além disso, alguns estudos mostram que ela aumenta a incidência de diabetes tipo 1 e outras doenças autoimunes, como Síndrome de Behçet.
 
Rebatendo as críticas, a pediatra Isabella Ballalai, presidente da SBIm-RJ (Sociedade Brasileira de Imunizações do Rio de Janeiro), garante que a vacina é eficaz contra verrugas e lesões causadas pelo HPV.
 
— Esta não é a primeira nem a última vez que as pessoas relacionam uma doença com um tipo de vacina. Coincidências existem e até o momento a vigilância sanitária não detectou nenhum evento adverso grave. É preciso avaliar a veracidade e os critérios utilizados nestes estudos.
 
Sobre a recente retirada da vacina do Japão, a médica reforça que “não há comprovação de que mortes estejam relacionadas com a imunização”. A ginecologista e obstetra Márcia Fuzaro Terra Cardial, membro da diretoria da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), acrescenta que o país também não é adepto de campanhas de vacinação.
 
Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que para implantar a vacina no País, a pasta “seguiu as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), a experiência de outros países, o apoio do CTAI (Comitê Técnico de Assessor em Imunizações), a garantia da sustentabilidade da vacina e um estudo realizado pela professora Hillegonda Maria Dutilh Novaes, do Departamento de Medicina Preventiva da USP (Universidade de São Paulo)”.  Além disso, a vacina é utilizada como estratégia de saúde pública em 51 países, como Canadá, México, Colômbia e Suíça.
 
Segundo Knupp, a vacina reduz a incidência de algumas lesões no colo do útero, mas “não elimina totalmente a chance de a menina desenvolver a doença no futuro”.
 
— A vacina quadrivalente que será oferecida pelo SUS previne apenas quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18) contra mais de 150 que existem. Além disso, alguns estudos mostram que a mulher fica imunizada por sete a oito anos, depois deste período ela estaria desprotegida novamente.
 
Pesquisadora do HPV desde 1990, Márcia rebate a afirmação e avisa que as pesquisas garantem imunização de pelo menos dez anos.
 
— Até o momento, a vacina não mostrou necessidade de reforço porque não houve perda de eficácia. Pode ser que em longo prazo uma dose de reforço seja necessária, como acontece com outras vacinas, mas não podemos afirmar que ela tem prazo de durabilidade.
 
Além do câncer de colo de útero, Márcia, que também é professora da Faculdade de Medicina do ABC, avisa que a vacina previne o tumor na vagina, vulva, ânus, orofaringe e, no caso de meninos, pênis.
 
— Cerca de 80% das mulheres tiveram, têm ou terão HPV alguma vez na vida, por isso é importante estimular os pais a autorizarem a vacinação de suas filhas na escola. Esta iniciativa do governo é uma vitória da população.
 
As três etapas da vacina
Desde que a vacina foi lançada comercialmente no Brasil, em 2006, ela é aplicada em três doses. A menina recebe a primeira e, dois meses depois, a segunda. A terceira aplicação é feita após seis meses da primeira. Mas o esquema de vacinação do SUS (Sistema Único de Saúde) será outro: a segunda dose será aplicada seis meses depois da primeira e a terceira após cinco anos.
 
Questionado sobre esta mudança, o Ministério da Saúde disse por meio de nota que o esquema estendido é recomendado pelo TAG/OPAS (Grupo Técnico Assessor de Imunizações da Organização Pan-Americana de Saúde) e adotado por países, como Canadá e Suíça.
 
Para a pediatra da SBim, a estratégia é válida para meninas menores de 15 anos.
 
— Nesta faixa etária, as meninas produzem, no mínimo, o dobro de anticorpos que as mais velhas, tornando o esquema eficaz. O único problema é o que acontecerá se após cinco anos estas meninas não tomarem a terceira dose, por esquecimento, por exemplo.
 
O esquema convencional continua disponível apenas a quem pode pagar pela vacina nas clínicas particulares, que custa em torno de R$ 1.000.
 
Para o Ministério, com a adoção desse esquema foi possível ampliar a oferta de vacinação. No ano que vem, a cobertura incluirá as meninas de nove a 11 anos. A partir de 2016, a ação ficará restrita às garotas de nove anos.
 
A vacina contra HPV tem eficácia comprovada para proteger mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus. Mesmo protegida, a ginecologista da Sogesp alerta a importância da camisinha e dos exames de rotina.
 
— A camisinha deve ser usada em toda relação sexual e colocada no momento da ereção, já que o HPV pode ser transmitido durante as preliminares sem proteção. Já o papanicolau [exame ginecológico] deve ser feito quando a mulher iniciar sua vida sexual. A partir dos 30 anos, também é recomendado fazer o exame de HPV.
 
Você sabe o que é HPV?
O vírus do HPV é transmitido por meio do contato sexual e responsável pela quase totalidade dos casos de câncer de colo do útero. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), este é o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama, e a segunda causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.
 
 
De acordo com a ginecologista Márcia, a vacina entra em cena como uma ferramenta eficaz de prevenção, mas como o HPV é uma doença comum ela alerta que “o diagnóstico precoce e o tratamento adequado garantem a maior chance de cura”. 
 
R7

HPV pode ser transmitido pelo contato com a pele, alerta médica

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HPV pode ser transmitido durante as preliminares, avisa médica
Especialista reforça que vacina é a melhor forma de prevenir as doenças causadas pelo vírus 
 
O HPV (papiloma vírus humano) é um vírus muito prevalente na população feminina e sua principal forma de contágio é via sexual. No entanto, a ginecologista Neila Speck, professora afiliada do Departamento de Ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), alerta que não é preciso penetração para contrair o vírus.
 
— O HPV também pode ser transmitido pelo contato direto com a pele durante as preliminares, por exemplo. O sexo oral ou anal desprotegidos são outras formas de "pegar HPV". Embora a camisinha não seja 100% protetora neste caso, ela é fundamental na prevenção de outras doenças sexualmente transmissíveis, como hepatite, Aids, sífilis.
 
Segundo a médica, cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas foram ou serão infectadas por um ou mais tipos de HPV ao longo da vida, mas apenas 10% delas desenvolve algum tipo de lesão, que pode ser verrugas ou câncer.
 
— Entre as infecções causadas pelos mais de 150 tipos de HPV, a mais grave é o câncer de colo de útero. Por isso, se existe uma vacina que previne a doença, por que não tomar?
 
Embora a vacina não “blinde” o organismo de todos os tipos de HPV, Neila enfatiza que ela previne os mais graves (típo 16 e 18), responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero. Além disso, a imunização também afasta o risco de câncer na vagina, vulva, ânus, boca e faringe.
 
— No caso de meninos, previne o câncer de pênis. Embora o governo não ofereça a vacina gratuitamente para este público, é possível recorrer a clínicas privadas.
 
Entre os efeitos colaterais, a pediatra Isabella Ballalai, presidente da SBim-RJ (Sociedade Brasileira de Imunização do Rio de Janeiro), cita dor ou inchaço no local de aplicação e vermelhidão.
 
— Esta história de que a vacina não é segura, causaria doenças autoimunes e interrompe a ovulação não têm comprovação científica. Não tenho a menor dúvida de que a vacina é segura e eficaz.
 
A ginecologista da Unifesp concorda e acrescenta que “os benefícios são 300 milhões de vezes superiores aos riscos que ela representa”.
 
Prevenção
Mesmo vacinadas, as meninas devem exigir dos parceiros o uso da camisinha nas relações sexuais, reforçam as médicas. Além disso, Neila lembra a importância de realizar o exame ginecológico pelo menos a cada três anos.
 
— A infecção por HPV não causa sintoma, por isso, a mulher deve realizar o papanicolau a partir dos 25 anos, conforme o Ministério da Saúde. No caso de verrugas ou lesões na região genital é importante procurar o médico para avaliar a causa.
 
Segundo a médica, a evolução do câncer de colo de útero causado pelo HPV é bem lenta, mas o diagnóstico precoce é o que determina as chances de cura.

R7

Proteja sua pele contra sucos cítricos neste verão

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Cuidado ao ingerir alimentos cítricos para não
 manchar a sua pele
Dermatologista explica que limão e tangerina podem manchar a pele em contato com o sol
 
Bom dia! Sucos e sorvetes são ótimas opções para se refrescar nos dias quentes de verão, não é mesmo? Mas fique atento quando os ingredientes principais forem limão, lima, tangerina ou outra fruta cítrica. O suco dessas frutas, em contato com a pele, pode provocar queimaduras, caso haja exposição ao sol na sequência. Quando o suco cai em sua pele, o organismo "se defende" aumentando a produção de melanina na área afetada, por isso, há o aparecimento de manchas avermelhadas no local.
 
A dermatologista do Hospital Vitória, Arcádia Catalina Padilla Leottau afirma que é importante lavar a área que esteve em contato com a fruta com água e sabonete neutro.
 
— Além disso, deve se passar protetor solar no local para evitar a inflamação da pele. Quando houver queimadura ou aparecimento de bolhas, é recomendável o uso de cremes antibióticos receitados por um médico, para evitar uma infecção secundária. Nesses casos é preciso manter-se longe da radiação solar por oito dias, no mínimo.
 
Ao se expor ao sol, não se esqueça de utilizar filtro solar com FPS (fator de proteção solar) mínimo de 25.
 
— Verifique se ele é eficiente contra os raios ultravioleta do tipo A e B. A proteção UVA age contra o envelhecimento e o câncer de pele, enquanto a UVB previne as queimaduras solares.
 
R7

Mulheres realizam mais exames preventivos que homens

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Levantamento divulgado pelo Lavoisier mostra que, em 2013, público feminino fez 34% mais procedimentos que o masculino
 
Um levantamento realizado pelo grupo de medicina diagnóstica Lavoisier comprova o que já não é novidade em muitas áreas da saúde: as mulheres superam os homens na realização de exames preventivos. Somente em 2013, o número de procedimentos realizados no laboratório pelo público feminino superou em 34% o do masculino.
 
Rafael Munerato, diretor médico do Lavoisier, diz que, enquanto 67% das mulheres atendidas realizaram procedimentos preventivos, pouco mais de 30% dos homens fizeram o mesmo. Os resultados são semelhantes aos obtidos em 2011, quando cerca de 60% das mulheres realizaram exames preventivos contra 30% dos homens.
 
Para Munerato, a preocupação das mulheres com a saúde é histórica, e ocorre em fases que vão da puberdade, passando pela idade reprodutiva e menopausa, e incluem a prevenção do câncer de mama. Assim, elas se cuidam mais no decorrer da vida.
 
Entre os exames mais procurados no Lavoisier estão o hemograma, em primeiro lugar, e o teste de glicose, procedimentos universais tanto para homens quanto mulheres. A partir da terceira posição os exames começam a variar, sendo o TSH ultra sensível, colesterol total e triglicérides realizados em maior escala pelo público feminino, e o colesterol total, triglicérides e creatinina pelo masculino.
 
Apesar do público feminino demonstrar mais preocupação com a saúde, Munerato alerta para a baixa atenção que ainda é dada às doenças cardiovasculares. O infarto mata, segundo ele, seis vezes mais mulheres do que o câncer de mama, mas ainda é um fator negligenciado.
 
Veja abaixo a lista de exames preventivos recomendados para o público feminino:

- Aos 20 anos ou no início da atividade sexual: papanicolau, colposcopia, ultrassonografia pélvica ou transvaginal, ultrassonografia de mamas;

- Acima dos 30 anos: somando-se aos procedimentos solicitados aos 20 anos, é indicada a realização de exames para avaliar a função tireoidiana TSH, T4 Livre, T3 e ultrassonografia de tireoide;

- A partir dos 40 anos: mamografia anual, somados aos exames citados para as outras faixas etárias;

- A partir dos 50 anos: quando a maioria das mulheres inicia o período da menopausa, o foco maior deve ser nos ossos e no coração. A realização de uma densitometria óssea logo após o início da menopausa se faz necessária. Dosagens hormonais e exames relacionados ao metabolismo do cálcio vão ajudar no acompanhamento e prevenção da osteoporose;

- Mulheres com antecedentes de câncer de mama ou ovário na família devem iniciar o acompanhamento médico com antecedência. A época ideal depende da idade com que seu familiar teve a doença e também o tipo de câncer. O melhor a fazer é procurar o seu médico e explicar o histórico para dar início ao tratamento preventivo;

- Antes da gravidez é importante realizar exames de sorologia para sífilis, HIV, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes simples tipo I e II, hepatites B e C. Caso não consiga engravidar durante um ano, procure o seu médico para realizar exames de fertilidade.

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Conheça os desafios dos produtos de cadeia fria

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Crescimento da demanda de produtos que exigem temperatura controlada reforça importância do armazenamento e transporte
 
Produtos da cadeia fria, como por exemplo medicamentos biológicos, necessitam de cuidados específicos em relação ao armazenamento e transporte a fim de garantir suas condições originais. Este é um dos grandes desafios da indústria farmacêutica e de saúde no Brasil.
 
De acordo com a gerente do laboratório de ensaios térmicos da Polar Técnica, Liana Montemor, a tendência é que o mercado desses produtos que requerem temperatura controlada cresça cada vez mais, devido principalmente a crescente pesquisa de medicamentos biológicos. Para se ter uma ideia da importância do tema, o Ministério da Saúde está investindo R$ 36 milhões em armazenamento e distribuição de vacinas.
 
A gerente técnica Liana explica que para garantir a eficiência e robustez da manutenção de uma determinada faixa de temperatura de um sistema de embalagem térmica é necessário, entre outros fatores (como por exemplo os estudos de qualificação), a escolha correta do material que transportará a carga. “Ao contrário do que muitos pensam, o volume da embalagem térmica não deve ser escolhido apenas em função do tamanho do produto ou da carga a ser transportada. Este é apenas uma variável atrelada à escolha do material”, afirma.
 
Para a Liana, entre os principais fatores que devem ser levados em consideração na hora de escolher a embalagem térmica, estão:
  • a temperatura do produto a ser transportado;
  • o tempo de manutenção térmica requerido pelo sistema de embalagem;
  • o modelo de transporte, incluindo a análise de logística reversa;
  • a resistência a impactos e segurança da carga;
  • além do valor do produto, atrelado aos riscos do sistema de transporte.
Estudos internacionais já comprovaram a perda da capacidade imunizante dos insumos, produtos e medicamentos sensíveis à temperatura causada pela refrigeração inadequada. Daí a grande importância de publicações como o Manual Brasileiro de Boas Práticas de Cadeia de Frio, desenvolvido pela ISPE (Associação Internacional de Engenharia Farmacêutica, sigla em inglês).
 
Os projetos da Polar Técnica para 2014 apontam para o aumento da área de atuação no desenvolvimento de processos (estudos) de qualificação térmica não só de embalagem, mas de equipamentos, estruturas, frigoríficos etc. Além do lançamento de novos produtos como Kits Validados, Fit Box e outros em estudos e testes. Os clientes target da empresa estão nas áreas farmacêutica, empresas de diagnósticos, vacinas e reagentes.
 
De acordo com o fundador e diretor comercial da Polar Técnica, Paulo Vitor de Andrade, a companhia, de 79 funcionários, detém três galpões com 3.200m², um laboratório de 420m², incluindo investimento até agora de R$ 600 mil podendo chegar a R$ 1.300.000,00 nos próximos 18 meses. Além de um crescimento estimado entre 12% a 16% ao ano.
 
Entenda o potencial do mercado de biológicos e os cuidados necessários para aproveitar as oportunidades:
 
Saúde Web: Caso a empresa não siga as dicas de qualidade e segurança para o transporte e armazenamento dos medicamentos, quais são os riscos e prejuízos relacionados tanto em relação a própria companhia quanto ao paciente final?
Liana: As boas práticas de transporte devem ser seguidas para que o produto que requer temperatura controlada mantenha sua qualidade ao longo de toda cadeia de distribuição. Para a empresa que não mantém o produto na temperatura especificada na embalagem, os prejuízos vão desde a imagem da empresa, ao retrabalho de todo processo logístico até o comprometimento do abastecimento do produto ao mercado e a falta dele para o paciente final. Além dos efeitos adversos ou a não efetividade que um produto fora da faixa de temperatura pode causar.
 
Saúde Web: O governo é o maior comprador de medicamentos biológicos hoje no Brasil, mas o montante ainda equivale apenas 5% do que consome. Como vê a tendência de consumo deste tipo de produto no País?
Liana: A tendência é que o mercado dos produtos que requerem temperatura controlada cresça cada vez mais, devido principalmente a crescente pesquisa de medicamentos biológicos. Atualmente, os medicamento correspondem a 20% de tudo o que é transportado no país e devem atingir a marca de 25% até 2015. A previsão para o setor sobre a movimentação das vendas globais para 2016 é de US$ 900 bi, sendo que 21%, ou US$ 130 bi, referem-se aos medicamentos biológicos.
 
Saúde Web: Sabe-se que tais medicamentos são mais caros do que os não biológicos. A alta tecnologia agregada ao correto armazenamento e distribuição pode ser responsável por aumentar ainda mais o preço desses produtos ou acaba evitando gastos desnecessárias?
Liana: O que torna o produto biológico mais caro do que o não biológico é sua alta tecnologia de produção através de metodologias especificas de biotecnologia, os investimentos com pesquisa e desenvolvimento e os processos de obtenção dos princípios ativos, principalmente. A manutenção da temperatura requerida evita gastos desnecessários e mantém a droga com qualidade.
 
Saúde Web: Vocês falaram sobre carência em infraestrutura e adoção e manutenção de boas práticas. Podem exemplificar melhor as carências a que se referem?
Liana: Os agentes de carga, os modais e todos os sistemas de informação e documentação necessitam melhorias e desenvolvimento em seus processos. Por exemplo, os aeroportos são carentes em infraestrutura física e tecnológicas para o despacho mais ágil e seguro de cargas que necessitam de temperatura controlada.
 
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Alzheimer pode matar tanto quanto câncer e coração, revela estudo

Foto: Reprodução
Um terço das mortes acima dos 75 anos pode ser atribuído ao mal, mas identificação da causa pode ser errônea
 
Um estudo norte-americano divulgado na quarta-feira (5) mostra que um terço das mortes de pessoas com mais de 75 anos pode ser atribuído ao mal de Alzheimer. Essa doença pode ser responsável por tantos óbitos quanto as patologias cardiovasculares.
 
Bryan James, do Centro Médico da Universidade Rush, em Chicago, estudou um grupo de 2.566 pessoas com média de idade de 78 anos, que foram submetidas a um teste anual para determinar se sofriam ou não de demência.
 
Depois de um período de oito anos, 1.090 participantes tinham morrido, sendo que 559, que não sofriam de Alzheimer no início do estudo, desenvolveram depois a doença. O período médio entre o diagnóstico e as mortes foi cerca de quatro anos e o Alzheimer foi confirmado por meio de autópsia em 90% dos casos.
 
Segundo os dados publicados na revista científica Neurology, a taxa de mortalidade foi quatro vezes mais elevada nas pessoas que sofriam de demência entre os 75 e os 84 anos e cerca de três vezes superior nas que tinham 85 anos ou mais.
 
“O mal de Alzheimer e outras formas de demência não figuram nas certidões de óbito e nos dossiês médicos”, disse o autor do estudo, adiantando que esses documentos indicam como causa direta e imediata de morte uma pneumonia, sem mencionar a demência como causa subjacente.
 
O pesquisador reconhece a dificuldade de identificar uma simples causa de morte na maior parte das pessoas idosas, uma vez que vários problemas de saúde vão se acumulando.
 
“As estimativas produzidas pela nossa análise dos dossiês médicos sugerem que as mortes resultantes do Alzheimer ultrapassam largamente as estatísticas dos centros de controle e prevenção de doença refletidas nas certidões de óbito”, disse Bryan James.
 
Nos Estados Unidos, o Alzheimer surge nas estatísticas oficiais em sexto lugar na lista de principais causas de morte, enquanto as doenças cardiovasculares e o câncer surgem em primeiro e segundo lugares.
 
O pesquisador conclui, com base no estudo, que houve mais de 500 mil mortes por Alzheimer nos Estados Unidos, na população acima dos 75 anos, em 2010, número que é cinco a seis vezes superior aos 83 mil mortos registrados nas bases oficiais.
 
O mal de Alzheimer, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como patologia crônica, não é transmissível e é a forma mais comum de demência, representando entre 50% e 70% de todos os casos.
 
* com informações da Agência Lusa
 
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Concurso para médicos do Iamspe; curso de imersão em oncologia no A.C. Camargo

O Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) abriu em fevereiro inscrições para a contratação de 80 novos médicos, mais seis profissionais para atuarem no Prevenir Iamspe, que trabalha na prevenção e promoção da qualidade de vida do funcionário público – sendo dois para medicina de família e comunidade e 4 para medicina do exercício e do esporte. Os contratados trabalharão no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), que fica na capital paulista.
 
As inscrições podem ser feitas no Núcleo de Planejamento e Seleção de Recursos Humanos do Iamspe, até o dia 14 de março. A taxa de inscrição é de R$ 66,46 e todos os inscritos serão avaliados por meio de prova objetiva.
 
As áreas disponíveis e o número de vagas: Alergia (1), Anatomia Patológica (1), Assistência Domiciliar (5 + 1 PNE), Cardiologia nas áreas Geral (3), Ergometria (1) e Intervencionista/Hemodinâmica (2), Cirurgia nas áreas de Cabeça e Pescoço (1), Cirurgia Geral (1), Vascular (1), Clínica Médica (8 + 1 PNE), Clínica Médica/Pronto-Socorro (1), Cuidados Paliativos (2), Doenças do Aparelho Respiratório (1), Endocrinologia (2), Endoscopia (1), Endoscopia PHmetria (1), Fisiatria (1), Gastroenterologia Clínica (1), Geriatria (3), Ginecologia para as áreas de Mastologia (1) e Oncoginecologia (2), Hematologia (4), Medicina Intensiva (6 + 1 PNE), Nefrologia (1), Neonatologia (2), Neurologia para as áreas de Eletroencefalografia (1), Pediatria (1) e Pronto-Socorro (2), Oftalmologia para as áreas de Catarata (1), Glaucoma (1) e Órbita e vias lacrimais (1), Oncocirurgia (1), Oncologia Clínica (4), Ortopedia/Traumatologia (1), Otorrinolaringologia (1), Pediatria para as áreas de Pronto-Socorro (2) e Terapia Intensiva (2), Psiquiatria (4), Reumatologia (1) e Urologia (1).
 
Os editais de abertura podem ser vistos no site do Iamspe.
 
Oncologia
O A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com o Istituto Nazionale Dei Tumori di Milano (IRCCS), da Itália, promove ao longo de 2014 o curso Imersão em Oncologia Brasil-Itália 2014. São sete módulos ministrados por especialistas de diferentes áreas (como patologia, radiologia, cirurgia, entre outras), divididos em pequenos grupos para atividades in loco relacionadas a um determinado tipo de câncer.
 
O próximo módulo ocorrerá em 15 de março e tratará do câncer de mama. Os médicos debaterão, entre outros temas, a eficácia do rastreamento por mamografia para mulheres a partir dos 40 anos e como integrar os diversos recursos de imagem para o diagnóstico. A programação inclui visita ao setor de imagem, discussão de casos clínicos e tratamento adjuvante.
 
No primeiro semestre também serão abordados os tumores do trato gastrointestinal alto e o câncer urológico.

 No segundo semestre, os temas são melanoma, câncer ginecológico e câncer de cabeça e pescoço. O primeiro módulo, ocorrido em 22 de fevereiro, teve como tema o câncer colorretal.
 
As inscrições para o primeiro capítulo já estão encerradas, mas serão disponilizadas mais vagas para os próximos módulos. Mais informações no site do A.C. Camargo Cancer Center.

Projeto obriga empresas a fazer descarte adequado de remédios

Foto: Reprodução da internet
Farmacêuticas poderão ser obrigadas a aderir à logística reversa; medicamentos poderão receber tratamento semelhante ao dado aos agrotóxicos
 
A Câmara analisa um projeto de lei (PL 6160/13), do deputado Major Fábio (DEM-PB), que obriga fabricantes, importadoras, distribuidoras e lojas de medicamentos para uso humano ou animal a providenciar o descarte dos produtos e das embalagens.
 
O projeto altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) para obrigar o setor de medicamentos a aderir à chamada logística reversa, em que as empresas compartilham a responsabilidade pelo descarte dos produtos, que podem ser reciclados ou tratados da maneira que cause menor impacto ambiental. Para tanto, as empresas podem criar postos de coleta para os produtos ou embalagens e rotinas de reciclagem.
 
Major Fábio argumenta que hoje não há controle sobre os medicamentos jogados fora e as substâncias podem contaminar o solo e a água de aterros sanitários. Ele ressalta que a legislação já regula o descarte de agrotóxico, mas deixou os medicamentos de fora. “Se já há previsão da coleta e destinação especial para agrotóxicos, não se explica que a mesma sistemática não seja adotada para medicamentos”, disse.
 
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e Constituição e Justiça e de Cidadania. A íntegra da proposta pode ser acessada no site da Câmara.

SaudeWeb

Saiba como evitar o mau cheiro nos pés

Saiba como evitar o mau cheiro nos pés Daniel Marenco/Agencia RBS
Foto: Daniel Marenco / Agencia RBS
Usar o mesmo calçado e as mesmas meias por dois dias
seguidos não é recomendável
Odores desagradáveis provem da fermentação do suor com bactérias e fungos
 
O simples fato de tirar o sapato em público pode ser extremamente constrangedor para quem sofre com problemas de mau cheiro nos pés. O chulé atinge indiscriminadamente homens e mulheres de diferentes idades e até mesmo as crianças.
 
Segundo a dermatologista Helua Mussa Gazi, o problema é proveniente da combinação de suor com bactérias nos pés.
 
— Transpirar é um mecanismo natural do organismo e serve para regular a nossa temperatura. Sendo assim, em situações que o corpo é submetido a elevações térmicas, principalmente no verão, o corpo secreta mais suor para conseguir manter o seu equilíbrio— explica.
 
Normalmente, esse suor não tem cheiro. Isso porque as glândulas responsáveis pelo suor eliminam apenas água e sais. Mas, de acordo com a dermatologista, os fungos e bactérias que habitam a superfície da pele e que se proliferam nesse ambiente úmido e abafado são responsáveis pelo mau cheiro.
 
— O processo é denominado de bromidrose plantar, mas é vulgarmente conhecido como chulé. Esse odor nos pés costuma aparecer, principalmente, em quem usa sapatos fechados o dia inteiro. Diante disso, como o suor não tem a possibilidade de se dissipar ele é fermentado junto com as bactérias que estão no local causando o odor— descreve a médica.
 
Acompanhe algumas dicas de Helua para ficar livre do cheiro desagradável nos pés:
 
- Mantenha os pés sempre bem higienizados. Aliás, depois do banho, seque bem a planta dos pés e principalmente entre os dedos, pois a umidade favorece a proliferação de bactérias
 
- Evite usar o mesmo sapato dois dias seguidos. O ideal é colocar o calçado em lugar arejado após a utilização
 
- Mantenha a sapateira limpa. Para isso, uma vez por semana retire todos os calçados e limpe-a com um germicida desinfetante
 
- As meias também não devem ser usadas mais de uma vez. Lembrando que as mais indicadas são as de algodão, pois ajudam a absorver melhor o suor
 
- Evite os sapatos fabricados com materiais sintéticos como plástico e borracha, já que eles aumentam o calor e umidade nos pés e, por consequência, agravam o mau cheiro
 
- Use desodorante para os pés, ele ajuda a controlar a transpiração dos mesmos.
 
Zero Hora

OMS projeta novas recomendações sobre consumo de açúcar

OMS projeta novas recomendações sobre consumo de açúcar Ricardo Chaves/Agencia RBS
Foto: Ricardo Chaves / Agencia RBS
Proposta ressalta benefícios do açúcar como 5% do valor
energético diário
Agência da ONU realiza consulta pública sobre diretrizes para ajudar a reduzir casos de obesidade e de cáries
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está preparando uma nova recomendação sobre os limites do consumo diário de açúcar. A indicação atual, de 10% do valor total de energia, deve ser mantida. Entretanto, o futuro documento pretende mostrar os benefícios de se consumir menos da metade do total.
 
Segundo a agência da ONU, 5% do valor energético diário consumido por uma pessoa correspondem a 25g de açúcar, ou seis colheres de chá.
 
A cartilha da instituição busca reduzir problemas de saúde como obesidade e cáries. Segundo a agência, os limites do consumo de açúcar serão aplicados para produtos com glucose e frutose, como açúcar de mesa, mel, xaropes, sucos de frutas e concentrados.
 
A OMS alerta ainda que boa parte do açúcar consumido pelas pessoas está "escondido" em alimentos processados. Uma colher de ketchup, por exemplo, tem o equivalente a uma colher de chá de açúcar, e uma lata de refrigerante comum tem até 40g de açúcar, ou 10 colheres de chá.
 
O esboço da proposta está aberto para consultas públicas até o final deste mês. Qualquer pessoa ou especialista pode enviar à agência seus comentários sobre o documento. A última vez que a OMS lançou diretrizes sobre o consumo diário de açúcar foi em 2002.
 
Quando ficar pronto, o relatório poderá ser utilizado como referência para avaliar o consumo de açúcares e por políticas e programas de saúde que visem reduzir a ingestão do produto.
 
Rádio ONU

Especialistas contrapõem pesquisa que compara alto consumo de proteína ao cigarro

Especialistas contrapõem pesquisa que compara alto consumo de proteína ao cigarro Ana Meinhardt/Divulgação
Foto: Ana Meinhardt / Divulgação
A carne só pode conter uma substância cancerígena quando
 fica levemente queimada, rebatem os especialistas
Estudo afirma que alta ingestão de carne, queijo e leite aumenta em quatro vezes o risco de morte por câncer
 
Um pesquisa internacional publicada nesta semana no Cell Metabolism afirma que o alto consumo de proteína animal — incluindo carne, leite e queijo — representaria risco quatro vezes maior de morte por câncer em relação a uma dieta com baixo consumo proteico. Esse risco seria comparável ao prejuízo do tabagismo à saúde. Quem consome uma grande quantidade de proteína animal (pelo menos 20% do total de calorias diárias) também estaria mais suscetível à morte precoce em geral e, ainda, a morrer de diabetes. A pesquisa acompanhou 6.381 pessoas por 18 anos.
 
Os malefícios da proteína, entretanto, só valeriam para quem tem entre 50 e 65 anos. Para os mais velhos, ela teria efeito protetor. A explicação estaria no hormônio do crescimento IGF-1, que tem sido relacionado à morte por câncer. Necessária para equilibrar o organismo após os 65 anos, quando os níveis de IGF-1 caem drasticamente, antes disso, o excesso de proteína poderia deixar os índices desse hormônio altos demais.
 
Urologista e autor de um blog sobre dieta paleolítica (à base de proteína), José Carlos Souto questiona essa relação, pois outros estudos demonstraram que o hormônio IGF-1 estimula o crescimento de tumores já existentes, mas não é causador de câncer. Além disso, os carboidratos também são responsáveis por aumentar os índices de IGF-1.
 
Outro ponto fraco da pesquisa, na avaliação de Souto, é a ausência de dados sobre os hábitos de saúde dos participantes.
 
— Diversos estudos já apontaram que pessoas que consomem muita carne vermelha têm um comportamento menos saudável como um todo. Elas fumam mais, consomem mais álcool e são mais sedentárias. Não há como saber, com base nesse estudo, se é a proteína a culpada pelo câncer— afirma.
 
Para o nutrólogo Paulo Henkin, diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) na Região Sul, a comparação com os riscos do tabagismo é absurda. Ele também problematiza o fato de não ter sido considerado o tipo de cozimento da carne.
 
— Só há uma circunstância em que a carne pode conter uma substância cancerígena chamada nitrosamina, que é quando fica aquele queimadinho. Enquanto isso, há dezenas de elementos químicos identificados na fumaça do cigarro que são sabidamente cancerígenos — frisa Henkin.
 
A pesquisa também perderia credibilidade por não detalhar os cruzamentos da quantidade de carne consumida pelos entrevistados com os demais componentes da dieta. Segundo Henkin, já foram identificados 24 mil micronutrientes presentes em hortaliças que teriam um efeito protetor contra o câncer. Uma alimentação balanceada poderia neutralizar as substâncias cancerígenas.
 
O nutricionista e bioquímico Gabriel de Carvalho destaca que os dados utilizados registram um único dia da alimentação dos participantes, sem discriminar se a proteína ingerida veio de carne vermelha, peixe, frango ou mesmo queijo e leite. Ainda, a diferença entre os hábitos alimentares dos americanos, nacionalidade dos participantes da pesquisa, e dos brasileiros deve ser considerada.
 
— O nosso gado é que os americanos chamariam de "gado verde", pois é criado livre no pasto. A carne consumida pelos participantes do estudo, muito provavelmente, tem origem em um gado confinado, tratado com hormônios para ganhar peso rapidamente, o que muda as características desse alimento — explica.
 
Por trás das ressalvas feitas pelos especialistas ouvidos por ZH, está a questão metodológica: por se tratar de um estudo observacional, ele não permitiria chegar a conclusões de causa, nem a números absolutos.
 
Chama atenção que, apesar de alardear a relação entre o alto consumo de proteína e o risco de morte por câncer, Valter Longo, um dos coautores do polêmico estudo, recomenda seguir os padrões de consumo das principais agências de saúde do mundo: 0,8 grama de proteína por quilo de seu peso total por dia, o que representaria em torno de 55 gramas para uma pessoa de 70 quilos.
 
Zero Hora

Tire suas dúvidas sobre o tratamento da fertilização in vitro

Tire suas dúvidas sobre o tratamento da fertilização in vitro Jessé Giotti/Agência RBS
Foto: Jessé Giotti / Agência RBS
Em 2012, foram produzidos 93.320 embriões e realizados
21.074 ciclos de fertilização em vitro só no Brasil
Casais que não podem gerar filhos devem procurar especialista para diagnosticar as causas do problema
 
A impossibilidade de gerar um filho é uma ideia que assombra qualquer casal e não são poucos os que são acometidos por essa dificuldade. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que entre 60 e 80 milhões de pessoas no mundo apresentam algum comprometimento para seguir o projeto de maternidade e paternidade, sendo que a infertilidade atinge 20% dos casais em idade reprodutiva. No Brasil, de acordo com dados do último censo, cerca de 6,5milhões de casais têm problemas para gerar um filho.
 
Essa dificuldade pode ter diversas causas, masculinas ou femininas. Em mulheres, a endometriose é um dos principais motivos. Ela é provocada por uma afecção inflamatória devido às células do endométrio que se implantam em outros órgãos do corpo, geralmente próximo do útero, acarretando alterações locais. Em muitos casos, é responsável por abortos espontâneos.
 
Problemas na ovulação - geralmente causados por distúrbios hormonais-, síndrome dos ovários policísticos e obstrução nas trompas são outros fatores responsáveis pela infertilidade feminina. Em homens, no entanto, a varicocele nos testículos é a causa mais comum. Ela é caracterizada por varizes no cordão inguinal, ou seja, uma dilatação anormal das veias testiculares que dificulta o retorno venoso provocando disfunção testicular e piora da qualidade do sêmen em decorrência do aquecimento provocado nos testículos.
 
Recomenda-se que, quando o casal não conseguir concretizar a fecundação após tentativas no decorrer de um ano sem o uso de métodos anticonceptivos, é necessário buscar o auxílio de um especialista para que este realize o diagnóstico das causas da infertilidade.
 
O tratamento
A Fertilização In Vitro (FIV) é um tratamento que consiste na fecundação fora do organismo, ou seja, ela é realizada em um ambiente artificial. A mulher é submetida à estimulação ovariana, a qual é realizada com a ajuda de injeções diárias - pelo período de 10 a 12 dias - a fim de incentivar a mulher a produzir vários óvulos. Depois desse processo, os óvulos são aspirados por meio de um procedimento cirúrgico e avaliados.
 
No caso dos homens, os espermatozoides são coletados pela masturbação. Eles também passam por análises para identificar a qualidade, quantidade e a capacidade de movimentação. Diante disso, os espermatozoides são colocados junto dos óvulos – em uma espécie de incubadora - para que a fertilização ocorra naturalmente. A transferência do embrião para o útero ocorre, geralmente, no terceiro dia depois da fecundação utilizando um cateter.
 
De acordo com dados da Anvisa, em 2012 foram produzidos 93.320 embriões e realizados 21.074 ciclos de fertilização em vitro só no Brasil. No total, cerca de 34.964 embriões foram transferidos para o útero da mulher.
 
É importante ressaltar que a FIV foi criada como uma opção de tratamento para as mulheres que apresentavam problemas nas tubas e homens que estavam severamente inférteis, a ICSI. Diante disso, as chances de uma gestação por métodos naturais são os mesmos de uma por meio da FIV. O que irá garantir a eficácia do tratamento são as características e hábitos diários do casal.
 
Muitas pacientes podem engravidar sem a alta tecnologia da fertilização com a simples administração de medicamentos ou pequenas correções cirúrgicas. Além disso, causas assintomáticas e que não são observadas pelos exames de imagem como a ultrassonografia podem causar a infertilidade ou a falha no sucesso da fertilização in vitro.

Zero Hora

Consumo exagerado de carne e queijo pode ser tão ruim quanto fumar

Consumo exagerado de carne e queijo pode ser tão ruim quanto fumar Rafaela Martins/Agencia RBS
Foto: Rafaela Martins / Agencia RBS
Quantidade de proteína considerada ideal ainda é um tema
 bastante controverso
Segundo estudo, proteína em excesso na meia idade quadruplica risco de morte por câncer
 
Aquele bife grelhado aparentemente inofensivo pode ser tão mortal quanto um cigarro. Um novo e amplo estudo acompanhou adultos por quase duas décadas e revelou que uma dieta rica em proteínas animais durante a meia idade pode quadruplicar as chances de morrer de câncer, um risco comparável ao do fumo.
 
Além do maior risco de morte por câncer, as pessoas de meia idade que consomem uma grande quantidade de proteína animal — incluindo carne, leite e queijo — também são mais suscetíveis a morte precoce em geral, revela o estudo publicado na "Cell Metabolism". Elas também são muito mais propensas a morrer de diabetes.
 
— A grande maioria dos americanos poderia diminuir seu consumo de proteína. A melhor mudança a se fazer seria reduzir a ingestão diária de proteínas, sobretudo as derivadas de animais — afirma um dos coautores do estudo, Valter Longo, professor de gerontologia da Universidade do Sudeste da Califórnia e diretor do Instituto da Longevidade.
 
Mesmo quem come uma quantidade moderada de proteína apresenta um risco três vezes maior de morrer de câncer do que aqueles que comem pouca proteína, revela o estudo. De forma geral, pequenas reduções na quantidade de proteína ingerida diariamente podem reduzir o risco de mortalidade precoce em 21%.
 
Mas a quantidade de proteína considerada ideal ainda é um tema bastante controverso, especialmente pela popularidade de dietas ricas em proteínas como a paleolítica e a Atkins. Embora, a curto prazo, essas dietas funcionem, segundo Longo, elas podem estar levando a uma deterioração da saúde a médio e longo prazo.
 
No estudo, os cientistas definem uma dieta "rica em proteína" como aquela em que pelo menos 20% das calorias ingeridas provêm de proteínas. A alimentação pobre em proteína teria menos de 10%. O ideal, diz o cientista, seria seguir as recomendações das principais agências de saúde do mundo e consumir cerca de 0,8 grama de proteína por quilo de seu peso total por dia — algo como 55 gramas para uma pessoa de cerca de 70 quilos.
 
De acordo com Longo, o problema é que um número crescente de pessoas em nações desenvolvidas e em desenvolvimento come duas ou três vezes mais do que isso, sendo que boa parte vem de proteína animal e não de vegetal, como sementes, feijões e castanhas. Os pesquisadores descobriram que as proteínas de origem vegetal não têm o mesmo efeito sobre a mortalidade que as proteínas animais. O risco de câncer e morte precoce também não parece ser alterado por dietas pobres em carboidrato ou gorduras, indicando que a proteína animal é mesmo a maior culpada.
 
— Quase todo mundo vai ter uma célula cancerosa ou celular pré-cancerosa em algum momento da vida. A pergunta é: será que ela vai progredir? Um dos principais fatores para determinar se isso vai acontecer ou não é a ingestão de proteínas — disse Longo.
 
Necessidades diferentes ao longo da vida
Mas as recomendações não valem para todas as fases da vida. Diferente do que fazem muitos estudos, que consideram a vida adulta como um período único, a pesquisa de Longo examinou mais de perto as mudanças que ocorrem em nosso organismo à medida que envelhecemos. Estudando dados sobre o consumo de proteína ao longo de muitos anos, os cientistas concluíram que o que é bom para uma faixa etária pode ser ruim para outra.
 
Isso porque a proteína controla o hormônio do crescimento IGF -I, que ajuda o nosso corpo a crescer e tem sido associado ao risco de câncer. Os níveis de IGF -I caem drasticamente após os 65 anos, causando fragilidade e perda de massa muscular. Segundo o estudo, apesar da proteína ser muito prejudicial durante a meia idade, ela é protetora para os mais velhos e os torna menos suscetíveis ao câncer.
 
— A pesquisa mostra que uma dieta com pouca proteína na meia idade é útil para prevenir o câncer e a mortalidade em geral, pois regula o IGF-I e, possivelmente, os níveis de insulina. No entanto, nós também propomos que em idades mais avançadas o seu consumo pode ser importante para manter um peso saudável e proteger da fragilidade — afirma outra coautora do estudo, Eileen Crimmins.

Zero Hora

Médicos usam terapia genética para proteger pacientes de ação do vírus HIV

BBC
Células-T foram alteradas geneticamente com mutação que
dá resistência à ação do HIV
Cientistas alteraram células-T, que faz parte do sistema imunológico; técnica pode substituir drogas tradicionais
 
Pesquisadores nos Estados Unidos usaram terapia genética para "melhorar" o sistema imunológico de 12 pacientes com HIV para protegê-los contra a ação do vírus, que causa a Aids.
 
A experiência aumenta a perspectiva de que os pacientes não precisem mais tomar medicamentos diários para controlar a infecção.
 
Glóbulos brancos (células responsáveis pelo combate a infecções) foram retiradas dos pacientes e reinjetados após passarem por um tratamento para dar a elas resistência ao HIV.
 
O estudo, publicado na publicação científica New England Journal of Medicine, sugere que a técnica é segura.
 
Mutação
Algumas pessoas nascem com uma rara mutação genética que os protege do HIV.
 
Essa mutação altera a estrutura das células-T, parte do sistema imunológico, o que faz com que os vírus não consigam entrar nas células e se multiplicar.
 
A primeira pessoa a se recuperar totalmente da infecção pelo HIV, Timothy Ray Brown, teve seu sistema imunológico extinto com um tratamento contra leucemia e depois reposto com um transplante de medula óssea de alguém com a mutação genética.
 
Agora os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estão adaptando os próprios sistemas imunológicos dos pacientes para dar a eles a mesma defesa.
 
Milhões de células-T foram tiradas do sangue e cultivadas em laboratório até que os médicos tivessem bilhões de células com as quais pudessem trabalhar.
 
A equipe de cientistas alterou então o DNA dentro das células-T para dar a elas a mutação protetora - conhecida como CCR5-delta-32.
 
Cerca de 10 bilhões de células foram então reinjetadas, apesar de que apenas 20% delas haviam sido modificadas com sucesso.
 
Quando os pacientes tiveram a medicação suspensa por quatro semanas, o número de células-T não protegidas ainda no corpo caiu dramaticamente, enquanto as células-T modificadas pareciam estar protegidas e ainda poderiam ser encontradas no sangue vários meses depois.
 
Substituição
A experiência foi desenvolvida para testar apenas a segurança e a possibilidade de utilização do método, e não se ele poderia substituir o tratamento mais comum no longo prazo.
 
"Esta é a primeira vez que isso é feito. A edição genética nunca havia sido testada antes em seres humanos (para o combate ao HIV)", afirmou à BBC o diretor do Laboratório de Produção de Vacinas e de Células Clínicas da Universidade da Pensilvânia, Bruce Levine.
 
"Nós conseguimos usar essa tecnologia com o HIV e mostrar que ela é segura e praticável, então essa é uma evolução no tratamento do HIV a partir da terapia antirretroviral diária", afirmou.
 
Segundo ele, o objetivo agora é desenvolver uma terapia que possa substituir a cara medicação diária que os pacientes com HIV tomam.
 
"E se pudermos agora avançar para um tratamento que pode durar anos?", sugere Levine.
 
Um tratamento desse tipo poderia ser caro, então qualquer benefício dependeria de quanto tempo as pessoas poderiam ficar sem tomar as drogas tradicionais e por quanto tempo duraria a proteção contra a ação do vírus.
 
Levine argumenta que isso poderia durar vários anos, o que poderia significar um gasto menor no longo prazo.
 
BBC Brasil /iG

Sem documento e sem família, pacientes viram 'moradores de hospitais'

 Foto: Maria Fernanda Ziegler / iG
Sebastião Trindade, 71 anos, vive há 10 anos no hospital geriátrico
Vítimas de acidente ou com transtorno mental, os 'doentes sem nome' costumam deixar o hospital apenas quando morrem
 
Alex é apenas Alex. O rapaz teve um traumatismo craniano encefálico grave por conta de um atropelamento. Ficou em coma e foi operado de um coágulo no cérebro. Desde então, convive com sequela neurológica grave e intelectual. Comunica-se apenas por sorrisos e choros. Em sua certidão de nascimento, feita no hospital, consta apenas o nome Alex. Nada mais.
 
Com aparência de 35 anos, ele chegou ao Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II, em São Paulo, no hospital em 10 de fevereiro de 2004. Naquela época, Dom Pedro ainda aceitava pacientes jovens. Nos últimos nove anos entram apenas idosos. "Ele atende por Alex. Então fizemos uma certidão de nascimento apenas com esta informação. É um caso raro de identidade tardia e com apenas uma informação", diz a assistente social Selma da Silva Freire.
 
Além de Alex, outros 28 pacientes que habitam o local atualmente chegaram ali sem identificação e seguem sem receber visita e sem nutrir qualquer expectativa de vida fora do espaço. Dali, os “sem documento” só costumam sair para o cemitério. E não é por incapacidade física.
 
A diretora técnica do hospital Dom Pedro II, Sueli Luciano Pires, explica que a maioria dos pacientes tem alta médica, mas não tem alta social. "Oitenta por cento dos pacientes são idosos, com histórico de falta de vínculo familiar. A grande maioria é de homens, que são mais desgarrados, não é? O que temos aqui são pacientes que precisam tomar um comprimido, ou ajuda para tomar banho, mas fora daqui não há alguém que faça isso por eles”, diz.
 
O Dom Pedro atende 338 pessoas, divididas em sete alas, por grau de dependência de cada paciente. Dois terços dos 338 pacientes nunca recebeu visitação de parentes ou amigos.
 
Sebastião Trindade, de 71 anos, é um deles. Há dez anos ali, ele conhece muito bem a expressão "sozinho no mundo". O homem tinha uma ferida grave no pé que piorou tanto que ele nunca mais voltou a andar. Morador de favela, vivia em condições precárias. Diabético e hipertenso, chegou sem nenhuma documentação. Mas com muita história na cabeça.
 
Se não tem documento não existe
Trindade é completamente lúcido. Tanto que os assistentes sociais do hospital conseguiram fazer a segunda via da carteira de identidade do homem a partir das declarações do próprio paciente, como nome, sobrenome, data e local de nascimento. Seu primeiro documento foi feito em 1951, provavelmente no orfanato.
 
O destino de Sebastião parece ser mesmo colado ao abandono. O homem que vive sem contato nenhum com parentes e na condição de paciente não identificado nasceu em Muriaé e, abandonado pelos pais, foi adotado por uma família da cidade. Na casa, lembra ele, apanhava das irmãs mais velhas. Então, aos oito anos, fugiu. “Batiam em mim até quando eu fazia xixi na cama. Aquilo não estava certo. Vi o ônibus e acabei indo para Belo Horizonte. Agora queria ver como é que elas estão. Se ainda existem ou não existem e também saber que a gente existe, não é? Eu preciso perdoar”, diz o homem que após completar 18 anos e sair do orfanato, mudou-se para São Paulo e viveu em condições insalubres em uma favela até que foi parar no hospital, aos 58 anos.
 
“Por que é importante fazer o documento? Porque eles passam a existir. Sem isso, eles não existem socialmente”, explica Sueli Luciano Pires. No Censo de 2010, pela primeira vez o IBGE incluiu no questionário informações sobre crianças sem registro. O Brasil tem cerca de 500 mil crianças que "não existem". Os dados sobre número de adultos sem identificação não existem.
 
Apenas um nome
O trabalho de busca de documentação é a parte investigativa do trabalho do trabalho dos assistentes sociais e que o maior entrave é o fato de o sistema de identificação não ser unificado no País. "Como não temos pressa, podemos fazer uma investigação mais aprofundada. Esperar o paciente se recuperar para dar as informações necessárias”, diz Selma.
 
A assistente conta que muito mais importante que a data de nascimento ou o nome dos pais, o que mais conta nas buscas, fora o nome, é o local de nascimento. “Se a gente não tem informação do local de nascimento do paciente fica muito difícil, pois os registros são feitos por estado. Uma identidade feita em Minas, por exemplo, não é registrada no sistema de São Paulo. Não tem como fazer o cruzamento de dados. Contamos muito com a identificação de pacientes a partir de matérias na imprensa", diz.
 
A Secretaria Estadual da Saúde tem em seu site um serviço com fotos de pacientes sem identificação para que eles possam ser encontrados por seus parentes. Neste momento, há 117 pacientes cadastrados no site, 637 já passaram por este cadastro. Mas, de acordo com Selma é mesmo a partir de reportagens veiculadas na imprensa que as famílias se encontram.
 
Um dos que foram encontrados é Xista Gomes Barros, de 76 anos e há doze dentro do hospital." Após uma reportagem, a família no Pará, com quem ela não tinha contato há anos, a reconheceu. Houve o reencontro, mas as duas partes preferiram manter a idosa aqui.”
 
Pelo jeito, com ou sem documento, com ou sem família, o destino de todos ali parece ser mesmo o de morador de hospital.
 
iG

Mulher ganha batalha judicial para manter sêmen de marido morto

Foto: BBC
Beth e Warrem Brewer
Lei britânica permite que espermas e óvulos sejam armazenados por até 55 anos se o dono renovar autorização
 
A inglesa Beth Warren ganhou na Justiça, nesta quinta-feira, o direito de manter o sêmen de seu marido, morto há dois anos. Os espermas foram congelados antes de o instrutor de esqui Warren Brewer começar um tratamento contra um câncer no cérebro.
 
Na época, ele assinou um documento autorizando sua mulher a usar seu sêmen caso ele morresse. De maneira geral, a lei permite que espermas e óvulos sejam armazenados por no máximo 55 anos, se o termo de consentimento for renovado regularmente.
 
Mas, nesse caso, a agência reguladora – a Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA) – afirmou que o esperma não pode ser armazenado além de 2015, já que Brewer não poderia renovar o consentimento.
 
Casamento
Ele e Beth já estavam juntos havia 8 anos quando o câncer foi diagnosticado – e se casaram em uma clínica onde ele estava internado seis semanas antes da morte. Após a decisão da corte, Beth disse que estava “radiante”.
 
“Não tenho nem palavras para descrever m minha felicidade. Até agora, eu não me permiti acreditar que tudo ia realmente dar certo.”
 
De acordo com ela, o período em que o marido morreu foi muito turbulento para ela, não apenas pela morte dele, mas também porque, semanas antes, ela perdeu seu irmão em um acidente de carro.
 
Por essa razão, foi preciso adiar a decisão de ter um filho, até que ela conseguisse “se reestabelecer emocionalmente”. A britânica disse que ainda não decidiu se é o momento de ter um filho.
 
“É uma decisão importantíssima”, disse ela, sobre ter um filho que nunca vai conhecer o pai. “Não tenho como decidir isso agora. Preciso de mais tempo para retomar minha vida. E pode ser que eu nunca decida fazer o tratamento para engravidar. Mas, quando eu sair do luto, quero ter a liberdade de decidir sobre isso.”
 
2023
A sentença da Justiça diz que o correto seria que o sêmen fosse mantido até, pelo menos, abril de 2023. A batalha, no entanto, não chegou ao final, já que a HFEA decidiu recorrer da decisão.
 
Segundo a agência, a decisão pode ter implicações para outros casos, em que as demandas do doador de esperma não sejam tão claras. Já o advogado da britânica, James Lawford Davies, afirmou que as determinações da HFEA criam injustiças. “Por bom senso, é preciso dar tempo para que ela se recupere da perda do marido e do irmão e não força-la a tomar uma decisão tão importante nesse ponto de sua vida.”
 
O advogado disse ainda que as regras da agência têm inconsistências, já que não há, por exemplo, restrições para exportar o esperma, então ele pode ser usado em tratamentos em outros países.
 
O sêmen também poderia ser usado para desenvolver embriões, que podem ser congelados e armazenados por sete anos.
 
BBC Brasil / iG

Aparelho detecta problemas no sono

Foto: Reprodução
Hospital do Rio tem equipamento que permite acompanhar paciente em sua própria casa, e não em clínica
 
Rio - Aparelho israelense de última geração está ajudando pesquisadores do Rio de Janeiro a estudarem pacientes com problemas para dormir. Trata-se do Watch Pat 200, que monitora cada minuto do sono, é menos invasivo que os equipamentos tradicionais e já é usado em três estudos da Universidade do Estado do Rio (Uerj).
 
A máquina é uma das únicas no país, e a Uerj possui duas, segundo Antonio Felipe Sanjuliani, professor e coordenador da disciplina de Fisiopatologia Clínica e Experimental da Faculdade de Medicina da Uerj. O maior benefício é o fato de o Watch Pat 200 monitorar o sono de forma mais natural. Isso porque o paciente leva o equipamento para casa e dorme sem alterar a rotina. Na técnica convencional, conhecida por polissonografia, é preciso permanecer nas clínicas e dormir fora do ambiente doméstico.
                      
“A polissonografia feita na clínica pode alterar o sono e gerar uma informação equivocada sobre o paciente”, alerta o especialista.
                      
O equipamento israelense é capaz de monitorar aspectos como a qualidade do sono, a incidência da apneia, a quantidade de movimentos feitos pelo paciente e o fluxo de oxigênio na respiração. Todas as informações são armazenadas em um software que cria um relatório completo.
                      
Uma das pesquisas feitas com o aparelho descobriu que 75% dos pacientes com hipertensão resistente também sofriam de apneia do sono. O estudo começou em 2012 e envolveu 60 pessoas, selecionadas no Hospital Universitário Pedro Ernesto. A apneia é diagnosticada quando o paciente para de respirar pelo menos cinco vezes por hora durante o sono.
                      
“Estamos fazendo também estudos com obesos para ver a relação entre o sobrepeso e problemas no sono”, declara.
 
Risco de males cardíacos aumenta
Dormir menos de seis horas por dia pode trazer uma série de males ao organismo. De acordo com a pneumologista Thaís Bittencourt, do Serviço de Medicina do Sono do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo, dormir pouco pode ocasionar problemas cardíacos a longo prazo. Ela explica que durante o sono a frequência cardíaca e a pressão arterial são reduzidas, o que ajuda a garantir a saúde do coração. Manter o corpo ‘trabalhando’ mais tempo do que o necessário seria um fator de risco.
                      
“Isso favorece o surgimento de hipertensão e diabetes, o que aumenta o risco de infartos e acidentes vasculares cerebrais ”, alerta.
                      
A especialista alerta que o sono da tarde não substitui o período de descanso noturno e que menos de seis horas dormidas por noite não são suficientes para recuperar o organismo. De acordo com Thaís, uma dica para repor as horas de sono perdidas é aumentar, gradualmente, o tempo de sono de 15 a 30 minutos por noite, a cada semana.
 
O Dia

Hospital é condenado por morte em exame

Três morreram em janeiro de 2013 na clínica que fica dentro do hospital
Foto: Cedoc/RAC
Três morreram em janeiro de 2013 na clínica que fica

dentro do hospital
A Justiça condenou o Hospital Vera Cruz e a clínica Ressonância Magnética Campinas (RMC) a pagarem uma indenização por dano moral de R$ 1 milhão ao empresário Pedro José Ribeiro Porto e à sua mulher, Maria Inês, pela morte do filho do casal, Pedro José Ribeiro Porto Filho, de 36 anos, após a realização de um exame na unidade hospitalar em janeiro de 2013.
 
A decisão é do juiz Gustavo Pisarewski Moisés, da 6ª Vara Cível de Campinas, mas ainda cabe recurso.
 
Por engano de uma auxiliar de enfermagem, a vítima teve a substância perfluorocarbono injetada nas veias no lugar de soro e sofreu uma parada cardiorrespiratória.
 
Na mesma ocasião, outras duas pessoas - a administradora de empresas Mayra Cristina Augusto Monteiro, de 25 anos, e o zelador Manuel Pereira de Souza, de 39 - também morreram em situação idêntica.
 
Falha
"O ato ilícito aqui é patente: o filho dos autores ingressa nas dependências dos réus para realizar um exame corriqueiro e de lá sai sem vida, em razão da troca de substâncias químicas. Trata-se de falha imperdoável, injustificável, inescusável, vergonhosa e que, de tão grotesca que é, dispensa maiores qualificativos", afirmou o juiz em sua decisão.

"Afastada a arenga e a ladainha que os responsáveis em eventos que tais soem apresentar em juízo, como se tal conseguisse algum sucesso em sua defesa, é gritante aqui o erro grosseiro e crasso, a falta de perícia e a incompetência dos prepostos dos reús (…) A morte de paciente quando da realização de exame corriqueiro por troca de substâncias é algo tão absurdo que só confirma a falta de cautela daqueles que lá trabalhavam em favor dos réus", reforçou a sentença.

Agradecimento
O empresário Ribeiro Porto agradeceu a decisão, mas deixou claro que nada disso diminuirá a dor pela perda do filho.
 
"A sentença foi contundente; a Justiça fez o que estava ao seu alcance. O hospital e a empresa precisavam ser punidos. Mas, para toda a nossa família, essa indenização não tem muito significado", comentou o pai.

O advogado da família, Carlos de Araújo Pimentel Neto, avaliou que a sentença foi exata."O fato foi escandaloso", disse ele.
 
Um dos advogados que representam o Hospital Vera Cruz e a clínica Ressonância Magnética Campinas, Fernando Damha Filho, fez críticas ao tom da decisão judicial e questionou a inexistência de uma possibilidade de acordo.
 
"A sentença foi passional. A função do Judiciário é conciliar, mas nesse tom vai ser difícil. As empresas vão oferecer recurso, principalmente, porque não foi aberto nenhum canal de negociação (entre as partes). Nós estávamos esperando a designação de uma audiência de conciliação, que é praxe nesse tipo de processo. Os advogados aguardavam essa audiência para tentar fazer uma composição e minimizar o tamanho da dor. É lógico que o tempo não vai minimizar a dor, mas os que ficam, os que vivem, têm que ter instrumentos para minimizar essa dor", afirmou o advogado.
 
"Nós esperávamos um valor menor. Essa discussão de quanto vale uma vida é algo horroroso. Mas, quando temos uma situação dessas, precisamos verificar o que os costumes rezam. Os tribunais têm fixado as condenações entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. Não que eu ache isso correto... Nenhum valor paga uma vida. Foi um desastre, não tem como negar", apontou Damhas.
 
RAC