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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Primeiro “Viagra feminino” é aprovado por agência reguladora americana

Nesta terça-feira (18), a agência americana de controle de medicamentos deu o sinal verde para a pílula Addyi, que trata a falta de desejo sexual da mulher
 
A agência que controla medicamentos e alimentação nos EUA (FDA, na sigla em inglês) aprovou nesta terça-feira (18) o medicamento Addyi (flibanserin) para tratar a frigidez em mulheres na menopausa. É o primeiro tratamento que recebeu o aval da instituição para transtornos decorrentes da falta de interesse sexual.
 
“O FDA se esforça para proteger e promover a saúde das mulheres, e estamos comprometidos em apoiar o desenvolvimento de tratamentos seguros e eficazes para a disfunção sexual feminina", declarou Janet Woodcock, diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa sobre drogas do FDA, em nota divulgada pela agência.
 
O medicamento Addyi age nos neurotransmissores do cérebro para tratar a perda do desejo sexual e pode produzir efeitos colaterais significativos como pressão baixa arterial e perda de consciência. Esse riscos são maiores e mais graves quando ingerido com bebida alcóolica.
 
A pílula destinada a aumentar a libido das mulheres foi aprovada quase duas décadas após a entrada no mercado do Viagra para a disfunção erétil.  
 
*Com AP / iG

Alcoolismo: Identifique quando o hábito de beber está se tornando um problema

Entenda como funciona a relação do homem com a bebida e os sinais que marcam o abuso do álcool mesmo em quem bebe moderadamente

Dr. Persio Ribeiro Gomes de Deus Psiquiatra

Os conceitos sobre alcoolismo são muito amplos, mas existe um consenso de que a pessoa que não consegue mais viver sem o uso da bebida desenvolveu de alguma forma um hábito ou uma dependência, mesmo que só beba em doses moderadas. O vício se estabelece, justamente, porque muitas pessoas pensam que por beberem moderadamente não são consideradas alcoólatras.
 
Geralmente quem abusa do álcool já recebeu muitos avisos, principalmente de familiares e amigos, mas existe sempre a recusa em admitir o problema. O que se ouve, normalmente, é ?paro quando quiser?. A pessoa só vai se dar conta quando acontece alguma perda de performance profissional, algum constrangimento social, ou mesmo algum acidente que afete sua saúde. Isto é diferente de pessoas ou povos que usam da bebida dentro de um contexto cultural alimentar, mas, neste caso, podem perfeitamente interromper o uso da bebida sem sentir sua falta.        
 
Como identificar se estou abusando do álcool?
Existem diversas formas, a primeira é se propor a passar por um período sem beber, que pode ser de um mês, por exemplo. Nesse período verifique se há mudança do estado de humor, sono, produtividade, irritabilidade, entre outras alterações de comportamento. Outra forma de identificar que está havendo um exagero é examinar o fígado, que é o órgão do corpo que ?filtra? ou metaboliza o álcool ingerido. Quando há excesso de álcool, pode haver aumento de determinadas enzimas hepáticas, demonstrando um comprometimento ou uma sobrecarga hepática que poderá evoluir para uma cirrose O mais difícil é percebermos que estamos exagerando. Temos que ter a humildade de ouvir a opinião dos outros quando ainda estamos totalmente sóbrios, ou ouvir que após a segunda dose, ou após a terceira caneca, já ficamos alterados. A partir daí existe a necessidade de estabelecermos um limite que será bastante individual, além de ser um compromisso pessoal de nunca ultrapassarmos esse limite.
 
Caso perceba que está "passando do ponto", em determinado momento, se deve parar o uso da bebida imediatamente, e tomar bastante água para se hidratar e diluir a bebida no organismo. Lembrando que nunca se deve beber em jejum ou sem ter ingerido alguma comida, pois, neste caso, a absorção do álcool será muito mais rápida.  
 
Na realidade a bebida pode ser muito boa, tem muitas propriedades que fazem bem à saúde, mas a relação do ser humano com a bebida pode ser totalmente doentia. Então, o problema não é da bebida, mas da relação que o homem estabelece com ela. Beber pode sim, mas se alcoolizar e passar do ponto nunca!
 
Minha Vida

Adesivo repelente de alta tecnologia deve ser lançado ano que vem

No Alasca, mosquitos superam as pessoas numa proporção de 24 milhões para um. Isso faz do estado americano um ótimo lugar para testar as últimas defesas contra os bichinhos
 
Em um experimento, a jornalista americana Jennifer Jolly, do jornal “The New York Times”, utilizou produtos mais recentes do mercado: pulseiras seguras para crianças feitas com óleos vegetais, ventiladores com o repelente embutido, roupas tratadas quimicamente e o bom e velho inseticida. Por fim, testou um adesivo de alta tecnologia que só deve ser lançado no ano que vem, o qual creditou como tendo os melhores resultados.
 
O produto, de cheiro parecido ao de cravo-da-índia, confunde os sentidos do mosquito, obstruindo sua habilidade de nos localizar pelo dióxido de carbono que exalamos e confundindo a capacidade de nos achar de perto. A substância foi muito eficaz no laboratório, mas o teste decisivo será feito quando for usada em todos os cantos recobertos de mosquitos do planeta. A versão branda do composto do laboratório Kite, em Riverside, Califórnia, a ser lançada em 2016, é feita com odores baseados em plantas, o que não exige aprovação da Agência de Proteção Ambiental. Uma versão mais forte aguarda aprovação regulatória para 2017.
 
Uma equipe de cientistas e empreendedores do setor tecnológico está dando os toques finais no adesivo, para ser usado na roupa, que “praticamente torna os humanos invisíveis para os pernilongos”, segundo a jornalista.
 
As apostas são altas. Até agora, 40 estados americanos registram casos de febre do Nilo Ocidental. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os mosquitos permanecem como os animais mais mortais do planeta, transmitindo doenças como a do Nilo Ocidental, chicungunha e malária que matam mais de um milhão de pessoas por ano. Qualquer tecnologia nova para repelir de forma eficaz e consistente os pernilongos não vai apenas tornar os verões mais confortáveis – também salvará vidas.
 
O primeiro teste da jornalista contra mosquitos foi com uma série de pulseiras coloridas, seguras para crianças, embebidas em óleos vegetais naturais, tais como citronela, gerânio, capim-limão e hortelã. Jennifer experimentou o bracelete chamado Buglet, disponível em uma série de cores e com “personagens animais fofinhos”. Também testou o de plástico mais modesto chamado Bugband e a versão com velcro chamada Parakito. Segundo ela, todos tinham cheiro bom e ótimo visual, mas não afastaram os bichos por muito tempo. Embora não pousassem diretamente nas pulseiras, não se intimidavam em vir comer a poucos centímetros dali.
 
Há, ainda, como reportou, o Off Clip On – um ventilador do tamanho de um celular encaixado na parte de cima da calça ou em um bolso. Gire o botão e ele circula um repelente sem cheiro feito com metoflutrina. O aparelho custa menos de US$ 10, com pilhas inclusas. Segundo a embalagem, contém repelente suficiente para 12 horas. A seguir, vestiu roupa com permetrina, substância sintética que atua como os extratos naturais da flor do crisântemo e mata insetos quando é perfurada. Usou moletom e calça da Exofficio. A roupa funcionou “razoavelmente bem”, mas embora os mosquitos não a tenham penetrado, eles se mostravam “perfeitamente à vontade” para voar ao seu redor e, às vezes, “pousar em qualquer pedaço de pele nua que pudessem encontrar”.
 
Para Jennifer, a única coisa que funcionou bem de verdade é algo que já funcionava bem 40 anos atrás: inseticida com DEET. No entanto, a outra opção promissora – um adesivo que praticamente cria um campo de força repelente aos pernilongos ao redor do corpo – estará disponível até o próximo verão.
 
O Globo

Meu tímpano perfurou, e agora?

Saiba como tratar e prevenir perfurações do tímpano, a membrana que protege a orelha
 
Dra. Samanta Dall´Agnese           
Otorrinolaringologista 
 
Antes de falarmos sobre tímpano perfurado é importante explicar como este processo funciona. A membrana do tímpano é uma proteção que separa a orelha externa da orelha média. A orelha média é uma cavidade preenchida por ar que contém os ossículos da audição. O som é captado pela vibração da membrana do tímpano, que faz os ossículos se movimentarem. Para tudo funcionar bem, a pressão do ar contido dentro da orelha média deve ser a mesma da pressão atmosférica do local onde estamos. A abertura da tuba auditiva, que conecta a orelha média à parte mais profunda do nariz, faz a conexão da orelha média com o ambiente externo.

Um fato interessante é que problemas nasais, como rinite e aumento da adenoide (que se localiza na parte posterior do nariz) podem obstruir a tuba auditiva e prejudicar a aeração da orelha. Em situações como mergulho ou voo, a mudança da pressão atmosférica pode ser muito brusca a ponto de a orelha média não conseguir equalizar a pressão interna com o ambiente externo ao mesmo tempo. A membrana do tímpano é tracionada pela pressão externa e pode ser rompida.
 
Outra situação em que o tímpano pode ser perfurado são as infecções. Em casos graves, a orelha fica preenchida por secreção purulenta que faz pressão sobre o tímpano levando ao seu rompimento. Objetos inseridos na orelha com muita força (como cotonetes) ou substâncias como ácidos e água muito quente também podem romper o tímpano.  
 
Tratamento e cuidados
Para se tratar o tímpano perfurado, primeiro, deve-se afastar infecção (otite). Como o tímpano é uma barreira de proteção, seu rompimento facilita a entrada de bactérias. Se o médico constatar sinais de infecção, o tratamento será feito com antibióticos, que podem ser por via oral ou gotas otológicas. A dor costuma ser intensa nesses casos e, em geral, são necessários anti-inflamatórios e analgésicos.

Proteção contra a água é o principal cuidado quando o tímpano foi perfurado. Durante o acompanhamento médico, poderá se optar por observação, aguardando-se um prazo de alguns meses para que haja fechamento da perfuração de forma espontânea. Se não houver, pode ser necessária uma cirurgia para correção do tímpano.

Para se proteger contra a água na hora do banho, deve-se colocar uma bola de algodão embebido em algum óleo, como óleo de amêndoas, que funciona como uma barreira contra a água. Deve-se evitar frequentar piscinas, praticar mergulho ou qualquer atividade com risco de entrada de água na orelha.

A mudança de pressão atmosférica, como em voos ou subida/descida de serra não causará alterações pois a perfuração funciona como uma comunicação com o ambiente externo. A pressão da orelha média será igual à da pressão atmosférica.

Prognóstico
Em determinados casos, principalmente se a perfuração ocorreu por uma infecção, o tímpano pode se regenerar. Isso vai depender de vários fatores, como a extensão da perfuração, demora para tratamento da infecção e da imunidade do paciente.  

Sobre os riscos do problema voltar a acontecer, tudo irá depender da causa da perfuração. Em geral, perfurações recorrentes são relacionadas a infecções crônicas e doenças nasais. A rinite sem tratamento ou a hipertrofia da adenoide levam à má ventilação do ouvido. No caso da adenoide, pode ser necessária retirada com cirurgia.

Minha Vida

Remédio aprovado nos Estados Unidos combate o colesterol

A droga é injetável, e poderá ser aplicada pelo próprio paciente
Medicamento 'atrapalha' o fígado eliminando a gordura do sangue em até 65%; principal utilização do remédio é para os pacientes com hipercolesterolemia familiar
 
Quem luta contra o colesterol alto vai ganhar um nova opção: um novo remédio foi aprovado recentemente pela agência reguladora do setor nos Estados Unidos, a Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês).
 
O medicamento atua contra o PCSK9, um anticorpo que atrapalha o fígado na retirada do LDL (o colesterol “ruim”) do sangue, eliminando até 65% dessa substância.
 
Ao contrário do HBL, também produzido pelo corpo humano e benéfico para o organismo, o LDL acumula gordura nas artérias, aumentando os riscos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), entre outras doenças.
 
A nova droga é injetável, e poderá ser aplicada quinzenalmente pelo próprio paciente. A principal utilização do remédio é para os pacientes com hipercolesterolemia familiar, doença genética que aumenta os níveis de colesterol ainda na infância.
 
“Essas pessoas começam com níveis tão altos de LDL que não conseguem chegar nem perto do patamar que deveriam. Acredito que esse seja o grupo de maior risco”, avaliou Donald Smith, professor do Hospital Mount Sinai, em Nova York, ao canal de televisão americano ‘CNN’.
 
A droga também poderá ser receitada para quem já teve ataque cardíaco ou AVC. A expectativa, contudo, é que seja estendida para mais pessoas no futuro.
 
“É uma nova e poderosa forma de reduzir o tipo ruim de colesterol, o que tem implicações profundas no tratamento de doenças cardiovasculares”, comemorou Elliott Antman, presidente Associação Americana do Coração, também à ‘CNN’.
 
O tratamento disponível hoje é através de estatinas. Muitas vezes, no entanto, elas não trazem melhora, ou causam efeitos colaterais. Os possíveis efeitos do novo remédio incluem coceira, inchaço, e hematomas na região em que a agulha for aplicada.
 
No país, mal atinge mais de 18,4 milhões
Os dados mais recentes disponíveis, da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), mostram que 18,4 milhões de brasileiros, acima de 18 anos, estão com taxas elevadas do LDL, o colesterol ruim. Além de praticar exercícios físicos, quem quer escapar do problema deve evitar alimentos como carne, ovos, leite e comer mais frutas, cereais, verduras e peixes
 
iG

Novo fármaco promissor mata o câncer estimulando a produção de proteínas

Cambridge, MA, EUA – Uma nova droga que superestimula a produção de proteínas cruciais para o crescimento do tumor é a nova estratégia para tratar uma ampla gama de cânceres
 
As células tumorais estão em rápida divisão celular, de maneira que essa abordagem estressa as células. Essas conclusões foram apontadas por pesquisadores norte-americanos e publicadas no jornal científico Cancel Cell no último dia 10 de agosto de 2015. Os cientistas testaram a droga em um rato e mostraram que o tratamento é eficaz em modelo de câncer de câncer de mama e eficiente em uma ampla gama de células tumorais humanas.
 
A eficácia da nova droga
Segundo o co-autor do estudo David Lonard do Bayor College of Medicine, antes nenhuma droga que estimulasse uma proteína tumoral tinha sido desenvolvida ou proposta para terapia do câncer. Essa nova droga funciona em vários tipos de tumor e mostra resultados encorajadores na batalha contra a doença.
 
As células cancerosas adquirem mutações em oncogenes – genes que podem transformar células normais em células tumorais – dessa forma, muitas pesquisas focam na identificação de genes que sejam alvos para novas terapias. Os membros da família do receptor de esteróides (SRC) são especialmente promissores como alvos terapêuticos, porque estas proteínas participam de processos importantes no desenvolvimento do tumor e na sua capacidade de se espalhar para outros órgãos.
 
Lonard e o outro autor do estudo, Bert O’Malley, levantaram a hipótese de que alguns compostos poderiam matar células tumorais não por inibir, mas por estimular proteínas SRC. Eles pensaram que a estimulação do SRC pode ser tão eficaz quanto a sua inibição, uma vez que gera desequilíbrio no ciclo celular.
 
Para testar essa ideia, eles rastrearam centenas de milhares de compostos para identificar um ativador potente do SRC chamado MCB-613. Este composto matou tumores de mama, próstata, pulmão e fígado, poupando células normais, e com pouca toxicidade em camundongos.
 
Esse desbalanço fez com que as células tumorais produzissem uma grande quantidade de proteínas, gerando um estresse celular e acúmulo de proteínas com função anômalas. Essa estimulação excessiva de reciclagem leva ao acúmulo moléculas tóxicas que matam a célula.
 
Em entrevista à revista Cell, O’Malley se declarou otimista com essa nova droga e acredita que ela entrará em estudo clínico para melhorar a vida de muitos pacientes.
 
O tratamento do câncer
Em maio de 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu 16 novos medicamentos na lista de medicamentos essenciais para tratamento do câncer. Com isso, a OMS considera 46 fármacos como medicamentos prioritários para tratamento da doença e devem ser oferecidos pelo sistema público de saúde de todos os países.
 
Essa nova lista inclui alguns medicamentos genéricos, mas também de alguns de alto custo, como o trastuzumab, o imatinib e o rituximab, que são usados para tratamento de câncer de mama, mieloide crônica e linfoma, respectivamente. A lista também conta com fármacos para o câncer em fase avançada e disseminada (metástase).
 
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vários dos medicamentos recém-incluídos na lista, mas alguns são restritos a tratamentos específicos. O trastuzumab é um exemplo, pois é usado apenas no pós-cirúrgico, para prevenir que a doença volte.
 
A epidemia de câncer
De acordo com a OMS, o câncer mata cada vez mais. Dos 14 milhões de novos casos registrados em 2014, 8 milhões resultaram em morte. Segundo o levantamento, 60% das mortes ocorreram na África, Ásia e América do Sul.
 
Ainda segundo a OMS, os casos devem aumentar em 70% nos próximos 20 anos, saltando para 22 milhões de casos por ano. Entre homens, os cinco tipos mais comuns da doença são os de pulmão, da próstata, colorretal, do estômago e de fígado. Entre as mulheres, os principais tipos são os de mama, colorretal, de pulmão, cérvix e estômago.
 
As estatísticas ainda apontam que m terço das mortes por câncer é resultado de cinco riscos comportamentais e alimentares: alto índice de massa corporal (IMC), baixo consumo de frutas e verduras, falta de atividade física, uso de tabaco e consumo de álcool.
 
O tabaco aparece como principal fator de risco para câncer, uma vez que responde por cerca de 30% das mortes pela doença e por 70% das mortes por câncer de pulmão em todo o mundo.
 

Cientistas conseguem produzir opioide a partir da levedura

Pesquisadores produziram um analgésico opiáceo a partir da manipulação genética da levedura, num processo complexo que permitiu sintetizar em poucos dias um componente do ópio, de acordo com um trabalho publicado nesta quinta-feira
 
Este novo avanço, que segue outro relatado nos últimos meses neste campo de pesquisa, abre o caminho para um novo método de produção muito mais rápido e potencialmente menos caro de medicamentos derivados de plantas, de acordo com os cientistas da Universidade de Stanford, Califórnia. O estudo foi publicado na revista americana Science.
 
Na publicação, os pesquisadores descrevem como conseguiram reprogramar geneticamente a levedura usada há milênios na fermentação de vinho e cerveja para que estas células de crescimento rápido transformassem em apenas três dias o açúcar em hidrocodona, um derivado dos opiáceos.
 
O processo industrial leva atualmente cerca de um ano entre a colheita da papoula legalmente cultivada e a produção de analgésicos por laboratórios farmacêuticos, segundo os pesquisadores.
 
A hidrocodona e produtos químicos similares, tais como a morfina e a oxicodona, fazem parte de uma família de analgésicos derivados do ópio extraído a partir do látex da papoula.
 
As quantidades produzidas ainda são mínimas. São necessários 16.600 litros de levedura tratada com esta técnica de engenharia genética para produzir uma única dose de hidrocodona, de acordo com os cientistas. Eles afirmam, no entanto, que a experiência mostra que é possível manipular geneticamente a levedura para obter medicamentos derivados de plantas, ressalta Christina Smolke, professora de bioengenharia na Universidade de Stanford e diretora da pesquisa.
 
A produção de artemisinina contra a malária a partir de levedura geneticamente modificada foi o primeiro grande sucesso da bioengenharia para produzir uma droga que anteriormente só era produzida a partir da artemísia. Deste modo, um terço da produção mundial de artemisinina foi transformada nos últimos dez anos e vem da biotecnologia.
 
Para fabricar artemisinina, o processo é relativamente simples: exige a inserção de apenas seis genes na levedura. Mas para a hidrocodona é muito mais complexo. Os cientistas tiveram de recorrer a 23 genes para criar a fábrica de células capazes de produzir o derivado. “Este é o processo de biossíntese química mais complexo já realizado com fermento”, segundo a professora Smolke.
 
Sua equipe utilizou e refinou fragmentos de DNA a partir de outras plantas, bactérias e até ratos, que foram inseridos na levedura para a produção de todas as enzimas necessárias para converter as células de açúcar em hidrocodona.

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