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domingo, 13 de novembro de 2011

Brasil ganha remédio via oral para Esclerose

Antes pacientes tinham que receber injeções todos os dias

Antes condenados a injeções diárias, os pacientes de esclerose múltipla agora dispõem de uma opção de tratamento oral no Brasil.

A novidade é significativa não só pela praticidade do comprimido, mas também porque o novo remédio, fingolimode, mostrou uma eficácia 52% superior na diminuição dos surtos provocados pela doença em relação aos tratamentos anteriores.

A opção oral também pode facilitar a adesão ao tratamento. Estima-se que até 50% dos pacientes tenham dificuldades na aplicação das injeções. O novo remédio, que foi desenvolvido pela Novartis e tem o nome comercial de Gilenya, foi lançado ontem e já chegou às farmácias, mas não está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde).

O tratamento mensal com a nova droga custa R$ 7 mil, valor similar ao de outros tratamentos anteriores. A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune que leva o paciente a perder progressivamente as funções neurológicas. Os principais sintomas são: cansaço crônico, dificuldade de locomoção e desequilíbrio, alterações na visão.

Fonte R7

Conheça alguns mitos sobre o funcionamento do cérebro humano

O cérebro humano é um dos organismos mais complexos e, apesar dos esforços dos cientistas, a massa cinzenta que habita nossas cabeças ainda guarda muitos mistérios.

A seguir, especialistas ouvidos pela BBC tentam romper com alguns mitos e inverdades a respeito do cérebro humano e seu funcionamento:

"Usamos apenas 10% do cérebro"
John A Beal- PhD/Wiki Commons
Mapeamento de atividade cerebral mostra que não usamos só 10% de suas funções, explica professora do Reino Unido
Mapeamento de atividade cerebral mostra que não usamos só 10% de suas funções, explica professora do Reino Unido
"Foi na década de 1970, quando estava na escola, que ouvi dizer, pela primeira vez, que nós usamos apenas 10% dos nossos cérebros. 'Que incrível', pensei. Talvez haja uma maneira de conseguir acessar aqueles 90% de capacidade cerebral não utilizada. E o que não poderia ser feito com toda a minha massa cinzenta em ação?"

A ideia é absurda. Hoje, avanços em técnicas de mapeamento da atividade cerebral podem provar isso.

"[Exames] funcionais de imagem demonstraram que há poucas partes do cérebro que não podem ser ativadas por algo", diz a professora Sophie Scott, do Institute of Cognitive Science do University College, em Londres.

Mesmo fazendo algo simples, como fechar nossas mãos, usamos muito mais do que 10% do cérebro. Um exame funcional revela que vastas quantidades de células do cérebro entram em ação enquanto planejam e iniciam a contração dos músculos nos dedos e na palma.

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"O cérebro tem lado 'lógico' e lado 'criativo'"
Anatomicamente, o cérebro está dividido em duas metades --o hemisfério esquerdo e o direito. Existe uma certa divisão de trabalho entre elas.

"Existem grandes diferenças entre os lados esquerdo e direito do cérebro", diz Scott. "Mas não é o que as pessoas querem dizer quando usam esses termos no discurso comum."

Lendo livros de autoajuda e cursos de administração de empresas, você fica com uma noção de que os dois hemisférios são entidades separadas.

O esquerdo tende a ser mostrado como a morada da lógica e da racionalidade. O direito tende a ser descrito como a fonte da intuição e da criatividade.

Portanto, se você é uma pessoa lógica, usa mais o lado esquerdo. Se você é do tipo sensível e artístico, usa mais o lado direito.

De acordo com o mito, todos nós seríamos mais bem-sucedidos e realizados se aprendêssemos a explorar o potencial total de ambos os hemisférios.

Scott diz que há diferenças na forma como indivíduos lidam com problemas e refletem sobre o mundo, mas isso não tem nada a ver com as diferentes relações de poder entre os dois hemisférios de seu cérebro.

"Algumas pessoas têm ótima capacidade de imaginação visual. Algumas têm boa imaginação auditiva. Existem muitas variações na forma como recebemos informações e as processamos. Mas reduzir isso a cérebro esquerdo 'lógico' e cérebro direito 'criativo' não reflete o que vemos no funcionamento do cérebro. Além disso, isso sugere que você poderia estar usando um hemisfério mais do que o outro e não é assim que funciona."

Os dois hemisférios se comunicam e trabalham juntos por meio de uma rede complexa de cabos fibrosos conhecida como o corpo caloso, ela explica. Eles são complementares e trabalham em parceria.

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"Lua cheia influi comportamento"
Bruno Miranda -22..set.06/Folha Imagem
Fases da lua não influenciam o comportamento humano; não há evidências de relação entre a lua cheia e a violência
Fases da lua não influenciam o comportamento humano; não há evidências de relação entre a lua cheia e a violência
Segundo a crença popular, a lua cheia está associada à insanidade --daí viria a palavra lunático. Entretanto, quando psicólogos e estatísticos estudaram o assunto, não conseguiram mostrar a influência da Lua sobre o cérebro humano e o comportamento.

Ou seja, não existe evidência de que haja uma relação entre a ocorrência da lua cheia e acontecimentos como assaltos, prisões, suicídios, chamadas para números de emergência, internações psiquiátricas, envenenamentos e acidentes de automóvel.

Eric Chudler, responsável por vários estudos sobre o assunto, diz: "A maioria das informações, e houve muitos estudos, indica que não existe uma associação entre a fase da Lua e quaisquer desses comportamentos anormais."

Muitos dos que acreditam no mito da lua cheia são policiais ou profissionais de saúde, profissionais que frequentemente presenciam acontecimentos perturbadores.

Chudler sugere que, quando esses eventos traumáticos ocorrem, pessoas dessas profissões estão mais inclinadas a notar lua cheia brilhando no céu do que as mais modestas luas crescentes ou meias-luas.

Como resultado, eles apenas fazem associações entre fase da Lua e incidentes anômalos quando a Lua está em sua fase mais óbvia e simbolicamente significativa.

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"Ouvir Mozart torna você mais inteligente"
Reprodução
Na década de 1990, surgiu a ideia de que músicas de Mozart melhoravam o aprendizado de crianças, tornando-as inteligentes
Na década de 1990, surgiu a ideia de que músicas de Mozart melhoravam o aprendizado de crianças, tornando-as inteligentes
O compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart é centro de uma hipótese que floresceu na década de 1990 e que levou muitos a acreditar que tocar peças do músico para crianças melhoraria o desenvolvimento de seus cérebros, tornando-as mais inteligentes.

Muitas vezes, mitos são criados com base em fatos reais. Este em particular teve origem em um estudo publicado pela revista científica "Nature" em 1993.

A pesquisa descreveu um experimento no qual estudantes de uma universidade na Califórnia realizaram uma série de tarefas.

Os voluntários que ouviram uma peça de Mozart antes de fazer os testes se saíram um pouco melhor do que os que ouviram músicas para relaxamento ou não ouviram nada.

O efeito positivo da sonata de Mozart sobre o desempenho dos estudantes desapareceu após cerca de 15 minutos.

Dois anos mais tarde, a mídia havia transformado as observações do estudo em uma teoria segundo a qual tocar Mozart para crianças jovens melhorava sua inteligência.

Empresas começaram a vender CDs do gênio austríaco a famílias com crianças. Em 1998, nos Estados Unidos, o Estado da Geórgia distribuiu CDs de Mozart para mães com bebês recém-nascidos.
Alguns criaram teorias de que as estruturas musicais das composições de Mozart exerciam uma influência biológica sobre as conexões nervosas do cérebro.

Em estudos posteriores, a verdade acabou se mostrando bem mais prosaica: Especialistas concluíram que qualquer música estimulante tocada antes de uma série de exercícios mentais torna você mais alerta e entusiasmado, então seu desempenho melhora.

Fonte Folhaonline

Onze milhões de transtornados

O fascínio pelos malucos em geral, sobretudo os que zanzam pelas ruas à procura de algo que talvez nem eles mesmo saibam, tema aqui neste espaço na semana passada, estende-se também para o campo científico.

Daí estar sempre de olho nas "novidades" que surgem a respeito dos transtornos --e são nada menos que 208 disfunções psiquiátricas catalogadas pelo DAS, sigla em inglês para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (veja a lista aqui).

Daí ter descoberto que uma comunicação feita no 29º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado no começo do mês no Rio, aponta que 66% dos portadores brasileiros de transtorno bipolar recebem diagnóstico errado para a doença. Em geral, essas pessoas são apontadas como (e recebem tratamento para) portadores apenas de depressão.

Mais surpreendente do que isso, pelo menos para quem acompanha esse tipo de tema, foi saber, por meio de declarações da psiquiatra Laura Helena Andrade, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP, que hoje em dia estima-se que 6% da população brasileira (e não mais 2,5% como se supunha) são portadores de transtorno bipolar.

Isso significa que algo em torno de 11,4 milhões de brasileiros sofrem de um problema que os faz alternar sucessivamente estado de espírito depressivo com eufórico (maníaco), naquilo que já foi chamado no passado de PMD (psicose maníaco-depressiva) e hoje recebe a atenuante de transtorno maníaco-depressivo ou transtorno bipolar.

O que não diminui, ao contrário, o problema da maioria dos portadores desse distúrbio, que recebe tratamento apenas com antidepressivos. Trata-se, digamos assim, de atacar apenas metade do problema, jogando o paciente no outro extremo, que é o da mania, do comportamento sem limites, em que o cidadão desconhece perigos e incapacitações, colocando sua vida e muitas vezes a de outros em risco.

Ao receber medicação somente para o lado "down", vive-se permanentemente "up", com tudo de ruim que pode advir disso...

No entanto, não há como não deixar de se espantar com os tais 6%, porque é gente demais: dados que circulavam até agora davam conta de que 12% dos brasileiros sofrem de algum tipo de transtorno mental --pelo menos isso é o que divulgou a Associação Brasileira de Psiquiatria no ano passado.

Então quer dizer que metade desse contingente teria transtorno bipolar!

Portanto, não se espante se uma em cada 20 pessoas que você conhece comporta-se como se a vida fosse uma montanha russa, ou seja, agora age como se estivesse nos píncaros da glória, com fortes emoções à flor da pele, para daqui a pouco recolher-se tristemente como se um abismos negro e pantanoso se abrisse aos seus pés...

Fonte Folhaonline

Luz aplicada durante exercício físico reduz celulite

Um aparelho desenvolvido por pesquisadores da USP e da Universidade Federal de São Carlos usa radiação infravermelha para turbinar os benefícios dos exercícios físicos à saúde. E com um efeito que deve interessar às mulheres: menos celulite.

A invenção consiste de duas placas contendo vários arranjos de LED (pequenas luzes). Elas são instaladas em uma esteira comum de academia, uma de cada lado, mais ou menos à altura dos glúteos.

Arte
Embora não seja perceptível a olho nu, essa radiação é absorvida pela pele e inicia uma série de reações químicas no organismo.

A radiação infravermelha acelera o transporte de elétrons na mitocôndria (uma estrutura que fica dentro das células) e a síntese de ATP, molécula que é uma espécie de combustível que dá energia ao organismo.

O uso de ATP, no entanto, gera um subproduto indesejado: os ácidos lácticos, que dão sensação de dor. O infravermelho diminui o acúmulo dessa substância e, por isso, tem uma ação anti-inflamatória e analgésica no organismo.

"A pessoa consegue se exercitar com mais qualidade", diz Fernanda Rossi Paolillo, doutora em bioquímica e uma das criadoras da técnica. O infravermelho ajuda ainda na regeneração de tecidos, como pele, músculos, ossos e nervos.

"Esse uso já é conhecido. Mas, em geral, o infravermelho é sempre usado em repouso. Como em clínicas de estética, por exemplo. Nosso diferencial foi aplicá-lo durante o exercício. O infravermelho associado ao movimento teve muito mais efeito", completa Paolillo.

RESULTADOS
O estudo, feito durante um ano com voluntárias pós-menopausa, indicou que as mulheres que se exercitaram com o aparelho tiveram melhora significativa.

As mulheres faziam duas sessões de exercícios por semana, cada uma com 45 minutos de duração. Além de terem menor perda de massa óssea --um dos efeitos da menopausa--, elas também tiveram redução do colesterol ruim até 20% maior do que as mulheres no grupo-controle.

O exercício "turbinado" com o infravermelho também acelerou o fluxo de oxigênio e de sangue, melhorando um problema que é mais estético do que de saúde: a celulite.

O infravermelho combinado ao exercício diminui a retenção de líquido e melhora a circulação na região das pernas e do bumbum, ajudando, e muito, a reduzir os furinhos. Os melhores resultados foram nos casos de celulite mais visível.

Para Roberto Mattos, coordenador do departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a técnica, apesar de correta na teoria, ainda precisa ser comprovada por estudos maiores.

"Diferentes aparelhos que emitem luz têm boa influência sobre a celulite. O exercício por si só ajuda. Então, em conjunto, há boas chances de que a dupla funcione bem."

Fonte Folhaonline

EUA podem punir pai que compra pirulito infectado com catapora

Autoridades do Estado americano do Tennessee ameaçaram tomar medidas legais contra pais que compram ou vendem pela internet pirulitos infectados com catapora para transmitir, voluntariamente, a doença a seus filhos.

O procurador-geral do Tennessee, Jerry Martin, disse que a prática de enviar vírus e bactérias pelo correio é crime federal nos mesmos moldes que o envio de substâncias usadas em ataques biológicos, como antraz.

O procurador resolveu falar duro depois que emissoras de TV locais divulgaram reportagens mostrando que grupos de pais estão se reunindo em "festas da catapora" cujo objetivo é fazer com que crianças infectadas com a doença a transmitam para outras crianças saudáveis.

Muitos pais não acreditam nos benefícios da vacina, e preferem que seus filhos sejam contaminados com a doença ainda novos, quando seus efeitos são mais amenos. Uma vez contraída a catapora, o indivíduo cria imunidade para o resto da vida.

Grupos na rede social Facebook, como o "Find a Pox Party Near You" (ou "encontre uma festa da catapora perto de você"), servem de ponto de encontro para que os adultos combinem os eventos.

E quando por razões logísticas os eventos não podem ser realizados, o canal WSMV, de Nashville, mostrou que é possível comprar, na internet, pirulitos lambidos por crianças enfermas, roupas usadas por elas com a doença e cotonetes contaminados.

CATAPORA VIA INTERNET
A reportagem da emissora conversou com uma mãe de Nashville que vendia por US$ 50 (cerca de R$ 87) na internet pirulitos lambidos por seus filhos e contaminados com catapora.

"(As crianças) não conseguem mais pegar catapora do jeito normal, simplesmente pegar e ter imunidade para o resto da vida", explicou Wendy Werkit à reportagem.

Entretanto, as autoridades de saúde alertaram para os perigos desta prática. Um médico do Departamento de Saúde do Tennessee disse que, ao expor seus filhos aos fluidos de outra criança, os pais podem estar contaminando-os com uma série de outras doenças desconhecidas.

Ao tomar conhecimento desses casos, o procurador Jerry Martin pediu à WSMV que lhe fizesse uma entrevista sobre o tema.

"A mensagem precisa ser clara para todos os indivíduos que tentem adotar esse comportamento", disse o procurador.

"O governo federal e o Departamento de Justiça não vêm com bons olhos a violação de qualquer lei federal, e certamente das leis que cuidam da segurança e a saúde pública", ameaçou.

"Se você tentar expor alguém a um vírus ou doença infecciosa, e usar o correio americano ou o comércio interestadual para enviar material para outra pessoa, você estará se expondo a um processo na Justiça federal."

Fonte Folhaonline

Austrália é 1º país a proibir marcas e nome de cigarros em maços

O governo da Austrália resolveu tomar uma iniciativa radical para coibir o fumo no país.

Divulgação
Na Austrália, logomarcas e nomes de cigarros terão de ser substituídos por fotos e mensagens de advertência
Na Austrália, logomarcas e nomes de cigarros terão de ser substituídos por fotos e mensagens de advertência
Autoridades australianas apresentaram um projeto de lei que proíbe que empresas de cigarro imprimam a logomarca ou mesmo o nome do cigarro nos maços.

No lugar, os pacotes de cigarros deverão trazer fotos e mensagens de advertência contra os efeitos nocivos do cigarro.

Fonte Folhaonline

Decifre a linguagem dos rótulos de produtos de beleza

Você sabe o que é "não comedogênico"? Os cremes firmadores podem mesmo mudar o tônus da pele? Se o produto é "clinicamente comprovado" isso significa que há um consenso sobre sua eficácia?

Embalagens de cosméticos se transformaram em enigmas que o consumidor precisa aprender a desvendar, separando o que é informação relevante e com embasamento médico do que é publicidade --cada vez mais disfarçada de ciência, com gráficos de funcionamento e termos futuristas.

Veja o glossário e entenda o que esses termos querem dizer e o que não se pode esperar deles.

Fonte Folhaonline

'Olho eletrônico' analisa células e identifica agressividade de tumor

Pesquisadores americanos e holandeses desenvolveram um programa de computador que identifica e interpreta eletronicamente a agressividade de tumores de mama.

O objetivo do sistema é reduzir os erros da análise feita por patologistas. É ela que determina o tratamento que será dado ao paciente.

O software, chamado C-Path (patologia computacional), foi "ensinado" a examinar imagens de biópsias e conseguiu identificar 6.642 características do tecido adiposo e conjuntivo e do epitélio (pele) da mama.

Desse total, 11 traços foram considerados mais relevantes para determinar se o câncer é de alto ou baixo risco.

O estudo, da Universidade Stanford, nos EUA, foi publicado no periódico "Science Translational Medicine".

No trabalho, foram analisadas imagens de 576 mulheres com câncer de mama que participaram de dois estudos diferentes, feitos na Holanda e em Vancouver, no Canadá.

Segundo o estudo, há mais de 80 anos a forma como é o prognóstico e diagnóstico de câncer de mama é a mesma: patologistas examinam os tumores no microscópio e classificam-nos.

Desde então, as mesmas três características histológicas (das células) são analisadas para verificar a agressividade do tumor: desenvolvimento de formações tubulares, anormalidade no núcleo da célula e frequência com que as células se dividem.

O diferencial do programa é que as características do câncer não foram predefinidas por um patologista.

Sozinho, ele procurou esses traços ligados ao câncer e identificou quais são mais relevantes para determinar o risco de morte da paciente nos próximos cinco anos.

De acordo com Max Mano, oncologista do Hospital Sírio-Libanês, o erros na classificação dos tumores e do risco de eles voltarem são um problema sério no mundo todo. "Há estudos mostrando que há discordância de 30% a 40% nos resultados em diferentes laboratórios."

Outros exames, já disponíveis na prática clínica, interpretam os tumores de forma menos subjetiva. Testes genômicos, por exemplo, avaliam os genes do tumor e conseguem fazer uma leitura mais precisa do tipo de câncer. Alguns deles custam cerca de US$ 4.000 (R$ 7.000).

FASE PRELIMINAR
O oncologista José Roberto Filassi, chefe do setor de mastologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, afirma que um problema do estudo é o pequeno número de pessoas envolvidas.

"É uma boa ideia, mas o teste precisa ser provado e reproduzido em uma quantidade maior de mulheres."

O "olho eletrônico" ainda está em estudo e não deve ser comercializado tão cedo, segundo especialistas.

"Pela minha experiência, não acredito que esse teste possa ser usado clinicamente antes de dez anos. Essa é uma fase extremamente preliminar", afirma Mano.

Além disso, o médico afirma que muitos testes desenvolvidos em estudos não dão certo quando são repetidos em outros locais, pela complexidade do exame.

Fonte Folhaonline

Testes de colesterol serão aplicados em crianças nos EUA

As regras para o controle do colesterol e a prevenção de doenças cardiovasculares em crianças dos Estados Unidos serão alteradas. Agora, todas as crianças de nove a 11 anos, com ou sem histórico familiar de doenças do coração, deverão fazer exames de colesterol, segundo as novas diretrizes do Instituto Nacional do Coração norte-americano.

Arte
Esse teste só era recomendado a crianças e adolescentes cujos pais ou avós tiveram doença cardiovascular antes dos 55 anos, que têm um dos pais com colesterol total acima de 240 mg/dl ou que não têm informações sobre o histórico familiar.

No Brasil, recomenda-se o exame apenas a crianças com doença cardíaca na família ou indicação médica.

A nova recomendação será apresentada no domingo, na reunião da Associação Americana do Coração, por membros do Instituto Nacional do Coração, Sangue e Pulmão.

A mudança foi baseada em um estudo publicado em 2010 no periódico "Pediatrics", feito com cerca de 20 mil crianças americanas de dez anos de idade, em média.

Segundo o trabalho, 9,5% das crianças sem história familiar tinham colesterol alto --e essa parcela deve aumentar, por causa da epidemia de obesidade infantil nos EUA. Dessas, só 1,7% precisava de tratamento com remédios.

Ainda de acordo com as diretrizes, os remédios para baixar o colesterol são indicados apenas para crianças com mais de dez anos e com colesterol alto de base genética.

Nesses casos, a pessoa tem tendência a ter altos níveis de colesterol, independentemente de dieta ou exercício.

RESSALVAS
Ieda Jatene, do departamento de cardiologia pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia e médica do HCor (Hospital do Coração), afirma que a nova diretriz é "um pouco alarmista".

"Não há estudos mostrando que esse rastreamento universal diminui a incidência de doenças no futuro." Ela acredita ainda que o maior número de exames pode levar ao aumento de medicação desnecessária.

Para Luiz Antonio Machado César, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) e médico do InCor (Instituto do Coração da USP), as novas diretrizes não devem mudar nada na prática clínica.

"A maioria das crianças com colesterol alto do estudo deviam ser obesas, e aí a orientação de mudar a dieta independe do exame."

Quanto aos que têm colesterol alto com predisposição genética, precisam de remédio e poderiam ser detectados na triagem universal, o cardiologista diz que o número de pacientes beneficiados seria muito pequeno para justificar o rastreamento.

"Seriam feitos cem exames para descobrir uma criança que precisa tomar remédio. Não sei se justifica o custo."

DIABETES
As novas diretrizes também recomendam teste de diabetes a cada dois anos a partir dos nove anos de idade para crianças acima do peso.

A lista ainda inclui testes anuais para aferir a pressão arterial de crianças a partir dos três anos e orientação antifumo dos cinco aos nove anos de idade.

Fonte Folhaonline

'Cigarros eletrônicos' ajudam fumantes a largar vício

Pesquisadores italianos obtiveram êxito em um experimento que utiliza um "cigarro eletrônico" para controlar o vício do fumo.

A equipe, liderada por Riccardo Polosa, da Universidade de Catania, recrutou 40 fumantes inveterados e ofereceram a eles apenas um dispositivo já disponível nas lojas por US$ 50 (cerca de R$ 88).

Viktor Koen/The New York Times
Ilustração brinca com o e-cigarro, que na verdade é um cigarro com uma solução de nicotina líquida vaporizada
Ilustração brinca com o e-cigarro, que na verdade é um cigarro com uma solução de nicotina líquida vaporizada
O cigarro eletrônico, ou e-cigarro, contém um pequeno reservatório com uma solução de nicotina líquida que é vaporizada para formar um aerossol.

O usuário inala e expele o vapor para obter um pouco da nicotina --e a sensação familiar de trazer o cigarro até a boca-- sem as substâncias nocivas presentes no cigarro.

Após seis meses, mais da metade das pessoas que realizaram o experimento tinha reduzido o consumo habitual de cigarros em pelo menos 50% e aproximadamente um quarto parou de fumar.

Embora o estudo-piloto seja de pequenas proporções, os resultados coincidem com outras evidências animadoras, reforçando a esperança de que os e-cigarros possam se tornar a ferramenta mais eficaz já utilizada para reduzir o número de mortes devido ao tabagismo.

MOVIMENTO CONTRA
Contudo, há um grupo trabalhando contra a inovação --e não são os produtores de cigarros. Trata-se de uma coalizão entre autoridades governamentais e grupos antitabaco que vêm alertando sobre os perigos dos cigarros eletrônicos. Eles querem proibir as vendas.

A controvérsia faz parte do longo debate filosófico sobre políticas de saúde pública, com uma estranha inversão de papeis. No passado, os políticos conservadores tendiam a apoiar políticas de abstinência ao lidar com problemas como gravidez na adolescência e dependência de heroína, enquanto que os liberais apoiavam estratégias de redução de danos como o incentivo ao controle de natalidade e a distribuição de metadona.

Porém, quando o assunto é nicotina, os apoiadores da abstinência tendem a ser mais liberais, incluindo políticos do partido Democrático nos níveis estadual e federal, que vêm tentando pôr fim às vendas e proibir o uso de cigarros eletrônicos em locais onde o fumo é proibido.

No entender deles, os fumantes que desejam fazer uso de fontes alternativas de nicotina devem usar apenas produtos totalmente testados, como a goma de mascar e os adesivos prescritos, usando-os apenas por um período breve, a fim de abandonar por completo a nicotina.

O FDA (órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos Estados Unidos) tentou pôr fim às vendas de e-cigarros, considerando-os como "dispositivos para administração de medicamentos" que não poderiam ser comercializados até que sua segurança e eficácia fossem demonstradas em testes clínicos.

A agência teve o apoio da Sociedade Americana de Câncer, da Associação Americana de Cardiologia e das organizações Campanha para Crianças Livres de Cigarro e Ações Sobre Tabagismo e Saúde.
No ano passado, os apoiadores da proibição perderam a batalha com a rejeição no tribunal, mas continuam na briga por meio de propagandas dos supostos perigos do e-cigarro.

Eles afirmam que o dispositivo, assim como o tabaco sem fumaça, reduz o estímulo para que as pessoas abandonem a nicotina e também pode ser a porta de entrada no vício para jovens e não fumantes.

Além disso, citam os alertas do FDA de que diversas substâncias químicas presentes no vapor podem ser "nocivas" e "tóxicas".

A agência, porém, nunca apresentou provas de que os vestígios dessas substâncias façam mal à saúde, e desprezou a menção de que vestígios similares das mesmas substâncias podem ser encontrados em produtos aprovados pelo FDA, incluindo os adesivos e as gomas de mascar com nicotina.

AUMENTO
O número de americanos que experimentaram o e-cigarro quadruplicou entre 2009 e 2010, de acordo com os Centros de Controle de Doenças.

Uma pesquisa feita nesses órgãos, realizada em 2010, descobriu que 1,2% dos adultos americanos, ou aproximadamente 3 milhões de pessoas, relataram ter usado o e-cigarro no mês anterior.

"Os cigarros eletrônicos podem substituir uma grande quantidade, ou a maior parte, do consumo de cigarros nos Estados Unidos na próxima década", afirmou William T. Godshall, diretor executivo da Smokefree Pennsylvania.

Seu grupo realizou campanhas pelo aumento dos impostos sobre os cigarros, pela proibição do fumo em locais públicos e por advertências com imagens fortes nos maços.

Em relação ao e-cigarro, ele diverge de muitos de seus antigos aliados. "Não há evidências de que os e-cigarros já tenham causado danos a alguém", disse Godshall. "Ou de que jovens ou não fumantes tenham começado a usá-los."

Em uma escala de nocividade de 1 a 100, em que as gomas de mascar e os tabletes de nicotina têm nocividade 1 e os cigarros, 100, ele estima que a nocividade dos e-cigarros não ultrapasse 2.

Caso milhões de pessoas trocassem o hábito de fumar pela inalação do vapor, isso representaria um desafio para a opinião comum em relação ao movimento antitabaco.

Fonte Folhaonline