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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Pouca atenção à vacinação faz doenças como caxumba e coqueluche ressurgirem

Até então considerados controlados, males voltam a assombrar sociedade brasileira, segundo Ministério da Saúde, por pouco controle das pessoas
 
Motivo de pânico no passado, sarampo, caxumba e coqueluche foram praticamente eliminadas no Brasil graças à introdução de vacinas, mas, agora, voltam a preocupar médicos e autoridades sanitárias. Com o baixo número de casos observados na última década, a ameaça ficou imperceptível, o que levou ao relaxamento de pais em relação à vacinação dos filhos.
 
Nos últimos anos, o Ministério da Saúde tem observado redução nos índices de cobertura vacinais de alguns imunizantes.

Embora a queda seja pequena, ela já resulta na alta no número de casos de doenças até então consideradas controladas.
 
Segundo dados da pasta, a incidência de coqueluche aumentou dez vezes em apenas três anos, casos de caxumba têm se tornado mais frequentes em Estados como São Paulo e Rio e um surto de sarampo acaba de atingir o Nordeste - o Brasil estava havia 12 anos livre da transmissão interna do vírus.
 
"É um engano os pais acharem que a criança não precisa da vacina porque a doença não é mais circulante. Com os deslocamentos de turistas e viagens dos próprios brasileiros, é possível ter contato com as doenças. Foi o que aconteceu no surto de sarampo no Ceará e em Pernambuco. O vírus foi provavelmente trazido por uma pessoa que viajou à Europa", diz

Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do governo.

Desde 2000, o Brasil não registrava casos de sarampo autóctones (quando a contaminação acontece dentro do País). Em 2013, houve surto nos dois Estados do Nordeste, o que fez o Brasil passar de dois casos em 2012 para 732 em 2014. A situação foi considerada controlada pela pasta há apenas dez dias.

Mais gastos
Segundo Carla Domingues, se houver o relaxamento na vacinação, o esforço e os gastos para interromper a transmissão serão muito maiores. "O sarampo é grave e pode causar surdez, cegueira, complicações respiratórias e até a morte. As doenças que antes eram vistas como de criança hoje podem se tornar um grande problema de saúde pública para o adulto."

Caxumba e sarampo são prevenidos pela mesma vacina, a tríplice viral, que ainda dá imunidade contra rubéola. Embora a cobertura vacinal da primeira dose, administrada aos 12 meses de idade, seja alta, metade das crianças não toma a segunda, afirma a coordenadora do PNI. "Na tríplice viral, o componente que protege contra a caxumba é o que tem menor eficácia. Esses jovens que estão contraindo caxumba em São Paulo, no Rio e em outros estados provavelmente não tomaram a segunda dose."

O ministério não tem dados nacionais, mas informações da secretaria estadual mostram que o Rio de Janeiro registrou até agosto 1.241 casos de caxumba, mais do que o dobro do número de todo o ano passado, quando 561 pessoas ficaram doentes. Em São Paulo, os primeiros oito meses do ano já acumulam quase o mesmo número de casos que todo o ano de 2014: 106 contra 118.

Explosão
Mas o fenômeno que mais preocupa é a explosão de casos da coqueluche. Não por acaso, o crescimento de doentes acontece paralelamente à queda da cobertura da vacina pentavalente, que garante imunidade contra coqueluche, difteria, tétano, meningite e hepatite B. Entre 2010 e 2013, o número de infectados subiu de 605 para 6.368 e as mortes passaram de 18 para 109. No mesmo período, a cobertura vacinal caiu de 97,6% para 94,5%.

A maioria das vítimas tem menos de 1 ano de idade – elas não estão completamente protegidas, pois o esquema vacinal em três doses é finalizado aos 6 meses. Como o adulto pode ter a doença sem sintomas, muitas vezes são os pais que, sem saber, transmitem a bactéria. "O adulto perde a imunidade com o tempo e pode disseminar a doença sem perceber. A estratégia do ministério foi vacinar a gestante para que o bebê já nasça com imunidade, mas a adesão das mulheres é muito baixa", diz Jacy Andrade, professora de Infectologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
 
Agência Estado

Cientistas dão “passo-chave” para criar pílula anticoncepcional masculina

Até agora, os únicos métodos anticoncepcionais para homens são a vasectomia – efetiva, mas permanente – e os preservativos, que nem sempre são efetivos
 
Uma equipe de pesquisadores japoneses assegura ter dado um “passo-chave” para desenvolver a pílula anticoncepcional masculina, baseada no bloqueio de uma proteína, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira pela revista científica “Science”.
 
A proteína, denominada calcineurina, exerce um papel importante na fertilidade masculina, mas até agora não se tinha identificado concretamente quais de suas diferentes formas era a que afetava em maior medida.
 
“As descobertas deste estudo podem ser um passo-chave para dar aos homens controle sobre seu futuro reprodutivo”, afirmou Masahito Ikawa, professor do Instituto de Pesquisa em Doenças Microbianas da Universidade de Osaka no Japão e autor principal do estudo.
 
A equipe analisou em ratos isoformas de calcineurina expressadas nos genes PPP3CC e PPP3R2, que só se encontraram em células de formação de esperma.
 
Os pesquisadores conseguiram bloquear o PPP3CC nos ratos machos, através de dois fármacos inibidores, e criaram uma mutação na proteína que fez com que os ratos se tornassem temporariamente estéreis, já que esta esperma era incapaz de fertilizar óvulos.
 
A fertilidade dos ratos foi recuperada uma semana após terem encerrado o consumo dos fármacos.
 
Ikawa assinalou que esta evolução específica da calcineurina também se encontra nos seres humanos, razão pela qual poderia ser utilizada como uma estratégia para desenvolver anticoncepcionais reversíveis para homens.
 
Até agora, os únicos métodos anticoncepcionais para homens são a vasectomia – efetiva, mas permanente – e os preservativos, que nem sempre são efetivos.
 
EFE Saúde

Entenda por que os antibióticos podem cortar o efeito da pílula anticoncepcional

Com a destruição das bactérias do intestino pelo antibiótico, não há a produção de enzima que faz com que o estrogênio que seria jogado fora seja reabsorvido
Com a destruição das bactérias do intestino pelo antibiótico,
não há a produção de enzima que faz com que o estrogênio
 que seria jogado fora seja reabsorvido
Farmacêutica explica que antibióticos destroem a flora intestinal responsável pela reabsorção do estrogênio; usar preservativo durante um período evita gravidez inesperada
 
Mulheres que tomam pílula anticoncepcional devem ficar atentas quando estão com algum problema de saúde que exija o uso de antibióticos. A razão? Esses antimicrobianos podem cortar ou diminuir o efeito da pílula. O resultado pode ser uma gravidez indesejada.
 
Quando um médico receita um antibiótico, não dá para não tomar. Afinal, se houve a recomendação é porque existem bactérias maléficas circulando no corpo, causando alguma doença. Deixar de tomar pode levar à morte. Por outro lado, o antibiótico pode oferecer risco à mulher que toma pílula e que não deseja engravidar.
 
Resolver o problema é simples
Basta usar um método anticoncepcional de barreira (preservativo feminino e masculino, diafragma, esponja contraceptiva e espermicida) durante o uso do antimicrobiano e também uma semana depois, sem parar de tomar a pílula. Essa é a forma mais segura e que evita uma concepção fora dos planos.
 
“Esse assunto é polêmico, mas os casos acontecem, por isso todo cuidado é pouco”, alerta Amouni Mourad, assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
 
Os antibióticos de largo espectro, aqueles que conseguem matar mais tipos de bactérias, são os mais perigosos, segundo a farmacêutica. Nessa lista estão penicilina, amoxilina, eritromicina, tetraciclina e rifampicina.
 
Para entender melhor porque um antibiótico pode colocar em risco a eficácia da pílula, é preciso saber como eles agem no organismo. Os antibióticos, explica Amouni, destroem a microbiota intestinal, mais conhecida por flora bacteriana. Essa flora é importante para o anticoncepcional funcionar.
 
“Existem, naturalmente, bactérias no intestino. Os antibióticos matam as patogênicas, causadoras da doença, mas também destroem as outras bactérias do intestino”, diz. Essas bactérias que habitam o intestino são responsáveis pela reativação do estrogênio. Sem o trabalho delas, o estrogênio simplesmente é eliminado do corpo e a mulher pode ficar desprotegida e engravidar.
 
Amouni esclarece que esse fenômeno não vai necessariamente acontecer com todas as mulheres que tomarem antibióticos com pílulas anticoncepcionais, mas que “todo o cuidado é pouco”  para quem não deseja engravidar.
 
A recomendação é, mesmo tomando a pílula diariamente, usar um método anticoncepcional de barreira durante o uso do antibiótico e continuar usando ao menos uma semana depois de interromper o remédio. Amouni é ainda mais conservadora e diz que o mais seguro, na verdade, é usar preservativo durante um mês.
 
Entenda porque a flora intestinal protege contra a gravidez indesejada
Quando a mulher toma a pílula, ela vai para o estômago e é absorvida pelo trato gastrointestinal. Depois disso, cai na corrente sanguínea e vai para o órgão responsável pela metabolização do remédio: o fígado. Cerca de metade desse estrogênio que chegou ao fígado é ativado e começa a proteger a mulher contra uma gravidez. A outra metade, no entanto, se transforma em compostos sem nenhuma ação contraceptiva, são excretados pela bile e vão para o intestino.
 
É nesse momento que as bactérias da flora intestinal entram em ação: elas produzem uma enzima que transforma esses compostos que o fígado não aproveitou em estrogênio ativo novamente que, por sua vez, cai na corrente sanguínea e continua protegendo a mulher contra uma gravidez, até a tomada da nova pílula. Se o antibiótico já estiver exterminado essas bactérias, não há a produção dessa enzima que reativa o estrogênio “anulado” pelo fígado e esse estrogênio é eliminado do corpo. A mulher, então, fica desprotegida.
 
Para que arriscar?
Antigamente, as doses hormonais dos contraceptivos orais eram altíssimas, então o risco de interação com os antibióticos era menor, já que havia uma quantidade maior de estrogênio circulando.
 
Amouni explica que essas altas doses ajudavam na contracepção e não sofriam interferência de antibióticos, mas, em contrapartida, causavam reações adversas mais severas. As dosagens, com o tempo, foram diminuindo, mas a eficácia da pílula depende do bom funcionamento do fígado e da harmonia na flora intestinal.
 
“Há casos nos Estados Unidos em que a mulher tomou antibiótico por causa de um tratamento dentário e engravidou por causa disso. O dentista foi processado”, conta a farmacêutica.
 
Ela diz que cada mulher tem o seu metabolismo próprio, então não é certeza de todas vão engravidar se tomar antibiótico junto com a pílula. Amouni, no entanto, chama a atenção para o uso do preservativo pelo período do tratamento com antibiótico e por uma semana depois, no mínimo.
 
“Pronto, com isso a mulher já se garante. Pra que arriscar?”
 
Antibiótico para tuberculose é ainda mais arriscado
Amouni explica que a rifampicina, um antibiótico de largo espectro usado comumente no tratamento contra a tuberculose, além de poder cortar o efeito da pílula por causa da destruição da flora bacteriana, ele também acelera o metabolismo de eliminação do remédio, fazendo com que o estrogênio seja eliminado mais rapidamente.
 
Os anticonvulsivantes também aceleram o metabolismo de eliminação do estrogênio. Com isso, em vez de ele ficar circulando no organismo e protegendo a mulher até a tomada da próxima pílula, ele é eliminado, e a mulher pode ter uma gravidez inesperada.
 
iG

Pensão por morte e salário-maternidade podem ser pedidos pela internet

Pedido online pode levar à concessão do benefício em até dois dias, enquanto nas agências agendamento é só para dezembro
 
Quem quiser fugira das filas em agências do INSS para dar entrada no salário-maternidade ou na pensão por morte conta com um grande aliado: a internet.
 
A opção de fazer o requerimento online pode levar à concessão do benefício em até dois dias e contar com o dinheiro na conta já no mês seguinte ao pedido. Por outro lado, quem prefere dar entrada nas agências só consegue agendamento para dezembro.
 
Os serviços já são disponibilizados na internet, no site do INSS, mas ainda são pouco procurados.
 
Nos últimos três meses, no município do Rio de Janeiro, foram requeridos apenas 253 pensões por morte e salários-maternidade online. Este número não representa nem 9% dos 2.923 agendamentos deste tipo que aguardam atendimento hoje.
 
Com a divulgação da alternativa, o INSS espera desafogar as agências da Previdência que estão lotadas por conta dos atendimentos que deixaram de ser feitos com a greve. Dos 21.239 agendamentos na fila, 27,31% se referem a pedidos de salário maternidade e pensão por morte.
 
Segundo Flavio Souza, gerente-executivo da Gerência Centro, quem estiver na espera de ser atendido para receber o salário maternidade já pode fazer o pedido online e cancelar o agendamento na agência.
 
“Já no caso de pensão por morte, o segurado que já tenha agendado atendimento não deve cancelar o agendamento para que os efeitos financeiros sejam mantidos desde a data do requerimento”, orienta, acrescentando que o requerimento online para este benefício vale à pena somente para quem ainda não agendou o pedido.
 
De acordo com o Instituto, depois de fazer o requerimento online, o interessado deverá imprimir o formulário preenchido no site e encaminhar pelos Correios para a agência escolhida, com cópias autenticadas de todos os documentos exigidos. “Solicitamos que seja informado o telefone de contato, para em casos de inconsistências de informação ou dúvida entrarmos em contato”, diz Flavio.
 
Quem não quiser remeter pelos Correios poderá entregar os documentos nas agências da Previdência, sem a necessidade de fazer agendamento ou autenticação em cartório, desde que apresente os documentos originais.
 
Veja como fazer os requerimentos online
As mulheres que quiserem dar entrada no salário-maternidade pela internet devem entrar no site www.inss.gov.br e clicar no ícone ‘Todos os serviços’, à esquerda da página, e depois em ‘Salário-maternidade’, que está listado na sessão ‘Outros benefícios previdenciários’. Ela será direcionada a uma outra página, onde deverá clicar no ícone ‘Pedir pela internet’ e então em ‘preencher requerimento’. O formulário preenchido deverá ser impresso e entregue nos Correios, com cópias autenticadas dos documentos exigidos, ou nas agências.
 
Já aqueles que forem requerer a pensão por morte só poderão fazer o pedido online se tiverem como instituidor segurados que já estavam recebendo benefícios, como aposentadoria ou auxílio-doença. O requerente deverá fazer o mesmo caminho, mas em vez de ‘Salário-maternidade’, terá que clicar em ‘Pensão por morte’, na sessão ‘Outros benefícios previdenciários’. O formulário deverá ser preenchido com dados do segurado morto e do requerente. O próximo passo é a impressão do formulário e a entrega nos Correios ou agências.
 
O Dia

Doença rara e feminina, LAM tem difícil diagnóstico

Uma doença rara e basicamente feminina, a linfangioleiomiomatose, mais conhecida como LAM, não é facilmente diagnosticada e tem sintomas muito parecidos com os de outras doenças pulmonares, como asma, bronquite e enfisema

Segundo o pneumologista Bruno Baldi, do Hospital das Clínicas, em São Paulo, até seus colegas de especialialidade muitas vezes têm dificuldade para perceber o quadro.

No ano passado, quando foi diagnosticada com a doença aos 39 anos, a bióloga Verônica Borges disse que toda a família ficou assustada. “Ficamos todos em choque. Descobrir que se tem uma doença progressiva e sem cura não é fácil, ainda mais tendo filho de nove anos”, lembrou.

“Eu sentia um cansaço sem fim, mas pensava que era estresse”, contou Verônica. Ela só buscou ajuda médica quando começou a sentir dores abdominais, fez uma tomografia que pegou parte dos pulmões e o especialista viu que havia algo errado. Geralmente, a pessoa com LAM procura ajuda médica quando sente falta de ar, dor no tórax ou nas costas. O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada do tórax e biópsia do tecido pulmonar. “Ela pode não sentir nada, às vezes vai fazer uma radiografia, tomografia de tórax por qualquer motivo e descobre que tem lesões características no pulmão”, disse Baldi.

Ele explicou que a LAM é um tumor de multiplicação lenta, que atinge principalmente mulheres na faixa etária de 20 a 30 anos. “Em quem tem LAM ocorre uma multiplicação de células diferentes, que leva à obstrução e lesão do pulmão e, eventualmente, pode estar associada a lesões em outros órgãos.
O especialista disse que a estimativa é que de 400 e 500 mulheres tenham a doença no Brasil. Em alguns casos, a paciente só precisa fazer o controle, com exames a cada seis meses. Não se sabe ao certo o que causa a LAM e não existe cura mas, em algumas mulheres, a progressão é muito lenta. Em outras, no entanto, a doença inabilita até para atividades rotineiras, como tomar banho. Segundo Baldi, referência no tratamento, cerca de 30% das pacientes precisam de medicação, as demais apenas fazem controle semestral.

A recomendação da Associação LAM do Brasil (Alambra) para as pacientes é seguir o mesmo estilo de vida saudável recomendado a todos, inclusive praticar exercícios físicos. Não é recomendado viajar para lugares onde não há ajuda médica por perto ou para regiões muito altas, onde as bolhas do pulmão tendem a se expandir, podendo provocar a ruptura.

Verônica, que também é vice-presidenta da Alambra, disse que as pacientes que precisam de medicamentos muitas vezes não conseguem pela rede pública, já que a doença não tem protocolo específico. Segundo a bióloga, em muitos casos é preciso entrar na Justiça para conseguir o remédio  sirolimus, que na rede pública é destinado a pacientes transplantados e que nas farmácias custa cerca de R$ 2 mil por mês de tratamento.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que o medicamento precisa ter a eficácia comprovada para o tratamento da LAM, antes de ser disponibilizado para o tratamento da doença e que essa avaliação deve ser feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, o que não foi feito nesse caso.
 
Agência Brasil

Suplementos de cálcio não melhoram a saúde dos ossos

Dois novos estudos mostram que não existem evidências que o aumento do consumo do mineral seja capaz de aumentar a densidade óssea e prevenir fraturas
 
Aumentar o consumo de cálcio não melhora a saúde óssea e nem ajuda a reduzir o risco de fraturas em pessoas com mais de 50 anos. Inclusive, o consumo exagerado de suplementos pode causar diversos efeitos colaterais como problemas estomacais, pedras nos rins, constipação e até doenças cardiovasculares. É o que dizem dois novos estudos realizados por pesquisadores da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, publicados na revista científica The BMJ.
 
Um dos estudos analisou os resultados de 59 pesquisas realizadas anteriormente sobre a relação entre o cálcio e a densidade óssea. De acordo com os cientistas, aumentar o consumo diário de cálcio, seja na alimentação ou por meio de suplementos, elevou em até 2% a densidade óssea. Entretanto, segundo a pesquisa, esse aumento não é suficiente para reduzir o risco de fratura. Por exemplo, as mulheres na pós-menopausa perdem, em média, 1% de densidade óssea por ano.
 
O segundo estudo analisou 40 pesquisas que relacionavam o consumo de cálcio por pessoas com mais de 50 anos e o impacto disso na ocorrência de fraturas. De acordo com os resultados, a ingestão da substância não aumentou nem reduziu o risco. Em relação à ingestão de suplementos, o estudo também não encontrou evidências consistentes que confirmem os benefícios para a saúde óssea.
 
“Não há associação entre o risco de fraturas e o consumo de cálcio por meio da alimentação e não existem estudos clínicos que mostrem que o aumento deste consumo previna fraturas. Quanto aos suplementos à base de cálcio, as evidências também são fracas e inconsistentes. O risco moderado de efeitos colaterais causados pela ingestão de cálcio em excesso parecem superar as pequenas reduções na perda da densidade óssea destas pessoas”, escreveram os autores.
 
Diante dos resultados, o autores sugerem que sejam feitas alterações nas políticas públicas de saúde para que o aumento da ingestão diário de cálcio por meio de suplementos ou através de fontes alimentares deixe de ser recomendado. As diretrizes atuais indicam a ingestão de 1.000 a 1.200mg de cálcio diariamente para os idosos.
 
Veja

Remédios para asma podem prejudicar crescimento em crianças, sugere estudo

Crianças que usaram corticoides tiveram prejuízos no crescimento; especialistas pedem cuidado extra ao prescrever essa classe de remédios aos menores de dois anos
 
Crianças pequenas que tomam remédio para asma antes mesmo de completarem dois anos de idade podem ter seu crescimento prejudicado, conforme sugere um estudo preliminar realizado com 12 mil crianças e apresentado na Conferência da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica.
 
Segundo a pesquisa, liderada por Antti Saari, da University of Eastern Finland, as crianças que fizeram uso dos corticoides inalados (ICS) para o tratamento da asma tiveram prejuízos no crescimento. Estudos anteriores já haviam relacionado o uso desse tipo de remédio com limitações no crescimento.
 
Especialistas reforçam que essa pesquisa serve para ressaltar a importância de se ter cuidado redobrado ao receitar corticoides para crianças muito pequenas. A organização “Asthma UK”, porém, afirmou que corticoides inalados têm um papel crucial no controle dos sintomas da asma na infância – especialmente para diminuir o número de vezes que as crianças precisam ser levadas ao hospital por causa de crises.
 
A asma é uma doença crônica que afeta cerca de 20 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados oficiais. Oito pacientes morrem por dia em decorrência do problema. O principal tratamento para a asma é feito com corticoides inalados que podem ser encontrados em medicamentos com inaladores – mas eles também são conhecidos por causar efeitos colaterais em algumas pessoas.
 
A recomendação dos médicos é que crianças que costumam tomar corticoides inalados para o tratamento da asma devem ter um acompanhamento rígido e frequente de peso e altura todo ano para observar qualquer sinal de crescimento reduzido.
 
Pesquisa
Como líder do estudo, Saari explicou que sua equipe analisou as informações sobre altura dos pais das crianças, assim como os dados do peso delas e de quanto de medicamento para asma elas tomavam para calcular o crescimento e a altura esperados.
 
Ele descobriu uma relação entre uso de corticoides inalados e crescimento que pode significar 3 cm de perda de altura para essa criança quando ela se tornar adulta. “É importante que os médicos pensem duas vezes antes de receitar esse tipo de medicamento a crianças dessa idade (abaixo de dois anos)”, explicou.
 
Jonathan Grigg, médico honorário da British Lung Foundation e professor de medicina respiratória pediátrica na Universidade Queen Mary em Londres, disse que tratar crianças muito novas com sintomas de asma.
 
“Não conseguimos descobrir o tratamento ideal para crianças tão novas com esse problema. Não é muito claro quais delas precisam e quais não precisam de tratamento com corticoide. Muitas crescem sem desenvolver asma e não precisam de tratamento no futuro”. Segundo ele, um novo e maior estudo com grupos de crianças de diferentes idades precisa ser feito para descobrir mais detalhes sobre isso.
 
Já a diretora de políticas e pesquisas na organização Asthma UK disse que corticoides inalados são fundamentais para reduzir e controlar os sintomas da asma e o impacto deles na altura é “relativamente menor”.
 
“Nenhum pai deve parar de dar esses medicamentos para seus filhos, porque uma pequena redução no crescimento é um preço muito baixo a pagar por remédios que podem salvar a vida de suas crianças”, acrescentou.
 
iG

Pesquisa mostra que lítio tem efeito protetor em portador de transtorno bipolar

“O lítio é a droga que melhor trata o transtorno bipolar e portanto compreender o seu mecanismo de ação é especialmente relevante para entender a doença”
 
O tratamento com lítio proporciona efeito antioxidante e protetor para os sintomas de transtorno bipolar em portadores da doença, como mostra pesquisa do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
 
O trabalho do médico Rafael Teixeira de Sousa aponta que a ação do lítio, que potencializa a queda do estresse oxidativo, pode explicar como a medicação controla os sintomas depressivos. Os resultados da pesquisa vão auxiliar no desenvolvimento de tratamentos mais eficientes para a doença.
 
O transtorno bipolar é uma doença psiquiátrica em que se alternam períodos (episódios) de euforia ou extrema irritabilidade, chamado de “mania”, e períodos de humor depressivo. Os episódios de mania e depressão são marcados por mudanças extremas nos níveis de comportamento e energia dos pacientes.
 
Nos períodos depressivos, por exemplo, a pessoa pode ter problemas para se concentrar, esquecer com facilidade, sentir-se cansada, indisposta, ter dificuldade para dormir e pensar em suicídio, entre outros sintomas. Ao todo, foram estudados 31 pacientes no ambulatório do Laboratório de Neurociências do IPq, em sua maioria pacientes que nunca haviam recebido tratamento.
 
“Existem evidências de que, no início do transtorno bipolar, os pacientes estão preservados de algumas alterações biológicas observadas com o passar do tempo, embora ainda não esteja claro como isso aconteça”, observa o médico. “O trabalho encontrou um aumento de mecanismos antioxidantes que pode proteger os cérebros dos pacientes na fase inicial da doença”, ressalta.
 
“Os sintomas na fase inicial da doença não são diferentes do que ocorre nas fases tardias, no entanto, nessas fases mais tardias podem acontecer episódios mais frequentes e mais refratários ao tratamento. Além disso, as evidências apontam para uma diferença biológica entre as fases iniciais e as fases tardias”, diz Sousa.
 
“O objetivo do trabalho foi estudar o estresse oxidativo e a função mitocondrial nos episódios depressivos do transtorno bipolar e o efeito do tratamento com lítio nesses alvos biológicos”, diz Sousa. Os mecanismos antioxidantes diminuem o estresse oxidativo, que é danoso às proteínas, lipídios e DNA das células.
 
“Houve uma melhora do estresse oxidativo e aumento da função mitocondrial após o tratamento com lítio”, afirma o médico. O carbonato de lítio, ingerido como comprimidos uma ou duas vezes ao dia, é o principal tratamento existente para o transtorno bipolar.
 
Melhora de sintomas depressivos
O lítio é eficaz nos episódios de mania (euforia) e depressivos, na prevenção de novos episódios e tentativas de suicídio. “O lítio é a droga que melhor trata o transtorno bipolar e portanto compreender o seu mecanismo de ação é especialmente relevante para entender a doença”, afirma Sousa.
 
“A melhora de sintomas depressivos após o tratamento parece acontecer através de uma modulação direta de parâmetros de estresse oxidativo”. Devido à estreita ligação entre o estresse oxidativo e a cadeia transportadora de elétrons mitocondrial, a pesquisa incluiu outras análises que mostraram que o lítio aumentou diretamente a atividade do complexo I da cadeia transportadora de elétrons mitocondrial.
 
“O estresse oxidativo piora a função mitocondrial e a disfunção mitocondrial gera estresse oxidativo, ou seja, um influencia o outro”, destaca Sousa. “O lítio melhorou a função mitocondrial como um todo, o que poderia explicar a modulação dos parâmetros de estresse oxidativo após o tratamento”, acrescenta Sousa.
 
A elucidação da fisiopatologia do transtorno bipolar e do funcionamento do tratamento com lítio pode ajudar à descoberta de novos tratamentos mais eficazes. Desde o último mês de março, o médico realiza estudos de pós-doutoramento no National Institute of Health (NIH), nos Estados Unidos, onde pretende pesquisar a associação da disfunção mitocondrial com a perda de interesse e motivação para as atividades em pacientes com transtorno bipolar, a fim de esclarecer a fisiopatologia da doença e permitir o desenvolvimento de novos tratamentos.
 
Os resultados do estudo são descritos em tese de doutorado Fisiopatologia do Transtorno de Humor Bipolar e efeito do tratamento com lítio: enfoque em neuroproteção e função mitocondrial, que fez parte de um projeto maior, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e liderado pelo professor Rodrigo Machado-Vieira, orientador do estudo e atualmente diretor no NIH.
 
O trabalho recebeu apoio e direcionamento do professor Wagner Gattaz, neurocientista e diretor do Laboratório de Neurociências do IPq. Desde 2014, a pesquisa levou à produção de um capítulo de livro e de sete artigos científicos publicados em revistas internacionais.
 
iG