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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Genes ligados ao transtorno de atenção ainda são mistério

Os geneticistas já sabem que o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), doença que atinge cerca de 5% das crianças e adolescentes do mundo, está relacionado com a manifestação de alguns genes que atuam na "comunicação" entre os neurônios.

Mas os fatores que influenciam essa manifestação genética ainda é uma incógnita e precisa ser mais bem estudada.

"Desde 1995 temos estudos genéticos sobre TDAH. Mas os resultados ainda são modestos", disse a geneticista Mara Helena Hutz durante a 57ª reunião anual da SBG (Sociedade Brasileira de Genética).

Sabe-se, por exemplo, que a incidência de TDAH é maior em meninos (aproximadamente três meninos para cada menina), em gêmeos monozigotos (que dividiram o mesmo óvulo) e mais comum crianças cujos pais tiveram a doença.

"Essa é a doença psiquiátrica com maior herdabilidade já descrita", diz Hutz.

Além disso, pesquisas de imagens mostram que crianças com TDAH têm o lobo frontal (parte do cérebro ligado, por exemplo, ao desenvolvimento da personalidade) cerca de 4% menor do que as crianças que não apresentam a doença.

Porém, não existe até hoje nenhum biomarcador, ou seja, uma medida, que defina a doença.

Hoje, o diagnóstico de TDAH é feito apenas por análise clínica --como por meio de análise de questionários preenchidos pelos pacientes.

FATORES AMBIENTAIS
Alguns estudos já indicaram que a manifestação da TDAH pode ser condicionada por fatores sociais e ambientais.

Por exemplo, o tabagismo intensivo na gestação --mães que fumam mais de dez cigarros por dia-- pode aumentar em até três vezes a incidência de TDAH nos bebês.

"Isso não é determinismo genético, mas é estudo de risco. Resta saber por que alguns filhos de fumantes desenvolvem a doença e outros não", ponderou Hutz.

De acordo com a geneticista, o TDAH, que é caracterizado principalmente por déficit de atenção e hiperatividade contínuos (por mais de seis meses), costuma estar associado a outros transtornos psiquiátricos.

A ansiedade, por exemplo, aparece em 50% das crianças com TDAH.

Mas essa relação entre as patologias psiquiátricas também não está clara para os cientistas.

Fonte Folhaonline

Estímulo cerebral reduz em até 80% 'fissura' por cocaína

Uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria da USP mostra que o uso de estimulação magnética no cérebro para tratar o vício em cocaína é eficaz e reduz em até 80% o desejo de usar a droga.

Os resultados preliminares são baseados na primeira etapa do estudo, com 20 pacientes do sexo masculino entre 18 e 40 anos que usavam cocaína há até sete anos.

Outros 20 pacientes participam da segunda parte da pesquisa, já em andamento.

O tratamento é indolor e não invasivo, e pesquisas já mostraram sua eficácia para depressão e dor crônica.

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um recebeu o tratamento ativo e o outro, placebo. Eles foram submetidos a 20 sessões de estimulação e fazem também psicoterapia.

RECOMPENSA
A bobina que gera um campo magnético foi aplicada na região do cérebro chamada córtex dorsolateral pré-frontal esquerdo.

Essa área responde pelo comportamento impulsivo e pela tomada de decisão. A estimulação "reorganiza" os circuitos cerebrais danificados pela cocaína para controlar a dependência.

"A cocaína modula o sistema de recompensa e as áreas que medem consequências. Remodelamos esse sistema", diz o psiquiatra Phillip Leite Ribeiro, autor do estudo.

Antes e depois das sessões, todos foram avaliados por meio de escalas que medem a intensidade e a frequência da vontade de usar a droga.

Os resultados mostram uma queda grande nas recaídas, na fissura e na impulsividade dos pacientes. "Ainda não sabemos se eles vão precisar repetir as sessões para que o efeito se mantenha. Pode ser que o vício volte", diz Ribeiro.

Marco Marcolin, psiquiatra, coordenador do grupo de estimulação magnética do Hospital das Clínicas da USP e orientador do estudo, diz ainda que o ideal seria fazer testes de urina para medir a presença da droga e comprovar a diminuição da fissura.

Ambos esperam que, no futuro, a estimulação possa ser usada aliada a outros tratamentos. "Esse paciente sempre vai precisar de psicoterapia. Muitas vezes, remédios também são necessários", diz Marcolin.

O psiquiatra Marcelo Niel, psiquiatra do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp, diz que o surgimento de uma nova possibilidade terapêutica para tratar dependência é animador. "No entanto, são necessários estudos maiores para ter uma melhor visualização do efeito do tratamento em comparação com o efeito placebo. Além disso, como muitos dependentes têm doenças psiquiátricas associadas, pode ser que o resultado seja decorrente do tratamento desse outro problema."

Fonte Folhaonline

12 dicas para diabéticos praticarem esportes sem riscos

Medir a glicose com frequência e levar sempre um carboidrato para evitar a baixa de glicose são algumas delas

Dados recentes da Federação Internacional de Diabetes (FID) revelam que o Brasil ocupa o 5º lugar na lista de nações com o maior número de portadores de diabetes – são cerca de 7,6 milhões.

O avanço mundial em proporções da epidemia da doença também está consolidado, indo de 135 milhões em 1995 para os atuais 285 milhões de habitantes.

Segundo projeções da entidade, os números só irão aumentar: em 20 anos, o número de adultos com a doença (entre 20 e 79 anos) deve crescer 67%. Se essas pessoas limitassem suas vidas e se entregassem ao sedentarismo por conta do diabetes, o resultado seria a soma de outras tantas doenças e complicações.

Por isso, além de uma dieta adequada ao perfil do diabético, a prática de atividade física é altamente recomendada. Com alguns cuidados simples, é possível controlar a doença, entrar em forma e até conseguir alto desempenho no esporte.

A seguir, especialistas em atividades físicas e diabetes dão importantes dicas para a prática esportiva saudável.

1. Antes de começar um treinamento regular, a recomendação oficial é de que o diabético seja submetido a um teste de esforço (teste ergométrico), caso tenha mais de 35 anos ou mais de 10 anos com a doença. “Além disso, vale fazer um rastreamento para detectar a presença de complicações (exame oftalmológico, função renal, por exemplo). Esse procedimento é importante no caso de diabetes tipo 2 recém diagnosticado, pois muitas vezes a pessoa não sabe há quanto tempo tem a doença e pode já ter alguma complicação instalada”, explica Sonia de Castilho, educadora física, personal trainer, educadora em diabetes e coordenadora de atividades desportivas da ADJ Diabetes Brasil.

2. Segundo a especialista, antes de iniciar os exercícios propriamente ditos, o principal cuidado é medir a glicemia, especialmente para evitar risco de hipoglicemia (baixa dos níveis de glicose na corrente sanguínea), um cuidado mais importante para quem faz uso de insulina. Se antes da atividade física a glicemia for igual ou menor do que 100 mg/dl, a recomendação é ingerir algum tipo de alimento com carboidrato.

“No caso de hiperglicemia (acima de 250 mg/dl), se o indivíduo estiver se sentindo bem pode seguir com o treino, evitando atividades muito intensas. O ideal também é, nesse caso, fazer nova medição de ponta de dedo em 15 ou 20 minutos para verificar o comportamento da glicemia durante o exercício”, diz Sonia.

3. Utilizar calçados e meias confortáveis para evitar lesões na pele dos pés – diabéticos têm mais probabilidade de sofrer problemas nessa região. Lubrificar os dedos com cremes para evitar atrito e bolhas também é uma medida recomendável. Veja aqui como escolher o tênis mais seguro.

4. Alongar antes do treino é ainda mais importante para quem tem diabetes. O diabético, especialmente se não tiver um bom controle glicêmico, tende a ter maior rigidez articular.

5. “Da mesma forma que o corredor tem cronômetro, frequencímetro e GPS; o pára-quedista e o mergulhador têm altímetro e o ciclista tem odômetro; o praticante de atividade física diabético deve ter o monitor de glicemia como parceiro inseparável. Quanto mais vezes ele fizer o monitoramento, mais estável manterá a taxa de glicemia”, diz Emerson Bisan, personal trainer da Reebok Sports Club e diretor da Nova Equipe Assessoria Esportiva – ele é diabético há 15 anos, tem 48 maratonas completadas, além de várias ultramaratonas.

6. Pode ser necessário medir a glicemia durante e depois do exercício, especialmente em atividades longas ou pouco usuais (quando diferem do habitual, seja em duração, intensidade ou tipo). “Essa atitude, além de reduzir o risco de hipoglicemia, traz mais autoconhecimento, permitindo segurança e controle na prática dos exercícios", diz Sonia de Castilho.

7. A hidratação não pode ser negligenciada por quem pratica atividade física. Para quem tem diabetes é ainda mais essencial, já que a doença traz, potencialmente, um estado de pouca hidratação (um dos mecanismos fisiológicos para manter a glicemia é eliminar a glicose em excesso pela urina e essa regulação constante rouba água dos tecidos). “Recomendo beber 200ml a 300ml de água a cada 15 ou 20 minutos e prestar atenção ao consumo bebidas isotônicas, que muitas vezes têm outras formas de açúcar”, diz Bisan.

8. “Sempre que for praticar atividade física, é bom levar algum doce de absorção rápida. Ele serve para que, em casos de emergência ou dúvida, se evite um quadro de hipoglicemia severa”, diz Alexei Caio, consultor da associação Diabetes & Desportes, diabético, montanhista, maratonista e ultramaratonista. “Carregar sempre alguma fonte de carboidrato simples. Existem sachês de açúcar líquido, mas também pode ser uma bala de goma ou de mel. Não vale chocolate nem bolacha recheada, que têm muita gordura. Isso retarda a absorção da glicose e, portanto, não corrige a hipoglicemia rapidamente”, explica Sonia de Castilho.

9. Outra dica é ter atenção com o local da aplicação da insulina. “O trabalho muscular sobre o local da aplicação pode potencializar a ação e deixá-la diferente do normal”, informa Bisan.

10. “Ao sair para a atividade física, é prudente levar junto uma carteirinha de identificação de portador de diabetes, contatos e telefones para eventuais emergências”, sugere Caio.

11. Fazer registros de medidas glicêmicas, alimentação pré, pós e durante os exercícios, quantidade de medicamento, peso, temperatura, entre outras informações é outra boa aposta. “Tudo isso, levado ao médico, à nutricionista e ao treinador, pode aperfeiçoar o tratamento e o treinamento”, diz Bisan.

12. Por fim, envolver a família e os amigos no tratamento e nas atividades diárias é uma ótima maneira de compartilhar saúde. “O compartilhamento aumenta a compreensão da doença e traz hábitos saudáveis para toda a família”, finaliza Bisan.

Fonte IG

"Enfermeiro não é médico frustrado"

Estigma de profissional de segunda classe ainda incomoda categoria, apontam enfermeiros

No uso informal, até os dicionários definem enfermeiros como “qualquer um que cuida de enfermos”.

Embora simplista e limitada, a classificação reflete um preconceito que se arrasta na sociedade. É fato que a função nasceu feminina, dentro de uma cultura católica e de guerra, mas ao longo dos anos assumiu patamares gerenciais.

Formada em 1962, Fumico Sonoda, chefe de enfermagem do Hospital do Coração (HCor), onde trabalha há 35 anos, fez faculdade na Cruz Vermelha Brasileira.

Usou durante um bom tempo o longo vestido branco sob o avental com o sinal da cruz vermelha – uniforme e identidade da profissão – e acompanhou de perto a profissionalização de seu ofício.

“Éramos apenas mulheres instruídas para cuidar. Hoje a área é riquíssima, ampla, não necessariamente destinada ao atendimento direto e requer conhecimento, capacitação constante. Enfermeiro precisa ter sensibilidade, mas não altruísmo.”

Para a enfermeira, o processo de valorização permanece gradual. Em uma sociedade que se curva ao menor sinal de jaleco branco, quem tem vocação para cuidar é voluntário.

“Eu trato o paciente, não a doença. A recuperação é comprometida se não tiver um enfermeiro presente. Pode ter o melhor médico, o remédio mais potente, mas nossa presença é fundamental."

Primeira opção
Ivana Pimentel de Siqueira, superintendente de atendimento do Hospital Sírio Libanês, iniciou a carreira na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital das Clínicas de São Paulo. O apreço pela área foi gratuito, movido pela vontade de trabalhar dentro de um hospital e ficar perto dos pacientes.

Aos 18 anos, ela prestou vestibular para o curso de enfermagem em uma das grandes universidades públicas do País e foi a segunda colocada na classificação geral – a nota final permitia que Ivana se matriculasse no curso de medicina.

“Enfermeiro não é médico frustrado. Sempre foi minha primeira opção, não por falta de estudo ou limitação financeira. Não queria ser a ditadora do processo de cura. Meu desejo sempre foi o de estar presente, ao lado, ajudar a evitar a morte ou acelerar o processo de cura.”

Hoje, ela coordena mais de 350 funcionários e exerce função administrava dentro do hospital – cargo alcançado graças às constantes especializações feitas ao longo da carreira.

“Nunca parei. Enfermeiro é um dos profissionais mais cobrados no dia a dia. Somos o cartão de visitas de um hospital, precisamos funcionar muito bem. Já vivi pegando em agulha, agora observo e controlo a qualidade dos serviços.”

Para ela, o preconceito perdeu força ao longo dos anos, mas não foi extinto. A sociedade ainda confunde o trabalho do auxiliar de enfermagem, do técnico e do enfermeiro – e restringe a função a limpar, dar banho e administrar os medicamentos.

Ouvidos seletivos
Edmilson Santoma, enfermeiro pleno, funcionário de Ivana há 9 anos, lida diariamente com a ignorância de pacientes e dos familiares, que nem sempre entendem ou reconhecem seu trabalho. “A visão equivocada independe de classe social. Muitos julgam a nossa função como inferior, servil."

Cenas de humilhação ou maus tratos, entretanto, fogem à lembrança. Em quase uma década de profissão, o preconceito se manifestou sem deixar marcas – talvez por que, para ele, grito não é ofensa.

“Gritar é comum, mas enfermeiro não se melindra com berro. Um paciente que destrata o enfermeiro, já foi agressivo com o fisiterapeuta, nutricionista e até o médico.”

Para o senso comum, enfermeiro pode até ser uma subcatecoria da medicina, mas na relação direta entre os profissionais de saúde, não existe hierarquia. “Enfermagem não é um degrau abaixo da medicina. Somos uma alavanca, mediadores. Ninguém é mais ou menos no processo de cura", assevera Ivana.

Sem o relatório feito por quem passa o dia prestando assistência, o diagnóstico dos médicos é diretamente prejudicado. O confronto de idéias entre médicos e enfermeiros ocorre, mas os embates sinalizam, no máximo, a prepotência dos médicos, não necessariamente o preconceito.

“Ele dita o tratamento, é o dono desse conhecimento, não queremos brigar por isso, mas podemos questionar, por exemplo, o horário estipulado para dar a medicação. Sabemos a rotina do paciente e como ela pode funcionar melhor.”

Corda bamba
Para Antônio Marcos Freire, diretor do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o berço da enfermagem retardou o reconhecimento da profissão.

“A igreja católica colocava as mulheres dentro dos hospitais para cuidar, mas sem capacitação. A função era secundária e demorou a ser vista como complementar. É recente a valorização.”

Embora o ingresso de homens tenha ajudado a suavizar o estigma feminino, 85% dos profissionais de enfermagem ainda são mulheres. Na visão do diretor, o ranço cultural mantém os enfermeiros na berlinda. Qualquer erro denunciado contamina a categoria.

“Conseguimos impor respeito, mas a pressão é grande. A cada falha individual temos que provar cinco vezes mais que somos competentes do que as outras áreas da saúde.”


Fonte IG

Ministério importa 10 milhões de doses de vacina contra raiva para cães e gatos

O Ministério da Saúde importou 10 milhões de doses para vacinar cães e gatos contra raiva. A compra emergencial foi feita para não atrasar a imunização dos animais nos estados com risco de registro da doença.

De acordo com o ministério, a pasta requisitou novos testes da vacina produzida pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), responsável por fornecer 32 milhões de doses. As análises foram solicitadas para evitar mortes e reações adversas nos animais como em 2010, quando foram notificados 637 casos. Do total, 41,6% foram mortes ou alergias graves, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na época, a vacina era fabricada pelo laboratório Bio-Vet, proibida de ser usada na campanha deste ano.

Com os novos testes, o Tecpar atrasou o fornecimento das doses, que deveriam ter sido entregues às secretarias estaduais de Saúde a partir de maio.

O ministério definiu estados com preferência para receber a vacina importada. Os primeiros foram o Ceará e o Maranhão, que registraram casos de raiva humana no ano passado e em 2011, respectivamente.

Os demais são Pernambuco, o Pará, o Piauí, o Rio Grande do Norte, a Paraíba, a Bahia, Alagoas, Sergipe e Mato Grosso do Sul, por terem notificado casos de raiva canina nos últimos três anos.

A raiva é uma doença viral que pode ser transmitida ao homem por mordida, lambida ou arranhão de um animal infectado, principalmente cães, gatos, saguis e morcegos. A taxa de letalidade entre humanos é próxima de 100%.

O Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os únicos estados que ficam de fora da vacinação, pois não registram a circulação do vírus da raiva.

Fonte Agência Brasil