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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Anticoncepcional faz mal? Conheça os prós e contras da pílula

Lançadas há 60 anos, as pílulas foram um marco na liberdade sexual feminina. Hoje, elas estão ainda mais modernas, sem falar em outros métodos disponíveis para o mesmo fim

As pílulas anticoncepcionais representaram a liberdade sexual das mulheres quando foram lançadas nos anos 1960, pois deram a elas o poder de escolha: quando teriam filhos e se queriam. Mesmo assim, quase 60 anos depois, a quantidade de gestações não planejadas ainda é grande. A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, de 2016, identificou que apenas 54% das gravidezes de 2015 foram planejadas. Das não planejadas, 18% eram indesejadas.

Além da falta de informação, que faz com que mulheres não usem métodos contraceptivos, há uma nova tendência a rechaçar as pílulas anticoncepcionais por conta de casos de trombose associados ao uso delas. Apesar de elas ainda serem a escolha de 75% das mulheres que usam métodos contraceptivos, grupos em redes sociais, fóruns sobre o tema e debates na mídia apontam a tendência de elas abandonarem os comprimidos por medo das complicações. “O que as mulheres precisam é de informação, de conhecer o verdadeiro risco ao qual estão submetidas e de saber quais outras possibilidades podem ser usadas”, afirma o presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, César Eduardo Fernandes.

Sentir medo de um medicamento como esse, ou não ser elegível para usá-lo (por fumar ou por ter tendência natural à trombose), não significa, porém, que se deve ficar à mercê de métodos falhos, como tabelinha ou coito interrompido. Há também pílulas formuladas só com progesterona, além da possibilidade de optar por contraceptivos de longa duração, alguns sem hormônio, como o DIU de cobre. Esses métodos, inclusive, são os mais seguros, mas, no Brasil, ainda são subutilizados e representam apenas cerca de 10% do uso de contraceptivos, segundo pesquisa da Unifesp. Uma das causas seria o preço, o desconhecimento dos métodos e a falta de médicos especializados para indicá-los.

O hormônio associado à trombose é o estrogênio, mas ele não faz parte da composição de todos os contraceptivos hormonais. Segundo o ginecologista César Eduardo Fernandes, a pílula oral combinada (estrogênio e progesterona) realmente aumenta em 100% a chance de um evento trombótico venoso. Isso quer dizer que o problema atinge quatro entre 10 mil mulheres que não usam o medicamento, e oito entre 10 mil que tomam esse tipo de anticoncepcional. “Esse número continua sendo pouco significativo. O método ainda é seguro”, garante o médico.

Gravidez
Atualmente, há uma série de métodos contraceptivos disponíveis para as mulheres se protegerem e evitar uma gravidez não planejada. Independentemente de qual método você escolher, é essencial consultar seu médico. Portanto, não faça uso por conta própria. Cada organismo reage de uma maneira e nem sempre o método da amiga vai ser o melhor para você. A partir do histórico clínico e do exame físico geral e ginecológico da paciente, o médico pode orientar qual é o mais indicado método contraceptivo.

As pílulas anticoncepcionais podem ser combinadas com os hormônios estrogênio e progesterona, ou apenas progesterona. A principal ação é a interferência na ovulação, mas também modificam o endométrio e o muco do colo uterino para dificultar a entrada e a sobrevivência dos espermatozoides. Sua eficácia, se usadas corretamente, é de 0,3% de risco de gravidez. Com tanta diversidade, descubra o que é verdade, ou não, sobre os métodos contraceptivos disponíveis atualmente.

Para evitar gravidez, o ideal é usar dois métodos contraceptivos?
MITO: segundo a médica Ilza Maria Urbano Monteiro, professora do Departamento de Tocoginecologia da Unicamp e responsável pelo setor de reprodução humana da universidade, do ponto de vista da contracepção, para evitar a gravidez um só método já é suficiente. Ela explica, no entanto, que a dupla proteção é necessária para evitar tanto uma gestação quanto uma doença sexualmente transmissível. Para isso, é indispensável aliar o método anticoncepcional ao uso da camisinha.

Há mulheres mais vulneráveis a gestações não planejadas e/ou indesejadas?
VERDADE: há mulheres em situações de vulnerabilidade que estão mais sujeitas a engravidar sem planejamento. Entre elas, as jovens com até 19 anos respondem por 22% das gestações não planejadas no Brasil, de acordo com o estudo de Marcella Guanabens publicado na Revista Brasileira de Educação Médica. Usuárias de drogas fazem parte de outro grupo de risco, segundo o ginecologista e obstetra Luis Carlos Sakamoto. Dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo, revelam que 62% das usuárias de crack se prostituem para financiar o vício, o que as deixa ainda mais suscetíveis. Elas têm, em média, de três a quatro gestações cada uma.

Pílulas anticoncepcionais Todos os hormônios de pílulas anticoncepcionais causam trombose? MITO: depois de conhecer casos de mulheres que usavam anticoncepcionais e foram diagnosticadas com trombos que levaram a sérias consequências, a estudante Izabela Costa, de 25 anos, resolveu abolir de vez o medicamento. As pílulas anticoncepcionais se diferenciam pelos hormônios que as compõem e pela dosagem. As mais usadas são as que combinam progesterona e estrogênio. O hormônio que pode causar trombose é apenas o estrogênio. Há, porém, pílulas só de progesterona.

Segundo o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o uso da medicação com estrógeno dobra o risco de uma trombose. Ele ressalta, no entanto, que é necessário esclarecer melhor os números, já que essa porcentagem soa assustadora. Entre 10 mil mulheres que não tomam o anticoncepcional, quatro terão trombose em um ano. Portanto, entre as 10 mil que tomam, apenas oito terão o mesmo problema no mesmo período.

Em 1960, quando a pílula foi criada, eram 30 casos de complicações, ao ano, para cada 10 mil mulheres. “Hoje, temos formulações que minimizam e chegam a um número de casos aceitável”, afirma. Mesmo assim, ele explica que a decisão sobre o método deve ser o que faz a mulher se sentir mais segura. Médico e paciente devem decidir juntos. Por isso, a Febrasgo lançou a campanha #vamosdecidirjuntos, para incentivar essa resolução conjunta.

Izabela Costa começou a tomar a pílula hormonal aos 19 e manteve o uso contínuo até os 24. Com acompanhamento médico constante, ela até trocou o remédio algumas vezes, até se adaptar. “Uma delas chegou a me fazer mal, sentia claramente que estava mais inchada, retendo muito líquido, com mais celulites e com diminuição da libido. Não foi nada clínico, mas me afetou bastante”, revela.

Depois de um ajuste de dosagem, a estudante continuou usando os comprimidos. Há cerca de um ano e meio, ela começou a pesquisar os efeitos do anticoncepcional no organismo e se preocupou. “Por acaso, encontrei um grupo no Facebook e passei a acompanhar a história de mulheres que tiveram experiências negativas e perigosas. Foi um alerta.” Apesar da incerteza, Izabela manteve o uso da pílula por causa dos benefícios que trazia. Além da tranquilidade da contracepção, os hormônios aliviavam as cólicas menstruais, reduziam os efeitos da tensão pré-menstrual e diminuíam o fluxo intenso da jovem.

O medo aumentou depois dos avisos constantes da ginecologista. “Eu era fumante e a minha médica me dizia que eu não podia fazer as duas coisas, usar a pílula e fumar, pois eram dois fatores de risco para trombose”, conta. Um desejo de cuidar melhor da saúde fez com que ela abrisse mão do contraceptivo e do cigarro ao mesmo tempo. “Eu me livrei de duas coisas que faziam mal a meu corpo e à minha saúde, de forma geral. Senti-me livre depois”, comemora. “Apesar de ter um fluxo mais intenso e cólicas mais fortes novamente, emagreci seis quilos, meu corpo desinchou muito e minha libido voltou ao normal. A qualidade de vida aumentou, sem dúvida.”

Depois de abandonar a pílula, Izabela passou a recorrer ao preservativo para evitar a gravidez e pretende continuar livre dos métodos hormonais. “Entendo que existem pessoas que precisam desses métodos e tomam a pílula por diversos motivos, mas acredito que tendo uma escolha, o ideal é ser mais natural”, aconselha

Toda mulher deveria fazer exame para checar se é trombofílica antes de começar a tomar um anticoncepcional com estrogênio?
MITO: A Organização Mundial da Saúde estabelece critérios médicos de elegibilidade que orientam o uso dos métodos anticoncepcionais. Trombofílicas são pessoas que têm tendência à ocorrência de eventos trombóticos venosos. O histórico familiar e um exame clínico são suficientes para julgar se uma mulher pode, ou não, tomar estrogênio. “Embora não seja rara, também não é tão comum assim. Fazer muitos exames pode onerar demais o processo sem necessidade”, afirma o cirurgião-geral Baelon Pereira Alves. Segundo César Eduardo Fernandes, presidente da Febrasgo, seria necessário fazer exames em 6 mil mulheres para identificar um caso de trombofilia. Cada exame custa, em média, R$ 2 mil, o que torna a proposta inviável.

A internacionalista Juliana Coelho Medina, de 24, tomou anticoncepcional por menos de um ano e, apesar do curto período, teve uma tromboembolia pulmonar, ou seja, o coágulo chegou ao pulmão. Quando ela tinha 20 anos, recebeu de uma dermatologista a receita para comprar a pílula. O objetivo era controlar a acne persistente. “Sempre tive a pele mais oleosa, usei vários cremes e nada funcionava. Como uma alternativa, ela me receitou o anticoncepcional”, lembra Juliana.

A profissional, no entanto, não solicitou nenhum tipo de exame ou fez perguntas referentes ao histórico familiar da jovem, procedimentos importantes antes de se recomendar o uso de hormônios. Logo após começar a tomar a pílula, Juliana voltou a fazer atividade física e começou a sentir uma dor no lado direito do peito, próximo às costelas. “Começava à noite, no horário em que eu tomava a pílula, mas associei com dor muscular. Tomava um relaxante e pronto”, conta. Semanas depois, a dor persistente se tornou mais forte e a internacionalista procurou um ortopedista. Após exames inconclusivos, o médico receitou analgésicos e liberou Juliana. Como muitas mulheres, a jovem não teve um diagnóstico preciso na primeira vez em que procurou ajuda médica. Somente dois meses após o início da dor o problema foi descoberto.

Depois de uma viagem de carro, na qual ela passou quase um dia inteiro sentada, a dor piorou e Juliana começou a cuspir sangue. Acompanhada da mãe, a moça foi direto para o pronto-socorro. Depois de uma bateria de exames, foi internada com o diagnóstico de tromboembolia pulmonar. Após a investigação, os médicos descobriram que a moça tem uma mutação genética que favorece a formação de trombos, o que foi desencadeado pelo uso do anticoncepcional. “Fui orientada a nunca mais ingerir nada que envolvesse hormônios e passei dois anos tomando anticoagulantes. Até hoje faço um acompanhamento de seis em seis meses”, comenta.

Apesar do perigo que correu, Juliana não condena o anticoncepcional. “Existem pessoas que precisam tomá-lo e, para outras, é um conforto, traz uma tranquilidade. Os médicos receitam como se fosse balinha, remédio para dor de cabeça, e não pedem exames. Falta cuidado e responsabilidade ao lidar com a pílula”, alerta.

É importante dar uma pausa na pílula de vez em quando ou trocar a marca usada?
MITO: não existe estudo que mostre ser importante parar de tomar a medicação por algum tempo. Pelo contrário, o ginecologista e obstetra Silvio Franceschini explica que, quando se começa a tomar a pílula combinada (com estrógeno e progesterona), os primeiros seis meses são os mais críticos em termos de risco de trombose. Depois desse período, o perigo diminui, mas, após cada interrupção, correm-se os mesmos riscos do primeiro semestre. “Só tem razão de parar se a intenção for usar outro método. Essa ideia de descansar da pílula é um conceito do fim da década de 1970 e início dos anos 1980, quando não conhecíamos tão bem a pílula”, afirma o especialista.

Natália Lopes, de 45, é uma das provas de que é possível fazer uso contínuo de anticoncepcional sem passar por problemas de saúde. Com acompanhamento médico constante e checape feito pelo menos uma vez ao ano, a jornalista toma pílula há 25 anos e nunca experimentou nenhum desconforto. “Sou muito disciplinada, sempre a tomo no mesmo horário e nunca me esqueço. Além disso, sempre conversei com minha médica e não tomo decisões de saúde sem a orientação dela”, ressalta.

Natália não notou nenhuma diferença em seu organismo. “Muitas mulheres têm dores de cabeça, inchaço, acne. Nunca tive nada disso, me adaptei muito bem e acredito que cada mulher tem que achar o método com o qual se sinta bem. Para mim, é a pílula”, afirma. “Os medicamentos evoluíram muito em 20 anos. Conforme foram surgindo outros melhores e mais modernos, conversei com a ginecologista e fomos trocando, conforme a necessidade e de acordo com meus exames”, acrescenta.

Mãe de dois filhos, a jornalista não teve dificuldades para engravidar. Após uma pausa de quatro meses no anticoncepcional, teve gêmeos. “Eu não assumo nenhuma posição médica porque não tenho conhecimento de causa, mas confio nas orientações profissionais. Se minha ginecologista me trouxer outro método que seja melhor para mim, não tenho por que não experimentar. Acho muito importante essa relação de diálogo, o médico vai te ajudar e esclarecer quais são as melhores opções para cada pessoa”, completa Natália.

Mulher não deve usar pílula anticoncepcional no pós-parto?
VERDADE: durante a gravidez e no pós-parto, as mulheres estão mais suscetíveis a uma trombose, portanto, não devem usar pílulas anticoncepcionais com estrogênio. Em um ano, entre 10 mil grávidas, 120 terão algum evento trombótico venoso. Segundo a ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, a coagulação da grávida diminui para evitar sangramento exagerado durante o parto. “O ideal é que, após o parto, mulheres tomem a chamada minipílula, que já é um acréscimo à contracepção natural garantida pela amamentação exclusiva e em livre demanda”, afirma a médica.

É claro que a minipílula, porém, não é a única opção. Muitas mulheres preferem inserir o DIU durante a cesárea. O procedimento dificulta a expulsão, já que o útero estará inchado e, à medida que volta ao normal, abrigará o dispositivo da melhor forma.

Anticoncepcional diminui a libido?
MITO: a pílula anticoncepcional pode diminuir a libido, mas não se trata de uma regra. De acordo com uma resenha de 2013 — publicada no European Journal of Contraception and Reproductive Health Care, da Sociedade Europeia de Contracepção e Reprodução, que examinou 36 estudos entre 1978 e 2011 —, cerca de 15% das mulheres notaram uma redução no desejo sexual enquanto tomavam a pílula. Mesmo assim, “não está claro se a culpa era realmente da pílula, já que há uma série de outros fatores que influenciam na libido”, consta na resenha.

A maioria dos anticoncepcionais hormonais impede a ovulação, que é quando há picos de testosterona que deixam algumas mulheres mais excitadas. Sem ovular, o aumento de testosterona e, consequentemente, de libido, não vai ocorrer. Além disso, o estrogênio no anticoncepcional pode aumentar uma globulina ativadora de hormônios sexuais, que se liga à testosterona e reduz a quantidade dela na circulação. Um estudo de 2006, no Journal of Sexual Medicine, identificou que quem toma pílulas anticoncepcionais tem uma quantidade de globulina quatro vezes maior do que mulheres que nunca tomaram.

O estrógeno é essencial na pílula anticoncepcional?
MITO: há pílulas anticoncepcionais que levam apenas a progesterona em sua composição. Segundo o ginecologista e obstetra Silvio Franceschini, esse hormônio é responsável por evitar a ovulação, enquanto o estrógeno regula o ciclo menstrual.

A pílula anticoncepcional é o método contraceptivo mais usado no Brasil?
VERDADE: segundo pesquisa da Unifesp, 75% das mulheres que usam algum método contraceptivo tomam pílula; 16%, injeção mensal; 7% têm dispositivo intrauterino de cobre, e 3% tomam injeção trimestral.

As injeções anticoncepcionais têm ação semelhante à das pílulas?
VERDADE: assim como as pílulas, as injeções podem ter estrogênio e progesterona ou ambos os hormônios. A recomendação de uso, portanto, segue a mesma linha das pílulas. “A vantagem dos contraceptivos injetáveis é a mulher não precisar se lembrar todo dia de tomá-los. Elas podem ser mensais ou trimestrais”, explica a ginecologista Ilza Urbano.

Esterilização

Vasectomia é reversível e laqueadura não?
MITO: ambas as cirurgias devem ser consideradas definitivas. Só pode ser tratado como reversível o método anticoncepcional que, quando interrompido o uso, recuperam-se a fertilidade. No caso das mulheres, é mais complexo reverter dependendo dos danos às tubas. Já o homem, segundo Franceschini, cinco anos após a vasectomia passa a produzir anticorpos contra os espermatozoides. Assim, mesmo que a cirurgia seja revertida, a fertilidade não será a mesma.

O procedimento da vasectomia é mais simples que o da laqueadura? VERDADE: na cirurgia de vasectomia, basta uma anestesia local, o procedimento é feito em consultório e dura meia hora. Não há risco de impotência. Já a laqueadura é feita por um método muito parecido com uma cesárea, mas de forma bem mais invasiva.

DIU, SIU, Implante Hormonal Subcutâneo Mulheres que não tiveram filhos não podem usar DIU?
MITO: segundo César Eduardo Fernandes, presidente da Febrasgo, os métodos de longa duração quase não têm contraindicação. Na opinião dele, eles ainda são subutilizados por causa de mitos, como o de que mulheres que nunca foram mães não podem usá-los. Segundo Franceschini, soma-se a isso o fato de que poucos médicos estão treinados para a implantação do dispositivo.

A administradora Flávia Marins, de 40 anos, foi uma das que acreditaram nessa inverdade. Ela sofreu ao descobrir que teria que abrir mão do anticoncepcional depois de uma flebite. Recém-casada, também estava proibida de usar o DIU por ainda não ter filhos — o que era uma recomendação médica incorreta —, precisou confiar na camisinha aliada à tabelinha. “Se eu pudesse, nunca teria deixado de tomar a pílula. Passei toda a vida de casada preocupada com camisinha e com as datas de ovulação. É uma preocupação que tenho até hoje e estou comemorando que meu marido vai fazer a vasectomia. Assim, poderei ter um conforto e tranquilidade maiores.”

Aos 18 anos, com o intuito de começar a vida sexual, Flávia procurou um ginecologista. Com receita médica, ela começou a tomar a pílula: a pele melhorou, as cólicas e a TPM diminuíram consideravelmente e o fluxo menstrual se tornou mais suave. Não houve qualquer sinal negativo. No entanto, aos 25, quatro meses antes do casamento, a administradora passou por um grande susto. “De repente, sem motivo aparente, comecei a sentir uma dor muito forte na perna, parecia uma queimação. Em seguida, ouvi um ‘ploc’ e tive a sensação de que alguma coisa tinha explodido. Segundos depois, minha perna ficou muito vermelha e inchada”, lembra.

Flávia estava no trabalho e correu para uma emergência de hospital. Ao ser atendida por um angiologista, recebeu o diagnóstico de flebite. O médico indicou a cirurgia, além de proibir a administradora de usar salto alto. “Fiquei muito assustada quando ele disse que precisava de cirurgia. Mandou que eu tirasse o salto e saísse do hospital descalça e disse que o roxo na minha perna não ia desaparecer nunca”, conta.

No dia seguinte, ela foi atendida por um novo profissional, que confirmou o diagnóstico, mas se aprofundou nos exames e descobriu que a cirurgia poderia ser descartada. “Ele perguntou o histórico até da minha avó e pediu um exame mais detalhado para determinar a gravidade da flebite.” Depois de tomar um anticoagulante injetável por 15 dias e ficar em repouso absoluto, Flávia refez os exames e descobriu que o coágulo havia se dissolvido. “Foi uma sorte muito grande. Acredito que o principal fator tenha sido o diagnóstico precoce.” O anticoncepcional foi apontado como a causa do problema. “Naquela época, era ainda pior. As pílulas tinham menos tecnologia e muito mais hormônio. Fui orientada pelo médico a nunca mais tomar.”

DIU hormonal (chamado de SIU) pode causar trombose?
MITO: o hormônio presente no SIU é apenas o levonorgestrel, um tipo de progesterona sintética, portanto, não aumenta risco de trombose.

A mulher que usa DIU terá o fluxo menstrual aumentado, e a que usa o SIU vai parar de menstruar (menorreia)?
VERDADE: o DIU causa uma inflamação no endométrio, tecido que reveste internamente o útero. As células e as substâncias inflamatórias que passam a ocupar o tecido tornam a cavidade uterina um lugar desagradável para o espermatozoide, impedindo que ele suba e fecunde o óvulo. Essa inflamação, no entanto, faz com que o fluxo menstrual seja mais forte e pode causar mais cólicas. Já o SIU diminui o volume menstrual em 90% das mulheres e em algumas pode causar a menorreia, já que atrofia o endométrio para que o óvulo fecundado não grude.

SIU e DIU são a mesma coisa?
MITO: SIU é a sigla de sistema intrauterino. Já o DIU é dispositivo intrauterino, que não tem nenhum tipo de hormônio. O SIU é comumente chamado de DIU hormonal, que tem a forma de T e é colocado dentro do útero. Diferentemente do DIU, o SIU tem progesterona, hormônio que é liberado aos poucos no organismo da mulher para evitar a ovulação.

A flebite ou tromboflebite ocorre quando o trombo se forma em uma veia superficial. Quando o coágulo surge em veias profundas, a condição recebe o nome de trombose venosa profunda.

Produção em hortas domésticas é alternativa contra a má alimentação

Horta em casaO Ministério da Saúde alerta que os brasileiros têm sofrido com doenças crônicas – que são aquelas adquiridas muitas vezes por maus hábitos. Muitas dessas complicações, como hipertensão, doenças do coração e alguns tipos de câncer são decorrentes dá má alimentação

Essas patologias, que antes eram mais comuns em pessoas idosas, agora acometem também os jovens e até as crianças. O Brasil está obeso - 23% da população - porque os brasileiros têm trocado a alimentação com base em alimentos in natura por comida processada, industrial.

A Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2013, mostra que esse hábito tem começado cedo. Ao todo, 60,8% das crianças menores de dois anos comem bolachas recheadas com frequência. No Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, a população encontra diretrizes e orientações sobre a importância da nutrição: como e o que devemos consumir.

Acesse aqui o Guia Alimentar para a População Brasileira

A Coordenação de Alimentação de Nutrição do Ministério da Saúde entende que, no cotidiano cada vez mais corrido, é mais fácil se alimentar de produtos prontos, industrializados, ultraprocessados. Entretanto, esse caminho mais fácil pode ter resultados irreversíveis para a saúde. “Isso é o nosso grande desafio: convencer a população a preferir os alimentos naturais e a buscá-los no seu dia-a-dia.”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Uma das opções para comer bem, consumir alimentos frescos e saudáveis é produzir o próprio alimento em hortas, que podem ser feitas em casa ou em apartamentos, no espaço que tiver. É o que fez a técnica em Meio Ambiente, Cláudia Lins. Ela morava com a mãe que tem um quintal grande e repleto de frutas, verduras e ervas.

Quando se mudou para um apartamento sentiu falta de ter alguns desses alimentos na hora das refeições. Foi quando Claudia decidiu cultivar na varanda do apartamento algumas hortaliças. “A gente nunca vai conseguir suprir a nossa alimentação com o que a gente planta. Mas pelo menos a gente privilegia o orgânico. A proposta é você saber de onde vem a comida, saber dos benefícios dela”. Em pequenos vasos, a técnica cultiva plantas como lavanda, manjericão, alecrim e hortelã. Tudo vira tempero, chá ou incenso para perfumar a casa.

Produzir o próprio alimento é adequado?
De acordo com o Guia Alimentar, a iniciativa da Claudia Lins, por mais que ela produza apenas algumas hortaliças, é bastante positiva, porque “a alimentação adequada e saudável deriva de sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável”. A coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa, reforça: “quando escolhemos frutas, verduras, arroz, feijão, coisas tradicionais da alimentação brasileira, nós estamos valorizando a cultura alimentar, valorizando a agricultura diversificada, a familiar, e com isso produzindo sistemas alimentares mais saudáveis”. Consumir esse tipo de alimento produzido em casa ou por pequenos produtores é garantia de estar longe dos agrotóxicos, pesticidas e outros insumos que fazem mal à saúde. Fora a contribuição positiva para o meio ambiente.

A nutricionista e consultora na promoção de hortas urbanas e domésticas, Paula Gabriela Chianca, já trabalhou com hortas construídas em escolas, onde todas as disciplinas eram envolvidas: o professor de matemática ensinando sobre como calcular a área, o de geografia explicando sobre os tipos de alimentos de cada região. “Era gratificante ver as crianças comendo os alimentos que elas mesmas produziram. É um trabalho de formiguinha, mas que dá bons frutos. Eu brinco que é o verdadeiro fast-food. Colheu, comeu”, destaca.

Comer bem pra viver melhor
Comer alimentos in natura ou minimamente processados combate a desnutrição, a deficiência de micronutrientes e evita o sobrepeso e a obesidade - problemas a serem enfrentados pelo Brasil. Os alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais e não sofrem qualquer alteração depois de deixar a natureza. É por isso que comer aquilo que se planta em casa é garantia de saúde. Tanto a Cláudia Lins quanto a consultora Patrícia Gabriela comprovam a ideia de que a alimentação saudável é mais fácil do que se imagina e que cultivar legumes, verduras e frutas em pequenos espaços é uma opção até para quem mora na cidade grande. Basta ter a terra e a semente. E gente que come bem fica longe de doenças, esbanjando saúde.

Aprenda a fazer uma horta em pequenos espaços



Erika Braz, para o Blog da Saúde

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Falta de penicilina afeta pacientes no mundo

Médicos estão cada vez mais preocupados com a crescente resistência bacteriana a antibióticos, alimentada pelo uso de drogas substitutas e menos eficazes, quando não há penicilina disponível 

A penicilina já foi considerada um remédio milagroso, mas hoje está escassa em todo o mundo, já que poucas empresas ainda a fabricam. Uma dose de benzatina penicilina, uma das formulações mais antigas do antibiótico, consegue curar os primeiros estágios da sífilis, doença mortal que assola a humanidade há mais de 500 anos e está crescendo novamente. Os laboratórios que fabricam o remédio, além de serem poucos, também produzem pouco dele, pois o medicamento não tem patente, gera pouco lucro e não há muitos dados sobre demanda.

Com a escassez global do remédio, médicos usam medicamentos substitutos, como a azitromicina, antibiótico cada vez mais ineficaz contra determinadas cepas da bactéria da sífilis. Mutações genéticas que tornaram a sífilis resistente a uma família de antibióticos chamada macrólidos, que inclui a eritromicina e a azitromicina, vêm sendo documentadas em todo o mundo nas últimas décadas, da China aos EUA. Na América Latina, há evidências de bactérias modificadas de sífilis na Argentina.

Uma das razões do surgimento da sífilis resistente é o uso extenso desses remédios para tratar a infecção no passado, revelam pesquisadores da Universidade de Zurique, autores de um artigo sobre as cepas resistentes da doença, publicado em 2016. A penicilina benzatina é o remédio de primeira linha contra a sífilis, mas macrólidos são usados quando não há penicilina ou em casos de alergia. Embora a resistência a antibióticos seja um processo natural, a escassez de medicamentos de primeira linha pode aumentar o risco de as bactérias se tornarem resistentes a antibióticos.

Um relatório recente encomendado pelo governo britânico estimou que 700 mil pessoas morrem anualmente devido à resistência a medicamentos. O texto alerta que, se o problema não for atacado agora, bactérias resistentes podem causar a morte de até 10 milhões de pessoas por ano até 2050, com um prejuízo de até US$ 100 trilhões para a economia mundial.

Escassez mundial
Nos últimos três anos, pessoas de pelo menos 18 países, incluindo África do Sul, EUA, Canadá, Portugal, França e Brasil, vêm enfrentando uma escassez de penicilina benzatina, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Com a produção restrita a apenas algumas poucas empresas no mundo, os países não conseguem um fornecimento adequado do medicamento que transformou a medicina moderna há 76 anos. Nos EUA, a escassez de penicilina benzatina, que já dura um ano, dificulta o tratamento da sífilis, crescente no país. A Pfizer, única fornecedora do medicamento, não tem conseguido atender à demanda americana, devido a “atrasos de manufatura” em uma de suas fábricas.

No Brasil, a falta de penicilina benzatina que teve início em 2014 foi acompanhada de um surto de sífilis, que também causa malformações graves em bebês. O antibiótico é o único capaz de matar a bactéria da sífilis no feto; outros antibióticos, como a azitromicina, a ceftriaxona e a doxiciclina, não conseguem tratar a infecção no bebê. Além disso, remédios como a ceftriaxona custam o dobro da penicilina.

“A penicilina benzatina é a primeira e única opção para tratar a sífilis na gestação e a neurosífilis. Sem ela, os pacientes ficam em situação difícil”, diz o infectologista Jorge Senise, da Universidade Federal de São Paulo. Se não tratada, a sífilis na gravidez pode deixar o recém-nascido cego, surdo ou com malformações ósseas. A doença também é ligada a alto número de abortos espontâneos e mortalidade infantil.

A escassez de penicilina impacta também os hospitais, porque os bebês que nascem com a doença precisam de internação hospitalar mínima de dez dias. “Isso gera custos altíssimos. E às vezes nem temos o medicamento certo para tratá-los”, diz a médica Luciane Cerqueira, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, do Rio de Janeiro.

A moradora de Recife Débora S. M., que pediu para não ter seu nome completo revelado, deu à luz em fevereiro um bebê com neurossífilis, quando a bactéria da sífilis infecta o cérebro e o sistema nervoso central. Mãe e filho poderiam ter sido tratados com uma única injeção de penicilina benzatina, mas Débora passou a gravidez sem fazer exames de pré-natal. Ela foi várias vezes ao posto de saúde local, mas não havia médicos para atendê-la nem remédios para tratá-la.

Foi apenas no parto que Débora descobriu que estavam infectados. “Fiquei triste porque meu filho não nasceu com saúde”, diz. Após dez dias de tratamento na maternidade, o bebê teve alta, mas precisará de acompanhamento médico pelos próximos 18 meses. Só ao fim desse período os médicos poderão avaliar se o bebê ficou com sequelas causadas pela doença.

Razões
A falta de penicilina tem várias causas. Uma delas é a dependência de países a um pequeno número de fabricantes globais. Apenas quatro empresas no mundo produzem o ingrediente ativo do antibiótico, e elas mantêm a produção de penicilina em níveis baixos, porque o medicamento é pouco lucrativo. A penicilina é usada para tratar doenças letais, mas esquecidas, como a sífilis e a cardiopatia reumática crônica, que afetam países pobres com recursos limitados para identificar a abrangência dessas enfermidades em seu território.

“Há uma falha do mercado no setor da penicilina: existe uma demanda, mas ela vem dos pobres”, diz o cardiologista Ganesan Karthikeyan, do Instituto All India de Ciências Médicas, em Nova Déli, Índia. A Índia tem o maior número de mortes decorrentes da cardiopatia reumática crônica no mundo, com 111 mil casos fatais em 2015, segundo a OMS. Apesar disso, o abastecimento de penicilina, o único remédio capaz de frear a doença, tem sido instável no país. Pacientes muitas vezes não conseguem comprar o medicamento, relata Karthikeyan.

Há ainda uma questão produtiva. Em busca de menores custos, as empresas farmacêuticas fragmentaram a produção da penicilina e de outros medicamentos baratos. Os laboratórios compram o ingrediente farmacêutico ativo de outras empresas, a maioria localizada na China e na Índia, e formulam o medicamento final. Porém, tal fragmentação torna a cadeia frágil e deixa o abastecimento global da penicilina exposto a flutuações.

“Se um fabricante do ingrediente farmacêutico ativo sai do mercado, isso afeta as empresas que produzem o remédio final, o que pode gerar atrasos na produção e afetar a disponibilidade mundial do medicamento”, diz Maggie Savage, da equipe de novas oportunidades de mercado da Clinton Health Access Initiative (Iniciativa Clinton de Acesso à Saúde), que no ano passado fez um estudo sobre a disponibilidade global da penicilina benzatina. A especialista destaca ainda que nos últimos dez anos pelo menos cinco empresas abandonaram o mercado global de penicilina em busca de remédios mais rentáveis.

“A penicilina não dá dinheiro. Por isso as empresas não querem produzi-la”, diz o médico Amit Sengupta, de Nova Déli, coordenador global da rede People’s Health Movement (Movimento de Saúde Popular). “Havia um grande número fabricantes de penicilina na época em que ela era o medicamento mais poderoso do mundo, mas agora ela virou um mercado de nicho”. Um estudo de 2011 da London School of Economics estimou que o valor líquido de antibióticos injetáveis é de US$100 milhões, enquanto a previsão para medicamentos para tratar desordens musculoesqueléticos, como a artrite, passa de US$1 bilhão.

Milhões de pessoas em todo o mundo dependem desse “mercado de nicho”. Cerca de 33 milhões de pessoas sofrem da cardiopatia reumática crônica e precisam de injeções mensais de penicilina para evitar a morte, enquanto a OMS estima que uma dose única de penicilina benzatina por paciente poderia ter salvado mais de 53 mil bebês em 30 países que morreram de sífilis contraída no útero em 2012. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, apenas nove antibióticos novos foram desenvolvidos e aprovados nos EUA entre 2005 e 2014, um terço do número de drogas aprovadas na década de 1980.

“Precisamos de antibióticos novos, mas também precisamos preservar os que já existem, porque eles podem nos salvar agora”, diz a professora Céline Pulcini, do Centro Hospitalar Regional da Universidade de Nancy, que coordenou um estudo em 2015 sobre o desabastecimento de antibióticos antigos em 39 países. “Resolver esse problema precisa ser uma das maiores prioridades de qualquer governo”, afirma. 

Matrículas abertas para curso sobre vigilância em saúde do trabalhador

INSTAGRAM - SE1A Universidade Federal do Maranhão, integrante da Rede UNA-SUS (UNA-SUS/UFMA) lança, nessa terça-feira (9), o curso online Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. A oferta integra a formação na área de Vigilância, composta por 13 cursos voltados à temática

O público-alvo são profissionais atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS), prioritariamente os vinculados à Vigilância em Saúde, mas também estará acessível a demais interessados no tema. As matrículas podem ser realizadas gratuitamente até o dia 25 de agosto, pelo site. O curso é autoinstrucional e tem início imediato.

Com carga horária de 30 horas, divididas em três unidades, o conteúdo da formação é baseado na Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), de 2012. A diretriz tem como objetivo garantir o direito a um ambiente de trabalho saudável, evitando doenças e acidentes relacionados ao ofício. Para tanto, prevê ações de promoção, reabilitação e vigilância em saúde.

Para o mestre em Saúde Pública, assessor da Coordenação Geral de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde (CGSAT/MS) e responsável pelos conteúdos do curso, Roque Veiga, a Política é de fundamental importância, por contribuir com as condições de saúde dos trabalhadores nas três esferas de gestão do SUS.

“O trabalhador precisa ser acolhido pela rede de atenção à saúde, dentro da perspectiva da relação saúde-trabalho. Ainda há uma carência muito grande no trato das questões de prevenção às doenças e acidentes relacionados à ocupação”, conta.

De acordo com a coordenadora do Núcleo Pedagógico da UNA-SUS/UFMA, Regimarina Reis, o curso foi planejado em perspectiva dialógica com a realidade do trabalho em saúde. Toda a proposta e produção do curso foi alinhada e validada pela área técnica da Vigilância em Saúde no Ministério da Saúde.

Regimarina explica que o principal objetivo da iniciativa é fortalecer os processos de promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como a redução da morbimortalidade decorrente do contexto de desenvolvimento e de produção vigentes na sociedade. “A perspectiva adotada para a criação dessa capacitação é a de que a relação trabalho-saúde seja reconhecida de forma transversal aos processos e pontos de atenção à saúde, qualificando a atenção à saúde do trabalhador”, esclarece.

Os conteúdos visam o reconhecimento de aspectos da Política com ênfase nas ações de Vigilância em Saúde e Atenção Primária na promoção, prevenção e proteção da saúde dos trabalhadores. Também será discutido o processo de construção da diretriz, com adoção de princípios, diretrizes e estratégias para o bem comum da classe.

Também é abordada a atuação da Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (VISAT) e sua interface com as demais Vigilâncias e Atenção Primária à Saúde. Dessa forma, a capacitação apresenta aspectos legais dessa vigilância, diretrizes e fundamentos a serem desenvolvidos nas três esferas de gestão do SUS, além da implementação de ações na Atenção Básica, como promoção, proteção e prevenção.

São também destacadas no curso as principais doenças e agravos de notificação compulsória, além dos acidentes e seus impactos à saúde no ambiente de trabalho. Nessa perspectiva, aborda a inserção de procedimentos de redução de riscos e promoção da saúde, e, consequentemente, apresenta as relações entre o trabalho e o processo saúde/doença.

Para Roque, o estudante matriculado no curso pode esperar uma visão bastante apurada da questão das ações de promoção da saúde, com olhar para os determinantes sociais condicionantes de saúde: acesso a saúde, educação, ambientes saudáveis de trabalho, transporte, segurança etc. “O diferencial do curso é chamar a atenção para o universo do trabalho, considerando que acidentes e doenças relacionadas ao ofício atualmente são considerado uma grave questão de saúde pública”, afirma.

São utilizados recursos educacionais como situações de reflexão, situações-problema, atividades e estrutura de design instrucional que favorecem a aprendizagem dos cursistas. “Por se tratar de curso autoinstrucional, o aluno tem autonomia sobre a organização do seu tempo de estudo”, ressalta Regimarina.

Todos os materiais do curso estarão disponíveis no App Saite Store, que pode ser baixado na Google Play e Apple Store. Após realizado o download os materiais podem ser acessados sem uso da internet.

Para saber mais sobre esse e outros cursos da rede UNA-SUS, acesse o link www.unasus.gov.br/cursos.

Fonte: UNA-SUS

Roche solicita suspensão de lote de medicamento para melanoma

Empresa Roche Químicos e Farmacêuticos comunicou falha na produção de unidade do medicamento Cotellic. Venda e uso do lote identificado estão suspensos

A Anvisa suspendeu o comércio do lote B1009M8 do medicamento Cotellic (hemifumarato de cobimetinibe), fabricado pela empresa Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A.

Além da suspensão do comércio do lote, a Agência Sanitária determinou, ainda, a suspensão do uso do lote para o tratamento de melanoma positivo para mutações BRAF V600 irressecável ou metastático.

Segundo um comunicado enviado pela empresa Roche, uma unidade de comprimido apresentou falha técnica durante produção. Um comprimido revestido de 20mg foi identificado com aproximadamente 40% acima do peso em relação à sua especificação original.

Por esta razão, o lote B1009M8, validade 02/2018, do medicamento Cotellic se encontra suspenso e a empresa, Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A, responsável pela promoção do recolhimento do estoque do produto em questão.

Glicose suspensa
A apresentação de um resultado insatisfatório no medicamento Glicose 5% solução parenteral motivou a suspensão de um dos lotes do produto. O comércio do lote 91379 do medicamento fabricado por Halex Istar Indústria Farmacêutica bem como seu uso foram suspensos.

De acordo com o laudo de análise fiscal emitido pelo Laboratório LACEN-BA, o lote 91379 (validade 24/04/2017) teve resultado insatisfatório para o ensaio de descrição da amostra por apresentar material estranho.

A resolução RE 1234/17 determina que a empresa Halex promova o recolhimento do estoque do lote do produto em questão.


ANVISA