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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

População improvisa socorro, e 19 ambulâncias se deterioram


Acesso negado. 
Reportagem não conseguiu acesso ao interior dos veículos
Douglas Magno
Acesso negado. Reportagem não conseguiu acesso ao
interior dos veículos
Veículos foram usados na Copa do Mundo e estão parados desde então, esperando criação de consórcio
 
Um homem de 60 anos é colocado em cima de uma porta de madeira improvisada como maca. Não há médicos para atendê-lo, e os responsáveis pelos primeiros socorros são bombeiros civis que trabalham no comércio da avenida Brasília, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Um cidadão vê a cena e oferece um furgão Fiorino para transportar o paciente até o hospital.
 
A pouco mais de 4 km dali, 19 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), completamente equipadas com o que há de melhor para o atendimento de emergência, estão estacionadas no pátio da prefeitura da cidade. Enquanto a própria população se vira para ajudar quem precisa de socorro, os veículos seguem parados, expostos ao tempo, há mais de um ano. Em outubro passado, O TEMPO mostrou que as ambulâncias, que custaram R$ 2,4 milhões, estavam prontas para entrar em operação, mas não estavam sendo utilizadas.
 
Na época, a Secretaria de Estado de Saúde, responsável pelos veículos, informou que eles foram usados durante a Copa do Mundo, em julho, e desde então estavam esperando o início da operação do Consórcio Aliança, que iria levar o Samu para 104 municípios das regiões metropolitana e Central. Mas até hoje ele não foi implantado.
 
Dos 104 municípios do consórcio, apenas 12 já contam com Samu municipal. Os demais continuam sem o serviço, assim como Santa Luzia. “Um amigo teve um princípio de infarto. Ligamos para o Samu de Belo Horizonte, que disse que não atenderia essa região e nos orientou a levá-lo o mais rápido possível para o hospital no carro do vizinho”, contou a porteira Maria Helena Silva, 51, moradora da cidade. Das 853 cidades mineiras, 493 são atendidas pelo Samu.
 
Descentralizado
Como promessa para resolver o impasse, foi criada nos últimos dias uma comissão com representantes do governo estadual e das prefeituras que fazem parte do consórcio. Ficou decidido que em vez de uma central única, como previsto pela gestão anterior, serão criadas cinco microcentrais regionais para distribuir o atendimento.
 
 Essas unidades serão instaladas em Belo Horizonte, Betim e Contagem, na região metropolitana, além de Sete Lagoas e Itabira, na região Central. A assessoria do Estado defendeu, em nota, que foi justamente a tentativa de centralizar a gestão do consórcio que atrasou o início de seu funcionamento.
 
Veículos vão precisar de manutenção
Depois de mais de um ano paradas, as 19 ambulâncias no pátio da Prefeitura de Santa Luzia terão que passar por manutenção antes mesmo de começarem a prestar serviços à população. Depois de tanto tempo expostos ao tempo e inutilizados, os veículos terão que ir para a revisão, o que vai demandar mais dinheiro público além dos R$ 2,4 milhões investidos na aquisição dos equipamentos. Conforme a Secretaria de Estado de Saúde, o Consórcio Aliança vai fazer toda a manutenção necessária para que as ambulâncias voltem a rodar, mas a pasta não informou qual será o valor investido no serviço.
 
A professora do curso de gestão da saúde da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Marília Alves afirma que situações como essa são relativamente comuns na área da saúde. “As ambulâncias estão expostas no pátio e ficam em evidência, mas há casos de equipamentos de saúde que chegam aos hospitais e ficam por meses empacotados, sem utilidade e sem ninguém ver”, afirma.
 
Profissionalização
Marília destaca que os problemas são entraves burocráticos provocados pela complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS). “Com certeza há um erro de gestão nesse caso. Mas o funcionamento do SUS é muito complexo, uma vez que envolve responsabilidades compartilhadas entre União, Estados e municípios. Imagina no caso de Minas, com 853 cidades”, afirma a especialista, que defende uma profissionalização da gestão de saúde nos municípios.

O Tempo

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