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domingo, 5 de junho de 2011

Violência: quem não morre adoece

Médicos defendem rede de saúde para acolher sobreviventes de traumas como assalto, sequestro e assassinato de familiares

Todos os anos no Brasil, 49.966 pessoas são assassinadas. De forma imediata, só este tipo de ato violento, tira a vida de 137 crianças, jovens, adultos e idosos por dia.

De maneira lenta, esta mesma violência adoece incontáveis pais, amigos e parentes destas vítimas. Eles escapam da fatalidade, mas amargam todas as outras sequelas do trauma.

A violência vista com o olhar da saúde é uma doença de múltiplos sinais, que vão além do óbito. Quem sobrevive – ou por vivenciar ou por ter relação com quem o fez – pode enfrentar depressão, síndrome do pânico e ansiedade. Sinais físicos também são consequências, como hipertensão, anorexia, enxaqueca, além de dores crônicas e persistentes.

“Se alguma doença transmissível ocasionasse este volume de mortes (e sintomas), teríamos uma situação de comoção nacional”, apontam Nereu Mansano e Alessandra Schneider, responsáveis pelo setor de violência, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

É para este leque de síndromes desencadeadas pelos traumas que os médicos estão empenhados em encontrar tratamentos em rede e eficazes. O desafio mais imediato, afirmam os especialistas, é fazer com que estas “vítimas secundárias” da violência deixem o anonimato e virem pacientes.

Elas podem estar espalhadas por todo o País, sofrendo por terem sido assaltadas, sequestradas, agredidas ou por terem relação com um dos 37,5 mil mortos anualmente no trânsito, ou ainda com 9,3 mil que se suicidam por ano (dados parciais de 2009 do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, computados pelo Conass).

O silêncio

“Infelizmente, muitas pessoas, ainda por desinformação, deixam de procurar assistência adequada exacerbando assim o sofrimento e as sequelas traumáticas”, afirma o doutor em neurociência especializado em violência, Julio Peres.

“Por outro lado, as pessoas que buscam auxilio especializado aumentam muito as chances de superarem a dor e desenvolverem suas vidas”, completa Peres. Além de atender as vítimas, ela também capacita profissionais de várias áreas da saúde para que possam reconhecer os sinais do trauma em pacientes que frequentam consultas triviais, seja durante uma visita ao dentista ou ao cardiologista, por exemplo.

Quando toda a estrutura de saúde é treinada para reconhecer que aquela pressão alta pode ser resultante de um sequestro no passado, o tratamento, neste caso, não será restrito à dieta saudável e ao anti-hipertensivo. O paciente pode ter acesso ao tripé composto por psicoterapia individual, terapia em grupo e remédios antidepressivos, que tanto tem ajudado os encaminhados aos serviços médicos voltados à violência.

Os sintomas

Uma das experiências de êxito é gratuita e realizada no Programa de Atendimento à Vítima de Violência (Prove) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O acolhimento é feito para todas as pessoas que procuram espontaneamente o serviço ou são encaminhadas por outros hospitais, com o objetivo de definir se são casos agudos (ou seja de efeitos mais curtos) ou crônicos (duradouros).

“O medo ou a dor inicial são reações comuns ao estresse sofrido, o que chamamos de transtorno de adaptação, que serão amenizados com o passar do tempo”, explica Jair B. Neto, psiquiatra do Prove.

“Mas nos que adoecem de forma crônica, estas sensações não passam, ou podem aparecer tardiamente e sempre acarretam prejuízo social. A pessoa não consegue mais trabalhar, deixa de sair de casa, de fazer coisas que sempre fazia.”

Os efeitos crônicos podem ser resultantes até mesmo da negação da vivência do trauma – e por isso a manifestação tardia – afirma Adelma Pimentel, diretora da Faculdade de Psicologia da Universidade Federal do Pará e autora do livro Violência psicológica na relação conjugal (Ed. Summus). Segundo ela, uma sequela possível “dos olhos que não querem ver e da boca que não quer falar” é a compulsão.

“A pessoa come exageradamente, bebe mais, tem relações sexuais com qualquer um, gasta dinheiro que não tem, usa drogas. Qualquer coisa para esquecer. Mas o efeito vai rápido embora e, para não lembrar, começa a reedição do ciclo das violências privadas.” Tudo por causa do trauma.

O tratamento

Não há como prever quem vai adoecer cronicamente por causa da violência. De acordo com os estudos de Júlio Peres, 10% desenvolvem algum tipo de transtorno pós traumáticos (TEPT). Mas também não há como esperar para saber quais vítimas vão entrar para esta estatística e só assim agir.

"Nosso estudo enfatizou a importância da brevidade do atendimento psicológico especializado”, afirma Peres em referência ao trabalho feito com policiais militares que viveram, em 2006, os ataques em São Paulo do grupo criminoso chamado Primeiro Comando da Capital (PCC). Os achados estão no Journal of Psychiatric Research.

Três meses após os ataques, 36 policiais que atuaram no episódio foram selecionados. Um grupo fez tratamento psicoterápico e outro não. Exames de ressonância magnética, realizados 40 dias depois, mostraram alterações físicas e cerebrais importantes. Quem fez terapia tinha mais ativa a parte do cérebro responsável pela superação e enfraquecimento da memória traumática (córtex médio préfrontal). Quem não fez tratamento, mostrou maior atividade da amígdala (envolvida na expressão do temor), sujeito a danos psicológicos e físicos.

É fato que para chegar ao tratamento especializado e eficaz para os sobreviventes da violência, o número de psiquiatras e psicólogos na rede pública e privada precisa ser ampliado, é preciso sensibilizar conselhos tutelares, professores e toda a sociedade.

“Tratar deste assunto já no pré-natal é uma forma não só de cuidar como também prevenir a violência”, acredita Saul Cypel, neurologista infantil e consultor da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, que acolhe crianças vítimas da violência.

A proposta do Conselho de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) é que as equipes de saúde da família sejam capacitadas para servir de ponte entre os pacientes que adoecem por causa da violência (e possam estar escondidos) e os serviços especializados. A vivência do psiquiatra Jair B. Neto indica que o atendimento a estes resgatados do anonimato não pode ter prazo de validade.

“No Prove, temos pessoas que sofreram a violência há 20 anos e só sentiram os efeitos agora.”

Atraso no diagnóstico é desafio para combate à aids no Brasil

Para ONGs, Eatado deveria disponibilizar mais serviços de testagem e atendimento


Entre os desafios do combate à aids no Brasil, está o atraso no diagnóstico da doença. Para o presidente do Fórum de Organizações Não Governamentais (ONGs) Aids do estado de São Paulo, Rodrigo de Souza Pinheiro, ainda faltam informações e campanhas nesse sentido.

Segundo Pinheiro, o Estado cumpre seu papel de certa forma, mas ainda há muitos desafios. “Um deles é a questão do diagnóstico tardio, muitas pessoas ainda demoram para ser diagnosticadas, então acho que deveríamos ter mais campanhas, mais serviços que pudessem atender e conscientizar a população a fazer o teste de HIV”, afirma.

“Outro grande desafio no Brasil é a inclusão de pessoas soropositivas na sociedade. O preconceito com as pessoas que convivem com HIV/aids é muito grande. Uma das questões que temos trabalhado é para que realmente venha a diminuir essa questão do preconceito e da discriminação”.

O Fórum de ONG's Aids de São Paulo tem 122 organizações associadas, mas existem outras entidades no estado que atuam no combate à doença. Elas trabalham em parceria com os municípios, para atender populações que o Poder Público não consegue atingir.

Cada ONG tem um tipo de atuação, algumas trabalham com prevenção, outras com direitos humanos, e o fórum faz um trabalho de articulação de políticas públicas. “Temos uma reunião mensal aqui em São Paulo onde são discutidas as questões prioritárias, como falta de medicamentos, e levamos essas questões ao governo. Temos vários tipos de atuação para melhorar a qualidade de vida das pessoas soropositivas”, relata Pinheiro.

De acordo com ele, é importante que as pessoas tenham mais informações sobre a transmissão do vírus HIV. Outra atitude que o fórum está tomando é tentar aprovar na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6.124/2005 que criminaliza a discriminação de pessoas que vivem com o HIV.

“A questão da prevenção também é um grande desafio, principalmente para as populações mais vulneráveis, e o Estado deixa a desejar nesse sentido. Se a gente analisar, no Brasil temos falhado muito na questão do acesso, tanto das pessoas que vivem com o HIV, quanto das demais que precisam do serviço de saúde. Isso é um grande desafio para o governo que está assumindo. É necessário também facilitar acesso aos preservativos e aos testes. Em alguns estados, principalmente do Norte e Nordeste, isso ainda é muito complicado, e é onde a epidemia tem mostrado um nível de crescimento”.

http://saude.ig.com.br/atraso+no+diagnostico+e+desafio+para+combate+a+aids+no+brasil/n1237845361807.html

Doenças associadas afetam 71% dos brasileiros com AIDS, diz pesquisa

Pesquisa internacional revela que histórico familiar e risco de doença cardiovascular deveriam ser investigados com mais atenção

Além de conviver com uma das doenças mais temíveis da modernidade, a aids, no Brasil, 71% dos infectados pelo vírus têm pelo menos uma doença associada ao HIV, segundo dados da pesquisa Atlis (Aids Treatment for Life International Survey ou Pesquisa sobre Tratamento para a Aids em Âmbito Internacional, em tradução literal). Desses, 22% têm diagnóstico de três ou mais doenças associadas.

Os dados foram apresentados esta semana pela Internacional Association of Physicians in Aids Care (IAPAC), na XVIII Conferência Internacional sobre Aids em Viena, Áustria. O estudo foi financiado pela farmacêutica Merck & Co.

Os problemas mais comuns são depressão (28%), distúrbios do sono (26%), problemas gastrointestinais (21%), nível elevado de colesterol (15%), hipertensão (15%) e doenças cardiovasculares. “Uma das falácias do programa de Aids é não perceber que o HIV não impede que essas pessoas tenham outras doenças. Há um erro grande por parte da classe médica e do governo em não entender que a aids é apenas uma parte do problema do doente”, afirma Mauro Schechter, chefe do Laboratório de Pesquisas em Aids do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, do Rio de Janeiro.

A pesquisa ouviu 2.000 adultos portadores de HIV de cinco regiões: América do Norte (Estados Unidos), América Latina (Argentina, Brasil, México e Caribe), Europa (França, Alemanha, Itália, Rússia, Espanha e Reino Unido), região da Ásia/Pacífico (Japão, Coréia, Malásia, Nova Zelândia e Cingapura) e África (África do Sul). No Brasil, foram entrevistados 201 portadores do HIV, a partir dos 18 anos, sendo 61% homens e 39% mulheres.

Os dados levantam uma preocupação: histórico familiar, tabagismo, diabetes, problemas cardíacos e outras doenças ainda não ganharam a devida atenção dentro do consultório. A pesquisa mostra que 49% dos entrevistados não discutiram com seu médico sobre seu estado de saúde anterior, o que demonstra que as doenças associadas não estão sendo abordadas com consistência na rotina das consultas.

Informações como essas são extremamente importantes para nortear a prescrição do tratamento, que pode ser diferenciado no caso de quem apresenta doença cardíaca, por exemplo. “É extremamente comum pacientes que vivem com HIV/Aids apresentarem doenças associadas que podem ser agravadas pelo vírus ou medicamentos antirretrovirais”, afirmou Jürgen Rockstroh, membro da Força-Tarefa da pesquisa e professor de medicina na Universidade de Bonn, na Alemanha

Segundo dados da pesquisa, apenas 28% dos entrevistados havia discutido seu histórico familiar de doença cardiovascular com o profissional da saúde e 65% dos entrevistados que eram considerados de alto risco não realizavam discussões frequentes relacionadas com doenças cardíacas com seu médico.

“O que a pesquisa deixa claro é que nós não utilizamos esse contato do paciente com HIV com o sistema de saúde para cuidar dele como um todo”, afirma Schechter. Segundo o médico, os óbitos por causas cardíacas e pacientes com Aids aumentaram 10 vezes mais do que na população em geral.

“Como médicos, podemos ajudar a controlar estes eventos por meio de abordagens individualizadas de tratamento que consideram o paciente de forma global para ajudar a atingir desfechos melhores”, afirma Dr. Rockstroh.

Depressão

A depressão atinge 28% dos entrevistados e confirma os dados da pesquisa brasileira realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), “Percepeção da Qualidade de Vida e do Desempenho do Sistema de Saúde Pública entre os Pacientes em Terapia Antirretroviral no Brasil.” Os pacientes sofrem mais com o preconceito e seus efeitos do que com a ação do vírus.

Foram entrevistadas 1.260 pessoas em tratamento de Aids no Brasil. Desse total, 65% avaliou seu estado de saúde como bom ou ótimo. No entanto, quando o assunto é esbarra em problemas psicológicos, 25% afirmaram sofrer intensamente de tristeza ou depressão e 23% relataram problemas com ansiedade.

http://saude.ig.com.br/doencas+associadas+afetam+71+dos+brasileiros+com+aids+diz+pesquisa/n1237724139882.html

Nova técnica elimina "marcas da aids"

O uso de gordura centrifugada, em vez do material lavado com soro, tem conferido melhores resultados ao tratamento de lipodistrofia facial em portadores de HIV. Este aperfeiçoamento torna a técnica ainda mais convidativa, visto que sua principal concorrente, a aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato), ainda está longe de alcançar um consenso de segurança entre os médicos.

O enxerto de gordura é um procedimento simples, com cicatrização em dois dias

A lipodistrofia facial é a perda acentuada de gordura no rosto, efeito colateral de alguns medicamentos usados para conter o vírus e evitar o surgimento de doenças associadas. Além do rosto, o paciente pode sofrer perdas acentuadas de gordura em outras regiões do corpo, como pernas, braços e nádegas. Mas a perda facial costuma ser mais evidente e causa um grande prejuízo estético ao paciente.

“A gordura centrifugada é concentrada, tem um resultado mais previsível”, explica o cirurgião plástico Rodrigo Mangaravite. Quando é apenas lavada com soro, ela pode apresentar taxas de reabsorção pelo organismo superiores a 50%. Já quando ela é centrifugada, a reabsorção fica entre 30% e 40%. Isso dá mais garantia de sucesso ao procedimento e evita novas aplicações.

“Às vezes é preciso outra aplicação cerca de um ano depois para compensar a gordura reabsorvida”, afirma Mangaravite.

As aplicações de PMMA conseguem ser ainda mais previsíveis, pois o material sintético não é reabsorvido pelo organismo. Mas os médicos ainda se dividem sobre seu uso em tecidos moles porque sua remoção, em caso de rejeição, seria praticamente impossível.

Concentrada

A grande vantagem da gordura centrifugada é que ela se torna mais concentrada. “O material é centrifugado por cinco minutos em duas mil rotações por minuto, usando uma centrífuga médica”, detalha o cirurgião plástico.

Após o procedimento, sangue e outros resíduos podem ser separados mais facilmente da gordura. Com ela mais concentrada, há mais colágeno presente, e essa substância favorece a recuperação da pele.

Sem a centrifugação, a gordura precisa ser lavada com soro. “São necessárias muitas lavagens para melhor aproveitar a gordura e isso acaba sendo até mais oneroso par ao médico”, afirma Mangaravite. O procedimento hoje varia entre R$ 1 mil e R$ 4 mil.

As aplicações da gordura centrifugada são feitas com microcânulas. “São como injeções no rosto. Em dois dias, já está tudo cicatrizado”, conta o médico.

PMMA

A infectologista Denise Lotufo, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, explica que as aplicações de PMMA são mais simples e definitivas que as aplicações de gordura. “Tem paciente que já está tão magro que não tem mais de onde retirar a gordura para o enxerto”, argumenta.

Além disso, é mais raro haver necessidade de retoque após o enxerto. Isso é feito mais tardiamente, quando o paciente já sofreu mais perda de gordura facial por conta dos efeitos das medicações contra o HIV.

O cirurgião plástico Antonio Graziosi, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (regional São Paulo), reconhece que o PMMA pode ser uma alternativa quando não há possibilidade de enxerto de gordura. E acrescenta que a condição de imunodeficiência do paciente HIV positivo pode representar uma vantagem ao procedimento. “Isso ajuda o organismo a não perceber a presença de um corpo estranho”, esclarece. A chance de rejeição passa a ser menor.

Contudo, o médico dá preferência aos enxertos, quando o procedimento é viável. “A gordura vem do próprio corpo do paciente. Não haverá rejeição”, argumenta. Além de alguma eventual complicação imediata, o médico alerta para os efeitos do PMMA em médio e longo prazo. “Precisamos estudar mais esses efeitos”, diz ele.

Médicos alertam para plásticas sem comprovação

Procedimentos novos ou arriscados demais colocam a vida em risco e podem deixar marcas para o resto da vida

Médicos afirmam que é mais seguro fazer plásticas em hospitais

A falta de evidência científica para a realização de alguns procedimentos cirúrgicos tem sido alvo de preocupação entre especialistas em cirurgia plástica.

O implante de próteses mamárias em adolescentes, a mesoterapia (injeções contra celulite e gordura localizada) e os implantes nos bíceps fizeram parte dos debates que aconteceram na 31ª Jornada Paulista de Cirurgia Plástica, que se encerrou neste sábado (4).

Existem basicamente dois problemas que preocupam os médicos. Primeiro, algumas cirurgias são recentes e há poucos trabalhos científicos para embasá-las. Segundo, existem procedimentos perigosos demais ou ineficientes, mas que continuam sendo praticados.

“É o caso da mesoterapia com fosfatidilcolina”, aponta Carlos Alberto Komatsu, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), regional São Paulo. O tratamento consiste em injeções da substância nas regiões do corpo que tenham celulite ou gordura localizada.

Os resultados são visíveis. O medicamento dissolve a gordura localizada, permitindo que ela seja metabolizada pelo fígado. Contudo, existe o risco da gordura acumular no órgão e prejudicar o seu funcionamento.

“Muitas complicações já foram notificadas, como necroses na pele”, afirma o médico. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tem registro do medicamento, que é originalmente indicado contra embolia gordurosa do coração.

A mesoterapia pode ser realizada com outras substâncias que, embora mais seguras, são menos eficientes. Komatsu recomenda aos interessados no procedimento que verifiquem a substância a ser usada e jamais utilizem fosfatidilcolina. “Uma lipoaspiração também pode ser considerada. Ela oferece resultados melhores”, sugere.

Perigo para o rosto

Outro alvo de discussões são os enxertos de PMMA (polimetilmetacrilato) para aliviar marcas de expressão no rosto. “Eles são permitidos apenas em casos muito específicos, como em pacientes afetados pela aids”, aponta o cirurgião plástico João Prado Neto, ex-presidente da SBCP (regional São Paulo). Nos demais, o produto é proibido por questões de segurança.

"Tenho uma paciente que perdeu parte do nariz e, mesmo depois da restauração, ficou marcada”, conta o médico.

O problema é que o PMMA é muito mais barato e durador do que os enxertos de ácido hialurônico, material considerado mais seguro para o procedimento. “Enquanto 1 ml de PMMA custa R$ 40, a mesma quantidade de ácido custa dez vezes mais. E o ácido é absorvido em um ano, já o PMMA pode durar até três décadas”, compara Prado Neto.

Silicone para os braços

Outro ponto destacado por Komatsu são os implantes de silicone nos braços. A técnica é usada para fazer homens parecerem mais musculosos ou para mulheres acabarem com a flacidez na região do tríceps – a famigerada flacidez do "tchauzinho".

“Esse tipo de cirurgia ainda está no começo. Existem poucos trabalhos científicos”, ressalta Komatsu. O implante é realizado com próteses originalmente desenvolvidas para a região da panturrilha, só que em menor tamanho.

Além da falta de evidência, o procedimento é questionado por ser uma espécie de atalho para a beleza. “A pessoa pode combater a flacidez ou ficar mais musculosa com dieta e exercícios”, afirma o cirurgião plástico Cássio Vieira, membro da SBCP.

“A cirurgia plástica deve ser o último recurso, afinal ela envolve um risco como qualquer cirurgia”, ressalta Komatsu.

Os médicos também discutem os cuidados especiais ao lidar com implantes de mama em adolescentes. O corpo delas ainda está em desenvolvimento e os seios podem crescer, o que tornaria um implante desnecessário ou precipitado.

Além disso, existe o aspecto emocional. A experiência clínica de alguns médicos confirma que as adolescentes estão mais sujeitas a mudarem de opinião e, portanto, correm um risco maior de rejeitar o resultado de um eventual procedimento.

Por fim, os especialistas alertam para a necessidade das cirurgias serem realizadas em hospitais, onde haja unidade de tratamento intensivo (UTI), e também que sejam feitas apenas por especialistas.

“A formação em cirurgia plástica requer três anos de cirurgia geral e outros dois em cirurgia plástica. É prudente não optar por médicos de outras especialidades que fazem um workshop e resolvem operar”, adverte Komatsu.

http://saude.ig.com.br/minhasaude/medicos+alertam+para+plasticas+sem+comprovacao/n1596995221322.html