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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lucro líquido da Dasa cai 20,4% no trimestre

Empresa faturou R$56,6 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado

A Dasa, grupo especializado em medicina diagnóstica, registrou queda de 20,4% no lucro líquido do terceiro trimestre do ano, para R$ 56,6 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado.

O faturamento bruto chegou a R$ 649,6 milhões, o que representou expansão de 14,7% na mesma base de comparação. Em termos líquidos, a receita teve aumento de 15%, somando R$ 599,7 milhões.

O resultado operacional ficou 26,2% menor no terceiro trimestre. O impacto veio do aumento das despesas operacionais em 35,5%, para R$ 111,9 milhões, e das financeiras líquidas em 158,5%, para R$ 37,5 milhões.

O Ebtida recorrente (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) somou R$ 146,8 milhões no trimestre, ligeriamente acima dos R$ 144,4 milhões verificados no mesmo período do ano passado.

O setor público atingiu um faturamento de R$42,5 milhões, com diminuição de 15,7%.

Em comparação com o segundo trimestre deste ano, a companhia atingiu um crescimento de 10,8% no segmento ambulatorial, 6,4 % no setor hospitalar, 6,4% no apoio e 14,2% no público, resultando em 10,6 no consolidado.

Fonte SaudeWeb

Combinar droga é eficaz para controle da enxaqueca

Experimento mostra considerável redução das crises quando foram usados dois medicamentos para tratar o episódio, ao invés de apenas um, como é costume

Um estudo coordenado pelo neurologista brasileiro Abouch Valenty Krymchantowski comprovou, pela primeira vez, que a combinação de duas drogas é mais eficaz para o controle da enxaqueca do que o uso de um dos medicamentos isolados. O trabalho foi publicado no Official Journal of the European Headache Federation.

Oitenta pacientes foram recrutados no Ambulatório de Cefaleia do Instituto de Neurologia Deolindo Couto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles tinham idades entre 20 e 60 anos e relatavam episódios de enxaqueca havia pelo menos um ano.

Trinta e oito deles receberam dois medicamentos - o anticonvulsivante topiramato e o antidepressivo nortriptilina. O outro grupo tomou uma das drogas, já usadas no tratamento convencional de enxaqueca, e um placebo (comprimido sem a substância química).

Entre os pacientes que passaram pelo tratamento com dois medicamentos, 78,3% relataram a redução das crises em mais de 50%, parâmetro de eficácia para esse tipo de tratamento. Já os que tomaram apenas uma das drogas, 37% perceberam a melhora. "O estudo comprova cientificamente, pela primeira vez, que combinar drogas é muito melhor do que usá-las isoladamente, mesmo em doses mais baixas", afirmou Krymchantowski, professor convidado do departamento de neurociência da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Os pacientes receberam um dos medicamentos por seis semanas. Depois, nas nove semanas seguintes, passaram a tomar a outra droga ou o placebo (foi necessário esperar três semanas até se atingir a dose ideal).

Fonte Estadão

Hospital é condenado por falha no tratamento de recém-nascido em SP

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação ao Hospital e Maternidade Montreal, localizado em Osasco, por falha no tratamento de recém-nascido.

O hospital terá de pagar indenização por danos materiais e morais à mãe de um bebê recém-nascido que teve paralisia cerebral em razão de negligência na prestação dos serviços.

A mãe foi submetida a uma cesariana aos sete meses de gestação. A criança apresentou imaturidade pulmonar e foi encaminhada à UTI neonatal. O tratamento era de alto custo e foi condicionado à apresentação prévia de garantias, pois os serviços do hospital foram contratados sem a intermediação do plano de saúde.

A mãe acusou o hospital de ter transferido sua filha para enfermaria e prestado atendimento precário para minimizar os custos do tratamento. O bebê não teria recebido a assistência médica adequada, o que contribuiu para a piora de seu estado de saúde.

A perícia concluiu que foram poucas as visitas médicas (apenas uma vez ao dia) e não havia monitoração da frequência cardíaca, entre outras deficiências. O desembargador Jesus Lofrano, relator do recurso, afirmou em seu voto que a prova indica que a criança não teve o acompanhamento médico correto. O hospital deverá arcar com todos os gastos realizados em benefício do tratamento da criança, além de R$ 50 mil de indenização por danos morais.

Fonte Estadão

Lobotomia faz 75 anos: De cura milagrosa a mutilação mental

Especialistas refletem sobre técnica para tratamento de pacientes psiquiátricos que trouxe danos mentais permanentes a milhares.

Faz 75 anos que a primeira lobotomia foi feita nos Estados Unidos.

Hoje tida como uma prática bárbara, a técnica, cujo nome mais apropriado é leucotomia, chegou a ser considerada uma cura milagrosa para doenças mentais como esquizofrenia e depressão.

O procedimento envolvia a inserção de um instrumento cortante no cérebro por meio de duas perfurações no crânio, uma de cada lado da cabeça. O médico então movia o instrumento de um lado para o outro, cortando as conexões entre os lobos frontais e o resto do cérebro.

Os "instrumentos cirúrgicos" usados pelo médico para o procedimento, duas estruturas afiadas de metal com 8cm de comprimento conectadas a um cabo de madeira, são hoje objetos de curiosidade à disposição de visitantes nos arquivos da Wellcome Collection - centro cultural londrino dedicado à história e desenvolvimento da medicina no mundo.

"Essas coisas grotescas são instrumentos de lobotomia. Nada sofisticadas", diz um das responsáveis pelo arquivo, Lesley Hall.

Cura Milagrosa
Durante milênios, diversas culturas haviam adotado a prática de fazer furos no crânio para libertar o indivíduo de espíritos malévolos.

Mas a ideia por trás da lobotomia era diferente. O neurologista português Egas Moniz acreditava que pacientes com comportamentos obsessivos tinham circuitos defeituosos no cérebro.

Em 1935, trabalhando em um hospital em Lisboa, ele achou que tinha encontrado a solução para o problema. "Decidi cortar as fibras que conectavam os neurônios em atividade", escreveu o médico em uma monografia detalhando o procedimento.

A técnica de Moniz foi adaptada por outros médicos, mas a ideia básica foi mantida.

Moniz relatou ter observado melhorias dramáticas nos vinte primeiros pacientes tratados. O procedimento foi adotado com entusiasmo pelo neurologista americano Walter Freeman, que passou a ser um dos grandes defensores da prática.

Freeman realizou a primeira lobotomia nos Estados Unidos em 1936. A partir daí, a prática se alastrou por todo o globo.

A partir do início da década de 1940, a técnica passou a ser vista como uma cura milagrosa também na Grã-Bretanha, onde o número de lobotomias realizadas foi proporcionalmente maior do que nos Estados Unidos.

Apesar da oposição de alguns profissionais, especialmente psicanalistas, a cirurgia tornou-se prática comum na psiquiatria britânica, com cerca de mil procedimentos sendo realizados anualmente para tratar transtornos compulsivos, esquizofrenia e depressão.

A razão para a popularidade da técnica era simples: a alternativa era pior.

Encarceramento e Violência
Falando à BBC, o psiquiatra aposentado Jason Brice relata sua experiência ao visitar hospitais psiquiátricos no período."Você via camisas de força, celas acolchoadas e era óbvio que alguns dos pacientes estavam sujeitos, sinto dizer, à violência física".

A chance de uma cura pela lobotomia parecia preferível quando a opção era uma sentença de encarceramento perpétuo em uma instituição.

"Achávamos que seria uma saída, tínhamos esperança de que (a cirurgia) ajudaria (o paciente)", diz Brice.

Centros que realizavam lobotomias se alastraram por toda a Grã-Bretanha, mas o mais prolífico lobotomista do país e, possivelmente, do mundo, foi o neurocirurgião Wylie McKissock, que trabalhava no hospital Atkinson Morley, em Wimbledon, no sul de Londres.

"Ele foi uma das grandes figuras da medicina no século 20", disse Terry Gould, anestesista de McKissock.

Gould calcula que o neurocirurgião tenha realizado cerca de 3 mil lobotomias, aperfeiçoando sua técnica para fazer a cirurgia em cada vez menos tempo. "Era um procedimento de cinco minutos, feito muito rapidamente", disse.

Além de operar no Atkinson Morley, McKissock também viajava pelo sul da Inglaterra nos fins de semana, operando pacientes em hospitais pequenos.

"Ele estava disposto a viajar para onde quer que ficasse o hospital em uma manhã de sábado para fazer três ou quatro leucotomias", diz Brice.

Desastre Irreversível
A dona de casa Eileen Davie desenvolveu depressão após o nascimento do seu segundo filho, em 1948. Tratamentos convencionais do período não foram capazes de ajudá-la e seu médico recomendou uma leucotomia.

Entrevistado para um documentário em 1976, o marido de Eileen, Sid, que assinou os formulários autorizando o procedimento, disse: "Tive a impressão de que (a operação) não era mais séria do que extrair um dente".

Mas a realidade se revelou muito diferente. "Ela foi danificada irreversivelmente", disse o marido.

Eileen tornou-se apática e sem vida. Anos mais tarde, os médicos disseram que a primeira cirurgia havia fracassado e a paciente concordou em se submeter a uma segunda intervenção "psicocirúrgica".

"Eu continuava achando que eram figuras eminentes e se (estes) estavam confiantes de que (a operação) seria um sucesso, seria um sucesso", disse Sid. "Foi um desastre".

Em vez de curada, Eileen tornou-se mais apática e passou a sofrer de problemas graves de incontinência.

Casos de Sucesso
Jason Brice conta que a cirurgia podia, em alguns casos, trazer benefícios dramáticos para alguns pacientes. Ele cita o caso de uma mulher que tinha medo de fogo.

"O curioso é que ela acabou muito melhor após a operação e comprou uma loja de fish & chips (tradicional prato britânico que consiste de peixe e batatas fritos em óleo extremamente quente)."

Entretanto, Brice tinha cada vez mais dúvidas sobre a lobotomia, especialmente em pacientes com esquizofrenia.

O psiquiatra John Pippard fez o monitoramento pós-cirúrgico de vários dos pacientes de McKissock. Ele concluiu que cerca de um terço se beneficiou, um terço não foi afetado e um terço piorou após a intervenção.

E embora ele próprio tivesse autorizado lobotomias, passou a desaprovar a prática.

"Não acho que nenhum de nós estava contente com a ideia de colocar uma agulha em um cérebro e mexer", diz.

Em 1949, Moniz ganhou o Prêmio Nobel pela invenção da lobotomia. A cirurgia alcançou o pico de sua popularidade nesse período.

A partir de meados da década de 1950, no entanto, a técnica caiu rapidamente em desuso. Isso foi consequência, em parte, do grande número de operações fracassadas. Mas também foi resultado da introdução no mercado da primeira leva de drogas psiquiátricas efetivas.

Legado
Décadas mais tarde, trabalhando como enfermeiro psiquiátrico em uma instituição para pacientes com problemas mentais, o inglês Henry Marsh viu vários casos de pacientes que haviam sofrido lobotomias.

"Eles tinham sido lobotomizados 30 ou 40 anos antes, eram esquizofrênicos crônicos e com frequência eram os pacientes mais apáticos, lentos e acabados".

Marsh, hoje um eminente neurocirurgião, diz que a lobotomia foi resultado de ciência mal feita. "Ela foi um reflexo de medicina e ciência ruins, porque está claro que os pacientes submetidos ao procedimento nunca foram monitorados apropriadamente".

"Se você via o paciente após a operação e ele parecia bem, andava, falava e dizia 'obrigado, doutor'", comenta Marsh, "o fato de que eles estavam completamente arruinados enquanto seres humanos provavelmente não era levado em consideração".

Fonte Estadão

Cientistas da Fiocruz concluem genoma da vacina da tuberculose

Pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) publicaram o genoma completo da vacina contra a tuberculose usada no Brasil.

O trabalho, que saiu recentemente no "Journal of Bacteriology", pode ajudar a melhorar a vacina, que é aplicada em recém-nascidos.

O país ainda registra mais de 70 mil casos de tuberculose por ano, com 5.000 mortos. No mundo, a tuberculose causa 1,4 milhão de mortes: três mortos por minuto.

"Sabemos que a vacina tem uma eficácia melhor na infância, mas protege menos os adultos. O genoma da vacina pode nos ajudar a entender isso", explica a pesquisadora Leila Mendonça Lima, coordenadora do trabalho.

O genoma da vacina utilizada no Brasil é importante porque as linhagens da bactéria (cepas) utilizadas para produção da vacina BCG variam em cada país.
Essa diferenciação aconteceu por causa de mutações dos micro-organismos utilizados para fazer a vacina.

O Brasil é um dos únicos países do mundo a utilizar a cepa mureau da BCG. "Por isso é importante que a gente compreenda essa cepa", diz Lima, da Fiocruz.

A análise genômica da vacina começou em 2004 e envolveu cerca de dez pesquisadores da Fiocruz e da Fundação Ataulpho de Paiva (produtora da BCG no Brasil).

A expectativa agora é começar a propor melhorias para a vacina a partir dos dados.

Fonte Folhaonline