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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Radioterapia: centros abrirão por cinco anos

Governo decide manter os 15 serviços que fechariam em dezembro e deixariam milhares desassistidos

O governo voltou atrás e decidiu manter por mais cinco anos o credenciamento dos serviços isolados de radioterapia do País, previstos para funcionar apenas até dezembro passado, de acordo com a Portaria nº 62, de 2009, do Ministério da Saúde. No final de 2011, o Jornal da Tarde mostrou que o corte estava previsto para os serviços não vinculados a hospitais, o que afetaria pelo menos 20 mil pacientes em todo o País, três mil deles em São Paulo.

O Ministério da Saúde informou que a decisão foi influenciada pelo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a Política Nacional de Atenção Oncológica, divulgado pela reportagem em novembro do ano passado. Só em 2010, segundo o documento, 7.464 paulistas com indicação para radioterapia ficaram desassistidos. Se fossem extintos os 13 centros isolados, três deles no Estado de São Paulo, a situação do tratamento de câncer se tornaria ainda mais caótica, na avaliação da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT).

A revogação da Portaria nº 62 foi publicada ontem no Diário Oficial da União, em uma nova Portaria (nº 102, de 3 de fevereiro de 2012). Mas a resolução já tinha sido tomada no final do ano passado, quando representantes da SBRT reuniram-se com autoridades da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério. Na ocasião, o governo fez um acordo que definiu que as unidades continuariam credenciadas para oferecer o serviço de radioterapia, desde que se vinculassem formalmente a um hospital. Segundo o presidente da SBRT, Robson Ferrigno, o acordo tem validade para os próximos cinco anos, quando a pasta deve reavaliar a decisão.

Longa espera
O relatório do TCU também revelou que o tempo de espera para o início da radioterapia no Brasil chega a quase 4 meses - quando o ideal é que o procedimento seja feito em até 30 dias após o diagnóstico. O corretor de imóveis Paulo Monteiro Prado, de 65 anos, foi um dos que sentiu na pele essa demora para iniciar o tratamento. Diagnosticado com câncer na laringe em novembro de 2010, ele só iniciou a radioterapia nove meses depois, quando foi encaminhado para o Hospital A. C. Camargo, na capital. Em Mogi das Cruzes, onde vive, não havia especialistas para aplicar a técnica.

A intenção do Ministério da Saúde com a Portaria nº 62 era a de que os serviços de radioterapia estivessem sempre instalados dentro de hospitais, já que os tratamentos contra câncer demandam várias modalidades terapêuticas. “Ter a radioterapia em uma instituição que ofereça todo tipo de tratamento contra câncer é, de fato, o ideal”, avalia Ferrigno. “Mas isso tem de ser feito no momento correto. Se descredenciar esses serviços sem dar a estrutura pública necessária, muitos pacientes vão morrer na fila de espera”, completa. É melhor que o paciente seja atendido no centro isolado do que deixá-lo sem tratamento, acredita.

Para o especialista, a decisão de estabelecer o prazo para que os centros isolados funcionassem até o fim de 2011 foi precipitada, uma vez que ainda não existe uma estrutura pública pronta para substituí-los. “É um absurdo porque há uma demanda altamente reprimida em radioterapia. Há projetos do governo de colocar mais máquinas, mas a repercussão seria a longo prazo.”

Atualmente, Ferrigno cita que, tomando por base recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil precisaria de 330 aparelhos de radioterapia. Só 230 estão em funcionamento, o que corresponde a um déficit de 100 máquinas. “Sanar esse déficit vai levar um tempo. É uma estrutura complexa de ser instalada. A preparação da estrutura demora dois anos e um serviço básico de radioterapia não sai por menos de R$ 4 milhões.” Para ele, enquanto o SUS não dispõe dessa estrutura, seria preciso que o governo estabelecesse parcerias público-privadas, ainda que temporárias, para cobrir esse déficit.

Mudanças não passam de burocracia, dizem médicos
Os três serviços isolados de radioterapia do Estado de São Paulo que estavam ameaçados de extinção, um deles em Santo André, na Grande São Paulo, informaram à reportagem que estão se adaptando à nova exigência do Ministério da Saúde: agora, cada um tem de estabelecer um vínculo com um hospital. Apesar disso, criticam a mudança e alegam que, para o paciente, nada mudará.

O médico Roberto de Arruda Almeida, responsável pelo Instituto de Radioterapia de Presidente Prudente, questiona a alegação do Ministério da Saúde de que os serviços isolados devem se integrar a hospitais para o caso de os pacientes precisarem de outros atendimentos. Ele observa que essa mudança, de caráter jurídico, não deve fazer nenhuma diferença para o paciente. “Para o paciente, não muda nada. Hoje, ele é atendido gratuitamente e rapidamente em hospitais com os quais temos convênio. É uma coisa burocrática mesmo”, diz.

A direção do Instituto de Radioterapia do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, tem a mesma opinião. “Teoricamente, deveria trazer alguma mudança, mas na prática não funciona assim”, afirmou a instituição, por meio de nota. A unidade informou, ainda, que considera as mudanças “muito políticas, pouco práticas e que somente trarão mais problemas para o exercício da especialidade.”

O Ministério da Saúde afirmou, também em nota, que desde 2005 tem trabalhado, em conjunto com as secretarias de saúde, na estruturação de redes de atendimento em que o paciente tem acesso a todos os serviços oncológicos necessários para seu tratamento.

“Os antigos serviços isolados de quimioterapia foram integrados e os de radioterapia - ainda há 13 no SUS - seguem o mesmo curso, para que sejam oferecidos no formato de complexo hospitalar. Dos 13 existentes, todos estão mantidos sob autorização até que ocorra essa integração”, disse o Ministério.

A pasta acrescentou que os Estados já estão providenciando a integração destes serviços às unidades hospitalares e garantiu que os pacientes não serão prejudicados, pois não haverá interrupção na prestação do serviço. M.L.

Fonte Estadão

Comparar a si mesmo com outros pode ser benéfico para a saúde

Informações sobre outras pessoas podem funcionar como alívio ou esperança, diz estudo

Pesquisadores dizem que comparar a si mesmo com outras pessoas que sofrem de semelhante problema de saúde pode influenciar beneficamente na recuperação física e emocional. A teoria surgiu após uma síntese qualitativa feita com mais de 30 estudos sobre a relação entre as comparações sociais e a saúde. O resultado foi publicado na 'Health Psychology Review'.

"Se você já olhou para outra pessoa e pensou: 'Bom, pelo menos eu estou fazendo melhor do que ele' ou 'Uau, eu gostaria de poder fazer como ela', você não está sozinho", diz Josh Smyth, professor de saúde biocomportamental e medicina da Universidade Penn State, na Pensilvânia. "Este fenômeno, proposto pela primeira vez na década de 1950, é comum na vida diária. Quando não temos certeza de como estamos fazendo, podemos reduzir a incerteza, obtendo informações de outras pessoas com doenças crônicas que estão particularmente propensas a se comparar".

Com a ajuda de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Syracuse e da Universidade do Iowa, Josh Smyth descobriu que pessoas que se comparam "para baixo" com outras que apresentam pior situação, se mostram menos deprimidas do que as pessoas que comparam "para cima " com quem está em melhor condição. Ou seja: comparações negativas estão, por muitas vezes, associadas aos sentimentos positivos imediatos, tais como alívio e gratidão.

Por outro lado, segundo o estudo, as pessoas que comparam suas vidas positivamente tendem a seguir medidas físicas de saúde mais eficazes e se mostram esperançosas sobre a capacidade de melhorar.

Mas qual seria a razão dessa diferença? De acordo com Danielle Arigó, estudante de graduação da Universidade de Syracuse University, é exatamente isso que os pesquisadores precisam entender antes que possam ajudar as pessoas com as comparações.

"Nós sabemos agora que esse comportamento ocorre qualquer maneira", disse ela. "Alguém está fazendo melhor do que você é? Então isso pode ser inspirador ou deprimente. Alguém está fazendo pior? Isso pode lhe dar algum alívio, ou pode fazê-lo pensar sobre sua própria situação. O problema é que, embora nós não compreendamos muito bem como funcionam essas comparações, elas são frequentemente usadas em intervenções de saúde com casos de doenças crônicas".

De acordo com o pesquisador Josh Smyth, essa pesquisa identifica lacunas específicas dentro do conhecimento atual sobre as comparações sociais, incluindo os fatores que determinam se uma pessoa se concentra sobre as semelhanças ou as diferenças entre eles e os outros. "No futuro, tal informação poderá ajudar a melhorar os esforços da comunicação voltada para a saúde", disse ele.

Fonte Estadão

Doe leite, a vida agradece

Brasil ajudará bancos de leite materno em Honduras

Ideia é transferir tecnologia que funciona no país; bancos de leite brasileiros atendem 1,7 milhão de mulheres

O Brasil ajudará os bancos de leite materno em Honduras para garantir o crescimento saudável das crianças do país caribenho, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegará à capital Tegucigalpa na próxima semana para assinar o acordo de cooperação com o secretário de Saúde de Honduras, Arturo Bendaña, afirmou o escritório do Unicef em comunicado.

Especialistas brasileiros da Rede Ibero-Americana de Bancos de Leite Humano (BLH) estão em Honduras para reativar o projeto de Banco de Leite do Hospital Materno Infantil de Tegucigalpa.

Um dos especialistas, o coordenador do Centro de Referência para Bancos de Leite, Franz Novak, disse que tudo começou em 2007 com a ideia de transferir para Honduras a tecnologia que funciona no Brasil.

Novak acrescentou que o plano foi adiado pelo golpe de Estado de 28 de junho de 2009, em Honduras, contra o então presidente Manuel Zelaya.

Os bancos de leite são unidades "onde se armazena o alimento humano para impulsionar a prática do aleitamento materno, que ajuda a reduzir a mortalidade dos recém-nascidos", assinalou o Unicef.

Honduras conta com um banco de leite no Hospital Mario Catarino Rivas, na cidade de San Pedro Sula, e na terça-feira reativou o do Hospital Materno Infantil, em Tegucigalpa.

Novak disse que a tecnologia é desenvolvida em mais de 20 países ibero-americanos e foi "um êxito".

Nos bancos de leite no Brasil são atendidas 1,7 milhões de mulheres, enquanto mais de 50% da população feminina passa por essas unidades, o que constitui uma contribuição social para a infância do país e reduz substancialmente a mortalidade infantil, de acordo com Novak.

Essa mesma experiência pode ser desenvolvida em Honduras, onde mais de 20% dos recém-nascidos não recebe leite materno durante a primeira hora de vida e só um em cada três menores de seis meses têm amamentação exclusiva, segundo a última Enquete Nacional de Saúde, indicou o Unicef.

Novak ressaltou que "o ideal seria continuar com o aleitamento materno até que a criança complete dois anos, mas o primordial é conseguir que 100% das mães amamentem seus filhos pelo menos até os seis meses de vida".

Os especialistas brasileiros, que concluirão sua visita a Honduras no próximo fim de semana, viajaram nesta quarta-feira a San Pedro Sula para avaliar o Banco de Leite do Hospital Mario Catarino Rivas.

Fonte Estadão

Atuação de profissionais da saúde é ampliada em votação no Senado

Saúde. Comissão modifica texto aprovado na Câmara em 2009 que dava apenas aos médicos o direito de diagnosticar doenças e disfunções psicológicas e nutricionais; mesmo com mudanças, polêmica continua; agora, projeto segue para outras comissões

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou ontem o projeto de Ato Médico, que define as atividades da profissão. A versão retirou pontos polêmicos como a exclusividade dos médicos, concedida no projeto aprovado pela Câmara, em 2009, para execução de procedimentos como papanicolau e diagnóstico de problemas psicológicos e nutricionais.

Dos cinco pontos mais criticados, o relator Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) abrandou quatro. O texto aprovado afirma que diagnóstico de doenças pode ser feito apenas por médicos. Mas abre espaço para que outros diagnósticos, como a avaliação sobre a capacidade de realizar movimentos e articular sons, sejam feitos por outras especialidades, como fonoaudiologia.

O texto diz que médicos têm de coordenar procedimentos que permitem a assistência ventilatória do paciente, mas autoriza fisioterapeutas a atuar no processo. Exames como biópsias e citologia podem ser feitos por farmacêuticos e biomédicos - o que o texto anterior não permitia.

Ainda assim, médicos continuam tendo exclusividade na emissão de laudos de exames de endoscopia, exames de imagem e amostras de tecidos e órgãos.

"Foi a melhor versão possível", resumiu Valadares. "Procuramos definir o que é ato médico, mas resguardar garantias de outras profissões." O texto ainda tem de ser submetido à avaliação das comissões de Educação e de Assuntos Sociais antes de ir para o plenário do Senado.

O relator também retirou a exclusividade de médicos na aplicação de injeções subcutâneas, intramusculares e intravenosas. Mas não esclareceu se técnicos em acupuntura e tatuadores terão o direito de seguir com suas atividades. "Listo os métodos invasivos. Na prática, as questões vão sendo resolvidas."

Manoel Carlos Neri Silva, presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), queixa-se da falta de definição. "A acupuntura, por exemplo, é um procedimento invasivo, e vários profissionais da saúde, não necessariamente médicos, fazem especialização nessa área", diz.

Um ponto polêmico, que provocou irritação de profissionais de saúde, foi mantido. Apenas médicos podem manter cargos de chefia e direção de serviços médicos. Demais profissionais podem ficar com a chefia administrativa. O argumento das demais categorias era de que o atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar, portanto integrantes de outras profissões poderiam chefiar o serviço.

Para o senador, o risco de o projeto aprovado ontem sofrer novas modificações é muito pequeno. Na Comissão de Educação, a relatoria deve ficar com a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), autora de texto semelhante aprovado no Senado. "A nova versão está melhor, mas há pontos preocupantes para fisioterapeutas e enfermeiros", disse o integrante do Conselho Federal de Farmácia, Carlos Eduardo Queiroz.

Reclamações. Neri Silva, presidente do Cofen, diz que o projeto aprovado ontem mantém pontos confusos. Ele diz, por exemplo, que a nova versão atribui como atividade exclusiva dos médicos a prescrição de remédios no Programa Saúde da Família (PSF). "Hoje, os enfermeiros do programa já prescrevem medicamentos para tuberculose, hanseníase, hipertensão e diabete, seguindo o protocolo do Ministério da Saúde. Se não puderem mais fazer isso, será um prejuízo para a população que é atendida pelo SUS", avalia.

Humberto Verena, presidente do Conselho Federal de Psicologia, diz que o projeto restringe a atuação dos psicólogos, impede-os de fazer diagnósticos de depressão ou outros transtornos e também os impede de prescrever terapias. "Quando você puxa para o médico o diagnóstico e a indicação terapêutica, você dá um golpe no trabalho em equipe. Os outros profissionais ficam satélites da opinião do médico."

Para Silva, do Cofen, da forma como está, o projeto vai contra uma tendência mundial de atendimento de saúde multidisciplinar. "Querem centralizar tudo na figura do médico por puro corporativismo", afirmou.

Roberto d'Avila, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), diz que o projeto apenas formaliza o papel do médico: fazer diagnóstico e tratar doenças. "Isso é o senso comum. Vamos continuar fazendo o que fazemos. Não há subordinação."

Sobre a ação de enfermeiros no PSF, d'Avila diz que eles podem apenas repetir a receita médica em casos de controle, para evitar que o paciente tenha de ir ao médico todo mês, mas nunca diagnosticar e prescrever por conta. "Os enfermeiros querem assumir a atenção básica, e isso é um absurdo", diz.

Sobre o fato de psicólogos poderem diagnosticar depressão, d'Avila diz que, para isso, eles precisariam estudar psiquiatria. "Como tratarão neuroses, esquizofrenia? Só com papo e conversa? De jeito nenhum. Essas doenças são causadas por deficiências bioquímicas, e os pacientes precisam de medicamentos."

Fonte Estadão