Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Exames: Alfa-1-antitripsina, dosagem no soro

O que é o exame: coleta de sangue venoso para dosagem da concentração de alfa-1-antitripsina, componente mais comum das α1-globulinas.

Para que serve: a alfa-1-antitripsina é uma proteína de fase aguda, aumentando de forma rápida, mas inespecífica, em processos inflamatórios. Níveis elevados desta substância auxiliam no diagnóstico de infecções, vasculites, artrites e neoplasias. Níveis reduzidos, indicando deficiência genética de alfa-1-antitripsina, podem estar associados com enfisema pulmonar, doença hepática crônica, cirrose hepática e carcinoma hepatocelular.

Valor de referência:

0 a 1 mês: 79 a 222 mg/dL
1 a 6 meses: 71 a 190 mg/dL
6 meses a 2 anos: 60 a 160 mg/dL
2 a 19 anos: 70 a 178 mg/dL
Adultos: 88 a 174 mg/dL

Fonte boasaude@uol.com.br

Doença pulmonar obstrutiva crônica

Bronquite
Definição
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma das doenças pulmonares mais comuns. Ela dificulta a respiração.
Existem duas formas principais de DPOC:
- Bronquite crônica, definida por tosse por longo tempo com muco
- Enfisema, definido pela destruição dos pulmões ao longo do tempo
A bronquite é a inflamação dos brônquios, as principais passagens de ar para os pulmões, e geralmente ocorre após uma infecção respiratória viral.
Os sintomas incluem tosse, falta de ar, chiado no peito e fadiga.
A enfisema é uma doença pulmonar que acarreta danos aos sacos aéreos (alvéolos). Há uma destruição progressiva dos alvéolos e dos tecidos circundantes que os suportam.
Em estado mais avançado, há um desenvolvimento de grandes cistos de ar onde antes havia tecido pulmonar normal. O ar fica preso nos pulmões devido à falta de tecido conjuntivo, reduzindo a oxigenação.
Foto: ADAM
Enfisema

A maioria das pessoas com DPOC tem uma combinação de ambas as condições.

Nomes alternativos

DPOC, doença crônica obstrutiva das vias respiratórias; doença pulmonar obstrutiva crônica, bronquite crônica, enfisema, bronquite - crônica

Causas, incidência e fatores de risco

O fumo é a causa principal da DPOC. Quanto mais a pessoa fuma, mais provavelmente desenvolverá a DPOC, embora algumas pessoas fumem por muitos anos e nunca tenham a DPOC.
Em casos raros, não fumantes que têm carência de uma proteína chamada alfa-1 antitripsina podem desenvolver enfisema.
Foto: ADAM
DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) refere-se a doenças pulmonares crônicas que resultam em fluxo de ar bloqueado nos pulmões.
Os dois principais distúrbios de DPOC são enfisema e bronquite crônica, as causas mais comuns de insuficiência respiratória.
O enfisema ocorre quando as paredes entre os sacos aéreos pulmonares ficam enfraquecidas e sofrem colapso. Danos da DPOC normalmente são permanentes e irreversíveis.

Outros fatores de risco para DPOC são:
  • Exposição a determinados gases ou fumaças no local de trabalho
  • Exposição a grandes quantidades de fumo passivo e poluição
  • Uso frequente de gás de cozinha sem ventilação adequada

Sintomas

  • Tosse com muco
  • Falta de ar (dispneia) que piora com atividade branda
  • Fadiga
  • Infecções respiratórias frequentes
  • Respiração ofegante
Como os sintomas da DPOC se desenvolvem lentamente, algumas pessoas podem não estar cientes de que estão doentes.

Exames e testes

O melhor teste para DPOC é um teste simples de funcionamento dos pulmões chamado espirometria. Isso envolve soprar o mais forte possível em uma pequena máquina que testa a capacidade dos pulmões. O teste pode ser interpretado imediatamente e não envolve exercício físico, retirada de sangue ou exposição à radiação.
A espirometria é um estudo indolor, frequentemente usado para avaliar a função pulmonar em pessoas com doenças pulmonares obstrutivas e restritivas, como asma ou fibrose cística.
Foto: ADAM
Espirometria
Usar um estetoscópio para auscultar os pulmões também pode ser útil, embora algumas vezes os pulmões emitam ruídos normais mesmo quando a DPOC está presente.
As imagens dos pulmões (como radiografias e tomografias computadorizadas) podem ser úteis, mas algumas vezes parecem normais mesmo quando uma pessoa tem DPOC.
Algumas vezes é necessário fazer um teste de sangue (denominado "gasometria sanguínea") para medir as quantidades de oxigênio e dióxido de carbono no sangue.

Tratamento

Não há cura para a DPOC. No entanto, existem muitas coisas que você pode fazer para aliviar os sintomas e evitar que a doença piore.
As pessoas com DPOC devem parar de fumar. Essa é a melhor maneira de desacelerar os danos nos pulmões.

Medicamentos usados para tratar da DPOC incluem:
  • Inaladores (broncodilatadores) para abrir as vias respiratórias, como ipratropium, tiotropium, salmeterol ou formoterol
  • Esteroides inalados para reduzir a inflamação nos pulmões
Em casos graves ou durante intensificações súbitas, você pode precisar receber esteroides via oral ou venosa (intravenosa).
Antibióticos são prescritos durante intensificações súbitas dos sintomas, porque as infecções pioram a DPOC.
A oxigenoterapia em casa pode ser necessária se uma pessoa tiver um nível baixo de oxigênio em seu sangue. A reabilitação pulmonar não cura a doença pulmonar, mas ela pode ensiná-lo a respirar de uma maneira diferente para que você possa se manter ativo.
Programas de exercícios como a reabilitação pulmonar também são importantes para ajudar a manter a força muscular nas pernas, de forma que os pulmões sejam menos sobrecarregados durante a caminhada. Esses programas também ensinam as pessoas como usar os medicamentos de maneira mais eficaz.

Coisas que você pode fazer para facilitar isso para si mesmo em casa incluem:
  • Evitar ar muito frio
  • Certificar-se de que ninguém fume em sua casa
  • Reduzir a poluição do ar eliminando fumaça de lareira e outras substâncias que causam irritação
Faça uma dieta saudável com peixe, frango e carne magra, bem como frutas e vegetais. Se for difícil manter seu peso, converse com um médico ou nutricionista sobre a ingestão de alimentos com mais calorias.

Os tratamentos cirúrgicos podem incluir:
  • Cirurgia para remover partes do pulmão doente para alguns pacientes com enfisema
  • Transplante de pulmão para casos graves

Grupos de apoio

As pessoas frequentemente podem ajudar a reduzir a tensão da doença participando de um grupo de apoio no qual os membros compartilham experiências e problemas comuns.

Evolução (prognóstico)

Essa condição é uma doença com efeitos a longo prazo (crônica). A doença piorará mais rapidamente se a pessoa continuar fumando.
Os pacientes com DPOC grave terão falta de ar com a maioria das atividades e serão internadas no hospital com mais frequência. Esses pacientes devem conversar com o médico sobre o uso de máquinas de respiração e cuidados no fim da vida.

Complicações

  • Batimentos cardíacos irregulares (arritmias)
  • Necessidade de máquina de respiração e oxigenoterapia
  • Insuficiência cardíaca no lado direito ou cor pulmonale (inchaço do coração ou insuficiência cardíaca devido à doença pulmonar crônica)
  • Pneumotórax
  • Perda de peso ou desnutrição grave

Ligando para seu médico

Vá para a emergência de algum hospital ou ligue para o número de emergência local (como 192) se você tiver um aumento rápido de falta de ar.

Prevenção

Não fumar previne a maioria das DPOC. Pergunte ao seu médico sobre programas para parar de fumar. Os medicamentos também estão disponíveis para ajudar a vencer o vício de fumar e os medicamentos são mais eficazes se uma pessoa está motivada a parar.

Fonte iG

Os principais erros ao tomar remédios

Seguir à risca a recomendação médica exige disciplina e cuidados. Conheça as principais falhas dessa relação

De médico e louco, de fato, todos têm um pouco. O ditado popular, em tempos de automedicação, deixa a brincadeira de lado e assume as características de uma população, ávida por consumo de medicamentos, ao menor sinal de um simples resfriado.

Incorporar o especialista de plantão e investir no conhecimento caseiro sobre remédios, porém, é apenas um dos grandes erros da intensa relação entre pacientes e medicamentos. Abaixo, com a ajuda de dois especialistas, o iG Saúde listou os principais equívocos e os riscos que o desrespeito à prescrição pode provocar à saúde.

Sem dor, sem disciplina
Na hora da dor, a prescrição é seguida à risca. Dias depois, a melhora dos sintomas faz com que a grande maioria dos pacientes esqueça o horário da medicação, e até interrompa o período necessário para que as bactérias, ou vírus, sejam realmente combatidos, revela Arnaldo Lichtenstein, clínico geral do Hospital das Clinicas de São Paulo.

“Depois que a dor passou, o erro mais comum e grave é interromper o remédio, na falsa idéia de que já foi suficiente. Atrasos são toleráveis, o que não pode é fazer do esquecimento e da indisciplina um hábito.”

Ao interromper a medicação, as bactérias não são eliminadas completamente do organismo, deixando espaço para que a infecção retorne dias ou até semanas depois do primeiro tratamento. Essa postura, além de não curar, faz com que as bactérias criem resistência aos antibióticos, por exemplo.

Para remédios que combatem a dor, os antiinflamatórios, interromper o uso com o fim da dor é uma postura correta, o foco desse tipo de medicamento é exatamente o alívio da dor. Os antibióticos, porém, agem de forma diferente. Eles têm prazo, não podem ser interrompidos. A infecção tratada parcialmente volta, e mais forte, resistente.

“Esse tipo de comportamento justifica a causa de morte por tuberculose até os dias de hoje. A doença precisa de tratamento contínuo de, no mínimo, seis meses. Se o paciente não respeita o prazo, desperdiça dinheiro, tempo e acompanhamento médico e pode agravar o problema.”

Gripe ou resfriado?
Recorrer aos postos de saúde, pronto-socorro dos hospitais para tratar uma gripe sem febre é um erro bastante comum da população brasileira. A postura, para Paulo Olzon Monteiro da Silva, chefe da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), justifica a superlotação dos atendimentos públicos e abre espaço para contaminação, infecção hospitalar e erros médicos.

Na visão do especialista, a população até hoje não sabe a diferença entre gripe e resfriado. Coriza nasal, tosse, sem febre, não justificam atendimento médico. Repouso e ingestão de líquidos e alimentação balanceada resolverão o problema em poucos dias.

“O erro das pessoas é achar qualquer indisposição ou reação do organismo é sinal de doença grave, e requer de avaliação médica. Não estou estimulando a automedicação, não há necessidade de fazer nada em um resfriado ou gripe sem febre.

Alimentação
Alguns remédios, por serem mais agressivos ao estomago, devem ser tomados após o desjejum. A recomendação parece simples, mas pouco importante para os pacientes, revelam os especialistas. A mesma lógica se aplica aos medicamentos que exigem o jejum para a melhor absorção. Não podem dividir esse trabalho junto com a alimentação. A maioria das pessoas ignora essa recomendação e faz como bem entende ou acha correto.

Pomada X creme
A Pomada é diferente de creme. O uso deve ser sempre prescrito por um especialista. As substâncias são diferentes e têm ações distintas, direcionadas. Em caso de infecções ginecológicas, por exemplo, o tratamento é sempre feito com cremes, que são mais suaves.

Fonte iG

Algumas gorduras são piores para o cérebro

Estudo mostrou que mulheres com alto consumo de gorduras saturadas tinham mais prejuízos de memória e cognição

Estudos já associaram a gordura na alimentação ao desenvolvimento de demência em idade mais avançada. Um novo estudo sugere que o risco talvez dependa do tipo de gordura consumida.

Os cientistas estudaram 6.183 mulheres com mais de 65 anos, acompanhando seu consumo de gordura e as alterações em sua capacidade intelectual ao longo dos anos. As participantes preencheram questionários sobre alimentação no início do estudo e depois realizaram testes periódicos de habilidade mental.

 
Os pesquisadores determinaram a "contagem de alterações" de cada voluntária reunindo alterações na memória e no pensamento abstrato ao longo do tempo – quanto mais baixa a contagem, maior a deterioração. O estudo apareceu online este mês no periódico Annals of Neurology.

 
Após levar em conta diversos fatores socioeconômicos e de saúde, os pesquisadores descobriram que a probabilidade de as participantes cuja ingestão de gorduras saturadas era a mais elevada terem contagens de alterações que as posicionavam abaixo do décimo percentil era 60% maior em comparação com que as que menos consumiam essas substâncias.

Por outro lado, a probabilidade de as mulheres cujo consumo de gorduras monoinsaturadas era o mais elevado terem contagens de alterações abaixo do décimo percentil era 40% menor. O consumo de gorduras poli-insaturadas e hidrogenadas não estava associado a nenhuma alteração, e o consumo total de gordura tampouco.

"As pessoas podem considerar fazer modificações ou substituições em suas dietas, trocando as gorduras saturadas por gorduras monoinsaturadas", afirmou Olivia I. Okereke, principal autora do estudo e professora assistente de psiquiatria da Universidade Harvard.

Fonte iG

Alcoolismo: tratamento com remédios é subvalorizado, dizem especialistas


O alcoolismo é um transtorno heterogêneo, por isso
claramente não há um medicamento que funcione para todos
Médicos dizem que opções atuais não funcionam para todos, mas podem, junto com a terapia, ajudar a quebrar o ciclo do vício

Se o alcoolismo é uma doença, há esperança de encontrar a cura em uma pílula? Sim e não. Nos últimos anos, tendo mapeado as mudanças físicas que o cérebro sofre com anos de consumo habitual, pesquisadores descobriram um punhado de medicamentos promissores – e, dizem alguns, subutilizados – que, combinados a terapia, ajudam alcoólatras a quebrar o ciclo da dependência.

Para aqueles para quem os remédios funcionam, eles certamente podem parecer uma cura.

"Eu senti como se tivesse encontrado algo que finalmente me ajudou a enfrentar a ânsia de beber", diz Patty Hendricks, de 49 anos, que usou um desses medicamentos, a naltrexona, para ajudar a controlar o hábito de beber depois de quatro tentativas fracassadas de reabilitação.

"Acho que não teria conseguido ficar sóbria sem ele."

O problema é que os alcoólatras, como os pacientes com câncer, não são um grupo homogêneo. As pessoas bebem compulsivamente por inúmeras razões, da genética à ansiedade pós-traumática. A pílula que ajudou Hendricks a ficar sóbria talvez não faça nada, digamos, por um veterano que bebe para evitar os pesadelos.

"Assim como nem todos os cânceres de mama são iguais", afirma Nora D. Volkow, diretora do Instituto Nacional para o Abuso de Drogas dos Estados Unidos.

"O alcoolismo é um transtorno heterogêneo, por isso claramente não há um medicamento que funcione para todos."

Em vez disso, alguns especialistas em vício agora imaginam um futuro – talvez a não mais de uma década de distância – em que o tratamento para o alcoolismo imite métodos contemporâneos contra a depressão: os pacientes escolheriam entre uma variedade de medicamentos para encontrar o que melhor lhes conviesse; em seguida, recorreriam a terapia e outras ferramentas para alcançar uma recuperação a longo prazo.

"O que esperamos é realmente ter um leque de tratamentos entre os quais os médicos possam escolher", diz Raye Z. Litten, diretora adjunta do Instituto Nacional para o Abuso do Álcool e Alcoolismo.

"Se um medicamento não funcionar ou se os pacientes não conseguirem tolerá-lo", eles "poderão experimentar outro e assim por diante".

Nem todo mundo que trabalha com tratamento de alcoólatras acredita que a medicação é um bom caminho para a sobriedade. Tanto os Alcoólicos Anônimos quanto o Centro Betty Ford, por exemplo, têm programas que enfatizam a abstinência, não os comprimidos ou as injeções. Alguns críticos dizem que tratar o alcoolismo com medicamentos simplesmente substitui uma droga por outra.

Estamos muito longe dos dias em que programas de 12 passos e o autocontrole eram considerados os únicos caminhos para a sobriedade. Contudo, como os médicos passaram a ver o vício menos como uma falta de vontade do que como uma doença crônica que exige uma gestão a longo prazo, como diabetes ou pressão arterial elevada, a procura de medicamentos que podem ajudar tem se intensificado.

Entre os medicamentos atualmente disponíveis, apenas três foram aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) para o tratamento de alcoolismo. Entre esses, apenas dois, a naltrexona e o acamprosato, reduzem, na verdade, a ânsia de beber. O terceiro, o dissulfiram, vendido como Antabuse, faz com que os pacientes se sintam enjoados se beberem álcool, por meio do bloqueio da capacidade do corpo de metabolizá-lo.

Ao ajustar o sistema químico de recompensa do cérebro, tanto o acamprosato quanto a naltrexona reduzem os efeitos e o fascínio pelo álcool entre alguns alcoólatras. Nenhum deles é um medicamento milagroso. Em dezenas de ensaios clínicos, a naltrexona e o acamprosato, consumidos por via oral, funcionaram bem para cerca de um a cada sete alcoólicos e não tiveram praticamente nenhum efeito sobre os outros.

Litten disse que ainda não foram realizados estudos suficientes no mundo real para determinar a eficácia dos medicamentos em configurações "naturalistas", nem para identificar quanta duplicidade havia entre os dois grupos que reagiram a cada droga.

Porém, a relevância desses medicamentos não se resume, de modo algum, à sua eficácia, dizem os especialistas em vício.

"Quando eu era aluno de Medicina, se alguém sugerisse tratar o alcoolismo com um medicamento, as pessoas responderiam: 'Meu jovem, como seria possível tratar uma dependência química com outro produto químico?'", diz Markus Heilig, diretor clínico do Instituto Nacional para o Abuso do Álcool e Alcoolismo. A descoberta desses medicamentos, na pior das hipóteses, "demonstra que essa opinião tem problemas fundamentais".

Mais recentemente, os cientistas descobriram outros medicamentos, alguns já aprovados pelo FDA para outros fins, que podem ajudar a interromper o hábito de beber compulsivamente. Em 2007, Bankole A. Johnson, presidente do departamento de psiquiatria e ciências neurocomportamentais da Universidade de Virgínia, conduziu um estudo que mostrou que o topiramato, um medicamento anticonvulsivo, não só reduzia a necessidade de beber, mas ajudava a reduzir as enzimas do fígado e a pressão arterial.

"Foi apenas uma ideia que me veio à cabeça com base na química básica do composto", disse Johnson. Apesar de alguns efeitos colaterais desagradáveis (fadiga, confusão, náuseas), o topiramato se tornou um tratamento comumente prescrito para o alcoolismo, mesmo não sendo especificamente indicado contra o vício.

O baclofen, um medicamento antiespasmódico, às vezes também é prescrito para alcoólatras, embora também não seja especificamente indicado para esse fim e os resultados das pesquisas sejam heterogêneos.

Johnson também mostrou que doses baixas de ondansetron, um medicamento antináuseas há muito tempo prescrito para pacientes que fazem quimioterapia, podem vir a reduzir o consumo de bebidas por alcoólatras – particularmente aqueles que têm uma variante genética específica.

No Instituto de Pesquisa Scripps, em San Diego, George Koob está buscando desenvolver medicamentos que abordem o vício de um ângulo completamente diferente: reduzindo a gravidade dos estados emocionais negativos que levam os ex-usuários a voltarem ao vício. Um desses medicamentos, a gabapentina, originalmente desenvolvido para tratar a epilepsia, mostrou-se "muito promissor" em estudos anteriores, disse Litten, do Instituto Nacional para o Abuso de Álcool e Alcoolismo.

Embora alguns centros de tratamento tenham abraçado a farmacologia, outros dizem que a ênfase nos medicamentos pode desviar a atenção do trabalho real da reabilitação.

"Quando medicalizamos a doença e prestamos muita atenção na biologia, é fácil ouvir um paciente dizendo, 'Bem, não tenho mais ânsia, não preciso fazer mais nada'", conta Harry L. Haroutunian , diretor médico do Centro Betty Ford, em Rancho Mirage, Califórnia.

"Tentamos usar os princípios do programa de 12 passos como uma fonte de força em momentos de ânsia, para lidar com as angústias inevitáveis. Queremos que os pacientes se comprometam de verdade com isso."

Haroutunian descreveu o Centro Betty Ford como um "programa baseado na abstinência". Não se pede que os pacientes que já chegam tomando algum tipo de medicamento prescrito contra o vício parem de ingeri-lo, contou ele, mas não se costuma prescrever medicamentos aos outros, que não tomam, uma vez admitidos.

Por outro lado, a Fundação Hazelden, com sede em Minnesota, começou a prescrever medicamentos como a naltrexona e o acamprosato em várias de suas clínicas de reabilitação cerca de seis anos atrás. Hoje, 27% dos pacientes têm alta tomando algum tipo de medicação para reduzir a ânsia.

"Achamos que é algo extremamente importante", diz Marvin D. Seppala, diretor médico da Hazelden.

"Nos primeiros 12 a 18 meses, as pessoas estão altamente propensas a recaídas. Então, qualquer coisa que possamos fazer para mantê-las sóbrias durante esse período realmente afeta resultados a longo prazo."

Hendricks, que foi paciente da Hazelden em 2008, disse que ainda poderia estar bebendo, se não fosse pelos dois anos em que ela tomou a naltrexona.

"Acho que em um determinado momento me senti forte o suficiente mentalmente para saber que poderia controlar minha ânsia", disse Hendricks, que recentemente comemorou o seu milésimo dia de sobriedade.

"Mas passamos por essa carência no início, e a naltrexona ajudou a tornar os momentos de ânsia mais curtos e menos intensos."

Seppala disse que tenta levar em conta o histórico do paciente ao prescrever medicamentos. Ele sabe, por exemplo, que a naltrexona costuma agir melhor em pacientes com histórico familiar de alcoolismo.

Porém, as aplicações do mundo real não têm a clareza de um laboratório, disse ele.

"O problema é que 95% dos nossos pacientes têm um histórico familiar ligado ao álcool, o que não é um bom prognóstico."

Aplicativos incentivam a sobriedade
A medicina não é a única ciência que está abrindo novos caminhos para a sobriedade. Graças a um novo aplicativo móvel da Fundação Hazelden, hoje há alcoólatras deixando a reabilitação com uma versão interativa dos 12 passos no bolso.

Quando os usuários iniciam uma sessão no aplicativo, chamado MORE Field Guide to Life ("Guia de campo para a vida"), eles são recebidos com o número de dias que se passaram desde que beberam pela última vez. A partir desse momento, podem localizar a mais próxima reunião dos Alcoólicos Anônimos, fazer listas de obstáculos e realizações, assistir depoimentos de outros alcoólicos recuperados, ou, se estiverem com dificuldades, pressionar um "SOS" para contatar imediatamente um responsável.

"Quando saí da reabilitação, senti como se tivesse bagunçado toda a minha vida", conta Jon Hartman, de 47 anos, que foi tratado na Hazelden e agora trabalha no departamento editorial da Fundação.

"Mas há recursos do aplicativo que atribuem tarefas bem simples que podemos fazer todos os dias, e a ideia de olhar para isso e perceber que podemos fazer algo a cada dia e progredir é extremamente gratificante para mim."

O aplicativo da Hazelden não é o único que visa à recuperação de alcoólatras. Outros, como o AA Steps Away, o Sobriety Date Calculator ("Calculadora de Datas de Sobriedade") e o Friend of Bill, conectam as pessoas em recuperação ao seu próprio progresso. O aplicativo da Hazelden, lançado em janeiro, chegou rapidamente ao topo da lista de aplicativos de livros da Apple.

Fonte iG