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domingo, 10 de junho de 2012

Estudos enfatizam controle de efeitos adversos da químio

Se antes o foco da luta contra o câncer era a sobrevivência dos pacientes, outro aspecto da oncologia está ganhando espaço: a busca por qualidade de vida durante e após o tratamento.

No encontro anual da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), que ocorre nesta semana em Chicago, especialistas discutiram como melhorar o controle dos efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea e dor.

Editoria de arte/folhapress
O oncologista americano Steven Grunberg, do Fletcher Allen Health Care, falou sobre as falhas de comunicação entre médicos e pacientes.

"Nem todos sabemos como os pacientes se sentem. Pesquisas mostram que eles têm mais efeitos colaterais do que seus cuidadores presumem."

Isso ocorre porque ambos querem limitar o número de medicações, porque o paciente não quer ficar reclamando o tempo todo e, o mais impressionante, porque alguns médicos acreditam que a náusea é um sinal de que o tratamento está funcionando, o que não é verdade, de acordo com Grunberg.

Outro estudo mostrou que o antipsicótico Zyprexa foi eficaz contra náuseas em pessoas que não respondem aos antieméticos usados para tratar esses sintomas.

Os efeitos indesejados ocorrem em cerca de 50% dos pacientes submetidos à químio. Náusea e vômito podem ser controlados, mas de 30% a 40% das pessoas sofrem com o problema mesmo com o uso da medicação.

Outra pesquisas apontou, pela primeira vez, que uma droga conseguiu reduzir a dor neuropática periférica decorrente do tratamento.

O remédio (duloxetina) é aprovado para depressão e dor neuropática em diabéticos e diminuiu as dores decorrentes da químio na maioria dos pacientes (59% contra 39% do grupo controle).

A dor atinge pés, mãos, braços e pernas e pode dificultar a execução de tarefas rotineiras. Cerca de 40% dos pacientes sentem esse efeito, que pode durar anos.

Terapias alternativas também têm sido testadas contra os efeitos colaterais do tratamento oncológico.

Segundo Rebecca Anne Clark-Snow, enfermeira da Universidade do Kansas, 88% dos pacientes oncológicos usam alternativas não medicamentosas, como dietas e práticas religiosas.

A enfermeira apresentou um estudo com 576 pacientes mostrando que cápsulas de gengibre são mais eficazes que placebo contra náusea.

"Há uma dificuldade em colocar esse tipo de terapia na prática clínica porque faltam evidências robustas", diz o oncologista Ulisses Nicolau, do Hospital A.C. Camargo.

Fonte Folhaonline

Nova droga adia piora de tumor de mama avançado

A droga é a união do anticorpo trastuzumabe com um agente
 quimioterápico (DM1) e tem como objetivo inibir os
sinais que levam ao crescimento do câncer
Uma nova droga para câncer de mama com metástase resultou em maior tempo de sobrevida sem piora da doença do que um tratamento padrão contra o tumor.

Os resultados do estudo, batizado de Emilia, foram apresentados no encontro anual da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), que ocorreu nesta semana em Chicago, EUA.

"É um marco no câncer de mama metastático por ser uma medicação promissora, eficiente e com poucos efeitos colaterais", diz Max Mano, oncologista do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) e do Sírio-Libanês.

O medicamento T-DM1 (trastuzumabe-entansina) foi testado em mulheres com câncer positivo para HER-2, uma proteína ligada à multiplicação celular, e comparado com dois quimioterápicos. A pesquisa envolveu 978 mulheres. O tempo médio de controle sem avanço do câncer foi de 9,6 meses no grupo que usou o T-DM1, contra 6,4 meses do outro grupo.

A droga é a união do anticorpo trastuzumabe com um agente quimioterápico (DM1) e tem como objetivo inibir os sinais que levam ao crescimento do câncer. O remédio também faz com que a químio aja diretamente nas células cancerosas positivas para HER-2, o que causa menos efeitos colaterais.

Mas, segundo Mano, é preciso aprender mais sobre esses efeitos, apesar de a droga parecer ser bem tolerada.

Fonte Folhaonline

Sabonete que promete clareamento de genitais femininos gera polêmica na Índia

Há séculos as mulheres indianas são criadas para acreditar que pele clara é sinônimo de beleza, o que impulsionou a criação de uma milionária indústria de clareamento cutâneo - que agora as está encorajando a usar seus produtos muito além das mãos e do rosto.

Trata-se de um sabonete líquido cuja propaganda na televisão vem causando polêmica no país ao sugerir que as mulheres podem se tornar mais atraentes se clarearem seus genitais.

Veja o vídeo da propaganda


O anúncio começa com um casal sentado no sofá. O marido lê um jornal ignorando sua mulher, e no rosto dela vê-se claramente a sensação de rejeição.

Momentos depois, a mulher aparece tomando banho utilizando um sabonete líquido que cria uma espuma branca - mas não se trata de um cosmético qualquer.

Logo na cena seguinte a imagem da esposa rejeitada é substituída por um desenho do órgão genital feminino e uma representação gráfica de como o gel pode clarear a pele nesta área do corpo da mulher.

Pouco após a aplicação do creme, pétalas de rosa invadem a tela e assim como em qualquer cena romântica de filmes de Bollywood, o casal aparece muito sorridente, em meio a trocas de afagos e abraços.

O fato de a indústria cosmética do país ter lançado o produto lançou a questão à sociedade indiana: a febre pelo clareamento de pele chegou longe demais?

Polêmica
A propaganda do sabonete na televisão despertou críticas, choque e rejeição na mídia indiana.

Especialistas questionam os impactos psicológicos sobre as meninas e colocam em xeque até onde vai o tradicional desejo das mulheres do sudeste asiático de terem a pela mais clara.

O governo indiano reagiu com um pedido formal à agência de regulação publicitária para que retirasse o anúncio do ar.

Mesmo assim o setor continua em expansão e além do polêmico gel íntimo começa agora a focar também em produtos para os homens, como desodorantes que além de proteger do suor clareiam a pele.

O setor movimentou em 2010 cerca de US$ 432 milhões e cresce mais de 18% ao ano, segundo dados da auditoria ACNielsen.

Muitos dos anúncios em revistas e outdoors têm a clara intenção de forçar o público a clarear cada vez mais partes do corpo e com maior intensidade.

"Você pensa duas vezes antes de usar certos tipos de roupa porque elas não combinam com os diferentes tons em sua pele?", questiona uma propaganda.

"Você percebe como a cor das suas mãos é diferente da cor do seu rosto?", pergunta outro anúncio.

Bollywood
Embora a obsessão pela negação do tom de pele natural dos indianos possa parecer estranha para o resto do mundo, outra indústria milionária do país alvo de fascínio popular só reforça tal ideia.

Basta prestar atenção aos cartazes dos filmes de Bollywood para perceber que as estrelas mais admiradas têm um tom de pele cada vez mais claro, contando até mesmo com a ajuda de programas de computador - e muitas das atrizes defendem o uso dos produtos para clareamento de pele.

Estas são as estrelas que, ao serem veneradas por muitos indianos, alimentam o crescimento desses preconceitos e da indústria de clareamento de pele.

Entre os atores que já promoveram produtos deste tipo estão nomes conhecidos em Bollywood como John Abraham, Shah Rukh Khan, Katrina Kaif, Deepika Padukone, Preity Zinta e Sonam Kapoor.

Fonte Folhaonline

Estudo relaciona tomografias na juventude a maior risco de câncer

Um estudo na revista "Lancet" realizou, pela primeira vez, uma medida direta da exposição à radiação por exames médicos na juventude e o aumento do risco de câncer.

O estudo viu dados de 180 mil pessoas de até 22 anos submetidas a tomografias entre 1985 e 2002 e mediu a ocorrência de câncer no cérebro e leucemias anos depois.

De acordo com os médicos do Reino Unido e dos EUA, doses de radiação equivalentes a duas ou três tomografias de cabeça aumentam em até três vezes a incidência de câncer no cérebro em relação a quem recebeu doses mais baixas.

A probabilidade de desenvolver leucemia triplica entre os submetidos a doses maiores, comparáveis a mais de cinco exames.

Mas a chance de ter câncer, mesmo assim, é pequena: foram achados 74 casos de leucemia e 135 de câncer no cérebro nas 180 mil pessoas.

Para os autores, apesar de as tomografias computadorizadas serem instrumentos diagnósticos valiosos, é preciso usá-las somente quando há motivo suficiente e se outros testes com baixa radiação, como radiografias, ou sem, como ressonância magnética, não forem adequados.

Segundo Rubens Chojniak, do Hospital A.C. Camargo, a própria indústria vem desenvolvendo máquinas que minimizam as doses de radiação e as ajustam automaticamente de acordo com a anatomia do paciente.

Chojniak diz que não há como estabelecer um número máximo de exames que possa ser considerado seguro. "Mas a tomografia bem indicada traz muito mais benefícios do que riscos."

Fonte Folhaonline

Técnica 'lê' DNA de feto na barriga da mãe

Pesquisadores nos Estados Unidos conseguiram determinar pela primeira vez praticamente todo o genoma de um feto humano a partir de amostras do sangue da mãe grávida e da saliva paterna.

Os resultados, publicados nesta semana no periódico "Science Translational Medicine", foram obtidos por cientistas da Universidade de Washington, em Seattle.

A equipe, liderada por Jay Shendure e Jacob Kitzman, usou uma série de técnicas estatísticas comparativas para "remontar" toda a sequência de letras químicas de DNA que compõe o genoma fetal.

Isso foi possível porque, primeiro, pedaços do DNA do bebê, muito fragmentados e em pequena quantidade, circulam no sangue da mãe durante a gestação.

Só essa informação não seria suficiente para chegar ao genoma completo. Por isso, os cientistas também usaram o genoma do pai e o da mãe para balizar a análise.

Por exemplo, se ambos os genitores tinham a mesma versão de um gene, aumentava a chance de que o feto também herdara esse gene.

Já é possível obter a sequência genética de um feto coletando diretamente células da placenta ou amostras do líquido amniótico, a "bolsa d'água" que protege o bebê na barriga da mãe. Mas esses métodos podem desencadear um aborto espontâneo.

Sem esse risco, a nova técnica pode permitir o diagnóstico das chamadas doenças mendelianas, como fibrose cística, distrofia muscular de Duchenne e certos problemas mentais, causados pela mutação de um único gene.

A capacidade de 'ler' o genoma de um feto levanta, entretanto, questões éticas.

Pais podem não desejar seus futuros filhos por razões que pouco têm a ver com questões médicas -isso quando o teste estiver disponível comercialmente, o que ainda deve demorar.

Apesar das possibilidades e riscos, os pesquisadores advertem sobre as limitações das novas técnicas.

"Nossa capacidade para gerar dados está superando nossa capacidade de interpretá-los de maneira que sejam úteis para os pacientes. A interpretação do genoma, mesmo para doenças mendelianas, ainda é um desafio", escrevem os pesquisadores.

Fonte Folhaonline