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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ciência revela quais dietas são mais eficazes para perder peso

Os participantes que seguiram métodos como o Vigilantes do Peso ou
Jenny Craig perderam de 3% a 5% do seu peso em um ano
Uma revisão de estudos clínicos mostra que o método dos Vigilantes do Peso é um dos cientificamente comprovados para a redução saudável de medidas
 
Para perder peso com o apoio da ciência, duas dietas podem ajudar: o programa de reeducação alimentar Vigilantes do Peso e o método americano Jenny Craig, que usa refeições pré-prontas. A conclusão é de uma revisão de estudos publicada no periódico Annals of Internal Medicine por uma equipe de pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
 
O objetivo do estudo é entender e apontar soluções para os médicos que não sabem qual dieta receitar aos pacientes. Qual é a melhor opção para perder peso? Há alguma que demonstra evidências científicas de redução de medidas de maneira saudável? Para buscar respostas, os pesquisadores decidiram revisar os estudos sobre a eficácia de 11 métodos comerciais de emagrecimento. De acordo com os resultados, apenas dois têm a efetividade comprovada por estudos confiáveis. Os participantes que seguiram os Vigilantes do Peso por doze meses perderam quase 3% a mais do seu peso inicial do que aqueles que fizeram dieta por conta própria. Aqueles que aderiram ao método Jenny Craig perderam quase 5% a mais do que o grupo de controle.
 
"Métodos populares, como o plano alimentar Nutrisystem, exibem muitas promessas de perda de peso; no entanto, é preciso estudos de longo prazo para avaliar seus resultados", afirmam os pesquisadores no estudo.
 
Evidências científicas
É conhecida pelos médicos a falta de estudos confiáveis que comprovem a eficácia de dietas e programas de emagrecimento. Embora outros métodos analisados pela equipe de cientistas também tenham estudos que mostram que seus participantes emagreceram, o acompanhamento dos pacientes foi de, no máximo, seis meses. Isso faz com que não seja possível afirmar que as pessoas continuaram a emagrecer ou conseguiram manter os quilos perdidos. De acordo com o estudo, apenas o Vigilantes do Peso e o método Jenny Craig provaram, por meio do acompanhamento dos pacientes pelo período de um ano, que o método utilizado realmente ajudou a perder peso e mantê-lo.
 
Os pesquisadores afirmam que, mesmo que a perda de peso apresentada pelos dois programas pareça modesta e até mesmo decepcionante para os consumidores, conseguir manter o novo peso é um importante passo em direção a uma dieta saudável.
 
"Mesmo essa pequena quantidade pode ajudar a reduzir o açúcar no sangue, melhorar o colesterol, reduzir a pressão arterial e até evitar outras condições, como diabetes", afirma a médica Kimberly Gudzune, líder do estudo. Além disso, é importante lembrar que a dieta escolhida precisa ser adequada ao estilo de vida e personalidade da pessoa, pois isso influencia diretamente nos resultados.
 
Métodos
O Vigilantes do Peso faz parte da organização Weight Watchers, que surgiu nos Estados Unidos e ajuda as pessoas a perderem peso por meio de programas pagos de emagrecimento. Os participantes se inscrevem em um dos métodos disponíveis que consistem em reuniões de acompanhamento, sugestão de cardápios e receitas saudáveis com base no controle da quantidade de calorias consumidas diariamente.
 
O Jenny Craig é um método disponível apenas nos Estados Unidos no qual também é necessário se inscrever e pagar uma determinada quantia para participar. O programa pede ao participante que participe de reuniões com uma consultora para traçar uma estratégia de emagrecimento e depois escolha o cardápio, entre as opções disponíveis. Neste sistema, o participante recebe suas refeições pré-preparadas.
 
Obesidade
De acordo com um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, em 2013 50,8% dos brasileiros estavam acima do peso ideal - desses, 17,5% tinham obesidade. A pesquisa também mostrou que o excesso de peso é mais comum no sexo masculino: 54,7% dos homens estão acima do peso, contra 47,4% das mulheres. Já a taxa de obesidade é equivalente em ambos os sexos.
 
Outro estudo, o Global Burden of Disease Study 2013, concluiu que 1 entre 3 pessoas no mundo, ou 2,1 bilhões, estão acima do peso. Os Estados Unidos estão no topo do ranking, seguidos pela China, Índia, Rússia e Brasil.

Veja

Ministério da Saúde lança livro para estimular o consumo de alimentos saudáveis

Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, que este ano tem como tema a alimentação, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, lançou ontem (7/4) o livro Alimentos Regionais Brasileiros, com comidas típicas de cada região e dicas de como cozinhar com mais saúde
 
O principal objetivo é estimular a população para o consumo de uma alimentação saudável capaz de promover saúde e mais qualidade de vida, reduzindo a obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças.
 
Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014) mostram que apenas um quarto da população brasileira (24,1%) consome a quantidade de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em cinco ou mais dias da semana. Segundo a OMS, a ingestão necessária é de pelo menos 400 gramas desses alimentos diariamente. Esse consumo é ainda menor entre os homens, quando o índice é de 19,3%, e maior entre as mulheres, 28,2%.
 
Durante a cerimônia de lançamento do livro, o ministro ressaltou que, apesar dos resultados da pesquisa, a diversidade culinária e variedade de frutas e hortaliças do Brasil possibilita à população manter uma alimentação saudável. “O lançamento do Guia e Alimentos Regionais é um marco importante no compromisso do governo brasileiro para priorizar a alimentação segura e mais saudável. Além de valorizar a cultura, pelos saberes e práticas regionais”, destacou o Chioro.
 
A coordenadora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Débora Malta, aconselhou a população a seguir as recomendações do novo guia. “Prefiram sempre alimentos in natura, ou minimamente processados, e preparações culinárias a alimentos ultra processados. Os alimentos On natura, são as frutas e verduras, encontradas na natureza. Já, como exemplo dos minimamente processados, temos o arroz, que precisa ser descascado para ser consumido. Os alimentos ultraprocessados são os industrializados, como barras de cereais e macarrão instantâneo”, explicou a coordenadora.
 
Desenvolvido como complemento do Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em novembro de 2014, o Alimentos Regionais Brasileiros pretende incentivar especialmente o aumento do consumo de frutas, legumes e verduras. A publicação faz parte da premissa principal do Guia Alimentar que é a de a base da alimentação seja feita com alimentos frescos (frutas, carnes, legumes) e minimamente processados (arroz, feijão e frutas secas), além de recomendar que sejam evitados os produtos ultraprocessados (como macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes).
 
Além de orientar sobre o tipo de alimento (características e uso culinário), o Alimentos Regionais traz informações de como comer e preparar a refeição, uma lista de possíveis substituições para as preparações desenvolvidas, ressaltando a diversidade cultural brasileira. A intenção é proporcionar a população o conhecimento das mais variadas espécies de frutas, hortaliças, leguminosas, tubérculos, cereais, ervas, entre outros existentes no país.
 
Oficinas
Para a edição do livro, que revisa a versão de 2002, foram realizadas seis oficinas culinárias, uma em cada região do país e duas na região Nordeste. O foco foi o preparo de receitas culinárias contendo frutas, verduras e legumes disponíveis nos locais e pratos tradicionais da cultura alimentar dessas regiões, nas quais esses alimentos pudessem ser adicionados sem descaracterizar a comida.
 
O levantamento, realizado pela Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde em parceria coma Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituições de ensino, pesquisadores e profissionais de saúde, é direcionado às famílias e também as pessoas que trabalham com a promoção da saúde da população – profissionais de saúde, agentes comunitários, educadores, entre outros. A versão digital já está disponível no portal do Ministério da Saúde.
 
Além do consumo recomendado de frutas e hortaliças, o Vigitel traz ainda outros dados importantes sobre a alimentação dos brasileiros. O estudo mostra que 29,4% da população ainda consome carne com excesso de gordura, apesar de o índice ter apresentado queda ao longo dos anos – saindo de 32,3% em 2007. Os homens consomem duas vezes mais, com 38,4%, enquanto entre as mulheres o índice cai para 21,7%. A pesquisa apontou também que o brasileiro tem diminuído a ingestão de refrigerante. O consumo desse produto diminuiu 20% nos últimos seis anos. No entanto, mais de 20,8% da população faz uso de refrigerantes cinco vezes ou mais na semana (23,9% entre os homens e 18,2% entre as mulheres).
 
Quando se trata do alimento mais consumido pelos brasileiros, o Vigitel mostrou que o consumo regular de feijão em cinco ou mais dias na semana é de 66%. Neste item, o percentual foi maior entre os homens (73%) e menor entre as mulheres (61%). No Brasil, esse índice não tem se alterado ao longo dos anos.
 
Campanha publicitária
Além do lançamento do livro, o Ministério da Saúde apresenta também a campanha “Da Saúde se Cuida Todos os Dias”. Com foco na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), o objetivo é incentivar mudanças individuais e de comportamento, reconhecendo que a saúde não é fruto apenas da vontade própria, mas também dos contextos social, econômico, político e cultural em que estão inseridos. Ao longo do ano, oito temas serão abordados, iniciando com o Incentivo à Alimentação Saudável. Além das peças (cartaz, folder, post para redes sociais, banner de internet), também será lançando o portal www.saude.gov.br/promocaodasaude, com a versão digital do Guia Alimentar para a População Brasileira e do Guia de Alimentos Regionais Brasileiros.
 
Fonte: Gabrielle Kopko/ Agência Saúde

Porque a população, o Governo e as farmácias ganham tanto com os cuidados farmacêuticos

O sofrimento imposto às pessoas e os prejuízos aos cofres dos sistemas público e privado de saúde por problemas, como a não-adesão do paciente ao tratamento, as intoxicações e interações medicamentosas indesejáveis, as reações adversas e as hospitalizações evitáveis, poderão ter uma redução expressiva em suas estatísticas, por conta dos efeitos da Lei nº 13.021/14
 
Esta é a expectativa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), baseada em exemplos de populações que experimentaram transformações positivas em seu contexto sanitário, graças aos serviços farmacêuticos, ali, prestados.
 
A expectativa do CFF é histórica e, agora, ganha o ânimo da Lei 13.021/14. Isto, porque a norma, aprovada por unanimidade, no Senado, e fruto de um amplo entendimento entre todas as instituições farmacêuticas e as que representam os segmentos industrial e comercial do setor, muda o conceito de farmácia, no Brasil, vez que transforma as farmácias e drogarias em unidades de prestação de assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva, e assegura a atuação do farmacêutico, nesses estabelecimentos.
 
“Esta Lei obriga as farmácias particulares (comunitárias) a assumir aquilo que sempre foi de suas naturezas sanitária e social: a assistência farmacêutica e o seu compromisso com as questões de saúde. Isto estava obscurecido pelo interesse econômico”, observa o Presidente do CFF, Walter Jorge João.
 
Segundo ele, esse interesse rebaixou a farmácia à condição de mercadinho, e o medicamento foi aviltado e transformado em pura mercadoria. “Desta forma, as farmácias passaram a vender de tudo, pondo de lado os cuidados clínicos prestados pelos farmacêuticos”, assinala o dirigente do CFF para quem, seguindo este modelo “arcaico e pernicioso”, as farmácias expõem a saúde dos cidadãos a graves riscos. “A esperança, agora, é a Lei 13.021/14”, comemora.
 
Prejuízos
A hospitalização evitável é apenas uma das graves consequências dos problemas relacionados ao mau uso de medicamentos. Esses problemas poderiam ser, ao menos, minimizados, se os usuários dos medicamentos tivessem acesso à prescrição farmacêutica, nas farmácias particulares, e, ali, recebessem, ainda, a orientação sobre o uso correto desses produtos e as informações, no campo da educação em saúde, relacionadas aos cuidados em saúde, em geral.
 
Estudos divulgados no livro “Cuidados Farmacêuticos na Atenção Básica” (Caderno 1: Serviços Farmacêuticos na Atenção Básica à Saúde), publicado pelo Ministério da Saúde, revelam que, no mundo, cerca de 28% de todas as visitas ao pronto atendimento tiveram origem em problemas relacionados ao uso de medicamentos, sendo que 8,6% a 24,2% dos casos resultaram em internações e 70% dos eventos foram considerados evitáveis.
 
Impactos
O mesmo livro traz dados disponíveis no DATASUS (Departamento de Informática do SUS), revelando que, só em 2013, podem ter ocorrido, no Brasil, entre 1,2 milhão e 3,2 milhões de internações de urgência ligadas a problemas relacionados aos medicamentos. Naquele ano, houve cerca de 48 milhões de atendimentos de urgência e emergência e 11 milhões de internações de urgência a um custo médio de R$ 1.135,26 por usuário, por internação.
 
O custo total das hospitalizações por medicamentos, no Brasil, pode ficar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 3,6 bilhões. Segundo avaliação dos estudiosos, a economia de recursos poderia ser da ordem de R$ 2,5 bilhões, ao ano, somente com hospitalizações, caso 70% dos problemas evitáveis fossem impedidos de acontecer.
 
Várias iniciativas para conter essa sangria nos cofres públicos foram adotadas, mas ainda não surtiram os efeitos necessários. Diretores do CFF entendem que falta ao serviço público dirigir o foco de suas atenções para os cuidados clínicos prestados pelos farmacêuticos na atenção básica à saúde e não apenas para a gestão do medicamento. As atribuições clínicas do farmacêutico são preponderantes dentro do arsenal de recursos disponíveis para a promoção da saúde.
 
No caso das farmácias particulares, os dirigentes do Conselho Federal de Farmácia reforçam o entendimento de que os procedimentos e serviços farmacêuticos prestados, ali, repercutem sobremaneira na saúde da população, gerando resultados positivos em todo o sistema público, inclusive reduzindo os números de hospitalizações e gastos.
 
Atos, como a prescrição farmacêutica; serviços, como o acompanhamento farmacoterapêutico, e procedimentos, como a aferição da pressão e da taxa de glicose, levam pacientes a aderir melhor ao tratamento, reduzem os casos de reações adversas a medicamentos e o uso inadequado – e, muitas vezes, grave – desses produtos por automedicação.
 
Além do bem-estar dos pacientes, esses benefícios desafogam os hospitais e clínicas do próprio Governo. São ganhos permanentes e em cadeia. O CFF acrescenta, ainda, o trabalho fundamental do farmacêutico como educador em saúde, capaz de levar os cidadãos a mudarem os seus hábitos de vida. O uso inadequado de medicamentos não necessariamente resulta em hospitalizações. Mas ele pode causar efeitos devastadores na saúde dos seus usuários.
 
Agilidade
No centro dos benefícios dos cuidados farmacêuticos, estão a efetividade do tratamento e o fortalecimento da política de uso racional do medicamento. Os serviços profissionais prestados, nas farmácias particulares, estão imunes à burocracia, às filas e à marcação de consultas. Por isto, são ágeis e acessíveis. Sem contar que as farmácias têm uma capilaridade enorme, vez que há estabelecimentos em todos os bairros de grandes cidades e em qualquer vilarejo. “É só chegar à farmácia, e o paciente será muito bem atendido por farmacêuticos de boa formação clínica e conscientes dos seus papeis sanitário e social”, enfatiza Dr. Walter Jorge João.
 
Enfim, com os cuidados farmacêuticos, ganham o Governo, que passa a desembolsar menos para custear medicamentos, assistência médica e, por conseguinte, a atenção básica em saúde como um todo; a sociedade, que tem nas farmácias não apenas um ponto de venda de medicamentos, mas um estabelecimento de saúde que o CFF deseja que atue integrado ao SUS, inclusive participando das campanhas de vacinação; as próprias farmácias, que deixam de ser subutilizadas como unidades de assistência à saúde e passam também a contribuir com as questões sociais do País; os médicos, que passam a contar com um aliado no acompanhamento do uso dos medicamentos pelos seus pacientes, e os próprios os farmacêuticos que, ao desempenharem as suas atribuições de cuidadores em saúde, têm a sua autoridade técnica reforçada.
 
“A Lei 13.021/14 é muito avançada, porque acena para o fortalecimento da saúde, a partir da expansão do acesso da população à assistência farmacêutica. A Lei representa uma quitação de um débito histórico do Legislativo junto à sociedade no tocante às questões de saúde, vez que, até então, ela foi vilipendiada quanto ao seu direito de acesso aos cuidados farmacêuticos. Não se pode privar um povo do direito a esses cuidados, sob pena de comprometer a sua saúde e até levar pessoas à morte. O cumprimento da Lei vai alterar profundamente – e para melhor – o panorama da saúde brasileira”, previu o Presidente do CFF, Walter Jorge João.
 
CFF

Dívida faz mal à saúde e pode causar até depressão

Débitos em excesso podem causar ansiedade, angústia e depressão; inflação e desemprego potencializam problema
 
No dia em que o microempresário notou um zumbido insistente no ouvido a caminho do banco para tentar negociar parte de uma dívida de R$ 40 mil, decidiu procurar um médico.
 
“Achei que fosse o motor do ônibus em que estava. Desde então, o barulho não sai da minha cabeça.”
 
O empresário, que não quis ser identificado, ficou surpreso com o diagnóstico: estresse causado pelos débitos aparentemente sem solução. Casos assim são mais comuns do que se imagina e tendem a aumentar em cenário de preocupação com inflação e desemprego.
 
No ambulatório do Hospital das Clínicas, em São Paulo, a psicóloga Tatiana Filomensky, coordenadora do grupo de compradores compulsivos, afirma que, hoje, três novas pessoas procuram o consultório por semana com queixas de ansiedade, angústia e depres- são relacionadas a problemas financeiros. Nos últimos cinco anos, afirma, o número de atendimentos mais que dobrou.
 
“Quase todos os meus pacientes estão com dívidas que não conseguem pagar, e a consequência é o impacto na vida pessoal.”
 
Separação
Entre os efeitos comuns, estão brigas em casa, separações, descontrole emocional e problemas no trabalho.
 
“Com o estímulo ao consumo e a oferta de crédito dos últimos anos, o cenário se tornou propício ao endividamento, sem que houvesse uma educação financeira da população”, diz Hermano Tavares, professor do Departamento de Psiquiatria da USP.
 
O consultor financeiro Mauro Calil diz que os mecanismos de cobrança também estão mais pesados: ligações no trabalho e em casa diariamente, e-mails e mensagens no celular, além do antigo hábito dos cobradores na porta. “E parcelas de dívidas que até poderiam ser pequenas ficaram mais pesadas pela inflação e pelo desemprego.”
 
Para Hermano, da USP, as pessoas que desenvolvem problemas de saúde estão “em uma situação-limite”.
 
Desintoxicação
O consultório médico não é o único caminho para consumidores superendividados em busca de ajuda. Há grupos de ajuda no estilo do A.A. (Alcoólicos Anônimios), como o D.A. (Devedores Anônimos), nas cidades de São Paulo, do Rio, de Londrina, no Paraná, de Fortaleza, no Ceará, e de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
 
Folha de São Paulo

Prevenção é a base para evitar câncer de pele, diz dermatologista

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) calcula que, dos cerca de 580 mil novos casos de câncer estimados para este ano, no Brasil, o de pele do tipo não melanoma será o de maior incidência, com mais de 180 mil casos
 
Esse é também o tipo de câncer mais frequente em todo o mundo, disse o coordenador da Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Emerson Vasconcelos de Andrade Lima. Hoje (8) comemora-se o Dia Mundial de Combate ao Câncer.
 
Segundo o médico, “a pele está exposta ao sol, e este é o principal fator determinante do desenvolvimento do câncer de pele, principalmente do carcinoma basocelular”. Outros tipos de câncer de pele são o carcinoma espinocelular e o melanoma maligno. Para o especialista, a melhor maneira de evitar o câncer de pele é prevenir. “Prevenção é a base”. A postura recomendada é fotoprotetora. Além de usar filtros solares, é preciso evitar a exposição ao sol nos horários de maior incidência de radiação ultravioleta B e A.
 
A Sociedade Brasileira de Dermatologia sugere também medidas de fotoproteção física, que incluem o uso de bonés, chapéus e óculos de sol.
 
Segundo o dermatologista, o filtro solar é obrigatório em crianças a partir de 6 meses de idade, e deve ser reaplicado, independentemente da estação do ano e do tipo de pele. Ele descartou a crença de que pessoas mais morenas, em função da presença de melanina, estejam protegidas de ter câncer de pele. “Não é isso que se observa”, ressaltou Lima. Ele admitiu que os indivíduos mais morenos têm menor chance de se queimar ou de o bronzeamento provocar bolhas. Mesmo assim, há necessidade de uso do filtro solar, qualquer que seja a cor da pele, acrescentou.
 
O indivíduo branco tem tendência maior a desenvolver câncer de pele, porque não tem melanina – pigmento da pele funciona como barreira, reduzindo a incidência da radiação solar. Lima salientou, entretanto, que o efeito é somatório. “Independente[mente] de ser branco, moreno ou negro, você tem a chance de desenvolver câncer de pele. O passar dos anos é que vai determinar isso”. Como a taxa de longevidade é alta, atualmente, aumentam também as probabilidades de câncer de pele, “porque esse efeito é somatório”, insistiu.
 
Atividades esportivas, banhos de piscina, idas à praia ou a feiras livres, e até mesmo a ida ao trabalho, no dia a dia, ao sol, deixam a pessoa exposta à radiação ultravioleta. “E esse efeito somatório, durante anos, favorece o desencadeamento. Temos visto o aparecimento de câncer de pele mais precoce do que antigamente”, destacou.
 
O dermatologista advertiu que a camada de ozônio, em função da emissão de gases poluentes e das mudanças climáticas, está cada vez mais tênue, facilitando a incidência crescente de radiação ultravioleta nas pessoas. Como os indivíduos continuam a se expor ao sol de maneira extrema, o receio é que a taxa desse tipo de tumor continue a aumentar. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o aparecimento de pintas escuras ou manchas na pele e a presença de lesões que não cicatrizam podem ser sinal de melanoma maligno e devem levar a pessoa a procurar um especialista.
 
O carcinoma basocelular, mais comum e com relação mais estreita com a radiação ultravioleta, apresenta-se em geral sob a forma de caroços que sangram com facilidade e aparecem em áreas expostas, como a face, dorso, tórax, braços, pernas, couro cabeludo, lábios e orelhas dos homens. Essas lesões, quando identificadas, devem ser removidas o mais precocemente possível.
 
Agência Brasil