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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

México tem primeira vacina contra dengue registrada no mundo

O México aprovou ontem (9) o registro da vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur, que também está com pedido de registro no Brasil. “É a primeira vacina contra a dengue que recebeu a aprovação por uma agência reguladora em todo o mundo”, disse a diretora médica do laboratório, Lúcia Bricks

A agência reguladora mexicana indica o produto para a faixa etária entre nove e 45 anos. De acordo com o laboratório francês, o imunizante tem eficácia de 60,8% contra os quatro sorotipos da doença, taxa de redução de hospitalização de 80,3% e diminuição de 95,5% de casos graves da dengue. A imunização deverá ser feita em três doses, com intervalos de seis meses.

Segundo o laboratório, o desenvolvimento deste produto levou cerca de 20 anos e, até o final de dezembro, o pedido de registro terá sido feito em pelo menos 20 países.

Para o desenvolvimento da vacina, os testes foram feitos em pessoas entre nove meses e 60 anos, porém a agência reguladora, baseada nos estudos, decide qual vai ser a faixa etária de indicação no país. Em estudos mais recentes, a Sanofi concluiu que a eficácia do produto é maior em pessoas com mais de nove anos.

Em outubro, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação comercial da do produto no Brasil. Falta agora o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O pedido foi submetido à agência em março deste ano e não tem prazo para o resultado final do processo.

Pesquisa
Uma vacina contra a dengue está em desenvolvimento no Brasil pelo laboratório público Butantan, porém, ainda está em fase de estudo. O pedido de autorização para começar a fase três, na qual a eficácia do produto será analisada, está em avaliação pela Anvisa.

Dados do Ministério da Saúde mostram que 1,5 milhões de pessoas tiveram dengue no Brasil, em 2015, e 811 morreram em decorrência do vírus. Levantamento da pasta ainda revela que 199 municípios brasileiros estão em situação de risco de surto de dengue para o ano que vem. Se comparado o ano de 2015 ao de 2013, quando houve uma epidemia da doença pelo surgimento do sorotipo 4 do vírus, houve aumento de 7% nos registros de pessoas infectadas pela dengue.

Agência Brasil

Ministério negocia distribuição de repelente de mosquito para grávidas

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse ontem (9), na capital paulista, que está em negociação com o Exército para produção de repelente que será distribuído para mulheres grávidas

“Nós sabemos que houve grande consumo de repelente. Nós estamos em contato com o laboratório do Exército, que fabrica normalmente esses repelentes para suas tropas. Entramos em contato e vamos estabelecer uma parceria”, declarou após evento do Seminário Lide, que reuniu mais de 400 lideranças empresariais da área da saúde.

Castro informou que os repelentes serão distribuídos somente para mulheres grávidas do país, com exceção do Rio Grande do Sul, onde o vírus Zika ainda não circula. “Estamos dando atenção especial às gestantes e mulheres em período fértil. É o nosso grande foco. É drama humano, de dimensões extraordinárias, uma mulher grávida saber que foi picada por um mosquito. Ela vai entrar, seguramente, em pânico, porque sabe das consequências que isso poderá trazer para o seu filho”, declarou.

O ministro destacou também a atenção à Região Nordeste, onde estão registrados o maior número de casos de microcefalia relacionados ao vírus Zika. O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado ontem (8), mostra que são 1.761 casos suspeitos em 422 municípios brasileiros, sendo que Pernambuco permanece como o estado com o maior número de casos (804). O ministro reforçou a necessidade de as mulheres, além de usarem repelente, priorizem roupas que deixam o corpo encoberto e, se possível, coloquem tela nos apartamentos.

PMDB no Congresso
Castro disse que foi surpreendido pelo pedido de peemedebistas, que se declaram contrários ao governo Dilma Rousseff, que protocolaram um pedido na Mesa Diretora da Câmara para substituição do líder da bancada do partido, passando do deputado Leonardo Picciani (RJ) para Leonardo Quintão (MG).

O ministro explicou que é prática do PMDB eleger o líder em votação secreta para um mandato de um ano e que o de Picciani iria até fevereiro. “Parece-me que houve contaminação [pelo processo de impeachment]. A maioria do PMDB, sem ir para eleição, se antecipou e assinou um documento”, disse.

O ministro da Saúde defendeu ainda que o pedido de impeachment de Dilma Roussef não tem base jurídica e que se trata de um “processo exclusivamente político”, o qual não cabe para o regime democrático presidencialista do Brasil.

“Se a presidenta Dilma cometeu alguma pedalada em 2014, era outro mandato, não vale para 2015. E este ano não terminou ainda e ninguém sabe como as contas serão fechadas. E a meta fiscal que tinha sido estabelecida, o Congresso Nacional mudou e ela está cumprindo a meta [que foi alterada]. Eu não chegaria a dizer que seria um golpe, mas teria a condição de dizer que não tem fundamento, portanto, é uma imposição de forças políticas”, disse.

Agência Brasil

Unimed Paulistana turbinou adiantamentos milionários em meio à crise financeira

Valores saltaram de R$ 11 milhões para R$ 104 milhões entre o final de 2012 e o início deste ano; prática mascara contas, segundo especialista, e foi questionada pela agência reguladora

Adiantamentos diversos superam estoques e pagamentos antecipados a funcionários da Paulistana
Renato S. Cerqueira/Futura Press -29.9.15

Durante a crise que culminou, em outubro, com a obrigação de se desfazer de seus 740 mil clientes, e sob acompanhamento presencial de um representante do governo federal, a Unimed Paulistana turbinou os adiantamentos a fornecedores diversos. A prática, que não é ilegal em si, foi questionada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), segundo um documento obtido pelo iG, e pode ter contribuído para mascarar a real situação da operadora, que deixou na mão milhares de beneficiários e cerca de 2,5 mil médicos cooperados.

No fim de 2014 – cerca de 1 ano antes, portanto, de de ser reconhecida como financeiramente inviável pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – a Paulistana declarou ter R$ 87 milhões em adiantamentos diversos, um aumento de 680% ante os R$ 11 milhões declarados no final de 2012 – ano a partir do qual os adiantamentos diversos passaram a ser declarados exatamente da mesma forma nas demonstrações contábeis divulgadas pela ANS.

Na contabilidade, tais adiantamentos servem para abarcar pagamentos feitos por uma companhia por bens ou serviços a receber e que não cabem em outras linhas, como estoques ou antecipações a trabalhadores. Ao atingir R$ 87 milhões no final de 2014, os adiantamentos diversos da Paulistana não só destoaram em muito desses itens – os estoques, à época, somavam R$ 5,5 milhões, e os adiantamentos a funcionários, R$ 1,2 milhão – como superaram os R$ 51,4 milhões de patrimônio imobilizado da operadora, o que inclui os hospitais e equipamentos usados no atendimento ao público.

Parte do aumento decorreu da assinatura de um contrato de gestão de um hospital em Bragança Paulista, cidade do interior paulista, firmado em 2013, quando 86% dos clientes da Paulistana estavam na Região Metropolitana de São Paulo. Pelo negócio, a Paulistana contabilizou como adiantamentos R$ 18 milhões.

Procurada, a Paulistana não comentou os dados e a ANS atribuiu a responsabilidade ao gestores. O advogado do presidente da operadora até o primeiro trimestre deste ano alega que todos os adiantamentos foram legais, transparentes e serviram como alternativa ao aumento dos juros cobrados pelos bancos.

Antecipações a fornecedores da Unimed Paulistana disparam em meio à crise e superam o patrimônio imobilizado da operadora
100,000,00090,000,00080,000,00070,000,00060,000,00050,000,00040,000,00030,000,00020,000,00010,000,00004º tri 124º tri 134º tri 141º tri 152º tri 15
Laranja - adiantamentos diversos

Amarelo - estoque

Laranja Escuro - ativos imobilizados, (imóveis, etc)
Fonte ANS, elaboração da reportagem

iG

Anvisa publica primeira carta de aprovação de medicamentos específicos

A Anvisa publicou a primeira carta de aprovação de registro de medicamentos específicos com o objetivo de dar publicidade e promover a transparência do processo de registro de medicamentos

A Agência já havia iniciado a publicação das bases técnicas e científicas de registro das categorias de medicamentos novos, biológicos, genéricos e similares, e, a partir de agora, amplia para a classe de medicamentos específicos.

A publicação das bases técnicas e científicas de registro de medicamentos está alinhada com as diretrizes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e de outras autoridades reguladoras internacionais. A medida também faz parte das ações de transparência que tem sido adotadas pela Anvisa na área de registros de medicamentos.

O primeiro medicamento específico a ter a carta de aprovação publicada foi o CPHD AC, da empresa Salbego Laboratório Farmacêutico Ltda, indicado para o tratamento da insuficiência renal crônica e aguda, além de tratar a disfunção renal. É administrado em máquinas de hemodiálise e filtro hemodialisador, em ambientes hospitalares.



ANVISA

Pesquisa: 77% dos enfermeiros de SP já sofreram violência

Outro estudo aponta também que 17% dos médicos sofreram algum ataque. Pacientes, familiares e colegas promovem agressões físicas e psicológicas

Mais de três em cada quatro profissionais de enfermagem do estado de São Paulo relatam já ter sofrido algum tipo de violência durante o trabalho, segundo uma sondagem realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP). O levantamento aponta que 77% dos 4.293 profissionais ouvidos foram vítimas de agressões físicas ou psicológicas.

Já entre os médicos do estado, 17% afirmam ter sido vítima de violência, de acordo com uma pesquisa do Datafolha encomendada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) que ouviu 617 médicos.

Os conselhos de regionais de enfermagem e de medicina de São Paulo divulgaram os dados dos levantamentos nesta quarta-feira (9).

Profissionais de enfermagem
A violência psicológica foi a mais citada pelos profissionais de enfermagem (área que inclui enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem). Dos que afirmam ter sido vítimas de violência, 81,54% mencionaram a agressão psicológica, 23,77% a violência física e 10,68% o assédio sexual. Os entrevistados podiam indicar mais de um tipo de agressão sofrida.
Os pacientes são os principais agressores: 53,54% disseram ser vítimas de pacientes, 46,49% citam os familiares de pacientes, 40,22% citam a chefia e 25,16% os colegas de trabalho.

Muitos não denunciam as agressões à polícia (87,51%) e a percepção geral é a de que as denúncias não são bem-sucedidas (95,32% têm essa opinião).

Médicos
Dentro da parcela de 17% dos médicos que contam já ter sido agredidos, 84% citam agressão verbal, 80% agressão psicológica e 20% agressão física. O grupo que mais frequentemente comete essas agressões são os pacientes, segundo os profissionais entrevistados, seguidos de familiares e acompanhantes. Ao todo, 60% dos casos de violência ocorrem durante a consulta.

A percepção dos profissionais é que esses episódios ocorrem com mais frequência no Sistema Único de Saúde (SUS): 85% têm essa opinião.

Os médicos relatam que 39% dos casos de violência decorrem do comportamento do paciente, muitas vezes insatisfeitos com a qualidade do atendimento na saúde pública. Há casos também de pacientes que exigem exames, procedimentos e atestados. Segundo os próprios médicos, apenas 5% dos casos de violência decorrem do comportamento dos médicos, quando eles não atendem como deveriam ou erram o diagnóstico.

População
Além de entrevistar os médicos, o Datafolha também fez 807 entrevistas com a população geral sobre a violência contra os médicos. Segundo as pessoas ouvidas, 41% credita os episódios de violência contra médicos a questões relativas ao atendimento: demora para ser atendido, poucos médicos para atender muitas pessoas, consultas rápidas e superficiais. 19% citam a postura dos médicos como causa para as agressões: médicos que são insensíveis, fazem pouco caso ou "não olham na cara" dos pacientes.

G1