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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Médica morre enquanto atendia paciente depois de trabalhar 18 horas seguidas

Excesso de trabalho pode provocar problemas cardiovasculares, derrames ou infartos, além de depressão
Excesso de trabalho pode provocar problemas cardiovasculares,
derrames ou infartos, além de depressão
Após derrame, exames constataram que chinesa morreu por hemorragia subaracnóidea, causada pela ruptura de um aneurisma no cérebro

A expressão “morrer de tanto trabalhar” pode ser usada com exagero para descrever algumas situações, mas, infelizmente, é possível que uma pessoa vá a óbito por ter seguido uma jornada de trabalho de longas e exaustivas horas seguidas.

Em algumas profissões, encarar várias horas de trabalho é mais comum, como no caso de jornalistas, pilotos de avião, bombeiros e profissionais da área da saúde. Um exemplo é o caso que aconteceu na cidade de Jinzhong, na China. A vítima foi Zhao Bianxiang, 43, vice-chefe de medicina respiratória no Hospital do Povo Yuci District. A mulher era especialista em doenças respiratórias, e teve um derrame às 12h do dia 29 de dezembro, quando estava de plantão, enquanto atendia um paciente.

A causa da morte foi reconhecida como hemorragia subaracnóidea, um sangramento no espaço entre o cérebro e o tecido que cobre o cérebro, causada pela ruptura de um aneurisma no cérebro, conforme informou a instituição.

De acordo com os relatos da equipe do hospital, o turno de Zhao no hospital teve início às 18h da noite anterior (28), totalizando 18 horas de trabalho sem descanso. Os colegas da médica a descreveram como uma mulher movida à "adrenalina", que sempre colocou sua profissão antes de qualquer outra coisa.

Horas antes do colapso, a especialista teria admitido a seus companheiros de trabalho que questionaram o fato de ela estar há muito tempo trabalhando sem parar porque estava "muito ocupada" para fazer uma pausa.

Mesmo depois dos esforços de resgate para recuperar a vida da médica, ela foi oficialmente declarada morta às 7:16 da manhã do dia 30 de dezembro.

Perigos para a saúde
Muitos casos de problemas cardiovasculares, como derrames ou infartos, são associados a excesso de trabalho. Além disso, as longas horas dedicadas ao ofício também podem desencadear depressão, que leva ao suicídio em muitos casos.

No Japão, a situação é conhecida e tida como um problema pelo Departamento de Inspeção de Condições de Trabalho Mita, de Tóquio. Em um país onde os casos de mortes por trabalhar demais são comuns, foi criado até uma palavra que representa essa situação: “karoshi”.

Um estudo realizado com 10 mil empresas e divulgado em outubro de 2016 pelo governo japonês, constatou que 20% das companhias reconheceram ter funcionários trabalhando ao menos 80 horas extras em um mês. O relatório ainda reconheceu 93 casos de excesso de trabalho que contribuíram para suicídios ou tentativas de suicídios em 2015, e 96 casos em que estava ligado a mortes por ataques cardíacos, derrames e outras doenças.

iG

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Planos de saúde passam a cobrir 18 novos procedimentos a partir desta terça-feira

ANS inclui 18 novos procedimentos disponíveis em planos de saúde (Foto: valelopardo/Pixabay)Lista inclui medicamentos orais contra o câncer e um remédio para tratamento de esclerose múltipla

A lista com 18 novos procedimentos que os planos de saúde serão obrigados a cobrir, aprovada em novembro do ano passado, passa a valer a partir desta terça-feira (2). São exames, terapias e cirurgias (veja quais são no fim da reportagem).

Também será ampliada a cobertura para outros sete procedimentos, incluindo medicamentos orais contra o câncer e um remédio para tratamento de esclerose múltipla, algo inédito no Rol de Procedimentos, segundo a ANS.

A nova cobertura atenderá 42,5 milhões de beneficiários que possuem planos de assistência médica e 22,6 milhões que têm planos odontológicos, de acordo com a ANS.

A multa prevista para as operadoras que não cumprirem a cobertura obrigatória é de R$ 80 mil por infração cometida.

A cobertura faz parte do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, obrigatório para todos os planos de saúde novos, ou seja, aqueles que foram contratados a partir de janeiro de 1999 ou que foram adaptados à nova legislação (Lei nº 9.656/98). A lista é atualizada a cada dois anos.

A atualização do Rol de Procedimentos foi feita após discussão pelo Comitê Permanente de Regulação da Atenção à Saúde (Cosaúde), composto por representantes do governo, do setor de saúde suplementar e de órgãos de defesa do consumidor.

Passada essa etapa, o tema passou por consulta pública para manifestação da sociedade. A Consulta Pública nº 61 ficou disponível entre 27 de junho e 26 de julho de 2017 e recebeu 5.259 contribuições online – 53% de consumidores, 26% de contribuintes que se identificaram como "outros", 13% de prestadores de serviço, 4% de servidores públicos, 3% de operadoras de planos de saúde e 1% de gestores.

Confira os principais procedimentos incorporados à lista:

Câncer
  • 8 medicamentos orais para tratamento de cânceres – pulmão, melanoma, próstata, tumores neuroendócrinos, mielofibrose e leucemia (afatinibe, crizotinibe, dabrafenibe, enzalutamida, everolimo, ruxolitinibe, ibrutinibe e tramatinibe);
  • Tomografia Computadorizada por Emissão de Pósitrons (PET-CT) para diagnóstico de tumores neuroendócrinos.
Esclerose múltipla
  • Medicamento imunobiológico (natalizumabe).
Olhos
  • Quimioterapia com antiangiogênico e tomografia de coerência ótica para tratamento do edema macular secundário, retinopatia diabética, oclusão de veia central da retina e oclusão de ramo de veia central da retina;
  • Radiação para tratamento de ceratocone.
Mulheres
  • Cirurgia laparoscópica para tratamento de câncer de ovário (debulking);
  • Cirurgia laparoscópica para restaurar o suporte pélvico (prolapso de cúpula vaginal);
  • Cirurgia laparoscópica para desobstrução das tubas uterinas;
  • Cirurgia laparoscópica para restaurar a permeabilidade das tubas uterinas.
  • Pesquisa em líquido amniótico por PCR: exame laboratorial para o diagnóstico da toxoplasmose gestacional.
Crianças
  • Endoscopia para tratamento do refluxo vesicoureteral, doença relacionada a infecções urinárias; Terapia imunoprofilática contra vírus sincicial respiratório (palivizumabe).

Como denunciar uma operadora que não cumpre as mudanças?
O consumidor precisa entrar em contato com a ANS.

Seguem os canais:
Atendimento telefônico: 0800 701 9656, disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, exceto feriados;


Atendimento presencial: segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30, exceto feriados, em 12 cidades localizadas nas cinco regiões do Brasil.

G1

5 métodos e substâncias surpreendentes usados no passado para aliviar a dor

Ter à disposição um comprimido para aliviar a dor é algo bastante moderno

No entanto, a dor tem sido parte da existência humana ao longo de nossa história. Nos séculos passados, era preciso apelar para substâncias como éter, animais como peixes elétricos e até procedimentos como um enema com fumaça de tabaco. Confira alguns destes métodos.

1. Éter – O composto conhecido como éter, ou éter etílico, já era usado muitos séculos antes da sua eficácia como anestésico ser conhecida. Os seus principais usos medicinais eram o tratamento de infecções pulmonares e do escorbuto – embora o composto também fosse usado como uma droga recreativa.Foi precisamente esse uso que levou à sua descoberta como analgésico.

Um médico chamado Crawford Long percebeu que seus amigos, quando se entorpeciam com éter, paravam de sentir dor quando feridos ou agredidos. Ele começou a explorar as possibilidades do uso do éter durante intervenções médicas. A substância passou a ser usada como anestésico em 1842. Embora seja relativamente seguro, o éter pode causar náuseas e vômitos – e por isso deixou de ser usado a partir do início do século 20. O éter é também inflamável, outra característica que contribuiu para o fim do seu uso. Por tudo isso, ele foi substituído pelo clorofórmio, que também tem a vantagem de ter uma ação muito mais rápida.

2. Cascas de salgueiro – As cascas de salgueiro foram usadas na Mesopotâmia a partir do ano 4.000 a.C. e na China e na Europa a partir de 400 a.C. Ela era mastigada para tratar da febre e de inflamações. Hoje, ela está comercialmente disponível em cápsulas, em pó ou em estado bruto. Acredita-se que funcione para combater dores de cabeça, dores causadas por artrite óssea e dores na região lombar.Seu ingrediente ativo é o mesmo da aspirina, cujo princípio químico é o ácido acetilsalicílico e tem em sua origem a salicina, presente na casca da árvore. A salicina funciona quando combinada com outros compostos presentes na casca: flavonóides e polifenóis.

Alguns estudos sugerem que esta mistura pode ser tão efetiva quanto a aspirina no alívio da dor e de inflamações, e em doses muito menores. Seus efeitos colaterais são geralmente suaves e acredita-se que seu efeito negativo no sistema gastrointestinal possa ser menor que o anti-inflamatório ibuprofeno, por exemplo. No entanto, está documentada também a possibilidade desta mistura, usada durante uma infecção viral, causar a Síndrome de Reye, uma doença rara que pode levar a danos no cérebro e no fígado, assim como a aspirina.

3. Esponja soporífera – A esponja soporífica, usada na Europa entre os séculos 11 e 17, foi a antecessora dos anestésicos atuais. Seu uso consistia em molhar uma esponja do mar em uma mistura de extratos de plantas e depois secá-la ao sol. Em seguida, a esponja era mergulhada em água quente e colocada sob o nariz do paciente antes da cirurgia. Para acordá-lo após a operação, a esponja era mergulhada em vinagre quente. A receita original dizia que a mistura de extratos de plantas deveria incluir ópio, mandrágora, cicuta e meimendro (uma planta conhecida por seu efeito narcótico).

Embora ao longo dos séculos outros ingredientes tenham sido acrescentados para tentar aumentar o efeito sedativo, estes quatro ingredientes originais sempre foram mantidos. Há relatos de médicos escritos ao longo dos séculos sobre seus resultados, e hoje sabemos que os quatro ingredientes de fato tinham efeitos sedativos e paralisantes. Por isso, eles podem ser considerados eficazes. Ao longo do tempo, no entanto, a solução perdeu popularidade.

4. Enema com fumo de tabaco – No final dos anos 1700, pensava-se que para ressuscitar as pessoas que se afogavam, elas precisavam ter o corpo aquecido e a respiração estimulada.Na Inglaterra, médicos adaptaram um método usado pelos nativos americanos para tratar da constipação em cavalos: a inserção de fumo de tabaco no reto. Naquela época, o tabaco havia acabado de chegar ao país e acreditava-se que o fumo curava a constipação, a dor do estômago, secava o corpo internamente e proporcionava estímulos.

No início, utilizava-se um cachimbo, até que foram percebidos os riscos causados pela inalação de chumbo – levando à criação de um conjunto de equipamentos, como tubos mais longos. Pessoas que ofereciam tratamentos com enema de tabaco começaram a se instalar nas margens do rio Tâmisa, em Londres. O procedimento passou a ser usado até para tratar dores de cabeça. Por vola de 1811, cientistas descobriram os efeitos negativos da nicotina e de outras substâncias contidas no tabaco no organismo humano, e a prática foi abandonada.


5. Peixe elétrico – No Egito Antigo, um método para curar dores nas articulações ou dores de cabeça consistia no uso da estimulação nervosa fornecida pelos peixes elétricos. Isto era feito da seguinte maneira: ou a parte do corpo dolorida era posicionada em uma tigela ao lado do animal, ou o peixe era diretamente colocado em contato com o paciente.

Ele tem alguma semelhança com um método atual conhecido como eletroestimulação percutânea – em que eletrodos ou agulhas finas são usados na pele para emitir pequenos impulsos elétricos. No entanto, existem controvérsias sobre a eficácia da estimulação elétrica como método para aplacar alguns tipos de dor.

BBC Brasil

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Os problemas de saúde causados pelo trabalho noturno

Tracey Loscar, uma paramédica do Alasca, trabalha em turnos de 24 horas. E faz quatro plantões por semana há 17 anos. “A gente brinca que, no primeiro dia, você está pronto para dominar o mundo. E lá pelo quarto dia, você está prestes a botar fogo em tudo”, conta

Em todo o mundo, milhões de pessoas trabalham à noite. Há poucos dados oficiais, mas de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, estima-se que de 7% a 15% da força de trabalho em países industrializados esteja envolvida de alguma forma com trabalhos noturnos. E, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o trabalho noturno é uma das prováveis causas de câncer, devido à ruptura do ritmo circadiano – período de aproximadamente 24 horas em que se baseia o ciclo biológico.

A origem
E como será que começou esse hábito de virar a noite trabalhando? “Desde que (Thomas) Edison produziu a primeira lâmpada comercial barata, fomos capazes de virar a noite a um custo baixo, e o sono foi a primeira vítima”, explica Russell Foster, professor da Universidade de Oxford, no Reino Unido, especialista em sono. “A grande questão é que temos esse relógio biológico interno que é ajustado pelo mundo externo como resultado da exposição ao ciclo claridade / escuridão”, acrescenta. 

Segundo ele, os trabalhadores noturnos são expostos a níveis reduzidos de luz durante o turno da noite, mas como se deparam com a intensa claridade natural da manhã na jornada de volta para casa, o relógio biológico interno fica travado no padrão de claro/escuro dos trabalhadores diurnos. “Então, você passa constantemente por cima do impulso biológico que diz que você deveria estar dormindo”. E não importa se você estiver trabalhando em turnos noturnos regularmente, acrescenta Foster. A menos que você consiga se esconder completamente da claridade, após terminar de trabalhar e o sol começar a raiar.

Efeitos no organismo
Mas que tipo de efeitos o trabalho noturno pode ter no organismo? Foster explica que a ato de passar por cima do relógio biológico faz com que você ative seu “eixo de estresse”, que é como o corpo reage em uma situação de luta ou fuga. “Estamos esguichando glicose na circulação, estamos aumentando a pressão arterial, estamos gerando alerta para lidar com ameaças potenciais e, claro, não deveria ser o caso, estamos apenas trabalhando”, afirma o especialista. Ele alerta que níveis continuados de estresse podem levar a doenças cardiovasculares ou distúrbios metabólicos, como diabetes tipo 2.

O estresse também pode suprimir o sistema imunológico, o que pode ser a origem de uma incidência maior de câncer colorretal e de mama. Esses são os possíveis resultados em longo prazo, mas a privação de sono também tem consequências mais imediatas. O efeito mais evidente é o cansaço. A dificuldade de assimilar informações corretamente, os lapsos em captar sinais sociais e a perda de empatia são alguns sintomas.

Ações trabalhistas
Segundo Foster, as empresas cujos funcionários trabalham no turno da noite podem se preparar para ações judiciais no futuro, se não mostrarem que estão tomando medidas razoáveis para tentar mitigar os problemas associados ao trabalho noturno. Além de instituir exames de saúde periódicos para os funcionários, Foster afirma que “uma medida simples seria (fornecer) a alimentação adequada”. “Sabendo que você tem o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e problemas metabólicos, como diabetes, eles devem disponibilizar uma alimentação apropriada para os trabalhadores do turno da noite”, completa.

Como qualquer pessoa que já trabalhou à noite sabe, não é fácil ter acesso a alimentos saudáveis. E, curiosamente, pesquisas mostram que o consumo de carboidratos pode aumentar de 35% a 40% após apenas quatro ou cinco dias de sono reduzido, devido à elevação do nível de grelina, hormônio responsável por estimular o apetite. Ele faz com que a gente sinta fome, incentivando o consumo de açúcar e carboidrato. “Em última análise, isso não é bom para obesidade ou algumas condições, como diabetes tipo 2”, ressalta.

Perdas econômicas
Além de apresentar riscos para a saúde, a privação de sono também tem um custo para a economia. “No Reino Unido, descobrimos que a falta de sono custa à economia até US$ 40 bilhões por ano, o que representa cerca de 1,8% do PIB do Reino Unido – é uma mistura de perda de produtividade e efeitos na mortalidade”, analisa Marco Hafner, economista da instituição de pesquisa Rand Europe. E os governos, estão tomando providências no que se refere a estabelecer políticas públicas?

Hafner diz que as iniciativas ainda são incipientes. “Nós sabemos que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês, nos EUA) está olhando para isso e, na verdade, já considera a falta de sono uma epidemia de saúde pública. Então há uma conscientização crescente sobre a falta de sono ser um problema de saúde pública”, pondera.

Há benefícios?
Diante de tantas evidências sobre os riscos para a saúde, por que as pessoas insistem em trabalhar à noite? Muita gente não tem escolha. Mas a paramédica Tracey Loscar menciona algumas vantagens: “A escala que temos hoje funciona muito bem para minha família… Eu tenho duas semanas de folga todo mês. Trabalho uma semana longa, mas depois tenho sete dias de folga consecutivos, e são sete dias consecutivos com meus filhos e em que consigo fazer planos.”

Ela diz, no entanto, que procura se cuidar: “Sou muito disciplinada com meu horário de sono, com atividade física e alimentação, cancelo compromissos para me recuperar e me certificar que eu consiga mitigar (os efeitos) ao máximo”. Segundo Loscar, o trabalho noturno pode satisfazer determinados tipos de personalidade: “Eu diria que o tipo de pessoa que prefere ou faz exclusivamente turnos noturnos é um pouco mais introvertida por natureza.”

“Há menos exposição ao público, então você tende a encontrar pessoas que preferem trabalhar à noite porque gostam mais de ficar sozinhas para fazer seu trabalho”, acrescenta. Mas será que 17 anos de trabalho noturno não tiveram nenhum efeito na saúde física ou mental dela? “Eu certamente passei grande parte desse tempo cansada!”, responde, rindo.

R7

Quantidade de proteínas ingeridas pode ser crucial em câncer colorretal

A quantidade de proteínas ingeridas na dieta pode ser um fator importante para prevenir o câncer colorretal em certos grupos de risco, diz um estudo do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO, na sigla em espanhol) da Espanha


A medicina já tinha conhecimento de que fatores como a dieta e a inflamação intestinal têm papel importante no desenvolvimento dessa doença, mas os vínculos diretos entre nutrientes, inflamação e câncer colorretal ainda não foram comprovados.

O trabalho do CNIO, publicado nesta quinta-feira na revista “Cell Metabolism”, explica que as pessoas que já sofrem com a doença inflamatória intestinal poderiam se beneficiar de uma dieta rica em proteínas. Por outro lado, uma dieta baixa em proteínas poderia ser o mais adequado para quem têm predisposição genética para o câncer de cólon. Além disso, o trabalho revela porque um determinado tipo de medicamento utilizado contra o câncer colorretal (os inibidores do complexo de proteínas mTORC1) praticamente não tem efetividade em alguns pacientes, uma descoberta que “abre caminho para otimizar e personalizar os tratamentos”, afirmaram os pesquisadores em sua publicação.

Mais de 75% dos casos de câncer colorretal são atribuídos a causas ambientais, pois não estão associados a fatores genéticos. Tudo indica que hábitos como uma alimentação inadequada, a falta de exercícios físicos e o tabagismo podem afetar o sistema digestivo e levar a doenças inflamatórias, como a doença de Crohn e a colite ulcerosa, que frequentemente evoluem para o câncer colorretal. No entanto, os mecanismos precisos que vinculam a dieta, a inflamação e o câncer colorretal não são muito bem conhecidos.

Para estudá-los, Nabil Djouder, chefe do Grupo de Fatores de Crescimento, Nutrientes e Câncer do CNIO, se concentrou em mTORC1, um complexo de proteínas que funciona como sensor de nutrientes. O estudo foi realizado em ratos modificados geneticamente e os resultados foram confirmados com amostras humanas de inflamação intestinal (causadas pela doença de Crohn e a colite ulcerosa) e câncer colorretal.

Alguns tratamentos contra o câncer de cólon agem sobre mTORC1 inibindo sua atividade, mas nas experiências clínicas é possível observar que os inibidores de mTORC1 são praticamente ineficientes em determinados pacientes. O trabalho de Djouder mostra que inibir mTORC1 pode ser mais benéfico nos cânceres colorretais que têm base genética importante, especialmente nos pacientes que têm uma mutação no gene APC, que representam menos de 5% de todos os casos.

Quanto aos outros tipos de câncer colorretal, que são maioria e que se desenvolvem em pessoas com inflamação intestinal e sem origem genética, a estratégia de prevenção passa por promover a atividade de mTORC1, segundo o estudo. Os cientistas descobriram que se mTORC1 for inibido nos ratos com doença inflamatória, o câncer avança.

Em seguida os especialistas concluíram que se o câncer colorretal se deve a mutações no gene APC é melhor inibir mTORC1, e se estiver associado à inflamação intestinal esta proteína deve ser ativada, o que se consegue através da alimentação. Os investigadores afirmam que uma dieta rica em proteínas, por exemplo, utilizando suplementos de proteína de soro de leite, promove a atividade de mTORC1 e pode reduzir a formação de tumores em ratos com inflamação gastrointestinal crônica.

Por outro lado, “uma dieta baixa em proteínas pode ser uma opção para prevenir o câncer colorretal em pacientes com uma predisposição genética, por exemplo, aqueles que apresentam mutações no APC, enquanto que uma dieta rica em proteínas poderia proteger os pacientes com doença inflamatória intestinal”, segundo os autores. “Os nossos resultados podem ter implicações importantes para o uso clínico dos inibidores de mTORC1, bem como para abrir novos caminhos para otimizar e personalizar os tratamentos contra o câncer colorretal”, concluíram os especialistas do CNIO.

UOL