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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nova terapia contra lúpus tem bons resultados em testes

Um novo tratamento contra o lúpus, doença autoimune que pode ser fatal, apresentou resultados promissores nos primeiros testes clínicos feitos em pacientes europeus, disseram nesta terça-feira cientistas reunidos em uma conferência nos Estados Unidos.

O novo tratamento contra este mal, no qual o sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis, neutraliza uma proteína chamada interferon alfa, encontrada em quantidades maiores nos pacientes com lúpus e que pode levar a uma inflamação crônica e à autoimunidade.

O novo tratamento, similar a uma vacina, é desenvolvida pela empresa de biotecnologia Neovacs, com sede na França.

As injeções desta imunoterapia chamada Kinoid demonstraram ser seguras em testes de fase I/II em um pequeno número de pacientes europeus, que desenvolveram anticorpos contra o interferon alfa, anunciou a Neovacs em reunião científica do Colégio Americano de Reumatologia (ACR, na sigla em inglês), em Chicago.

"A injeção de Kinoid produz uma reação do sistema imunológico, o que resulta na produção de vários anticorpos que neutralizam o interferon alfa", disse o presidente executivo da Neovacs, Guy-Charles Fanneau de La Horie.

"O que estamos propondo é um tratamento muito simples e fácil de seguir por parte do paciente", declarou em entrevista por telefone antes da apresentação formal dos resultados em Chicago.

O tratamento consiste em um trio de injeções no primeiro mês, seguido de uma injeção de três a quatro meses depois.

Após um pequeno teste aleatório, há mais testes clínicos previstos e estudos de fase IIb poderão começar em meados do próximo ano, disse Piers Whitehead, vice-presidente de desenvolvimento corporativo da Neovacs.

"Acreditamos que uma vantagem chave do nosso enfoque é que sabemos que podemos neutralizar os 13 subtipos (de interferon alfa) com o nosso produto", disse.

Os cientistas também conseguiram ver as mudanças no perfil de expressão genética em alguns pacientes com excesso de interferon, um sinal promissor de que o tratamento está funcionando, apesar de ser cedo demais para chamá-lo de cura.

Em março, a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA)aprovou o primeiro fármaco para tratar o lúpus em 56 anos.

O Benlysta, desenvolvido pelo americano Human Genome Sciences e o britânico GlaxoSmithKline, aponta para uma proteína diferente do Kinoid, da Neovacs.

É um tratamento intravenoso, um anticorpo monoclonal, o primeiro lançado no mercado americano desde o Plaquenil, em 1955. A aspirina foi aprovada para tratar o lúpus em 1948.

O lúpus causa úlceras, fadiga, inchaço, dores no peito e problemas de coagulação, afeta mulheres em idade fértil com mais frequência do que os homens, e é particularmente comum nas negras.

Cinco milhões de pessoas em todo o mundo têm lúpus, que geralmente se manifesta entre os 15 e os 44 anos. Suas origens são incertas e não há cura conhecida.

Fonte Folhaonline

Magic Johnson diz que ajudou a salvar vidas ao anunciar HIV

Completou ontem 20 anos o anúncio feito pelo então jogador de basquete americano Magic Johnson de que estava infectado com o vírus HIV. Johnson tinha 32 anos.

Em uma entrevista recente ao jornal francês "L'Équipe", ele disse que trabalhar é a única coisa que ama na vida.

Fred Prouser/Reuters
Magic Johnson, 52, anunciou que estava contaminado com Aids há 20 anos
Magic Johnson, 52, anunciou que estava contaminado com Aids há 20 anos


Ao recordar o anúncio que fez 20 anos atrás, o ex-jogador afirmou que aquele foi um momento difícil mas também "magnífico", porque lhe deu a oportunidade de educar as pessoas a respeito do vírus e da doença.

Johnson disse acreditar que ajudou a salvar vidas.

Na época, ele afirmou que esperava viver muito tempo, um desejo que vem se cumprindo e ajudando a inspirar milhares de pessoas. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva, na qual o jogador afirmou que o vírus era mais um desafio em sua vida. "A vida continua e voltarei a ser um homem feliz", disse, na ocasião. Ganhador de cinco títulos da NBA e nomeado três vezes como o melhor jogador do campeonato, Earvin "Magic" Jonhson deixou o basquete naquele mesmo ano.

Ele ainda retomou a carreira em 1992, quando participou da Olimpíada de Barcelona, mas logo voltou a se retirar das quadras. Em 1991, Johnson decidiu tornar sua infecção pública para desmistificar a doença, um tabu na época. No mesmo ano, criou a Magic Johnson Foundation, uma ONG que dá apoio a pacientes com Aids.

O jogador também foi nomeado membro da Comissão Nacional contra a Aids dos EUA, e a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que Johnson era um exemplo para que os infectados com o HIV soubessem que poderiam ter uma vida normal. A princípio, o jogador não disse como havia contraído o vírus, mas depois afirmou que o contágio se deu por causa de sua "promiscuidade sexual".

"Às vezes as pessoas não dão importância a notícias como essa e pensam que nunca vai acontecer com eles. Acreditam que isso só ocorre com homossexuais", disse, na época. "Pode acontecer com qualquer um. Todos devem tomar cuidado." Entre 1993 e 1995 o ex-jogador viajou pelo mundo fazendo palestras para jovens sobre a Aids.

Em 1996, voltou a jogar com seu time, Los Angeles Lakers, mas três meses depois anunciou sua aposentadoria definitiva. Hoje, Johnson é um empresário, dono de mais de 125 cafés, uma dúzia de cinemas, uma rede de restaurantes e academias de ginástica nos Estados Unidos.

Fonte Folhaonline

Luz aplicada durante exercício físico reduz celulite

Um aparelho desenvolvido por pesquisadores da USP e da Universidade Federal de São Carlos usa radiação infravermelha para turbinar os benefícios dos exercícios físicos à saúde. E com um efeito que deve interessar às mulheres: menos celulite.

A invenção consiste de duas placas contendo vários arranjos de LED (pequenas luzes). Elas são instaladas em uma esteira comum de academia, uma de cada lado, mais ou menos à altura dos glúteos.
Arte

Embora não seja perceptível a olho nu, essa radiação é absorvida pela pele e inicia uma série de reações químicas no organismo.

A radiação infravermelha acelera o transporte de elétrons na mitocôndria (uma estrutura que fica dentro das células) e a síntese de ATP, molécula que é uma espécie de combustível que dá energia ao organismo.

O uso de ATP, no entanto, gera um subproduto indesejado: os ácidos lácticos, que dão sensação de dor. O infravermelho diminui o acúmulo dessa substância e, por isso, tem uma ação anti-inflamatória e analgésica no organismo.

"A pessoa consegue se exercitar com mais qualidade", diz Fernanda Rossi Paolillo, doutora em bioquímica e uma das criadoras da técnica. O infravermelho ajuda ainda na regeneração de tecidos, como pele, músculos, ossos e nervos.

"Esse uso já é conhecido. Mas, em geral, o infravermelho é sempre usado em repouso. Como em clínicas de estética, por exemplo. Nosso diferencial foi aplicá-lo durante o exercício. O infravermelho associado ao movimento teve muito mais efeito", completa Paolillo.

RESULTADOS
O estudo, feito durante um ano com voluntárias pós-menopausa, indicou que as mulheres que se exercitaram com o aparelho tiveram melhora significativa.

As mulheres faziam duas sessões de exercícios por semana, cada uma com 45 minutos de duração. Além de terem menor perda de massa óssea --um dos efeitos da menopausa--, elas também tiveram redução do colesterol ruim até 20% maior do que as mulheres no grupo-controle.

O exercício "turbinado" com o infravermelho também acelerou o fluxo de oxigênio e de sangue, melhorando um problema que é mais estético do que de saúde: a celulite.

O infravermelho combinado ao exercício diminui a retenção de líquido e melhora a circulação na região das pernas e do bumbum, ajudando, e muito, a reduzir os furinhos. Os melhores resultados foram nos casos de celulite mais visível.

Para Roberto Mattos, coordenador do departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a técnica, apesar de correta na teoria, ainda precisa ser comprovada por estudos maiores.

"Diferentes aparelhos que emitem luz têm boa influência sobre a celulite. O exercício por si só ajuda. Então, em conjunto, há boas chances de que a dupla funcione bem."

Fonte Folhaonline

Projeto de lei acende debate sobre direito animal

Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo quer proibir o uso e o sacrifício de animais em cultos religiosos no Estado.

Mesmo longe de ser votado, o projeto mobilizou religiosos e protecionistas. O debate contrapõe tradição cultural e direito animal e mostra furos na atual legislação.

Para o deputado Feliciano Filho (PV), o autor, ele não propõe nada além do que a lei prevê. "Só fixei multa para quem praticar o sacrifício, que já é proibido."

Ele se refere à Constituição e à Lei de Crimes Ambientais. Uma garante que os animais não sofram crueldade. Na outra, maus-tratos é crime. "Matar sem anestesiar é maus-tratos", argumenta.

Mas a Carta também garante liberdade de culto. O que viria primeiro?

"É um conflito. A legislação encampa valores da liberdade religiosa e do ambiente. Os dois lados podem ter razão", diz Daniel Lourenço, especialista em direito animal.

No Sul, uma lei de 2003 permite sacrifício de bichos em rituais de matriz africana. Em 2005, houve tentativa frustrada de derrubá-la.

Em São Paulo, a discussão mal começou e não envolve só as religiões africanas.


TRADIÇÃO DO SACRIFÍCIO
O sacrifício animal está na origem das maiores religiões do mundo. Historicamente, a morte dos animais era feita para expiação dos pecados ou em celebrações, explica o sociólogo Reginaldo Prandi.

Como religião institucionalizada, o cristianismo nunca adotou o sacrifício, mas teologicamente admite o seu significado. "Quando recebem a hóstia, os católicos fazem um sacrifício simulado. Para os cristãos, a morte de Jesus foi o último sacrifício."

No judaísmo, não é comum o sacrifício de animais, mas existe o abate kosher, que usa em larga escala técnicas próprias para matar o animal.

No abate kosher, assim como no halal (abate muçulmano), o animal é morto por degola e não é anestesiado.

A nova lei enquadraria toda morte de bicho feita sem insensibilização (anestesia).

Em 2010, o Brasil exportou 475,23 mil toneladas de carne para países que exigem abate halal ou kosher (39% do total exportado).

"O abate kosher não é um ritual. O ideal judaico é o vegetarianismo. Consumir carne é uma concessão a alguém de alma fraca", diz o rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista. Segundo ele, o abate kosher "deve ser feito com o mínimo de sofrimento para o animal".

Já o abate halal de bois, aves e carneiros é um sacrifício religioso, diz Mohamed Hussein El Zoghbi, diretor da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil.

"Mas prima pelo bem-estar como nenhum outro. A morte por degola não causa sofrimento. A ruptura das veias e da traqueia faz com que o animal morra rapidamente. Quem vê pensa que está sofrendo, mas já está morto, se debate por reflexo."

De acordo com o presidente do CEN (Coletivo de Entidades Negras), Márcio Alexandre Gualberto, o bicho morto no candomblé também é consumido -nada a ver com a imagem de feitiçaria e galinha em encruzilhada.

"Tem quem faça isso, mas não é nossa tradição. Usam partes da tradição para fazer coisas que não são nossas."

Segundo ele, o sacrifício é praticado por sacerdotes treinados para minimizar o sofrimento. "O animal não pode sofrer. Somos preocupados com o bem-estar dos animais oferecidos aos deuses."

São Paulo tem 719 terreiros, segundo levantamento de Prandi, para quem o projeto é preconceituoso: "As motivações da lei são o preconceito e a ignorância. Se o deputado estivesse preocupado com animais, deveria bater na porta de frigoríficos".

Para Antonio Carlos Arruda, coordenador de políticas públicas da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de SP, o projeto é "inaceitável". "Liberdade religiosa é princípio da democracia."

Uma reunião do Fórum Inter-Religioso da secretaria discutiu a participação de entidades do Estado no movimento de reação ao projeto. O slogan da campanha, que antes era "Não toquem nos nossos terreiros", foi ampliado para "Cultura de paz e liberdade religiosa já!".

Um ato público organizado pelo CEN está previsto para o dia 15, às 13h, em São Paulo, no vão do Masp.

LIMITE DA LIBERDADE
Do outro lado, os defensores dos animais consideram o projeto pertinente ao menos por levantar o debate. "Nossa sociedade ainda tem a ideia de que animais são coisas. Nessa visão, o direito do homem é superior ao deles", diz o advogado Lourenço.

O promotor de Justiça do Estado Laerte Fernando Levai diz que há limites morais para o exercício da liberdade religiosa. "Há que se respeitar o direito ao culto, sim, desde que as práticas não impliquem violência."

O promotor João Marcos Adede y Castro, do Rio Grande do Sul, reforça o coro: "Se fosse assim, era só criar uma religião de sequestradores e haveria respaldo legal".

O mesmo pensa a veterinária Ingrid Eder, da ONG WSPA Brasil. "Que cultura é essa que causa maus-tratos aos animais? A cultura evolui de acordo com o conhecimento. Hoje, sabemos que os animais sentem dor."

Reginaldo Prandi acredita que a evolução deve vir de dentro da religião. "Há segmentos do candomblé que não matam animais. Pode ser que, no futuro, a religião evolua para um sacrifício mais simbólico, mas isso não pode ser imposto. Não se muda uma religião por decreto."

Editoria de Arte / Folhapress


Fonte Folhaonline

Entre numa fria para recuperar lesões

Corredor dos 600K sofre o impacto do frio ao entrar em tonel de gelo

A crioterapia, tratamento com gelo, age como analgésico e antiinflamatório reduzindo dores musculares e das articulações

Do grego krios (frio) e therapeia (tratamento), a crioterapia nada mais é do que a terapia por meio do frio. Pode ser aplicada na forma sólida, líquida ou gasosa. No dia a dia, porém, a mais prática e segura é a sólida, feita com aplicação de gelo local.

Sua origem remonta a 2500 AC, quando teria sido utilizada pelos egípcios como método analgésico e antiinflamatório. No século 19 ganhou destaque pelas mãos do médico do exército de Napoleão Bonaparte, que recorria à técnica para amenizar quadros dolorosos de amputações. Mas foi nos anos 70 que passou a ser utilizada no tratamento de lesões esportivas.

Dores musculares e articulares, processos inflamatórios provocados por traumas ou exercícios intensos podem ser amenizados com gelo. “Sessões de 15 a 20 minutos, feitas três ou quatro vezes por dia, podem ajudar”, diz o médico do esporte Páblius Staduto Braga, de São Paulo.

Trata-se de um recurso simples e quanto mais precocemente for utilizado, melhores serão os resultados. “Mas se você recorreu à crioterapia por dois dias e o incômodo não diminuiu, o recomendado é procurar um especialista para melhor avaliação e indicação de tratamento”, alerta Páblius.

“Bem indicada, a crioterapia atua como método analgésico e antiinflamatório, favorecendo a reabilitação”, completa o ortopedista Ricardo Nahas, do Centro de Referência em Medicina do Esporte do Hospital 9 de Julho, de São Paulo. Ele lembra ainda que a técnica por si só não cura nenhuma patologia, sendo apenas um recurso auxiliar no tratamento de problemas musculares e articulares.

Balde de água fria
A crioterapia foi um recurso bastante utilizado na recente corrida entre São Paulo e Rio de Janeiro, o Desafio dos 600K. Após esforço intenso, ao final de cada dia da competição, os atletas se submetiam a imersão em tonéis de gelo.

Embora incômodo – encarar o “banho gelado” requer boa dose de coragem –, o sacrifício compensava. O educador físico Fábio Batista Ferreira foi um dos que mergulhou no tanque: “Bastam 20 minutos e você sai zerado”, garantiu.

“Quando se fala em gelo, todo mundo pensa em vasoconstrição. Mas em uma sessão curta, eu consigo usar o gelo para gerar um ‘aquecimento’. Funciona assim: o corpo tem a percepção de que aquela região está fria e provoca uma vasodilatação para tentar aquecer aquela área. Automaticamente acontece a limpeza das impurezas do ácido láctico e das microlesões que foram geradas durante o dia”, explica o fisioterapeuta Rodrio Iglesias, que acompanhou os atletas nos 600K.

Formas de aplicação
A crioterapia pode ser aplicada de várias maneiras, dependendo da região, do tamanho da área a ser tratada, do tipo de traumatismo e da resposta que se pretende obter. Entre elas estão:

Bolsa de gelo: prática, é composta na verdade por um gel e conservada na geladeira. Na falta de uma dessas, você pode utilizar um saco plástico com cubos de gelo (inteiros ou picados). A bolsa deve ser colocada no local da lesão por períodos de 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia.

Compressa fria: utilize uma toalha molhada em água bem fria ou envolva cubos de gelo com o tecido. A aplicação também gira em torno de 20 minutos, várias vezes ao dia.

Imersão em água gelada: você entra em uma banheira ou tonel repleto de gelo e água muito fria, devendo permanecer por no máximo 20 minutos, uma única vez ao dia.

Fonte IG