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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Anvisa contesta Fantástico e garante: genérico é seguro

Nota à imprensa sobre segurança de medicamentos genéricos

A respeito da matéria “Fantástico testa a qualidade dos genéricos mais vendidos no Brasil”, exibida pelo programa na TV Globo neste domingo (29/01), na qual foram avaliados quinze medicamentos genéricos com os princípios ativos dipirona sódica, losartana potássica e sildenafila, a Anvisa esclarece: O Centro de Estudos e Desenvolvimento Analítico Farmacêutico (CEDAFAR) da Universidade Federal de Minas Gerais, contratado pela produção do Fantástico para os estudos, nunca foi habilitado pela Anvisa para realizar testes em medicamentos para efeito de análise fiscal. A análise fiscal, que é efetuada em drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, destinada a comprovar a sua conformidade com a fórmula que deu origem ao registro, segue regras definidas pela Agência, garantindo-se sempre a coleta de três conjuntos de amostras do medicamento a ser analisado; a possibilidade de o teste ser acompanhado por um perito indicado pela empresa; e sua realização exclusivamente em laboratório habilitado para esse fim. Esse rigor é necessário para evitar concorrência desleal entre fabricantes, que poderiam encomendar testes em laboratórios não habilitados apenas para gerar dúvidas sobre produtos concorrentes.

O CEDAFAR é habilitado pela Agência, assim como outros laboratórios, apenas para realizar ensaios de equivalência farmacêutica visando o processo de registro de medicamento. Esses testes são, depois de realizados, analisados tecnicamente pela Anvisa, que verifica sua consistência técnica, juntamente com outros parâmetros, e decide pela concessão do registro. O CEDAFAR já teve sua habilitação para realizar esses testes suspensa pela Agência em duas ocasiões, a última delas no período de 12/09/2015 até 03/02/2016, pois nenhum de seus equipamentos, na inspeção realizada pela Anvisa, estava calibrado de acordo com as normas vigentes. A informação de que o CEDAFAR não é habilitado para realizar testes de análise fiscal foi repassada à reportagem, mas foi sonegada pelo Fantástico aos seus espectadores, dando a falsa impressão de que o laboratório é credenciado para todos os tipos de testes.

Causou espanto, também, a alegação dada pela reportagem de que o teste de bioequivalência dos medicamentos, que é, em todo o mundo, o teste mais importante e conclusivo para definir se um genérico é realmente equivalente ao medicamento de referência, não foi realizado por “questões éticas”. Isso não é verdade. Não haveria nenhum impeditivo ético para que esses testes fossem realizados, desde que cumpridas as normativas éticas vigentes de serem submetidos e aprovados por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) credenciado no Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde/MS. Pelo contrário, uma vez realizados tais testes, eles poderiam fornecer uma informação conclusiva.

Testes de bioequivalência são realizados em voluntários sadios e medem a concentração do produto no sangue, possibilitando, sem nenhuma dúvida, a avaliação definitiva sobre a ação real do medicamento no organismo humano. Os testes que foram realizados pelo laboratório contratado pelo Fantástico – de teor e de dissolução do princípio ativo – são importantes, mas não suficientes. Ou seja, não são capazes de assegurar a equivalência farmacêutica dos medicamentos genéricos com os medicamentos de referência, o que é feito pelo teste de bioequivalência, que não foi realizado para a reportagem.

Essa regra de tomar o teste de bioequivalência como o definitivo para avaliar os medicamentos genéricos é utilizada pela Anvisa, assim como pelas agências de medicamentos dos Estados Unidos, Canadá e Japão e países da Europa, entre outros.

Porém, ainda que o Fantástico tenha exibido resultados de testes realizados sem o cumprimento dos requerimentos técnicos e regulatórios para uma análise apropriada, a Anvisa analisou os resultados, enviados pelo CEDAFAR, e informa que:

1 - Todos os lotes de medicamentos com os princípios ativos sildenafila (duas amostras) e losartana potássica (oito amostras) estavam em condições sanitárias satisfatórias, ou seja, dentro dos padrões esperados. Os próprios laudos informaram que os lotes dos medicamentos testados são equivalentes aos medicamentos de referência. Esses resultados coincidem com os testes semelhantes que os produtores são obrigados a apresentar para solicitar o pedido de registro e que são, criteriosamente, analisados pela Agência antes de conceder o registro;

2 – Quatro das cinco amostras de dipirona sódica testadas estavam em condições sanitárias satisfatórias;

3 – O lote b16d1090 de dipirona sódica solução oral 500 mg/ml, da empresa Brainfarma, apresentou resultado aparentemente insatisfatório em relação ao teste de teor. A concentração média de dipirona encontrada foi de 92,87%, valor inferior ao estabelecido como referência, que é de 95,00%. Apesar dos exames realizados por contratação do programa Fantástico não terem validade legal, a Anvisa, cumprindo sua missão de proteger a saúde da população e como o faz com qualquer denúncia sobre irregularidades em medicamentos, já iniciou os procedimentos para apurar se, nesse lote específico, existe mesmo teor inferior ao que é obrigatório. A Agência notificou a Brainfarma a prestar informações quanto ao lote analisado. Além disso, está em curso a coleta de análise fiscal do referido produto. Esses procedimentos têm regras bem definidas para que os resultados não deixem qualquer dúvida sobre sua interpretação. Serão coletadas três grupos de amostras (prova, contraprova e testemunho) e os exames serão realizados em laboratório oficial. Vale ressaltar que, em 2014, a Brainfarma, por ocasião de renovação do registro deste medicamento, apresentou à Anvisa estudo de equivalência farmacêutica, realizado por laboratório credenciado pela Agência, que concluiu pela equivalência farmacêutica da dipirona sódica. O laudo apresentado pela empresa, na ocasião, obteve resultado de teor de 104,19%. Os testes que ora a Anvisa está determinando a realização dirimirão qualquer dúvida e permitirão o esclarecimento se esse lote do medicamento se encontra regularmente dentro dos parâmetros exigidos;

4 – Sobre possível irregularidade em um lote do medicamento losartana potássica, comprimido 50 mg, da empresa EMS S/A, é preciso esclarecer que a metodologia utilizada pelo CEDAFAR foi diferente da que está autorizada e considerada como de referência pela Anvisa para testar a equivalência farmacêutica nesse medicamento. O teor médio encontrado de losartana potássica 50mg, da empresa em questão, foi de 94,82%, valor superior ao estabelecido como referência em seu registro vigente, que é de 90,00%. Utilizar metodologia diferente significa que não é possível comparar os resultados obtidos com aqueles que deveriam ser apresentados pelo produto, não havendo base técnica e científica para considerar que pode haver irregularidades; 

5 - Sobre os resultados dos testes dos perfis de dissolução dos lotes de losartana das empresas Medley, Geolab e Pratti, a Anvisa esclarece que a comparabilidade de perfil de dissolução entre o medicamento genérico e o medicamento de referência não é conclusivo para registro ou comercialização de medicamento genérico no Brasil, bem como estabelece as principais agências regulatórias do mundo;

5.1 – Na matéria do Fantástico, os especialistas que foram ouvidos não diferenciaram “dissolução” e “perfil de dissolução”, confundindo os dois conceitos. Não sabemos se por falha na edição ou por não saberem exatamente que teste havia sido realizado. Dissolução é um ensaio utilizado para controle de qualidade, enquanto o perfil de dissolução é apropriado para o desenvolvimento de formulações. Perfil de dissolução com meios farmacopeicos não tem como objetivo prever biodisponibilidade. Ou seja, não existe uma relação científica entre o desempenho de um medicamento no teste de perfil de dissolução e o comportamento que esse produto apresentará no organismo humano. A reportagem fez, portanto, afirmações completamente desprovidas de base técnica e científica. Todas as informações relativas às metodologias foram previamente prestadas pela Anvisa à reportagem. Porém, por motivos que desconhecemos, não foram utilizadas na matéria.

5.2 – Os medicamentos genéricos à base de losartana das empresas Medley, Geolab e Pratti apresentaram à Anvisa, no momento do seu pedido de registro, testes de bioequivalência satisfatórios. Portanto, são considerados equivalentes ao medicamento de referência;

6 - Diferente do que afirma a reportagem do Fantástico, a Anvisa não foi questionada sobre quantos laboratórios utilizaram metodologias próprias no registro do medicamento losartana potássica. A reportagem perguntou quais eram as metodologias específicas usadas nos registos de cada uma das losartanas potássicas analisadas pelo CEDAFAR. A Agência informou que as metodologias não famacopeicas desenvolvidas pelos fabricantes – e que foram analisadas e aprovadas durante o processo de registro - são disponibilizadas para os laboratórios oficiais quando estes realizam análise fiscal.

7 – As normas técnicas estabelecidas pela Anvisa baseiam-se sempre nas melhores evidências técnicas e cientificas disponíveis e nas melhores práticas internacionais. Dos comitês técnicos e grupos de trabalho que auxiliam a Agência na elaboração dessas normas, participam os melhores profissionais brasileiros de diversas áreas, assegurando-se sempre a ausência de qualquer conflito de interesse e a pluradidade. Assim, não há base nenhuma para a afirmação do Fantástico de que haja “divergências” entre a Agência e especialistas.

8 – A Anvisa realiza o monitoramento permanente da qualidade dos medicamentos comercializados no Brasil. Em 2016, a Agência suspendeu a comercialização de 95 diferentes lotes de medicamentos com suspeitas de desvios de qualidade. Essa ação decorre tanto de inspeções de rotina em fábricas de medicamentos como em razão de queixas apresentadas por pacientes ou profissionais de saúde sobre suspeita de ineficácia de um determinado medicamento ou reações adversas não previstas;

9 – A Agência não recebeu nenhuma queixa de desvio de qualidade dos lotes dos medicamentos que foram “testados” no laboratório contratado pelo Fantástico e relacionados com possível ineficácia;

10 - Para assegurar a qualidade dos medicamentos em uso no Brasil, sejam genéricos ou de referência, a Agência desenvolve um conjunto de ações complementares que incluem: a certificação da qualidade dos produtores; a análise dos registros e modificações de pós-registro; as ações de farmacovigilância; as inspeções nos fabricantes; e um programa de monitoramento da qualidade, chamado Proveme. Em 2016, 70% das amostras analisadas no âmbito desse Programa foram de medicamentos genéricos. Nenhuma dessas amostras foi considerada insatisfatória;

e 11 – O consumo de medicamentos genéricos é seguro, assim como os de medicamentos de referência. É absolutamente equivocada, e perigosa para a saúde da população, a afirmação feita pela matéria de que caberia aos médicos indicar a cada paciente qual o genérico que tem qualidade. Os médicos não dispõem de meios para fazer tal afirmação. No mundo desenvolvido, são as agências regulatórias que estabelecem as normas para assegurar a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos. Opiniões individuais, sem qualquer base científica, podem ensejar orientações equivocadas, baseadas em preconceitos, em desinformação ou até mesmo em interesses comercias escusos. Nesse sentido, a matéria presta um desserviço à população ao fornecer informações incompletas e não oficiais sobre a qualidade de medicamentos.

12 - A Anvisa desenvolve, de forma contínua, esse conjunto de ações para garantir a qualidade, segurança e eficácia de todos os medicamentos produzidos em nosso país, sempre em convergência com as melhores práticas internacionais.

Assessoria de Comunicação da Anvisa

Especializações ofertadas pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Sírio Libanês

cursoonlineEstão abertas inscrições para o Processo Seletivo para os Cursos de Pós-graduação do PROADI-SUS ofertados pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês/IEP-HSL aos profissionais de saúde que atuam nos municípios da Baixada Cuiabana

Os cursos serão ofertados aos profissionais de saúde que atuam no nível central das Secretarias Municipais de Saúde e nas respectivas Unidades Descentralizadas, no nível central do Escritório Regional de Saúde, nas unidades de saúde prestadoras ou conveniadas ao Sistema de Único de Saúde/SUS e nas instâncias de Controle Social (Conselhos Municipais de Saúde) dos municípios da Região de Saúde da Baixada Cuiabana.

Para realização da inscrição sera necessário a Carta de Indicação e Liberação da Chefia Imediata e a Ficha de Pré-Inscrição do(a) Candidato(a), cujos arquivos encontram-se disponíveis em link da Secretaria de Estado de Saúde (INORMES), deverão ser encaminhadas por e-mail ao endereço abaixo no período de 20 de janeiro a 10 de fevereiro de 2017: cursossiriolibanesbcmt2017@gmail.com

Critérios de Seleção:
  1. Formação acadêmica prévia (nível superior completo);
  2. Apresentação da Carta de Indicação e Liberação de Chefia Imediata (SUS - gestor municipal de saúde; organizações vinculadas ao SUS - gestor do serviço de saúde);
  3. Apresentação da Ficha de Pré-Inscrição do(a) Candidato(a);
  4. Disponibilidade para desenvolver atividades em EAD e para participar dos encontros presenciais mensais, de três dias, no período de março a dezembro/2017.


Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso

Pacientes com diabetes devem observar cuidados no transporte da insulina

Ao arrumar a bagagem para viajar, as pessoas com diabetes que fazem uso da insulina, precisam ficar atentas para não esquecer de levar o medicamento, cujo uso não pode ser interrompido, a fim de manter a doença sob controle, como observa a coordenadora de Educação e Apoio à Rede (Codar), do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Graça Velanes

Não basta levar a insulina, mas verificar também as condições da pilha do glicosímetro (aparelho que mede a glicose) e a quantidade de fitas para o teste de glicemia capilar que será necessária durante a viagem. Muito importante - explica Graça Velanes - é o transporte correto da insulina.

Em viagens, a insulina que está em uso não precisa de refrigeração. As insulinas que não estão sendo usadas devem ser carregadas em bolsas térmicas, com gelo reciclável. Dever ser evitado o contato direto do gelo reciclável congelado com as insulinas.

O que fazer?
Coloque os frascos de insulina dentro das caixas em bolsa ou na mala de mão. Separe os suprimentos de insulina em duas bolsas diferentes; desta forma, se você perder uma delas, não ficará sem insulina. Use sacolas térmicas, sem gelo comum, pois ele pode congelar a insulina e estragá-la. Não deixe os frascos de insulina em lugares muito quentes (por exemplo, no porta-luvas do carro) ou expostos diretamente ao sol. Leve o dobro da quantidade de insulina que você usará, assim, se perder ou quebrar um frasco, não precisará comprar outros; em muitas cidades, é difícil achar insulinas, principalmente em finais de semanas.

Geralmente, os fabricantes de insulina recomendam que as insulinas que ficam fora da geladeira, inclusive as usadas em canetas, não devem ser usadas por mais de quatro semanas.

Com informações do Manual "Diabetes - O que fazer em situações Especiais, do Dr. Walter J. Minicucci endocrinologista, e médico assistente da Disciplina de Endocrinologia e Metabolismo da Unicamp (São Paulo). O Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Diabetes), na sequência da divulgação de cuidados para maior segurança dos seus pacientes no Verão (viagens,festas) na próxima segunda-feira enfocará os cuidados na prática de exercício físico, onde se incluem as festas com danças, que promovem grande queima de energia.

Fonte: Secretaria da Saúde do Estado da Bahia

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Pós-Graduação de Informática em Saúde está com inscrições abertas

O ano de 2017 será marcado por uma nova fase na saúde, com a implantação do Registro Eletrônico de Saúde no Sistema Único de Saúde (SUS)


Com a plataforma digital será possível conhecer o histórico do paciente, como exames já realizados ou mesmo registrar as visitas de agentes de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, com a tecnologia para informação, a pasta economizará R$ 84 milhões por ano.

"O atendimento unificado é um grande avanço, mas precisamos formar profissionais que sejam capazes de dar efetividade a ele", destaca a Dra. Beatriz de Faria Leão, que atua na coordenação da Pós-graduação de Informática em Saúde, do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. Considerando o número de secretarias estaduais de saúde e do Distrito Federal, de secretarias municipais de saúde de municípios com mais de 200 mil habitantes, de hospitais com mais de 200 leitos e operadoras de planos de saúde com mais de 100 mil vidas, são necessários mais de dois mil profissionais em informática clínica, nesta primeira etapa de implantação.

O curso, que está em seu terceiro ano, tem como objetivo formar a liderança na área de informática em saúde, capaz de utilizar o conhecimento tecnológico para facilitar a utilização da informação na rede de saúde proporcionando melhorias de processos que refletirão no atendimento ao paciente. A pós-graduação que tem como público-alvo gestores e profissionais das áreas de saúde e TI, dispõe de conteúdo que envolve desde o apoio à gestão até aspectos mais especializados, como gerenciamento de imagens e informática clínica.

Baseado nas competências adotadas pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) com três grandes eixos - saúde, gestão e informática - o curso de pós-graduação conta com corpo docente interdisciplinar, que reúne profissionais do próprio Hospital Sírio-Libanês e especialistas nacionais e internacionais.

"O uso adequado dos recursos com planejamento e governança na informática em saúde já se faz obrigatório no cenário atual e isso se acentuará nos próximos anos. Trata-se de uma área cujos profissionais são fundamentais, a exemplo do que já ocorre em países como França e Inglaterra", ressalta a Profa. Dra. Heimar de F. Marin, diretora de Inovação e Tecnologia da Informação do Hospital Sírio-Libanês e também coordenadora do curso.

Anote em sua agenda: Pós-graduação de Informática em Saúde:

Inscrições: Até 06/03/2017
Local: Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa
Endereço: Rua Professor Daher Cutait, 69 - São Paulo-SP

Fonte: Assessoria de imprensa do Hospital Sírio-Libanês

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Acidentes com águas-vivas e caravelas: conheça os primeiros socorros

Sempre lotadas no verão, as praias são o destino preferido por grande parte dos brasileiros nas férias. Um banho no mar ou uma caminhada na areia, contudo, pode ser interrompido de maneira bastante desagradável por uma “queimadura” de cnidário, como as águas-vivas e as caravelas

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Número de ocorrências é maior no verão. Em um único fim de semana de janeiro foram registrados 6.665 casos no litoral catarinense

Foi o que aconteceu com a publicitária Michellen Amancio, de 38 anos, durante as férias de 2013 no município de Piaçabuçu, em Alagoas. “Entrei no mar e senti uma ardência no braço. Passei a mão e os tentáculos ainda enrolaram no meu dedo”, relembra.

“Meu braço começou a ficar vermelho, a arder e queimar”, conta. Antes de receber auxílio médico, Michellen ouviu os mais variados conselhos dos amigos. “Todo mundo me falava para urinar em cima, mas eu não acreditei. Outros me falaram para passar vinagre. Tem muito conhecimento popular, aquelas coisas que nossa avó falava antigamente”, comenta a publicitária, que desta vez passa as férias na Bahia, onde também já viu caravelas pela praia.

As ocorrências de queimaduras com animais marinhos são recorrentes. Apenas em um fim de semana de janeiro, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina registrou 6.665 casos no litoral do estado. Os primeiros sintomas são vermelhidão, ardência e dor intensa no local afetado, que podem durar de 30 minutos a 24 horas.

O veneno tem ação tóxica na pele humana, podendo causar inflamação extensa e até necrose. Em casos mais graves, pode provocar ainda arritmias cardíacas, alteração no tônus vascular e insuficiência respiratória por congestão pulmonar. Há também relatos de dor de cabeça, náuseas, vômitos, febre e espasmos musculares. Em geral, a gravidade depende da extensão da área atingida.

“É fundamental prestar atenção durante as primeiras 24h após o acidente. Se a pessoa tiver um fenômeno sistêmico, como enjoo, tontura e vômitos, ela deve procurar atendimento especializado. São sinais de alerta de que outras providências serão necessárias, como o uso de antialérgicos e corticoides”, explica João Aveleira, dermatologista do Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ).

O óbito, apesar de raro, pode ocorrer devido ao envenenamento (insuficiência respiratória e choque) ou por anafilaxia (reação alérgica grave). Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram que, entre 2000 e outubro de 2015, foram registrados 18 óbitos no país após contato com plantas e animais marinhos peçonhentos, como águas-vivas, caravelas, bagres, peixes-pedra, entre outros. “São casos mais raros, mas podem acontecer”, ressalta o médico.

Primeiros socorros
Afinal, qual é o procedimento correto para os casos de queimaduras por esses animais? “É importante é que a pessoa saia logo da água. Dependendo do grau da queimadura, a dor é forte e a pessoa pode ter problema de respiração. Então a primeira coisa é sair da água e lavar a região”, recomenda João Aveleira. Já na areia, é preciso ter cuidado com o que será usado na pele, para não agravar o quadro. “Não se deve friccionar com toalha, pois isso vai irritar a pele e favorecer a penetração do veneno. O ideal é lavar com água salgada, a do mar, de preferência gelada”, orienta.

Enquanto a água marinha é capaz de lavar o veneno do local, outro produto simples é recomendado para inativar as células dos tentáculos que ainda não liberaram o veneno. “O vinagre pode neutralizar o veneno e ajudar a diminuir a dor”, acrescenta o dermatologista. Lembrando que os tentáculos do animal devem ser retirados com o uso de luvas e pinça.

O principal alerta aos banhistas é o de jamais usar água doce nessas queimaduras. “A tendência das pessoas é lavar com água doce, mas as águas-vivas e as caravelas têm pequenas espículas que vão liberar o veneno justamente com esse contato”, alerta o médico. Segundo ele, as compressas com água doce e morna só são recomendadas para queimaduras por determinados peixes venenosos ou com ferrões.

Ao contrário do popularmente pregado, também não se deve urinar na região afetada ou usar qualquer outro tipo de produto, como bebidas alcoólicas e refrigerantes. “A pessoa vai perder tempo em vez de seguir logo o procedimento correto, e algumas substâncias ainda podem irritar a pele. Qualquer irritação pode até facilitar ou aumentar a disseminação do veneno. Isso vai atrasar os cuidados e não vai melhorar em nada o indivíduo”, destaca o dermatologista.

Para avaliação do envenenamento, é importante o auxílio médico, o mais rápido possível. Se necessário, o paciente poderá receber medicamentos, como corticoides tópicos e analgésicos.

Ana Cláudia Felizola, para o Blog da Saúde