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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Homeopatia visa cuidado do paciente, não da doença

homeopatiaPrática busca avaliar a saúde integral do paciente correlacionando sinais físicos, comportamentais e emocionais

No dia 21 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Homeopatia, abordagem de cuidado onde se avalia o paciente a partir da integralidade. Ou seja, diferente da medicina tradicional que avalia os sintomas, diagnostica a doença e prescreve o tratamento, o sistema homeopático vai além e tenta encontra a raiz da doença por meio de uma avaliação de todo equilíbrio do organismo do paciente.

Como algumas enfermidades têm, por exemplo, uma causa emocional, a homeopatia vai buscar não só curar a doença que se instalou no organismo, mas cuidar da saúde emocional que permitiu que essa doença se instalasse.

“O especialista ou habilitado em homeopatia faz uma avaliação considerando diversos critérios. Um processo chamado repertorização homeopática. Ele busca um conjunto de sinais e sintomas próprios que são avaliados na homeopatia. Sejam sinais físicos, de comportamento ou emocionais. A partir do momento que ele junta esse conjunto de sinais, ele busca um medicamento apropriado. Ou seja, existe uma individualização do tratamento”, detalha o coordenado de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde, Daniel Amado.

O paciente que sofre de enxaqueca, por exemplo, toma remédio, a dor de cabeça vai embora, mas pode voltar. A homeopatia vai investigar quais as causas, os gatilhos, que dão início as crises de enxaqueca desse paciente, de forma que o tratamento diminua a frequência e até bloqueie novas crises.

Acesso SUS
A homeopatia esta presente no SUS desde 2006, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS. O acesso é feito a partir dos serviços de saúde, tanto em unidades básicas de saúde como em serviços especializado, e até mesmo em hospitais.

O usuário deve buscar a sua secretaria de saúde ou o posto de saúde mais próximo para saber como acessar esse tipo de atendimento, que varia de acordo com a oferta que cada município.

Os medicamentos homeopáticos estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do SUS (Rename), financiados pelo Ministério da Saúde. Assim, os municípios e estados também podem oferecer esses medicamentos nas unidades de saúde.

“O Ministério da Saúde também desenvolve uma série de projetos de capacitação e formação de trabalhadores nas várias práticas integrativas no sentido de ampliar a abordagem de cuidado, as opções terapêuticas que esses profissionais podem ofertar ao cuidar dos pacientes. Estamos desenvolvendo alguns projetos em parceria com algumas associações como a Associação de Médicos Homeopáticos e a Associação de Farmacêuticos Homeopáticos para o desenvolvimento de cursos voltados para profissionais do SUS”, destaca Amado.

Números no SUS
O Ministério da Saúde tem buscado ampliar as práticas integrativas e complementares (onde se inclui a homeopatia) para garantir um cuidado integral das pessoas.

Para se ter uma ideia, só em 2016, a Atenção Básica registrou mais de 13,5 mil atendimentos individuais para homeopatia em 340 estabelecimentos de saúde, em 259 municípios. Já nos serviços especializados, o número de atendimentos em homeopatia salta para 202 mil pacientes em 69 serviços.

Dentre a oferta de medicamentos, foram registrados 147 homeopáticos industrializados; 25 manipulados de farmácias próprias dos serviços; e 70 manipulados de farmácias conveniadas.

Luiz Philipe Leite, para o Blog da Saúde.

Vício em celular chega a consultórios e já preocupa médicos no Brasil

Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, 4º maior volume do mundo


Desde a morte do pai, em 2013, *Mariana lutou contra a depressão e viu o quadro piorar ao mergulhar por horas a fio no Facebook. “Era como uma fuga, uma anestesia para esquecer problemas”. Significava também “procrastinar tarefas da casa e os estudos”. “Checava o celular o tempo inteiro. Estava viciada”.

Já na vida de *Luísa, 47 anos, o smartphone entrou como alternativa para relaxar à noite, após um longo dia de trabalho. Em poucos anos, virou o centro de conflitos com as filhas e o marido. “Reclamavam que eu tinha virado um zumbi, que fingia prestar atenção em conversas quando, na verdade, estava pensando em algo que li ou esperando mais uma curtida no Instagram. Era capaz de debater temas no Facebook, mas não conversava com minhas filhas”, disse Luísa à BBC Brasil. A dependência tecnológica, que inclui o “uso abusivo” da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

“Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas”, diz o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

Destaque para o Brasil
O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, o quarto maior volume do mundo, atrás de Estados Unidos, Índia e China, mostra relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Em 2016, o país foi considerado o segundo que mais usa o WhatsApp, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum (MEF). O primeiro lugar ficou com a África do Sul. Embora não haja indicadores de quantos, em meio a esse batalhão, são considerados dependentes, estudos dão pistas sobre os riscos.

Uma pesquisa que a consultoria Deloitte divulgou em outubro sobre o uso de celular no dia a dia do brasileiro – com 2 mil entrevistados – mostra, por exemplo, que dois em cada três pais dizem acreditar que seus filhos usam demasiadamente o smartphone. Mais da metade dos que estão em um relacionamento veem excessos por parte dos parceiros e 33% admitem ficar online de madrugada para ver mídias sociais.

“Temos, comparativamente a outros países, uma quantidade de tempo de uso da tecnologia bastante expressiva e aumentando”, alerta Nabuco, também autor do livro Internet addiction in Children and Adolescents (em tradução livre: O vício em internet entre crianças e adolescentes).

“Detox digital”
A preocupação vai além, no entanto, do tempo gasto. Se concentra, principalmente, na relação do usuário com esse tipo de ferramenta, diz Eduardo Guedes, pesquisador e membro do Instituto Delete – primeiro núcleo do Brasil especializado em “desintoxicação digital” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essa relação, segundo ele, pode ser dividida em uso consciente, quando o virtual não atrapalha a vida real; uso abusivo, quando atividades online são priorizadas em detrimento das offline; e uso abusivo dependente, quando o virtual atrapalha o real e há perda de controle.

O Instituto pesquisa o impacto das tecnologias desde 2008 e já ofereceu atendimento gratuito a cerca de 500 pessoas, nem todas com dependência diagnosticada. Frases como “desliga o computador e vai dormir”, “sai do Face e vai trabalhar”, “fecha o WhatsApp e come o jantar” e “larga o celular para não bater o carro” são usadas para chamar a atenção no site que divulga os serviços.

Narcisismo?
A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo”, complementa Guedes. “Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre si”.

Os dados são de uma pesquisa da Universidade de Harvard segundo a qual esse comportamento gera um mecanismo de recompensa no cérebro, graças à liberação de dopamina, além de endorfina, ocitocina e serotonina, hormônios ligados ao prazer.

Mas esse prazer é temporário, observa Guedes. “E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento”.

Gianna Testa, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o “sistema de recompensa” do usuário é muito afetado por estímulos – ou pela ausência deles – criados pelo reconhecimento virtual nas redes sociais, como medida de aceitação e sucesso.

O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.

“Hoje é muito claro em adolescentes, por exemplo, o quanto a autoestima depende do número de curtidas, do sucesso que eles têm nas redes sociais”, observa a especialista, também sócia da ASEAT, uma assessoria de segurança e educação em alta tecnologia, de Brasília.

Como medir o vício?
Segundo Guedes, um conjunto de cinco critérios são observados para avaliar se o uso da tecnologia deixou de ser saudável. O primeiro deles mede quão importante o celular se tornou para trazer a sensação de "refúgio de prazer ou segurança". Quanto maior a importância da ferramenta, mais grave a condição do usuário.

"Uma pessoa que terminou um casamento, que está com baixa autoestima, por exemplo, muitas vezes posta uma foto e isso ajuda a melhorar. É um gatilho positivo. Mas, se ela só trabalha a autoestima por meio da rede, isso pode gerar isolamento, desprezo pelas relações na vida real e até depressão", exemplifica. Em tímidos, o uso abusivo pode levar pode levar à fobia social.

Outro termômetro é a relevância da tecnologia no dia a dia. Ir ao banheiro ou para a cama, por exemplo, e levar o celular junto pode parecer inofensivo, mas, em alguns casos, indica distúrbio.

Outros dois indicadores na avaliação do vício são se a pessoa tolera eventos ou ambientes em que terá de ficar desconectada e se, em caso de "abstinência" no uso do celular, a experiência se torna insuportável, com efeitos físicos e psicológicos sobre o indivíduo. Pacientes com o distúrbio relatam temor de ficarem distantes das redes e mau humor, mãos tremendo, ansiedade, agressividade e tristeza quando a falta da tecnologia se concretiza.

"Há também quem use tanto o celular que, quando está sem, ele precisa ter algo nas mãos, para ficar mexendo", diz Guedes. Segundo ele, o efeito é semelhante ao vivido por ex-fumantes, que sentem a necessidade de movimentar uma caneta entre os dedos para simular os gestos que se acostumaram a fazer quando fumavam.

O quinto critério mede o quanto a dependência causa conflitos na vida real. É o caso, por exemplo, de filhos que reclamam a atenção dos pais dividida com a internet até que eles próprios começam a encontrar nas telas refúgio, gerando, em consequência, novos conflitos no ambiente familiar.

É algo que Luísa viveu e vive.

"Minhas filhas já não reclamam tanto de mim. Agora, eu é que reclamo delas. Mas isso quando não estamos todos mergulhados no celular, eu, meu marido e minhas duas filhas, cada um no seu mundo. Essa cena é comum na nossa casa, em restaurantes... Às vezes tento botar ordem na casa, pegar os celulares, mas não dura muito. Não tem atrapalhado estudos, carreiras, mas, sem dúvida, nossa vida familiar. Eu, por exemplo, frequentemente, deixo o celular embaixo do travesseiro e volto a ele assim que meu marido dorme. Sinto falta de ar, um certo nó na garganta quando estou longe do meu aparelho", conta.

Jogos online
Não são só os dependentes de celular que estão sujeitos a esses sintomas. "Muito estresse, falta de concentração e uma ansiedade terrível" pegavam em cheio o estudante Antônio*, de 25 anos, quando tentava se livrar sozinho da vontade descontrolada de jogar.

O jogo virou parte da sua vida quando tinha 4 anos de idade. Movido por um espírito de competitividade "muito grande", acabava fisgado por computador, celular, videogame e o que mais permitisse entrar na disputa. Ficou dependente.

"Não almoçava, não estudava e preferia ficar em casa", diz. Para Antônio, o problema ficou evidente apenas quando pessoas próximas passaram a observar que "a convivência estava difícil" e o assunto virou "motivo de estresse". E também de separação. "Eu jogava escondido da minha esposa, tinha dificuldade de conversar e nosso relacionamento acabou terminando". O casal chegou a fazer terapia e reatou. Há um ano, teve o primeiro filho. Ele está na terceira tentativa de parar.

"80% dos indivíduos que são dependentes de videogame, de internet, apresentam depressão", diz Nabuco.

Segundo o especialista, um grupo de estudiosos defende que a dependência tecnológica seria um sintoma secundário em um indivíduo que já tem depressão, transtorno bipolar de humor e fobia social.

Outros acadêmicos argumentam que embora haja a coexistência de outro transtorno psiquiátrico, estamos lidando, certamente, com uma nova "classificação diagnóstica". Seria possível, portanto, que a tecnologia cause e não apenas agrave um problema.

Jovens e crianças: público mais vulnerável
Jovens e crianças são mais vulneráveis, diz Cristiano Nabuco de Abreu, porque só atingem a maturação total do cérebro a partir dos 21 anos e, com isso, demoram mais a desenvolver funções como o "freio comportamental" - por meio do qual seria possível evitar situações de risco ou atos por impulso.

Uma das preocupações dos especialistas é o acesso precoce aos gadgets. "Muitos pais entregam o celular ou o tablet ao filho, usam os dispositivos como babá eletrônica, e acham bonito. Mas quanto mais precoce esse contato, mais chances de atraso no desenvolvimento da criança".

O caso mais chocante que Nabuco atendeu foi o de uma mãe descrevendo que o filho não almoçava e não dormia, por exemplo, sem estar com o celular. "O problema maior era quando eles iam ao shopping, o menino largava a mão dela e corria para balconistas nas lojas para pedir colo e então acessar o teclado dos computadores que ali estavam. Sabe quantos anos ele tinha? 2 anos e 4 meses".

A dependência mais comum entre os meninos é o uso de jogos eletrônicos. Nas meninas, principalmente adolescentes, a dependência de redes sociais é mais comum.

São Paulo e Rio oferecem tratamento gratuito
Em São Paulo e no Rio de Janeiro há atendimento gratuito para a população, no Hospital das Clínicas da USP e no Instituto Delete.

"O grande objetivo não é fazer com que as pessoas se livrem da tecnologia. O que a gente quer é que elas retomem o controle desse uso", diz Nabuco, do Hospital das Clínicas.

Oito em cada dez pacientes, segundo ele, chegam ao final do tratamento sem sintomas. Os demais, muitas vezes reiniciam a terapia.

O tratamento envolve reuniões em grupo para conversas com psicólogos e psiquiatras e, se for preciso, o uso de medicamentos para combater transtornos associados à dependência.

No Instituto Delete, o método usado envolve desde a identificação das raízes do problema até a adoção de técnicas de respiração e "ressensibilização". "O foco não é proibir o uso, mas criar estratégias para a pessoa ter prazer em atividades na vida real", complementa Eduardo Guedes.

A busca por mais equilíbrio envolve tratamento e também uma consciência maior do problema. Mariana* iniciou terapia para "desintoxicar". Faz sessões em grupo por uma hora e meia, uma vez por semana. "Considero que percorri uns 40% desse caminho, em um processo lento e com recaídas", calcula.

Um pesquisador do tema disse à BBC Brasil ter sido procurado por operadoras de telefonia celular que estariam preocupadas com o uso abusivo dos aparelhos e em busca de possíveis soluções.

Procuradas pela BBC Brasil, Claro, Oi, Vivo e TIM - as principais operadoras de telefonia no país - não confirmaram se planejam medidas como enviar mensagens a clientes para alertar sobre possíveis riscos do uso abusivo, assim como ocorre na indústria de cigarros e bebidas. Por meio do SindiTelebrasil, sindicato que representa o setor, afirmaram, no entanto, que "sempre defenderam o uso consciente desses serviços, respeitando a liberdade de escolha, as necessidades, convicções, crenças e hábitos de cada indivíduo".

O Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para todos os tipos de transtorno mental, incluindo depressão e vícios em álcool e outras drogas, mas que não tem dados específicos sobre os problemas ligados à tecnologia.

*Os nomes reais dos entrevistados foi trocado para proteger sua privacidade.

BBC Brasil / R7

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Falta de higiene pode causar câncer de pênis

novembroazulQuando chega o mês de novembro, que é quando as campanhas contra o câncer na população masculina tem maior força, ouvimos muito a respeito do câncer de próstata, mas esse não é o único tipo que afeta os homens: o câncer de pênis merece bastante atenção!

Em 2015, por todo o Brasil, houve 402 mortes por câncer de pênis, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). “É um tipo de câncer que hoje é raro no mundo, mas incidente no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste”, explica o doutor Franz Campos, que é chefe do serviço de Urologia do INCA.

O câncer de pênis é um tumor que atinge com mais frequência os homens a partir dos 50 anos, mas que pode ocorrer também em jovens e está relacionado principalmente à má higiene – isso mesmo, naqueles homens que não lavam direito o pênis! Também é mais comum nos homens que não foram submetidos à circuncisão, que é a remoção do prepúcio - a pele que reveste a glande (conhecida como a “cabeça” do pênis).

Prevenção
Realizar a higiene diária com água e sabão é o principal fator, principalmente depois de relações sexuais ou masturbação. Com isso, percebemos o quão importante é ensinar as crianças desde cedo os hábitos de higienização diária e de forma adequada. Além disso, o uso de preservativo é fundamental em qualquer relação sexual, uma vez que a prática sem o uso de camisinha aumenta o risco de desenvolver a doença.

“Outra forma de ajudar a evitar a doença é a cirurgia de fimose, em que se retira o excesso de pele da glande. Nem sempre o homem faz a higiene corretamente e o esmegma, que é uma secreção branca produzida pelo próprio pênis, não pode ficar acumulado por muito tempo ali. O homem que consegue expor a glande não tem tanta à necessidade de realizar a fimose, como aquele que não consegue. Claro que isso varia de acordo com cada pessoa, por isso a importância de uma consulta ”, recomenda o doutor Franz Campos.

Sintomas
A manifestação mais comum é uma ferida persistente ou um aumento anormal do tecido da glande, prepúcio ou corpo do pênis. A presença de um desses sinais, somados ao esmegma, pode indicar o câncer no pênis. Além disso, o surgimento de pequenos nódulos, gânglios inguinais (ínguas na virilha), também podem ser sinais de progressão da doença. Em qualquer desses casos é importante procurar um serviço de saúde para realizar uma avaliação.

Tratamento
Como qualquer doença, quanto mais cedo for diagnosticado e iniciado o tratamento, maiores as chances de cura do câncer de pênis e para evitar o crescimento desse tipo de câncer e a posterior amputação do pênis. O tratamento depende da extensão do câncer, que pode ser realizado por cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. A cirurgia é o tratamento mais comum e feito para controlar a doença.

Janary Damacena, para o Blog da Saúde.

Câncer de Testículo: Autoexame é a melhor forma de prevenção

azulOs casos de câncer no testículo correspondem a 5% do total de casos de câncer entre os homens, e em 2015 foi responsável pela morte de 359 pessoas. Esses números fazem parte do último levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Apesar disso, esse tipo de câncer é facilmente curado quando detectado precocemente, principalmente quando realizado o autoexame. Na infância, é importante o exame do pediatra para verificar se a descida dos testículos para a bolsa escrotal (popularmente conhecida como “saco”) ocorreu normalmente.

“O autoexame é muito importante, pois é a melhor forma de prevenção dessa doença. Se você reparar qualquer nódulo no testículo ou anormalidade, procure imediatamente o médico. O testículo não uma região onde deva aparecer absolutamente nada ”, explica o doutor Franz Campos, é chefe do serviço de Urologia do INCA.

O sintoma mais comum é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, que tem o tamanho aproximado ao de uma ervilha. Mas é preciso ficar atento a outras alterações, como aumento ou diminuição no tamanho dos testículos, nódulos ou endurecimentos, dor imprecisa na parte baixa do abdômen, sangue na urina e aumento ou sensibilidade dos mamilos. Em qualquer desses casos, é importante realizar um consulta com um urologista.

Mesmo considerado raro, o câncer de testículo é preocupante porque a maior incidência ocorre em homens em idades entre 15 e 50 anos. Nessa fase, existe chance de ser confundido, ou até mesmo mascarado, por um processo inflamatório ou infeccioso envolvendo o testículo, chamado orquiepididimites – que geralmente é transmitida sexualmente.

O doutor Franz Campos ressalta a importância de ser rápido em buscar uma avaliação médica, caso o homem perceba alguma diferença. “O câncer de testículo tem uma peculiaridade, pois ele vem das células germinativas, que tem poder de duplicação muito rápida. Então é um crescimento acelerado, principalmente da lesão local. Por isso a necessidade de ir imediatamente a um especialista . A detecção precoce e o tratamento rápido podem evitar a perda do testículo ”.

Tratamento
Em caso positivo para câncer, o testículo é extraído, mas a função sexual ou reprodutiva do paciente não é afetada, desde que o outro testículo esteja saudável. O tratamento posterior poderá ser cirúrgico, radioterápico, quimioterápico ou através de controle clínico. A complementação depende de investigação, que avaliará a presença ou a possibilidade de disseminação da doença para outros órgãos.

Autoexame
Para quem ficou em dúvida, deixamos aqui algumas dicas de como realizar o autoexame nos testículos, que deve ser feito todo mês, logo depois de um banho quente - isso porque o calor relaxa o escroto e facilita a observação de quaisquer anormalidades de tamanho, sensibilidade ou densidade.

O que procurar?
• Alteração do tamanho dos testículos;
• sensação de peso no escroto;
• dor imprecisa na parte inferior do abdômen ou na virilha;
• derrame escrotal, caracterizado por líquido no escroto;
• dor ou desconforto no testículo ou escroto.

Como fazer?
• De pé, em frente ao espelho, verifique a existência de alterações em alto relevo na pele do escroto;
• examine cada testículo com as duas mãos;
• posicione o testículo entre os dedos indicador, médio e o polegar;
• revolva o testículo entre os dedos - você não deve sentir dor ao realizar o exame;
• não se assuste se um dos testículos parecer ligeiramente maior que o outro, isto é normal;
• ache o epidídimo - canal localizado atrás do testículo que coleta e carrega o esperma;
• se você se familiarizar com essa estrutura, não confundirá o epidídimo com uma massa suspeita;
• os tumores malignos são localizados com mais frequência lateralmente aos testículos, mas também podem ser encontrados na porção ventral (parte de baixo dos testículos);

Janary Damacena, para o Blog da Saúde.

Para reduzir gastos, gestão Temer quer rever distribuição de remédio

Um dos mais conhecidos programas do Ministério da Saúde, o Farmácia Popular, iniciativa que oferta medicamentos gratuitos ou com até 90% de desconto, deve passar por mudanças. Para o setor farmacêutico, as medidas o colocam em risco

Após fechar cerca de 400 farmácias da rede própria que mantinha no programa, o governo quer agora mudar o modelo de pagamento para farmácias particulares credenciadas. Hoje, há cerca de 30 mil estabelecimentos que ofertam os medicamentos no Aqui Tem Farmácia Popular, nome dado ao eixo do programa na rede particular. Para o ministro Ricardo Barros (Saúde), o objetivo é reduzir gastos, tidos como mais altos do que na compra centralizada de remédios no SUS. Hoje, farmácias recebem um reembolso do governo a cada produto dispensado, com base em uma tabela de valores de referência pré-definidos para cada um deles.

O governo quer renegociar esses valores. De acordo o ministro, a ideia é propor um novo cálculo, definido por um preço base no atacado e 40% de margem para compensar os custos de aquisição e distribuição dos produtos. Neste caso, as farmácias receberiam um valor fixo pelo procedimento de entrega do medicamento, não importa qual deles entregou. Neste caso, os medicamentos seriam do Ministério da Saúde.

As mudanças, porém, dependem de negociação com o setor. Segundo Sérgio Barreto, da Abrafarma, associação que reúne as redes de farmácias, os preços sugeridos na proposta, e que preveem redução de até 60%, não compensam os custos. O ministro afirma que, caso não haja um acordo, a pasta pode voltar a distribuir todos os medicamentos da lista apenas no SUS. “Se não quiserem fazer nessa margem que estamos propondo, vamos centralizar a compra e fazer [a entrega] na nossa rede, que já está paga.”

Neste caso, diz, os valores pagos ao programa seriam direcionados a complementar as verbas de assistência farmacêutica, assim como ocorreu no fechamento das unidades próprias. Questionado se isso não indicaria o fim do programa, ele minimiza. Já Arthur Chioro, que foi ministro da Saúde na gestão Dilma Rousseff, tem visão oposta. “O que observamos em relação ao Farmácia Popular é uma desmontagem do programa”, afirma ele, que lembra que o programa foi criado para aumentar o acesso a medicamentos para doenças mais comuns e, assim, reduzir custos com internação.

Pacientes que utilizam o Farmácia Popular afirmam terem sido pegos de surpresa com o fechamento das unidades próprias do programa e relatam dificuldades de acesso a medicamentos no SUS. No Distrito Federal, a única unidade da rede própria que ainda havia do programa, em Sobradinho, foi fechada em 28 de agosto. Foi com ele que se deparou o aposentado José Aparecido dos Santos, que buscava no local medicamentos para diabetes, hipertensão, entre outros. “Simplesmente cheguei aqui e estava fechada.”

Desde então, usuários como ele se queixam da falta de informações sobre o fechamento e sobre onde ainda é possível retirar medicamentos antes disponíveis na rede. O maior impasse é o fato da lista de remédios ser menor nas redes particulares credenciadas ao Farmácia Popular em relação ao que era disponibilizado nas unidades próprias –enquanto a primeira tem 32, a anterior disponibilizava 112. Foi o que ocorreu com a técnica de laboratório Maria de Fátima Soares, 54, que pegava com o filho medicamentos para efeitos da artrite e tratamento de gota (no caso específico, ácido fólico e prednisona), na unidade de Sobradinho.

De R$ 1,60 que pagava pelo que precisava na rede própria devido aos descontos, agora paga entre R$ 15 e R$ 34 em farmácias particulares –os medicamentos não constam na lista da rede credenciada. “Ninguém acreditou quando fechou”, relata ela, que trabalha ao lado da antiga unidade. O Ministério da Saúde afirma que todos os remédios que eram distribuídos nas unidades próprias também estão disponíveis no SUS. Na prática, há reclamações. Santos, por exemplo, relata que, após o fechamento, nem sempre encontra o que precisa no posto de saúde. “Agora tenho que ir no posto, e quando não tem, tem que comprar”, diz.

Funcionários de unidades de saúde do DF ouvidos pela Folha confirmam casos de falta de alguns medicamentos, sobretudo dos mais indicados, como omeprazol (para problemas de estômago) e sinvastatina (para reduzir níveis de colesterol). Ao saber do fechamento, a dona de casa Maria Ricarda Pereira, 71, correu para adiantar as receitas médicas e obter os medicamentos. Um dos que já utilizou, o cloridrato de verapamil, diz, não consta nas farmácias credenciadas. Agora, busca os medicamentos na unidade de saúde, onde também faz acompanhamento.

Questionado, o Ministério da Saúde afirma que direcionou todos os R$ 100 milhões antes gastos com as unidades próprias do Farmácia Popular para aumentar a oferta de medicamentos na rede pública. A pasta atribui o fechamento ao fato de que só 20% dos cerca de R$ 100 milhões gastos com essas unidades era para compra e distribuição de remédios. O restante era para custos operacionais. Sobre os relatos de falta de medicamentos, afirma que o monitoramento das unidades cabe aos municípios. Em nota, a secretaria de saúde do Distrito Federal informa que trabalha para manter os estoques abastecidos, mas admite que pode haver “faltas pontuais” de alguns medicamentos na rede.

Folha de São Paulo