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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Fast-food pode ter o mesmo efeito de infecções por bactérias no organismo

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, durante testes com ratos. Os animais foram mantidos em uma dieta ocidental, rica em gorduras e açúcar

Seguir uma dieta gordurosa pode fazer com que o organismo passe a tratar os alimentos ingeridos da mesma forma que reage a uma infecção bacteriana. A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, durante testes com ratos. Alimentado com quantidades baixas de nutrientes, o corpo das cobaias desenvolveu uma resposta inflamatória, o que potencializou a atividade do sistema imune. Detalhes do trabalho achados foram publicados na última edição da revista americana Cell.

No experimento, os pesquisadores mantiveram ratos em uma dieta ocidental, rica em gordura, açúcar e poucas fibras durante um mês. Com o tempo, os animais desenvolveram forte resposta inflamatória em todo o corpo, de forma semelhante a uma infecção causada por bactérias maléficas ao organismo. “A dieta não saudável levou a um aumento inesperado do número de células imunes no sangue dos ratos, especialmente granulócitos e monócitos. Essa foi uma indicação para o surgimento de células imunes na medula óssea”, explica, em comunicado à imprensa, Anette Christ, pesquisadora da Universidade de Bonn e uma das autoras do estudo.

A ativação de células imunes na medula óssea ocorre quando o corpo detecta problemas graves. “Recentemente, descobriu-se que o sistema imune inato tem uma forma de memória. Após uma infecção, as defesas do corpo permanecem em um tipo de estado de alerta para que possam responder mais rapidamente a um novo ataque”, detalha Eicke Latz, diretor do Instituto de Imunidade da Universidade de Bonn e também autor do estudo.

Esse fenômeno é chamado de treinamento imune inato. Nos camundongos, ele não foi desencadeado por uma bactéria, mas por uma dieta com as características dos fast-foods. Outra constatação preocupante é que, quando foi mudado o regime alimentar dos roedores para cereais - alimento que as cobaias consumiam rotineiramente -, a inflamação aguda só desapareceu depois da quarta semana e, mesmo depois, a “reprogramação genética” das células imunes permaneceu ativa.

Os autores explicam que essas respostas inflamatórias são perigosas, pois podem acelerar o desenvolvimento de doenças vasculares, diabetes tipo 2 e aumentar as chances de problemas ainda mais graves, como acidente vascular cerebral (AVC) e ataques cardíacos. “Essas descobertas, portanto, têm relevância social importante. Os fundamentos de uma dieta saudável precisam se tornar uma parte muito mais proeminente na educação do que são atualmente. Somente dessa maneira poderemos impedir que crianças sejam influenciadas pela indústria de alimentos. Devemos capacitá-las a tomar decisões conscientes sobre seus hábitos alimentares”, defende Latz.

Limites
Preocupada com o estímulo ao consumo de fast-food entre as crianças, a Academia Europeia de Pediatria montou uma força-tarefa de especialistas para fazer uma revisão de pesquisas científicas sobre o tema e propor formas de enfrentamento. Entre as recomendações estão atitudes mais vigilantes dos pais. “Eles devem permitir a visualização da TV e o uso de computadores e dispositivos similares a mais de 1h30min por dia somente se a criança tiver mais de 4 anos. Além disso, os pediatras devem informar os pais sobre o risco geral que o uso de mídia de massa representa para o desenvolvimento cognitivo e físico de seus filhos.

Saúde Plena

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Profissionais da beleza devem cuidar da saúde dos clientes

Ao entrar num salão de beleza, qualquer pessoa está suscetível a transmitir ou adquirir alguma patologia: desde uma simples micose nas unhas ou irritação no coro cabeludo até a infecção por doenças mais graves, como as hepatites B e C. Por isso, os profissionais da área de beleza têm papel fundamental não só na estética, como também na saúde dos clientes

A empresária Nathaly Barreto conta que há 10 anos a mãe dela tenta se livrar de uma micose nas unhas adquirida, por descuido, em um salão de beleza. Por isso e pelo receio de problemas maiores, ela escolheu o salão que frequenta de forma criteriosa. “Eu vejo que as manicures são bem preocupadas, elas usam luva, máscara, rasgam na minha frente o pacote de esterilização dos instrumentos. Eu sempre sou exigente com este serviço”, diz.

É também com muito zelo que, durante 30 anos, a cabeleireira e maquiadora Laureana Silveira mantém um salão de beleza. Para ela, limpeza e esterilização dos instrumentos de trabalho, além das cadeiras e das mãos são indispensáveis. “O que acho mais importante é a consciência de cada profissional. É uma manutenção diária de higiene e cuidado. Nestes 30 anos, eu nunca tive problemas com isso”, comemora.

Os cuidados essenciais
A auditora de vigilância sanitária, Graça Brito, indica que os clientes observem se os objetos estão limpos, se foram esterilizados, se os produtos químicos têm procedência e estão dentro do prazo de validade. Além de se certificarem se o profissional tem formação para trabalhar com estes instrumentos e produtos. “É de fundamental importância que ele entenda os riscos que corre neste ambiente. Prevenir é chegar antes e assim estou me prevenindo de várias doenças que podem ser transmitidas no salão”, alerta.

Graça Brito estende as recomendações de cuidado também aos profissionais da beleza, que ficam no estabelecimento muito mais tempo do que o cliente. “Eles precisam cuidar para eles mesmos não sejam contaminados com alguma doença”.

Para Laureana Silveira, os alertas e a cobrança por parte da Vigilância Sanitária são muito relevantes. “Eu gosto quando algum especialista vem no meu estabelecimento conferir se está tudo em ordem, pra eu continuar mantendo um bom padrão e seguindo todas as normas”.

As normas e legislações que regem o funcionamento de salões de beleza são determinadas localmente, pelos estados e municípios. E cabe também a eles a fiscalização quanto ao cumprimento das regras sanitárias.

Erika Braz, para o Blog da Saúde

Hanseníase é tema de curso do Ministério da Saúde e UNA-SUS

banner instagram hanseniase2No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase, com Mobilização Nacional a ser iniciada em 31 de janeiro, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Executiva da UNA-SUS e Secretaria de Vigilância à Saúde (SVS), oferece o curso online EAD - Hanseníase na Atenção Básica

Com novo ciclo de matrículas iniciado em 08/01 e disponível até 29/06/2018, alunos desta turma podem finalizar o curso até 29/07/18.

O curso tem como objetivo capacitar os profissionais para atendimento as pessoas acometidas pela hanseníase, especialmente os que atuam na Atenção Primária. O público-alvo são os profissionais da saúde de todo país, contudo, o curso é livre para demais interessados.

Para saber mais e se matricular, acesse o link http://www.unasus.gov.br/cursos/hanseniase. O início é imediato.

A formação possui carga horária de 45 horas, certificação emitida pela Secretaria de Vigilância à Saúde e é dividida em três unidades: Vigilância, Diagnóstico e Acompanhamento da Hanseníase na Atenção Básica. Os casos clínicos são transversais, abrangendo e integrando os aspectos de controle da doença.

Lançado em outubro de 2014, com sete turmas já ofertadas, o curso teve mais de 67 mil inscritos. Entre os perfis profissionais que mais buscam a capacitação 36% são enfermeiros; 29% são técnicos de enfermagem e 9%, médicos. A maioria dos inscritos atua em Centros e Unidades Básicas de Saúde (50%); Hospitais Gerais (20%) e Secretarias de Saúde (5%). Os estados com maior número de matrículas são: São Paulo (5.922); Minas Gerais (4.884); Ceará (4.759) e Bahia (4.087).

O curso é dinâmico e utiliza metodologia diversificada. Além dos casos clínicos, que simulam situações comuns no cotidiano das unidades de saúde, são oferecidas vídeo-aulas com explicações de especialistas, além de vídeos de apoio com dramatizações que tratam do tema da vídeo-aula. São também utilizados hipertextos, caixas de ajuda e glossário para que se possa aprofundar os conhecimentos de termos técnicos.

“O curso é de extrema importância, pois o enfrentamento da hanseníase é de grande relevância para a saúde pública do Brasil. A oferta de uma capacitação gratuita e de acesso aberto irá contribuir para um atendimento qualificado as pessoas acometidas pela doença”, ressalta o Secretário Executivo da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), Manoel Barral Netto.

Luta Contra Hanseníase
O Ministério da Saúde promove anualmente a Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase junto aos estados, municípios, instituições parceiras, movimentos sociais e sociedade civil. Esta ação tem como objetivo alertar sobre os sinais e sintomas da doença, estimular a procura pelos serviços de saúde em caso de suspeita, mobilizar a busca ativa de casos novos e o exame dos contatos pelos profissionais de saúde, favorecendo assim o diagnóstico precoce, tratamento oportuno, bem como o enfrentamento do estigma e discriminação.

Para o ano de 2018, com o slogan: Hanseníase. Identificou.Tratou. Curou, a Campanha objetiva alcançar toda a população, bem como, profissionais de saúde. Entretanto, terá como público prioritário homens na faixa etária de 20 a 49 anos, considerando esta uma importante parcela da população com alto risco de adoecimento. Também deve ser dada atenção especial aos homens com 60 ou mais anos de idade, por se tratar de um grupo com alto risco de detecção e de acometimento pelas incapacidades físicas devido a hanseníase. Para alcançar essa população masculina, os profissionais de saúde serão fundamentais, bem como a busca ativa de casos novos aos espaços de convivência do homem (ambiente domiciliar e social).

Nesse contexto, as áreas da Secretaria de Vigilância em Saúde (Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação e Coordenador-Geral da Regulação e Gestão da Provisão de Profissionais da Saúde), da Secretaria de Atenção à Saúde (Coordenação-Geral de Gestão da Atenção Básica, Coordenação Nacional de Saúde do Homem e Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa) e a Secretaria Executiva da UNA-SUS unem esforços voltados à mobilização dos profissionais de saúde para a realização da capacitação à distância por meio do curso EAD, bem como para a adesão às ações propostas pela Campanha, contribuindo assim para o avanço na redução da carga da doença no país.

A Hanseníase
A Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória, que possui como agente etiológico o Mycobacterium leprae. Atinge principalmente a pele e nervos periféricos, podendo apresentar surtos reacionais intercorrentes, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeiam a doença.

A transmissão se dá pelas vias áreas superiores (tosse ou espirro), de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um período de contato prolongado e contínuo. Portanto, é prioridade o exame de todas as pessoas que convivem ou conviveram com o caso de hanseníase nos últimos anos, como forma de diagnosticar precocemente, prevenir as incapacidades físicas e interromper a cadeia de transmissão da doença.

A hanseníase tem cura e seu tratamento é gratuitamente ofertado pelo SUS, disponível nas unidades públicas de saúde de todo o país. É feito por via oral, com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de três antibióticos. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde e as demais, auto-administradas. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida.

Além da realização do exame dermatoneurológico e avaliação neurológica simplificada, o paciente deve ser também orientado quanto às práticas simples do autocuidado com olhos, mãos e pés, que podem ser realizadas regularmente no seu domicílio e/ou em outros ambientes. O autocuidado melhora a qualidade de vida e autoestima da pessoa com hanseníase.

Situação Epidemiológica da Doença
A doença exibe distribuição heterogênea no país, com registro de casos novos em todas as Unidades Federadas, com maior concentração de casos nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O Boletim Epidemiológico Mundial, publicado em setembro de 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), informa que 143 países e territórios reportaram casos da hanseníase em 2016. Do total de 214.783 casos novos informados, o Brasil ocupou a segunda posição com 25.218 (11,7%) e a Índia a primeira, com 135.485 (63%) casos novos da doença.

Em 2016, 2.885 municípios diagnosticaram casos novos de hanseníase no Brasil. Desses, 591 municípios diagnosticaram casos em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente. O país registrou 25.218 casos novos da doença, com taxa de detecção de 12,23 por 100.00 habitantes (alta edemicidade). Do total de casos novos registrados, 1.696 (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos e 7.257 (28,8%) iniciaram tratamento com alguma incapacidade física.

Apesar disso, como resultado das ações voltadas para o controle da transmissão da doença, entre 2007 e 2016, a taxa de detecção reduziu 42,28%, o que corresponde a redução de 40.126 para 25.218 casos novos nesse período.

Quanto à distribuição por sexo e faixa etária, do total de casos novos registrados no Brasil em 2016, 13.686 (54,2%) foram na população masculina. Desses, 6.233 (45,5%) casos foram registrados na faixa etária de 20 a 49 anos de idade e, 3.422 (25%), na faixa etária de 60 anos ou mais.

Em abril de 2016 a Organização Mundial da Saúde (OMS), lançou a Estratégia Global para Enfrentamento da Hanseníase 2016-2020, com o objetivo de reduzir ainda mais a carga da doença no âmbito global e local, além de aperfeiçoar ações conjuntas e aprimorar esforços para abordar os desafios enfrentados tanto na área da assistência quanto nos aspectos humanos e sociais que acometem o controle da hanseníase.

Fonte: SVS/MS, com informações da SE/UNA-SUS

Coloque fone de ouvido: música intensifica efeito de remédio na hipertensão

Pode parecer que não há relação, mas a ciência provou o contrário

Pesquisadores mostraram que a música intensifica os efeitos benéficos de medicamentos sobre o coração em curto prazo. Os efeitos positivos de medicamentos para hipertensão causam, é claro, a redução da pressão arterial e da frequência cardíaca. Porém, estudiosos da Unesp, Faculdade de Juazeiro do Norte, Faculdade de Medicina do ABC e da universidade inglesa Oxford Brookes testaram se a música não era capaz de potencializar as respostas dos remédios.

Na pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, da Nature, 37 pacientes com hipertensão controlada foram analisados por dois dias. No primeiro encontro, os voluntários tomaram medicamentos anti-hipertensivo e com fones de ouvido escutaram música instrumentais da cantora Adele, como Someone like you e Hello, além de Amazing grace. Já no segundo dia, os pacientes tomaram o remédio novamente, colocaram os fones de ouvido, mas estavam desligados, ficaram em silêncio.

Um método sensível capaz de detectar alterações no coração, identificou que os medicamentos apresentaram respostas significativamente mais intensas sobre a atividade do coração quando os voluntários ouviam música. A melodia intensificou os efeitos benéficos. É hipertenso e toma remédios? Está aí uma boa dica de playlist.

Uol

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Energéticos têm impacto negativo em jovens, diz estudo

Estudo conduzido no Canadá mostra que mais da metade dos jovens entre 12 e 24 anos que beberam energéticos relatam impactos negativos na saúde

Um estudo conduzido no Canadá pede maior atenção para o consumo de bebidas energéticas por jovens. A pesquisa descobriu, entre outras coisas, que mais da metade de consumidores de energéticos entre 12 e 24 anos sentiram efeitos negativos em sua saúde após o consumo da bebida.

A pesquisa entrevistou mais de dois mil jovens dentro dessa faixa etária. Entre aqueles que já haviam consumido energéticos, 55% disseram que sentiram efeitos negativos em sua saúde. Entre os problemas mais citados pelos entrevistados estavam aumento na velocidade do batimento cardíaco (citado por 14,7% dos entrevistados, dificuldade para dormir (24,1%) e dores de cabeça (18,3%).

Sintomas como náusea, vômitos e diarreia foram citados por 5,1% dos entrevistados. Um problema bastante sério, incidência de convulsões, foi citado por 0,2% dos entrevistados. Entre esses jovens, 5% tiveram que buscar por atendimento médico em decorrência dos efeitos reportados. Os pesquisadores pedem maior atenção de autoridades para o consumo de bebidas energéticas por parte de jovens e adolescentes.

“O número de impactos na saúde observado em nosso estudo sugere que mais deveria ser feito para restringir o consumo entre crianças e adolescentes”, diz David Hammond, professor na escola de saúde pública da Universidade de Waterloo, no Canadá, e um dos membros do estudo em comunicado. A pesquisa foi publicada no periódico científico Canadian Medical Association Journal Open.

Foto: Reprodução

Exame