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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Doença que afeta fumantes leva ao cansaço extremo e depressão

Apesar de desconhecida, sete milhões de pessoas no Brasil sofrem de DPOC
 
Tosse, catarro, cansaço e falta de ar são sintomas mais comuns de muitas doenças respiratórias. Mas também são sinais de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), mistura de enfisema e bronquite, que afeta especialmente fumantes e pode limitar as atividades do dia a dia do paciente, devido ao cansaço extremo e até mesmo depressão.
 
Nesta quarta-feira (18), Dia Mundial de Combate à DPOC, o diretor da comissão de infecções respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia, Mauro Gomes, explica que a doença atinge cerca de sete milhões de pessoas no Brasil e mais de 40 mil morrem por ano por conta dessa complicação respiratória.
 
 De acordo com o médico, a doença provoca insuficiência respiratória devido a uma inflamação nos brônquios, que obstrui a passagem do ar e provoca destruição dos alvéolos, onde “o ar é filtrado”.
 
Gomes explica que a doença é dividida em quatro estágios.
 
— No primeiro, o paciente se cansa ao fazer algum tipo de esforço físico, como subir uma escada. No segundo, caminhar em uma superfície plana pode tirar o fôlego. Já no terceiro, a pessoa fica constantemente cansada e tem crises de falta de ar. No estágio mais avançado, o paciente não pode realizar nenhum tipo de atividade física. Trocar de roupa, tomar banho e escovar os dentes são atividades que o deixariam extremamente cansado. Nesse estágio, é preciso ter o oxigênio disponível o dia inteiro. Tenho pacientes que precisam tomar banho com o oxigênio para não perder o ar.
 
Além dos problemas respiratórios, outra consequência da DPOC é a depressão. Como o paciente deixa de realizar atividades simples do dia a dia, isso leva o idoso a se sentir incapaz, explica.
 
— A pessoa foi independente a vida inteira e agora, na terceira idade, precisa de acompanhamento.
 
Isso tem um impacto emocional muito forte no idoso.
 
O médico explica que 95% dos casos acontece por causa do tabagismo, tanto direto quanto indireto, em casos de pessoas que conviveram muito tempo com fumantes. Em média, a pessoa precisa ter fumado pelo menos 20 a 25 anos de consumo. Por isso, segundo o especialista, normalmente, o diagnóstico é feito após os 40 anos de idade, por causa do excesso no cigarro.
 
— A DPOC é irreversível, mas o diagnóstico precoce pode ajudar a diminuir os efeitos do cigarro no organismo, mas para isso, é óbvio que é preciso parar de fumar para diminuir os prejuízos respiratórios.

Na avaliação do médico, um dos principais problemas da doença é a “subnotificação”, ou seja, ele afirma que muitas pessoas consideram normal da idade se sentir mais cansados e deixam de procurar o médico.
 
— É preciso que elas conheçam a doença para ter o diagnóstico e tratamento correto. Ela é progressiva, mas se o paciente para de fumar, a doença deixa de progredir. Se houver o diagnóstico precoce, a pessoa não vai perder a qualidade de vida de não poder fazer nada, ainda mais se cortar o cigarro. Então, o principal benefício do diagnóstico é prevenir a sobrecarga do coração, porque a debilidade respiratória faz com que o coração trabalhe mais para fornecer oxigênio para o corpo inteiro.
 
Tratamento e medicamentos
O pneumologista ainda ressalta que os pacientes que sofrem com DPOC precisam de medicamentos para a vida inteira e, em casos graves, até mesmo o oxigênio precisa ser contínuo. E todos os remédios necessários para tratar a doença estão disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde). O médico lembra que o tratamento particular pode pesar no bolso.
 
— O tratamento particular básico, com remédios, custa cerca de R$ 200 por mês. Mas o oxigênio é muito mais caro. Em um mês a pessoa vai gastar uns R$ 500. Se for comprar o aparelho pode custar até R$ 5.000.
 
Há diversos tipos de spray, vapor, pó, que são inalados para chegar ao pulmão, afirma o médico. O pneumologista também explica que o remédio dilata as vias aéreas para que o ar passe naturalmente.
 
— É feito um exame de prova de função pulmonar, conhecido como espirometria, em que se observa como está a passagem do ar. Menos de 70% já é um paciente que tem limitações respiratórias.

Quem tem DPOC não pode viajar de avião, porque a oxigenação é diminuída durante o voo, explica Gomes.

— Para viajar, a pessoa precisa do oxigênio portátil, mas não pode subir no avião com o cilindro, porque pode explodir. A companhia aérea tem que fornecer, mas é preciso solicitar com muita antecedência. Ele certamente vai pagar a mais, porque a companhia precisa se organizar para ter essa ferramenta para o passageiro. Muitos acabam desistindo de viajar, porque é realmente muito complicado, ou até pior, decidem arriscar e viajar sem o oxigênio.

R7

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