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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Testado em Porto Alegre, novo remédio para câncer de pâncreas é aprovado nos EUA

Empresa americana fez parceria com o Hospital de Clínicas para desenvolver o medicamento
 
Um medicamento que promete impedir significativamente o avanço do câncer de pâncreas foi aprovado pelos Estados Unidos. A doença é um dos tipos de câncer mais letais entre os brasileiros.

Aprovado no final de outubro pelo órgão que controla os medicamentos nos Estados Unidos (FDA), o remédio deve começar a ser vendido nas próximas semanas. No Brasil, ainda não há prazo para o medicamento entrar nas prateleiras, já que a substância ainda não foi encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
 
Iniciados há mais de uma década, os estudos foram comandados pela Merrimack Pharmaceuticals, localizada em Cambridge, no Estado americano de Massachusetts. A empresa buscou parceiros em todo o mundo para testar a droga, entre eles Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Testado em cerca de 800 pacientes, o medicamento apresentou resultados animadores. Em um período de 12 semanas, por exemplo, 57% dos pacientes que foram tratados com a nova combinação estavam vivos e apresentavam melhora, contra apenas 26% dos que receberam somente o medicamento tradicional.
 
O chefe do Serviço de Oncologia do HCPA, Gilberto Schwartsmann, é um dos autores do estudo que serviu de base para a aprovação da droga. Ele explica que ela representa uma maneira "mais inteligente" de usar a quimioterapia, que utiliza nanotecnologia. Batizada cientificamente de MM-398, o medicamento será chamado de Onivyde no comércio americano.
 
A droga foi desenvolvida com objetivo de romper com uma "barreira celular" formada pelo tumor cancerígeno no pâncreas. Conforme Schwartsmann, a doença estimula a formação de células fibrosas em volta do tumor, que funcionam como uma parede para a quimioterapia.
 
— O medicamento entra no tumor, mas com dificuldade por causa dessa barreira. Por isso esse tipo de câncer é difícil de tratar — explica.
 
Para que o medicamento ultrapasse essa barreira com facilidade, os cientistas utilizaram da nanotecnologia para inserir a quimioterapia comum dentro de um lipossoma (uma gota com gordura junto). Assim, dentro dessa bolinha, foram colocados 80 mil partículas de irinotecano, medicamento comumente usado em pacientes com câncer de pâncreas.
 
Estando dentro dessa esfera, o medicamento entra na circulação de forma injetável, como a quimioterapia comum, mas só é liberado próximo do tumor. Isso acontece porque, dentro da bolinha de gordura, o medicamento só é liberado por células do sistema imunológico que ficam próximas ao câncer. Essas células "comem" as esferas, atravessam a barreira ao redor do tumor e liberam o medicamento sobre a doença, como se fossem "emissárias" da quimioterapia.
 
Além de ser uma forma de ultrapassar a barreira, o lipossoma tem a vantagem de carregar dentro dele uma quantidade enorme de irinotecano.
 
— A nanotecnologia consegue colocar num lipossoma 10 mil vezes mais partículas dessas moléculas da quimioterapia, o que ataca o tumor de forma mais efetiva — completa Schwartsmann.
 
Por questões éticas, o novo medicamento foi testado em pacientes em que a quimioterapia comum não teve efeito, e não como um tratamento inicial. Agora, Schwartsmann explica que devem iniciar os testes com a droga no início da luta contra o câncer de pâncreas. Além disso, pode ser estudado em outros tipos de câncer, como de intestino e pulmão. A pesquisa sobre o medicamento foi aprovada para publicação pela revista The Lancet, uma das mais respeitadas da ciência.

Os tipos de câncer que mais matam no país*:
 
Óbitos de homens
Traqueia, Brônquio e Pulmão: 14.811
Próstata: 13.772
Estômago: 9.142
Colorretal: 7.387 
Esôfago: 6.203 
Fígado e Vias biliares intra-hepáticas: 5.012 
Pâncreas: 4.373
Encéfalo: 3.893  
Laringe: 3.635
Bexiga: 2.542

Óbitos de mulheres
Mama: 14.206
Traqueia, Brônquio e Pulmão: 9.675
Colorretal: 8.024
Colo do útero: 5.430  
Estômago: 5.040
Pâncreas: 4.335
Encéfalo: 3.893
Fígado e Vias biliares intra-hepáticas: 3.759 
Ovário: 3.283
Útero: 2.080
 
* Dados referentes a 2013, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca)

Zero Hora

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