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sábado, 9 de janeiro de 2016

Seguindo tendência mundial, Brasil reduz uso da 'vacina do Zé Gotinha'

Governo anunciou mudanças no calendário vacinal nesta semana. OMS tem meta de eliminar uso da vacina oral contra pólio até 2020

Vacinação contra pólio em João Pessoa  (Foto: Rizemberg Felipe/Jornal da Paraíba)
Foto: Rizemberg Felipe/Jornal da Paraíba
Vacinação contra pólio em João Pessoa: gotinha deve ser progressivamente substituída por vacina injetável

A mudança no calendário vacinal anunciada pelo governo nesta semana – que, entre outras medidas, determinou que a terceira dose da vacina contra poliomielite seja injetável em vez de oral – segue uma tendência mundial e uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão tem a meta de eliminar o uso da gotinha até 2020 devido ao risco, ainda que extremamente raro, de essa vacina provocar a poliomielite em vez de proteger contra a doença. A ideia é substituí-la progressivamente pela versão injetável.

Hoje, existem duas vacinas contra poliomielite: a vacina oral de poliomielite (VOP), também conhecida como gotinha ou Sabin, e a vacina inativada de poliomielite (VIP), que é injetável e também conhecida como Salk.

A vacina oral foi responsável por erradicar a doença no país há mais de 20 anos após campanhas de vacinação protagonizadas pelo personagem Zé Gotinha. Ela é feita com vírus vivos atenuados e a injetável é feita com vírus inativados. Em uma situação em que a poliomielite é endêmica, a gotinha tem a vantagem de garantir uma proteção indireta para a população que não foi vacinada, segundo o médico Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

“Como o vírus é vivo, ele se multiplica no intestino da criança, que o elimina nas fezes. Esse vírus vacinal acaba circulando na comunidade por meio da água e do esgoto, imunizando indiretamente mesmo os que não receberam a vacina. Esse é o grande mérito da vacina Sabin”, diz.

O problema é que, em situações muito raras, estimadas e uma a cada um milhão de crianças vacinadas, o vírus sofre uma mudança e passa a provocar a paralisia infantil, em vez de proteger contra a doença. Quando existem muitos casos de poliomielite em uma região, os benefícios da vacina oral superam em muito os riscos. Mas em situações como a do Brasil, em que não existe nenhum caso desde 1990, o ideal é substituí-la pela vacina injetável, que não apresenta risco de provocar a doença.

De acordo com o planejamento da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite, parceria da qual a OMS faz parte, a eliminação total da vacina oral deve ocorrer até 2020.

No Brasil, a vacina injetável entrou no Calendário Nacional de Vacinação em 2012 para substituir a gotinha na primeira e segunda dose do esquema vacinal. Com a mudança anunciada nesta semana, a vacina injetável passou a ser indicada também para a terceira dose.

Por enquanto, a vacina oral continua sendo indicada para as duas doses de reforço. Segundo estudos, o risco de a gotinha provocar poliomielite é maior nas duas primeiras doses do esquema vacinal.

Nova composição da vacina oral
A Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite também planeja outra mudança ainda para esse ano: alterar a composição da vacina oral para que ela deixe de ser trivalente e passe a ser bivalente.

Kfouri explica que existem três tipos de poliovírus. Um deles, o tipo 2, já foi completamente eliminado do mundo, por isso a vacina deve ser alterada para conter proteção contra o 1 e o 3 apenas. Segundo Kfouri, a nova vacina oral deve estar disponível no Brasil a partir de agosto.

A poliomielite continua endêmica em apenas dois países: Paquistão e Afeganistão. A Nigéria saiu dessa lista em setembro.

G1 

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