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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Polícia indicia equipe médica que fez mutirão da catarata, em São Bernardo

Reprodução
Ação deixou 20 pessoas cegas em janeiro deste ano. Relatório afirma que instrumentos não foram esterilizados entre cirurgias

A polícia indiciou, na última sexta-feira (17), por lesão corporal culposa, quando não há intenção de ferir, o médico e duas enfermeiras responsáveis pelo mutirão da catarata, que deixou 20 pessoas cegas, em São Bernardo do Campo, no ABC. O caso aconteceu em janeiro deste ano.

O delegado que investigou o caso, acusou o médico e as duas enfermeiras 20 vezes por lesão corporal. Cada indiciamento se refere a um paciente que teve complicações.

O relatório feito pela Secretaria Municipal de Saúde, que faz parte do inquérito, afirma que durante as cirurgias, os instrumentos não foram esterilizados entre um paciente e outro, o que contribuiu com a infecção das vítimas. A equipe médica fez 27 cirurgias entre às 8h e 17h do dia 30 de janeiro.

“Cada cirurgia de catarata, entre uma e outra é como se fosse uma nova cirurgia, lava-se a mão, faz a esterilização, então aqui não houve esse tratamento”, afirma o delegado Gilberto Peranovich.

Maria da Glória Almeida, de 71 anos, é uma das pacientes que teve complicações. No dia seguinte à operação, ela perdeu o globo ocular, que já estava comprometido pela infecção. A aposentada ainda tem tremores e toma remédios para depressão. “Eu esperava uma coisa melhor, mas terminou nessa situação triste”, lamenta.

O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) disseram que as investigações correm sob sigilo e que se for comprovada a culpa, o médico as enfermeiras podem receber advertência ou até a perder o registro profissional.

O advogado das enfermeiras disse que elas seguiam a orientação do médico e que espera a decisão da justiça para se manifestar. O advogado do médico não atendeu às ligações do SPTV.

Entenda o caso

Mais de vinte pacientes de um mutirão de catarata realizado no Hospital de Clínicas do Alvarenga, em São Bernarndo do Campo, foram contaminados por uma bactéria. São pacientes idosos, que agora dependem de medicamentos caros e de acompanhamento especial.

O aposentado Expedito Batista é uma das vítimas. Ele decidiu fazer a cirurgia buscando maior qualidade de vida e continuar realizando uma de suas paixões, viajar de carro, como condutor. “Eu tinha 70% da minha visão. Entrei bem pra operar, pra melhorar. E perdi totalmente a visão do lado direito”, conta.

E a perda é definitiva, disseram os médicos que já operaram o aposentado mais duas vezes para combater a infecção por uma bactéria. A mesma que atingiu muitos outros pacientes que participaram do mutirão, no fim de janeiro. Segundo informações recolhidas pelas famílias, pelo menos quinze perderam a visão e dez, o próprio globo ocular. Os parentes se organizam para processar o hospital.

Letícia Meikoga, filha de uma das vítimas, afirma que o grupo pretende entrar com uma ação pedindo indenização por danos morais, materiais e suporta para as famílias, além de medicamentos.

Marialda Alves Sampaio, também filha de vítima, representa uma das famílias que precisarão de ajuda a partir de agora. Ela conta que o pai dela, de 80 anos, era quem cuidava da mulher, também idosa. Mas agora, sem um dos olhos, a família terá de encontrar outra solução. “Nós trabalhamos, não podemos ficar lá o tempo todo. Eles vão precisar de um acompanhante. E quem vai ter que bancar esse acompanhante?”, questiona.

A Secretaria de Saúde de São Bernardo do Campo confirma que de 27 pacientes operados no dia 30 de janeiro, 21 foram contaminados.

G1

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