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terça-feira, 19 de julho de 2016

Operação da PF descobre fraude em compras no Hospital das Clínicas

Marca-passos para mal de Parkinson eram superfaturados. Pacientes eram orientados entrar com ação para autorizar compra


Operação da PF descobre fraude em compras no Hospital das Clínicas Marca-passos para mal de Parkinson eram superfaturados. Pacientes eram orientados entrar com ação para autorizar compra.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal fizeram uma operação contra fraudes na compra de equipamentos para cirurgias indicadas no tratamento do mal de Parkinson no maior hospital do Brasil.

Foi dentro do Hospital das Clínicas que a Polícia Federal descobriu a fraude. De acordo com a investigação, o neurocirurgião Erich Fonoff e o diretor-técnico Waldomiro Pazin orientavam pacientes a ingressarem com ações na Justiça para conseguir liminares em caráter de urgência para implante de um marca-passo cerebral.

Ele ajuda a diminuir os efeitos do mal de Parkinson, uma doença degenerativa que limita os movimentos voluntários do corpo por falta de um neurotransmissor chamado dopamina, daí veio o nome da operação da PF.

“Na prática, quem não entrava com a ação, não tinha cirurgia. Então, pacientes que estavam há dois anos em espera, tinham a sua fila furada, vamos dizer assim, por pacientes que entravam com ação judicial e conseguiam aquisição do material superfaturado”, explicou o delegado de Polícia Federal Milton Fornazari Júnior.

A Polícia Federal afirma que, assim que a liminar era concedida, o equipamento era comprado sem licitação de uma única empresa, a Dabasons, do empresário Vcitor Dabbah, que, segundo a investigação, em troca pagava propina a funcionários do hospital.

O marca-passo, que pela licitação oficial custava R$ 27 mil ao SUS, na verdade era comprado por R$ 114 mil.

Os policiais afirmam que o esquema funcionou entre 2009 e 2014, quando foram realizadas 154 cirurgias de implante do marca-passo. E que o prejuízo foi de R$ 13,5 milhões aos cofres públicos.

“É muito significativo. Deixaram de adquirir 400 aparelhos para fazer tratamento de 400 pacientes por conta dos desvios”, diz a procuradora da República Thaméa Danelon.

Os suspeitos foram levados para prestar depoimento e depois liberados.

“O Hospital das Clínicas, que é ligado à Secretaria de estado, vai apurar com todo rigor, vai ter os seus diagnósticos e tomar as providências punitivas adequadas. Isso, nem como secretário, mas como médico, me causa uma profunda dor, imaginar que colegas cheguem a esse ponto de desviar dinheiro em cima de algo fundamental que é a vida das pessoas”, afirmou o secretário estadual da Saúde de São Paulo, David Uip.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, essa é mais uma suspeita de fraude no que ele chama de judicialização da saúde.David Uip disse que o estado de São Paulo gasta, por ano, só com determinações judiciais R$ 1,2 bilhão, e que, desse total, pelo menos R$ 240 milhões são resultado de golpes aplicados por quadrilhas.

A defesa de Vcitor Dabbah declarou que a empresa Dabasons nunca vendeu equipamentos superfaturados para implantes e que praticava preços de mercado.

O neurocirurgião Erich Fonoff disse que mantém relacionamento técnico com diversas empresas, mas que nunca teve poder para influenciar compras feitas pelo Hospital das Clínicas.

A defesa de Waldomiro Pazin declarou que ele respondeu a todas as perguntas dos investigadores e que está tentando uma cópia do procedimento que deu origem à ordem para levá-lo para depor.

G1

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