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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Cientistas descobrem analgésico que poderia substituir a morfina

Novo medicamento, chamado PZM21, não causaria dependência. Droga também não provoca problemas respiratórios associados a opioides

Nova droga, nomeada PZM21, pode vir a substituir a morfina (Foto: CDC/ Amanda Mills)
Nova droga, nomeada PZM21, pode vir a substituir a morfina (Foto: CDC/ Amanda Mills)

Cientistas anunciaram na quarta-feira (17) uma droga sintética que neutraliza a dor de forma tão eficaz quanto a morfina, mas sem os efeitos colaterais que tornam os opioides tão perigosos e viciantes.

Os métodos de big data utilizados pelos pesquisadores também abriram um caminho promissor na inovação de remédios, segundo um estudo publicado na revista científica Nature.

Em experimentos com ratos, o novo composto ativou um caminho molecular conhecido no cérebro que desencadeia a supressão da dor.

Mas ao contrário da morfina e de outras drogas prescritas, como a oxicodona ou o oxycontin, o composto não ativou um segundo caminho que pode desacelerar ou bloquear a respiração normal.

A supressão respiratória causada por opioides resulta em cerca de 30 mil mortes por ano nos Estados Unidos, onde o consumo de opioides assumiu proporções epidêmicas.

A nova droga - nomeada PZM21 - não causou dependência nos ratos de laboratório, que ficam viciados em morfina e medicamentos analgésicos tão facilmente quanto os seres humanos.

A PZM21, segundo os pesquisadores, oferece "analgesia de longa duração acoplada à eliminação aparente da depressão respiratória".

Uma terceira vantagem do novo composto, segundo eles, é que ele não causa constipação. Nos Estados Unidos, remédios que soltam o intestino bloqueado devido ao uso de opioides são anunciados na televisão.

O ópio e seus derivados são utilizados para diminuir a dor (e gerar sentimentos de euforia) há mais de 4 mil anos.

"As pessoas estão procurando um substituto mais seguro para os opioides padrão há décadas" , disse Brian Shoichet, professor da Escola de Farmácia da Universidade da Califórnia, em San Francisco, e um dos três autores sênior do estudo.

A maioria desses esforços tentaram ajustar a estrutura química da droga para eliminar os efeitos colaterais.

Shoichet e colegas da Universidade de Stanford, da Universidade da Carolina do Norte e da Universidade de Erlangen-Nuremberga na Baviera, Alemanha, fizeram uma abordagem radicalmente diferente.

Em direção à 'droga perfeita'
Em vez disso, a equipe ficou no chamado receptor de opioide no cérebro, que desencadeia uma reação química que leva à supressão da dor quando ativado.

Apenas uma molécula que "encaixasse" com sucesso no receptor - como uma chave girando uma fechadura - iria funcionar.

Mas para evitar a dependência e a insuficiência respiratória, essa mesma molécula não deveria, como a morfina, encaixar com um segundo receptor que provoca essas reações indesejadas.

"Com as formas tradicionais de descoberta de drogas, você está trancado em uma pequena caixa química", explicou Shoichet.

"Mas quando você começa com a estrutura do receptor que você deseja alcançar, você pode jogar fora todas essas restrições", acrescentou.

Usando simulações de computador, os pesquisadores testaram três milhões de compostos disponíveis comercialmente - e um milhão de configurações possíveis para cada um - para ver quais se encaixavam melhor com o receptor.

Cerca de 2.500 moléculas passaram no teste. Depois de eliminar as que se assemelhavam muito aos opioides, sobraram 23.

E apenas um deles, mostrou uma análise mais aprofundada, ativou o "bom" caminho molecular sem desencadear o "mau".

"Há pouca dúvida de que a triagem computacional baseada na estrutura vai acelerar o ritmo de descoberta de drogas", comentou Brigitte Kieffer, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade McGill, na revista Nature.

A nova pesquisa, acrescentou, foi "um passo em direção à droga perfeita".

A PZM21 ainda tem muitos obstáculos a superar antes de aparecer nas prateleiras das farmácias.

Primeiro, deve ser provado que a droga é segura para os humanos e eficaz em ensaios clínicos - um processo que normalmente leva até uma década.

Pesquisas futuras também vão ter de determinar se os ratos - ou pessoas - desenvolvem uma tolerância à droga, fazendo-a perder sua potência analgésica ao longo do tempo.

G1

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