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quinta-feira, 31 de março de 2011

Brasil produzirá remédios contra câncer em parceria com laboratório multinacional

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Brasil começará a produzir medicamentos contra o câncer por intermédio de parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o laboratório multinacional Roche. Atualmente, o país gasta cerca de R$ 2 bilhões por ano com a importação de remédios para tratamento de câncer. A informação foi divulgada hoje (30) pelo presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, durante assinatura de acordo com a Roche para a produção nacional de medicamento contra rejeição de transplantes.

O acordo para a produção de medicamentos anticâncer será definido por um grupo de estudos constituído com o laboratório e deve ser anunciado nos próximos meses, afirmou Paulo Gadelha. “Este ano, nossa intenção é fechar outro acordo com a Roche, caminhando para a área de oncológicos, que é um dos objetivos estratégicos da política do Ministério da Saúde. A ideia é começar a definir a incorporação de tecnologia. Definida a incorporação, começamos o processo gradativo de internalização da produção.”

O presidente da Fiocruz ressaltou que o laboratório estrangeiro tem conhecimento fundamental na pesquisa de drogas contra o câncer. “A Roche tem medicamentos muito importantes na área de oncológicos. Estamos desenhando uma agenda de trabalho para que o próximo passo do acordo se estabeleça nesse campo. São medicamentos que têm um custo enorme para o Ministério da Saúde e que estão na pauta de estudos, com possibilidade de transferência de tecnologia.”

A assinatura do acordo com a Roche contou com a presença do presidente mundial da empresa, Severin Schwan, e do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha.

“O país gasta [por ano] cerca de R$ 2 bilhões em medicamentos oncológicos. É uma área muito crítica e, ao recebermos boas propostas de produtores públicos, como a Fiocruz, vamos considerar com muita prioridade. O Brasil é fortemente dependente nessa área. Atualmente mais de 90% dos medicamentos contra o câncer são importados”, disse Carlos Gadelha.

Ao final da cerimônia, o presidente da Fiocruz destacou também que a parceria para a produção de medicamentos contra a rejeição de transplantes permitirá que a fundação comece a distribuir, ainda este ano, em embalagens próprias, o remédio Micofenolato de Mofetila. O repasse de tecnologia da Roche estará completo em 2015, quando a Fiocruz terá dominado todas as etapas de fabricação do medicamento. Só em 2010, o Ministério da Saúde gastou mais de R$ 15 milhões na aquisição do remédio para pacientes transplantados, que precisam usá-lo de forma contínua por toda a vida.

Curso vai capacitar anestesistas para transplantes no Rio

Anestesistas de hospitais federais do Rio de Janeiro vão ser capacitados para atuar em transplantes de fígado. Ao todo, 24 profissionais dos hospitais do Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores, serão selecionados para participar do curso.

No Rio, mais de 300 pacientes aguardam na fila para fazer o transplante de fígado e o Hospital de Bonsucesso é responsável por 80% das cirurgias no Estado.

O programa de capacitação prevê aulas práticas de cirurgia e oitenta horas de aulas presenciais e à distância, como explica João Marcelo Ramalho, diretor do Departamento de Gestão Hospitalar do Estado do Rio de Janeiro.

"Estamos fazendo levantamento do perfil dos anestesistas para o curso, que serão funcionários próprios do ministério. Que tipo de capacitação ele tem, anos de formado, em que área da anestesia ele atua, se ele estaria disponível para atuar em transplantes, já que é uma cirurgia que pode ocorrer a qualquer hora do dia, qualquer dia da semana", diz Ramalho.

O treinamento é uma parceria do Ministério da Saúde com o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, referência em transplantes do país.

Cartilha dos direitos dos autistas vai ser lançada no sábado

No próximo sábado, 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, a Defensoria Pública de São Paulo vai lançar a cartilha "Direitos das Pessoas com Autismo".

Além dos direitos do paciente, o material tem orientações sobre a rede de atendimento especializada e informações sobre sintomas, diagnóstico e tratamento.

O plano é distribuir 5.000 exemplares em duas caminhadas promovidas pelo Movimento Pró-Autista. Uma será no sábado, em Guarulhos (Grande São Paulo), às 14h, a partir da praça Getúlio Vargas. A outra será no domingo, em São Paulo. Começa às 8h, na avenida Roberto Marinho com a rua Miguel Sutil.

A cartilha está no site da Defensoria Pública de SP:


Médicos indicam drogas anticâncer para pessoas saudáveis

Um grupo de oncologistas dos EUA e da Europa está defendendo a quimioprevenção, que é o uso de remédios para câncer em pessoas saudáveis, mas com alto risco de desenvolver a doença.

Em um consenso internacional coordenado pelo epidemiologista Jack Cuzick, do centro de pesquisas em câncer do Reino Unido, médicos e pesquisadores afirmam que remédios hormonais são eficazes na redução do risco de câncer de mama, mas pouco utilizados.

Um desses remédios é o tamoxifeno, que bloqueia os receptores de estrógeno na mama. Ele já foi bem pesquisado para a prevenção, e seu uso nesse contexto foi aprovado pelo órgão regulador de medicamentos dos EUA, o FDA, mas não pela Anvisa.

"A indicação pode ser feita individualmente pelo médico, mas a maioria não faz", diz o oncologista Auro del Giglio, da faculdade de medicina do ABC e do hospital Albert Einstein.

Isso porque, segundo Giglio, o remédio pode aumentar o risco de trombose e câncer de útero. "E, embora as pesquisas mostrem que o remédio diminui casos de câncer, não indicam se ele faz a mulher viver mais tempo e ter qualidade de vida."

A indicação da droga costuma ser feita para casos de alto risco, mas há tentativas de estender esse uso. O mastologista José Roberto Filassi, do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) acredita que há interesses comerciais por trás.

"Há um estudo sobre o uso preventivo de outro tipo de droga hormonal para câncer que deve ser publicado em 2012. São os inibidores de aromatase, que impedem a formação de estrógeno. Pode haver interesse dos fabricantes, porque esses remédios estão perdendo a patente."

Em artigo publicado no periódico "Lancet Oncology", os principais autores do consenso declaram conflitos de interesse. Eles receberam patrocínio da Astra Zeneca, Novartis e Eli Lilly, que fabricam inibidores de aromatase.


Polêmica 
Em outro artigo publicado na revista "Nature", Michael Sporn, professor de farmacologia da faculdade de medicina Dartmouth (EUA), sugere que o uso preventivo de remédios para câncer pode se tornar tão comum quanto o de estatinas para evitar doença de coração.

As estatinas diminuem o colesterol, fator de risco para infartos. Os remédios hormonais reduzem ou bloqueiam o estrógeno. Em 70% dos casos de câncer de mama, o aumento desse hormônio no tecido mamário está associado ao desenvolvimento da doença.

"É preciso diferenciar as coisas. O colesterol pode ser medido objetivamente. O risco de câncer de mama não, é só uma projeção a partir de dados clínicos. E mesmo assim, ter maior risco não significa que você vai desenvolver a doença", diz a coordenadora de oncologia clínica do Icesp, Pilar Estevez.

Além de a definição de "risco" ser problemática, Estevez questiona o uso de remédio por pessoas que não estão doentes.

"Se ela tiver complicações por causa do remédio, trocou uma probabilidade de doença por problemas induzidos pelo medicamento."

SP quer teste final de coração artificial

Após 15 anos de pesquisas e testes em animais, o primeiro coração artificial completo produzido no Brasil finalmente deve chegar à prova final: o teste em humanos.

A equipe do Instituto Dante Pazzanese, centro de referência em cardiologia da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, contou ao JT ontem que está prestes a protocolar um pedido na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para testar o dispositivo em voluntários, experimento previsto já para 2011.

Segundo o médico Jarbas Dinkhuysen, chefe do departamento de transplante cardíaco do Dante, no exterior há pacientes que já passaram até sete anos com o dispositivo. Esse desempenho é especialmente importante para pessoas com quadros cardíacos graves, à espera de corações nas filas de transplante.

“Há uma taxa de morte bastante grande nesse processo de espera. Todos os doentes críticos morrem em até dois anos caso não consigam o órgão”, diz o médico Noedir Stolfe, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e do Instituto do Coração (InCor).

Stolfe lembra que o tempo de espera por um coração é variável, porque isso depende da gravidade da doença e da compatibilidade com o doador, entre outros fatores. O processo pode levar anos. “Quando o doente tem um choque cardiogênico (estágio crítico), se não fizer o transplante, morre. Um doador não surge em um estalar de dedos.”

O coração do Dante é indicado justamente para quadros graves. “Se a pessoa que aguarda pelo transplante entrar em uma situação clínica insustentável, colocamos o aparelho para segurá-la por até 90 dias para que, depois, possa receber o transplante”, explica Dinkhuysen.

Segundo ele, o equipamento já foi testado em mais de 30 bezerros. Dinkhuysen afirma que a aplicação de ventrículos artificiais é muito comum fora do País, mas no Brasil o preço dos equipamentos importados ainda é impeditivo para a prática.

De acordo com o engenheiro Aron José Pazin de Andrade, um dos pesquisadores do coração artificial, o dispositivo brasileiro deve custar de um quinto a um oitavo do valor do importado – cujo preço varia entre U$150 mil e U$300 mil.

Ontem, o Dante inaugurou um centro de cirurgia experimental que vai oferecer tecnologia para acelerar os experimentos com o coração. “Esse tipo de equipamento precisa de uma estrutura muito complexa para ser testado, que não tínhamos antes”, avalia Andrade.

Uma das diferenças desse equipamento para outros já desenvolvidos é que, além de poder funcionar tanto com um quanto com dois ventrículos, foi concebido como um coração auxiliar. Ou seja, funciona em conjunto com o coração do paciente, que não precisa ser retirado.

O médico Ari Timerman, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), destaca que ele também é mais fácil de ser manejado. “Ele é eletromecânico e pulsátil, enquanto outros dependem de uma máquina externa maior.”

No ano passado, foram realizados 166 transplantes de coração no País, sendo quase metade deles (76) no Estado de São Paulo.