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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Estudos descartam risco psiquiátrico em droga antifumo

Fumantes que fazem tratamento com o medicamento antitabagismo Champix, da Pfizer, não correm um risco maior de hospitalização por problemas psiquiátricos, como depressão, em comparação com adesivos de nicotina, segundo estudos divulgados na segunda-feira (24).

Em pesquisas anteriores, usuários do remédio relataram depressão, agitação e tendência suicida. Em ensaios clínicos, a pílula já foi ligada a pesadelos.

Sintomas psiquiátricos ocorreram em pessoas sem história de doença mental e se agravaram em pessoas que já tiveram algum problema dessa natureza, de acordo com a FDA (agência que regula remédios e alimentos nos EUA).

Embora os investidores tivessem grandes esperanças para o medicamento --chamado Chantix nos EUA-- os relatos de efeitos psiquiátricos dificultaram o crescimento das vendas.

A agência reguladora lançou sua revisão de dois estudos que compararam o Champix à terapia padrão de reposição de nicotina, como o adesivo Nicoderm, da GlaxoSmithKline.

No entanto, a FDA disse que os estudos têm limitações e que iria manter uma advertência restritiva no rótulo do remédio, alertando sobre os efeitos colaterais psiquiátricos.

A droga também já foi associada a um pequeno aumento de risco cardíaco entre os usuários que já têm problemas no coração, anunciou a agência regulatória em junho.

"A FDA determinou que as advertências na bula do remédio Champix, baseadas em relatórios de vigilância pós-comercialização, continuam apropriadas", disse a agência em um comunicado.

As vendas anuais são de cerca de US$ 800 milhões.

A FDA disse que cerca de 9,8 milhões de pessoas obtiveram receitas de Champix em farmácias de varejo dos EUA desde que a droga foi aprovada, em maio de 2006, até julho deste ano.

Em um dos estudos divulgados ontem, o "Department of Veterans Affairs" (instituição americana responsável pelos cuidados médicos de veteranos das forças armadas do país) comparou 14.131 veteranos que usavam Champix com o mesmo número de usuários de adesivos de nicotina, para saber qual grupo foi hospitalizado com mais frequência para tratamento psiquiátrico durante um ano.

No segundo estudo, o Departamento de Defesa comparou cerca de 20.000 usuários de Champix com 16.000 pessoas que usavam adesivos de nicotina, durante 30 dias após o início do tratamento para parar de fumar.

A agência reguladora disse que as amostras dos dois estudos eram muito pequenas. Eles também não consideraram os eventos psiquiátricos que não levaram a hospitalização.

A Pfizer está realizando sua própria pesquisa de longo prazo para avaliar os riscos psiquiátricos causados pelo Champix. Os resultados são esperados para 2017, segundo a FDA.

Fonte Folhaonline

Estudo questiona mamografia para diagnóstico precoce de câncer

Médicos dos Estados Unidos estão questionando a capacidade de salvar vidas do exame de mamografia.

Em estudo publicado ontem na revista "Archives of Internal Medicine", uma equipe da Universidade Dartmouth apresenta cálculos apontando que, das mulheres cujos tumores foram detectados por mamografias (sem que elas tivessem qualquer sintoma prévio), só 10% tiveram sua vida salva pelo exame.

O trabalho foi liderado pelo clínico H. Gilbert Welch, autor do livro "Overdiagnosed" ("Superdiagnosticado", sem edição no Brasil). Segundo os autores, o uso de histórias de sobreviventes de câncer para estimular a realização de exames, como se vê nas campanhas como a "Outubro Rosa", que promove a detecção precoce no mundo todo, induz a uma concepção errada sobre o teste e esconde seus riscos.

"A maioria das mulheres com câncer detectado por mamografia de rastreamento não foi salva pelo exame. Elas foram ou diagnosticadas mais cedo sem consequência para seu risco de morte ou sobrediagnosticadas", afirma o artigo científico.

DEBATE
O trabalho dá nova força à polêmica já colocada em pesquisas recentes. Em setembro, um estudo no "British Medical Journal" mostrou que os exames periódicos de mamografia aumentam o risco de as mulheres serem submetidas à retirada total da mama, a mastectomia. Isso apesar de as campanhas de prevenção afirmarem que a detecção precoce reduz a necessidade desse tipo de operação.

As últimas recomendações da Força-Tarefa de Serviços de Prevenção nos Estados Unidos destacam os falsos-positivos e o sobrediagnóstico como problemas graves do rastreamento.

MÉTODO COMPROVADO
De acordo com a radiologista Flora Finguerman, é preciso ter cuidado com esses resultados. "O rastreamento é um método comprovado de redução de mortalidade por câncer de mama. A taxa pode chegar a 30% dependendo da faixa etária."

Finguerman afirma que existem métodos para reduzir o risco de falsos-positivos nos programas de rastreamento de câncer de mama. "Nos bons serviços de rastreamento, só 4% das mulheres são convocadas a retornar para fazer novos exames."

Países como a Inglaterra e os EUA controlam os dados dos exames para monitorar possíveis excessos de diagnóstico. O problema, diz a radiologista, é que no Brasil não há um controle desse tipo. "Hoje, são feitas muitas biópsias desnecessárias, há muitas mulheres convocadas a fazer novos exames. Isso gera mais gastos e aumenta o estresse das pacientes."

Para os autores da nova pesquisa, esse tipo de informação não é veiculado de forma clara para as mulheres nas campanhas de câncer. "O público fica com a impressão de que toda sobrevivente foi salva pelo exame de rastreamento", escreve Welch. Ele afirma que os exames clínicos e a melhora dos tratamentos aumentaram o número de sobreviventes de câncer na população.

"Mas o sobrediagnóstico também cria um número maior de sobreviventes, que gera publicidade para aumentar os exames preventivos e realimentar a população dos que superaram a doença, em um círculo vicioso."
Editoria de Arte/Folhapress

Fonte Folhaonline

Use os alimentos para melhorar seu humor

Seu prato dita o seu estado de espírito. Embora a ciência desconheça as causas da depressão, já se sabe que a dieta é fundamental para a saúde mental e para o bem-estar.

A explicação é simples. A estabilidade do humor é determinada pela produção, liberação e captação de neurotransmissores. "Essa produção depende de substratos da dieta", diz o psiquiatra Alexandre de Azevedo, do Hospital das Clínicas de SP.

Um dos nutrientes essenciais é o triptofano, aminoácido fundamental para a produção de serotonina, neurotransmissor ligado ao humor. Vitaminas, minerais e gorduras boas (ômega 3) ajudam sua ação. E todas essas substâncias vêm da comida.

A ação dos alimentos no cérebro é tanta que não há muita diferença entre remédio e comida, para o neurocientista Gary L. Wenk, autor de "Your Brain On Food" (como sua mente é influenciada pela comida). "Já usamos comida como medicamento ao beber café ou comer chocolate", disse ele à Folha.

Há os alimentos com ação rápida no humor (café, açúcar e álcool), os que levam dias ou semanas (aminoácidos e minerais) e os de ação lenta (como os antioxidantes), explica Wenk, que é pesquisador da Universidade Estadual Ohio (EUA).


ÚLTIMAS DESCOBERTAS
Um estudo publicado na semana passada no "Journal of Psychopharmacology" avaliou o efeito do ômega 3 em pacientes que se recuperavam de depressão.

O trabalho, feito pela Universidade Leiden, na Holanda, acompanhou 71 pessoas, que receberam suplementação de ômega 3 ou placebo por quatro semanas. Os que tomaram ômega 3 relataram melhoras no processo de tomada de decisão e do estado de tensão.

"O ômega 3 mantém a função de estruturas cerebrais", diz Sandra Lopes de Souza, pesquisadora em neuropsiquiatria da Universidade Federal de Pernambuco.

Outro nutriente popular em pesquisas é o ácido fólico (vitamina B9). "Anormalidades no metabolismo dessa substância estão ligadas a depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia", afirma a neurocientista brasileira Patrícia de Souza Brocardo, pesquisadora da Universidade de Victoria, no Canadá.

Um cardápio rico em alimentos com ácido fólico, ômega 3 e demais nutrientes melhora o humor e eleva a disposição, diz Roseli Rossi, especialista em nutrição clínica funcional. "Em um mês o paciente já melhora muito."

Claro, comer coisas boas, só, não adianta. É preciso excluir as ruins e fazer o intestino funcionar bem, para absorver vitaminas e minerais.

"A falha na absorção pode prejudicar o processo", explica Sandra Souza.

Gorduras e carboidratos em excesso causam "efeito rebote". "As gorduras saturadas dificultam a digestão e 'roubam' energia", diz a nutricionista Daniela Jobst.

Já carboidratos refinados (açúcar, macarrão, pão branco) dão um pico de energia seguido por queda brusca.

"É melhor comer carboidratos integrais, que fornecem energia por mais tempo", diz a nutricionista Paula Gandin, da Sociedade Brasileira de Nutrição Funcional.

PRAZER
Apesar das listas de alimentos do humor e dos cardápios da alegria, os nutrientes não devem ser vistos isoladamente, segundo a nutricionista Cynthia Antonaccio.

Para ela, o prazer ao comer também ajuda a elevar o astral. "Não comemos só o nutriente. O alimento não tem só o lado funcional, tem o lado social e psicológico."

Segundo a nutricionista, não adianta comer iogurte se o cardápio não incluir algo prazeroso para você.

"Comer é fonte de prazer e sociabilização. Se perco isso, ou porque não tenho tempo ou porque estou de dieta, perco algo vital."

Fonte Folhaonline

Por que o Brasil é atrativo em Saúde?

Apesar de barreiras regularias e distorções entre regiões, o País é umas das principais rotas do capital estrangeiro na AL e as estimativas de crescimento para o setor dirão entre 10 a 12%

Não só o Brasil, mas a América Latina em geral está atraindo investimentos estrangeiros em diversos setores, inclusive o de saúde. Os EUA e europa já não crescem como antes, o país norte-americano registra crescimento em torno de 3 a 5% por ano no segmento. De acordo com a presidente da empresa americana de Private Equity Warbug Pincus, Cecilia Gonzalo, a falta de inovação, principalmente no mercado farmacêutico, fontes pagadoras mais restritivas e o conservadorismo do FDA são alguns dos motivos dessa desaceleração. No sentido contrário está a América Latina (AL) registrando de 10 a 15% de crescimento em saúde por ano, com estabilidade econômico e maior previsibilidade, além de movimentos de consolidações importantes.

Segundo Cecilia, as três economias da região que mais têm atraído capital estrangeiro nos últimos 5 anos são Brasil, Colômbia e Argentina. “O Brasil é atrativo em termos absolutos devido ao tamanho do mercado, dos gastos em saúde, cerca de 9% do PIB, número maior que países emergentes como China e índia. As estimativas de analistas de mercado apontam um crescimento entre 10 a 12% para a saúde ao ano no País, bem acima dos 4 a 6% estimados para o PIB. A previsibilidade econômica se dá pela tendência de aumento da classe média, do envelhecimento da população – as projeções afirmam que até 2020 a população acima dos 65 anos vai triplicar -, e, para completar, pela busca de crescimento orgânico e inorgânico de Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

Melhores áreas
O setor de serviços de saúde é o mais promissor, segundo Cecilia, do segmento. Dos US$ 140 bilhões gastos com saúde no Brasil, US$ 120 são destinados para área de serviços. Medical devices e farmacêutico foram outros dois mencionados pela executiva. “A entrada no setor farmacêutico ainda é cara. Interesse de privates equity no segmento ainda não são comparáveis a outros setores, mas a tendência é de avanço”, diz Cecilia. O presidente da companhia de private equity Advent International, Juan Pablo zucchini, lembrou também o movimento de farmacêuticas nacionais interessadas em investir fora do Brasil, em países como Colômbia, Paraguai, Bolívia, entre outros.

“Outro aspecto importante de ressaltar é de que os grupos que estão se dando bem na AL entendem as peculiaridades de cada país, possuem equipes locais e profissionais com expertise em termos de tecnológicos e regulatórios”, afirma o presidente da Bausch + Lomb, Mariano García Valiño.

Barreiras
Os especialistas listaram alguns desafios que precisam ser transpostos para o sucesso dos investidores no Brasil. São eles: gestão, entender a regulação do país e para onde está caminhando e também o modelo de negócio; mercado pulverizado; e distorções entre regiões. “O management no Brasil não é muito flexível. Se as empresas de saúde ficam em regiões afastadas das principais capitais geralmente possuem problemas de gestão”, diz Valiño.

Apesar de alguns obstáculos, é consenso entre os especialistas ouvidos pelo Saúde Web de que as oportunidades sobrepõem-se às dificuldades. Presente e futuro são vistos como promissores.

Fonte SaudeWeb

Doenças Crônicas são responsáveis por 63% dos óbitos no mundo

´E consenso entre líderes do setor de que políticas integradas, inclusive com participação de empresas privadas, e foco em prevenção são a chave para minimizar os impactos globais das DCNT

O alto índice de incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) geram vultosos impactos financeiros no mundo e a tendência é de que a esse quadro permaneça pelos próximos anos. Essa foi a constatação do painel ” Prevenção e Saúde da População” durante Congresso Mundial de Assistência Médica da América Latina, ocorrido nesta segunda-feira (24), no Rio de Janeiro. Cerca de 63% dos óbitos globais são decorrentes das DCNT e 80% nos países em desenvolvimento, consumindo 75% dos gastos públicos. Para o presidente da Medtronic para América Latina (AL), James Hogan, é preciso reconhecer a questão em uma escala mundial. “O mundo parece ter acordado e vem discutindo ações conjuntas no combate às DCNT. A recente reunião da ONU, que inclusive contou com a participação da presidente Dilma Rousseff, exemplifica isso,

A reunião evidenciou também que a participação do capital privado é fundamental na luta contra as doenças crônicas.

Outro encontro, organizado pela OMS, no Rio de Janeiro, discutiu a questão, enfatizando a importância de campanhas que conscientizam a população a adotarem hábitos de vida saudáveis. Alimentação balanceada, prática de atividades físicas regulares, não fazer uso de álcool e bebidas alcoólicas, redução do sal no alimento são exemplos de orientações que devem ser feitas no âmbito global.

A Medtronic, fabricante de produtos médicos, trabalha a questão das DCNT sob 4 pilares: liderar políticas de proteção, inclusive com parcerias governamentais e ONGs; fortalecer iniciativas públicas no que tange a prevenção, diagnóstico e tratamento; terapia integrada à inovação; e bem estar dos empregados.

Visão Intermédica
Por meio de freqüente análise do perfil dos beneficiários, programas preventivos e palestras, o Grupo Intermédica, que conta com 4 milhões de associados, controla a saúde dos pacientes crônicos. Com ações específicas para esses nicho de pacientes desde 2008, o índice de diabéticos caiu em 57%, de hipertensos 51% e pacientes com câncer 65%.

“A Intermédica preocupa-se não somente em tratar doentes, mas como fazer uma gestão integral de saúde. Dessa forma, buscamos uma visão de saúde pública, integrando promoção e prevenção dentro da lógica do sistema público”, explica o presidente da Intermédica, Paulo Barbanti.

Os programas preventivos da companhia geraram uma economia, em 2010, de R$ 3 milhões contra um gasto de R$ 671 mil.

Fonte SaudeWeb