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domingo, 18 de dezembro de 2011

Mais de 90% dos paulistanos apoiam a lei antifumo em São Paulo

Mas quase 70% defendem fumódromos em estabelecimentos comerciais, diz pesquisa

Mais de 90% dos paulistanos apoiam a legislação estadual que proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo. Os dados são de uma pesquisa feita pelo Instituto Informa, do Rio de Janeiro. A lei antifumo entrou em vigor no Estado de São Paulo em 2009.

A partir de agora, a restrição ao tabaco valerá em todo o País. Isso porque, na quinta-feira, 15, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que proíbe o fumo em locais fechados e restringe a publicidade sobre o tabaco. A proibição acaba com os recintos dedicados aos fumantes em aeroportos, shoppings ou empresas, que ainda eram permitidos em vários Estados. A lei ainda precisa ser regulamentada.

A pesquisa do Instituto Informa foi realizada na cidade de São Paulo entre os dias 2 e 5 de dezembro e envolveu todas as regiões. Ao todo, foram ouvidas 1.065 pessoas. A margem de erro é de três pontos porcentuais.

Espaço reservado. A pesquisa apontou que mais da metade dos paulistanos (57,2%) já presenciou o descumprimento da lei antifumo. Além disso, 67,9% dos entrevistados afirmaram que o governo deveria permitir que estabelecimentos comerciais tenham espaço reservado para os clientes fumantes.

Segundo Fábio Gomes, diretor-presidente do Instituto Informa, o cruzamento das informações da pesquisa demonstra, por exemplo, que os mais jovens são os que mais concordam com a existência de fumódromos. Entre os entrevistados de 16 a 19 anos, 81,9% acham que deve haver um espaço reservado. Entre os com 50 anos ou mais, apenas 60,3% concordam.

Entre aqueles que concordam com a lei - ou seja, com a proibição total do fumo nos ambientes reservados -, 34% acham que o governo não deveria permitir espaço para fumantes.

“Quanto mais o entrevistado discorda da lei antifumo, mais ele concorda em ter um espaço só para ele”, afirma Gomes. Um dado, entretanto, chama a atenção: entre aqueles que se declararam fumantes, 20% são contra a reserva de um espaço. “São os radicais. Acham que podem fumar em qualquer lugar”, diz.

Para o médico Ciro Kirchenchtejn, coordenador do Centro de Tratamento do Tabagismo do Hospital Oswaldo Cruz, a pesquisa mostra o aumento do convencimento. De acordo com ele, cresceu a procura por tratamentos para parar de fumar. “Ainda são poucos serviços credenciados pelo SUS e a formação médica para essa área ainda é deficiente. Mas estamos caminhando para uma consciência nacional de que fumar é inaceitável”, diz.

Para Cristina Megid, diretora da Vigilância Sanitária do Estado, os resultados refletem o sucesso da lei. “Quando a lei entrou em vigor, 84% da população apoiava. Se passamos de 90%, é porque a população entendeu que o fumo passivo é tão prejudicial quanto fumar um cigarro.”

Fonte Estadão

Bolívia produz panetone de coca


Além dos ingredientes tradicionais, produto leva farinha feita com folhas da planta

Os cocaleiros bolivianos colocaram à venda neste Natal panetones feitos com farinha de folhas de coca, novo produto da industrialização da planta usada para fabricar cocaína.

O gerente da Empresa Boliviana Comunitária da Coca (Ebococa), José Ugarte, declarou à Efe que essa empresa, que pertence a seis federações de cocaleiros da zona central de Chapare, fez 5 mil panetones.

Esse novo panetone tem os ingredientes habituais, como passas, frutas secas, açúcar e outras farinhas, mas soma "a energia" que proporciona a fibra das folhas de coca, que possuem vários tipos de alcaloide, disse Ugarte.

Ele assegurou que a coca, em quantidades controladas e no estado natural, não afeta a saúde, nem causa dependência, e que a farinha dessa folha tem cálcio, ferro e vários tipos de vitaminas, além de ajudar na digestão pelas fibras.

Ebococa é um dos projetos estimulados pelo presidente Evo Morales desde que chegou ao poder em 2006 para industrializar a coca - paralelamente aos seus esforços, fracassados até agora, para que a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), da ONU, descriminalize seus usos tradicionais, especialmente a folha mascada.

Morales pediu novamente a um grupo de inspetores da Jife que apoiem sua petição, mas ainda não conseguiu convencer a todos.

Ele fez o anúncio após uma reunião em La Paz com membros da entidade, liderados pelo presidente, o iraniano Hamid Ghodse.

Cada panetone de coca custa quatro dólares e, por se tratar de um produto novo, será vendido apenas no departamento central de Cochabamba. Em 2012 deve chegar às demais regiões bolivianas.

Ebococa é a primeira empresa do país que resolveu produzir de forma industrial e massiva derivados da coca. Em dezembro, primeiro mês de operações, a fábrica também produziu infusões de coca, além de fazer testes para fabricar refrescos, energizantes, licores, balas e extratos.

"Nosso objetivo é mostrar que a coca também pode ser utilizada para produtos benéficos", diz Ugarte, que ainda lamentou "que o mau uso da folha sagrada faça parecer que ela só serve para o narcotráfico".

O investimento para construção da fábrica de panetones, a maior do setor na Bolívia, foi de 1,7 milhões de dólares.

O país é o terceiro produtor mundial de coca e cocaína, atrás da Colômbia e do Peru, e o principal fornecedor dessas drogas para os países vizinhos do Cone sul, segundo a ONU.

A constituição promulgada por Morales em 2009 diz que "o Estado protege a coca originária e ancestral como patrimônio cultural, recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia, e como fator de coesão social", e afirma que "em seu estado natural não é entorpecente".

Fonte Estadão

Tabagismo cai nos EUA; cresce consumo de maconha

Consumo de cigarro tem as menores taxas das últimas três décadas

O consumo de álcool e cigarros entre adolescentes americanos está nos menores níveis das últimas três décadas, mas o uso da maconha está crescendo, revela um estudo dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Cerca de 19% dos estudantes de ensino médio disseram ter consumido cigarros no último mês, número muito abaixo dos 36,5% registrados em meados da década de 1990.

As taxas de tabagismo entre os adolescentes de todas as idades caíram no último ano. Os cientistas dizem que a regulamentação de locais 100% livres de tabaco e o aumento do preço dos cigarros reduziu o número de fumantes.

Ainda que o álcool continue sendo popular entre os jovens, as taxas de consumo compulsivo entre os menores de idade também apresentaram quedas significativas.

Em geral, o consumo de álcool e cigarros entre os adolescentes se encontra em seu menor nível desde que a pesquisa foi feita pela primeira vez, em 1975.

No entanto, o consumo de maconha aumentou em 2011 pelo quarto ano consecutivo, o que implica um forte contraste com a queda drástica da década anterior.

O uso diário de maconha está em seu pico mais alto em 30 anos entre estudantes de ensino médio, segundo dados do estudo. Entre os adolescentes do último ano escolar, 36,4% disseram ter fumado maconha no último ano e 6,6% notificaram consumo diário.

A pesquisa anual, feita University of Michigan, ouviu quase 47 mil alunos de 400 escolas públicas e privadas.

A pesquisa deste ano incluiu pela primeira vez perguntas sobre maconha sintética, uma mistura de ervas, especiarias e químicos que costuma ser conhecida por Spice ou K2. Mais de 11% dos estudantes informaram ter consumido essa substância no ano anterior.

 Até pouco tempo atrás, era possível conseguir a substância legalmente pela internet e nos comércios. Mas neste ano, alguns químicos sintéticos foram proibidos.

Fonte Estadão

Amil é impedida de aumentar em 70,3% plano de saúde

Decisão favorece cliente que completou 59 anos; para advogado, medida pode abrir precedentes

A Amil foi impedida de aumentar em 70,3% o plano de saúde de uma cliente que completou 59 anos. Decisão judicial, mantida pela 2ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou que a operadora reajuste a mensalidade em 23,3%, o que corresponde à média dos três índices anteriores de aumento por faixa etária. A Amil informou que vai cumprir a decisão.

A decisão beneficia somente a cliente que ingressou com a ação, a cineasta Sandra Werneck, diretora de filmes como Cazuza e Amores Possíveis. Mas para o advogado Cândido Carneiro, que a defendeu, a medida abre precedente para outros consumidores que se sentirem lesados por aumentos considerados abusivos.

"A estratégia das operadoras é burlar o Estatuto do Idoso, que proíbe o reajuste contratual quando o cliente completa 60 anos. É uma cláusula abusiva porque cria um desequilíbrio na relação contratual. É uma estratégia moralmente contestável", afirmou Carneiro. "Os planos ganham em escala porque são poucos os que contestam a cláusula de reajuste automático aos 59 anos".

Sandra Werneck foi surpreendida em maio de 2010 com o boleto de cobrança da Amil - o valor havia saltado de R$ 1.840 para R$ 3.107. "Achei um abuso cobrarem um reajuste tão alto na última faixa etária. Eles fazem uma manobra para que o cliente passe o resto da vida pagando uma fortuna pelo plano", afirmou a cineasta, que decidiu processar a operadora.

Na ação, os advogados da Amil afirmaram que o reajuste em razão da faixa etária era legal, uma vez que estava "previsto no contrato de forma clara". A juíza Denise Araújo Capiberibe, do 6º Juizado Especial Cível, não concordou. "É de fácil percepção que o aumento estabelecido quando o contratante atinge 59 anos é extremamente excessivo, na medida em que os demais aumentos não representam sequer a sua metade", escreveu a juíza.

Em outro trecho ela afirma que entende "como válido" o reajuste aos 59 anos. Mas ressalta que esse aumento "não poderá ser excessivo, desproporcional e injustificado, como ocorreu no presente caso, pois não restou comprovado nos autos a existência de alguma causa que legitimasse o desequilíbrio financeiro-econômico do contrato a justificar porcentual tão elevado de reajuste". A decisão foi mantida na segunda instância. A Amil foi condenada ainda a devolver parte das parcelas que a cineasta já havia quitado. Em nota a operadora informou que "cumpre as decisões judiciais". "Contudo, ressalta que o referido reajuste foi aplicado em estrita obediência às normas reguladoras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)".

Fonte Estadão

Reposição hormonal na menopausa melhora vascularização do cérebro

Estudo da UFMG indica que estrogênio dilata artérias cerebrais, aumentando a circulação do sangue e abrindo perspectivas de tratamento para doenças como Alzheimer

Pesquisa realizada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que o hormônio estrogênio tem efeito vasodilatador nas artérias e pode melhorar a vascularização do cérebro de mulheres na menopausa. (Clique na imagem abaixo para ampliar)

Participaram do estudo, publicado recentemente na revista Menopause, 51 mulheres com média de idade de 53 anos. As voluntárias foram divididas em dois grupos - um recebeu placebo e outro, comprimidos de estrogênio durante um mês.

Antes e depois do tratamento, um aparelho de ultrassom acoplado ao sistema doppler - capaz de medir a velocidade do fluxo sanguíneo - foi usado para avaliar a artéria central da retina, atrás dos olhos. Nas mulheres que receberam placebo, não houve alteração. Nas que tomaram estrogênio, a artéria estava dilatada, menos resistente e com maior fluxo de sangue.

Esse efeito vasodilatador do estrogênio havia sido demonstrado em artérias do útero e do ovário, mas não no cérebro, conta o coordenador da pesquisa, Selmo Geber. Segundo ele, a artéria central da retina foi escolhida por refletir tudo o que acontece no cérebro e uma das poucas que não estão escondidas pelos ossos do crânio.
“Muitas mulheres se queixam de problemas de memória ao entrar no climatério, o que costuma melhorar com a reposição hormonal. Uma das teorias é que o estrogênio melhora a vascularização do cérebro e, consequentemente, as funções cognitivas.” Os resultados, segundo Geber, abrem perspectiva de pesquisa para doenças mais graves, como Alzheimer.

A neurocientista Débora Scerni, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que o estrogênio é importante para o sistema nervoso. “Algumas estruturas fundamentais para aprendizado e memória, como o hipocampo, apresentam grande concentração de receptores para estrógeno”, explica.
O hormônio, continua, aumenta a quantidade de estruturas conhecidas como espinhos dendríticos, que melhoram a comunicação entre os neurônios e melhoram a cognição. “Estudos mostram que a reposição hormonal pode prevenir ou retardar o desenvolvimento de Alzheimer. Mas o estrógeno não pode ser usado indiscriminadamente, pois pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e doenças como câncer.”

Sheila Martins, da Academia Brasileira de Neurologia, diz que embora existam evidências de que o estrogênio possa retardar problemas de memória, elas não são conclusivas. “A reposição hormonal diminui a angústia das pacientes e isso pode se refletir em uma melhora da memória por aspectos psicológicos.”

Além disso, continua, existe a suspeita de que o hormônio, embora dilate as artérias, também aumente a viscosidade do sangue, fazendo com que ele tenha mais dificuldade para circular. “São necessários mais estudos para comprovar até que ponto seria seguro fazer a reposição.”

Fonte Estadão