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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Estudo com protótipo mostra como grávidas devem dirigir

Ford projetou roupa especial que permite aos seus engenheiros simular o corpo, o peso e o formato da barriga de uma mulher grávida
Ford projetou roupa especial que permite
 simular o corpo de uma mulher grávida
Uma barriga postiça equipada com sensores revelou tecnicamente quais as maiores limitações que as gestantes enfrentam ao dirigir.
 
Entre elas estão desconforto ao movimentar o corpo, mudanças posturais, alteração do centro de gravidade e até dificuldades para alcançar comandos essenciais no painel.
 
O colete que simula gravidez foi criado pela Ford. A peça é composta por uma bolsa com cerca de 2,7 kg . Há compartimentos com almofadas e água que reproduzem os movimentos do feto.
 
Os pesquisadores ainda realizaram testes de impacto virtuais, já que as simulações por computador permitem estudar como a gestante e o feto são afetados em choques a diferentes velocidades e ajudam no desenvolvimento de estratégias mais eficientes de proteção.
 
O estudo levou a Ford a divulgar algumas orientações de segurança, especialmente sobre o uso do cinto de segurança por mulheres grávidas.
 
Posição ideal
  • O acesso aos pedais tem de ser bastante cômodo, com a máxima distância possível entre a barriga e o volante. 
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  • O cinto de segurança deve ficar o mais próximo possível do corpo. Roupas volumosas podem prejudicar esse ajuste.
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  • A alça inferior do cinto de segurança não deve ficar sobre a barriga, mas abaixo dela e do modo mais plano possível.
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  • O ideal é que a alça superior do cinto de segurança seja colocada sobre o tórax, entre os seios, bem ajustada.
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  • O cinto de segurança nunca deve ser posicionado debaixo do braço ou por trás das costas.
  • Fonte Folhaonline

Menino de Minas Gerais é a 1ª criança a ter marca-passo para respirar

Na sexta-feira, Pedro Arthur, 8, voltou de São Paulo para Belo Horizonte com um desejo na cabeça: comer churrasco.

O menino é a primeira criança no país a ter implantado um tipo de marca-passo de diafragma para respirar sem a ajuda do ventilador mecânico, como mostrou reportagem publicada no jornal "Estado de S. Paulo".

Pedro ficou tetraplégico depois de ter contraído meningite bacteriana causada por pneumococo quando tinha um ano e meio, em 2004.

A doença afetou a região do cérebro que controla a respiração, uma consequência rara da infecção. As funções cognitivas ficaram ilesas.

A cirurgia para colocar o marca-passo aconteceu no dia 7 de janeiro e, até ontem, quando recebeu alta, Pedro estava internado no hospital Albert Einstein.

Já no aeroporto de Congonhas, esperando o voo para Belo Horizonte, o menino contou que a primeira coisa que vai fazer ao chegar em casa é comer um churrasco e que está feliz com o resultado da cirurgia.

O pai, Rodrigo Diniz Junqueira Rocha, 37, diz que a operação foi possível porque a família conseguiu na Justiça que o Estado de Minas Gerais, onde eles moram, pagasse pelo procedimento. O custo passou de R$ 500 mil.

Nos últimos sete anos, Pedro tem usado um aparelho para respirar que é conectado à sua traqueia e aumenta o risco de infecções.

O especialista em cirurgia torácica Rodrigo Sardenberg, que fez a operação em Pedro, explica que o marca-passo estimula o nervo responsável pela contração do diafragma, músculo cujos movimentos fazem os pulmões se encherem de ar. A parte externa do aparelho, um tipo de rádio a bateria, transmite a energia para o marca-passo.

"Esse aparelho já é usado há 40 anos no exterior, mais de 3.000 pessoas têm. Em 2010, coloquei o primeiro em um adulto no Brasil. Não sei por que demorou tanto para chegar aqui", diz Sardenberg.

Por cerca de seis meses, Pedro vai continuar ligado ao respirador, enquanto o diafragma é "treinado" para responder ao marca-passo.

Sardenberg diz que a fala e a capacidade de deglutição do menino devem melhorar a partir de agora.

Luta
Rodrigo Rocha, pai de Pedro, fundou em 2006 o Instituto Pedro Arthur para lutar contra a meningite e reivindicar a disponibilização de vacinas. Hoje, a família vive de doações.

A imunização contra o pneumococo foi introduzida no calendário de vacinação do SUS há dois anos. A vacina contra meningite do tipo C também está disponível. No primeiro semestre de 2011, segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados 8.676 casos de meningite, 487 causados pelo pneumococo.

Fonte Folhaonline

Cientistas criam aplicativos para tratar transtornos sociais

Imagine ter no smartphone, ao lado de jogos conhecidos como Angry Birds ou Fruit Ninja, um aplicativo que facilite o tratamento de transtornos como fobia social.

Essa é a ideia de cientistas que têm pesquisado terapias portáteis para celular como uma maneira de auxiliar os tratamentos convencionais.

Editoria de Arte/Folhapress
A lógica desses pesquisadores é simples. Assim como alguns aplicativos para celular podem desenvolver processos cognitivos e melhorar o aprendizado, eles também podem trabalhar áreas cerebrais ligadas a transtornos.

O melhor é que a terapia cabe no bolso e pode ser levado para qualquer lugar.

A discussão veio à tona quando um grupo de cientistas da Universidade da Austrália Ocidental apresentou recentemente um aplicativo para tratar fobia social.

Pessoas com esse tipo de transtorno sentem uma ansiedade extrema ao serem "avaliadas" pelas outras. Além disso, quem tem fobia social relata sentir medo diante de expressões hostis (como ar de reprovação).

Os cientistas australianos criaram um game em que o paciente fica diante de expressões faciais dispostas como cartas de baralho. Uma delas é hostil e outra neutra.

Depois de aparecerem brevemente na tela, elas somem, e o usuário tem de identificar uma letra do alfabeto. Essa tarefa leva a pessoa a desviar sua atenção da área da tela na qual estava o rosto hostil e, em tese, minimiza sua reação a esse tipo de imagem.

De acordo com os pesquisadores a favor dos aplicativos (apps), a proposta é trabalhar os jogos junto com tratamentos em consultório. Os apps podem até estimular o paciente a fazer a terapia convencional.

Como os smartphones estão cada vez mais populares --jogos como o Angry Birds beiram os 30 milhões de usuários--, a expectativa é que os games terapêuticos também sejam bem aceitos.

"Isso é o que torna a ideia tão promissora", explica o psicólogo Richard McNally, da Universidade Harvard.

O laboratório dele concluiu recentemente um estudo com 338 pessoas que usaram um programa em smartphone para tratar fobias sociais.

Os usuários acharam o jogo repetitivo. Mas a facilidade de poder usá-lo "até no metrô" foi um ponto positivo.

A proposta da terapia portátil não é unanimidade entre os cientistas. "Sou cauteloso com esse tipo de tratamento", pondera Andrew Gerber, psiquiatra da Universidade Columbia, nos EUA.

Na Europa, há testes de apps até para usuários que bebem demais. A ideia é que eles afastem imagens de bebidas alcoólicas e deem zoom nos líquidos sem álcool.

Ainda não se sabe quando --e se-- os apps estarão disponíveis para usuários. Mas há negociações em curso.

O psicólogo Nader Amir, da Universidade Estadual de San Diego, por exemplo, está se encarregando de comercializar um app que ele criou para tratar ansiedade.

Fonte Folhaonline

Ansiedade é transtorno mais comum na Grande São Paulo

Uma pesquisa que mapeou a frequência de doenças mentais na Grande São Paulo mostra que os transtornos de ansiedade, como estresse pós-traumático, fobias e síndrome de pânico, lideram e estão presentes em 20% da população.

Depois vêm os transtornos de humor, como depressão (11%), de controle de impulsos (4,3%) e por consumo de drogas (3,6%).

Os dados são do projeto São Paulo Megacity, um estudo realizado pelo IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas de São Paulo com 5.037 residentes dos 39 municípios da região.

Editoria de arte/folhapress
A amostra é representativa das cidades, e as entrevistas foram feitas pessoalmente entre 2005 e 2007.

Dados preliminares já haviam sido apresentados em 2009, mas agora a pesquisa completa, que faz parte de um grande estudo mundial, foi publicada na revista científica "PLoS ONE".

Segundo a psiquiatra Laura Helena Andrade, coordenadora do estudo, a pesquisa procura entender o contexto relacionado a essa prevalência maior.

A violência urbana ajuda a explicar a forte presença dos transtornos mentais na população --54% dos entrevistados relataram ter vivido uma experiência ligada a crimes, como ser vítima ou testemunha de assaltos e sequestros.

Pessoas que vivem em áreas mais pobres e periféricas da cidade também tiveram maior risco de desenvolver os transtornos.

"Cada fator inerente à vida na metrópole, como transporte, violência e acesso a serviços de saúde, tem uma parcela de participação nesse resultado", afirma Paulo Rossi Menezes, professor associado da USP e epidemiologista psiquiátrico que não participou do estudo.

Gravidade
A pesquisa mostrou que 10% da população em São Paulo tem doenças psiquiátricas graves. Esse índice está acima da média de outros 14 países, segundo a Organização Mundial da Saúde. Nos EUA, a prevalência é de 5,7%.

Só um terço dos brasileiros com transtornos graves recebeu tratamento nos 12 meses anteriores às entrevistas.

"Os transtornos mentais são frequentes, mas pouco reconhecidos e tratados. A sociedade sabe pouco a respeito e há um estigma ligado às doenças", diz Menezes.

Fonte Folhaonline

Hospital em São Paulo oferece curso para melhorar a memória

A relações-públicas Yara de Castro Mahfuz, 48, tem se sentido cada vez mais "esquecida". "Às vezes demoro um tempão para me lembrar de coisas bobas, como o filme da semana passada."

O medo de ter Alzheimer a levou a se matricular em um curso de estímulo à memória e à atenção que começa nesta semana no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista.

Editoria de Arte/Folhapress
Segundo especialistas, a procura por esses cursos tem aumentado nos últimos anos.

Com duração de cinco meses, o programa de aulas semanais do Oswaldo Cruz tem competições de sudoku e dicas de como melhorar o sono e guardar mais informações de textos lidos. O curso custa, ao todo, R$ 1.800.

"Estimulamos a pessoa a usar a memória e fazer o cérebro funcionar sem apoio, como ir ao supermercado sem lista", diz Gislaine Gil, neuropsicóloga do hospital.

Yara convenceu a amiga Silvia Schweizer, 51, e mais cinco pessoas a se inscrever. "Queremos estar com o cérebro sadio para acompanhar o físico", conta Schweizer.

A rede de franquias Supera, que oferece um curso de "ginástica cerebral", tem 69 unidades em 17 Estados.

A escola oferece treinos de cálculo com o ábaco e exercícios de lógica e concentração para pessoas de cinco a 90 anos, segundo Antonio Carlos Guarini Perpétuo, idealizador da metodologia.

A mensalidade custa, em média, R$ 189. "A sociedade sabe dos benefícios dos exercícios. O que poucos sabem é que há escolas para isso."

Marisa Caduro/Folhapress
A relações-públicas Yara Mahfuz (de branco) e a amiga Silvia Schweizer, que fazem um curso de memória
A relações-públicas Yara Mahfuz (de branco) e a amiga Silvia Schweizer, que fazem um curso de memória
Cruzadinhas
Segundo a neuropsicóloga do Oswaldo Cruz, o programa ensina estratégias para cada tipo de memória. A que mais falha, afirma, é a prospectiva, que envolve lembrar de fazer algo no futuro.

"Nesse caso, é mais eficaz lembrar durante uma atividade o que você estava fazendo e o que deverá fazer depois."

Já as palavras cruzadas trabalham com a memória relacionada ao conhecimento que você tem sobre o mundo.

De acordo com o neurologista Arthur Oscar Schelp, da Unesp, é importante estimular a atividade cerebral com exercícios sobre sequência temporal --especialmente para quem tem Alzheimer.

Isso consiste em, por exemplo, estimular o idoso a lembrar a ordem dos fatos.

"Muitas vezes o paciente idoso se lembra com clareza de fatos do passado, mas não consegue recordar as atividades do dia anterior", diz.

Schelp afirma que não há estudos que demonstrem que palavras cruzadas e atividades do tipo melhoram a memória. "Mas sabe-se que é importante manter a mente ativa. O cérebro é como um braço. Se você não usa, atrofia".

Ivan Okamoto, neurologista do hospital Albert Einstein e coordenador do Instituto da Memória da Unifesp, conta que é importante fazer atividades que deem prazer, ler, continuar trabalhando de alguma forma e manter os laços sociais e afetivos.

O que comprovadamente funciona, segundo os especialistas, é fazer exercícios físicos regularmente e manter uma dieta balanceada.

De acordo com Okamoto, não se sabe se os exercícios são benéficos porque melhoram o sistema cardiovascular (e evitam microinfartos em pequenos vasos no cérebro, que prejudicam a oxigenação na região) ou porque liberam substâncias que impedem a degeneração neuronal.

Mas o fato é que o envelhecimento da população é terreno fértil para o aparecimento de "curas milagrosas".

"É melhor fazer academia ou curso de idiomas do que programas sem eficácia comprovada", afirma Okamoto.

Ele ressalta que o esquecimento afeta a todos, mas pode precisar de ajuda médica quando interfere no dia a dia.

Fonte Folhaonline