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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"Eu não gosto de pessoas"

Fobia social é um dos transtornos psicológicos mais comuns em todo o mundo e um dos menos reconhecidos e diagnosticados

Clege Firmino nunca soube definir exatamente o que sentia. Para ela, se afastar das pessoas era um comportamento natural, repetido também em casa, pela mãe e pelos quatro irmãos.

“Nós não recebíamos primos, os parentes não visitavam a nossa casa”, relembra. Considerava-se apenas tímida e pouco sociável.

Em fase escolar, na hora do intervalo, preferia se trancar no banheiro a participar das brincadeiras infantis ou dividir o lanche e algum papo com os colegas. Ao ser impelida a responder alguma pergunta ela se sentia muito mal.

“Escrever na frente dos outros, então, era uma verdadeira tortura”, recorda.

Na adolescência, quase foi atropelada ao tentar atravessar a rua. “Tinha tanta vergonha, achava que as pessoas estavam me olhando. Então, não olhava para os lados. Ficava vermelha. Quase morri ao atravessar a rua sem checar se vinha algum carro”, conta.

Nas tentativas – forçadas – de se aproximar de outras meninas, Clege ficava tão tensa que não conseguia sorrir.

“Eu fazia caretas, o sorriso não saia.”

O comportamento estranho a afastou ainda mais de outras pessoas e ela cresceu quase sem amigos e sem namorado.

“Com 21 anos decidi que ia beijar pela primeira vez. Fui a uma festa, tinha que ser ali. Sem coragem, bebi muito para poder conversar com um rapaz. Beijei, mas foi à base de muita cerveja”, lembra.

Festa de aniversário, Clege nunca teve. Ela conta que não gosta de comemorar e que fica nervosa até mesmo se outra pessoa está celebrando a data. Uma vez, ao descobrir que organizam uma festa surpresa para ela, simplesmente foi embora.

“Acho muito constrangedor e desconfortável. Eu não gosto de pessoas”, diz a funcionária pública carioca.

A solidão nunca a incomodou. Mas o suor excessivo, a taquicardia, a garganta dolorida, a boca seca e o ardor nos olhos e no rosto sim. Os sintomas, confundidos com condições como princípio de infarto ou estresse, a levaram a mais de dez médicos diferentes, sem nenhum resultado conclusivo.

Só depois dessa via-crúcis em diferentes especialidades é que foi encaminhada a um psicólogo. Clege descobriu então que todo o sofrimento não era fruto de uma simples característica pessoal, mas sim de uma doença, tratável e comum: a fobia social.

“Em geral, o paciente demora mais de 10 anos para ter um diagnóstico adequado. A procura por ajuda só acontece quando comorbidades como a depressão ou o abuso de álcool e de drogas aparecem”, relata José Alexandre Crippa, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

"Alguns procuram se 'automedicar' por meio do álcool. Eu tentei. Mas, graças a Deus, não me tornei uma alcoólatra", revela Clege. Crippa confirma que a opção é realmente um recurso muito comum entre os pacientes.

O médico é autor do único estudo sobre a prevalência do transtorno de ansiedade social em universitários brasileiros – ele avaliou 2700 estudantes, de ambos os sexos e das mais diferentes graduações. A pesquisa demonstrou que 11% dos avaliados tinham o problema. Mas o mais agravante, segundo o pesquisador, foi notar que menos de 1% dos diagnosticados sabiam que tinham uma doença.

“Isso comprovou em números o quanto essa condição é subreconhecida. Por isso, também, as pessoas não buscam ajuda”, comentou.

Embora pouco diagnosticada, a fobia social é uma das doenças psicológicas mais comuns: a prevalência na população mundial chega a 10%, enquanto os índices do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), por exemplo, chegam a 0,8%.

“A própria natureza dessa condição faz com que a procura por um médico seja pequena. Os fóbicos se sentem intimidados e não vão procurar um especialista“, pondera Crippa.

Outro fator crucial é enxergar a fobia realmente como uma doença e não somente como um traço de personalidade. “Dificilmente se sabe que isso é um problema. As pessoas acham que é fraqueza de caráter e vão se sentindo piores por isso”, relata o professor da USP.

A fobia social distingue-se da simples timidez muitas vezes de maneira tênue. “A pessoa desenvolve um medo que traz prejuízos para a vida. Ela tem perdas sociais importantes e chega a apresentar sintomas físicos”, alerta Rodrigo Grassi de Oliveira, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse da PUC do Rio Grande do Sul. Os mais comuns são: taquicardia, tremores, falta de ar, suor frio ou excessivo, sensação de desmaio, gagueira, rubor facial, dores de cabeça ou de estômago e boca seca.

“Os tímidos não têm prejuízo social. Já os fóbicos desenvolvem a ‘evitação’: eles evitam a qualquer custo entrar em contato com outras pessoas”, explica Crippa.

Clege sabe bem do que os médicos estão falando. Ao conversar com outra pessoa, sua tanto que precisa se enxugar com uma toalha. Já foi embora correndo de um encontro com uma colega, sem explicações, de tanta vergonha. Perdeu a amiga. Na primeira entrevista de emprego, não conseguiu se controlar.

“Tremia tanto que o consultor me deu um copo de café e tirou as coisas de cima da mesa para que eu não sujasse nada. Claro que não consegui o trabalho”, conta.

"Timidez é uma coisa, todos têm um pouco, mas fobia social é realmente incapacitante. E se a gente não procurar algum tipo de tratamento, passa uma vida inteira sem viver", conclui.

Consequências
Estudos já identificaram que portadores desse transtorno ganham menos do que seus pares em condições semelhantes de escolaridade e idade. A dificuldade em lidar com o outro aparece como um fator negativo determinante em um ambiente de trabalho.

A doença traz consequências sociais importantes, que vão além do ambiente corporativo. Quem tem a doença tem mais propensão ao suicídio e ao uso constante e abusivo de álcool e drogas.

A fobia social é mais comum em mulheres – na proporção de três para dois – e dá sinais significativos já no começo da infância. No entanto, fica mais evidente aos 20 ou 30 anos, quando muitos desenvolvem depressão.

“É o momento de maior exposição e a pessoa ainda está em processo de desenvolvimento. Por isso, não consegue controlar as respostas fisiológicas. É quando se depara com a doença”, aponta Grassi.

A fobia social não é hereditária, mas tem um componente genético importante, além, é claro, do padrão familiar.

“Toda criança nasce com a habilidade de se conectar com outras pessoas, só que isso precisa ser estimulado. Quando não há estímulo na família, ela pode se tornar inábil nessa área”, atesta o coordenador da PUC.

Melhorar é possível
O tratamento mais eficaz exige atenção multidisciplinar, aliando terapia cognitivo-comportamental (psicoterapia) ao uso de medicamentos (psiquiatria). De acordo com Crippa, o mais comum é o uso de antidepressivos – a médio e longo prazo – e a curto prazo remédios que possam atuar em alguma situação específica, no caso de uma exposição em público, por exemplo.

Para Clege, a medicação e a terapia trouxeram à tona o que há de melhor nela: a confiança e o respeito por si mesma.

“Acabou a tremedeira, posso comer junto com as pessoas, conversar ficou mais fácil. Sinto um alívio imenso. Quando você não se impõe, é desrespeitado. Estava paralisada e aos poucos tomo atitudes. Ainda não gosto de ir a festas, mas não perco a aula de dança de salão. Espero que as pessoas com quem convivi, que careceram do meu calor humano, entendam que minhas atitudes não foram por querer, foram realmente por incapacidade. Hoje aprendi a respeitar os meus limites e viver bem com eles”.

Fonte iG

Bolha de ar puro ganha espaço em spas e clínicas de reabilitação


Foto: Bruno Zanardo/Fotoarena
Bolha: ar puro e sem contaminação
Equipamento espanhol filtra o ar e promete benefícios que vão de aumento do desempenho físico a relaxamento rápido

O equipamento de plástico transparente de 3,5 metros de diâmetro, semelhante a uma grande bolha, parece saído de um filme de ficção científica. Criada em 2008 pela Universitat Politècnica de Catalunya, na Espanha, aos poucos a Bubble, como é chamada, começa a virar realidade no Brasil.

O aparato promete ar 99,9% puro, livre de impurezas ou agentes alergênicos, virais e bacteriológicos, além de manter um nível controlado de dióxido de carbono (CO2). Para garantir o prometido, uma caixa branca do tamanho de um pequeno baú filtra o ar 350 vezes a cada hora.

À primeira vista, a bolha parece apenas um artigo de luxo. Mas ela virou questão de saúde e bem-estar quando seus benefícios passaram a ser estudados por clínicas de reabilitação esportiva e spas.

A notoriedade, no entanto, veio apenas com a adoção do equipamento pelo tenista espanhol Rafael Nadal. Ele costuma utilizá-la nos intervalos ou ao término de partidas importantes. Somado a isso, o aparelho foi adotado no centro de treinamento do Real Madrid e a partir de então ganhou espaço na comunidade esportiva.

Raul Osiecki, fisiologista do exercício e coordenador do centro de estudos da performance física da Universidade Federal do Paraná, estuda os efeitos da exposição ao ar puro dentro do equipamento.

Em um experimento, o pesquisador colocou 25 pessoas deitadas durante 30 minutos dentro da bolha e avaliou a frequência cardíaca e a resposta do sistema nervoso parassimpático.

“Os resultados são bem satisfatórios, houve redução na frequência e a atuação do sistema nervoso parassimpático, que é como um freio do nosso corpo, foi maior. Ou seja, percebemos uma redução dos níveis de estresse”, afirma.

O fisiologista relata também estudos feitos com esportistas logo após o treino. “Os atletas relatam uma maior sensação de bem-estar, um relaxamento mais prolongado e uma recuperação mais rápida”, diz.

O preparador físico Luiz Carlos Radtke Junior, da clínica Funcional Life, de Santa Catarina, também tem obtido bons resultados com a bolha.
Tratamentos de relaxamento realizados dentro do local
Utilizamos no treinamento de atletas de ponta. O ar mais puro facilita o aporte de oxigênio e eleva os limites do atleta. Se na rua ele corre uma hora a 10km/h, com a bolha vai conseguir correr a 11km/h”, afirma.

Além disso, Junior ressalta que a maior pureza do ar facilita a eliminação daquelas substâncias que provocam a sensação de músculos doloridos após o treino. O maior combustível na recuperação é o oxigênio, explica. Quando ele está disponível de forma mais abundante isso é feito de maneira mais rápida e satisfatória.

Em ação
A esfera tem sido mais utilizada durante o treinamento de atletas de ponta. Artur do Lago, 17 anos, uma das promessas do triatlo brasileiro costuma fazer o treino de recuperação, três vezes por semana, dentro da bolha.

“Corro ou pedalo de 20 a 40 minutos com batimento cardíaco baixo para ajudar na recuperação dos músculos. Noto que tenho mais fôlego, dá um gás maior. Percebo um resultado 50% melhor. Sinto um desgaste menor do que quando estou fora dela”, atesta. Estudos realizados pela universidade espanhola demonstraram um desgaste até 22% menor durante um treino dentro da bolha.

Junior acompanha o treino de Artur e descreve os benefícios. “A frequência cardíaca fica mais baixa, porque o coração não precisa bombear tanto sangue para garantir a quantidade de oxigênio necessária.” Com maior esforço de forma mais simples, os músculos vão se acostumar a um esforço maior e estarão mais preparados quando forem exigidos durante uma prova.

Um esclarecimento importante: a Bubble não tem nada a ver com a câmara hiperbárica, já que apenas filtra as impurezas do ar e não aumenta a concentração de oxigênio em seu interior.

Para relaxar
Clínicas de beleza e spas também aderiram à bolha. O ambiente mais puro, alegam, reduziria o processo infeccioso, aumentaria a eficácia dos tratamentos e promoveria um relaxamento mais intenso. O spa espanhol Natura Bissé montou um equipamento para atender atrizes de Hollywood dias antes do Oscar 2009. Fez tanto sucesso que hoje viaja com o equipamento por outros países da Europa.

Em São Paulo e em Foz do Iguaçú o Spa Bourbon há três meses disponibiliza o equipamento pra seus clientes.

“A pessoa relaxa mais facilmente e em menor tempo. O profissional que trabalha dentro do local também se sente menos cansado”, atesta a coordenadora de vendas Cristiane Marcelino, da unidade de Atibaia. São oferecidas massagens relaxantes e outros tratamentos como o SPA de mãos. Os fabricantes garantem que não há contraindicação para o uso do aparelho.

Fonte iG

Como evitar o ganho de peso da idade


Caminhada ajuda a reduzir os efeitos da redução no metabolismo
Saiba por que perder peso fica mais difícil com o passar dos anos e como manter o corpo em forma

Conforme envelhecemos, manter o mesmo peso e o mesmo corpo parece ficar cada ano mais difícil.

Aquele prato de macarrão de todo domingo, que antes não pesava na dieta, começa a fazer diferença na hora de abotoar o jeans.

No entanto, ganhar peso e envelhecer não andam necessariamente juntos. O peso extra não é resultado apenas do processo de envelhecimento, mas é principalmente fruto de mudanças de hábitos como exercitar-se menos e comer a mesma quantidade mesmo quando o ritmo do metabolismo diminui. Portanto, os motivos, além de fisiológicos, são também comportamentais.

"O que faz o corpo das pessoas mudar da fase dos vinte e poucos anos em diante são os hábitos de vida. Numa fase mais madura, a pessoa torna-se menos ativa, cessa ou reduz o nível de atividade física que praticava quando era mais jovem", diz o endocrinologista Alex Leite, do Hospital São Luiz.

A máquina
O declínio das habilidades físicas começa quando a mulher vira balzaquiana. Aos 30 anos, o metabolismo basal – valor de referência do quanto o corpo gasta de calorias para se manter funcionando – começa a ficar mais lento. O corpo passa a funcionar em outro ritmo, que vai diminuindo gradativamente até os 60 ou 70 anos, quando tende a estabilizar. Fica mais difícil não acumular gordura, não perder músculos e nem massa óssea.

"A diminuição de massa magra propicia o maior acúmulo de tecido adiposo, que, por sua vez, pode ocorrer sem mesmo ter havido uma mudança significativa no padrão alimentar. Esse declínio no metabolismo decorrente na mudança da composição corporal é progressivo e potencializado pela a diminuição dos hormônios sexuais e do crescimento que acontece com o envelhecimento", afirma Leite.

A redução do ritmo do metabolismo fica evidente e ganha potência com a chegada da menopausa, quando as alterações hormonais podem fazer com que a gordura se acumule mais facilmente na barriga do que nos quadris e nas coxas.

A genética, nesse caso, tem um papel fundamental. Se a família tiver tendência a acumular gordura nessa região, é bem capaz que seu corpo passe a fazer o mesmo.

“Nosso corpo vai ficando mais desgastado com o uso e temos mais limitações. Há uma diminuição nos hormônios, assim como no metabolismo”, afirma o endocrinologista Alfredo Cury.

Vitalidade em baixa
Com a idade, a responsabilidade e as atribuições – como casa, família, filhos, amigos e trabalho –passam a ser maiores e o tempo dedicado ao exercício diminui. A vitalidade também perde terreno e quem ganha espaço é o sedentarismo.

Alfredo Cury destaca ainda a chegada dos filhos. “A vida muda. A mulher engorda, tem menos tempo para ela, dorme menos. É normal que passe a acumular o peso a partir dessa fase”, afirma.

Mexa-se!
Driblar o ganho de peso, no entanto, é possível. Entre os especialistas, o exercício físico é uma unanimidade. Além de melhorar a condição cardiorrespiratória e contribuir para uma vida mais saudável, a ginástica pode evitar a redução do metabolismo com a idade.

De acordo com o endocrinologista do Hospital São Luiz, o exercício físico ajuda a manter e aumentar o tecido muscular, promovendo uma composição corporal com maior teor de massa magra, que irá auxiliar na queima da energia obtida através dos alimentos.

O Departamento de Cinesiologia (o estudo dos movimentos) da University of Colorado, nos Estados Unidos, pesquisou a taxa de metabolismo basal e o ganho de peso com o passar dos anos.

Os pesquisadores descobriram que o declínio no metabolismo basal não é observado em pessoas que se exercitam regularmente.

Foram avaliadas 65 mulheres divididas em quatro grupos: pré-menopausa e pós-menopausa e sedentárias e ativas. Entre as ativas, o metabolismo manteve-se o mesmo antes ou depois da menopausa, o que, segundo os pesquisadores, levou ao baixo peso observado no grupo.

Os exercícios mais recomendados são a musculação, que evita a perda de massa muscular decorrente do envelhecimento, aliado à caminhada. Os músculos ajudam a manter o metabolismo funcionando por um tempo prolongado, além de serem importantes em áreas como equilíbrio, flexibilidade e estabilidade.

A caminhada, por sua vez, aumenta o gasto calórico. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriram que apenas 30 minutos andando por dia podem evitar o aumento de peso. Durante 15 anos, eles acompanharam a rotina de cinco mil pessoas entre 18 e 30 anos. O grupo que caminhava diariamente deixou de ganhar 450 gramas por mês.

Mas não basta se movimentar. Também é preciso cuidar da alimentação. Para a nutricionista Flávia Ferazzo Figueirêdo, não é preciso reduzir a quantidade de comida, apenas apostar em trocas inteligentes.

“A minha recomendação é fazer inversões no cardápio. Reduzir a farinha e o açúcar e, em contrapartida, aumentar o aporte de proteína, que ajuda na queima de gordura”, aconselha.

Fonte iG

Massagem ao som de rock: o spa ficou radical

Foto: Deidre Schoo/The New York Times 
Cliente recebe a massagem Rhythm and Bliss,
em Nova York: relaxamento ao som de rock
Oferta de serviços terapêuticos vai do inusitado ao bizarro em busca de clientes que procuram experiências inéditas

Adeus, flautas de Pã e didjeridus. Uma massagem que começa a ser oferecida na rede Bliss, em Nova York e em Hoboken, Nova Jersey, permite que os clientes sejam amassados enquanto ouvem Led Zeppelin, Pearl Jam e U2.

A nova massagem Rhythm and Bliss rejeita a ideia de que o New Age é a trilha sonora universal do relaxamento. Os clientes ouvem amostras e depois selecionam entre quatro playlists musicais (rock, clássico, world e eletrônica), colocam fones de ouvido bluetooth (que também bloqueiam os sons dos corredores), e passam a hora seguinte sendo massageados em sincronia com a música escolhida.

“Estamos realmente tentando desafiar os limites”, disse Ben Brown, um massagista que criou as playlists, além de outras mais tradicionais para os spas Bliss, espalhados por todos os Estados Unidos. A versão de rock começa com os Kinks e inclui sucessos universitários, além de novos artistas.

“As pessoas diziam: ‘Não se pode fazer massagem com rock’”, disse Brown. “Mas a verdade é que isso é bastante possível.” (E pelo preço de US$ 155, é mais barato do que muitos shows ao vivo.)

A Rhythm and Bliss integra uma nova onda de massagens especializadas que vai muito além de pedras, óleos e lama para tranquilizar o corpo e transportar a mente. O objetivo dessas massagens extremas é afetar todos os sentidos, usando música, luzes coloridas, vibrações, mesas giratórias, pedras preciosas – e até mesmo cobras vivas, em um spa em Israel. Embora répteis não sejam comuns em spas (ainda), massagistas afirmam que os serviços turbinados estão decolando, graças a uma nova geração de frequentadores de spa interessados, que estão dispostos a se aventurar mais, especialmente diante da promessa de um relaxamento mais rápido.

“Se você experimentar cromoterapia, aromaterapia, fones de ouvido ou vibrações, será transportado para um lugar diferente de onde jamais esteve”, disse Susie Ellis, presidente do SpaFinder.com, um website do setor. “Você chegará lá mais rápido, que é o que deseja.”

Em um relatório recente publicado em seu website, Ellis afirma que um número crescente de spas têm seguido os passos de lugares como o Miraval, em Tucson, no Arizona, onde o tratamento Taiz Sensorium inclui ser tocado por uma máquina que parece ter sido projetada por alienígenas para sondar o corpo humano – a propaganda do spa afirma que a sensação resultante já foi descrita como “voar como o Super-Homem para galáxias distantes”.

O novo Qua Baths and Spa, no Caesars Palace, em Las Vegas, oferece massagens Aura-Soma, que incluem luzes coloridas. E no Mii amo Spa, em Sedona, no Arizona, um novo tratamento chamado Kinetic Flow usa uma mesa de massagem que pode girar e balançar os clientes para fazer com que eles se sintam como se estivessem boiando na água.

A nova massagem Gemstone Vitality, no spa do Mandarin Oriental, em Boston, começa com uma consulta na qual é apresentada aos clientes uma bandeja de cerâmica contendo quatro pedras preciosas: granada, turmalina, quartzo fumê e ametista. Pede-se que os clientes segurem as pedras e escolham aquela com a qual sintam uma ligação.

“Você se sentirá atraído por uma das pedras”, disse Karen Aleksich, a gerente de tratamentos do spa e criadora dessa massagem. “É como se ela falasse com você.”

As pedras usadas na massagem foram escolhidas porque podem ser encontras na Nova Inglaterra (embora não venham necessariamente de lá), seguindo uma tendência do setor de utilizar materiais locais. O Four Seasons Resort, em Punta Mita, no México, por exemplo, oferece massagens com tequila.

Segundo Aleksich, às vezes as pedras parecem emitir calor. Ela afirma que vários de seus clientes já disseram que, apesar de acharem a princípio que escolheriam uma das pedras, depois não conseguiram segurá-la. A massagem começa depois que uma pedra é escolhida, com a adição de um óleo complementar. O massagista pode pedir que o cliente segure a pedra durante a massagem, ou a gema pode ser colocada na testa ou na lombar do cliente.

“As pedras preciosas todas têm suas próprias propriedades curativas”, disse Aleksich. A granada, por exemplo, supostamente tem a capacidade de aumentar o vigor e oferecer uma sensação de coragem, como algo saído do filme “O Mágico de Oz”. A massagem custa US$ 280 de segunda a quinta e US$ 295 de sexta a domingo. Por mais US$ 10 a US$ 20, os clientes podem levar a pedra para casa.

Aleksich acredita que uma das razões que está levando as massagens especializadas a se tornarem mais famosas é que os frequentadores de spas estão mais experientes. Técnicas que seriam consideradas puramente esquisitas há dez anos, hoje são aceitas, porque os benefícios da massagem são amplamente reconhecidos.

“Hoje as pessoas dizem, ‘Você já fez aquilo por mim, então o que mais pode fazer?’”, ela disse.

Por isso, estão surgindo excentricidades, como a WaveMotion Table do Mii amo, que levanta algumas questões importantes, como a ocorrência de náuseas. Segundo Chris Bird, gerente geral do Mii amo, nenhum cliente jamais reclamou de enjoo (embora o tratamento não seja recomendado para gestantes ou qualquer pessoa com vertigem aguda, problemas no ouvido ou que esteja fazendo tratamento de quimioterapia). Ele afirma que a sensação é de ausência de peso e de feliz entrega.

Segundo Bird, há sempre um atendente presente e os clientes ficam completamente vestidos durante a massagem, que também envolve alongamento, em um esforço para “abrir o sistema linfático”. As mentes também podem acabar mais abertas.

“Algumas pessoas entram completamente em suas próprias cabeças ao receberem uma massagem”, disse Bird, mas, nesse caso, “você não tem uma ideia preconcebida de como será o tratamento”.

E apesar de ser pouco provável que os clientes flutuem para o mundo dos sonhos durante uma massagem rock 'n' roll, Brown, da Bliss, afirma que aqueles que experimentaram ainda assim ficam relaxados depois, ou pelo menos em um clima diferente do que costumam ficar no dia a dia do trabalho.

“Você pode usar a massagem como uma preparação antes de sair para curtir a noite”, disse ele.

Fonte iG

É cedo para comemorar queda de mortalidade materna, diz entidade

Integrante da federação de obstetrícia critica otimismo do Ministério e diz que qualidade do pré-natal precisa melhorar

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde mostram que a mortalidade materna caiu – diminuir o número de mulheres em idade fértil que morre por causa da gravidez é um compromisso assumido pelo Brasil.

Se para a pasta a notícia da redução de 19% na mortalidade materna no primeiro semestre de 2011 (comparativamente ao mesmo período de 2010) é boa, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) prefere encarar os dados com cautela.

“Seis meses é um tempo muito curto para analisar os números da mortalidade materna. Pode ser um evento pontual”, diz o presidente da Comissão de Mortalidade Materna da entidade, Hélvio Bertolozzi Soares, acrescentando que ainda é cedo para comemorar resultados.

Em entrevista ao iG, Soares se diz cético em relação à redução das mortes de gestantes no Brasil. Segundo ele, os índices são os mesmos há muitos anos e a queda, muito lenta. Para ele, a visão dos obstetras precisa mudar urgentemente.

“Não acredito que os números tenham mudado tanto. Pode ter havido aumento no número de consultas feitas durante o pré-natal das gestantes, mas a verdade é que a qualidade do pré-natal não mudou. O perfil dos obstetras precisa mudar”, critica.
O médico, que é obstetra, afirma que os problemas são os mesmos na rede pública ou privada de saúde.

“Os fatores de risco que a paciente vai enfrentar durante o pré-natal, parto e pós-parto não são verificados e valorizados, encaminhados para um atendimento de risco durante toda a gestação”, explica.

Além disso, Soares critica a qualidade do atendimento de emergência obstétrica feito nos hospitais brasileiros.

“A gente vê todos os dias as dificuldades que essas mulheres enfrentam para conseguir atendimento de emergência. Isso não se muda do dia para noite. Falta atendimento especializado para as gestantes”, opina.

Causas indiretas
Para o presidente da comissão da Febrasgo o aumento das mortes de mulheres por causas “indiretas” à gestação – doenças prévias que se agravam com a gravidez – tem dois significados.

O primeiro – essa é a justificativa dada pelo Ministério da Saúde – é o de que as mortes passaram a ser investigadas e, com isso, muitos casos de doenças pré-existentes foram descobertos. O segundo é a falta orientação prévia às mulheres que querem ser mães.

“O mais importante para combater a mortalidade materna é reduzir os índices de mortes por causas diretas, porque significam melhor atendimento pré-natal. Mas não podemos nos esquecer de que falta orientação sobre risco reprodutivo, o que reduziria as mortes por causas indiretas”, diz Soares.

Fonte Delas