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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Papanicolaou em homens detecta tumor anal

O exame de papanicolaou, feito em mulheres para rastrear câncer do colo do útero, deveria deixar de ser algo exclusivamente feminino e ser realizado também em homens, dizem especialistas.

No Hospital das Clínicas da USP, médicos do ambulatório de proctologia e DSTs vêm fazendo, há cerca de seis anos, o papanicolaou anal em mulheres e homens para detectar lesões causadas por HPV e diagnosticar câncer de ânus precocemente.

O papanicolaou anal é pouco conhecido por aqui, mas é muito difundido em outros países, como os EUA.

"Estamos lutando para a população ficar sabendo, inclusive os médicos. As pessoas têm que exigir o exame e os médicos precisam dar essa resposta à sociedade", afirma Fábio Atui, proctologista do ambulatório do HC que participou do congresso Gut Microbiota for Health World Summit, na França.

Segundo ele, o tabu sobre o assunto é uma barreira para a maior conscientização sobre o exame.

O teste é feito numa população com maior risco de ter a doença, como pessoas com HIV, imunossuprimidos (quem fez um transplante, por exemplo), quem faz sexo anal (homem ou mulher) e pessoas com histórico de lesões genitais por HPV.

Editoria de Arte/Folhapress

Raro
O câncer de ânus, apesar de raro (1,5 caso em 100 mil pessoas), tem se tornado mais frequente. Um dos fatores é a sobrevida maior de pacientes com HIV, que têm maior risco de desenvolver lesões pré-cancerosas. Uma proteína do HIV estimula a expressão do HPV.

"Mudanças sexuais nas últimas décadas tornaram a transmissão de HPV mais intensa", diz Luisa Villa, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Por causa da maior exposição ao vírus, a doença é mais comum entre homens homossexuais, diz Caio Nahas, proctologista do HC.

"Mas só o contato com áreas infectadas, com os dedos, pode passar o vírus. Não é surpreendente que pessoas que nunca fizeram sexo anal tenham lesões", diz Villa.

Como o risco de câncer, nesses casos, é bem menor, o exame não precisa ser feito em homens héteros sem HIV, segundo Atui. O proctologista diz que quem tem uma lesão por HPV pode ter câncer anal, mas não dá para afirmar que ao tratar a lesão evita-se o câncer.

"Mas quem tiver a lesão vai ser visto de perto e o diagnóstico do câncer será precoce. O exame se justifica por isso."

Villa afirma que o ferramentas de detecção precoce do câncer anal são importantes, dado o aumento da incidência da doença. No entanto, não há pesquisas suficientes para dizer que o papanicolaou é um exame de rastreamento desse tipo de câncer.

"Ainda precisamos de estudos para confirmar que o teste é uma ferramenta preventiva como é o papanicolaou para a mulher."

Fonte Folhaonline

Cresce vacinação contra HPV em mulheres mais velhas

Na bula, a vacina contra o HPV é recomendada até os 26 anos. Mas cresce o número de médicos que recomendam a imunização para mulheres que passaram dessa idade.

Na última terça-feira, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, promoveu um simpósio com especialistas do Brasil e do exterior para discutir o tema.

"O ideal é que se vacine por volta dos dez anos. Mas eu recomendaria em qualquer idade. Estudos mostram que a vacina funciona em mulheres até os 44 anos", disse o médico Darron Brown, da Universidade Yale (EUA).

O uso "off label" (diferente do recomendado na bula) já está tão difundido que aparece nos sites e materiais de divulgação de clínicas.

Mas a vacinação de mulheres mais velhas levanta um debate: pacientes que já tiveram contato com o HPV devem ser imunizadas?

"Temos visto que a vacinação após a infeção vale a pena. A mulher que foi contaminada com um tipo de HPV ainda pode ser protegida contra os outros", afirma a médica Adriana Campaner, da Santa Casa de São Paulo.

Pioneira
A Austrália adotou a vacina em 2007. Em palestra em São Paulo, Basil Donovan, da Universidade de Nova Gales do Sul, de Sidney, disse que a prevalência de câncer do colo do útero em mulheres jovens caiu mais de 10% nos últimos anos.

Segundo ele, ocorreu o fenômeno chamado "efeito de manada". Só as meninas foram vacinadas, mas isso ajudou a barrar a circulação do vírus entre os homens heterossexuais, o que, por sua vez, reduziu a contaminação das mulheres não vacinadas.

A imunização, feita em três doses, não é oferecida pelo SUS --o Ministério da Saúde ainda não incluiu a vacina no calendário oficial do país. Na rede particular, ela custa em torno de R$ 900.

Fonte Folhaonline

Novo exame oferecido em SP permite imprimir feto em 3D

Os nove meses de gestação não precisam mais terminar para ter o bebê nas mãos. Um exame que entra neste mês no mercado no país oferece a possibilidade de imprimir o feto em três dimensões.

O resultado é uma réplica do bebê em tamanho real, feita de um material similar ao gesso ou de um tipo de resina --e, a depender da escolha dos pais, até de prata.

Até agora, afirma o ginecologista Heron Werner Jr., o método estava sendo usado só para pesquisas com foco em malformações, como tumores cervicais, lesões externas, fenda no lábio e problemas nos membros e na coluna. Casos como esses ainda devem ser as principais indicações do exame, que está em testes há mais de cinco anos.

Um dos objetivos, segundo o especialista em medicina fetal, é entender melhor os problemas do feto. "A ideia é transformar isso numa interface amigável para a equipe. É mais fácil discutir o caso mostrando um modelo físico e não só vê-lo na tela."

Algumas malformações podem requerer cirurgias logo após o nascimento, que podem ser mais bem planejadas com o modelo impresso, diz Werner. Outra vantagem é facilitar a comunicação do problema aos pais.

Mas, assim como aconteceu com a ultrassonografia 3D e a apelidada de 4D (em que é possível ver uma imagem tridimensional do feto se mexendo em tempo real), a nova tecnologia também deve servir para os pais guardarem uma lembrança do período de gestação do filho.

Da impressão em 3D, leva-se uma réplica que pode virar até pingente de prata. "Não é esse o objetivo inicial, mas acaba pegando carona. A cópia é muito fiel."

Como é feito 
A grávida precisa se submeter a um ultrassom ou a uma ressonância magnética para que os médicos obtenham os dados matemáticos das dimensões e do formato do feto. Depois de processadas no computador, essas informações são enviadas para a impressora 3D.

O custo do exame, disponível no laboratório Alta Excelência Diagnóstica, aberto neste mês em São Paulo, ainda não está fechado. A impressão é feita nos laboratórios do Instituto Nacional de Tecnologia, por meio de uma parceria público-privada. Só essa parte final do processo custa, em média, R$ 600. Mas o valor vai variar conforme o material e o tamanho do feto.

De acordo com Rita de Cássia Sanchez Oliveira, coordenadora da equipe de medicina fetal do hospital Albert Einstein, a nova técnica pode ser vantajosa para gestantes com deficiência visual, que não têm como acompanhar os exames tradicionais.

"Elas sentem falta de alguma coisa. Uma me pediu para gravar os batimentos cardíacos do bebê para colocar no celular", afirma.

Em termos de avanços diagnósticos, no entanto, Oliveira acha que os métodos usados hoje já são suficientes para a comunicação entre os médicos sobre possíveis malformações. Mas,
quanto aos pais, a impressão pode oferecer vantagens. "Por mais que você mostre na tela, não é a mesma coisa."

Fonte Folhaonline

Alternativa às sacolinhas, ecobag contém bactérias e fungos

Bactérias e fungos podem pegar carona, junto com as compras do mês, nas sacolas retornáveis usadas para transportar as compras de supermercado.

Um teste encomendado pela Folha ao laboratório de análises biológicas SFDK, em São Paulo, obteve a contagem de micro-organismos e, entre eles, bolores, coliformes e salmonela, em cem sacolas de consumidores de São Paulo. Eles foram contatados pelo Datafolha, que pediu a cada um a sacola mais usada para transportar as compras.

Segundo Mario Killner, especialista em análises microbiológicas e responsável técnico pelo laboratório, todas as sacolas, que chegaram ao laboratório lacradas em embalagens plásticas, foram abertas e manuseadas em câmaras de fluxo laminar, sistema de controle de ar que evita a entrada de contaminantes externos.

Uma gaze embebida em um líquido especial foi passada na superfície interna de cada uma, para que os micro-organismos presentes fossem capturados para a análise.

Editoria de Arte/Folhapress

Amostras do material retirado das ecobags foram transferidas para meios de cultura. Os micróbios formaram colônias, que foram contadas para determinar a concentração em cada sacola.

O processo revelou que a maioria delas (88 das 100) tinha micro-organismos capazes de formar colônias e algumas tinham grande concentração deles. Em quatro delas, a metade da superfície interna analisada tinha mais de 1 milhão de micróbios.

Killner diz que esses números elevados são sinal de que as ecobags podem conter bactérias que causam doenças. A contagem de coliformes totais, achados em sete das sacolas, também as causam.

A salmonela, tipo de bactéria que pode causar gastroenterite, no entanto, não foi achada em nenhuma delas.

Bolores foram detectados em 59 das 100 sacolas, a maioria em baixas concentrações em relação à superfície. "O mofo em geral não causa doenças, mas reduz a durabilidade dos alimentos."

Editoria de Arte/Folhapress

Killner afirma que os consumidores terão de se acostumar a higienizar as ecobags com frequência. "Talvez pudesse ter havido uma campanha para esclarecer os consumidores sobre isso antes da adoção das ecobags."

Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital das Clínicas, concorda que é necessário lavar as sacolas, mas diz que a presença das bactérias não resulta em risco imediato de doenças.

"Todos os nossos objetos pessoais têm bactérias. O carro tem; nossas mãos, também. A gente não precisa viver numa bolha. O mais importante é a higiene na hora de manipular os alimentos."

Fonte Folhaonline

Fabricantes terão 3 meses para mudar número do Disque Saúde em cigarros

Nova resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dá prazo de três meses para fabricantes de cigarro alterarem o número do Disque Saúde nas embalagens dos maços.

A decisão foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União.

A obrigatoriedade de dar destaque à informação já estava em vigor desde 2001, no entanto, o telefone do Ministério da Saúde foi recentemente alterado para o " 136" e, por isso, as empresas também terão de se adequar.

Os produtos derivados do tabaco que tiverem o número antigo do Disque Saúde poderão continuar no mercado por até seis meses.

Depois desse prazo, será obrigatório retirar de circulação aqueles itens que estiverem com a informação desatualizada, sob pena das empresas fabricantes levarem advertências ou multa, que varia de R$ 1,500 a R$ 1,5 milhão.

Fonte Folhaonline