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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Início do conteúdo Testes rápidos reduzem casos de sífilis congênita

Pesquisa motivou adoção de exames durante pré-natal no SUS

Testes rápidos para sífilis são eficazes na diminuição dos casos de sífilis congênita, especialmente nas regiões mais pobres do planeta. É o que mostra um estudo realizado em seis diferentes países, entre eles o Brasil.

No País, a pesquisa já deu frutos. Restrita às comunidades indígenas do Amazonas e de Roraima, ela inspirou uma decisão de âmbito nacional: a incorporação dos testes rápidos de sífilis e HIV ao pré-natal do Sistema Único de Saúde (SUS), no fim do ano passado.

Todos os anos, a sífilis na gravidez é responsável por 500 mil abortos espontâneos e partos de natimortos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que dois milhões de gestantes convivem com a doença. Metade transmite sífilis aos filhos. Além do risco de morte, nos bebês infectados, também é maior a prevalência de prematuridade, baixo peso ao nascer e outros problemas congênitos.

"É revoltante. A sífilis é muito fácil de tratar com antibiótico: bastaria diagnosticar", afirma a ginecologista Adele Benzaken, que coordenou o estudo no Brasil. À época, ela trabalhava na Fundação Alfredo da Matta, em Manaus. Adele explica que não bastava mostrar que os testes funcionam quando são aplicados pelos pesquisadores. Era preciso provar que, nas precárias condições que marcam a atuação dos agentes de saúde nos confins da Amazônia, os testes seriam capazes de salvar vidas.

"A Fundação Bill e Melinda Gates (que financiou o estudo) não queria uma pesquisa teórica. Queria resultados que virassem políticas públicas", afirma Adele, que hoje trabalha no escritório do Programa das Nações Unidas para DST/aids (Unaids), em Brasília. Outros cinco países participaram da pesquisa - China, Peru, Zâmbia, Uganda e Tanzânia -, que foi coordenada por pesquisadores da London School of Hygiene and Tropical Medicine, na Inglaterra. O Brasil recebeu US$ 1,5 milhão do financiamento de US$ 9,2 milhões da Fundação Bill e Melinda Gates. O artigo com os resultados mereceu publicação na revista PLoS Medicine.

Na primeira fase da pesquisa, de 2002 a 2008, Adele ajudou a validar os testes rápidos disponíveis no mercado brasileiro. As pessoas que procuravam o serviço de saúde faziam o exame rápido e o convencional. Desta forma, os cientistas comparavam os resultados e puderam concluir que o método rápido, do ponto de vista técnico, oferecia resultados semelhantes ao do método convencional.

Nos anos seguintes, o grupo tentou provar a eficácia dos testes em um cenário real, em que os exames são aplicados por agentes de saúde. Escolheram as comunidades indígenas do Amazonas e de Roraima para realizar o estudo. Em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde,  treinaram os profissionais que atuam nas aldeias para realizar os testes rápidos de sífilis. Decidiram realizar testes de HIV também.

Ao todo, 45.971 índigenas com mais de 10 anos foram testados. Cerca de 1,6% tinha sífilis, incluindo 64 mulheres grávidas. O porcentual é semelhante ao observado na população brasileira. Entre os ianomâmis, a doença estava quase ausente. Mas, em aldeias do Alto Solimões e do Vale do Javari, a situação era péssima, com prevalências de 2,2% e 5%, respectivamente. "Há uma diferença grande entre as regiões", explica Adele. "Como são comunidades fechadas, enquanto a doença não chega, não há práticamente casos registrados. Mas, depois, ela se espalha com facilidade."

Para Adele, a "enorme brecha" que costuma existir entre pesquisas e ações concretas foi superada porque, desde o início, o estudo incluía uma cooperação com o poder público. Ela conta que o projeto criou um método próprio para controlar a qualidade do trabalho dos agentes de saúde: eles recebiam ampolas com amostras para testar. (Os cientistas sabiam de antemão qual deveria ser o resultado para cada amostra.) Se um agente de saúde errasse o diagnóstico, os pesquisadores analisavam a causa do erro. As hipóteses incluíam a má iluminação do local de trabalho ou a necessidade de mais treinamento. A estratégia também inspirou outros programas governamentais. 

Fonte Estadão

Fumar e beber tem 'pouco efeito' sobre fertilidade masculina, diz estudo

Pesquisa britânica sugere que mudanças no estilo de vida não afetam qualidade de espermatozoides
 
Mudanças no estilo de vida como parar de fumar e beber ou mesmo dietas contra obesidade teriam pouco efeito no combate à infertilidade masculina, de acordo com pesquisadores da Grã-Bretanha. 

Segundo um estudo feito nas Universidades de Sheffield e Manchester e publicado na revista Human Reproduction, tabagismo, alcoolismo e obesidade não afetam a qualidade do sêmen. No entanto, os pesquisadores advertiram que evitá-los ainda é uma medida "de boa saúde". 

O estudo comparou os estilos de vida de 939 homens com baixo número de espermatozoides em seu sêmen com os de 1.310 homens com um número normal. 

A pesquisa mostrou que há pouca diferença no número de espermatozoides móveis entre os pacientes que nunca fumaram e aqueles que tinham o hábito de consumir 20 cigarros ao dia. Há "pouca evidência" de que o uso recreativo de drogas, um elevado índice de massa corpórea ou consumo excessivo de álcool tenha afetado a qualidade do esperma. 

O doutor Andrew Povey, da Universidade de Manchester, disse que escolhas de estilo de vida eram extremamente importantes para a saúde em geral, mas "provavelmente têm pouco influência" sobre a fertilidade masculina. Ele disse que o dado "potencialmente derruba boa parte do aconselhamento atual dado aos homens sobre como melhorar a fertilidade e sugere que muitos riscos comuns de vida podem não ser tão importantes quanto se pensava." 

Estilo de vida
"Atrasar o tratamento de fertilidade, para que possa haver alterações em seus estilos de vida, é uma medida que não está apoiada em evidências para melhorar as chances de uma concepção e, de fato, pode ser prejudicial a casais com pouco tempo a perder." 

O doutor Allan Pacey, da Universidade de Sheffield, disse: "Apesar de nossos resultados, é importante que os homens continuem a seguir os conselhos de boa saúde e cuidar do peso, parar de fumar e beber álcool dentro de limites razoáveis. Mas não há necessidade de que eles se tornem monges só porque querem ser pais." 

Existem outras medidas de fertilidade, tais como o tamanho e a forma do esperma ou a qualidade do DNA dos espermatozoides, que não foram considerados no estudo. 

O Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica da Grã-Bretanha está revendo os resultados do estudo e somente no final do ano deve anunciar se muda ou não suas diretrizes para os médicos que tratam de fertilidade. 

Fonte Folhaonline

Artigo denuncia manipulação de pesquisas com novas drogas

A "tortura" de dados para obter resultados favoráveis em estudos sobre medicamentos novos no mercado é uma prática comum dos laboratórios, segundo denúncia publicada ontem no "British Medical Journal". 

De acordo com o autor, um ex-funcionário de um grande laboratório que escreveu sob anonimato, os estudos realizados após a aprovação das drogas têm como objetivo alavancar as vendas dos produtos, e não determinar sua segurança de uso. 

O artigo foi publicado junto com análise de estudos pós-venda de alguns remédios contra diabetes tipo 2.
Esse tipo de pesquisa é feito quando a droga está no mercado e, portanto, já passou pelas três primeiras fases de teste, necessárias para que o remédio possa ser vendido. 

Depois disso, são feitos estudos de fase 4 ou observacionais, que analisam o desempenho da droga na "vida real", sem as intervenções dos cientistas e os controles das pesquisas laboratoriais. 


Editoria de arte/folhapress
De acordo com o reumatologista Marcelo Schafranski, autor do livro "Medicina - Fragilidades de um modelo ainda imperfeito" (Ed. Schoba), a análise pós-venda é importante para avaliar o peso dos efeitos colaterais e o custo-benefício das novas drogas. 

Mas faltam regras para controlar a metodologia desses trabalhos, muitas vezes patrocinados e elaborados pelas próprias fabricantes dos remédios. "Os resultados publicados são escolhidos após a coleta dos dados. São selecionados desfechos favoráveis para o fabricante do remédio, em vez de resultados como número de mortes ou internações em UTI. Do jeito que está, esse tipo de estudo não tem credibilidade." 

Segundo a análise feita por Edwin Gale, professor na Universidade de Bristol, sobre estudos de análogos da insulina conduzidos pelos laboratórios Novo Nordisk, Eli Lilly e Sanofi, falta rigor científico nos trabalhos. 

Um dos estudos, com mais de 66 mil pessoas, acompanhou os voluntários por 18 meses (quando o ideal para esse tipo de pesquisa são cinco anos) e exigia como comprovação de efeito colateral (hipoglicemia) um exame laboratorial. Com isso, foram registrados pouquíssimos desses eventos, dando aparência de vantagem da nova droga sobre a antiga. 

De acordo com o texto publicado pelo ex-funcionário da indústria, além de mexer nas estatísticas, os laboratórios permitem que o departamento de marketing acompanhe todas as etapas dos estudos. O grande número de pacientes participantes serve, segundo ele, para disseminar a prescrição do novo remédio entre os médicos. 

"Levávamos [médicos] para os melhores hotéis e restaurantes durante as reuniões. Depois, atuavam como 'embaixadores', dando conferências, ensinando médicos e falando com a mídia sobre os benefícios da droga." 

Outro lado
As empresas citadas nos artigos do "British Medical Journal" responderam por meio de nota aos questionamentos publicados. 

O laboratório Sanofi afirmou que acredita que os ensaios clínicos devem contar com objetivos científicos claros "para ampliar a base de evidências em prol dos interesses dos pacientes". 

Segundo o comunicado, esse princípio é aplicado em todas as pesquisas conduzidas pela empresa. A Sanofi diz ainda que os estudos atendem aos quesitos éticos e regulatórios do Brasil. 

"No país, foram e são realizados estudos de alto grau de evidência científica, visando ao melhor controle do paciente com diabetes."
A farmacêutica Eli Lilly afirmou que "não realiza pesquisas médicas com a intenção de que a condução do estudo aumente as vendas de um medicamento". 

A empresa disse ainda que continua comprometida com a realização de pesquisas de impacto e relevância, que respondam a questões científicas e clínicas. 

A Novo Nordisk disse que seus estudos clínicos estão "100% alinhados" com regras estabelecidas pelas agências regulatórias de cada país. 

Fonte Folhaonline

Governo admite erro e promete correção na MP que reduziu salário dos médicos do serviço público federal

Brasília - Com o aval da Presidência da República, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) apresentará emenda ao texto da Medida Provisória (MP) 568/2012 que reajusta o salário dos servidores públicos federais, corrigindo problema na estrutura de remuneração dos profissionais de saúde.

Pela manhã, o senador e líder do governo no Senado reuniu-se com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para discutir as alterações. “O Ministério do Planejamento reconhece que teve um erro na medida provisória. Nós vamos corrigir o erro”, disse a ministra, ao deixar o Congresso.

O ponto mais importante é a criação de uma tabela de remuneração exclusiva para os médicos, desmembrando das demais categorias do setor. O objetivo é evitar uma paralisação nacional da categoria e chegar a uma negociação com os médicos de hospitais públicos, que protestam contra redução de salários imposta pela MP.

“Nós fizemos as adequações possíveis no texto da MP”, disse o relator Eduardo Braga. A matéria foi analisada na reunião de ontem (12) à tarde da comissão especial do Congresso que avalia a constitucionalidade e admissibilidade da medida provisória antes da tramitação na Câmara e do Senado.

Eduardo Braga disse que apresentará seu parecer nesta tarde. Caso não haja pedido de vistas, a intenção é votá-lo para que siga para a análise da Câmara e, posteriormente, no Senado.

A tabela exclusiva para os médicos dos ministérios da Saúde, Trabalho e Previdência Social prevê a possibilidade de contratos de trabalho de 20 horas semanais ou de 40 horas. No caso dos contratos de 20 horas, está mantida a gratificação, além do vencimento básico. Já para os contratos de 40 horas, o vencimento básico dobra de valor, mas a gratificação permanecerá a mesma.

Pela emenda a ser incorporada pelos deputados e senadores da comissão especial, são suprimidas todas as alterações previstas no texto da MP quanto ao pagamento de insalubridade e periculosidade. Com isso, fica mantido o pagamento desses benefícios com base em um percentual do vencimento básico e não mais um valor fixo, independente de reajustes salariais, como prevê a medida provisória.

Outro ponto do texto original da medida provisória que será alterado diz respeito ao novo cálculo previsto para o pagamento de produtividade. “Isso vai para o espaço. Vão permanecer as regras de hoje”, disse o relator.


Fonte Agência Brasil

Vacina contra a esquistossomose é eficaz e segura, diz cientista

Brasília – Em plena segunda década do século 21, o Brasil continua sendo um país de contradições. Apesar de abrigar um dos principais centros de pesquisa em biomedicina do mundo, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o país registra a maior endemia de esquistossomose do mundo – uma doença parasitária própria de áreas sem saneamento básico e que chegou ao Brasil no tempo do tráfico de escravos.

Depois de mais de 30 anos de pesquisa, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC, ligado à Fiocruz) anuncia a criação da vacina contra a doença. É um feito histórico: em vez de comprar tecnologia, o Brasil vai vender e em vez de tratar a doença com remédio, a saúde pública vai poder prevenir com a vacina. A Agência Brasil entrevistou a médica Miriam Tendler, especialista em doenças infeccionsas e parasitárias e pesquisadora chefe do Laboratório Esquistossomose Experimental do IOC onde a vacina foi desenvolvida.

Na entrevista, a médica falou sobre os testes realizados no Brasil e a importância do desenvolvimento de uma vacina segura. “Ela [a vacina] não deu reações. É uma vacina segura, e essa segurança é o maior atributo de uma vacina”, disse. Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida pela cientista.

ABr: Por que a esquistossomose é uma doença associada à pobreza?
Miriam: A doença infecta hoje 200 milhões de pessoas, mas existem 800 milhões expostas ao risco. É a segunda maior endemia no mundo [a primeira é a malária] é uma doença dos países pobres, associada à miséria. Ela é endêmica em países africanos. O Brasil é o maior país endêmico. Ela está também em outras regiões da América Central também, mas é mais significativa para a África e para o Brasil.

ABr: No caso do Brasil, os focos estão na área rural ou urbana?
Miriam: Hoje em dia, com a migração da população para diferentes áreas, temos até focos em regiões menos rurais. Mas não é tanto pelo fato de ser rural. A endêmica no Brasil é mais na Região Nordeste e no estado de Minas Gerais. Mas é bastante ligada à história da esquistossomose, que veio para o Brasil na época do tráfico de escravos, havendo uma concentração nessas regiões. Então, a entrada da esquistossomose no Brasil tem mais de um século, é muito longa e bem conhecida. Até no Sul tem focos, que tem menos importância pelo volume, mas tem importância epidemiológica, pois indica a possibilidade de migração para regiões que ainda não têm.

ABr: Essa vacina pode ser associada à prevenção de outras doenças?
Miriam: A vacina já está sendo desenvolvida segundo dois eixos, que chamamos de vacina bivalente. Potencialmente, ela é multivalente. Isso não tem mistério. Nada nesse projeto tem magia, não tem nada fortuito ou do acaso. É um projeto muito bem definido e estruturado, focado desde o início, usando toda a metodologia disponível. Talvez o único que a gente não esperava era exatamente por essa multivalência. Isso foi evidenciado a partir do momento em que se teve acesso à estrutura do DNA do clone [da proteína] SM14. Ela pertence a uma família de proteínas que tem a capacidade de ligar gorduras a ácidos graxos, e esses helmintos [parasitas] não têm a capacidade de sintetizar lipídeos, gorduras que são a principal forma de energia do metabolismo. Então, eles precisam pegar isso do hospedeiro. Esse transporte é feito por essas moléculas, que transporta lipídeos. Isso talvez seja o fato de estarem presentes em todos os helmintos de importância humana e veterinária. O primeiro que identificamos é o que causa a fascíola do gado. Passamos a desenvolver a vacina desde 1991 sob uma ótica bivalente: para uma doença humana, que é a esquistossomose, que era o objeto real, e uma doença veterinária do gado, que é a fascíola hepática, principal parasitose bovina no mundo.

ABr: A descoberta da vacina é muito importante para o Brasil, mas tem grande impacto mundial. A senhora pode fazer uma comparação com a descoberta da vacina contra a poliomelite?
Miriam: A poliomielite foi uma das piores mazelas, que matou milhões de crianças, e a vacina contra a pólio fez um benefício à humanidade sem precedentes, pela mortalidade, e pelo impacto que a vacina pode ter. Mas as doenças por helminto têm outra face de crueldade. São crônicas, atingem as crianças e os adultos jovens, não mata igual à pólio, então não chama muito a atenção. As pessoas têm até remédio, mas se tratam e são reinfectas. É uma doença que causa anemia nas crianças e comprometimento das capacidades cognitivas de aprendizado. É um grupo de doenças da mais alta crueldade, fazendo parte também de um grupo de doenças negligenciadas. Como elas não são altamente mortais, como a pólio, e das áreas pobres, a demanda por uma vacina é incomparável. As doenças que têm alta mortalidade chamam mais atenção e foram as primeiras para as quais fizeram vacinas.

ABr: O Brasil vai exportar a tecnologia? Vamos explorar comercialmente ou seguir a tradição de fornecer vacinas e medicamentos como ajuda humanitária? Há um plano de negócios?
Miriam: Existe um desenho. Hoje em dia a Fiocruz tem um parceiro industrial, que é a Ouro Fino [Agronegócio], uma indústria brasileira que assumiu com o licenciamento principalmente da vertente veterinária que é um produto de aplicação comercial. Na verdade, a gente chegou a um ponto que tinha uma vacina para gado de país rico e para gente de país pobre. Existe o compromisso forte de transformar em uma vacina humanitária, que vai ser administrada da melhor maneira possível, sem vistos a ganhos comerciais. Ela tem uma possibilidade de retorno financeiro através do eixo veterinário, que é muito importante porque é a principal doença parasitária do gado – representa mais de US$ 3 bilhões de prejuízo no mundo inteiro. Então ela tem interesse comercial muito forte, principalmente na relação com a qualidade e a segurança dos alimentos porque atinge o gado de consumo. ABr: Será possível em uma década imunizar a população da África e do Brasil? Miriam: Menos, menos.

ABr: Menos de cinco anos?
Miriam: No máximo.

ABr: Vocês podem ganhar o Prêmio Nobel?
Miriam: Não sei. Não é esse o foco, não. Mas é um esforço muito grande porque, tecnicamente, nós há dez anos já podíamos ter dado esse salto final. Nós estamos mais ou menos na mesma fase e a gente precisou esperar mudanças no país acontecerem. Por exemplo, essa oportunidade de uma chamada público-privada. É uma coisa que não era nossa cultura há dez anos. A própria parceria público-privado tem ajudado muito neste projeto.

ABr: É problema de descontinuidade que afeta outras áreas de pesquisa? Miriam: É claro. E com isso você tem sua segurança, entendeu?! Então você imagina a Fiocruz fez um esforço e teve uma competência enorme para abrigar toda a pesquisa básica, todo o desenvolvimento experimental para fazer as patentes, que é uma das competências na Fiocruz neste segmento, e agora para licenciar. Mas para efetivamente fazer um produto de dentro de uma instituição acadêmica é uma coisa muito complexa e complicada. Então as parcerias são fundamentais. Fonte Agência Brasil