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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Crianças que se levantam mais quando sentadas por muito tempo têm saúde melhor, indica pesquisa

Crianças que se levantam mais quando sentadas por muito tempo têm saúde melhor, indica pesquisa Adriana Franciosi/Agencia RBS
Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS
Riscos causados pela exposição demasiada aos videogames é
maior entre os meninos, afirmam cientistas
Estudo foi conduzido com 500 canadenses com idade entre 8 e 11 anos
 
Em recente estudo publicado na revista científica PLOS ONE, pesquisadores canadenses sugerem que crianças que fazem mais interrupções durante atividades sedentárias de longa duração, como assistir televisão e jogar videogame por muitas horas, têm chances menores de desenvolver problemas de saúde em geral. A pesquisa foi conduzida no Canadá com crianças de 8 a 11 anos de idade.
 
— Já sabiamos que ficar sentado por longos períodos é algo ruim para as crianças. Mas agora, pela primeira vez, temos evidências de que o simples ato de se levantar com mais frequência está associado a uma saúde melhor nesta faixa etária — afirma Travis Saunders, do Instituto de Pesquisa do Hospital Pediátrico de Ontário Oriental.
 
Durante a coleta de dados, os pesquisadores buscaram por fatores de risco para a diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares em crianças com histórico familiar de obesidade. Eles analisaram informações obtidas pelo estudo de grupo QUALITY, que incluiu 500 crianças do Quebec. Usando um acelerômetro para reunir os dados, os cientistas estudaram todas as interrupções de comportamentos sedentários observados nestas crianças durante o período de uma semana.
 
Indicadores de riscos de saúde globais foram medidos, incluindo a circunferência da cintura, índice de massa corporal, insulina e glicose em jejum, triglicerídeos, colesterol HDL e proteínas C-reativas. O tempo gasto com o computador, videogame e televisão foi indicado pelas próprias crianças.
 
— Longos tempos de exposição em frente à tela são, via de regra, um risco crônico para a saúde das crianças. Mas outra descoberta interessante deste estudo é a de que, enquanto o videogame foi relacionado a mais malefícios para a saúde dos meninos, a televisão foi considerada a mais prejudicial no caso das meninas — observa Saunders.
 
A pesquisa indica que interrupções frequentes no tempo sedentário dos pequenos - ou o número de vezes em que a criança se levanta, mais até do que a duração do tempo em que fica em pé - podem ter um impacto positivo em sua saúde.

Zero Hora

Crianças internadas em hospital dos EUA cantam Katy Perry para mobilizar doadores

Centro pediátrico é um dos mais importantes da Nova Inglaterra
 
O hospital pediátrico Dartmouth-Hitchcock, nos Estados Unidos, inovou para angariar doações: postou um videoclipe no Youtube em que funcionários, pais e crianças internadas no local dublam o sucesso Roar, da cantora norte-americana Katy Perry.
 
O vídeo pode ser visto abaixo:

 
Com pelo menos 60 mil pacientes em 14 centros localizados nos estados de Vermont e New Hampshire, onde é o único hospital a oferecer atendimento pediátrico de alta complexidade, o Dartmouth-Hitchcock é financiado através de doadores particulares, patrocinadores e iniciativas filantrópicas.
 
Zero Hora

Tabagismo cai menos entre pessoas com baixa escolaridade no Brasil

Apesar de o percentual de fumantes ter caído no Brasil à quase metade do que era no fim da década de 1980, essa diminuição foi consideravelmente menor entre pessoas com baixa escolaridade.
 
O dado sugere que políticas antitabagismo elaboradas nas últimas décadas tiveram alcance maior entre pessoas de maior escolaridade.
 
É o que aponta uma análise lançada ontem pela Fiocruz, ACT (Aliança de Controle do Tabagismo) e Universidade Federal Fluminense.
 
O estudo compara as prevalências de tabagismo na população de 15 anos ou mais encontradas em duas pesquisas nacionais -uma feita em 1989 e a outra, em 2008.
 
Nesse intervalo, o percentual de fumantes passou de 32% para 17,2%. A presença do fumo caiu 57,2% entre pessoas com pelo menos um ano de ensino universitário (12 anos de estudo no total). Em 2008, o tabagismo alcançava 10,9% dessa faixa.
 
Entre brasileiros com oito a 11 anos de escolaridade, a queda do tabagismo foi de 49%, fixando-se em 13,6%. E, entre pessoas com até sete anos de estudo (até o fundamental incompleto), a redução registrada foi de 36,7%, ficando em 22,1% em 2008.
 
"A gente não sabia que a redução do tabagismo havia sido significativamente maior nas classes mais altas", afirma Paula Johns, diretora-executiva da ACT.
 
O estudo coordenado pela Fiocruz sugere que, apesar de as políticas adotadas por governos e pelo Congresso terem sido bem-sucedidas como um todo, faltou um olhar focado nas desigualdades.
 
"[Essa] pode ter sido uma das razões para a atual concentração da epidemia de tabaco na população mais desfavorecida", diz a pesquisa.

 A preocupação com a concentração de fumantes entre pessoas de menor escolaridade já foi mencionada, mais de uma vez, pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde).
 
Mais sensível
A análise também considera uma maior vulnerabilidade dos brasileiros com menor escolaridade às doenças relacionadas ao tabagismo.
 
O trabalho destaca que, em 2011, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão entre pessoas com até oito anos de estudo foi 3,8 vezes maior do que entre as com oito anos ou mais de escolaridade. No caso de doença pulmonar obstrutiva crônica (como enfisema), a mortalidade no grupo com menos anos de estudo foi sete vezes maior em relação aos que ficaram mais tempo na escola.
 
Vera Luiza da Costa e Silva, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz) e coordenadora do estudo, diz que há outras situações a serem consideradas, como a menor procura dos serviços para parar de fumar por pessoas de classes econômicas mais baixas.
 
"Temos que adequar nossas políticas, colocar um óculos de equidade, testar mensagens de advertência que atinjam a população de baixa renda, na zona rural."
 
A pesquisadora defende aumentar ainda mais o preço do cigarro, estratégia que se estima especialmente eficaz entre pessoas de baixa renda.

Folhaonlinr

Brasileiro acha que câncer mata mais que infarto e AVC

O brasileiro desconhece as doenças cardiovasculares como principal causa de morte no país. Para a maioria da população, o câncer (59%) e a Aids (17%) matam mais.
 
É o que revela pesquisa Datafolha, feita a pedido do Instituto Oncoguia, que verificou o conhecimento da população sobre o câncer, seus fatores de risco e a prevenção.
 
Segunda causa de mortalidade, o câncer é responsável por 17% das mortes. Já as doenças do aparelho circulatório, como derrame e infarto, respondem por 31%.
 
Foram entrevistadas 2.571 pessoas em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
 
"Subestimar a mortalidade pelas doenças cardiovasculares é um forte sinal indireto da nossa má qualidade de saúde", diz Angelo de Paola, professor titular de cardiologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
 
Para ele, a desinformação é maior entre o público feminino, que teme o câncer ginecológico, mas não as doenças do coração, que são as que mais matam as mulheres.
 
Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
 
Ao mesmo tempo que supervalorizam a mortalidade por câncer, as pessoas desconhecem fatores de risco importantes associados a ele.
 
A infecção pelo vírus HPV, que causa o segundo tumor que mais mata as mulheres, o de colo uterino, aparece em sétima colocação em uma lista de 12 fatores de risco.
 
O tabagismo, associado ao câncer de pulmão, lidera a lista. A obesidade e o sedentarismo, relacionados a até 40% casos de câncer, também não são reconhecidos pela população como fatores que predispõem ao câncer. Aparecem em penúltimo e antepenúltimo lugar, respectivamente, na pesquisa.
 
"É impressionante como a falta de informação está disseminada, independentemente do grau de escolaridade, classe econômica, região ou faixa etária", afirma o oncologista Rafael Kaliks, diretor científico do Oncoguia.
 
Para ele, é importante que as pessoas saibam da relação direta entre o HPV e o câncer do colo uterino e outros até para que os pais não titubeiem na hora de vacinar suas filhas contra o vírus, agora que a imunização será oferecida na rede pública, a partir do ano que vem, para meninas de 11 a 13 anos.
 
O caso da obesidade e do sedentarismo é ainda mais gritante, segundo Kaliks.
 
"Com 50% da população acima do peso, esses fatores de risco passaram a ser ainda mais importantes do que o tabagismo, que afeta hoje 15% dos brasileiros. Não só para o câncer como também para as doenças cardiovasculares", afirma o médico.
 
Para ele, são necessárias campanhas públicas de promoção à saúde mais agressivas. "Temos que começar nas escolas", diz ele.
 
Folhaonline

São Paulo amplia de 4 para 6 as doenças triadas por teste do pezinho, DF tria 33

Creative Commons
Teste do pezinho permite a detecção precoce de doenças metabólicas,
 genéticas e raras que não apresentam sintomas claros
Ampliação do teste é feita com recursos do Ministério da Saúde; associações de pais de crianças com doenças raras diz que aumento é tardio e insuficiente
 
A partir desta terça-feira (26), o Estado de São Paulo aumenta de 4 para 6 as doenças raras triadas por meio do teste do pezinho, exame feito a partir da análise da gota de sangue retirada do calcanhar de bebês recém-nascidos. Uma ampliação tida pela Secretaria Estadual da Saúde como um grande avanço, mas, para associações de pais e pacientes de doenças raras, é tardia e ainda insuficiente. 
 
“Antes tarde do que nunca. Mas isto é uma questão política. Acho que São Paulo teria condições de já fazer isso há muito tempo e triar outras doenças que continuam fora da lista. O ideal é que 53 patologias fossem triadas. O governo tem incluído doenças cujo tratamente é menos oneroso", diz Regina Próspero, presidente da Associação Paulista de Mucopolissacaridoses e Doenças Raras. A doença que matou o filho primogênito de Regina e deixou o segundo filho com sequelas ainda não é triada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde no Estado.
 
Com verba do Ministério da Saúde, o Estado de São Paulo começa a triar a hiperplasia adrenal congênita e biotinidase. Até agora, o teste detectava o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a anemia falciforme e a fibrose cística, também a hiperplasia adrenal congênita e biotinidase. 
           
“Foi uma decisão do Ministério da Saúde, em que um grupo de trabalho decidiu que doenças deveriam entrar em nosso rol. Não podíamos perder esta verba”, afirma Carmela Maggiuzzo Grindler, coordenadora estadual do Programa Nacional de Triagem Neonatal de São Paulo. 
 
Ela explica que o ritmo do aumento das doenças triadas obedece à capacidade de atendimento do sistema de saúde. “Não podemos apenas fazer o teste do pezinho, precisamos além de triar as doenças, confirmar a triagem com outros testes e ainda dar o tratamento para a doença”, diz Carmela, do Programa Nacional de Triagem Neonatal de São Paulo.
 
Estados como Santa Catarina e Goiás já triam as seis doenças com verbas estaduais. No Distrito Federal são 33 doenças triadas. A meta do governo federal é que todos os estados brasileiros triem seis doenças até o fim de 2014.
 
Flávia Piazzon, geneticista da Apae de São Paulo lembra que apenas 0,03% dos testes dão resultados positivos, apontando a incidencia de doenças. “Como é um teste de triagem, quanto mais abrangente for, mais eficiente será. O que importa na triagem é identificar a ocorrência da doença e, para isso, é preciso realizar testes em todos os bebês”, explica.
 
Novas doenças triadas            
A deficiência por biotinidase é uma doença metabólica hereditária em que o bebê não aproveita a vitamina da biotina, importante para a formação de células humanas. A deficiencia pode levar a convulsões, falta de equilíbrio, lesões na pele, perda de audição e ao retardo do desenvolvimento. A incidencia é de um para 40 mil nascidos vivos e, de acordo com a secretaria de saúde do Estado, existem apenas cinco casos da doença no Estado. O tratamento é simples: tomar 20 ml de biotina por dia.
 
Já a hiperplasia adrenal congênita é uma doença metabólica e genética que consiste na deficiência das glândulas suprarrenais, acima dos rins, que não produzem, ou produzem pouco hormônio cortisol e aldosterona, além de um excesso na produção de testosterona. São 800 pessoas com hiperplasia adrenal congênita no Estado. A incidência da doença é de um para cada 10 mil nascidos vivos, ou cerca de 60 nascidos por ano em todo o Estado.
 
Assim que a criança nasce, ela já apresenta uma descompensação de sódio e potássio, o que gera um quadro grave de desidratação. Quando não diagnosticada, ela pode morrer da própria desidratação ou ter deficiência mental causada por ela. 
 
De acordo com estudo de Tânia Bachega, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e especialista no assunto, a inclusão da hiperplasia adrenal congênita aumenta os custos em 9 dólares por teste. “O custo inclui não apenas o papel para o teste do pezinho, como também leva em conta o número de mortes evitadas, redução de tempo de hospitalização”, diz a pesquisadora em estudo publicado na revista Cares Foundation.
 
Outro drama da doença é a virilização da genitária. Geralmente, as meninas nascem com mal formação genital - 40% das meninas nascidas com a doença não são identificadas com a doença e, muitas vezes, são registradas como meninos mesmo tendo duplo cromossomo X, explica Tânia.
 
No caso dos meninos, a identificação da doença é mais difícil, sendo quase que restrita ao teste do pezinho. Quando identificado, além da cirurgia na genitária, no caso das meninas, os pacientes precisam tomar por dia um comprimido de corticoide. O preço do comprimido é de cerca de 15 centavos.
 
iG