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terça-feira, 4 de março de 2014

Empresa francesa é especializada em fabricar doces e bolachas com insetos

Macarons, doce que é popular na França, é oferecido por empresa do país com insetos (Foto: Regis Duvignau/Reuters)
Foto: Regis Duvignau/Reuters
Macarons, doce que é popular na França, é oferecido por
empresa do país com insetos
Consumo de insetos foi recomendado por agência das Nações Unidas. Insetos podem ser encontrados desidratados ou ainda na versão farinha
 
O consumo de insetos na alimentação humana, aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e recomendado em relatório publicado em 2013, é levado a sério pela empresa Micronutris, sediada em Saint Orens de Gameville, na França.

A companhia, que se autodenomina como a única da Europa a produzir insetos para o consumo humano, se especializou em “fabricar” as iguarias para serem ofertadas vivas, desidratadas ou ainda na versão farinha.
 
Em imagens feitas pela agência Reuters é possível ver que a empresa comercializa macarons, um doce bastante popular na França, com insetos sortidos enfeitando a cobertura. Além disso, a Micronutris oferece também biscoitos feitos com insetos.
 
A recomendação da ONU pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Segundo o órgão, insetos são alimentos ricos em nutrientes, de baixo custo, ecológico e "delicioso".
 
Biscoitos sortidos feitos a base de insetos também são oferecidos pela fabricante francesa (Foto: Regis Duvignau/Reuters)
Foto: Regis Duvignau/Reuters
Biscoitos sortidos feitos a base de insetos também são oferecidos pela fabricante francesa
 
Dois bilhões de pessoas em culturas tradicionais já comem insetos, mas o potencial de consumo é muito maior, considera a agência. Seu consumo, chamado de entomofagia, já é difundido entre culturas tradicionais em regiões da África, Ásia e América Latina
 
Funcionário da Micronutris, na França, observa criadouro de insetos voltados para o consumo humano (Foto: Regis Duvignau/Reuters)
Foto: Regis Duvignau/Reuters
Funcionário da Micronutris, na França, observa criadouro de insetos voltados para o consumo humano
 
A agência da ONU enumera os benefícios da produção de insetos em larga escala: são necessários 2 kg de ração para produzir 1 kg de insetos, enquanto o gado requer 8 kg de alimento para produzir 1 kg de carne.
 
G1

Médicos conectam 'perna' em braço em cirurgia para extrair tumor

Foto: BBC
Tecido muscular foi mantido vivo para depois ser reimplantado em bacia. A operação pioneira na Grã-Bretanha durou 18 horas
 
Médicos britânicos mantiveram parte de uma perna amputada "viva" conectando-a ao braço do paciente para depois reimplantá-la junto a sua bacia.
 
A operação durou 18 horas e foi a primeira deste tipo na Grã-Bretanha.
 
O paciente, Ian McGregor, tinha um grande tumor agressivo, que se espalhou da bacia para a coxa. Há dez anos que os médicos vinham tentando, sem sucesso, tratar este câncer.
 
Agora, com a perna amputada e o tumor extraído, o paciente, de 59 anos, está se recuperando.
 
Da perna ao braço
Os médicos do hospital, em Newcastle, temiam que, depois de retirar todo o tumor, não haveria tecido o bastante para fechar novamente a perna de McGregor.
 
Então, a equipe teve a ideia de remover a parte de baixo da perna, exceto os ossos, e ligar estes músculos ao antebraço para manter o fluxo de sangue nestes músculos.
 
 
Depois de remover a perna e o tumor, os médicos desconectaram, do antebraço, os músculos da panturrilha e usaram o tecido para reparar a área de onde o tumor tinha sido removido.
 
A cirurgia, de 18 horas, ocorreu em agosto de 2013.
 
Ian McGregor afirmou que, quando os médicos descreveram como seria o procedimento, ele achou que era "coisa de Star Trek".
 
"Não podia imaginar o que eles estavam me explicando, como eles fariam e se eu iria acordar depois da operação", disse.
 
McGregor afirma que, por causa do câncer, sentia dores 24 horas por dia e o que os médicos conseguiram com o procedimento foi "incrível".
 
"Você não consegue descrever a sensação, você pensa que está prestes a morrer e então você acorda e pensa, uau, estou aqui. É uma sensação maravilhosa", disse.
 
Os especialistas no Hospital de Newcastle acreditam que esta pode ter sido a primeira operação deste tipo realizada em todo o mundo.
 
Segundo a oncologista da equipe, Shona Murray, a recuperação de McGregor é boa.
 
"Física e psicologicamente, ele está surpreedentemente bem. E, por enquanto, está livre do tumor", disse.
 
McGregor vai receber uma prótese para a perna.
 
A equipe médica agora planeja publicar os detalhes da cirurgia em revistas especializadas.

iG

Médico cria projeto 'Orelhas do Samba' para operar crianças com orelha de abano

Maria Fernanda Ziegler / iG
Felicidade: Davi, Luany e Bruno serão os próximos a participar
do projeto Orelhas do Samba
Objetivo do cirurgião plástico é atender crianças da escola de samba Vila Maria, na zona norte de São Paulo
 
A mãe de Pedro Otávio estava preocupada. O menino de oito anos estava muito agressivo. Ela chegou até a conseguir um laudo do psicólogo da igreja informando que o motivo de tanta agressividade tinha relação com as piadinhas feitas por amigos do colégio por causa das orelhas de abano.
 
Mas foi só um parente, que frequenta a Escola de Samba Unidos de Vila Maria, na zona Norte de São Paulo, contar que um médico estava fazendo operações de graça que Lucileia Santos, mãe de Pedro,, foi imediatamente tentar resolver o problema do filho. Após fazer exames e marcar a cirurgia, foram necessárias três horas na sala de operação para que Pedro Otávio pudesse ver o fim de tantas piadas e xingamentos.
 
“Ele sofria muito. Assim que soubemos desta oportunidade fomos logo falar com o pessoal da escola de samba. Agora ele está muito mais feliz e confiante”, disse Lucileia.
 
O menino foi o primeiro a participar do projeto “Orelhas do Samba”, criado pelo cirurgião plástico Mauro Speranzini. O médico tem como meta fazer uma operação de orelha de abano por mês, inteiramente grátis. “Todo o meu estudo foi gratuito. Eu quero ajudar com algo que eu sei que faço bem e que vai dar qualidade de vida a estas crianças”, disse.
 
Agora Luany Cravito, de oito anos, Davi Duarte, 12, e Bruno Silva, 11, aguardam a finalização dos exames pré-operatórios e agendar a cirurgia. Assim, finalmente, as piadinhas desagradáveis relacionadas com orelhas de abano das crianças vão ser coisa do passado.
 
A menina comprida, sorridente e de voz tranquila chegou a se recusar a ir à escola por causa das brincadeiras que tinha que aturar durante o transporte escolar. “Ficavam me xingando, me chamando de orelhuda”, diz Luany baixinho, mostrando timidez.
 
O mesmo problema acontece com Davi. O menino fã de funk ostentação gosta de usar cordão dourado, mas foge dos brincos muito comuns nas orelhas de seus ídolos. A recusa evita que os comentários aumentem.
 
Ele mora no Sacomã e soube do projeto quando a família foi visitar avó que mora perto da Escola de samba. “Quando me falaram da operação perguntaram se eu queria levar o Davi para o psicólogo para então falarmos da cirurgia. Não tive dúvidas. Perguntei para ele se ele queria deixar de ser orelhudo. Davi concordou na hora. Nem precisou de psicólogo”, disse, Lenita Duarte, mãe de Davi.
 
Já para Bruno, o maior problema era aguentar as brincadeiras dos amigos do futebol. Ele joga no campo ao lado da escola de samba e prefere nem repetir as piadinhas que ouve todos os dias.
 
“Ele vivia me perguntando se eu sabia o motivo de ele ter orelhas de abano”, conta, Jussara Silva, 30 anos, mãe de Bruno. De acordo com Speranzini, o formato é uma característica física que se dá por condição genética. As orelhas de abano ocorrem em 5 % das pessoas.
 
Speranzini conta que, por serem consideradas estéticas, as cirurgias de orelha de abano raramente são feitas pelo SUS ou pelos convênios. Elas custam entre R$ 7 mil e R$ 10 mil dependendo de cada caso. “Normalmente as pessoas acabam fazendo esta cirurgia no fim da adolescência ou na fase adulta, quando têm independência financeira. Mas é a partir dos seis anos, a melhor época para operá-las, por isso o projeto é voltado para crianças. Pode parecer besteira, mas estas crianças sofrem mesmo. Têm alteração de comportamento e sofrem bullying bem na época onde elas estão formando a personalidade”, disse o médico.
 
Speranzini vai usar o tempo livre para fazer as operações na própria clínica que leva o seu nome. “Conto com a ajuda da Vila Maria para escolher as crianças, o Rotary dá os exames pré-operatórios, como hemograma completo e ecocardiograma. Falei com alguns fornecedores de material cirúrgico, como doar gaze, seringa, agulha e fio de sutura, e outro dia chegou uma caixa na minha clínica. Eu dou o meu tempo”, disse.

iG

Automedicação pode trazer sérios riscos à saúde

Foto: Reprodução
Se você está com dor de cabeça e logo pensa em comprar aquele remédio indicado pelo vizinho, sem falar com o médico, leia o que temos a dizer hoje.
 
Essa prática é comum e perigosa. Ouvir a experiência do amigo ou somente ler a bula não basta. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, quase 35 mil pessoas sofreram este tipo de intoxicação em 2007, sendo que 90 morreram. Os medicamentos fazem parte da prescrição de um tratamento e precisam ser indicados pelo médico.
 
Há décadas, o Ministério da Saúde divulga a orientação “Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”, após as propagandas dos laboratórios farmacêuticos. Um encaminhamento completamente equivocado, segundo a Associação Paulista de Medicina. Na tentativa de corrigir este equívoco, o projeto de lei 328/06, que tramita no Senado, propõe a substituição da referida frase por “Antes de consumir qualquer medicamento, consulte um médico”.
 
Os médicos reivindicam medidas no sentido de conscientizar o público leigo sobre a gravidade do hábito e chamar o poder público para implantar políticas que coíbam a prática. “Os pacientes precisam saber que todo remédio tem um risco”, pondera Álvaro Atallah, diretor da APM e professor titular de Medicina Baseada em Evidências da Unifesp.
 
Os riscos são inúmeros, com destaque para o mascaramento do quadro clínico e o consequente diagnóstico equivocado ou tardio. Em ambos os casos, há retardo no tratamento correto, o que pode desencadear uma série de complicações. Outros problemas são interação medicamentosa, alergias e dosagem e administração inadequadas – tanto em quantidades baixas, que podem promover a resistência bacteriana, por exemplo, quanto em quantidades altas, que acarretam efeitos colaterais.
 
Além disso, a automedicação traz prejuízos econômicos, já que a pessoa paga pelos produtos errados e depois terá de custear o tratamento. Sem contar que o sistema de saúde arca com a solução de problemas já avançados pelo retardo do diagnóstico.
 
Dosagem excessiva de paracetamol, encontrado em alguns remédios para gripe, é um dos exemplos que precisam de cautela. “Nos Estados Unidos, essa é a causa mais comum de necrose fulminante do fígado, pois há antigripais cuja indicação é tomar dois comprimidos de uma vez. Depois disso, se tiver febre, a pessoa vai tomar um antitérmico, e tem que repetir o processo de oito em oito horas. Isso ultrapassa o limite de segurança e sobrecarrega o fígado”, ressalta Ernani Pinto, antigo diretor da Sociedade Brasileira de Toxicologia e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.
 
“Ácido acetilsalicílico (AAS) causa úlceras e outros problemas de estômago; e descobriu-se que vitaminas receitadas indiscriminadamente para prevenir enfarte podem causar câncer”, exemplifica Atallah.
 
Anthony Wong, Coordenador do Centro de Assistência Toxicológica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, afirma que até substâncias fitoterápicas, se usadas de forma errada, podem ser prejudiciais. É o caso do Hipérico, base da Erva de São João, que é um ótimo antidepressivo natural, mas que diminui os efeitos de anticoncepcionais e anti-HIV, além de cortar em até 60% a atuação de drogas para diminuição da rejeição de órgãos.
 
Por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o Ministério da Saúde vem tomando medidas para restringir a propaganda e tentar regular o comércio de medicamentos sem prescrição. O Congresso Nacional discute o projeto de lei 7029/06, que obriga os fabricantes a produzirem medicamentos em embalagens fracionáveis, outra medida positiva para que os pacientes possam comprar somente a quantidade necessária, evitando o armazenamento e posterior consumo de remédios.

Universo Jatobá

No Carnaval, doença do beijo se espalha e atrapalha a folia

Foto: Reprodução
A doença atinge mais adolescentes e jovens, entre 15 e 25
 anos, que aproveitam o Carnaval para beijar
Transmitido por saliva, vírus tem sintomas que como febre, tosse e dor na garganta
 
Rio - Para muitos foliões, o beijo na boca é parte inseparável da festa mais calorosa do ano. Mas é justamente ele que, no Carnaval, abre as portas e aumenta o raio de transmissão da mononucleose, conhecida pelo nome de guerra de “doença do beijo”.
 
O mal é inoculado pelo vírus Epstein-Baar e é transmitido no contato com saliva contaminada. O tempo de incubação é de até 45 dias após a exposição. Isso significa que, até lá, os sintomas podem nem aparecer.
 
Segundo a infectologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, Eliane Iokote, o diagnóstico é frequentemente confundido com o de outras viroses, pois os sintomas gerais são semelhantes. Febre, tosse, dor na garganta e no corpo, gânglios no pescoço e manchas avermelhadas na pele são os mais comuns que aparecem.
 
A enfermidade atinge mais os jovens e adolescentes, entre 15 e 25 anos, que estão tendo suas primeiras experiências amorosas. “Depois que temos contato com o vírus pela primeira vez, quando novos, o corpo cria uma memória imunológica que impede que tenhamos a doença novamente, depois de velhos”, diz Eliane.
 
A especialista diz que a maioria das pessoas já tive a doença do beijo e não ficou sabendo. “A distância entre o contato com o vírus e o surgimento dos sintomas faz com que seja difícil afirmar se era mononucleose ou outra virose”, explica a especialista.
                      
Para um diagnóstico preciso, são necessárias informações como os lugares frequentados nos últimos dias, o dia em que surgiram os incômodos e se o paciente esteve em contato com pessoas que estavam doentes.
 
O tratamento é prescrito pelo clínico dependendo do quadro do paciente. “Costumamos tratar apenas dos efeitos da virose, e para isso usamos o que chamamos de medicação sintomática. Na maioria das vezes, analgésicos e antitérmicos”, diz.
                      
Apesar do beijo representar a atitude mais decisiva para o aumento de casos durante o Carnaval, conversar com o rosto próximo ao da outra pessoa também favorece a transmissão. “Uma gota de saliva já é o suficiente”, afirma Eliane. Para se prevenir, o folião precisaria não beijar pessoas com o problema, mas ela alerta para a dificuldade de identificar possíveis portadores.
 
“A doença pode estar em fase assintomática, e assim, fica impossível diferenciar quem tem o vírus”, afirma.
 
O Dia