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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Açúcar, mais que o sal, é o vilão da pressão alta, dizem americanos

Um grupo de profissionais pede que diretrizes alimentares enfatizem mais o açúcar que o sal no combate à hipertensão
 
Os programas alimentares voltados para reduzir a pressão arterial costumam focar na redução do consumo do sal. Mais do que cortar o sal, as pessoas deveriam tirar da mesa alimentos industrializados enriquecidos com açúcar. Essa é a constatação de um estudo feito por médicos da Faculdade de Medicina Albert Einstein e do Saint Luke’s Mid America Heart Institute, nos Estados Unidos, e publicado nesta quarta-feira no periódico Open Heart.
 
Doenças cardiovasculares, como o infarto e o derrame, são a causa de morte número um no mundo.
 
Um dos principais fatores de risco para elas é a pressão arterial elevada, que atinge um em cada cinco brasileiros, de acordo com um levantamento do IBGE divulgado na quarta-feira.
 
Para esse grupo de médicos americanos, a queda na pressão arterial proporcionada pela redução no consumo de sal é “relativamente pequena”, e há evidências de que consumir de 3 a 6 gramas de sal por dia faz bem à saúde, e de que ingerir de menos de 3 gramas é prejudicial ao organismo.
 
No artigo, eles dizem que a maioria do sal da dieta é obtido por meio de comidas processadas, também ricas em açúcar. “O açúcar pode estar mais relacionado à pressão arterial do que o sódio.
 
Evidências científicas, estudos populacionais e ensaios clínicos revelam que o açúcar, particularmente a frutose, é o protagonista do desenvolvimento da hipertensão”, escreveram os autores.
 
Xarope de milho
Os médicos condenam especialmente o xarope de milho, adoçante comum em sucos industrializados e refrigerantes. Eles afirmam que uma ingestão diária de mais de 74 gramas de frutose está associada com um risco 30% maior de ter pressão acima de 14 por 9, e 77% maior de ter pressão superior a 16 por 10. Uma alimentação rica em frutose também está relacionada à elevação do colesterol, altos índices de insulina e risco de síndrome metabólica.
 
Os autores enfatizam que o açúcar natural encontrado em frutas e vegetais não é prejudicial à saúde. Ao contrário, comer frutas e vegetais certamente faz bem ao
 
Veja

Brasileiros descobrem composto que reduz em até 80% a dor inflamatória

Uma nova molécula descoberta por cientistas brasileiros pode reduzir em até 80% a dor causada por inflamações agudas e crônicas provenientes de diabetes, artrite ou artrose, informou a Agência Fapesp
 
Em testes feitos com animais, a molécula mostrou capacidade para agir em dores neuropáticas, associadas ao sistema nervoso central, como lesão no nervo ciático ou pelo efeito de drogas quimioterápicas, com índice de redução da dor de até 60%.
 
A descoberta abre caminhos para a produção de remédios com menos efeitos colaterais contra dor causada por processos inflamatórios, segundo pesquisadores do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias vinculado à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que faz o estudo em parceria com o laboratório farmacêutico italiano Dompé.
 
Parte dos resultados dos testes pré-clínicos foi divulgada em artigo publicado em novembro na revista “PNAS” (Proceedings of the National Academy of Sciences).
 
“Estamos, no momento, realizando os testes toxicológicos e, caso sejam bem-sucedidos, poderemos planejar ensaios clínicos. Nosso objetivo é desenvolver um novo medicamento para dor com menos efeitos adversos que os anti-inflamatórios hoje disponíveis”, afirmou Thiago Mattar Cunha, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e autor do artigo, à agência Fapesp.
 
A nova droga tem como alvo um peptídeo conhecido como C5a, que desempenha papel mediador na dor inflamatória.
 
Para desempenhar seus efeitos biológicos, o peptídeo precisa se ligar a um receptor acoplados a proteínas — importantes para a sinalização celular — e que expresso em diversos tipos de células.
 
“Tivemos então a ideia de desenvolver uma molécula que, ao bloquear esse receptor, tivesse ação analgésica”, disse Cunha.
 
A molécula conhecida como DF2593A foi aplicada por via oral em animais com inflamação crônica e aguda.
 
“O mais interessante é que o composto foi capaz de bloquear a dor inflamatória sem afetar a dor fisiológica, que é importante para a sobrevivência. Ou seja, a capacidade de resposta a um estímulo doloroso se manteve nos animais não inflamados, quando tratados com DF2593A, o que não acontece quando se administra derivados de morfina, por exemplo”, afirmou Cunha.
 
UOL

Cientistas identificam hormônio que reduz queima de calorias e causa obesidade

Pesquisadores identificaram que a serotonina periférica é
mais elevada em pessoas obesas e que a inibição do hormônio
poderia acelerar o metabolismo e diminuir riscos de obesidade
Excesso de serotonina reduz índice de gordura marrom, essencial para o bom funcionamento do metabolismo
 
Um estudo publicado no periódico Nature Medicine mostrou que a serotonina pode estar envolvida na redução da chamada "gordura marrom", responsável para o bom funcionamento do metabolismo.
 
Há dois tipos de serotonina, a central – presente no cérebro e que ajuda na sensação de saciedade e no humor –, e a periférica, circulante no sangue. É exatamente essa segunda serotonina que pode estar envolvida na queda do metabolismo, contribuindo para a obesidade. 
 
No estudo, os pesquisadores identificaram que a serotonina periférica é mais elevada em pessoas obesas – apesar de ainda não haver explicação da razão pela qual isso acontece – e que a inibição do hormônio poderia acelerar o metabolismo e diminuir riscos de obesidade.
 
"Nossos resultados estão quase completos e indicando que a inibição da produção desse hormônio pode ser muito efetiva para reverter a obesidade que tem relação à problemas metabólicos, incluindo o diabetes", diz Gregory Steinberg, coautor do estudo e codiretor da MACObesity, programa de pesquisa sobre metabolismo e obesidade na infância, ligada à Universidade McMaster. "Muita serotonina age como um freio de mão para a gordura marrom", ele explica. 
 
Gordura marrom
Apesar de o nome "gordura" já assustar, a gordura marron é muito importante para a manutenção do peso. O endocrinologista do Hospital 9 de Julho, Bruno Halpern, explica que essa gordura mais escura tem a característica de transformar energia em calor. "O recém-nascido, por exemplo, tem mais gordura marrom, porque precisa manter a temperatura corpórea. É muito comum em animais que hibernam também". 
 
O endocrinologista explica que a descoberta de que o homem adulto ainda guarda um pouco de gordura marrom se deu há pouco mais de cinco anos, por meio de exames de imagens. "Sabemos também que os obesos têm menos gordura marrom que os magros. Mas não sabemos se isso é causa ou consequência", pondera o médico. "Não dá para saber se essa pessoa engordou porque tinha menos gordura marrom", diz.
 
Já a causa do aumento de serotonina circulante no sangue pode ter sido descoberta. Os pesquisadores suspeitam de que a dieta ocidental, com altas taxas de gordura, pode estar causando esse aumento.
 
"Não é bom ter muita serotonina [circulante]. Precisamos de um equilíbrio. Se há muita, isso pode levar ao diabetes, fígado gorduroso e obesidade", diz Waliul Khan, coautor do estudo e professor de patologia e medicina molecular. 
 
De olho no futuro: 
Já a endocrinologista Tarissa Petry, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz afirma que são necessários mais estudos antes de se animar com a descoberta. "Hoje, as terapias para obesidade são poucas e distantes. Mas, se pudermos aumentar a termogênese, como é o que propõe o estudo, é melhor do que reduzir o apetite", diz.
 
iG

Aplicativo que mede o nível de estresse está sendo desenvolvido

 Estressômetro utiliza, entre outros elementos,
sensores de voz, luminosidade e movimento
Aparelho também sugere conselhos para que usuário lide com problemas
 
São Paulo - Você parece tenso. Que tal ouvir um pouco de Beatles? Ou talvez aproveite para descansar e tomar um suco? Esse é o tipo de conselho que poderia ser dado por um amigo que conhece bem o seu gosto musical, mas que deve ser dado também pelo estressômetro que está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP São Carlos.
 
O plano da equipe coordenada pelo cientista da computação Jó Ueyama é combinar ferramentas comuns de celulares – reconhecimento de voz, câmera, sensores de movimento e de luminosidade – num aplicativo capaz de monitorar o humor dos usuários, detectando estresse elevado ou sinais de depressão.
 
“Uma vez que isso é feito, passa-se para a fase que a gente costuma chamar de persuasão. Ou seja, o aparelho sugere para a pessoa estratégias para lidar com aquele problema”, disse Ueyama.
 
Segundo ele, aplicativos já fazem avaliações do estresse com base em dados como batimentos cardíacos ou análise de expressões faciais. “O que estamos fazendo de diferente é tentar juntar fontes de informação e analisá-las para conseguir uma avaliação mais confiável, que não confundiria alguém muito irritado com alguém muito animado, por exemplo”, explica.
 
Mecanismos
O trabalho é parceria da equipe da USP com colegas da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e da Universidade do Arizona (EUA). Alunos de pós-graduação de Ueyama estão desenvolvendo cada um dos elementos do aplicativo, como reconhecimento de fala, de expressões do rosto e análise de batimentos do coração.
 
Parte da calibragem para expressões faciais foi feita por um método curioso: pesquisadores filmaram pessoas jogando o tradicional game Super Mario Bros e compararam os movimentos do rosto quando o jogador vencia uma fase ou era derrotado.
 
Já no caso da fala, um programa analisa o significado das palavras ditas pelos usuários, em busca dos termos com conteúdo emocional (diferenciando sensações como feliz ou deprimido, por exemplo).
 
A ideia do grupo de pesquisa é integrar os sensores do smartphone com os de um smartwatch, ou relógio inteligente, que fica conectado ao celular via Bluetooth e tem um bom monitor cardíaco, entre outras funcionalidades.
 
O Tempo

Abusos sexuais, criminosos, abandono: veja como é o "pior hospital do mundo

BBC: Paciente deitado sobre cama sem qualquer proteção
 ou higiene: "o pior hospital do mundo"
Entre os 340 pacientes de hospital descrito por ativistas como a instituição médica mais perigosa do mundo, na Guatemala, 50 são criminosos violentos e mentalmente perturbados
 
Por todo o lado, corpos imóveis deitados no chão de concreto do pátio sob o sol ardente. Os pacientes parecem altamente sedados. Os cabelos foram raspados e eles usam trapos como roupas e nada nos pés.
 
Outros estão totalmente nus, expondo a sujeira, causada às vezes pelas próprias fezes e urina. Eles se parecem mais com prisioneiros de campos de concentração do que com pacientes.
 
O Hospital Federico Mora tem cerca de 340 pacientes, incluindo 50 criminosos violentos e mentalmente perturbados. Mas, segundo o diretor do hospital, Romeo Minera, apenas uma minoria tem sérios problemas mentais – impressionantes 74% chegaram precisando apenas de um pouco de atenção e cuidados e deveriam ter ficado na comunidade.
 
Minera acredita que a equipe da BBC pertence a um grupo de caridade, oferecendo ajuda para a instituição. Jornalistas não são bem-vindos – o disfarce foi a única maneira de ter acesso ao hospital, condenado por grupos de direitos humanos.
 
Desespero
Andar em uma das alas é como entrar em um inferno. Aqui, mais pacientes em trapos sentados no chão e em cadeiras de plástico, balançando-se em busca de conforto. Não parece haver nenhum esforço de estímulo nesse espaço amplo e seguro.
 
Os pacientes vêm até nós, desesperados por contato humano. Um homem me agarra e implora para que seja levado do hospital. Um enfermeiro diz que dois ou três profissionais são responsáveis por 60 a 70 pacientes. Outros, que a única maneira de lidar com eles é sedando-os.
 
Enquanto meu tradutor distrai o diretor, eu ando pelos quartos localizados em um corredor longo e escuro. Aqui, mais pacientes deitados em camas de metal quebradas e enferrujadas.
 
Eles parecem sedados demais para andar até o banheiro. Há poças de urina nos colchões e as roupas de alguns dos pacientes estão cobertas pelas próprias fezes. O mau cheiro domina o ambiente – e tento, com todas as forças, controlar a náusea.
 
Em resposta à investigação da BBC, o governo da Guatemala disse que o hospital "usa a menor dose de sedativos recomendada pela Organização Mundial de Saúde" e defendeu as condições do hospital:
 
"Há enfermeiros treinados para atender às necessidades dos pacientes, inclusive para mantê-los limpos e vestidos, e uma equipe de manutenção para manter o ambiente limpo".
 
BBC: Pacientes de hospital guatemalteco: cenário que
lembra com o de campos de concentração
Abusos
Mas este não é o fim do horror. Durante a filmagem secreta, o diretor faz uma confissão surpreendente: os guardas abusam sexualmente dos pacientes. O hospital, diz ele, é um lugar "onde tudo pode acontecer".
 
Dois ex-pacientes contam terem sido estuprados no Federico Mora. Eles afirmam que os perpetradores também eram da equipe médica, além dos guardas. Uma mulher diz que foi abusada sexualmente por um enfermeiro enquanto dormia. Ela tinha apenas 17 anos e era virgem.
 
"Eu não estava ciente disso, já que estava sedada. Só percebi que tinha perdido minha virgindade no dia seguinte. Eu sangrava pelas pernas, então descobri que o que tinha acontecido naquela noite é que um enfermeiro tinha entrado e me estuprado", conta ela.
 
Era o terceiro dia dela no hospital. Depois de duas semanas, seus gritos de socorro fizeram com que sua família a tirasse do local. "Você nunca se esquece de uma experiência como essa", diz ela, entre lágrimas.
 
Ricardo, outro ex-paciente, diz que foi estuprado durante os três anos que passou no Federico Mora.
 
Ele só foi libertado depois de uma batalha judicial, alegando ter sido diagnosticado erroneamente com esquizofrenia.
 
"Eles se aproveitavam das pacientes do sexo feminino, quando elas estavam sedadas", diz Ricardo.
 
"Os agentes da polícia, os pacientes e os enfermeiros – e alguns médicos também. Eles separavam as meninas mais bonitas para si durante a noite".
 
"O mais terrível"
O grupo americano defensor dos direitos de deficientes Disability Rights International (DRI) passou três anos recolhendo provas sobre o Federico Mora. Em um relatório publicado em 2012, o grupo descreveu o hospital como "a instalação mais perigosa que nossos investigadores já viram em qualquer lugar nas Américas".
 
O DRI disse que "qualquer pessoa com ou sem deficiência internada neste hospital enfrenta risco imediato para a vida, saúde e integridade pessoal, além de risco de tratamento desumano e degradante ou tortura".
 
O relatório explica que pacientes tiveram cuidados médicos negados, foram expostos a doenças e infecções graves e contagiosas e, agravado pelo abuso sexual "generalizado", estavam em risco de contrair HIV.
 
Numa visita, o grupo conseguiu filmar uma paciente explicando que ela havia sofrido abuso sexual em seu primeiro dia no hospital, enquanto estava amarrada em uma parede.
 
"Eu também vi pacientes mantidos em isolamento. Havia um homem literalmente tentando escalar para sair de uma cela de isolamento. Ele estava em cima do muro tentando desesperadamente sair. E pessoas ficam presas nessas cela durante horas ou dias", disse o fundador da DRI, Eric Rosenthal, que descreveu o local como o "mais terrível" já visitado por ele.
 
Na minha visita ao hospital, vi um dos quartos de isolamento usados para pacientes violentos demais para serem contidos.
 
É um quarto de dois metros quadrados com uma pequena janela. Um homem estava encolhido no canto. O chão estava coberto de dejetos humanos.
 
O diretor me disse que esses quartos eram monitorados, mas admitiu que, recentemente, um paciente havia cometido suicídio ao subir até a janela e se enforcar.
 
Processo judicial
O governo guatemalteco defendeu o uso destas celas, dizendo que "os pacientes são mantidos em isolamento durante apenas duas horas em cada ocasião" e são constantemente monitorados.
 
O governo também afirmou que ninguém estava sendo mantido em isolamento durante a nossa visita.
 
O uso de salas de isolamento era parte das provas levadas pela DRI à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2012, que emitiu uma "medida de emergência" – efetivamente obrigando o governo a solucionar as questões levantadas pela DRI para "salvar vidas".
 
As autoridades concordaram em agir imediatamente e iniciar uma investigação sobre as alegações de abuso sexual, mas, dois anos depois, aparentemente nada foi feito.
 
Agora, a DRI está preparando um novo processo judicial contra o governo da Guatemala numa tentativa de fechar o hospital.
 
O caso será analisado em meados de 2015. O governo da Guatemala será efetivamente julgado pela Comissão sobre os problemas no hospital. O governo poderá enfrentar sanções econômicas e comerciais de outros membros da Comissão Interamericana.
 
A equipe do hospital teme represálias se conversar com a imprensa, mas seis funcionários aceitaram em falar na condição de serem entrevistados juntos e não serem identificados.
 
"Não temos os remédios que precisamos para tratar pacientes. É sujo, há ratos e baratas", admitiu uma funcionária.
 
Outro disse: "Acho que falo por todos ao dizer que os abusos cometidos no hospital por guardas são de conhecimento comum". Os seis choram.
 
"Não é perigoso só para os pacientes, mas para nós também", um funcionário diz. "Já reclamamos, mas ninguém ouve. Trabalhar no hospital é horrível".
 
O governo da Guatemala disse à BBC que iniciou o processo de melhorar o sistema médico mental pelo país e que está construindo um muro para separar prisioneiros do resto dos pacientes.
 
E afirmou ainda que, apesar de não ter recebido nenhuma denúncia de abuso sexual, ordenou uma investigação interna.

BBC Brasil / iG