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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Amamentação ajuda a prevenir o câncer de mama

Amamentar Câncer de MamaA amamentação gera inúmeros benefícios para a saúde da mãe e do bebê. A prevenção do câncer de mama é um deles

O risco de contrair a doença diminui 4,3% a cada 12 meses de duração de amamentação, estima um estudo com mulheres de 30 diferentes nacionalidades, publicado em 2002. Essa proteção independe de idade, etnia, paridade e situação hormonal (pré ou pós- menopausa).

Neste ano, a revisão do Fundo Mundial para Pesquisas sobre Câncer (World Cancer Research Fund - WCRF) sobre lactação e câncer de mama aponta que a amamentação provavelmente diminui o risco de câncer de mama em mulheres até a pós-menopausa.

Segundo o editor científico da Revista Brasileira de Cancerologia, Ronaldo Corrêa, vários estudos realizados nos últimos 30 anos mostram a associação entre a amamentação e a prevenção do câncer de mama. “Existe uma correlação linear entre o tempo da amamentação e o grau de proteção. Ou seja, quanto mais a mulher amamenta e por mais tempo – se ela teve dois, três partos, e nesses partos ela amamentou durante muito tempo – menor o risco, em comparação com mulheres que não tiveram tantos partos e não amamentaram por tanto tempo”, afirma.

O mecanismo responsável para tal proteção ainda não foi completamente esclarecido, mas existem várias hipóteses para isso. “Tem uma hipótese que afirma que enquanto a mulher amamenta, ela bloqueia os ciclos ovulatórios, diminuindo a sobrecarga hormonal. Ou seja, ela deixa de produzir um quantitativo maior de hormônios femininos nessa fase. Então, isso poderia ser uma explicação plausível, uma vez que grande parte dos casos de câncer de mama sofrem influência dos hormônios femininos”, explica Corrêa.

Outra hipótese seria o fato da maior exfoliação das células dos ductos mamários durante a amamentação e a grande morte programada das células mamárias após a amamentação promoverem a remoção de células com alguma alteração genética.

Em resumo, amamentar provavelmente diminui o risco de câncer de mama em mulheres na pré e pós menopausa, além de estar associado a outros benefícios de saúde para a mulher e para a criança. Manter o peso ideal para a idade, praticar atividades físicas regularmente, não consumir álcool, consumir diariamente uma dieta rica em frutas, verduras e legumes também contribuem para diminuir o risco de câncer de mama.

Câncer de mama
O câncer de mama é o câncer mais frequente no mundo e entre as mulheres, depois do de pele não melanoma, com uma estimativa de mais de dois milhões de casos novos e cerca de 530 mil mortes em 2015 no mundo. Entre 2005 e 2015, no mundo, estima-se que houve um incremento de 43% dos casos de câncer de mama, sendo 2/3 deste crescimento devido ao crescimento e envelhecimento da população. No Brasil, estimam-se 57,9 mil casos novos em 2016/2017.

No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde - assim como a da Organização Mundial da Saúde e a de outros países - é a realização da mamografia de rastreamento (quando não há sinais nem sintomas) em mulheres de 50 a 69 anos, uma vez a cada dois anos.

Para tratar o câncer de mama, o SUS oferece cirurgias oncológicas (mastectomia, conservadoras e reconstrução mamária), radioterapia e quimioterapia. Em 2016, foram um total de 18.488 cirurgias de mastectomias e cirurgias conservadoras, 2,8 milhões de procedimentos de campos de radioterapia e 1.184.622 sessões de quimioterapia, além de 3.348 cirurgias de reconstrução mamária. Cabe destacar que o SUS garante a oferta gratuita de exame de mamografia para as mulheres em todas as faixas etárias, desde que exista recomendação médica.

Blog da Saúde

Homens que colocam celular no bolso podem desenvolver este grave problema de saúde

A Dra. Devra Davis, autora do livro “The Secret History of the War on Cancer” (A História Secreta da Guerra contra o Câncer), tem investigado os perigos das radiações emitidas pelos telefones celulares já faz um bom tempo. Como muitas pessoas, a dra. Davis simplesmente não acreditava na possibilidade de que os telefones celulares fossem perigosos – até que resolveu estudar o caso

E agora, com as evidências científicas que têm, está tentando fazer com que as pessoas entendam que os celulares não só são perigosos, mas também podem ser mortais.​ Um caso interessante que pode servir como exemplo do potencial destruidor dos telefones celulares é de um jovem mulher que não tinha fatores de predisposição ao câncer. Ela se cuidava, fazia exercícios, tinha uma vida tranquila. Mas mesmo assim um câncer de mama a atingiu. O caso está documentado na revista americana Environmental Health Trust.

Os médicos então descobriram que a jovem mulher tinha o “curioso” hábito de colocar o aparelho celular junto aos seios, no seu sutiã. O interessante é que o câncer se desenvolveu exatamente no lugar onde a mulher costumava por o telefone. Dois especialistas em câncer, os doutores Robert Nagourney e John West, concluíram que é muito forte a tese de que o celular foi a causa do câncer nessa mulher. Mesmo sem poder garantir 100%, eles entendem que o caso deve servir de alerta não só para as mulheres que colocam o celular no sutiã, como para todas as pessoas que colocam o aparelho em outros locais, como bolsos de calças ou camisas.

Talvez não existam provas “concretas” de que o celular cause câncer. Mas existem sim muitos estudos correlacionando o celular a sérios problemas de saúde. Por exemplo, segundo pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, deixar o celular no bolso da calça pode contribuir para a infertilidade masculina. Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram dez pesquisas, que incluíam 1.492 amostras de esperma cedidas por clínicas de fertilização e centros de pesquisa.

As amostras que tinham sido expostas à radiação do celular apresentaram redução de 8% na motilidade e de 9% na viabilidade dos espermatozoides. Ou seja, houve uma redução da atividade e do percentual de espermatozoides vivos. Além de exporem o esperma à radiação, celulares no bolso também podem elevar a temperatura da região do testículo, o que poderia comprometer a qualidade dos espermatozoides.

Outro estudo, realizado na Suécia, mostrou que o uso prolongado desse tipo de aparelho aumenta em 240% o risco de desenvolvimento de tumores no cérebro. O estudo analisou 2.200 pacientes com câncer e 2.200 usuários saudáveis, em busca de alguma conexão entre o uso de aparelhos celulares e o desenvolvimento de tumores cerebrais. Segundo Kjell Mild, líder do estudo, o uso dos celulares aumentou em 240% o risco de câncer no lado da cabeça onde o celular é mais usado. Verdade que o estudo fala de uso prolongado, mesmo assim é preocupante, pois muita gente fica horas ao celular e alguns dormem até com o aparelho ao lado da cabeça. Há muitos outros estudos conectando o celular a doenças, poderíamos escrever páginas e mais páginas sobre eles.

R7

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Ciência busca maneiras mais eficientes para ajudar pessoas com dermatite atópica

Medicamentos mais modernos e ações de conscientização têm ajudado no enfrentamento da doença cutânea que pode levar paciente ao isolamento diante do preconceito

“Imagine milhares de mosquitos mordendo você. Juntos. E essa sensação se repetindo diversas vezes ao dia.” Essa é a metáfora usada por Michael Cork, pesquisador da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, para descrever a sensação de um paciente com dermatite atópica. A inflamação crônica que atinge tanto adultos quanto crianças e afeta de 10% a 15% da população em alguma época da vida é caracterizada por coceira e manchas na pele. Além desses incômodos, pode afetar a vida social dos pacientes - o desempenho nos estudos e no trabalho costuma ser afetado, por exemplo – e desencadear problemas emocionais graves, como a depressão.

Tantas complicações têm levado cientistas a buscar formas mais eficientes de recuperar a qualidade de vida de pacientes, soluções que passam pelo desenvolvimento de medicamentos e reforço da necessidade de esclarecer a população sobre a dermatite atópica - mesmo não contagiosa, ela leva ao isolamento pela desinformação e pelo preconceito alheios.

Nessa primeira frente, os imunobiológicos, medicamentos feitos a partir de materiais vivos, estão entre as principais apostas. Projetados para atingir um alvo específico da doença, ao contrário dos farmacológicos tradicionais, com ação mais disseminada, eles são mais eficientes, além de ter os efeitos colaterais reduzidos.

“A dermatite atópica possui fatores que envolvem a barreira cutânea e também os emocionais. Cada vez mais, eles estão sendo esclarecidos, o que facilita as terapêuticas que são mais diretas com relação à inflamação que causa essa doença. Acho que agora, no século 21, a tendência é você poder ir direto ao ponto, ser cada vez menos agressivo, reduzindo, assim, os efeitos colaterais”, ressalta Valéria Aoki, professora-associada do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da USP.

Durante o 26º Congresso Europeu de Dermatologia e Venereologia (EADV), em Genebra, em setembro, especialistas apresentaram estudo que mostra a ação da dupilumab, um imunobiológico, em pacientes com casos graves da doença. Eles usaram o anticorpo monoclonal humano projetado para inibir simultaneamente a sinalização hiperativa de citocinas IL-4 e IL-13 (Veja infográfico).

A substância foi usada no tratamento de 325 pacientes adultos que não podiam utilizar ou não respondiam positivamente ao uso da droga ciclosporina, prescrita nos tratamentos tradicionais. “Na condição moderada a grave, alguns pacientes param a terapia com ciclosporina por intolerância ou falta de eficácia, ou não são candidatos por causa de outras condições médicas ou medicamentos contraindicados”, explica Marjolein De Bruin-Weller, especialista do Centro de Dermatite Atópica do Centro Médico Universitário de Utrecht, nos Países Baixos, uma das autoras.

A análise durou 16 semanas, e os 325 pacientes foram divididos em três grupos. Um recebeu 300mg de dupilumab semanalmente; outro, a cada duas semanas; e o terceiro grupo o placebo. Os medicados tiveram diminuição considerável dos sintomas. “O uso de dupilumab combinado com corticosteroides tópicos melhorou as medidas gerais de gravidade da doença, incluindo lesões, coceira, medidas de qualidade de vida e sintomas de ansiedade e depressão”, diz Bruin-Weller.

Para os autores, os resultados sinalizam que a substância poderá ser usada em pacientes que tentaram as abordagens terapêuticas existentes, mas não conseguem alcançar resultados positivos. “Eles têm poucas opções de tratamento. Todos os resultados dos estudos com dupilumab demonstram a importância da via IL4-IL-3 na dermatite atópica. Esse é um alvo interessante para outras drogas”, ressalta Bruin-Weller.

Mesma linha
Pelo menos outras três moléculas com ações semelhantes à da dupilumab estão em testes, com previsões de divulgação de resultados entre 2020 e 2022. “Temos estudos em fase dois e três. É um tempo realmente animador. As pesquisas estão evoluindo no tratamento não só de adultos, mas também na área pediátrica”, afirma Eric Simpson, professor de dermatologia na Universidade do Oregon (EUA).

Valéria Aoki destaca que os pesquisadores brasileiros também têm investido nos imunobiológicos. “No Brasil, há muitos pacientes, mas a maioria não tem a forma mais grave da doença. Temos promessas de novos medicamentos imunobiológicos e já contamos com estudos em andamento no nosso país, o que nos traz esperança de que essas terapias possam ser usadas nos próximos anos”, conta a professora da USP.

“Agora, outro ponto importante a destacar é como é fundamental identificar os pacientes que poderão fazer uso desses remédios, pois temos critérios a serem preenchidos”, ressalta a especialista. A substância dupilumab é utilizada para o tratamento da dermatite atópica nos EUA. No Brasil, a liberação para a sua prescrição está em processo de análise na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Saúde Plena

A surpreendente razão pela qual os inventores da pílula anticoncepcional decidiram que as mulheres deveriam continuar menstruando

Você já se perguntou por que a pílula deve ser tomada por três semanas e seu uso, interrompido na quarta? Alguns podem imaginar que seus criadores tenham feito isso por razões médicas, mas o motivo não foi científico, mas cultural

A pílula anticoncepcional é considerada por muitos como um símbolo da emancipação feminina ao permitir a elas ter relações sexuais sem medo de engravidar. No entanto, a história por trás do seu desenvolvimento não teve muito a ver com essa ideia.

Por exemplo: você já se perguntou por que o ciclo de uso pílula envolve tomá-la por três semanas e interromper o uso (ou adotar um placebo) na quarta semana? Alguns podem imaginar que seus criadores, John Rock e Gregory Pincus, tenham feito isso por razões médicas, mas o motivo não foi científico, mas cultural.

Rock era um católico devoto, e para ele era importante obter a aprovação do Vaticano. Por isso, ele queria que o sistema anticoncepcional fosse o mais parecido possível com outro já aprovado pela Igreja Católica, o método rítmico, conhecido popularmente como tabelinha, que consiste em não fazer sexo no período de ovulação, quando a mulher está fértil.

Por isso, Rock pensou que, se a pílula emulasse o ciclo natural, poderia ser vista com bons olhos pelo papa. Mas seu plano fracassou. A pílula foi aprovada em 1960 e tornou-se muito popular, mas a Igreja levou quase uma década para se manifestar publicamente e, quando o fez, condenou o método por considerá-lo “artificial”.

Esquecimento
A essa altura, a principal preocupação já não era a Igreja, mas as mulheres. Como se tratava da reprodução (de evitá-la, para ser mais preciso), alguns homens se preocupavam em deixar essa responsabilidade na mão delas. O sistema criado por Rock e Pincus exige que as mulheres sigam com muita atenção seu ciclo de uso, tomando a pilula por 21 dias e interrompendo por sete. Caso se esqueçam de alguma dose, perde-se o efeito anticoncepcional.

Preocupado com a possibilidade de sua mulher se esquecer da pílula diária, um homem chamado David Wagner, que era pai de quatro filhos, criou em 1961 uma embalagem redonda que permite ver se a mulher está tomando a pílula corretamente. Várias empresas farmacêuticas copiaram o modelo, que segue popular ainda hoje em alguns países.

A forma de promover essa nova apresentação da pílula revela muito sobre aquela época, como ressaltou a jornalista Leila Ettachfini em um artigo no site Broadly. “Fácil para que você explique… e para que ela use”, dizia um anúncio de 1964 da empresa Ortho-Novum. Outra publicidade, de 1969, da marca Lyndiol dizia aos médicos para “proteger sua paciente do próprio esquecimento”.

‘Nenhuma razão médica’
Muitos especialistas acreditam que os inventores da pílula podiam ter evitado tudo isso — e não apenas porque a sociedade finalmente aceitou, com o tempo, que as mulheres não precisavam de um homem para lhes explicar nada.

O médico baiano Elsimar Coutinho, coautor do livro Menstruação, a Sangria Inútil (Gente, 1996), argumenta que “a ovulação incessante não cumpre nenhum propósito” e que as mulheres, se assim quiserem, podem tomar a pílula por períodos mais longos para evitar não apenas a gravidez, mas a própria menstruação, que é muitas vezes incômoda e dolorosa.

O jornalista e sociólogo Malcom Gladwell apoiou essa ideia em 2000 em um ensaio publicado na revista “The New Yorker” sobre o ciclo de 28 dias idealizado por Rock e Pincus dizendo: “Não havia e não há nenhuma razão médica para isso”. Coutinho, diz Gladwell, destaca que a menstruação gera uma série de problemas de saúde que poderiam ser evitados ao suprimi-la: dores abdominais, alterações no estado de ânimo, enxaquecas, endometriose e anemia.

Por sua vez, Ettachfini afirmou em seu artigo que na verdade existem dois anticoncepcionais orais que podem ser tomados de forma contínua, sem sangramentos mensais. O Seasonale foi lançado em 2003 e propõe só quatro menstruações por ano: uma a cada estação. E, em 2007, foi aprovada a primeira pílula sem pausas para menstruar, a Lybrel.

Críticos
Ainda que chame atenção o fato de que poucas mulheres saibam que podem optar por não menstruar, também não há um consenso de que isso seja uma boa ideia. Há cientistas que inicialmente advertiram não haver estudos consistentes sobre o efeito para uma mulher de não menstruar por longos períodos de tempo. Mas especialistas concordam que isso não gera problemas de saúde.

Há ainda quem alerte sobre os perigos de se tomar a pílula, em especial por períodos prolongados. O site Broadly publicou um ano atrás que há cada vez mais estudos que falam da existência de um vínculo entre o uso de anticoncepcionais hormonais e a depressão, citando um uma pesquisa dinamarquesa que mostrou que adolescentes que tomavam a pílula tinham “um risco 80% maior” de terem de tomar antidepressivos.

Por outro lado, para algumas mulheres, menstruar é uma parte fundamental de sua identidade, ainda que outras se recusem a associar o ciclo reprodutivo com a identidade de gênero. A certeza é que, no fim das contas, o importante é que as mulheres saibam que têm mais de uma opção.

G1

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Pesquisa diz que brasileiros apoiam mais ações contra o tabagismo

tabaco bannerBrasileiros fumantes e não fumantes apoiam a criação de novas ações governamentais para a cessação do tabagismo. Existe um forte apoio até mesmo para a proibição total da comercialização dos produtos de tabaco – algo que não está agenda legislativa, mas demonstra a aprovação da atuação do Estado no controle do tabagismo

As informações constam do Projeto Internacional de Avaliação das Políticas de Controle do Tabaco (Projeto ITC) criado para medir o impacto das ações da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados nacionais (Projeto ITC Brasil) foram divulgados nesta sexta-feira, durante o “Congresso INCA 80 Anos: Desafios e Perspectivas para o Controle do câncer no Século XXI”, realizado no Rio de Janeiro, até sábado, 30.

O Projeto ITC perguntou a todos os entrevistados se eles apoiam ou se opõem à proibição total de produtos de tabaco nos próximos 10 anos, dado que o governo forneceria tratamento para ajudar fumantes a deixarem de fumar. Os resultados mostram que 68% dos fumantes e 77% dos não fumantes pesquisados "apoiam" ou "apoiam fortemente" essa proibição.

“Isso mostra a discrepância do que os fumantes e não fumantes querem que os governos façam e aquilo que os governos realmente fazem”, provocou o investigador principal do Projeto Internacional ICT, Geofrey T. Fong, do Departamento de Psicologia e Instituto para Pesquisa em Câncer do Canadá.

Fong também destacou dois pontos nas campanhas de comunicação contra o cigarro: as imagens impactantes dos danos à saúde causados pelo produto na frente das embalagens e o banimento dos displays nos pontos de venda. No primeiro caso, ele citou o fato de entre dez países desenvolvidos pesquisados, o uso das imagens nas embalagens como advertência sanitária só não reduziu o consumo na França e no Reino Unido – justamente os que não colocaram as imagens na frente das embalagens. O Brasil também não fez isso ainda e os resultados são pouco significativos.

“A literatura mundial diz que o texto não tem o impacto adequado [como advertência sanitária]: as imagens são mais efetivas”, explicou a investigadora principal do Projeto ICT Brasil, a psicóloga Cristina de Abreu Perez, da Fundação do Câncer. O Brasil foi o segundo país do mundo, em 2001, a implementar advertências sanitárias com imagens nas embalagens de produtos do tabaco.

Quanto ao banimento do display nos pontos de venda, há um consenso entre os pesquisadores que é extremamente importante: que o Brasil efetive a proibição via parlamento. O tabagismo é uma doença pediátrica e mostrar o produto atraente ajuda a capturar os jovens”, explicou a secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro (Conicq/INCA), Tânia Cavalcante.

A pesquisa do Projeto ITC Brasil revela, aliás, que fumantes e não fumantes apoiam fortemente duas políticas-chave para reduzir publicidade e promoção de produtos de tabaco: a proibição de exibição de produtos de tabaco nos pontos de venda e a padronização das embalagens de cigarros. Aproximadamente três quartos dos fumantes (72%) apoiam a proibição de displays dentro de lojas e quase metade (49%) apoiam as embalagens padronizadas. O apoio é ainda maior entre os não fumantes:86% apoiam a proibição dos displays dentro de lojas e 56% são a favor das embalagens padronizadas.

A pesquisa perguntou a fumantes e ex-fumantes quais as razões que os levaram a pensar em deixar de fumar nos últimos seis meses ou os levaram a parar. As razões mais comuns para pensar em deixar de fumar "muito" entre fumantes e ex-fumantes eram preocupações com a própria saúde (68% dos fumantes, 89% dos ex-fumantes); dar exemplo para crianças (66% dos fumantes, 63% dos ex-fumantes); e preocupações sobre os danos causados pelo tabagismo passivo em não fumantes (51% dos fumantes e 60% dos ex-fumantes). O preço dos cigarros foi o motivo para metade dos entrevistados (50% dos fumantes e ex-fumantes).

A chefe do Secretariado da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS, Vera Luiza da Costa e Silva, disse que as discussões sobre a implantação dos maços genéricos de cigarros estão no Congresso Nacional, da mesma forma que a necessidade de controlar o contrabando do produto no País. A diretora-geral do INCA, Ana Cristina Pinho, que introduziu as discussões, disse que o objetivo do Instituto em relação à saúde pública “é fazer cada vez mais e melhor pelos próximos 80 anos”.

Esta é a terceira edição do Projeto ITC no Brasil – a primeira foi em 2009 e a segunda em 2013. Além do Brasil, a edição 2017 englobou outros 27 países, onde residem dois terços dos fumantes no mundo. No Brasil, a pesquisa ouviu 1.358 fumantes e 470 não fumantes.

O projeto ITC do Brasil é coordenado pelo INCA em associação com a Universidade de Waterloo, do Canadá, e em parceria com a Fundação do Câncer, Cetab/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Aliança de Controle do Tabaco (ACTbr) e Secretaria Nacional da Política sobre Drogas (Senad).

Congresso INCA 80 Anos
O Congresso, foi realizado na sexta-feira e sábado (29 e 30 de setembro) no Rio Othon Palace, em Copacabana, conta com a participação de cerca de 700 pessoas por dia, 300 palestrantes, 30 convidados internacionais, 157 palestras e 32 mesas-redondas.

Fonte: INCA