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quinta-feira, 6 de março de 2014

Comissão internacional pede mais governança global da Saúde

Relatório formulado com participação da Fiocruz indica disfunções de políticas públicas na área e propõe soluções
 
Um documento recentemente lançado pela Comissão Lancet sobre Governança Global para a Saúde (que pode ser lido aqui), criada pela revista científica The Lancet, quer chamar atenção da comunidade internacional para os chamados determinantes políticos globais da saúde. Intitulado As origens políticas da iniquidade em saúde: perspectivas de mudança, o relatório, que foi elaborado com a participação da Fiocruz, analisa as disparidades e dinâmicas de poder existentes em políticas que afetam a saúde, como crises econômicas, medidas de propriedade intelectual, segurança alimentar, conflitos violentos, imigração ilegal e atividades empresariais transnacionais.
 
“Com este informe, estamos prestando um excelente serviço às reflexões sobre as origens políticas das inequidades em saúde e propondo mecanismos que podem ajudar na transformação das tamanhas injustiças vigentes”, destaca o coautor do documento e coordenador geral do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), Paulo Buss.
 
A Comissão argumenta que os determinantes políticos globais que afetam negativamente a saúde de alguns grupos, quando comparados a outros, são injustos. Para solucionar parte dos danos por eles causados, os autores propõem a melhoria da governança global.
 
“É urgente que saibamos como melhor proteger e promover a saúde pública no campo da governança global, que inclui a distribuição de recursos econômicos, intelectuais, normativos e políticos. Para avaliar seu impacto sobre a saúde, é necessária a realização de uma análise de poder”, afirma trecho do documento.
 
Disfunções
O relatório indica cinco disfunções do sistema de governança global que colaboram para que os efeitos adversos dos determinantes políticos globais da saúde permaneçam: o déficit democrático, os fracos mecanismos de responsabilização dos atores por suas ações, a imobilidade institucional, o espaço político inadequado para a saúde e a inexistência de instituições internacionais para a formulação de políticas.
 
No documento, os autores sugerem a criação de uma plataforma de governança para a saúde, que funcione como fórum de discussão de políticas, e propõem a adoção de medidas para o controle dos determinantes políticos da saúde, entre elas, o uso de “sanções mais firmes contra um amplo espectro de violações cometidas por agentes não estatais através do sistema jurídico internacional”.
 
O documento propõe ainda a elaboração de um Painel de Monitoramento Científico Independente que analise os efeitos das políticas sobre a saúde, além da adoção de medidas que facilitem o controle dos determinantes políticos da saúde por meio do uso de instrumentos de direitos humanos, como a indicação de Relatores Especiais e a criação de penalidades mais firmes contra violações cometidas por agentes não estatais.
 
“Esses relatores ajudariam a acionar espaços de produção de sanções. Ainda não há leis e espaço para essas pessoas serem julgadas”, alerta Buss. Segundo ele, o documento será difundido para o apoio e crítica de países, associações médicas e outros setores da sociedade. “Esperamos que o relatório seja encaminhado para o debate das Nações Unidas e discutido ano que vem juntamente com a definição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirma.

SaudeWeb

7 fases para se tornar um hospital digital

Em parceria com Abcis, HIMSS desembarca no Brasil para difundir adoção do prontuário eletrônico do paciente (PEP
 
O termo Eletronical Medical Registration Addoption Model (EMRAM) ou modelo de adoção do prontuário eletrônico ficará mais comum no vocabulário dos profissionais de TI dos hospitais brasileiros, ao menos se depender da difusão do conceito pela Associação Brasileira de CIOs de Saúde (Abcis). Liderada pelo diretor técnico do departamento de Saúde da secretaria estadual de saúde de São Paulo, André Luiz Almeida, a tradução e adaptação dos estágios de uso de prontuário eletrônico está pronta e em breve começará a ser aplicada nas entidades brasileiras.
 
O modelo originado da divisão analítica da HIMSS- Healthcare Information and Management Systems Society, qualifica os hospitais em estágios que vão do zero ao sete, sendo que o zero é quando a instituição ainda não tem prontuário e o nível sete, que pode ser considerado o hospital digital. No Brasil, ainda não há hospitais formalmente classificado pelo modelo e, segundo o executivo, quando começarem as avaliações ocorrerá grande diversidade de categorização. “É muito dispare. Temos hospitais com uso de tecnologia alto e outros que não passam do zero”.
 
A Abcis é parceira da HIMSS na aplicação dos questionários e na coleta de dados junto aos hospitais. Depois desta etapa, a validação do material é realizada pela HIMSS na Europa e a tabulação e armazenamento das informações são feitos pela entidade americana. Em caso de classificação nível seis ou sete, inspetores da HIMSS vem ao Brasil para realizar avaliação in loco.
 
“Os estágios refletem o nível de adoção da tecnologia da informação ligada ao prontuário, é o quanto o hospital usa de tecnologia”, explica o consultor da E- Folks, Claudio Giulliano, que pretende auxiliar os hospitais a melhorarem os estágios. O executivo concorda com Almeida sobre a diversidade e acredita que já de partida teremos alguns nível cinco ou seis.

 Nos Estados Unidos existem 120 hospitais nível sete. Na Europa apenas dois, o Marina Salud de Denia, na Espanha e outro ligado à Universidade de Hamburgo, na Alemanha. No Chile, há a Clínica de Los Condes que está classificada como nível seis.
 
A aliança entre as associações engloba também o evento HIMSS Latin America, que teve sua divulgação oficializada durante a HIMSS, que ocorre em Orlando (EUA). “Vamos realizá-la com o intuito de angariar fundos para fazer o EMRAM sem custo para os hospitais”, afirma Almeida. O congresso ocorrerá nos dias 18 e 19 de setembro de 2014, em São Paulo (SP).
 
*Conheça os estágios do EMRAM ou adoção do modelo de prontuário:
 
Fase 0
Os três sistemas auxiliares – (LIS, RIS, PHIS) não estão instalados ou não há processamento de dados online advindos de Laboratório, Radiologia, Farmácia e de prestadores de serviço externos
 
Fase 1
Sistemas Auxiliares – Laboratório, Radiologia, Farmácia – Todos os dados LIS, RIS, PHIS instalados ou há dados processados online de prestadores de serviço externo
 
Fase 2
Repositório de Dados Clínicos –CDR (Clinical Data Repository, em inglês) / Registo Eletrônico do Paciente; pode ter vocabulário médico controlado, apoio a tomada de decisões clínicas ( ou Clinical Decision Support, em inglês) para verificação simplificada de conflitos, “Imagiologia” de documentos, ou seja, informações obtidas por meio de sistemas de imagem; e capacidade de troca de informações de saúde – HIE (Healthcare Information Exchange, em inglês)
 
Fase 3
Documentação de enfermagem/clínica (fluxogramas); pode ter Apoio de Tomada de Decisões Clínicas para verificação de erros durante a entrada do pedido e/ou PACS disponíveis fora da Radiologia
 
Fase 4
CPOE pelo menos numa área de serviço clínico e/ou para medicação (ou seja, Prescrição Eletrônica); pode ter Apoio de Tomada de Decisões Clínicas com base em protocolos clínicos

Fase 5

PACS completo dispensando o uso de filmes
 
Fase 6
Interação da documentação dos médicos com CDSS completo (modelos estruturados relativos a protocolos clínicos que disparam alertas de variação & compatibilidade) e circuito fechado na administração de medicamentos
 
Fase 7
Eletronic Medical Record (EMR) completo; transações CCD, (no Brasil não) para compartilhar dados; relatórios de resultados em armazenamento de dados, garantia da qualidade e business intelligence; continuidade de dados com ED (nos departamentos de emergência), ambulatório, centro cirúrgico.

* A tradução e adaptação foi feita com base no modelo europeu onde há uma pequena diferença entre os estágios 5 e 6, quando comparado ao modelo americano
 
SaudeWeb

Cade defende a condenação de cooperativas médicas

A condenação de duas cooperativas e de duas sociedades médicas por infrações à ordem econômica no mercado de prestação de serviços de anestesiologia no Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão e Mato Grosso do Sul está sendo oficialmente defendida pela superintendência geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
 
Pareceres nesse sentido, publicados nesta quarta-feira, 5 e sexta-feira, 28, citam a Cooperativa de Médicos Anestesiologistas do Rio Grande do Norte (Coopanest-RN), a Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Paraíba (Coopanest-PB), a Central de Anestesia Ltda. (Ceanest) e a Servan Anestesiologia e Tratamento de Dor de Campo Grande.

Em nota, o Cade destaca que em todos os casos foi identificado que as representadas têm como cooperados ou associados parcela significativa dos médicos anestesiologistas do Estado ou do município onde atuam.
 
Na avaliação da Superintendência do Cade, essa concentração comprometeu a possibilidade de concorrência entre prestadores de serviços de anestesiologia e permitiu a adoção de condutas anticompetitivas. As práticas adotadas pelas cooperativas ou sociedades variam em cada caso.
 
Algumas das condutas consideradas anticompetitivas envolvem boicotes abusivos e ameaças de descredenciamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a planos de saúde, exigência de exclusividade dos médicos associados, inviabilização de concorrência na contratação de serviços médicos ao SUS, garantindo a contratação das cooperativas com dispensa de licitação, além de acordos de não concorrência entre cooperativas.

A superintendência geral do Cade considera que esse conjunto de práticas extrapolou o direito de associação legítimo dos médicos e teve como objeto elevar o poder de mercado das cooperativas e das sociedades médicas - muitas vezes gerando monopólios na prestação de serviços de anestesiologia.
 
Os processos seguirão para julgamento pelo Tribunal do Cade, responsável pela decisão final.
 
Os indícios de infração obtidos nesses e em outros processos semelhantes também levaram a Superintendência Geral do Cade a instaurar, na última sexta-feira, 28, processo administrativo contra a Federação Brasileira de Cooperativas de Anestesiologia (Febracan), a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e um ex-diretor da SBA. Essas entidades representam em âmbito nacional as cooperativas e sociedades de anestesiologia estaduais, explica o Cade.
 
Estadão

Fumo passivo 'danifica artérias de crianças', indica estudo

Que as crianças são prejudicadas quando expostas ao fumo passivo é algo que vem sendo provado há anos.
 
Mas um estudo recém-publicado no European Heart Journal traz novos dados sobre o risco que as crianças correm ao conviverem com adultos fumantes.
 
De acordo com a pesquisa, o fumo passivo causa danos irreversíveis às artérias de crianças, tornando os vasos sanguíneos até três anos 'mais velhos' do que se não estivessem expostos à fumaça.
 
Esse 'envelhecimento' engrossa as paredes das artérias, o que eleva o risco de ataques cardíacos e enfartes na idade adulta.
 
O estudo analisou mais de 2 mil crianças com idades entre 3 e 18 anos na Finlândia e na Austrália e concluiu que esse tipo de dano ocorria quando pai e mãe fumavam.
 
'Nosso estudo mostra que a exposição ao fumo passivo na infância causa um dano direto e irreversível à estrutura das artérias', disse a coordenadora do estudo, Seana Gall, da Universidade da Tasmânia (Austrália).
 
'Pais, ou mesmo casais pensando em ter filhos, devem parar de fumar. Não apenas para recuperar sua própria saúde, mas para proteger a saúde de seus filhos no futuro.'
 
Carótida
Exames de ultrassom mostraram como os filhos de pais fumantes apresentavam mudanças na principal artéria do corpo, que vai do pescoço à cabeça.
 
O estudo acompanhou as crianças durante anos. No início, as diferenças de espessura na parte da carótida analisada eram modestas. No entanto, elas passaram a ser bastante significativas após cerca de 20 anos, quando as crianças chegavam à idade adulta.
 
O estudo levou em conta outros fatores que poderiam explicar os danos arteriais, como se as crianças passaram a fumar quando adultas, mas os resultados se mantiveram mesmo assim.
 
Esse dano, no entanto, não foi encontrado em crianças que cresceram com apenas um dos pais fumando - provavelmente porque o nível de exposição à fumaça não era tão alto.
 
Mesmo assim, os pesquisadores afirmaram que não há um nível 'seguro' de fumo passivo.
 
'Alarmismo'
Para Doireann Maddock, enfermeira cardíaca da Fundação British Heart, o estudo dá uma passo adiante nas pesquisas sobre o tema, já que ele mostra como o fumo passivo pode aumentar as chances de a criança sofrer problemas no coração após alguns anos.
 
'Se você é fumante, o jeito mais eficaz de reduzir os riscos para o seu filho é parar de fumar. Se isso realmente não for possível, a melhor alternativa é manter tanto a casa como o carro livres de fumaça, jamais acendendo um cigarro nesses locais.'
 
Mas para Simon Clark, diretor do grupo de fumantes Forest, 'é preciso evitar o alarmismo, porque danos arteriais podem ser causados por vários fatores, como uma dieta pobre (em nutrientes) ou poluição'.
 
'Se por um lado é sensível e atencioso não fumar ao lado de crianças em um espaço pequeno e confinado, é fácil ficar apontando o dedo para os fumantes quando um assunto é complicado', afirmou.

BBC Brasil / R7

Empresa quer fazer as pessoas viverem até os 100 anos

BBC
Será analisado o DNA de cerca de 100 mil pessoas por ano
para a montagem de um banco de dados
Companhia americana digitalizará DNA humano para ampliar a longevidade
 
Craig Venter, pioneiro em sequenciar o primeiro genoma humano nos EUA, tem um novo objetivo: ajudar a humanidade a viver com saúde até os 100 anos. As informações são do site americano Bloomberg.

Peter Diamandis, co-fundador do projeto, diz que o propósito é fazer com que "os 100 anos seja os novos 60".

Diamandis analisa o DNA de cerca de 100 mil pessoas por ano, para montar um banco de dados que desenvolvem novos testes para ajudar a prolongar a expectativa de uma vida saudável.

A empresa Human Longevity Inc., fundada por Venter, decodificará o DNA de várias pessoas, desde crianças a pessoas centenárias.
 
Sediada em San Diego, a Human Longevity irá reunir as informações em um banco de dados que incluem informações sobre genomas e microbiomas, os micróbios que vivem em nosso intestino. O objetivo é ajudar os pesquisadores a entender as doenças associadas ao envelhecimento. A empresa possui um orçamento inicial de US$ 70 milhões, de acordo com comunicado liberado nesta terça-feira (04).

— Estamos criando a maior instalação de sequenciamento do genoma humano do mundo. Queremos promover o envelhecimento saudável usando métodos avançados de terapia com células estaminais.

Venter fundou a empresa com Diamandis, que é pesquisador de células-tronco.

Melhoria das máquinas
Segundo Venter, a velocidade e precisão das máquinas digitalizadoras de DNA aumentou de tal forma que, pela primeira vez, o sequenciamento clínico poderá ser feito de maneira maciça, ou seja, será possível uma análise em grande número.

— Eu esperei 13 anos por essa tecnologia. Esse avanço não só terá um impacto significativo em nossos estudos, como também na medicina em geral.
 
A Human Longevity tem um acordo com a Universidade da Califórnia, em San Diego, para realizar o sequenciamento de genoma nos pacientes do Centro de Câncer Moores, de acordo com o comunicado. Além do genoma e do microbioma, a empresa vai coletar dados sobre substâncias bioquímicas e lipídios no organismo dos pacientes.

Em setembro de 2013, o Google anunciou que estava interessado em investir na empresa de Venter.
 
R7