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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Impasse financeiro deixa 30 ambulâncias paradas há 2 anos no sertão de PE

Na pequena Ingazeira (369 km do Recife), com 4,5 mil habitantes, a ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tem partidas diárias do motor, uma lavagem semanal e passa por revisão semestral. Mas não, não é para o uso da população, mas pela falta dele

Em Ingazeira (PE), ambulância está parada há 21 meses ao lado da unidade de saúde sem poder realizar atendimento
Em Ingazeira (PE), ambulância está parada há 21 meses ao lado da unidade de saúde sem poder realizar atendimento

O município e outros 34 do sertão de Pernambuco --que enfrentam a maior seca em 50 anos e uma epidemia das doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti-- receberam 30 ambulâncias (compradas em 2013 e entregues em março de 2014), mas que até hoje nunca prestaram um socorro sequer por conta de um impasse entre governos.

A Central de Regulação, localizada em Serra Talhada (a 414 km do Recife), está pronta desde o final do ano passado e deveria ter médico para regular os serviços nessas cidades. Mas o local é um prédio fantasma.

Impasse é financeiro
O impasse para início do serviço não é culpa da prefeitura de Ingazeira ou das outras cidades que receberam as 30 ambulâncias. Ocorre porque o município de Serra Talhada, responsável pela central de atendimento, diz não ter dinheiro para iniciar o serviço sem recursos federais e estaduais. Já os governos do Estado e federal alegam que é preciso que o serviço entre em funcionamento para iniciarem os repasses.

O resultado da pendência é que cerca de 800 mil pessoas que moram nesses municípios estão sem atendimento, e um investimento superior a R$ 4 milhões feito em 2012 está inutilizado.

O Estado passa atualmente por um surto de microcefalia relacionado ao zika vírus e muitas crianças e grávidas precisam ser enviadas ao Recife para exames.

"Faz muita falta porque é um atendimento diferenciado, tem equipamentos como um bom oxigênio. Quando a gente precisa fazer um socorro para uma viagem ao Recife, por exemplo, a ambulância que temos precisa parar em Caruaru para abastecer com oxigênio para seguir. Com essa não seria preciso", diz a secretária de Saúde de Ingazeira, Fabiana Torres.

Falta recurso, diz prefeitura
Segundo o Ministério da Saúde, o município de Serra Talhada recebeu, em 2012, R$ 290 mil para construção da Central de Regulação das Urgências da região, que atenderá a macrorregião composta por 35 municípios.

Também foram repassados R$ 3,6 milhões para o Governo do Estado comprar 30 ambulâncias --sendo cinco delas de suporte avançado.

Mas tudo está parado. "O que precisamos é a garantia do repasse impreterivelmente no ato de sua habilitação para o custeio. Seria 50% por parte do Ministério da Saúde, e outros 25% do governo do Estado. Não tem sentido colocar o serviço para funcionar e só receber os recursos de quatro a seis meses depois", disse o secretário-executivo de Saúde de Serra Talhada, Aron Lourenço.

No final de 2014, o município finalizou a construção do prédio da central de regulação, onde ficam paradas as duas ambulâncias do município. Mesmo com o prédio pronto e carros na garagem, o secretário alega que o problema é o pagamento dos profissionais. "Qual o município que tem condições de bancar uma folha de mais de R$ 350 mil mensais?" questiona.

Segundo o secretário, um documento foi encaminhado recentemente para o ministério explicando a situação. "Estamos aguardando resposta", informou.

Ministério ameaça devolução
O Ministério diz que a regra de todos os Samus do país é igual --com pagamento apenas após o funcionamento.

"Para que o Ministério da Saúde conceda parecer favorável à habilitação do serviço é necessário que o município cumpra todos os critérios previstos nos incisos I e II do artigo 27 da Portaria GM/MS nº 1.010/2012, que incluem a comprovação da funcionalidade do dígito 192 para recebimento de chamadas, demonstração do funcionamento efetivo do serviço e termo de compromisso do gestor acerca da garantia de manutenção das ambulâncias", disse.

A pasta explicou que, com o início do funcionamento das unidades, o município deve enviar a documentação para habilitar a Central e as unidades móveis. "Após a habilitação de todas as Unidades da Região do Sertão, o município de Serra Talhada receberá o valor de R$ 141.225,00 para custeio mensal", informou.

O ministério informou ainda que já notificou os municípios da região para que esclareçam a falta de serviços e que Serra Telhada foi avisada que "o não cumprimento do processo de habilitação poderá resultar na devolução imediata dos recursos financeiros e unidades móveis repassados até o momento."

Já a Secretaria de Saúde de Pernambuco garantiu que que está em dia com as contrapartidas estaduais relacionadas à central de regulação do Samu de Serra Talhada. Informou ainda que o repasse de verbas para custeio é tripartite e só é feito a partir da habilitação do serviço pelo Ministério da Saúde. "A regra é nacional e válida para todas as centrais brasileiras" concluiu.

Uol

Cartilha orienta a população sobre prevenção de infecções do vírus Zika

cartilha zikaPara orientar a população sobre as medidas de prevenção contra o vírus Zika de forma fácil e objetiva, o Ministério da Saúde elaborou a cartilha “Vírus Zika – Informações ao público”

A diretora substituta do Departamento de Atenção Hospitalar e Urgência, Inez Gadelha, explica que o conteúdo foi elaborado para informar a população com mais facilidade. “A cartilha faz parte de um contexto maior de ações que o Ministério da Saúde e o Governo Federal estão tomando para o enfrentamento da infecção por esse vírus e da microcefalia. Como desenvolvemos protocolos para os profissionais de saúde, achamos que precisávamos desenvolver um material de distribuição geral que trouxesse um resumo de todas aquelas ações de forma simples para o entendimento de todos”.

A cartilha traz informações segmentadas, destinadas a diversos públicos: população em geral, mulheres em idade fértil, gestantes, recém-nascidos e recém-nascidos com microcefalia.

Alguns cuidados valem para todos os grupos.

São eles:
• Utilizar telas em janelas e portas e uso contínuo de roupas compridas – calças e blusas.

• Nas áreas do corpo expostas, aplicar repelente.

• Ficar, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.

• Observar o aparecimento de sinais e sintomas de infecção por vírus zika (manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados e febre).

• Buscar um serviço de saúde para atendimento, caso necessário.

• Para febre e dor, usar acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona.

• Não tomar qualquer outra medicação sem orientação médica.

O material ainda alerta sobre a importância de buscar os veículos oficiais para obter informações adequadas. “Sabemos que em um momento como esse, circulam muitas informações”, completa Inez. A diretora ressalta que estas ações são preventivas, mas não se deve descuidar da eliminação dos criadouros do mosquito aedes aegypti, transmissor da zika, dengue e chikungunya. “Não adianta apenas passar o repelente, o mais importante é não deixar o mosquito nascer”.

A cartilha está disponível de forma digital no site do Ministério da Saúde e, em breve, estará disponível na versão impressa em todo o Brasil.

Aedes aegypti
O ciclo de reprodução do mosquito, do ovo à forma adulta, pode levar de 5 a 10 dias. Por isso é preciso estar sempre atento. Um balde esquecido no quintal ou um pratinho de planta na varanda do apartamento, após uma chuva, podem facilmente se tornar um foco do mosquito e afetar toda a vizinhança. É importante verificar se a caixa d’água está vedada, a calha totalmente limpa, pneus sem água e em lugares cobertos, garrafas e baldes vazios e com a boca virada para baixo, entre outras pequenas ações que podem evitar o nascimento do mosquito.

Os ovos do mosquito podem ficar aderidos às laterais internas e externas dos recipientes por até um ano sem água. Se durante este período os ovos entrarem em contato com água, o ciclo evolutivo recomeça e, consequentemente a transmissão. Por isso, é necessário lavar os recipientes com água e sabão, utilizando uma bucha. Não importa se você mora em casa ou apartamento, o mosquito Aedes aegypti pode encontrar um recipiente com água parada para depositar os ovos e se reproduzir. 

Fonte: Gabriela Rocha/ Blog da Saúde

Asma pode ser agravada por ansiedade

Pesquisadores sugerem incluir terapia no tratamento de quem sofre com a doença

Uma das doenças respiratórias mais comuns no planeta, a asma pode ser agravada por questões psicológicas. É o que indica um estudo recente da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, controlar as crises causadas por essa enfermidade vira uma tarefa mais árdua para quem sofre com ansiedade. Sem contar que o medo de sentir os sintomas do problema acaba, às vezes, desencadeando-o. A solução, defende o grupo, está em incluir intervenções psicoterápicas no tratamento de asmáticos.

A pesquisa surgiu devido à observação de que há um grande número de pacientes com asma que também sofrem de ansiedade. “Fizemos um trabalho anterior que observava a interferência da ansiedade sobre a forma como o asmático controla a sua doença. Observamos que pessoas com alta sensibilidade são mais propensas a terem problemas para gerir os sintomas respiratórios”, destaca ao Correio Alison McLeish, autora principal do estudo.

Para estudar mais a fundo as questões levantadas na primeira análise, McLeish e equipe realizaram um experimento com 101 universitários que tinham asma. Os participantes tiveram que inspirar e expirar por meio de um canudo, imitando um dos principais sintomas da doença respiratória. Durante a análise, os pesquisadores observaram que os participantes com maior tendência a ansiedade tiveram mais dificuldade para desempenhar a atividade proposta.

“Pessoas com alta sensibilidade, ou seja, os asmáticos que tinham mais medo dos sintomas da doença, apresentaram comportamentos que imitavam um ataque de asma durante a tarefa. Eles apresentaram também pior função pulmonar, o que os coloca em um risco maior de sofrer mais ataques de asma”, detalha McLeish.

As conclusões, segundo o grupo, reforçam a necessidade da realização de terapias voltadas para tratar a constante inquietude de pacientes com asma. “Acredito que tratamentos para a ansiedade poderiam ser úteis para os asmáticos que sofrem com essa grande sensibilidade”, reforça a autora. A principal sugestão dela é a terapia de exposição, que tenta dessensibilizar as pessoas para os sintomas físicos de uma doença, tornando-as menos preocupadas. “Assim, ficam menos reativas à asma”, explica McLeish, reforçando que outros tratamentos poderão surgir a partir das constatações feitas por ela e a equipe.

Estresse
Segundo Aída Alvim, pneumologista da clínica Respirar e do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, o estudo norte-americano vem reforçar uma constatação comum nos consultórios médicos. “Vemos diversos pacientes que passam por períodos de estresse e não conseguem controlar as crises de asma porque estão irritados. Sabemos também que o próprio estresse é um desencadeador de doenças inflamatórias, o medo de ter a crise já é um fator capaz de provocá-la”, diz.

A especialista acredita que tratamentos psicoterápicos podem servir como um grande auxiliar no tratamento da asma. “Tenho uma colega médica que passou por um momento difícil e não conseguia controlar as crises de asma. Para isso, procurou a psicoterapia. É uma das opções que podem auxiliar bastante. Em alguns casos, pode-se até pensar em medicamentos para controlar essa ansiedade, caso seja necessário”, completa.

José Carlos Perini, presidente Nacional da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), ressalta que intervenções psicológicas para combater a asma devem ser orientadas e acompanhadas. “Primeiro, é necessário buscar ajuda com a asma e, se a pessoa tiver problemas emocionais, o profissional vai orientá-la a procurar outro especialista. Tenho pacientes que buscaram respostas apenas em tratamentos psicológicos e não conseguiram resolver as crises”, alerta.

Pior para elas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 300 milhões de pessoas no mundo tenham asma. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), são 6,4 milhões. O relatório feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também mostra que as mulheres sofrem mais com a enfermidade respiratória do que os homens, 3,9 milhões contra 2,4 milhões, uma diferença de 39%. A pesquisa traz ainda a informação de que essa doença é responsável por, em média, 100 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS) anualmente.

Traumas na infância também influenciam
Outros problemas psicológicos podem desencadear crises de asma. Pesquisadores dos Estados Unidos realizaram um estudo em que observaram dados coletados de 2011 a 2012 referentes a 100 mil crianças expostas a experiências adversas na infância, como morte de um dos pais e abusos físicos. Eles concluíram que esses meninos e essas meninas tinham 28% mais chances de desenvolver a doença respiratória.

“Fatores de estresse psicossociais ativam o sistema nervoso simpático, que controla a nossa ‘luta’ ou nossa ‘fuga’, as respostas quando experimentamos situações estressantes. O aumento da atividade do cortisol, um hormônio do estresse, afeta a atividade das células do sistema imunológico. Incrementos ocasionais nesse hormônio são protetores, mas exposições excessivamente elevadas ou prolongadas, como aquelas experimentadas por crianças expostas a traumas, podem ser prejudiciais”, detalhou, em comunicado à imprensa, Robyn Wing, médico do Hospital Infantil Hasbro (EUA) e um dos autores do estudo.

Wing e equipe defendem que o estresse seja visto como um fator de risco para o desenvolvimento da asma e o agravamento dela, assim como é tratada a exposição à fumaça do tabaco e aos ácaros. “Os clínicos devem partilhar com os pais os impactos desses traumas sobre a asma dos filhos. Desse modo, podem proteger as crianças de uma situação estressante em casa”, defende o cientista.

A pneumologista Aída Alvim acredita ser difícil responsabilizar os problemas sociais na infância como causa da asma. Segundo ela, existem estudos que defendem essa questão, mas não há um consenso científico. “Até porque o número de casos de asma é bem alto. Seria difícil ligar todos eles a problemas psicológicos. O que sabemos é que a ansiedade é um fator que pode influenciar”, defende a médica que atua em Brasília. Para ela, paciente e médico precisam perceber até que ponto problemas psicológicos podem estar interferindo nos respiratórios e procurar uma ação integral contra as complicações. “É um tratamento conjunto. Envolve a mente e o corpo para conseguir uma melhora completa”, defende.

José Carlos Perini, presidente Nacional da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, diz que muitos outros fatores estão relacionados à asma. “O emocional é apenas um deles, e que pode ser tratado corretamente. Temos casos de pacientes que conseguem se manter longe de crises com atividades físicas, inclusive famosos, como a jogadora de futebol Marta e o nadador Gustavo Borges. Essa é uma doença que atinge entre 10% a 12% da população brasileira e que, com atenção, pode ser combatida sem atrapalhar a qualidade de vida”, reforça.

Correio Braziliense

A importância do ácido fólico na saúde do feto

Além de prevenir anencefalia e outros defeitos do tubo neural, estudos têm demonstrado que essa vitamina do complexo B afasta anomalias como lábio leporino e fenda palatina. Recentemente, pesquisas começaram a sinalizar proteção contra autismo e obesidade

No Brasil, 52% das mulheres engravidam sem planejar. O dado é da pesquisa Nascer no Brasil – Inquérito nacional sobre parto e nascimento, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2014. Ou seja, mais da metade dos bebês do país não se beneficiam do efeito protetor da suplementação periconcepcional (que antecede a gravidez) do ácido fólico ou vitamina B9. Isso porque a recomendação é de que a dose diária de 400 microgramas (ou 0,4 miligramas) deva ser iniciada 30 dias antes da gestação e perdurar durante o primeiro trimestre de gravidez. O benefício do uso dessa vitamina do complexo B na prevenção contra defeitos do tubo neural (DFTN) – como a anencefalia, espinha bífida e encefalocele – já está bem documentado e consolidado em estudos que se iniciaram há mais de 50 anos.

Novas pesquisas, no entanto, ampliam o efeito protetor da vitamina B9 para a saúde da criança. Professor titular de obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antonio Carlos Vieira Cabral cita que a suplementação do ácido fólico previne contra outras anomalias, como lábio leporino e fenda palatina. “Além dos efeitos faciais, protege o feto contra cardiopatias congênitas e contra os efeitos negativos de fármacos que a mãe necessita usar durante a gestação – depressão e epilepsia, por exemplo. Nesses casos, o ácido fólico antagoniza as ações desses medicamentos na gravidez”, afirma.

Novas abordagens sugerem ainda uma proteção contra o autismo e a obesidade. “Temos pesquisado a importância da suplementação com ácido fólico na prevenção de transtornos como o autismo e distúrbios crescentes entre as crianças, como a obesidade. Esse é um campo ainda sem limites e é provável que nos próximos anos sejam descobertos ainda outros benefícios nessa relação”, afirma o especialista.

Cabral diz que o ácido fólico começou a ser usado de maneira empírica. “As gestantes tomavam e os pesquisadores observavam o resultado para depois ir atrás da explicação do porquê se obtinham os efeitos positivos na prevenção dos DFTN. Já nos últimos 20 anos, as pesquisas têm o objetivo de entender o benefício da suplementação para se evitarem outras anomalias. Recentemente, estudos atestaram a capacidade do ácido fólico na formação do DNA. Além de ajudar o código genético, essa vitamina promove a expressão gênica, ou seja, facilita que os genes se expressem de forma adequada. Hoje sabemos que o ácido fólico tem relação direta com a genética”, explica. Nessa nova abordagem, segundo ele, já se sabe que o folato tem ação sobre a maturação do neurodesenvolvimento dos fetos.

Importância da dosagem correta
Presidente da Comissão de Perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Eduardo Borges da Fonseca afirma que o ácido fólico previne entre 70% e 80% contra os defeitos do tubo neural. Segundo ele, o protocolo de 400 microgramas (ou 0,4 miligramas) de ácido fólico 30 dias antes da gestação e no primeiro trimestre da gravidez é defendido pelas principais organizações de saúde no mundo e cita a International Federation of Gynecology and Obstetrics (Figo), o American College of Obstetricians and Gynecologists (Acog) e o Royal College Of Obstetricians and Gynecologists (RCOG).

No Brasil, segundo ele, o maior problema – além da falta de planejamento familiar que impede a suplementação periconcepcional da vitamina B9 – é a dose fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que não segue a prescrição internacional. “A Relação Nacional dos Medicamentos (Rename) determina que o medicamento esteja disponível em gotas na rede pública de saúde em uma dosagem de 0,2mg/ml – quantidade que seria adequada para o uso das gestantes. No entanto, as unidades básicas de saúde disponibilizam o suplemento na dose de 5mg. O ácido fólico não está disponível na rede pública para prevenção contra defeitos no tubo neural, mas sim para tratar anemia”, salienta. Eduardo Fonseca alerta ainda que a superdosagem de ácido fólico também tem repercussões negativas na saúde do feto. “Já existem estudos que associam altas doses dessa vitamina com alterações no desenvolvimento neuropsicomotor da criança”, diz.

O professor da UFMG Antonio Carlos Vieira Cabral salienta ainda que a dose de 5mg de ácido fólico oferecida pelo SUS não pode ser diária. “O ideal é que se use a dose certa – de 0,4 miligramas diariamente – para evitar a superdosagem. Caso contrário, a suplementação pode ter um efeito paradoxal na criança, prejudicando o neurodesenvolvimento ou até propiciando uma má-formação. Nunca se deve usar vitamina em excesso. Precisamos acabar com essa ideia equivocada de que ‘quanto mais vitamina, melhor’. A dose excessiva é tão prejudicial quanto a falta dela”, observa.

Além de reforçar que o período mínimo para a suplementação periconcepcional é de 30 dias, o especialista explica que o período máximo pode ser de anos (desde que na dosagem correta). “Se a mulher não engravidar em 30 dias, ela continua com a dose diária de 400 microgramas.” Cabral acrescenta que o uso do ácido fólico pode ser estendido durante toda a gestação e não apenas nos três primeiros meses. “No segundo e terceiro trimestres, a suplementação visa à ação em outras estruturas. Do ponto de vista da maturação, a formação do cérebro não acaba com três meses, mas perdura até o final da gravidez. Durante as 40 semanas, em qualquer momento, existe o risco de comprometer essas estruturas. Assim, o ácido fólico terá cumprido toda a sua finalidade: tanto na prevenção contra anomalias e no auxílio da maturação do neurodesenvolvimento”, avalia

Falta de informação
Eduardo Borges da Fonseca conduziu, pela UFPB, um estudo que avaliou o uso do ácido fólico em 500 mulheres que deram à luz em maternidades públicas e privadas. “Metade engravidou sem planejamento e não obteve a proteção do ácido fólico para a saúde do feto. Nesses casos, é comum a mulher procurar um médico depois do atraso menstrual, ou seja, com seis semanas de gestação, sendo que o tubo neural do bebê se forma entre 57 e 60 dias. Ou seja, se não tomar previamente, a grande maioria perde essa janela de formação”, salienta.

Outro dado alarmante é que, no grupo das mulheres que planejaram a gestação, 30% utilizaram o ácido fólico, mas apenas 10% na dosagem correta. “O principal fator determinante encontrado na pesquisa foi o socioeconômico. Quanto mais alto o nível socioeconômico, maior foi a adesão da utilização correta da suplementação de ácido fólico. A constatação nos mostra que a informação é fator preponderante na prevenção contra os DFTN”, afirma Fonseca.

É importante saber ainda que os defeitos de fechamento do tubo neural são multifatoriais e resultam da ação combinada entre os genes e o ambiente. “Nesse caso, o fator ambiental que tem importância é o ácido fólico que, usado em dose pequena, diminui a incidência global dos DFNT. Já quando um casal tem um filho com defeito de tubo neural, o risco de a segunda criança ter o mesmo problema é de aproximadamente 4%. Com o uso do ácido fólico, o risco cai para 1%”, observa Fonseca. Dessa forma, segundo ele, essa vitamina do complexo B atua de duas maneiras: na prevenção contra a ocorrência e na diminuição da recorrência.

O especialista acrescenta que as repercussões para a vida da criança podem ser mais graves ou menos graves de acordo com a altura onde há a abertura do tubo. “Quando o defeito do tubo neural é na parte mais alta (ou superior do tronco) o comprometimento é maior. Se for mais baixa, ou seja, acometer a região lombossacral, o comprometimento é nas pernas e nos esfíncteres”, esclarece. Nesse caso, a criança pode ter problema de incontinência urinária e fecal, além de dificuldade para andar. 

Alimentos ricos em ácido fólico
Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa/RDC 344, de 13 de dezembro de 2002) tornou obrigatória a fortificação de farinhas de trigo e milho com ácido fólico e ferro em razão dos altos índices de anemia no país, além de outras doenças causadas pela deficiência dessas substâncias. Desde então, cada 100 gramas de farinha de trigo ou de milho devem conter 4,2 miligramas de ferro e 150 microgramas de ácido fólico.

O presidente da Comissão de Perinatologia da Febrasgo, Eduardo Borges da Fonseca, afirma que essa fortificação minimiza o não planejamento da gravidez em relação ao efeito protetor periconcepcional da suplementação de ácido fólico. “Mas é preciso deixar claro que essa fortificação não substitui a necessidade de suplementação”, alerta. Antonio Carlos Cabral reforça que a prescrição recomendada pelas principais entidades de saúde ao redor do mundo já leva em conta a fortificação das farinhas. “Com as farinhas, as mulheres absorvem aproximadamente 70% do necessário da vitamina”, diz. Para ele, o grande problema de se confiar na fortificação é que não é possível saber se o que consta no rótulo está realmente sendo oferecido. “O ácido fólico não é barato e não são todas as empresas de alimentos que têm um controle rígido de qualidade”, acrescenta.

É importante lembrar ainda que o ácido fólico não é significativo somente para as mulheres grávidas e seus bebês. Nutricionista do Oba Hortifruti, Lívia Nogueira explica que o folato também tem um papel importante no organismo de adultos e crianças. “O ácido fólico atua na produção de hemoglobina do sangue e sua deficiência no organismo pode causar anemia, inflamação da língua, deterioração mental e ainda problemas relacionados ao sistema gastrointestinal, como diarreia”, explica. Segundo ela, o preparo de alimentos ricos em ácido fólico deve ser criterioso, pois cerca de 50% a 95% dessa vitamina é facilmente modificada em contato prolongado com o oxigênio do ar ou temperaturas elevadas, o que prejudica sua ação no organismo.

Defeitos do tubo neural
A incidência dos defeitos do tubo neural é de uma pessoa a cada mil nascimentos: 40% é de anencefalia (incompatível com a vida), 40% espinha bífida (criança pode não andar, ter incontinência fecal e urinária e atraso no desenvolvimento) e 20% encefalocele. Professor de pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenador do Serviço de Genética do Hospital das Clínicas, Marcos Aguiar explica que o sistema nervoso central começa como um tubo aberto para depois se fechar e é nesse fechamento que atua o ácido fólico. .

Anencefalia: ausência completa ou parcial do cérebro e do crânio. A anomalia é incompatível com a vida e se enquadra em um dos casos em que o aborto é garantido por lei no Brasil. .

Espinha bífida: defeito de fechamento ósseo posterior da coluna vertebral. A anormalidade congênita pode se apresentar de formas diferentes. Pode ser oculta e assintomática (espinha bífida oculta), apresentar as meninges expostas (meningocele) ou, além das meninges, a medula e as raízes nervosas podem estar expostas (mielomeningocele) .

Encefaloce: similar ao defeito de fechamento da coluna vertebral, só que ocorre na calota craniana. Ou seja, o cérebro e as meninges herniam-se (ficam expostos) através dessa abertura na calota craniana. É como se uma pessoa tivesse sofrido um acidente de trânsito com perda de massa encefálica.

O que comer

Veja o que incluir na alimentação e como preparar o alimento:
» Brócolis: Para preservar o ácido fólico, o ideal é cozinhar o vegetal rapidamente no vapor.

» Couve: Consumir crua ou cozida no vapor em saladas, sopas e caldos.

» Espinafre: Pode ser consumido cru ou cozido no vapor. Incrementa saladas, tortas, quiches, sopas e caldos.

» Fígado: Para aproveitar boa parte do nutriente contido nesse alimento, ele deve ser consumido ao ponto. »

Feijão: É importante consumir não só o grão, mas também o caldo, que durante o cozimento concentra grande parte do ácido fólico.

Foto: Reprodução

Valéria Mendes
Saúde Plena

Candidíase: como evitar a doença que é mais comum no verão

Essa infecção fúngica que atinge aproximadamente 80% das mulheres pode ser evitada com medidas simples; confira

O verão chegou e, com ele, também vêm algumas preocupações femininas. Uma delas é a candidíase. Só quem já teve sabe como é horrível. Ardência, corrimento, coceira e dor nos fazem desistir de aproveitar melhor a estação.

Apesar do Candida albicans, fungo responsável pela candidíase e suas variáveis, viver em harmonia com a flora bacteriana vaginal, o calor, a maior umidade e a alteração do pH são fatores que favorecem o aparecimento da candidíase, infecção causada pela maior proliferação desse fungo. Justamente por isso, o ginecologista Ricardo Luba explica que a candidíase é uma das principais infecções genitais e estima-se que 80% da população feminina vai ter pelo menos um episódio da doença durante a sua vida.

Ao contrário do que se pensa, a candidíase não é uma doença sexualmente transmissível. “O fungo está presente na população e, por isso, não pode ser considerado uma DST”, explica Ricardo. No entanto, deve-se sempre tratar o casal para evitar a recorrência da doença, já que ela pode ser transmitida pelo contato.

Como a vagina já é um ambiente naturalmente propício para a proliferação exagerada do fungo, o calor do verão e a umidade causada pelo uso prolongado de biquínis molhados aumentam a incidência da infecção. Segundo Ricardo Luba, deve-se realizar a troca do biquíni de duas a três vezes ao dia, evitar o uso de calcinhas de lycra e preferir as calcinhas de algodão. Procurar usar roupas leves como saias para que a troca do calor e da umidade aconteça com maior facilidade, evitar roupas muito justas e não realizar uso constante de absorvente diário são medidas que para evitar a candidíase.

O ginecologista Gustavo Ventura aponta também que baixa imunidade e altos níveis de estresse são fatores que favorecem o aparecimento da infecção. Para isso, ele indica atividade física regular, boas noites de sono e até a meditação. Além disso, para evitar a candidíase é importante se hidratar corretamente, tomando pelo menos dois litros de água por dia, não fumar, não abusar do álcool e ter uma dieta equilibrada com menor quantidade de carboidratos (açúcar e farinha branca). Outras medidas que o ginecologista indica são dormir sem calcinha, evitar duchas vaginais e desodorantes íntimos e usar sabonete próprio para a higiene íntima lavando até duas vezes ao dia, já que a limpeza excessiva também desequilibra a flora vaginal.

Se você tiver sintomas como ardência e coceira na região genital, vermelhidão local, corrimento esbranquiçado com aspecto de leite talhado e sem odor, e sentir dor para ter relação sexual e ardência ao urinar, é importante procurar um ginecologista. Dessa forma, o médico poderá prescrever cremes tópicos com agentes antifúngicos e comprimidos para serem tomados por via oral.

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